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sexta-feira, 26 de janeiro de 2024

CRÔNICA: MÁS INTENÇÕES - WALCYR CARRASCO - COM GABARITO

 Crônica: Más Intenções

                Walcyr Carrasco

ENTRA ANO, SAI ANO, é sempre a mesma coisa. Começo a delirar com as boas intenções para 1996. Não adianta refletir que se trata de uma data simbólica e que a vida não vira de cabeça para baixo de uma noite para outra. A passagem do ano mexe com a gente. Vejo meus amigos em torno, repletos de resoluções. Lembro do ano passado e tento me acalmar. Um deles me garantiu, na noite do 31, que até o final do ano (este que termina) faria seu primeiro milhão de dólares vendendo ações. Quando o ouvi, fiquei com os neurônios verdes de inveja e pensei: "Por que nunca aprendi a vender ações para também ganhar meu milhãozinho?".

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEirY9_4sJMZ4tqc-XDqHyr4DTdGBFKF_j_yNxuv6fBwIoJPx_s6Vpltr-qOujw80XGuUopMOv-No6CbJPOLNLVYyVbgN0ETseARKSfencC7cxHthCvHfql2BFGU_gVwHX3-A79vCbz2jksTuOWnt3LcNuB2KlTPcrwnxooqsFE88xyYVDTNsNh4qUdGwvQ/s1600/ANO%20NOVO.jpg


Meu amigo está, realmente, próximo dessa quantia. Em saldo negativo no banco. Não passou para a frente uma ação sequer e economiza até nas bitucas de cigarro. Outra amiga, atriz iniciante, falava comigo animada, em fevereiro:

— Li meu mapa astral. Este será o meu ano. Vou ter grande projeção na tevê. Tenho a intuição de que vou virar estrela de novela.

De fato, apareceu na tevê. Como vítima de um assalto, chorando histérica e dando declarações aos gritos. Ganhou, é verdade, seus cinco segundos de fama. Tem crises de nervos cada vez que ouve falar em mapa astral. Há pessoas mais modestas. O sonho de uma amiga é tão simples quanto irrealizável: emagrecer. Já a encontrei, neste final de ano, com um copo de cerveja na mão e um prato repleto de lombo de porco com molho de ameixa. Espantei-me:

— Na semana passada você estava de regime estrito!

— E só desta vez. O ano está acabando mesmo. Fica para o próximo.

Aguarde!

Aguardo, sim! Aguardo o dia em que, em vez de andar, ela vai sair rolando. (Regimes quebrados nas festas são um capítulo à parte. As pessoas nunca se enganam tanto como nesta época.) O aspecto mais trágico dessas resoluções é a despedida. A pessoa resolve deixar de fumar a partir de janeiro e manda ver em dez maços cotidianos até o réveillon, para dar o adeus definitivo. Fica à beira de um ataque e volta a fumar no dia 2. Outra promete nunca mais usar o cheque especial, a partir do Ano-Novo. Corre aos shoppings e torra o que pode, com um fantástico sentimento de autoconfiança. Afinal, aquela fase da vida está terminando e nunca mais ela gastará tanto. Quase é presa por calote. E, logo depois do réveillon, lembra-se de que esquecera de comprar só mais uma coisinha.

Certo ano despenquei numa loja prestes a fechar, batalhei com o gerente e consegui levar um despertador digital. Tudo porque estava decidido a acordar às 6 da manhã para correr no Ibirapuera. Era importante iniciar o ano com o pé direito. Ou melhor, com o relógio certo, começando a correr na exata manha do dia l.. Já me vi atlético e bronzeado, veloz como um puro-sangue, vencendo a próxima São Silvestre. Saí do réveillon de madrugada, preocupado, com a camisa branca marcada de vinho. Senti que não estava na melhor forma para cumprir a resolução. Recorri a um estratagema. Adiantei o relógio quatro horas: "Quando ele tocar, pensarei que são 10. Na verdade, serão 6. Levanto e saio correndo sem tomar café, para não atrasar".

Despertei com o barulho horrendo. Vi que eram 10, mas lembrei que talvez fossem 6. Fiquei em dúvida. Desliguei o relógio com um argumento: "Se já são 10, significa que não cumpri a promessa. Sou um crápula comigo mesmo. Assim nunca serei atlético". Suspirei, virei para o lado e ronquei docemente.

Um fato é inegável: resoluções de Ano-Novo são mais frustrantes do que panetone sem passas. Desta vez, tirei a máscara.

Decidi não virar o ano garantindo que serei tão afável quanto um poodle. Confesso: meu coração pulsa repleto de deliciosas más intenções para 1996. É que as boas intenções de Ano-Novo só servem para provar uma coisa: que ninguém é de ferro. Felizmente. Se todo mundo cumprisse as promessas torturantes desta época, o planeta seria tão chato quanto um réveillon com menu dietético. 

 Entendendo o texto

01.Qual é o tema central abordado na crônica "Más Intenções" de Walcyr Carrasco?

     a) As boas intenções de Ano-Novo.
     b) As resoluções frustrantes.
     c) A importância do réveillon.
     d) O hábito de fumar.

02. Quem narra a crônica "Más Intenções"?

     a) Um observador externo.
     b) O autor, Walcyr Carrasco.
     c) Um personagem fictício.
     d) Um amigo do autor.

03. O que o autor destaca como o aspecto mais trágico das resoluções de Ano-Novo?

     a) A despedida.
     b) A volta ao cheque especial.
     c) A quebra dos regimes nas festas.
     d) A promessa de deixar de fumar.

04. Qual é a resolução da amiga atriz mencionada na crônica?

     a) Deixar de fumar.
     b) Emagrecer.
     c) Aprender a vender ações.
     d) Não usar mais o cheque especial.

05. Como o autor descreve a reação das pessoas em relação aos regimes quebrados nas festas?

     a) As pessoas se enganam mais nesta época.
     b) É um capítulo à parte das festividades.
     c) Todos conseguem manter o regime.
     d) As festas não afetam os regimes.

06. Qual foi a estratégia adotada pelo autor para cumprir a resolução de correr no Ibirapuera?

     a) Comprar um despertador digital.
     b) Adiantar o relógio quatro horas.
     c) Correr sem tomar café.
     d) Deixar de beber vinho no réveillon.

07. O que aconteceu quando o autor despertou na manhã do dia 1º?

      a) Ele correu no Ibirapuera.
      b) Admitiu que não cumpriu a promessa.
      c) Sentiu-se atlético e bronzeado.
      d) Tomou um café reforçado.

08. Como o autor descreve as resoluções de Ano-Novo em relação ao réveillon com menu dietético?

      a) Frustrantes.
      b) Divertidas.
      c) Motivacionais.
      d) Sem graça.

09. O que o autor confessa sobre suas intenções para o próximo ano?

      a) Ter boas intenções.
      b) Cumprir suas promessas.
      c) Ter más intenções.
      d) Mudar radicalmente de estilo de vida.

10. Como o autor caracteriza o planeta se todo mundo cumprisse as promessas de Ano-Novo?

      a) Chato como um réveillon com menu dietético.
      b) Animado como uma festa de carnaval.
      c) Feliz como uma tarde de domingo.
      d) Interessante como uma viagem ao exterior.

 

 

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

CRÔNICA: NO RESTAURANTE - CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE - COM GABARITO

CRÔNICA: NO RESTAURANTE
                      Carlos Drummond de Andrade

    - Quero lasanha.
 Aquele anteprojeto de mulher - quatro anos, no máximo, desabrochando na ultraminissaia - entrou decidido no restaurante. Não precisava de menu, não precisava de mesa, não precisava de nada. Sabia perfeitamente o que queria.
   Queria lasanha.

   O pai, que mal acabara de estacionar o carro em uma vaga de milagre, apareceu para dirigir a operação-jantar, que é, ou era, da competência dos senhores pais.
        - Meu bem, venha cá.
        - Quero lasanha.
        - Escute aqui, querida. Primeiro, escolhe-se a mesa.
        - Não, já escolhi. Lasanha.
        Que parada - lia-se na cara do pai. Relutante, a garotinha condescendeu em sentar-se primeiro, e depois encomendar o prato:
        - Vou querer lasanha.
        - Filhinha, por que não pedimos camarão? Você gosta tanto de camarão.
        - Gosto, mas quero lasanha.
        - Eu sei, eu sei que você adora camarão. A gente pede uma fritada bem bacana de camarão. Tá?
        - Quero lasanha, papai. Não quero camarão.
        - Vamos fazer uma coisa. Depois do camarão a gente traça uma lasanha. Que tal?
        - Você come camarão e eu como lasanha.
        O garçom aproximou-se, e ela foi logo instruindo:
        - Quero uma lasanha.
        O pai corrigiu:
        - Traga uma fritada de camarão pra dois. Caprichada.
        A coisinha amuou. Então não podia querer? Queriam querer em nome dela? Por que é proibido comer lasanha? Essas interrogações também se liam no seu rosto, pois os lábios mantinham reserva. Quando o garçom voltou com os pratos e o serviço, ela atacou:
        - Moço, tem lasanha?
        - Perfeitamente, senhorita.
        O pai, no contra-ataque:
        - O senhor providenciou a fritada?
        - Já, sim, doutor.
        - De camarões bem grandes?
        - Daqueles legais, doutor.
        - Bem, então me vê um chinite, e pra ela... O que é que você quer, meu anjo?
        - Uma lasanha.
        - Traz um suco de laranja pra ela.
        Com o chopinho e o suco de laranja, veio a famosa fritada de camarão, que, para surpresa do restaurante inteiro, interessado no desenrolar dos acontecimentos, não foi recusada pela senhorita. Ao contrário, papou-a, e bem. A silenciosa manducação atestava, ainda uma vez, no mundo, a vitória do mais forte.
        - Estava uma coisa, heim? - comentou o pai, com um sorriso bem alimentado.
        - Sábado que vem, a gente repete... Combinado?
        - Agora a lasanha, não é, papai?
        - Eu estou satisfeito. Uns camarões tão geniais! Mas você vai comer mesmo?
        - Eu e você, tá?
        - Meu amor, eu...
        - Tem de me acompanhar, ouviu? Pede a lasanha.
        O pai baixou a cabeça, chamou o garçom, pediu. Aí, um casal, na mesa vizinha, bateu palmas. O resto da sala acompanhou. O pai não sabia onde se meter. A garotinha, impassível. Se, na conjuntura, o poder jovem cambaleia, vem aí, com força total, o poder ultra-jovem.

ANDRADE, Carlos Drummond. Crônicas I - “Para Gostar de Ler 1”.
São Paulo: Editora Ática; 2005. 27º Edição.

Interpretação do texto:

       01)  Com que detalhes físicos o narrador descreve a menina?
Aquele anteprojeto de mulher.

  02)   Quais os pormenores do comportamento dela?
Não precisava de menu, não precisava de mesa, não precisava de nada, sabia perfeitamente o que queria.

      03)   Qual o conflito vivido pelo pai e pela menina?
O pai queria camarão e a menina queria lasanha.

     04)  Nesse conflito, houve um momento em que a vitória parecia pender para o lado do pai, mas a filha venceu. Explique.
Você come camarão e eu como lasanha.

   05)   Que reações tiveram as pessoas que estavam no restaurante durante o conflito?
Bateram palmas.

     06)  Qual é a mensagem deste texto?
Todo acordo acertado, tem que ser cumprido.

     07)  Qual a diferença entre poder jovem e poder ultrajovem?
De acordo com o autor, O poder jovem é o comportamento das novas gerações, que chegam sempre cheias de certezas. O poder ultrajovem, é a geração seguinte.

      08)  Explique o que significa “sorriso bem alimentado do pai”?
Que ele estava satisfeito com o camarão.

 09)  Qual a frase escrita na linguagem popular que significa “nós comemos uma lasanha”?
“A gente traça uma lasanha.”

1 10)             Quais os sinônimos de “bem bacana” e “tá” na linguagem culta?
“Bem-bacana”: bem-estar, bem-sucedido.
“Tá”: sim, basta.”

1  11)               O que significa “uma vaga de milagre”?
Significa, uma vaga maravilhosa.

1  12)               Em que sentido a menina de 4 anos é um anteprojeto de mulher?

Sentido figurado.

quarta-feira, 24 de janeiro de 2024

CRÔNICA: POR ÁGUA ABAIXO... WALCYR CARRASCO - COM GABARITO

 Crônica: Por Água Abaixo...

                Walcyr Carrasco

HÁ ALGUNS MESES eu corria na esteira quando aconteceu uma coisa surpreendente. Um amigo observou o marcador do ritmo cardíaco e comentou.

— O seu ritmo está diminuindo, em vez de aumentar! Devia ser o

contrário! . 

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiyYGTQ0o8cWIZ-TUmjVQY8_i5qpMVYGcMGZyYtsy-U4pjUJAM1A1WHI2KdLqazgaEG7Z7AAL-pUENQLthma-oNhqWaeYsIpUyNJrp-O2vSYK3byU4ULTZaYqHGFBfgGvNvhYMkv2g8hOdCXoRY4BsqqX4hrlBlH1Jmi-8X6udrjqK7PcVT5GU6jrSAVWI/s320/BARRIGUDO.jpg


Respondi, já me sentindo um superesportista:

— Sou um alienígena.

-—Só se guardar a nave na barriga!

Cautelosamente, abaixei os olhos para minha cintura roliça. Pela milésima vez, fiz o voto:

Vou emagrecer!

Bem, o fim de ano se aproximava. Transformei a decisão na minha principal promessa, além das usuais: ser bom, me apaixonar e escrever um grande livro. Entretanto, há uma grande contradição entre as promessas de Ano-Novo e o advento do próprio. Falando claramente: quem faz regime na ceia de Natal, por exemplo?

Fui para a casa de meu irmão, em Campinas. Quando nos encontramos, notei que o próprio estava com uns quilinhos a mais do que da última vez. Mau sinal. Eu estava decidido a me comportar frugalmente. Foi só deixar a valise no quarto de hóspedes para minha cunhada anunciar.

— A fogazza está pronta!

Deliciosa fogazza, feita em casa. Meu irmão acendia o forno a lenha. Abandonamos seu filho embaixo da árvore de Natal e corremos para a mesa. Eram sete horas. Só saímos à meia-noite, depois de devorarmos a. fogazza, um vidro de conserva de pimentões, quatro pratos de gaspacho cada um (para quem não conhece, uma sopa fria de tomate, espanhola), três de risoto de escarola e umas oitenta fatias de pernil de cordeiro assado, completados por pratos de frutas secas, uma torta de maçã, um bolo de pistache e outro de damasco. O pobre garoto tentou nos interromper algumas vezes para mostrar os presentes e falar sobre Papai Noel.

Nós o calávamos enfiando pedaços de pão em sua boca.

         Voltei no dia seguinte, com. o coração sereno.         

— Foi uma exceção... porque a partir do Ano-Novo tudo vai mudar!

Na estrada, parei para comprar três quilos de linguiça, três salames e dois queijos. Evitei o doce de leite, que engorda muito.

Bem, o fato é que não podia deixar as compras estragarem. Passei os dias seguintes chafurdando em linguiça frita, fazendo sanduichinhos rápidos de salame etc. Quando a noite de ano se aproximou; prometi:

— Agora começo o regime!

Mas existe um menu das boas-entradas. Itens essenciais no cardápio, sem o qual o ano pode se tornar um desastre. Lentilha, por exemplo. Fica deliciosa quando preparada com pedaços de carne de porco. Doces são essenciais, para que o ano seja ameno. Uvas. Champanhe, e quanto mais taças, melhor! Ou seja. Já estava quebrando a promessa na própria virada do ano. Não durou um mísero segundo!

Há um fator psicológico importante nos dias que se seguem ao Ano-Novo. Muitas das compras estão lá, intatas. Panetones. Bolos. Doces. Bebidas. Também há quem nos presenteie com mais... panetones, bolos, doces... bebidas! Começar o ano desperdiçando, nem pensar!

Dediquei as últimas duas semanas a aproveitar! Sempre decidido a começar o regime no dia seguinte. Porque, afinal, promessa de Ano-Novo é sagrada! Além do mais, minha vaidade também conta. Havia prometido a mim mesmo estar esbelto para ir à praia. Realmente, há algo de irreconciliável entre fazer bonito no verão e se divertir nas festas!

Suspiro. O carnaval está aí. Carnaval sem cerveja não dá. Cerveja sem batata frita, não dá. Batata frita sem linguiça fritinha no prato para acompanhar... E para que começar agora, se é para quebrar daqui a pouco?

Adiei minha promessa de Ano-Novo para depois do carnaval. Dizem que o país só funciona depois da passagem das escolas de samba. Farei o mesmo com todas as minhas promessas. Incluindo o tal grande livro, que nem comecei a escrever. Depois de tal orgia gastronômica... só aguento dar um cochilo!

Enquanto isso, minha barriga... Se antes abrigava uma nave alienígena, agora é capaz de guardar um aeroporto inteiro! 

Entendendo o texto

01. Qual é o assunto central da crônica "Por Água Abaixo..." de Walcyr Carrasco?

a) Exercícios físicos.
b) Festas de fim de ano.
c) Promessas de Ano-Novo.
d) Dieta e regime.

02. Quem é o narrador na crônica?

        a) Primeira pessoa.
        b) Segunda pessoa.
        c) Terceira pessoa.
        d) Narrador onisciente.

03. Onde o narrador se encontrava quando seu amigo observou o marcador do ritmo cardíaco?

        a) No restaurante.
        b) Na esteira.
        c) Na academia.
        d) Na festa de Ano-Novo.

04. O que o narrador promete fazer no fim de ano, além de emagrecer?

       a) Ser bom.
       b) Se apaixonar.
       c) Escrever um grande livro.
       d) Todas as opções acima.

05. Onde o narrador passa o fim de ano na crônica?

      a) Em sua casa.
      b) Na casa do irmão em Campinas.
      c) Na praia.
      d) No restaurante.

06. Qual é o cardápio descrito na ceia de Natal na casa do irmão do narrador?

       a) Churrasco e quindins.
       b) Gaspacho, risoto de escarola, pernil de cordeiro, frutas secas e sobremesas diversas.
       c) Linguiça, salame, queijo e doce de leite.
       d) Lentilhas e champanhe.

07. O que o narrador decide fazer na virada do ano?

       a) Começar o regime.
       b) Quebrar a promessa.
       c) Fazer exercícios físicos.
       d) Abandonar as promessas.

08. O que o narrador destaca como essencial no menu das boas-entradas?

        a) Linguiça.
        b) Lentilhas.
        c) Doces e bebidas.
        d) Todas as opções acima.

09. O que o narrador decide adiar para depois do carnaval?

        a) Promessa de emagrecer.
        b) Começar o regime.
        c) Escrever um grande livro.
        d) Todas as promessas.

10. Como o narrador descreve o estado de sua barriga no final da crônica?

        a) Abriga uma nave alienígena.
        b) Capaz de guardar um aeroporto inteiro.
        c) Firme e tonificada.
        d) Magra e esbelta.

domingo, 25 de agosto de 2024

ANÁLISE: "A NOVA CALIFÓRNIA", (PC) É UMA BREVE E DIFERENTE FORMA DE SE CONTAR HISTÓRIA (FRAGMENTO) - COM GABARITO

 Análise: A Nova Califórnia”, (PC) é uma breve e diferente forma de se contar história – Fragmento

        O jogo brasileiro desenvolvido pela Game e Arte é uma experiência curta, mas adapta com criatividade um conto literário para os games.

Por Gilson Peres em 06/12/2017

        [...]

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEh_FajL3dDN6Mu0DRD13HvRw5xWs6Q-2ubNIT7kjCe0UFm4q41Il62_FIgfbhaGDuvlJiZeWNTaMPuzTL4jooL4JEP61n6V8Jd8hjtQhvgDkf29TB5RpVvcDbDYHhI_ZDsFmnW_X4q2U6tU-nin9Kys4sZsrMOElp1Uwg7-XICM325AUmDgwYvdzSSUTNk/s320/GAME.png


 Enredo digno da literatura brasileira

        Basicamente o enredo de “A Nova Califórnia” já existe desde 1910. Originalmente este é um conto de Lima Barreto, [...]. A história acompanha vários personagens habitantes da cidade que dá o nome à trama quando a chegada de um novo morador cria um desconforto geral com suas práticas estranhas e origem desconhecida. Dentro deste núcleo, temos o Boticário da cidade, que ouve uma ideia mirabolante e questionável deste novo morador de como fazer dinheiro fácil. A trama toda gira em torno de mensagens como as de ganância, preconceito e ética.

        No jogo, toda essa aura do conto de Barreto foi devidamente respeitada e adaptada com maestria. Mecânicas de jogo diferenciadas fazem com que os textos e diálogos tornem-se essenciais para o avanço da aventura, o que torna a apreensão da história em seus mínimos detalhes divertida e obrigatória na jogatina. Entretanto, transformar um conto de duas páginas de 1910 em um jogo independente em 2017 tem seu preço: “A Nova Califórnia” é extremamente curto. Isso não atrapalha em nada a diversão que o título proporciona, mas os amantes das várias horas gastas em um único título podem se frustrar com essa simplicidade.

        Um dos pontos mais interessantes das histórias apresentadas ao longo da jogatina é o extenso conteúdo depositado em cada um dos simples e rápidos personagens. Com diálogos curtos e resoluções simples, o game mostra posicionamentos e situações próprias para serem debatidas em sala de aula ou em rodas de conversa, o que é uma experiência muito bacana em um jogo, pois aqui a experiência de jogar é livremente completada pelo jogador, que pode interpretar a história passada de vários modos e com opiniões diferentes.

        Visual simples com ambientação divertida

        Um aspecto curioso de “A Nova Califórnia” é o fato dele ter sido feito totalmente no RPG Maker. Além disso possibilitar que o jogo seja acessível para praticamente qualquer configuração de computador atual e até vários mais antigos, o jogo agrada por uma ambientação com poucos recursos, mas ótimos detalhes. Elementos como as casas, cidades e até túmulos que aparecem durante o jogo são bastante fiéis àqueles que existiam na época em que o enredo do jogo se passa. A técnica de pixel art combinada com efeitos caricatos para os personagens torna tudo mais leve e engraçado, mesmo que a temática da história seja um tanto macabra.

        O interessante de não se apoiar tanto no aspecto visual em alta definição para a ambientação foi a abertura para outras formas de adaptar a história, como através das músicas e dos textos do jogo. As falas fora da norma culta do português quando os escravos interagem com os personagens, a cantiga do “marcha soldado” que é cantarolada pelos policiais quando eles estão marchando pela cidade e outros detalhes deste nível fazem com que o conteúdo artístico do game se torne ainda mais interessante.

        [...]

        Mecânicas de jogo diferenciadas

        “A Nova Califórnia” é um game basicamente de aventura, mas é bem difícil enquadrá-lo nas fórmulas tradicionais do gênero. Ao contrário da maioria, este é um game com alguns aspectos de stealth mesclados à aventura, além do já citado foco em diálogos como parte da resolução de puzzles dentro das fases do jogo. Existem fases que basicamente o jogador precisa conversar com as pessoas na cidade e isso acaba se tornando bastante interessante, pois é a partir daí que a história é de fato contada e você consegue conhecer melhor os personagens. 

        Além disso, existem fases nas quais o protagonista precisa roubar e arrombar túmulos, fugindo dos moradores, policiais e outros elementos. Estes são os ápices de ação do jogo e o torna ainda mais divertido. Entretanto, existe um problema aqui: como ele possui um único nível de dificuldade, os ávidos por desafios podem se frustrar bastante, pois o game é demasiadamente fácil de se superar. Claro que o foco é o “contar uma história’, mas um nível de desafio maior nas missões de arrombar túmulos seria bem-vinda para a jogatina.

        [...]

        Prós

·        História bem adaptada;

·        Cenários bem feitos, mesmo que com pouca iluminação;

·        Trilha sonora boa;

·        Missões criativas e adaptadas ao conto original;

·        Mecânicas de jogo diferenciadas;

·        Visual caricato agrada;

·        Indicado para aplicação em escolas;

·        Controles simples o tornam bastante acessível.

Contras

·        Nível de dificuldade baixo demais;

·        Navegação pelo mapa confusa em alguns momentos;

·        Menu simplista pode desagradar alguns.

“A Nova Califórnia” — PC — Nota: 8.0

PERES, Gilson. Análise: “A Nova Califórnia” (PC) é uma breve e diferente forma de se contar história. Disponível em: https://www.gameblast.com.br/2017/12/analise-nova-california.html. Acesso em: 23 abr. 2020.

Fonte: Linguagens em Interação – Língua Portuguesa – Ensino Médio – Volume Único – Juliana Vegas Chinaglia – 1ª edição, São Paulo, 2020 – IBEP – p. 53-55.

Entendendo a análise:

01 – Qual é a origem do enredo do jogo "A Nova Califórnia"?

      O enredo de "A Nova Califórnia" é baseado em um conto homônimo de Lima Barreto, escrito em 1910. O jogo adapta essa história para o formato de jogo digital, mantendo temas como ganância, preconceito e ética.

02 – Como o jogo "A Nova Califórnia" se destaca em termos de mecânicas de jogo?

      O jogo se destaca por suas mecânicas diferenciadas, mesclando elementos de stealth com aventura e focando em diálogos como parte essencial da resolução de puzzles. Essas mecânicas tornam o jogo único dentro de seu gênero.

03 – Quais são as principais críticas negativas mencionadas na análise sobre o jogo?

      As principais críticas são relacionadas ao baixo nível de dificuldade, que pode frustrar jogadores que buscam desafios, e à navegação confusa pelo mapa. Além disso, o menu simplista pode desagradar alguns jogadores.

04 – Por que "A Nova Califórnia" é considerado um jogo curto, e como isso impacta a experiência?

      "A Nova Califórnia" é considerado curto porque adapta um conto literário de apenas duas páginas, resultando em uma experiência de jogo breve. Apesar disso, a análise aponta que essa curta duração não compromete a diversão, mas pode frustrar jogadores que preferem títulos mais longos.

05 – Como o jogo "A Nova Califórnia" aborda a ambientação e o visual?

      O jogo utiliza pixel art e foi desenvolvido no RPG Maker, resultando em um visual simples, mas detalhado, que recria de forma fiel os cenários da época em que a história se passa. A combinação de efeitos caricatos com uma temática macabra cria uma atmosfera leve e divertida.

06 – De que forma o jogo "A Nova Califórnia" pode ser utilizado em ambientes educacionais?

      O jogo é indicado para aplicação em escolas devido ao seu conteúdo rico e à forma como ele promove discussões sobre os temas abordados. A interação com os personagens e a interpretação livre da história tornam-no uma ferramenta educativa valiosa.

07 – Quais aspectos artísticos do jogo "A Nova Califórnia" são destacados na análise?

      A análise destaca a trilha sonora, os diálogos autênticos e a ambientação como aspectos artísticos notáveis. Detalhes como as falas fora da norma culta do português e a cantiga “marcha soldado” cantada pelos policiais enriquecem a experiência artística do jogo.

 

 

quinta-feira, 9 de agosto de 2018

TEXTO: COMUNICAÇÃO E SOCIALIZAÇÃO - JUAN E.DIAZ BORDENAVE - COM GABARITO


Texto: Comunicação e Socialização

        Lembre-se o leitor como se fez gente: sua casa, seu bairro, sua escola, sua patota.
        A comunicação foi o canal pelo qual os padrões de vida de sua cultura foram-lhe transmitidos, pelo qual aprendeu a ser “membro” de sua sociedade – de sua família, de seu grupo de amigos, de sua vizinhança, de sua nação. Foi assim que adotou a sua “cultura”, isto é, os modos de pensamento e de ação, suas crenças e valores, seus hábitos e tabus. Isto não ocorreu por “instrução”, pelo menos antes de ir para a escola: ninguém lhe ensinou propositadamente como está organizada a sociedade e o que pensa e sente a sua cultura. Isto aconteceu indiretamente, pela experiência acumulada de numerosos pequenos eventos, insignificantes em si mesmos, através dos quais travou relações com diversas pessoas e aprendeu naturalmente orientar seu comportamento para o que “convinha”. Tudo isto foi possível graças à comunicação. Não foram os professores na escola que lhe ensinaram sua cultura: foi a comunicação diária com pais, irmãos, amigos, na casa, na rua, nas lojas, nos ônibus, no jogo, no botequim, na igreja, que lhe transmitiu, menino, as qualidades essenciais da sociedade e da natureza do ser social.
        Contrariamente, então, ao que alguns pensam, a comunicação é muito mais que os meios de comunicação social. Estes meios são tão poderosos e importantes na nossa vida atual, que às vezes esquecemos que representam apenas uma mínima parte de nossa comunicação total.
        Alguém fez, uma vez, uma lista dos atos de comunicação que um homem qualquer realiza desde que se levanta pela manhã até a hora de deitar-se no fim do dia. A quantidade de atos de comunicação é simplesmente inacreditável, desde o “bom dia” à sua mulher, acompanhado ou não por um beijo, passando pela leitura do jornal, a decodificação de número e cores do ônibus que o leva ao trabalho, o pagamento ao cobrador, a conversa com o companheiro de banco, os cumprimentos ao colegas no escritório, o trabalho com documentos, recibos, relatórios, as reuniões e a entrevistas, a visita ao banco e as conversas com o seu chefe, os inúmeros telefonemas, o papo durante o almoço, escolha do prato no menu, conversa com os filhos no jantar, o programinha de televisão, o diálogo com sua mulher antes de dormir, e o ato final de comunicação num dia cheio dela: “boa noite”.
        A comunicação confunde-se, assim, com a própria vida. Temos tanta consciência de que comunicamos como de que respiramos ou andamos. Somente percebemos a sua essencial importância quando, por um acidente ou uma doença, perdemos a capacidade de nos comunicar. Pessoas que foram impedidas de se comunicar durante longos períodos enlouqueceram ou ficaram perto da loucura.
        A comunicação é uma necessidade básica da pessoa humana, do homem, do social.
                          BORDENAVE, Juan E. Díaz. O que é comunicação.
                          São Paulo, Nova Cultural/Brasiliense, 1986. p. 17-9.
Entendendo o texto:
01 – Releia atentamente o primeiro parágrafo e responda: qual a relação entre comunicação e cultura?
      A cultura é adquirida por meio da comunicação, numa infindável sequência de pequenos atos comunicativos cotidianos. Destacar que o texto lida com um conceito de cultura amplo: a cultura é entendida como o conjunto dos hábitos, padrões e valores de um grupo social.

02 – O segundo parágrafo nos fala em “meios de comunicação social”. O que você sabe sobre eles?
      Essa expressão se relaciona com os meios de comunicação de massa, aos quais normalmente se remete quando se pensa em comunicação.

03 – O que pensa o autor sobre os meios de comunicação social?
      O autor deixa claro que os meios de comunicação de massa, apesar de poderosos, constituem apenas uma parte mínima da nossa comunicação.

04 – O terceiro parágrafo é constituído por enumeração: uma longa série de atos de comunicação cotidianos nos é apresentada pelo autor. Como podemos relacionar esses atos com os meios de comunicação social do parágrafo anterior?
      Essa enumeração coloca em evidência aquilo que o autor havia declarado no parágrafo anterior: note-se que, nessa lista bastante extensa, a maioria absoluta dos atos de comunicação escapa do circuito dos meios de comunicação de massa, realizando-se nos níveis mais pessoais do cotidiano.

05 – O quarto parágrafo nos coloca uma conclusão sobre o assunto levantado e discutido pelo texto. Qual a frase ou passagem que sintetiza essa conclusão?
      “A comunicação confunde-se, assim, com a própria vida”. Destacar o valor da palavra assim nesse momento conclusivo do texto.

06 – Relendo cuidadosamente as questões anteriores, é possível detectar o percurso seguido pelo autor para atingir sua conclusão no quarto parágrafo. Comente esse percurso.
      O autor principia seu texto relacionando cultura e comunicação; alude aos meios de comunicação social; mostra que a comunicação vai muito além desses meios, sendo parte de cada pequeno ato cotidiano, e se encaminha assim para a conclusão de que a comunicação se confunde com a própria vida, pois é uma necessidade básica do ser humano. O aluno deve opinar sobre a eficiência argumentativa desse percurso.

07 – O último parágrafo sintetiza todo o conteúdo do texto. Reflita sobre o que ele diz e responda: sua experiência de vida comprova essa afirmação? Por quê?
      Incentivar o aluno a relacionar o conteúdo do texto estudado com sua própria vivência. É importante que ele se habitue a justificar suas posições.

08 – Cite três atos de comunicação que você realizou hoje.
      Resposta pessoal do aluno.

09 - Defina, com suas palavras, o “homem social”.
      Resposta pessoal do aluno.

10 – Para você qual a importância da comunicação para a vida em sociedade?
      Resposta pessoal do aluno.