quarta-feira, 10 de janeiro de 2024

CRÔNICA: SINAL VERMELHO - WALCYR CARRASCO - COM GABARITO

 CRÔNICA: Sinal Vermelho

                   Walcyr Carrasco

 

QUANDO PERGUNTEI SE TINHA dinheiro trocado, minha amiga abriu a bolsa e tirou a carteira. Verificou. Insuficiente. Imediatamente, tirou uma segunda carteira do bolso do casaco, essa repleta de notas. Espantei-me:

— Duas carteiras?

— Uma é para os assaltantes — explicou.

Farta de ter sido roubada várias vezes ao parar no semáforo, ela optou pelo estratagema.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjajfH8A7eafdlTNL09rOOLu2umC9fvbmbiX3hgDZQfiR96pzRxdJJ2TohU_7Imuifv9OoMazhabalarDKRy_T_61Bkgt1u6Vxdzt5W4EVafKPavMpm03RulmToqvZO4QGY_UtZ7A6OfmbtqDvjspqopX8Oe7XOYxRT3_8DnT3Nk6r4XXqweGsBAiuWsNM/s1600/VERMELHO.jpg


Houve época em que os assaltantes eram rápidos. Aproximavam-se, arrancavam um relógio e uma corrente de ouro e saíam correndo como ratos assustados. O assaltante do semáforo, hoje, é um profissional seguro, consciente de ter conquistado um espaço na sociedade. Em certo sentido, tem muito a ver com um dentista. Ambos sabem lidar com o nervosismo alheio. A única diferença é que, enquanto o dentista promete que não vai doer, o ladrão garante o oposto. Está distante de qualquer proposta feminista, pois prefere as mulheres desacompanhadas. Aproxima-se, explica que é um assalto e que quer todo o dinheiro da carteira. Generosamente, dispensa os documentos e as vítimas até agradecem.

— Tive a maior sorte — comentou uma conhecida.

— Ele deixou tudo, menos o dinheiro. Foi muito legal.   

Como se o ladrão fosse um amigo compreensivo!

Seu método, desenvolvido em centenas de semáforos, é o da pressão psicológica pura e simples. Na maior parte das vezes nem arma mostra. Já vi a atuação de um desses assaltantes. Eu estava parado num semáforo próximo à praça Roosevelt. Atrás de mim, em seu Fiat, a sábia amiga das duas carteiras. O profissional, acompanhado de um ajudante, aproximou-se de seu vidro. Vi, pelo meu retrovisor, que conversava com ela cortesmente. "Será um assalto?", refleti. Observei para ver se havia alguma arma. De jeito nenhum. Um bando de rapazes "mal-ajambrados" acompanhava a cena de longe. Já me vi descendo do carro e enfrentando todos a golpes de capoeira. O único problema é que não sei capoeira. Apenas pensei em aprender, duas ou três décadas atrás.

Prudentemente, decidi-me pela versão menos perigosa. "Deve estar pedindo esmola." Vi quando minha amiga ofereceu algumas notas. Achei a esmola grande, mas disfarcei. O sinal abriu, partimos. Mais tarde, no restaurante, onde havíamos combinado nos encontrar, ela revelou: fora um assalto! Gentilmente (e com alguma dor de consciência), fiz questão de pagar o jantar. Ou seja, o assaltado fui eu, porque o menu custou muito mais do que a quantia roubada.

Conheci uma garota que no último mês foi assaltada cinco vezes, em semáforos diferentes. Acha normal. Particularmente, acho que o mais grave é quando uma coisa dessas começa a ser "normal". E inútil revoltar-se. Uma jovem que trabalha na área de moda estava no semáforo do Trianon, na esquina da avenida Paulista, às 4 da tarde. O ladrão aproximou-se, pediu o relógio e o dinheiro. Ela rodopiou o pescoço em busca de ajuda. Foi-se o tempo dos cavaleiros andantes! Parecia ter-se tornado invisível. Nesse instante, farol verde! Os carros se moveram. Ela acelerou. O meliante agarrou seu rabo-de-cavalo. Pior que Rapunzel com suas tranças, ela ficou presa pelos cabelos, com um pé no acelerador, outro no breque e o pulso entregue ao ladrão. Liberou-se só depois de devidamente depenada.

Qualquer motorista sabe quais são os pontos mais perigosos. Então por que ninguém faz nada? Em regiões como a praça Roosevelt e o Trianon sucedem se os assaltos como se fossem terras de ninguém.

Estou começando a desenvolver a síndrome do pânico em cada sinal vermelho. Fecho os vidros, mesmo agora no verão. Fico parado, olhando cautelosamente em todas as direções enquanto o interior do veículo se transforma numa sauna. Logo eu, um tipo capaz de fazer piada de quase todas as coisas da vida. Mas a questão é séria. Seria cômica se não fosse trágica.

Perder peso e entrar em forma?

Para andar na moda já não basta usar esta ou aquela roupa. E preciso ter o corpo certo, com as medidas exatas de um halterofilista para eles, com o padrão de uma ginasta olímpica para elas. Uma tragédia para os barrigudinhos como eu. Tenho um amigo que passa três horas por dia na academia. Sai do trabalho e corre para os abdominais, para os alongamentos, para o levantamento de peso. Está com peito de pombo. Outro malhou tanto que os bíceps parecem dois pernis. A cabecinha fica enterrada nos ombros como uma coruja. Ambos sentem-se orgulhosos como gaviões. Uma conhecida passa os dias malhando. O corpo, enxuto, não combina com os vincos do rosto e com o nariz em forma de guarda-chuva. Às vezes dá a impressão de que fez um implante de cabeça.

Tenho inveja dos tempos em que alguém podia envelhecer tranquilamente. Fazer exercícios não é mau. O duro é que virou obsessão. Há uma amiga que passa as noites pedalando numa bicicleta ergométrica enquanto vê as novelas. Outra comprou uma esteira a prazo, que agora enfeita seu dormitório, com uma porção de roupas dependuradas. Virou cabide. O filho de outro amigo começou a se queixar de gordura. Entrou em pane, até convencer o pai a adquirir a bicicleta mais cara do pedaço. Uma maravilha, colocada no terraço do apartamento. Mal chegou, atirou-se sobre ela e pedalou quinze minutos, feliz. Nunca mais a usou. Está lá, no terraço, tomando chuva.

O pior é que qualquer rapaz bombado, qualquer pantera malhada age como se fosse um ser oriundo das estrelas. Vão às festas de camiseta, com jeans e roupas colantes. Se eu apareço com um paletó folgado para disfarçar o abdome, observam-me, fiscalizando. Eu me sinto como se fosse uma bolsa Chanel na vitrine de uma sex shop. Confesso: resolvi fazer ginástica, recentemente. Tentei o personal trainer. Ou seja, um professor de ginástica particular, até que eu pegasse o ritmo. Mal começamos, ele me deitou numa espécie de cadeira de dentista forrada de preto e me deu uma barra com pesos nas extremidades, a ser erguida vinte vezes.

Ergui uma, foi fácil. Duas, mais ou menos. Na terceira, o coração batia no nariz.

— Estou velho, já não posso mais! — reclamei.

—- Continue erguendo, ou a barra cai no seu queixo — ele avisou, didaticamente.

Nos abdominais foi pior. Eu contava, e logo chegava aos trinta. Quase mordi o joelho, de tanto nervosismo. Depois o instrutor me pendurou num aparelho de alongamento. Fiquei de pernas abertas, barriga para a frente e mãos agarrando uma barra de madeira, logo atrás.

— Esse exercício tira barriga — explicou.

— Você não pode me algemar aqui, até amanhã? — implorei. 

Com um sorriso de desprezo, o crápula terminou a aula.

— Se amanhã você conseguir se mexer, faça alguns exercícios —

despediu-se.

Desde a primeira aula, bastava olhar no espelho para me sentir um atleta. Assim, continuei com o sofrimento. Aulas depois ele começou a colocar pesos nos pés, que eu deveria erguer ritmadamente. Dava a impressão de que os dedos iam cair no chão. Meus amigos, só elogios:

— Agora você vai sentir mais vitalidade. 

Eu sentia sono só de ouvir a palavra vitalidade. Fui me pesar, esperançoso.

Dois quilos extras.

— E a massa muscular — disse o crápula.

Tanto esforço para engordar? Preferia ter devorado quilos de chantili. Mesmo assim, persisti no sacrifício.

Outro dia peguei uma revista de moda internacional. Até agora essas revistas eram pródigas em exibir manequins até quarentões, mas sempre com peitorais e bíceps expressivos. Surpresa! Em todas, modelos longilíneos, magros, cabelos compridos e ar romântico.

— O homem musculoso está saindo de moda! — pontificou uma amiga estilista. — O bonito agora é o tipo dândi, bem magro.

Pensei nos meus amigos nadando, jogando tênis, malhando. O que vão fazer agora? Trocar de corpo? E eu? Corri ao espelho. Examinei: meus braços estavam começando a ficar com aquele jeitinho de quem faz ginástica! Ih!

         É isso aí. Até quando entro em forma dou com os burros n'água.

          

Entendendo o texto

01.  Por que a amiga do narrador carrega duas carteiras?

a) Para se proteger de assaltantes.

b) Porque uma é para os documentos e outra para o dinheiro. c) Para despistar os ladrões.

d) Todas as alternativas estão corretas.

02. Como o assaltante do semáforo é descrito em comparação com os antigos assaltantes?

         a) Rápido e impulsivo.

         b) Profissional e consciente.

         c) Desorganizado e desesperado.

         d) Inofensivo e amigável.

03.Qual é o método mais comum desse tipo de assaltante?

        a) Mostrar a arma imediatamente.

        b) Usar a pressão psicológica.

        c) Roubar apenas documentos.

        d) Agir rapidamente e fugir.

04. O narrador presenciou um assalto próximo à praça Roosevelt. O que ele observou sobre o assaltante?

        a) Ele estava armado e agiu rapidamente.

        b) Ele pedia esmolas educadamente.

        c) Ele estava acompanhado por um grupo de malfeitores.

        d) Ele recusou o dinheiro oferecido pela amiga do narrador.

05. O que aconteceu durante o assalto vivido pela amiga do narrador?

        a) Ela ofereceu notas como esmola.

        b) O assaltante levou tudo, exceto o dinheiro.

        c) Ela conseguiu escapar ilesa.

        d) O narrador pagou o jantar depois de descobrir o assalto.

06. O narrador relata uma experiência no trânsito que o fez sentir como se estivesse numa sauna. O que ele faz para se proteger?

        a) Fecha os vidros do carro.

        b) Liga o ar condicionado.

        c) Desce do carro e enfrenta os ladrões.

        d) Grita por ajuda.

07. Qual é a reclamação do narrador em relação à pressão estética na sociedade?

       a) A obsessão por perder peso.

       b) A exigência de ter o corpo perfeito.

       c) A falta de moda para barrigudinhos.

       d) Todas as alternativas estão corretas.

08. O narrador tenta fazer ginástica com a ajuda de um personal trainer. Como ele se sente após a primeira aula?

       a) Energizado e motivado.

       b) Como um atleta.

       c) Cansado e dolorido.

       d) Deprimido e desencorajado.

09. Qual é a descoberta surpreendente sobre a moda masculina mencionada na crônica?

       a) Homens musculosos estão fora de moda.

       b) Homens magros são os mais desejados.

       c) Modelos masculinos agora usam cabelos compridos.

       d) Homens devem trocar de corpo para se adequar à moda.

10. Como o narrador se sente em relação aos seus esforços para entrar em forma no final da crônica?

      a) Satisfeito e realizado.

      b) Frustrado e desanimado.

      c) Animado para continuar se exercitando.

      d) Surpreso com os resultados positivos.

 

 

 

 

 

sábado, 6 de janeiro de 2024

DOCUMENTÁRIO: MEDO DE SOBRAR, MEDO DE SONHAR - SESC SP - COM GABARITO

 DOCUMENTÁRIO: MEDO DE SOBRAR, MEDO DE SONHAR

              SESC  SP

SINOPSE

Diante das questões de maior relevância social relacionadas ao trabalho e as incertezas sobre o primeiro emprego, foi lançado pelo Sesc SP o documentário Medo de sobrar, medo de sonhar, criado pela produtora Infame durante o Seminário Jovens e Trabalho: Dilemas, Invenções e Caminhos, realizado no Sesc Bom Retiro em setembro de 2017.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgBbj3SckdWcglwmyXjwFNn4oE3pdX5xqRzxz880zpzURmSF6pRHnhcL54RDBQ9qoCo_TEhuNWajBnBstYJucKJVQnKlX5jhpQ02F8geVnaGBMVpEY-2XufPtrvXvoOawjbxF6qp15JmnlyoKLaCnx5uuVoRRfBVwo3dfL4f82toPNhxvWbQWf8QjGQJKE/s320/MEDO.jpg


O documentário apresenta relatos de jovens e adultos da periferia de São Paulo, compartilhando sua trajetória de descoberta, aprendizado e entendimento do que é trabalho e suas possibilidades de realização pessoal. Esse documentário compartilha histórias com a perspectiva de que há futuros possíveis e que eles podem ser a realização de sonhos.

O documentário também conta com depoimentos de pesquisadores e especialistas na temática jovens e trabalho, como Regina Novaes, Andrea Assef, Maria Carla Corrochano, Helena Abramo e Daniel Kafuzo, entre outros.

Entendendo o documentário

01. Qual é a temática principal abordada no documentário?

      a) Arte urbana.

      b) Educação ambiental.

      c) Saúde mental.

      d) Desenvolvimento econômico.

02. Quem são os protagonistas ou personagens centrais do documentário?

     a) Atletas profissionais.

     b) Músicos renomados.

     c) Jovens empreendedores.

     d) Pessoas em situação de rua.

03. Onde ocorre o evento registrado no documentário?

     a) Rio de Janeiro.

     b) São Paulo.

     c) Brasília.

     d) Belo Horizonte.

04. O que o documentário destaca como sendo motivo de medo para as pessoas abordadas?

    a) Perder oportunidades profissionais.

    b) Não alcançar metas esportivas.

    c) Sofrer com problemas de saúde mental.

    d) Enfrentar desafios ambientais.

05. Qual é o tema principal abordado no documentário "Medo de Sobrar, Medo de Sonhar"?

     a) A vida nas grandes metrópoles.
     b) A cultura brasileira.
     c) Os desafios enfrentados por jovens em situação de vulnerabilidade social.
    d) A história do SESC SP.

06. O que o documentário explora em relação aos jovens em situação de vulnerabilidade social?

     a) Suas habilidades artísticas.
     b) Suas trajetórias de superação.
     c) Suas viagens pelo Brasil.
     d) Suas experiências gastronômicas.

07. Quem são os principais personagens ou grupos destacados no documentário?

     a) Políticos locais.
     b) Estudantes universitários.
     c) Jovens em situação de vulnerabilidade social.
     d) Celebridades da televisão.

08. Como o documentário aborda a questão do medo na vida dos jovens retratados?

     a) Explorando seus medos sobrenaturais.
     b) Destacando seus medos em relação ao futuro.
     c) Investigando seus medos de insetos.
     d) Ignorando completamente a temática do medo.

09. Qual é a classificação indicativa do documentário "Medo de Sobrar, Medo de Sonhar"?

     a) Livre.
     b) 10 anos.
    c) 14 anos.
    d) 18 anos.

 

DOCUMENTÁRIO: "NOS, CAROLINAS" - VOZES DAS MULHERES DA PERIFERIA - COM GABARITO

 Documentário: "Nós, Carolinas" – vozes das mulheres da periferia

Sinopse

Uma senhora cheia de memórias sobre o interior de São Paulo. Uma menina que se orgulha de seu cabelo black-power. Uma mulher que voltou a estudar depois dos 50 anos e uma arte-educadora que dribla o tempo para conciliar maternidade e sua vida pessoal. Todas elas unidas por uma mesma geografia: a periferia da cidade de São Paulo. “Nós, Carolinas” traz as vivências e vozes de quatro mulheres que moram em diferentes bairros: Parque Santo Antônio, zona Sul; Jova Rural, zona norte; Perus, região noroeste e Guaianases, na zona leste. Joana Ferreira, Carolina Augusta, Renata Ellen Soares e Tarsila Pinheiro falam o que é ser mulher da periferia em cotidianos particulares, mas conectados pelo recorte de classe, raça e de gênero.  Assim como a escritora Carolina Maria de Jesus, que encontrou na escrita um instrumento para superar sua invisibilidade, essas outras Carolinas também invisíveis aos olhos do centro, usam a potência de sua voz para romper silêncios.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhWUEFvyo0rt9QTI-QgMB2-DLvW8Vj6Ya3G10HPu6cu9foapOv2QIsvIvqCcibygDTSW-vKgdlOInz7w3Sm-3FmBacB8GvApPhGmjoWf0rvQHaIPVDY528ZUZkDNAgkWYCWumh3wPf5f0O3Uv564cc-42Rbhcax6kWSiQrovH0ZbUhrg5UJKRJZ1ca8V64/s320/Nos-mulheres-da-periferia.-Credito-Vinicius-Boppre-_1.jpg


Ficha Técnica
Título Original: Nós, Carolinas
Gênero: Documentário
Tempo de Duração:  17 minutos
Ano de Lançamento (Brasil): 2017
 
Direção/Roteiro/Produção:
Coletivo Nós, mulheres da periferia
Aline Kátia Melo
Bianca Pedrina
Jéssica Moreira
Lívia Lima
Mayara Penina
Regiany Silva
Semayat Oliveira
 
Classificação: Livre

 Entendendo o documentário:

 01.  Que tema é abordado no documentário?

O tema abordado no documentário "Nós, Carolinas" é a vivência das mulheres da periferia de São Paulo, destacando as histórias de quatro mulheres: Joana Ferreira, Carolina Augusta, Renata Ellen Soares e Tarsila Pinheiro. 

02.  Que território é retrato no documentário?

O território retratado no documentário é a periferia da cidade de São Paulo, abrangendo diferentes bairros como Parque Santo Antônio (zona Sul), Jova Rural (zona norte), Perus (região noroeste) e Guaianases (zona leste).

03.  Descreva como é esse lugar.

O lugar é caracterizado por ser uma região periférica, marcada por desafios socioeconômicos, mas também por uma forte comunidade e resiliência. Cada bairro tem suas próprias características, mas todos refletem a realidade da periferia paulistana.

04.  O que as mulheres retratadas no filme têm em comum?

As mulheres retratadas no filme têm em comum a condição de viverem na periferia de São Paulo e enfrentarem desafios relacionados à classe social, raça e gênero.

05.  Qual a relação entre Maria Carolina de Jesus, catadora de lixo, favelada, mãe solteira que se tornou escritora renomada e as personagens do filme?

A relação entre Maria Carolina de Jesus e as personagens do filme está na superação da invisibilidade. Assim como a escritora Carolina Maria de Jesus encontrou na escrita uma forma de romper o silêncio e se tornar visível, as outras Carolinas do documentário também usam a potência de suas vozes para superar a invisibilidade imposta pelo centro.

     06.  Qual trajetória é a mais comovente em sua opinião. Justifique.

A resposta a essa pergunta é subjetiva, já que a comoção varia de pessoa para pessoa. Cada trajetória apresentada no documentário é única e tocante à sua maneira, refletindo as diferentes experiências das mulheres retratadas.

07.  O documentário registra diversas formas de ser mulher, negra e periférica. Que reflexões, levando em conta o debate, o documentário e sua vivência, podemos fazer a respeito dos desafios de ser mulher, negra, periférica?

O documentário registra as diversas formas de ser mulher, negra e periférica, destacando os desafios enfrentados por essas mulheres. A partir disso, podemos refletir sobre a necessidade de combater estereótipos e preconceitos, promovendo a equidade de gênero, raça e classe social. O filme convida a uma reflexão sobre a importância de dar visibilidade às vozes das mulheres que muitas vezes são marginalizadas.

08.  O que o documentário, o debate e a vivência desenvolve na sua aprendizagem?

        O documentário, o debate e a vivência contribuem para uma aprendizagem mais ampla sobre as diferentes realidades enfrentadas por mulheres negras e periféricas. Eles podem despertar uma consciência crítica em relação às questões de gênero, raça e classe, promovendo empatia, compreensão e engajamento em busca de uma sociedade mais justa e igualitária.


 

 

 

sexta-feira, 5 de janeiro de 2024

TIRINHA: JEAN GALVÃO - PAROXÍTONA - COM GABARITO

 Tirinha: Jean Galvão

 

Fonte: Coleção Desafio Língua Portuguesa – 5° ano – Anos Iniciais do Ensino Fundamental – Roberta Vaiano – 1ª edição – São Paulo, 2021 – Moderna – p. MP088.

Entendendo a tirinha:

01 – Na tirinha, o efeito de humor está relacionado à interpretação de uma palavra. Qual é ela?

      É a palavra torta no primeiro quadrinho.

02 – Qual é a diferença entre o que o menino e a menina entendem como torta?

      O garoto provavelmente imaginou que a menina entrou desequilibrada no teatrinho da escola, quando na verdade ela representou uma torta no palco.

03 – A palavra Torta é:

(   ) oxítona.       (X) paroxítona.      (   ) proparoxítona.

04 – Escreva as palavras da tira com essa mesma classificação. Depois, circule a sílaba tónica.

      Teatrinho, escola, pena, nada, aplaudida.

quinta-feira, 4 de janeiro de 2024

DIÁRIO FICCIONAL: O QUE LELÊ VAI SER QUANDO CRESCER? JOSÉ ROBERTO TORERO - COM GABARITO

 Diário ficcional: O QUE LELÊ VAI SER QUANDO CRESCER?

                         José Roberto Torero

        Ontem foi o maior chato.

        É que eu tive que ir numa festa de adulto porque a minha mãe não tinha com quem me deixar. E festa de adulto é o maior chato.


        É chato porque não tem outras crianças para brincar, porque a tevê fica desligada, porque não tem vídeo game e porque não tem cachorro-quente nem sorvete, só uns pãezinhos pequeninhos com umas gosmas em cima.

        Mas o

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhDgGbUr-ptTMlG3rjZg3lFo5bEOlp4-Lm3aGlFS31Wl0boZwxtf8aFAmTF5IKkp1yH1eFXk-QW3eOmGq9u00SCZubd3YtXcDy4gnQqFqp2CB8Wiwkgc2zkiiwbG9NKCkdx0pzjYu6NDZqp81qVvdyF7AwosJx8TZIozbmAAU8xPJqEPFHs7WZTYlaDCog/s320/FESTA.jpg

pior é que em festa de adulto eles falam com a gente como se a gente fosse meio abobado.

        Tipo assim, quando eu perguntei onde era o banheiro, a dona da casa respondeu:

        -- “O banheiro é ali. Você já vai sozinho?”.

        Depois, um cara com cara de velho, mas cabelo bem preto me perguntou:

        -- “Quantos anos você tem? Seis ou sete?”

        E uma mulher com unha comprida falou:

        -- “Sabe que você está a cara da sua mãe?”

        Deu vontade de responder: “A cara da minha mãe?! Então eu vou fazer plástica porque eu sou menino e ela é mulher!”.

        Para o homem de cabelo preto eu ia dizer: “Eu tenho quase nove, mas um dia vou ter cento e vinte que nem você!”.

        E para a dona da casa eu ia falar: “Não, não sei ir ao banheiro sozinho. Eu uso fralda!”

        Pô, adulto não sabe conversar direito!

        Mas o pior mesmo é que todo mundo quer saber o que você vai ser quando crescer.

        Parece que é só o que eles sabem falar: “O que você vai ser quando crescer?”, “O que você vai ser quando crescer?”, “O que você vai blá-blá-blá…”

        Teve um casal que chegou perto de mim e aí ela falou assim:

        -- “O que você vai ser quando crescer, Leocádio? Acho que você vai ser médico. Aposto que você vai ficar superbem de branco.”

        E aí o marido dela disse:

        -- “Que nada! Ele vai ser é jogador de futebol.”

        -- Médico!

        -- Jogador de futebol!

        -- Médico!

        -- Jogador de futebol!

        -- Médico!

        -- Jogador de futebol!

        E aí eles começaram a brigar e eu saí dali porque eu sei que não vou ser nenhuma dessas coisas porque eu sou grosso no futebol e, quando eu uso roupa branca, eu sempre fico o maior sujo.

        Bom, eu ainda não sei o que eu quero ser quando crescer, mas eu já pensei em um monte de coisas:

·        eu podia ser palhaço porque é legal fazer os outros darem risada;

·        podia ser astronauta porque fazer viagens espaciais é bacana;

·        podia ser escritor que nem o meu tio porque ele trabalha em casa e sempre dá uma paradinha para jogar Playstation;

·        e podia ser motorista de táxi porque eles passeiam o dia todo e ainda ganham dinheiro para isso (sem falar que eles devem ser o maior inteligente porque sempre sabem a solução para tudo).

        Depois eu fiquei pensando que, quando os adultos perguntam o que você vai ser quando crescer, eles querem saber é “em que você vai trabalhar quando crescer.” Mas isso é esquisito porque a gente não é um trabalho.

        Os adultos não querem saber se eu vou querer morar numa praia ou num morro, se eu vou querer ter um monte de filho ou nenhum, se eu vou ser engraçado ou sério, se eu vou querer ler muitos livros ou ver muita tevê, se eu vou ser alegre ou triste, se eu vou ser alto ou baixinho. Eles só querem saber no que eu vou trabalhar.

        Então eles tinham que perguntar: “No que você vai trabalhar?”, e não “O que você vai ser?”.

        Da próxima vez que um adulto me perguntar o que que eu quero ser quando crescer, eu não vou responder uma profissão porque eu não quero ser um trabalho, eu quero ser outras coisas também.

        Quando eu crescer eu quero ser sabido (que nem motorista de táxi), quero saber fazer piada (que nem palhaço), viajar muito que nem astronauta (pode ser aqui na Terra mesmo), e jogar Playstation que nem o meu tio (que nem ele, não, melhor, porque ele é meio ruim).

        E também quero ser altão, alegre, morar na praia, ler livro e ver tevê ao mesmo tempo.

        Ah, e eu quero ser legal. Mesmo que eu não seja palhaço, astronauta, escritor ou motorista de táxi.

JOSÉ ROBERTO TORERO. As primeiras histórias de Lelê. São Paulo: Panda Books, 2007. P.12-14. (Adaptado).

Fonte: Coleção Desafio Língua Portuguesa – 5° ano – Anos Iniciais do Ensino Fundamental – Roberta Vaiano – 1ª edição – São Paulo, 2021 – Moderna – p. MP108-MP113.

Entendendo o diário ficcional:

01 – Leia, em voz alta, o texto de José Roberto Torero. Depois, releia em voz alta o trecho a seguir desse mesmo texto.

        “É chato porque não tem outras crianças para brincar, porque a tevê fica desligada, porque não tem vídeo game e porque não tem cachorro-quente nem sorvete, só uns pãezinhos pequeninhos com umas gosmas em cima.”

a)   A palavra porque, nesse trecho, reforça os motivos pelos quais a personagem acha a festa chata. Reescreva esse trecho usando a palavra porque uma única vez.

É chato porque não tem outras crianças para brincar, a tevê fica desligada, não tem vídeo game e não tem cachorro-quente nem sorvete, só uns pãezinhos pequeninhos com umas gosmas em cima.

b)   Leia, em voz alta, as palavras retiradas do trecho:

Porque – brincar – fica – cachorro-quente – pequeninos.

·        O que você observa ao pronunciar as letras c ou qu nessas palavras?

          Resposta pessoal do aluno.

c)   Agora complete outras palavras com c ou qu.

·        Quadro.

·        Mosquito.

·        Quatro.

·        Casaco.

·        Queijo.

·        Xerocar.

·        Turístico.

·        Aquático.

02 – Leia três vezes as palavras do quadro abaixo o mais rapidamente que puder.

Crescer – amadurecer – florescer – fortalecer – nascer – engrandecer – decrescer – enfraquecer – falecer – perecer – esmorecer – esmaecer.

a)   Algumas dessas palavras do quadro podem ser o antônimo uma da outra. Identifique-as e escreva-as. Em seguida, leia cada palavra e seu(s) antônimo(s) duas vezes.

Crescer: decrescer; fortalecer: enfraquecer/esmorecer; nascer: falecer/perecer.

b)   Copie no caderno as palavras do quadro, separando-as em duas colunas: palavras escritas com c e palavras escritas com sc (todas com som de s). Depois, complete as colunas com outras palavras escritas da mesma forma.

Palavras com c: amadurecer, enfraquecer, falecer, perecer, esmorecer, engrandecer, esmaecer.

Palavras com sc: crescer, decrescer, florescer, nascer.

Outras palavras: resposta pessoal do aluno.

03 – A história contada por Lelê parece ser um desabafo.

a)   Por que Lelê está desabafando?

Ele está indignado pois teve de ir a uma festa de adultos.

b)   Qual o adjetivo ele utiliza para caracterizar o tipo de festa em que estava?

Chato.

c)   No terceiro e no quarto parágrafo, Lelê enumera cinco razões que justificam seu desabafo. Qual dessas razões tem maior grau de importância para ele? Justifique com uma expressão do texto.

Os adultos falam com as crianças como se elas fossem meio abobadas. O narrador usou a expressão “o pior é” ao apresentar essa razão.

04 – Você concorda com todos os argumentos usados pelo narrador para justificar sua indignação? Acrescentaria outros? Comente.

      Resposta pessoal do aluno.

05 – Leia estas frases e compare-as.

        “Mas o pior mesmo é que todo mundo quer saber o que você vai ser quando crescer”.

        “Mas o pior é que todo mundo quer saber o que você vai ser quando crescer.

·        A palavra mesmo provoca diferença de sentido entre os trechos? Por quê?

Sim. Ela modifica o sentido da expressão “o pior é que”, acrescentando ao fato um grau de importância mais elevado.

06 – Releia:

        “O que você vai ser quando crescer, Leocádio? Acho que você vai ser médico. Aposto que você vai ficar superbem de branco.”

a)   Por que a mulher achava que Lelê seria médico?

Porque, segundo ela, ele ficaria bem vestindo roupa branca.

b)   Na sua opinião, essa justificativa foi satisfatória? Explique.

Resposta pessoal do aluno. Sugestão: Não, uma vez que a boa aparência do garoto usando roupa branca não significa que ele será um bom profissional.

07 – Para Lelê, a pergunta “O que você vai ser quando crescer?” deveria ser outra.

a)   Qual seria a pergunta mais adequada na opinião do menino?

“Em que você vai trabalhar quando crescer?”.

b)   Por que ele propôs essa substituição?

Porque, na opinião dele, quando os adultos fazem essa pergunta, estão interessados apenas em saber em que a criança vai trabalhar quando crescer