terça-feira, 2 de janeiro de 2024

CONTO: OS BICHOS DA MINHA CASA - FRAGMENTO - CLARICE LISPECTOR - COM GABARITO

 Conto: Os bichos da minha casa – Fragmento

            Clarice Lispector.

        Antes de começar, quero que vocês saibam que meu nome é Clarice. E vocês, como se chamam? Digam baixinho o nome de vocês e o meu coração vai ouvir.

        Peço que leiam esta história até o fim. Vou contar umas coisas: minha casa tem bichos naturais. Bichos naturais são aqueles que a gente não convidou nem comprou. Por exemplo, nunca convidei uma barata para lanchar comigo.

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgd-JUAIweP12IrfO96wxAqIKmFwpBMQul2XhH7i3KF2t6aepaEKvidTH-AThC1SAYWZb8ytvK5zTNNhF19g4cA9h7cc8RnMkNPHO7InnNRdHAvjgXkSYtgtHQ3CFsYaTvN-714S9Kiv1Wm1NcXl2eOZfMHgC5nhvd8T3ACTlSkitNhUZzy4-72MADzJC0/s1600/INSETINHOS.jpg


        Minha casa tem muitos bichos naturais, menos ratos, graças a Deus, porque tenho medo e nojo deles. Quase todas as mães têm medo de rato. Os pais não: até gostam porque se divertem caçando e matando esse bicho que detesto. Vocês têm pena de rato? Eu tenho porque não é um bicho bom pra gente amar e fazer carinho. Vocês fariam carinho num rato? Vai ver vocês nem tem medo e em muitas coisas são mais corajosos do que eu.

        Tenho um amigo que, quando era menino, criou um rato branco. Fiquei com tanto nojo que só quero apertar a mão de meu amigo quando passar o susto. Seu rato era, na verdade, uma rata e se chamava Maria de Fátima.

        Maria de Fátima morreu de um modo horrivelzinho (eu digo horrivelzinho porque no fundo estou bem contente): um gato comeu ela com a rapidez com que comemos um sanduíche

        Como eu ia dizendo, os bichos naturais de minha casa não foram convidados. Apareceram assim, sem mais nem menos.

        Por exemplo: tenho baratas. E são baratas muito feias e muito velhas que não fazem bem a ninguém. Pelo contrário, elas até roem a minha roupa que está no armário. [...]

        Barata é outro bicho que me causa pena. Ninguém gosta dela, e todos querem matá-la. Às vezes o pai da criança corre pela casa toda com um chinelo na mão, até pegar uma e bate com o chinelo em cima até ela morrer. Tenho pena das baratas porque ninguém tem vontade de ser bom com elas. Elas só são amadas por outras baratas. Não tenho culpa: quem mandou elas virem? Eu só convido os bichos que eu gosto. E, é claro, convido gente grande e gente pequena.

        Sabem de uma coisa? Resolvi agora mesmo convidar meninos e meninas para me visitarem em casa. Vou ficar tão feliz que darei a cada criança uma fatia de bolo, uma bebida bem gostosa, e um beijo na testa.

        Outro bicho natural de minha casa é... adivinhem! Adivinharam? Se não adivinharam não faz mal, eu digo a vocês. O outro bicho natural de minha casa é a lagartixa pequena. São engraçadas e não fazem mal nenhum. Pelo contrário: elas adoram comer moscas. E mosquitos, e assim limpam minha casa toda. [...]

        O que eu não entendo é o paladar horrível que a lagartixa tem por moscas e mosquitos. Mas é claro: como não sou lagartixa, não gosto de coisas que ela gosta, nem ela gosta de coisas que eu gosto. [...]

        Agora vou falar de bichos convidados, igual ao meu convite para vocês. Às vezes não basta convidar: tem-se que comprar.

        Por exemplo, convidei dois coelhos para morar com a gente e paguei um dinheiro ao dono deles. Coelho tem uma história muito secreta, quero dizer, com muitos segredos.

        Eu até já contei a história de um coelho num livro para gente pequena e para gente grande. Meu livro sobre coelhos se chama assim: O Mistério do Coelho Pensante. Gosto muito de escrever histórias para crianças e gente grande. Fico muito contente quando os grandes e os pequenos gostam do que escrevi.

        Se vocês gostam de escrever ou desenhar ou dançar ou cantar, façam porque é ótimo: enquanto a gente brinca assim, não se sente mais sozinha, e fica de coração quente.

Clarice Lispector. A mulher que matou os peixes. 13. Ed. Rio de Janeiro: Rocco, 1999. (Fragmento adaptado).

Fonte: Coleção Desafio Língua Portuguesa – 5° ano – Anos Iniciais do Ensino Fundamental – Roberta Vaiano – 1ª edição – São Paulo, 2021 – Moderna – p. MP090-MP093.

Entendendo o conto:

01 – Leia três vezes as palavras do quadro abaixo para aprimorar sua leitura.

Horrivelzinho – sozinha – contrário – segredos – lagartixa – rapidez – carinho – sanduiche – secreta – engraçadas – chinelo – corajosos.

a)   Leia em voz alta estas palavras, observando as letras destacadas.

Lagartixa – chinelo – sanduiche.

·        O que essas palavras têm em comum?

Tem o mesmo som produzidos por x e ch.

·        O que elas têm de diferente?

A maneira de escrever. Apesar de terem o mesmo som na pronúncia.

b)   Agora, observe a escrita destas palavras, observando as letras destacadas.

Chinelo – sanduiche – sozinha.

·        O que essas palavras têm em comum?

Elas possuem duas letras para representar um único som.

c)   Volte ao quadro acima em negrito e circule outras palavras com dígrafos formados com a letra h na escrita.

Horrivelzinho, carinho.

02 – Logo no início do texto, percebe-se a intenção da narradora de estabelecer um diálogo com o leitor. Copie um trecho que comprove essa afirmação.

      “E vocês, como se chamam?”.

·        Em sua opinião, qual é a importância desse recurso para a construção do texto?

Resposta pessoal do aluno. Sugestão: O recurso garante o envolvimento do leitor, que é convocado a partilhar dos pensamentos e dos sentimentos da narradora.

03 – A narradora afirma que gosta de escrever para crianças e gente grande. Para quem você acha que ela escreveu essa história? Por quê?

      Resposta pessoal do aluno. Sugestão: Escreveu para criança, pelo jeito como escreve e pela maneira como procura se aproximar dos leitores.

04 – Nesse texto, a narradora conta para o leitor a diferença entre ter bichos naturais e bichos convidados.

a)   Pinte de azul os bichos naturais e de verde os bichos convidados.

Ratobaratacachorrogatopassarinhopulgacoelhohamsterformigalagartixa.

b)   Explique a diferença entre esses tipos de bicho.

Bicho naturais é o “que a gente não convidou nem comprou”; bichos convidados é o que se adquire por vontade própria.

c)   Você tem ou conhece alguém que tenha bichos convidados? Conte sobre eles.

Resposta pessoal do aluno.

05 – Ratos e baratas provocam na narradora três sensações: medo, nojo e pena. Como ela explica essas sensações contraditórias?

      Ela sente pena, porque o rato “não é um bicho bom para a gente amar e fazer carinho”; quanto à barata, “ninguém gosta dela, e todos querem matá-la.

06 – Qual a vantagem, segundo o texto, de se ter lagartixa em casa?

      Elas são engraçadas e não fazem mal nenhum, e limpam minha casa toda comendo as moscas e mosquitos.

07 – Por que você acha que a narradora convidou dois coelhos para morar com ela?

      Resposta pessoal do aluno.

 

CRÔNICA: O COMEÇO - FRAGMENTO ADAPTADO - ÂNGELA LEITE DE SOUZA - COM GABARITO

 Crônica: O começo – Fragmento adaptado

              Ângela Leite de Souza

        Xiao Li voltava pelo corredor, com o mapa enrolado debaixo do braço, quando sentiu o chão tremer e deslizar sob seus pés. Em seguida, começaram os barulhos forte como explosões. Vinham de todos os lados, não era uma simples trovoada. Olhando mais à frente, viu quando uma cratera foi se abrindo no piso e engolindo um sofá como se fosse a boca de um imenso dragão! O teto balançava e se abriam enormes rachaduras, por onde começavam a despencar mesas, cadeiras – o mundo estava vindo abaixo!

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjaMrIdCfLb6efUEiLSnvX-lHRt111Q9eO0zG72DR9xJ3zVH4NvQxtJ8J8Usn1wcEsa79TXl_jFgM8XnC66wgF44L6TicdIs2q5H9VZV8iHvb4KJ_ThBA5Gh2xw6CsQs9nFbhraRh4AcWZ33NOdwcld5CaMjv7JB2d5HJs1baLLLs4GnaujZKj3m_sWMu0/s1600/MAPA.jpg


    “Há quanto tempo estou aqui? O que será que aconteceu?”, eram os pensamentos que martelavam agora seu cérebro.

        Vieram à sua mente as aulas de geografia. “Acho que foi um terremoto! Mas, se foi, nesse caso a escola ficou destruída e nossa cidade também!”, inquietou-se.

        A uns cinco metros de distância, enxergou finalmente uma fresta de luz, muito fraquinha, mas que permitia ver o que havia em volta: pedras – ou pedaços de cimento, provavelmente –, ferros retorcidos, vigas de madeira, uma confusão. Mesmo assim, foi engatinhado para lá, lentamente e com enorme dificuldade.

        Chegando a essa minúscula clareira, firmou mais a vista. E viu. Viu um pé do tamanho do seu, calçado de tênis, saindo dos escombros.

        O primeiro

        -- Quem está aí? – perguntou Xiao Li, cheio de novas esperanças.

        Nenhuma resposta. 

        Com grande esforço, aproximou-se e conseguiu tocar a perna do outro menino, ou menina.

        -- Aaa... aiiii... – alguém gemeu baixinho. Era o dono da perna! Pelo tom da voz, Xiao Li percebeu que era um menino.

        -- Quem é você? – insistiu Xiao Li, agora mais animado.

        [...]

        -- He. Me chamo He Biao. – Mas era ainda um fiapo de voz, e o menino parecia estar sentindo muitas dores.

        -- Em que série está? – voltou a perguntar Xiao Li.

        -- Aiiii... segunda.

        Xiao Li calculou: aquele menino estava duas salas antes da sua.

        [...]

        Nem cama nem arroz

        Embora estivesse esgotado pelo longo esforço físico e pelo peso da tremenda responsabilidade que assumira, não era uma cama ou uma boa tigela de arroz o que Xiao Li mais queria naquele momento. Sua maior ansiedade era por notícias da família, saber se todos tinham sobrevivido e se estavam bem!

              Ângela Leite de Souza. Pequeno grande herói. São Paulo: Melhoramentos, 2017. (Fragmento adaptado).

Fonte: Coleção Desafio Língua Portuguesa – 5° ano – Anos Iniciais do Ensino Fundamental – Roberta Vaiano – 1ª edição – São Paulo, 2021 – Moderna – p. MP225-227.

Entendendo a crônica:

01 – Qual foi a primeira coisa que Xiao Li viu cair na cratera que se abriu à sua frente?

a)   Uma mesa.

b)   Uma cadeira.

c)   Um sofá.

02 – Xiao Li chegou à conclusão de que a escola e a cidade haviam sido destruídas:

a)   Porque ele havia pesquisado sobre escolas destruídas.

b)   Porque ele já havia estudado terremotos e suas consequências.

c)   Porque ele ouviu alguém dizer que isso estava acontecendo.

03 – Onde as crianças estavam na hora em que tudo começou a desabar?

a)   Em casa.

b)   Na escola.

c)   Na igreja.

04 – Releia o trecho a seguir.

        “Xiao Li voltava pelo corredor, com o mapa enrolado debaixo do braço, quando sentiu o chão tremer e deslizar sob seus pés”.

·        Por que o chão estava tremendo?

Porque estava acontecendo um terremoto.

05 – Releia os trechos a seguir e explique o que significam as expressões em destaque.

a)   o mundo estava vindo abaixo!”.

O terremoto estava destruindo a escola, abrindo crateras no chão, derrubando o teto e as paredes.

b)   “Mas era ainda um fiapo de voz...”.

Uma voz baixa, fraca, que não se podia ouvir.

06 – Após ler o trecho do livro e relacioná-lo com o título Pequeno grande herói, é possível imaginar por que Xiao Li é chamado de herói? Justifique.

      Resposta pessoal do aluno. Sugestão: Sim. É possível imaginar que ele tenha salvado a vida do garoto preso nos escombros.

07 – Copie os verbos abaixo e, depois, circule o radical deles.

Deslizar – deslizou – deslizava – deslizavam.

·        Agora, escreva palavras derivadas de deslizar.

Resposta pessoal do aluno. Sugestão: deslizamento, deslizante, deslizador.

08 – Leia os trechos a seguir.

        “-- Aaa... aiiii... – alguém gemeu baixinho.”

        “Há quanto tempo estou aqui? O que será que aconteceu?”, eram os pensamentos que martelavam agora seu cérebro.”

a)   Copie a palavra do quadro abaixo na qual a letra x tem o mesmo som da palavra destacada no primeiro trecho.

Exemplo – tóxico – aproximou – enxergou.

b)   Agora, explique o uso das aspas no segundo trecho.

As aspas foram utilizadas para reproduzir as perguntas que surgiram nos pensamentos de Xiao Li naquele momento.

 

 

domingo, 31 de dezembro de 2023

PIADAS: DUAS PULGAS, MOSQUINHA E INSETOS - COM GABARITO

 Piadas: Duas pulgas, mosquinha e insetos

01 – Duas pulgas conversando:

        -- Se ganhasse na loteria, o que você faria?

        -- Ah... Eu compraria um cachorro só pra mim!

 

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgHWX9joVnIvn57JeMAFBQD1b0NyTXbvS2pKxJJoq1CXa263w0ZKED24FoZVPAJaXYZz-atkRvIlbXhnj1cyJDycvep3jQK2u74I_3nwr471Qv8p-_-KiDt1rpH-huNYo3ui2R_QSPBU8cssZcoWclf-_E0T3MzFtL4HG23pfvEx9WjgI4Vkt-Jul5uVJU/s1600/PULGAS.jpg

02 – Depois do primeiro voo da mosquinha, a mãe pergunta:

        -- Então, minha filha, como foi seu primeiro voo?

        -- Ótimo, mãe! Por onde eu passei, todos aplaudiram – responde a mosquinha.

------

03 – Um senhor vai à loja de insetos e pede para comprar 35 moscas, 12 mil formigas, 50 baratas e 14 aranhas.

        -- Pois não – diz o vendedor, – Mas, desculpe a curiosidade. Por acaso o senhor vai fazer um zoológico de insetos?

        -- Não. Tenho que entregar o apartamento que eu alugava e o contrato diz que devo deixa-lo como o recebi.

365 piadas incríveis. Barueri; Ciranda Cultural, 2018. p. 16, 22, 25.

Fonte: Coleção Desafio Língua Portuguesa – 5° ano – Anos Iniciais do Ensino Fundamental – Roberta Vaiano – 1ª edição – São Paulo, 2021 – Moderna – p. MP084-MP085.

Entendendo as piadas:

01 – Na primeira piada, porque a pulga deseja comprar um cachorro?

      Porque as pulgas se alimentam do sangue dos cachorros e, se a pulga comprasse um cachorro só para ela, não ficaria sem alimento.

02 – Na segunda piada, por que a mosquinha disse que todos aplaudiram seu voo? Isso realmente aconteceu?

      Porque, quando a mosca voava perto das pessoas, elas batiam as palmas das mãos. Mas não estavam aplaudindo seu voo, e sim tentando matá-la.

03 – Sobre a terceira piada, responda.

a)   O que foi dito no contrato de aluguel do apartamento?

Foi dito que, na entrega, o apartamento deveria estar como foi recebido.

b)   Por que aquele senhor comprou moscas, formigas, baratas e aranhas?

Para colocar no apartamento que ele ia devolver.

c)   Considerando a resposta do senhor, como estava o apartamento quando foi alugado?

Sujo e cheio de moscas, formigas, aranhas e baratas.

04 – Assinale o que há em comum nas três piadas lidas.

(   ) Elas são longas.

(X) Apresentam conversas entre personagens.

(X) Não há identificação do autor.

(X) São escritas em linguagem simples.

(X) Tem o objetivo de provocar riso.

(   ) Possuem título.

(X) Falam de situações do dia a dia.

(X) Surpreendem o leitor no final.

05 – Você costuma ler e ouvir piadas? E de contar piadas, você gosta?

      Resposta pessoal do aluno.

06 – Por que as piadas nos fazem rir?

      Resposta pessoal do aluno.

 

 

 

PEÇA DRAMÁTICA: O FANTÁSTICO MISTÉRIO DE FEIURINHA - COM GABARITO

 Peça dramática: O Fantástico Mistério de Feiurinha

Peça teatral em um ato

Personagens:

Escritor

Caio, o Lacaio

Dona Branca Encantado

Dona Cinderela Encantado

Dona Rapunzel Encantado

Dona Bela Adormecida Encantado

Dona Bela-Fera Encantado

Senhorita Chapeuzinho Vermelho

Jerusa

Feiurinha

Príncipe

Ruim

Malvada

Piorainda

Belezinha

Pai da Feiurinha

Mãe da Feiurinha

Bode Encantado (pode ser uma marionete)

Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhHl1AarIfVpy71Acv9Ad2D3LzGS3GcJqCyZoBikKMciXIU_x92jAVIVA1qNU7qic6pNFOsrdifKLRo2Z22waxnwhVMW0L80gCtYvY7xW6RT0lEn71xuOOTQ_UCeZgwb3DuZf4gX04XiaqW1WERtp0rUYZOXUxP32zK5rfPg2QUpQ8iQINgXDGmNCarffE/s320/feiurinha04.jpg

Cenários:

        São quatro ambientes. Os três primeiros vão alternar-se no centro do palco e o quarto (a sala de trabalho do Escritor) estará o tempo todo à esquerda do proscênio

        1º cenário: O salão do castelo da Dona Branca Encantado, que deve sugerir o luxo de histórias de fadas. Cadeiras de espaldar alto, forradas de vermelho e pintadas de dourado, um canapé do mesmo jeito, cortinas de veludo vermelho, um grande espelho com moldura exagerada e a esquadria de uma imponente porta de entrada do salão protegida por batedeiras pretas. Ao fundo, rotunda preta. O ambiente aristocrático e de luxo pode ser sugerido por uma grande janela, com vitrais coloridos, por onde passa luz, projetando as cores por todo o cenário.  Ao lado da cadeira principal, que será ocupada pela Dona Branca Encantado, desce do alto um vistoso puxador de campainha, com o qual ela chamará Caio, o Lacaio.

        2° cenário: A humilde casa dos pais de Feiurinha.

        3° cenário: O interior da pavorosa casa das bruxas.

        4° cenário: A sala de trabalho do Escritor, que deverá permanecer durante toda a peça. Uma estante cheia de livros, uma mesa com uma máquina de escrever, atulhada de papéis em desordem, a cadeira de trabalho do Escritor e uma pequena poltrona de visita na frente da mesa. [...]

        Piorainda: Aqui está, querida Feiurinha!

        Malvada: Este é o nosso presente de casamento!

        Ruim: Quem vestir esta pele de urso será linda para sempre e feliz para toda a eternidade!

        Feiurinha: Obrigada! Vocês são tão bondosas... Não precisavam se incomodar!

        Piorainda: Incômodo nenhum, queridinha... É nossa obrigação...

        Belezinha: Vamos, vista!

        De costas para a plateia, Feiurinha veste a pele de urso. Abaixa a cabeça, vestindo a cabeleira, o chapéu e a máscara de bruxa. Efeito de explosão de gelo-seco, fumaça e tudo o mais. Feiurinha volta-se para a plateia transformada em bruxa.

        Feiurinha: Socorro! O que aconteceu comigo?

        As quatro bruxas pulam de alegria e dançam felizes em volta da nova companheira.

        Belezinha: Ah, ah, ah! Agora você é uma de nós!

        Ruim: Esta pele de urso é o feitiço mais poderoso da Terra!

        Malvada: Torna velha uma mulher jovem...  

        Piorainda: ... e feia se ela for linda!

        Feiurinha: Não! Não!

        Belezinha: Pensou que podia fugir da gente? Ah, ah! Pois fuja agora!

        Ruim:  E não adianta tentar tirar a pele de urso!  É um feitiço poderosíssimo que só pode ser desatado por uma certa espada de prata!

        Piorainda: Ui, como nós somos terríveis!

        Malvada: Onde estão seus dentes brancos, Feiurinha?

        Piorainda: Cadê seus cabelos de seda?

        Belezinha: E seus olhos de água?

        Feiurinha: Não! Não!

        Ruim: Agora você já tem verrugas! Ah, ah!

        Malvada: Não está contente, Feiurinha? Vamos, dance com a gente!

        Belezinha: Agora somos cinco! Ah, ah, ah!  

        Piorainda: Ui, como nós somos terríveis!

        Feiurinha cai de joelhos e esconde o rosto nas mãos.

        Feiurinha: Não! Oh, não!

        Belezinha: Feiurinha! Agora você é a bruxa Feiurinha!

        Ruim: Para sempre!

        Malvada: Para sempre!

        Piorainda: Ui, como nós somos terríveis!

        Ouvem-se galopes de cavalos.  Todas param de fazer barulho.  Feiurinha ergue a cabeça. Ouvem-se clarins e entra o Príncipe, ricamente vestido e de espada na cinta.

        Todas: O Príncipe Encantado!

        Príncipe: Suas bruxas malvadas! Onde está a Feiurinha?

        Feiurinha: (Correndo para ele:) Sou eu, meu amor!  Essas malvadas me transformaram em bruxa! Salve-me!

        Belezinha:  Não acredite nela, meu querido!  Feiurinha sou eu!  Eu é que fui enfeitiçada!

        Malvada: (Agarrando-se às vestes do Príncipe:) Não!  Sou eu a Feiurinha! Não acredite em mentiras! Case comigo!

        Ruim:  Todas elas mentem, meu Príncipe!  Eu sou a Feiurinha!  Você tem de casar comigo!

        Piorainda:  Feiurinha sou eu!  Sou eu!  Fui enfeitiçada para enganá-lo!  Case comigo! Você prometeu!

        Príncipe: (Desembainhando a espada de prata:) Suas ruindades!  O que fizeram com a minha amada?  Só uma de vocês está falando a verdade.  Todas as outras mentem. Quando eu descobrir quem são, juro que vou cortar a cabeça de todas com esta espada!

        Piorainda: Isso mesmo! Case-se comigo e mate as outras!

        Belezinha: Não! Comigo! As outras devem morrer!

        Malvada: É comigo que ele vai casar! Morte às outras!  

        Ruim: Comigo! Que morram as outras!

        Feiurinha: (Ajoelhando-se e abraçando-se às pernas do Príncipe:) Não, meu amor, não faça isso!  Elas são malvadas, mas me criaram desde pequenininha.  Me judiaram e me fizeram trabalhar demais, mas eu não quero mal a elas. Pelo meu amor, poupe a vida delas!

        Príncipe: (Pegando Feiurinha pelos ombros e levantando-a:) Meu amor! Só você pode ser a Feiurinha! Só uma menina maravilhosa como a Feiurinha poderia ser tão generosa! O que essas malvadas fizeram com você?

        Feiurinha:  Elas me fizeram vestir esta pele de urso.  É um feitiço que me transformou em bruxa. Só pode ser desatado por uma certa espada de prata...

        Príncipe: Então, que essa espada de prata seja a minha espada!

        O Príncipe saca a espada e corta os cordões que atam a pele de urso. Explosão de gelo-seco. Cai a pele e surge Feiurinha. [...]

Pedro Bandeira. O fantástico mistério de Feiurinha: teatro. São Paulo: FTD, 2001. Fragmento.

Fonte: Coleção Desafio Língua Portuguesa – 5° ano – Anos Iniciais do Ensino Fundamental – Roberta Vaiano – 1ª edição – São Paulo, 2021 – Moderna – p. MP209-215.

Entendendo a peça dramática:

01 – De acordo com o texto, qual o significado das palavras abaixo:

·        Proscênio: palco.

·        Espaldar: o encosto da cadeira.

·        Canapé: um tipo de sofá.

·        Rotunda: pano de fundo.

·        Aristocrático: relacionado à nobreza.

·        Clarins: instrumentos musicais d sopro, trombetas.

02 – Faça a leitura dos trechos abaixo:

        Trecho original:

        “Belezinha: Feiurinha! Agora você é a bruxa Feiurinha!

        Ruim: Para sempre!”

        Trecho modificado:

        Belezinha: Feiurinha? Agora você é a bruxa Feiurinha?

        Ruim: Para sempre?

a)   A forma de ler cada trecho foi a mesma? Explique.

A forma de ler cada trecho não foi a mesma, pois a pontuação é diferente e interfere na entonação da leitura.

b)   Os trechos tem o mesmo sentido?

Os trechos não tem o mesmo sentido. No trecho original, as personagens estão fazendo exclamações e, no trecho modificado, elas estão fazendo perguntas.

03 – Leia as palavras a seguir.

Proscênio – rotunda – esquadria – ruindades – aristocrático – atulhada – clarins – explosão – enfeitiçada – poderosíssimo.

a)   Em quais palavras você precisa aprimorar a leitura?

Resposta pessoal do aluno.

b)   Treine a leitura das palavras, até ler todas corretamente e sem pausas.

Resposta pessoal do aluno.

c)   Das palavras do quadro, quais você teria mais dificuldade para escrever? Justifique.

Resposta pessoal do aluno. Sugestão: espaldar com u no lugar do l; rotunda com m no lugar do n; poderosíssimo com z no lugar s.

d)   Para um estudante que está aprendendo a escrever, na sua opinião, qual dificuldade encontraria ao escrever as palavras proscênio e explosão?

Resposta pessoal do aluno. Sugestão: Em proscênio usaria s no lugar de sc; explosão usaria x no lugar do s.

04 – Após ler o texto dramático, responda:

a)   Quem era as vilãs da história?

Ruim, Malvada, Piorainda e Belezinha.

b)   Quem foi o herói da história?

O Príncipe.

c)   As personagens Feiurinha e Belezinha tinham esses nomes por causa de sua aparência física? Explique.

Não. O nome das personagens reflete o oposto de sua aparência física, pois Feiurinha é uma jovem bonita e Belezinha é uma bruxa feia.

d)   Como o Príncipe descobriu qual das bruxas era Feiurinha?

O Príncipe ameaçou matar quem tinha enfeitiçado Feiurinha, e a verdadeira Feiurinha que era generosa, pediu a ele que poupasse a vida das bruxas.

05 – Releia o trecho:

        “Feiurinha: Socorro! O que aconteceu comigo?

        As quatro bruxas pulam de alegria e dançam felizes em volta da nova companheira.

        Belezinha: Ah, ah, ah! Agora você é uma de nós!

        Ruim: Esta pele de urso é o feitiço mais poderoso da Terra!

        Malvada: Torna velha uma mulher jovem...  

        Piorainda: ... e feia se ela for linda!”.

a)   O que a pele de urso causou em Feiurinha?

Transformou a personagem em uma bruxa feia.

b)   O trecho mostra a fala de quais personagens?

Feiurinha, Belezinha, Ruim, Malvada e Piorainda.

c)   Sublinhe no trecho a rubrica que indica a ação das personagens.

As quatro bruxas pulam de alegria e dançam felizes em volta da nova companheira.

06 – Releia as rubricas abaixo.

(C) “1° cenário: O salão do castelo da Dona Branca Encantado, que deve sugerir o luxo de histórias de fadas.”

(A) “[...] Feiurinha veste a pele de urso.”

(B) “(Ajoelhando-se e abraçando-se às pernas do Príncipe:)”

(D) “Ouvem-se galopes de cavalos.”

* Agora, relacione as funções abaixo às rubricas que você leu.

(A) Indicar o figurino da personagem.

(B) Indicar o movimento da personagem na cena.

(C) Indicar como deve ser o cenário.

(D) Indicar o efeito sonoro presente na cena.

07 – Releia o trecho da peça dramática.

        “Príncipe: (Pegando Feiurinha pelos ombros e levantando-a:) Meu amor! Só você pode ser a Feiurinha! Só uma menina maravilhosa como a Feiurinha poderia ser tão generosa! O que essas malvadas fizeram com você?

        Feiurinha:  Elas me fizeram vestir esta pele de urso.  É um feitiço que me transformou em bruxa. Só pode ser desatado por uma certa espada de prata...”.

a)   Copie do trecho a rubrica presente nele.

(Pegando Feiurinha pelos ombros e levantando-a:)

b)   O que essa rubrica índica?

Indica a ação do Príncipe na cena: ele pega Feiurinha pelos ombros e levanta-a.

c)   Qual é a função dos pontos de exclamação na fala do Príncipe?

Expressam os sentimentos de surpresa, alegria ou admiração.

d)   Qual é o tema central deste trecho?

O feitiço que transformou Feiurinha.

08 – No trecho dessa peça, as falas das personagens são de que tipo?

(X) Diálogo.

(  ) Monólogo.

(  ) Aparte.

09 – Releia as informações sobre o cenário no início do texto dramático.

a)   Em qual dos cenários é mais provável que tenha ocorrido o trecho que você leu da peça teatral?

(  ) no 1° cenário, o salão do castelo da Dona Branca Encantado.

(  ) No 2° cenário, a pobre casa dos pais de Feiurinha.

(X) No 3° cenário, a horrível casa das bruxas.

(  ) No 4° cenário, a sala onde trabalha o Escritor.

b)   Qual dos cenários permanece o tempo todo no palco?

O quarto cenário, a sala de trabalho do Escritor.

c)   É correto afirmar que essa peça teatral tem apenas um ato? Por quê?

Não, pois a peça possui quatro cenários, e cada vez que a história se desenvolve em um cenário diferente constitui-se um novo ato.