Crônica: TIPOS INESQUECÍVEIS
Max Nunes
Era elegante como um manequim de vitrine e ocupado como telefone de bicheiro. Embora mentiroso como bula de remédio, mais enganador que boletim meteorológico e vagaroso como uma obra da prefeitura, era minucioso como um vendedor de imóveis e tão perigoso quanto um pastel de botequim. De inteligência era tão quadrado quanto a frente de um carro inglês e sua ignorância era transparente como fatia de presunto em sanduíches. Sob o ponto de vista moral, era mais sujo que qualquer rua do Rio e mais desmoralizado que o cruzeiro.

Sentindo-se tão inútil quanto um deputado
honesto e mais abandonado que o plano para erradicar a seca, resolveu pôr fim à
vida de maneira tão rápida quanto o governo aumenta os impostos. Hoje é apenas
uma saudade funda como o time do Olaria e seu nome está mais esquecido que
promessa de vereador em época eleitoral.
NUNES, Max. “Tipos
Inesquecíveis”. In: Uma pulga na camisola: o máximo de Max Nunes. Sel. e
org. Ruy Castro. São Paulo: Companhia das Letras, 1996. p. 123.
Fonte: Português. Série
novo ensino médio. Volume único. João Domingues Maia – Editora Ática – 2000.
São Paulo. p. 36.
Entendendo a crônica:
01
– Qual é o tom geral da crônica ao descrever o personagem?
O tom é satírico
e humorístico, utilizando uma série de comparações exageradas e irônicas para
pintar um retrato cômico do personagem.
02
– Quais são algumas das características contraditórias do personagem descritas
na crônica?
O personagem é descrito como
elegante e ocupado, mas também mentiroso, enganador e vagaroso. Ele é
inteligente e ignorante, moralmente sujo e desmoralizado.
03
– Qual é o efeito do uso de comparações exageradas na crônica?
As comparações
exageradas, como comparar a inteligência do personagem à frente de um carro
inglês e sua ignorância a uma fatia de presunto em sanduíches, criam um efeito
cômico e destacam a natureza absurda do personagem.
04
– Qual é o desfecho da crônica e qual é o seu significado?
O personagem,
sentindo-se inútil e abandonado, decide tirar a própria vida. O desfecho
irônico e melancólico destaca a solidão e o vazio existencial do personagem, ao
mesmo tempo em que mantém o tom humorístico da crônica.
05
– Qual é a crítica social presente na crônica?
A crônica critica
sutilmente a corrupção e a ineficiência do governo, comparando o personagem a
um deputado desonesto e a um plano governamental abandonado.
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