quarta-feira, 17 de junho de 2026

CONTO: OS MORTOS IV - PARTE 4 - JAMES JOYCE - COM GABARITO

 Conto: OS MORTOS IV – parte 4

          JAMES JOYCE

 

        Seu rosto vermelho aproximara-se com excessiva intimidade e a voz descambara para o rude sotaque de Dublin, de forma que as moças, instintivamente, receberam em silêncio suas palavras. Senhorita Furlong, aluna de Mary Jane, perguntou à senhorita Daly qual o nome da linda valsa que ela tocara e Browne, vendo-se ignorado, voltou-se para os rapazes que se mostravam mais atenciosos.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiBRthbHmn9nMhHoNaFSpCaxgHUsv4YdvLusgBMpG5ezLq79CfVCW41EwPJDgQeo89UGGa_7-LSQ6I0_BFjXKzaQ2NOG8AAMLxb2ic2i1R4oXjyc7qqZgCsZOZ2cDglogRJEnTFoD0VzPf08ASd5JQI5mQJ0VerrI2On84GUp0209TQVFMWufKOqcGc5ms/s320/MORTOS.jpg


        Uma jovem muito corada, de vestido lilás, entrou na sala batendo freneticamente as mãos e gritando:

        -- Quadrilha! Quadrilha!

        Logo atrás, apareceu tia Kate:

        -- Dois cavalheiros e três damas, Mary Jane!

        -- Oh! Aqui estão o senhor Bergin e o senhor Kerrigan – disse Mary Jane. – Senhor Kerrigan, quer acompanhar a senhorita Power? Senhorita Furlong, posso arranjar-lhe um par? Senhor Bergin. Pronto, agora está completo.

        -- Três damas, Mary Jane - insistiu tia Kate.

        Os dois rapazes perguntaram às moças se podiam ter a honra e Mary Jane voltou-se para a senhorita Daly.

        -- Senhorita Daly! Você está sendo muito gentil. Depois de tocar duas valsas! Mas há tão poucas mulheres esta noite.

        -- Não estou cansada, senhorita Morkan. Não se preocupe.

        -- Mas tenho um par encantador para você. Senhor Bartell D'Arcy, o tenor. Mais tarde, eu o farei cantar para nós. Toda Dublin está delirando por ele.

        -- Uma voz maravilhosa, maravilhosa – disse tia Kate.

        O piano começara duas vezes o prelúdio para a primeira figura e Mary Jane apressou-se em levar os pares. Mal haviam saído e tia Júlia entrou preocupada na sala, olhando para trás.

        -- Que aconteceu? – perguntou tia Kate preocupada – Quem está aí?

        Júlia, que carregava uma pilha de guardanapos, voltou-se para a irmã e disse, como se a pergunta a tivesse surpreendido:

        -- É Freddy Gabriel está com ele.

        Com efeito, logo atrás dela vinha Gabriel dirigindo Freddy Malins. Este último, um jovem de quase quarenta anos, da mesma altura e tamanho de Gabriel, tinha ombros bastante largos. Seu rosto era gordo e pálido, corado apenas nos lobos carnudos da orelha e nas largas narinas. Tinha feições grosseiras: nariz chato, testa curva e luzidia lábios grossos e úmidos. Seu olhar pesado e os cabelos em desordem davam-lhe um ar sonolento. Ria alto e francamente da história que acabara de contar na escada a Gabriel, esfregando o olho esquerdo com o punho.

        -- Boa noite, Freddy – disse tia Kate.

        Freddy respondeu ao cumprimento de um modo que pareceu pouco cerimonioso devido sua crônica rouquidão e, vendo que Browne lhe arreganhava os dentes lá no canto, atravessou a sala com passos incertos e começou a repetir em voz baixa a história que contara a Gabriel.

        -- Ele não está muito ruim, está? – perguntou tia Kate.

        Gabriel tinha o semblante carregado, mas recompôs-se imediatamente e respondeu:

        -- Oh, não! Quase nem se nota.

        -- Ele não é mesmo terrível? – disse ela. – Pensar que a mãe o fez jurar que não iria beber na passagem de ano. Venha, Gabriel. Vamos para o salão.

        Antes de deixar a sala em companhia de Gabriel, fez um sinal com o dedo para Browne, que balançou a cabeça em resposta e disse para Freddy, quando a viu sair:

        -- Agora, Freddy, vou preparar-lhe um bom copo de limonada, para reanimá-lo.

        Freddy, que chegava ao clímax da história, recusou o oferecimento com certa irritação. Browne, porém, distraindo-lhe a atenção para um desarranjo na roupa, encheu o copo de limonada e entregou-o a Freddy. Sua mão esquerda aceitou-o mecanicamente, enquanto a direita, também mecanicamente, ocupava-se em ajustar a roupa. Browne, cujo rosto mais uma vez se contraíra numa expressão divertida, preparou para si um copo de uísque, enquanto Freddy, antes mesmo de atingir o desfecho da história, explodia num acesso de riso e, colocando o copo de limonada, intacto e transbordante, sobre o bufê, começou a esfregar o olho esquerdo, repetindo a última frase, tanto quanto a tosse e o riso lhe permitiam.

        Gabriel não conseguia prestar atenção à peça clássica que Mary Jane executava, cheia de escalas e passagens difíceis para a sala silenciosa. Gostava de música, mas a peça não tinha melodia para ele e duvidava que tivesse para os outros, embora todos houvessem implorado a Mary Jane que tocasse alguma coisa. Quatro rapazes, que ao som do piano tinham vindo do bufê até a porta, afastaram-se silenciosamente, dois de cada vez, após alguns minutos. As únicas que pareciam interessadas eram a própria Mary Jane, cujas mãos corriam pelo teclado ou erguiam-se dele num gesto de sacerdotisa em súbita imprecação, e tia Kate, sentada a seu lado para virar as páginas.

        Os olhos de Gabriel, feridos pelo reflexo do lustre no assoalho encerado, desviaram-se para a parede atrás do piano. Havia ali uma gravura da cena do balcão de Romeu e Julieta e, ao lado dela, um quadro com os dois principezinhos assassinados na Torre, que tia Júlia bordara com lã vermelha, azul e marrom, em seu tempo de menina. Elas certamente haviam aprendido esse gênero de trabalho durante um ano inteiro, na escola que frequentaram. Sua mãe também bordara, como presente de aniversário pequenas cabeças de raposa, num colete de moire púrpura, forrado de cetim marrom e com botões em forma de amor. Era estranho que ela não tivesse talento para música, embora tia Kate costumasse chamá-la o cérebro da família Morkan. 

        Tanto Kate quanto Júlia haviam sempre deixado transparecer certo orgulho pela irmã grave e imponente. Havia um retrato dela diante do espelho do aparador. Estava com um livro aberto sobre os joelhos e mostrava alguma coisa a Constantine que, vestido à marinheira, sentara-se aos seus pés. Ela mesma escolhera os nomes dos filhos, pois era muito ciosa do decoro da vida familiar. Graças a ela, Constantine era hoje pároco de Balbriggan e Gabriel diplomara-se na Universidade Real. Uma sombra percorreu-lhe o rosto ao lembra-se da obstinada oposição que a mãe fizera ao seu casamento. Certas frases ferinas machucavam-no ainda na memória. Ela afirmara, certa vez, ser Gretta uma provinciana interesseira e isso não era verdade. Gretta é quem cuidara dela durante a longa e fatal enfermidade, em Monkstown.

 

Tradução de Hamilton Trevisan. OS MORTOS – JAMES JOYCE – PARTE 4 / DA LISTA DOS CEM MELHORES CONTOS DO MUNDO / REVISTA BRAVO – 2009.

Entendendo o conto:

01 – Por que as moças receberam as palavras do Senhor Browne em silêncio no início do texto?

      Porque o rosto vermelho dele havia se aproximado com excessiva intimidade e sua voz tinha descambado para um rude sotaque de Dublin.

02 – Quem é Bartell D'Arcy e o que Mary Jane e tia Kate dizem sobre ele?

      Bartell D’Arcy é um tenor por quem toda Dublin está delirando. Mary Jane e tia Kate elogiam sua voz, chamando-a de “maravilhosa”.

03 – Qual era a preocupação de tia Kate em relação a Freddy Malins e o que a mãe dele o fizera prometer?

      A preocupação era se Freddy estava muito bêbado ("muito ruim"). Tia Kate lembra que a mãe dele o fizera jurar que não iria beber na passagem de ano.

04 – Como o Senhor Browne tenta intervir no comportamento de Freddy Malins em relação à bebida e qual é o resultado?

      Browne prepara e entrega a Freddy um copo de limonada para reanima-lo. Freddy aceita o copo mecanicamente, mas acaba deixando-o intacto e transbordante sobre o bufê enquanto ri e tosse. 

05 – Qual é a opinião de Gabriel sobre a peça clássica que Mary Jane executa ao piano?

      Gabriel não conseguia prestar atenção e achava que a peça não tinha melodia para ele, duvidando que tivesse melodia para qualquer outra pessoa ali presente.

06 – Quais são as imagens/quadros que Gabriel observa na parede atrás do piano enquanto Mary Jane toca?

      Ele observa uma gravura da cena do balcão de Romeu e Julieta e, ao lado dela, um quadro com os dois principezinhos assassinados na Torre (que tia Júlia havia bordado com lã na infância).

07 – Que lembrança amarga e sombra percorrem o rosto de Gabriel ao pensar em sua falecida mãe?

      Gabriel lembra-se da obstinada oposição que sua mãe fizera ao seu casamento, recordando-se de frases ferinas em que ela acusava Gretta (sua esposa) de ser uma "provinciana interesseira" — o que ele ressalta ser mentira, pois foi Gretta quem cuidou da mãe dele durante sua longa e fatal enfermidade.

 

terça-feira, 16 de junho de 2026

POEMA: ETA NÓIS - ULISSES TAVARES - COM GABARITO

 Poema: Eta Nóis

 

Ela fala sem parar

Às vezes esquece de se depilar

Eu tenho um pouco de chulé,

Minha barba é dura e espeta,

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEj7k6vWSxuGaM32fp_X74vhbD2THiUJV12S4kdFP2xjBBzjY9mF1w3siuSYVB3OR_T5AdxpnufI0v4G0wlxJMpW2_NGaUBfzLK-seVaqctYYNnNLmdlQ33HZ-4g2vW5dHz4874UklSywQOD1HeanIG6JDyVV9G1W4wkRJnVgc8m4hhgAv-Nwx2cepsVZA8/s320/images.jpg


Vamos descobrindo aos poucos

O que estava por baixo dos panos:

Dois seres bem humanos.

Ulisses Tavares. Diário de uma paixão! São Paulo: Geração, 2003.

 

Entendendo o poema:

01 – Que tipo de sujeito aparece no segundo verso?

      No segundo verso ("Às vezes esquece de se depilar"), o sujeito é oculto (também chamado de elíptico ou desinencial).

      Embora ele não esteja explicitamente escrito nesse verso, nós conseguimos identificá-lo pela desinência do verbo "esquece" e pelo contexto do primeiro verso ("Ela fala sem parar"). Trata-se da terceira pessoa do singular: Ela.

 

02 – Reescreva o segundo verso incluindo o sujeito que falta.

      “Às vezes ela esquece de se depilar”.

 

03 – Reescreva o quinto verso acrescentando o sujeito que está oculto. Como você o identificou?

      Reescrita: "Nós vamos descobrindo aos poucos"

      Como foi identificado: O sujeito foi identificado através da desinência número-pessoal do verbo "vamos" (-mos), que indica a 1ª pessoa do plural (Nós).

 

04 – De acordo com o sentido do poema e com os sujeitos que você identificou, quais são as personagens desse diário poético e o que ele conta?

      As personagens são um casal (composto pelo eu lírico, que é um homem, já que menciona "Minha barba é dura", e por sua parceira, a quem ele se refere como "Ela").

      O poema conta o processo de convivência íntima desse casal. Ele mostra que, conforme o tempo passa e a intimidade aumenta, as idealizações românticas vão sumindo e eles começam a descobrir os pequenos defeitos e imperfeições físicas um do outro (chulé, pelos, barba espetando). No fim, o texto celebra o fato de que, por trás das aparências ("por baixo dos panos"), eles descobriram que são apenas "dois seres bem humanos", que se aceitam como realmente são.

 

 

CRÔNICA: MEIO AMIGO - JOSÉ FERNANDES - COM GABARITO

 Crônica: MEIO AMIGO

              José Fernandes 


        A conversa estava animada. Cada um defendia as virtudes de seu candidato com argumentos aparentemente irrefutáveis. Até aqueles candidatos que foram garis, engraxates, catadores de papel, e, hoje, são donos de mansões, castelos, bezerros de ouro, poderiam ser postos no altar, sem que o processo de canonização passasse pelos órgãos competentes. Os mais eloquentes diziam-se amigos desse ou daquele que, segundo seus valores, parecia ser o mais virtuoso. De repente, Empédocles se acorda de seu torpor schopenhaureano e vaticina:

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgt_4aTRqZIpOlmvPrShwexUEYnsjO0c1OCstCEXrHQWM8qvY7k63tQtpvs6Gn4dii8DDTM6fIDJMd7r3qW1Ocwu1hcCA46yKeym7jp9_TWA0gY2MJJ9pqneGrmbJQ76KIit4eappNkwvQhO92ue6gKkHrlrC9p7l7ZJHdlv3KL-Cl0ggEmoFNUTZcvsFc/s320/images.jpg


        — Em política, não há amigos. O que há são pessoas interessadas em cargos e benesses do poder. Aliás, não conheço quem realmente tem amigos. Existem necessidades que, para serem satisfeitas, requerem certos fingimentos sociais que se assemelham à amizade. Uma vez satisfeitas, o amigo fingidor se afasta, e a amizade se desfaz. 

        — Desculpe-me, Empédocles, mas, como você mesmo o disse, isso não é amizade. Para mim, ela é um sentimento profundo que leva as pessoas a se admirarem e a se respeitarem em um nível tal que ultrapassa o meramente humano. Ela é uma concórdia que não repousa, obrigatoriamente, na identidade de opiniões, mas na harmonia do semelhante e, muitas vezes, do contrário. Acima da amizade, só há o amor, que implica uma complementação que se opera em nível metafísico. O amor verdadeiro aproxima o homem dos deuses, à medida que, no ato supremo, ocorre a ultrapassagem do físico, chamado pequeno êxtase, que, na realidade, se configura como transubstanciação, mistério e enigma do bem-querer. 

        — Ora, Filófilo, você está filosofando demais! A humanidade está tão podre que não merece esta ontologia da amizade e, muito menos, do amor, que é apenas uma forma de duas pessoas se fingirem humanas! 

        — Acredito que a humanidade está como está, porque não tem sido pensada, e pensada no amor. Os indivíduos têm agido como se fossem eternos, voltados para si mesmos. Quando se é egoísta, não há lugar para a amizade e, muito menos, para o amor. O egoísta é incapaz de enxergar o outro. Enxerga apenas e unicamente o próprio umbigo. O seu mundo termina na ponta do nariz ou nos números de sua conta bancária. Por isso, ele não pode ter amigos. O egoísta é amigo de si mesmo! É um narciso que ama a própria imagem! 

        Creio que se não houver pessoas em quem pudermos confiar, a quem pudermos amar, a vida perde o sentido, porque todos os bens que a perfazem, são conservados mediante a participação do outro. Queiramos ou não, o outro, a despeito de Sartre havê-lo dito o inferno, é a razão da existência. Empédocles, você já se imaginou sozinho no universo, sem alguém que o ame, em quaisquer dos sentidos que os gregos atribuíam às relações humanas, ao ponto de haver cinco ou seis palavras para designar as diversas acepções do amor e da amizade? 

        — Eu não disse que os homens não necessitam uns dos outros! Disse que tudo não passa de jogos de interesses. Uma vez satisfeitos, não há mais razão para a amizade, uma vez que ela é inteira dependente da sinceridade, e homem, hipócrita como é, não calha com lealdade, com lhaneza. Caro Filófilo, Machado de Assis é que estava certo quando, em Memórias póstumas de Brás Cubas, no capítulo Das negativas, disse: — Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado da nossa miséria, e um filósofo, de quem não me lembro o nome, disse que a humanidade é um mal incurável. Ora, se a humanidade não presta, essa história de amizade e amor, de fidelidade e gratidão, passa a ser história para boi dormir.

        — Empédocles, apesar de você ser inflexível, de meus argumentos lhe parecerem obsoletos, ou absurdos, para mim, o pior ato praticado por um ser humano é a ingratidão. Se alguém me tiver feito algum bem, seja ele qual for, serei sempre reconhecido. A amizade que se acaba, como já dissera Aristóteles, é aquela fundada na utilidade e no prazer. Aquela que tem por sustentáculo o bem, a gratidão e a fidelidade, dura sempre, porque traz em si um outro bem que manifesta a humanidade do homem: a verdade. 

        — Ora, Filófilo, você não tem de ser fiel a vida toda, só porque seu amigo lhe fez um favor! Você é ingênuo demais! Acredita em coisas que existem apenas em sua imaginação. Onde já se viu acreditar na humanidade?! Entre humanos só existem meias amizades! 

        — Caro Empédocles, na minha concepção, existe meio mamão, meio abacate, meio da rua, meio de campo, meio da ponte; mas meio amigo, não. Como não há meio gol, meio grávida, meio seguro, também não existe meio amigo. Ou se é amigo, ou não se é! Adjuva nos, Domine!

José Fernandes.

Entendendo a crônica:

01 – Qual é o estopim da discussão entre os personagens e como o cenário inicial se conecta com a tese de Empédocles?

      O debate começa com uma conversa animada sobre política, onde as pessoas defendiam fervorosamente as "virtudes" de seus candidatos (inclusive criticando o enriquecimento rápido de alguns deles). Esse cenário de exaltação política serve de gancho perfeito para Empédocles intervir, pois, para ele, a política é o maior exemplo de que as relações humanas não são movidas por afeto, mas sim por interesses egoístas, cargos e benefícios.

02 – Como Filófilo conceitua a verdadeira amizade e o amor, diferenciando-os das relações utilitaristas?

      Para Filófilo, a verdadeira amizade é um sentimento profundo de admiração e respeito mútuo que supera o nível puramente humano, operando na harmonia entre semelhantes ou contrários. O amor estaria ainda acima, funcionando em um nível metafísico de complementação ("transubstanciação"). Para ele, essas relações só existem quando se supera o egoísmo e se é capaz de enxergar o outro de forma genuína.

03 – Empédocles utiliza referências literárias e filosóficas para sustentar seu pessimismo. Quais são elas e o que defendem?

      Ele é descrito inicialmente em um "torpor schopenhaureano" (referência ao pessimismo do filósofo Arthur Schopenhauer). Mais adiante, ele cita explicitamente Machado de Assis na obra Memórias Póstumas de Brás Cubas, relembrando a célebre frase sobre não transmitir a nenhuma criatura "o legado da nossa miséria". Ele usa essas bases para defender que a humanidade é hipócrita, incurável e que sentimentos como fidelidade e gratidão são apenas ilusões ou "histórias para boi dormir".

04 – De acordo com Filófilo, por que a humanidade chegou ao estado de "podridão" mencionado por seu colega?

      Filófilo argumenta que a humanidade está degradada porque "não tem sido pensada no amor". Segundo sua visão, as pessoas têm agido de forma puramente egoísta, como se fossem eternas e voltadas apenas para si mesmas (olhando apenas para o próprio umbigo ou conta bancária). Para ele, o egoísmo cega o homem, impedindo-o de vivenciar a amizade verdadeira.

05 – Qual contraponto Filófilo faz à famosa frase de Jean-Paul Sartre de que "o inferno são os outros"?

      Embora reconheça a perspectiva existencialista de Sartre, Filófilo defende que, queiramos ou não, "o outro é a razão da existência". Ele argumenta que a vida perde totalmente o sentido no isolamento completo, pois todos os bens e experiências que tornam a vida plena dependem obrigatoriamente da participação e do compartilhamento com o outro.

06 – Como a visão de Aristóteles sobre a amizade é utilizada no texto para mediar o conflito entre os dois debatedores?

      Filófilo cita Aristóteles para dar razão parcial a Empédocles, explicando que as amizades que realmente acabam e se desfazem são aquelas fundadas exclusivamente na "utilidade" e no "prazer" (o jogo de interesses que Empédocles tanto critica). No entanto, Filófilo usa o filósofo grego para provar que existe outro tipo de amizade: aquela baseada no bem, na gratidão e na verdade, que é eterna.

07 – Qual é o argumento final de Filófilo que justifica o título da crônica "Meio Amigo"?

      Filófilo encerra o debate rejeitando categoricamente a expressão "meia amizade" usada por Empédocles. Ele argumenta através da lógica dos absolutos: assim como existem coisas que admitem metade (meio mamão, meio de campo), existem conceitos que são binários — ou existem plenamente ou não existem. Para ele, "amigo" entra na mesma regra de "grávida" ou "gol": não existe meio termo. Ou se é amigo por inteiro, ou não se é amigo de forma alguma.

 

 

segunda-feira, 15 de junho de 2026

NOTÍCIA: MULHER É ATROPELADA E PÕE A CULPA NO GOOGLE MAPS - COM GABARITO

 Notícia: Mulher é atropelada e põe a culpa no Google Maps

 

        Nos Estados Unidos, quase tudo pode render uma ação judicial. O processo movido pela americana Lauren Rosenberg, vítima de um atropelamento em uma rodovia no Estado de Utah, seria mais um caso de reparação por danos, mas ela quer receber US$ 100 mil (cerca de R$ 183,5 mil) não só do motorista que a atingiu, Patrick Harwood, mas também da empresa Google.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjG8t2ww12kx_DLe9x7ERN4TxhImGimIAgT7lFPnuW8YTjLeDn3NyFw80bXjX5XfduMX-W0ly1HytBRAGp5w4l6gTzV39PhiTTTUcHfYntLuu85uC2fJHV3M-oWXaCv8I4TZzqW0alY2FsFFm32jj_A3_wMjBPVeEJrWc1wzTOwSEnUsa5HbXbvdOZbILU/s1600/images.jpg


        Segundo o jornal inglês The Guardian, Lauren tentou atravessar uma estrada estadual sem passeio para pedestres, à noite, e foi atingida por um carro, em 19 de janeiro de 2009. Ela alega ter seguido as indicações do site Google Maps.

        O advogado Allen Young entrou com a ação judicial na semana passada. Ele argumenta que o site foi "descuidado e negligente" ao indicar a travessia de uma via expressa. "As pessoas confiam nas instruções (dadas pelo Google Maps). Ela acreditou que era seguro atravessar a pista."

        Ao indicar uma rota, o serviço do Google dá um alerta: "Essa rota pode não ter calçadas ou passeio para pedestres". Procurada pelo Guardian, a empresa não quis comentar o caso, que ainda vai dar o que falar.

http://www.diariopopular.com.br.

 

Entendendo a notícia:

01 – O trecho do texto que expressa uma opinião é:

(A) “Nos Estados Unidos, quase tudo pode render uma ação judicial.”

(B) "Essa rota pode não ter calçadas ou passeio para pedestres".

(C) “Ele argumenta que o site foi "descuidado e negligente" [...]”

(D) “Procurada pelo Guardian, a empresa não quis comentar o caso”.

 

02 – Qual é o fato principal (o fato gerador) narrado nessa notícia?

      O fato principal é o processo judicial movido por Lauren Rosenberg contra o motorista que a atropelou e também contra a empresa Google, alegando que o aplicativo de mapas a guiou por uma rota perigosa.

 

03 – O acidente aconteceu à noite, em uma rodovia sem calçadas. Diante disso, qual é o principal argumento de defesa que a empresa Google possui, segundo o próprio texto?

      O principal argumento de defesa é o aviso/alerta que o próprio serviço do Google Maps exibe ao indicar rotas a pé: "Essa rota pode não ter calçadas ou passeio para pedestres". Isso transfere parte da responsabilidade do trajeto para a atenção do próprio usuário.

 

04 – Qual é a justificativa do advogado da vítima para incluir o Google no processo de indenização?

      O advogado Allen Young argumenta que o site foi “descuidado e negligente” ao sugerir que um pedestre atravessasse uma via expressa. Ele defende que a empresa tem responsabilidade porque as pessoas confiam piamente nas instruções dadas pelo aplicativo.

 

05 – No trecho “...o caso, que ainda vai dar o que falar”, a expressão em destaque significa que:

(A) O processo será arquivado rapidamente por falta de provas.

(B) A situação é polêmica e ainda causará muitos debates e discussões.

(C) O motorista do carro confessará a culpa do atropelamento.

(D) O Google mudará imediatamente o funcionamento do seu aplicativo.

 

06 – A partir da leitura do texto, pode-se inferir que a atitude da pedestre Lauren Rosenberg demonstrou:

(A) Extrema prudência, pois ela verificou as condições da pista antes de atravessar.

(B) Desconfiança total em relação às tecnologias de localização.

(C) Confiança cega na tecnologia, deixando de avaliar os riscos reais do ambiente ao seu redor.

(D) Conhecimento profundo das leis de trânsito do Estado de Utah.

 

 

PALAVRAS COM S QUE TÊM SOM DE Z - TIRINHA - COM GABARITO

 Palavras com S que têm som de Z – Tirinha

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiKlFxF5-QFDqPXvzABzjXoyQbSORaf42PW5kQC9gC68hMrT9D9tcHEEyyUJnxRb6KXe2qFBNTwIR6SweXjpDN2pB93MzTM3TBa4P3RYokgAuJOSECdAUEl_rGzrOllcNYn3HsiDRSRGrc72FDedHktnlM2r9hNnXwmKR0O5i5XCOOo1ujTRgrtb19RWaE/s320/TIRINHA.jpg
 Entendendo a tirinha:

01 – No 2º quadrinho, ao dizer que o homem que passou está em fase terminal da vida, o que o leitor pensa que vai acontecer com esse homem?

      Pensa que ele está com uma doença terminal e vai morrer.

 

02 – O 3º quadrinho é responsável pelo humor do texto, pois nele o leitor descobre do que se trata a fase terminal da vida do homem. O que de fato aconteceria com ele?

      Ele vai se casar.

 

03 – Pela tirinha, que visão os dois personagens sentados no bar têm do casamento?

      Que o casamento é o fim da vida.

 

04 – As palavras FASE e CASAR são escritas com S, mas têm som de Z. Descubra as palavras a seguir que também se escrevem assim, seguindo as pistas:

a) Língua falada no Brasil e em Portugal: P O R T U G U E S A

b) Percepção do mundo exterior pelos olhos: V I S Ã O

c) Ato de ir ver alguém por cortesia ou obrigação: V I S I T A

d) Casa de detenção, penitenciária: P R E S Í D I O.

e) Gasto: D E S P E S A.

f) Separar, afastar do convívio social: I S O L A R.

g) Acontecimento trágico: D E S A S T R E.

h) Fase crítica de uma situação ou doença; momento de desequilíbrio emocional: C R I S E.

i) Quem tem medo de tudo: M E D R O S O.

j) Membro superior das aves que permite que elas voem: A S A.

k) Lugar muito belo e agradável: P A R A I S O.

l) Destruir, danificar; fazer muito sucesso: A R R A S A R.

 

CARTAZ: NÃO A DROGA! COM GABARITO

CARTAZ: NÃO A DROGA!

 

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjV2Y1GFIk0y9d61iq1kmET4YTvq1iNoul5U9Dq9QqcuYk0OVrDlkcADiEGXPfuJMChxqmhTwxE0wASYxJacYmX2JOIT7J23OaCRyxhjpVsHomu97nRCOP0ZEygP0i8CZYPtrFklQdn8Vb5lybxUvwKODCavMHTyeY0Jn27xEookTcyiKAXfwjncxqjM98/s320/droga.jpg

 Entendendo o cartaz:

01 – Esse cartaz é uma:

a) notícia                 

b) publicidade

c) charge                  

d) carta

 

02 – O cartaz é um gênero textual cuja finalidade é informar as pessoas, sensibilizá-las sobre determinado assunto. O cartaz em estudo foi criado pelo cartunista Ziraldo, a pedido da Prefeitura do Rio de Janeiro.

a) Qual é a finalidade desse cartaz?

      Conscientizar as pessoas para que não usem drogas.

b) Que tipo de público esse cartaz pretende atingir?

      Os jovens.     

c) Considerando a entidade responsável pelo cartaz e a finalidade que se tem vista com ele, onde você acha que esse cartaz deve ser afixado para que atinja seu objetivo?

      Em praças públicas, escolas, ônibus etc.

 

03 – Os cartazes geralmente apresentam linguagem verbal (palavras) e visual (imagem). Responda com relação ao cartaz em estudo:

a) O texto escrito é suficiente para transmitir a mensagem, mas a imagem ajuda. Por quê?

(  ) Porque explica o texto.

(X) Porque chama a atenção do leitor.

b) Explique a relação existente entre a ilustração e o texto.

      As flores dão a ideia de coisas boas, boas ideias, remetendo à vida sem drogas como uma vida boa, florida, com bons pensamentos.

 

04 – Explique o sentido do enunciado “Quem faz a sua cabeça é você”.

      A ideia é que os jovens decidam os rumos de sua vida e não se deixem influenciar por outras pessoas, com ideias erradas, como o uso de drogas.

 

05 – O texto do cartaz está na linguagem:

(  ) formal, pois segue as regras da gramática.

(X) informal, pois faz uso de gíria.

 

06 – Analise o texto verbal do cartaz e responda: Por que foi usada a expressão “NÃO A DROGA”, quando geralmente se utiliza “Não à droga”?

      Porque é uma continuação da frase "Quem faz a sua cabeça é você, não a droga"

 

 

SUJEITO, PREDICADO E COMPLEMENTOS VERBAIS - COM GABARITO

 Sujeito, predicado e complementos verbais

 

        Sujeito é o ser sobre o qual se declara algo.  

        Predicado é aquilo que se declara sobre o sujeito.

 

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01 – Nas orações baixo, identifique se o termo em destaque é sujeito ou predicado.

a) O papel tem mais paciência do que as pessoas. 

      Sujeito.

b) Os professores são as criaturas mais imprevisíveis da terra. 

      Predicado.

c) O sr. Keesing ficou furioso comigo um bom tempo. 

      Sujeito.

d) A turma morreu de rir

      Predicado.

 

02 – Identifique o sujeito e o predicado das orações a seguir.

a) Duas gaivotas voam no céu azul.

Sujeito: Duas gaivotas

Predicado: voam no céu azul

b) Chegaram à festa o artista e seus acompanhantes.

Sujeito: o artista e seus acompanhantes

Predicado: Chegaram à festa

c) Não é minha esta bolsa.

Sujeito: esta bolsa

Predicado: Não é minha

d) Aqui ocorrem muitos acidentes.

Sujeito: muitos acidentes

Predicado: Aqui ocorrem

e) É proibida a entrada de pessoas estranhas neste recinto.

Sujeito: a entrada de pessoas estranhas

Predicado: É proibida neste recinto

 

        Complemento verbal é o termo que integra, ou seja, completa o significado de um verbo transitivo.

        Verbo transitivo é o verbo que tem o seu sentido integrado por um complemento.

        Verbo intransitivo é aquele que não necessita de outras palavras para lhes integrar o sentido.

 

03 – Identifique e circule os complementos verbais presentes nas orações a seguir e classifique-os em objeto direto ou objeto indireto.

a) O senhor pelo menos leia a carta. 

      Complemento: a carta.

      Classificação: objeto direto.

b) Agora o califado pertence ao meu filho. 

      Complemento: ao meu filho.

      Classificação: objeto indireto.

c) Ele esqueceu a palavra mágica. 

      Complemento: a palavra mágica.

      Classificação: objeto direto.

d) Linda coruja, eu me caso com você. 

      Complemento: com você.

      Classificação: objeto indireto.

EXERCÍCIOS DE CONCORDÂNCIA VERBAL III - TIRINHA - COM GABARITO

 Exercícios de Concordância Verbal III – Tirinha

 

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Entendendo a tirinha:

 01 – Por que a mulher se sentiu vingada, mesmo com o ex-namorado tendo outra mulher?

      Porque a atual namorada falou errado na frente dos amigos dele.

 

02 – Qual foi o erro cometido pela nova namorada do ex dela?

      Ela disse "menas", palavra que não existe na língua portuguesa.

 

03 – Como seria a forma correta, de acordo com as regras de concordância?

      "Tenho bebido menos Coca-Cola."

 

04 – Marque a opção que completa corretamente a frase: “Já ___ anos, ____ neste local árvores e flores. Hoje, só ____ ervas daninhas.”

a) fazem/ havia/ existe

b) fazem/ havia/ existe

c) fazem/ haviam/ existem

d) faz/ havia/ existem

e) faz/ havia/ existe

 

05 – Marque a frase inaceitável, do ponto de vista da concordância:

a) É necessária paciência.

b) Não é bonito ofendermos aos outros.

c) Cerveja é bom pra desestressar.

d) Não é permitido presença de estranhos.

e) Água de Melissa é ótimo para os nervos.


06 – Identifique e corrija o erro de concordância da propaganda a seguir:

O comércio e a CDL leva você ao Hopi Hari no dia das crianças.

O comércio e a CDL levam você ao Hopi Hari no dia das crianças.

Compre nas lojas participantes e concorra!


07 – Complete as frases com a opção correta:


a) Havia muitas pessoas na fila do banco. (Havia / Haviam)
b) Agora são sete horas (é / são)
c) Hoje são 20 de julho de 2014. (é / são)
d) Hoje é dia 10 de agosto de 2014. (é / são)
e) A professora estava meio estressada ontem. (meio / meia)
f) Grande parte dos alunos foi / foram a favor da greve dos professores (foi / foram)
g) Sumiram as chaves da biblioteca da escola. (Sumiu / Sumiram)
h) Faltou / Faltaram com a verdade o menino e o amigo. (Faltou / Faltaram).

EXERCÍCIOS DE CONCORDÂNCIA VERBAL II - TIRINHA - COM GABARITO

 Exercícios de Concordância Verbal II – Tirinha

 

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 Entendendo a tirinha:

01 – Observe as expressões da menina no 2º e no 3º quadrinhos. Por que ela estava assim, toda derretida?

      Porque ela achou que o menino estava se declarando para ela.

 

02 – No 3º quadrinho ela parece estar furiosa. Por que ela ficou assim?

      Porque viu que ele estava falando da flor e não dela.

 

03 – Na fala da menina no 1º quadrinho (Nossa, Artur, como tu é romântico) e na fala do menino no 3º quadrinho (Por acaso tu sabe o nome dela), há erros de concordância verbal. Reescreva essas frases, corrigindo-as.

      "tu és" / "tu sabes"

 

04 – Agora complete as frases com a opção correta, de acordo com as regras de concordância:

a) O diretor ou o coordenador conversará com as turmas. (conversará / conversarão)

b) Havia mais de cinquenta pessoas na fila. (Havia / Haviam)

c) Faz cinco anos que não vejo meu irmão. (Faz / Fazem)

d) Já eram três horas quando fui dormir. (era / eram)

e) Hoje são 20 de maio de 2013. (é / são)

f)  Hoje é dia 20 de maio de 2013. (é/ são)

g) Cada jogador, cada treinador será ouvido na entrevista. (será ouvido / serão ouvidos)

h) Falar, brigar, bater, nada funciona com esse menino. (funciona / funcionam)

i) A maior parte dos brasileiros gostaria/gostariam de receber melhores salários. (gostaria / gostariam)

j) Fui eu quem deixei/deixou a porta aberta. (deixei / deixou).