terça-feira, 15 de setembro de 2026

MÚSICA (ATIVIDADES): FANTOCHES - GUILHERME ARANTES - COM GABARITO

 Música (Atividades): Fantoches

           Guilherme Arantes

Odeio fantoches
Capachos do chefe
Cupinchas do patrão

 

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjDWLllv7wRb47n8wDp0DvrJAhkADTJ_F4YPCLrOjA6l6GRUQLI9lXkax1yi4Ct9v3FB1cg7KxL15j5s_bHxpy1RuNpX1WYjb9RzbGV2-1dSfdjk5WHkEG-qVSfJSxZkMAlKVKCD9U0K8TaShlYnJqhhcGtvCKOMSxjoPKMexPC3MEvGVz4LFlHvn2N67o/s1600/images.jpg

Odeio essa raça
De gente costa-quente
Gente falsa
Serpente
Que se arrasta pelo chão

 

Cara fraco
Inseguro
Eu já acho feio
Puxa-saco
Já tô cheio
Eu, eu odeio
Dedo-duro

 

Odeio fantoches
Capachos do chefe
Cupinchas do patrão

 

Odeio essa raça
De gente costa-quente
Gente falsa
Serpente
Que se arrasta pelo chão

 

Cara fraco
Inseguro
Eu já acho feio
Puxa-saco
Já tô cheio
Eu, eu odeio
Dedo-duro

Eu odeio
Dedo-duro
Odeio
Dedo-duro
Odeio.

Composição: Guilherme Arantes. 

Entendendo a música:

01 – O que a metáfora do "fantoche" representa no contexto da canção e como ela se relaciona com a crítica às relações de trabalho e de poder?

      A figura do "fantoche" representa a pessoa manipulável, sem opinião própria ou autonomia, que se deixa controlar por indivíduos em posições superiores. No ambiente de trabalho e nas estruturas de poder, a metáfora critica aqueles que abandonam a própria ética e individualidade para servir cegamente aos interesses de superiores ("chefe", "patrão"), agindo apenas como peças manipuláveis do sistema.

02 – Analise a escolha do vocabulário informal e popular utilizado na música (como "capacho", "cupincha", "puxa-saco" e "dedo-duro"). Qual é o efeito de sentido produzido por esse léxico?

      O uso de gírias e expressões do cotidiano confere à canção um tom direto, agressivo e de rejeição imediata. Esses termos populares carregam uma forte carga pejorativa que aproxima a mensagem da linguagem das ruas, intensificando a indignação do eu lírico e tornando o desprezo por esse tipo de comportamento claro e sem rodeios formais.

03 – Qual é o significado da metáfora "Gente falsa / Serpente / Que se arrasta pelo chão" e qual vício de comportamento ela denuncia?

      A imagem da "serpente que se arrasta" associa o indivíduo à traição, à dissimulação e à pequenez moral. A metáfora denuncia a falsidade e o servilismo de quem se humilha ou age de má-fé para obter vantagens pessoais ou proteção de superiores ("gente costa-quente"), agindo de forma sorrateira e desleal em relação aos seus pares.

04 – Como a repetição exaustiva do verbo "odeio" e da expressão "dedo-duro" no final da canção contribui para a construção da expressividade do texto?

      A repetição constante (recurso da anáfora/reiteração) marca o ápice da indignação do eu lírico. O verbo "odeio" enfatiza a repulsa visceral do eu poético, enquanto a fixação na palavra "dedo-duro" direciona o foco da crítica para a delação e a traição no ambiente social. O ritmo acelerado e repetitivo no final simula um desabafo incisivo e categórico.

05 – A canção estabelece uma oposição entre a "insegurança" individual e a "falta de caráter". Segundo o texto, qual é a diferença de julgamento do eu lírico em relação a um "cara fraco" e a um "puxa-saco"?

      O eu lírico estabelece uma distinção clara entre a fragilidade emocional e o desvio de conduta. Ele demonstra uma atitude de desdém ou pena em relação à fraqueza e à insegurança ("Cara fraco / Inseguro / Eu já acho feio"), mas manifesta total repulsa e esgotamento quanto à adulação deliberada e à falsidade ("Puxa-saco / Já tô cheio / Eu, eu odeio / Dedo-duro"). A fragilidade é vista como um defeito lamentável, enquanto a adulação traiçoeira é julgada como uma falha ética imperdoável.

 

VÍCIOS DE LINGUAGEM - COM GABARITO

 VÍCIOS DE LINGUAGEM

 

        São chamados VÍCIOS DE LINGUAGEM os fenômenos linguísticos que se desviam da norma-culta padrão, muito comum na língua falada, mas acabam sendo, inconscientemente, levados ao registro escrito, como nas redações escolares. São classificados em:

1. AMBIGUIDADE

         Fenômeno que dá margem a mais de uma interpretação, pela maneira como se organizou a estrutura textual. Nesse caso, o leitor não sabe, ao certo, o teor da mensagem, por não existir clareza na comunicação.

1. A cachorra da minha sogra não sai de casa.

Possibilidade 1: A sogra tem uma cachorra que não sai de casa.
Possibilidade 2: Alguém chama a sogra de cachorra e diz que ela não sai de casa.

2. Maria pediu para Flora trazer a sua bolsa.

Possibilidade 1: Maria pediu para Flora trazer a bolsa de Maria.
Possibilidade 2: Maria pediu para Flora trazer a bolsa de Flora.

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgiL6rv7cxnM32X0RFIJD855Fd73CihJNAR4IakZhyBaSIqI7oXnhyyf1xzH6USfBq_AzwotWITAs3u3sVFCCajeQ5X6t_8CfaO00yxRgW4VAgOymAobgSKh6OfEIsIfbH0rZ5o1ElS12j5hu5GM2u61JviC4My_vSWxuyxZNGmQQoVEGP5KhvKb7NkY8A/s320/images.jpg



2. BARBARISMO


        Constitui a grafia ou pronúncia inadequada ao padrão culto da língua, pela troca, ausência ou excesso de sons/letras.

        Acho muito supérfulo esse negócio de carro de luxo.

(Escrita correta: supérfluo)

        Repercurtiu muito mal as suas colocações na TV. 

(Escrita correta: repercutiram)


3. CACÓFATO ou CACOFONIA


        Indica uma formação sonora desagradável, com palavrões ou repetição excessiva de uma estrutura fonética.

        Tudo aquilo que abunda sobra.

        A classificação deve ser por cada uma das modalidades.

        Sempre saio só no sábado.

        Eu apoio a sua ideia, só que assim você não conseguirá nada.


4. SOLECISMO


        Compreende qualquer falha de natureza sintática: concordância, regência, falta de sequência lógica.

        Responda ela no telefone. (Responda-lhe ao telefone)

        Todas as coisas é muito relativas. (...são muito relativas)

        Haviam trezentas pessoas no evento (Havia...)


5. REDUNDÂNCIA ou PLEONASMO VICIOSO


        É aquela repetição desnecessária, tendo em vista palavras já citadas ou subentendidas, provocando ruído ou entropia ao texto.

 

Entendendo o texto:

01 – Qual é o vício de linguagem presente na frase "O policial prendeu o suspeito em sua casa" e por que essa construção compromete a clareza da mensagem?

      O vício de linguagem presente é a Ambiguidade (ou anfibologia). A construção compromete a clareza porque o pronome possessivo "sua" gera duplo sentido, impedindo o leitor de saber se a prisão ocorreu na casa do próprio policial ou na casa do suspeito. Para eliminar o vício, a frase deveria ser reescrita usando expressões delimitadoras, como "na casa deste" ou "na residência do suspeito".

 

02 – Identifique e classifique os vícios de linguagem nas frases a seguir:

I. "Haviam muitos problemas na empresa."

II. "Vou subir lá em cima para pegar o casaco."

      Item I — Solecismo de Concordância: O verbo haver, no sentido de existir ou ocorrer, é impessoal e deve permanecer na 3ª pessoa do singular ("Havia muitos problemas...").

      Item II — Pleonasmo Vicioso (ou Redundância): O uso da expressão "lá em cima" junto ao verbo "subir" é uma repetição desnecessária de sentido, pois a ideia de movimento para cima já está contida no próprio verbo.

 

03 – Como se diferencia o Barbarismo do Solecismo no estudo dos vícios de linguagem?

      A diferença está no nível gramatical em que o erro ocorre:

      Barbarismo: Ocorre no nível ortográfico, fonético ou morfológico (grafia incorreta, pronúncia inadequada ou deslize na formação da palavra). Exemplo: "pobrema" ou "supérfulo".

      Solecismo: Ocorre no nível sintático, envolvendo erros de estruturação da frase, como falhas de concordância, de regência ou de colocação pronominal. Exemplo: "Assisti o filme" (regência) ou "Fazem dois anos" (concordância).

 

04 – Explique o que é a Cacofonia (ou Cacófato) e identifique o som desagradável gerado na frase "Vi ela caminhando no parque".

      A Cacofonia é o vício de linguagem em que a junção do som final de uma palavra com o som inicial da seguinte produz um efeito sonoro ridículo, desagradável ou involuntariamente obsceno. Na frase "Vi ela caminhando no parque", a junção de Vi + ela resulta no som "viela" (rua estreita), causando ruído na comunicação. A forma correta segundo o padrão culto seria "Vi-a caminhando no parque".

 

05 – Leia o trecho a seguir e aponte o vício de linguagem nele contido, justificando sua resposta:

        "É necessário encarar de frente os desafios do mercado de trabalho para planejar o futuro antecipadamente."

      O trecho contém dois casos de Pleonasmo Vicioso (Redundância):

      "Encarar de frente": O ato de encarar já pressupõe olhar ou colocar-se de frente.

      "Planejar antecipadamente": Todo planejamento, por definição, é feito com antecedência.

      A repetição dessas ideias subentendidas não acrescenta valor expressivo e polui o texto escrito.

 

 

MÚSICA (ATIVIDADES): BABEL - GUILHERME ARANTES - COM GABARITO

 Música (Atividades): BABEL

              Guilherme Arantes

 

Creio nos mundos que virão
Das novas formas de poder
O poder na fé e na ciência
Creio na força da união
Na variedade do saber
Ambição de paz da inteligência

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiAo8dJqO-ScRrS1X1Zd9SId9nranPDF7oSCYPfSOuGTVXq3GbAqVmlUfvExZwipaowF6YRC7g6lw1ey-3Se5yUEgU_UZeQutHBHVq1uEwOrj9cLK2N1liT-z3qDx3YOGpQQsnbp3bEJ1IbQxLUNb6hmPp_d6hNohMH7bLjE0Owu-QTqrzyyZ2zwSMGy4M/s320/images.jpg



Nossos olhos podem ver
A imensa babel
Que nasceu e envolveu
Povos, raças e nações
Pelo engenho, pela arte
A intensa babel
Abre os muros, fecha os cortes
Põe em nós o sinal dos tempos.

Creio em melhores gerações
Em busca de um plano superior
A todo egoísmo e intolerância
Eu acredito em nossos filhos
Como acredita todo o pai
Na consciência livre
Surgirá outra era.

Eu acredito no milagre
Futuro nos surpreenderá
Com a decadência
Da linguagem da guerra.

Compositor Guilherme Arantes.

Entendendo a música:

01 – Qual é o significado do título "Babel" na canção e como ele se relaciona com a mensagem de união entre os povos descrita por Guilherme Arantes?

      Na tradição bíblica, a Torre de Babel simboliza a divisão e a confusão de línguas entre a humanidade. Na canção, o eu lírico ressignifica essa ideia: a "imensa babel" representa a diversidade cultural e a interconexão global ("povos, raças e nações") construída pelo "engenho" e pela "arte". Em vez de separar, essa diversidade é vista como uma força positiva que impulsiona a variedade do saber e a ambição de paz.

 

02 – No primeiro verso da canção, o eu lírico afirma crer "no poder na fé e na ciência". De que forma a letra busca conciliar esses dois campos de conhecimento que frequentemente são vistos como opostos?

      A letra concilia a fé e a ciência ao colocá-las como forças complementares em busca de um mesmo objetivo: o progresso humano e a paz. A fé traz a esperança, a crença nas "melhores gerações" e no amor paternal, enquanto a ciência e o saber representam a inteligência necessária para superar a intolerância e transformar a sociedade. Ambas compõem a "variedade do saber" defendida no texto.

 

03 – Que metáfora é construída nos versos "Abre os muros, fecha os cortes / Põe em nós o sinal dos tempos" e o que ela representa para as relações humanas?

      "Abre os muros": Simboliza a derrubada de barreiras, preconceitos e fronteiras físicas ou ideológicas que isolam as pessoas.

      "Fecha os cortes": Representa a cura das feridas sociais, históricas e dos conflitos passados.

      Juntas, as duas imagens constroem a ideia de uma transição para uma nova era fundamentada na empatia, no diálogo e no acolhimento mútuo.

 

04 – Qual é o papel atribuído às futuras gerações ("nossos filhos") na construção da "nova era" mencionada pelo compositor?

      As futuras gerações são retratadas como o motor da transformação moral e social. O eu lírico deposita nos filhos a confiança de que alcançarão um "plano superior", superando sentimentos mesquinhos como o egoísmo e a intolerância. É através da "consciência livre" dos jovens que surgirá um futuro capaz de superar velhos erros históricos.

 

05 – O que significa a expressão "decadência da linguagem da guerra" presente na estrofe final da música?

      Significa o fim do uso da violência, do conflito armado e do discurso de ódio como meios para resolver disputas interpessoais ou internacionais. O enfraquecimento ("decadência") dessa mentalidade agressiva abre espaço para a ascensão da diplomacia, da inteligência cooperativa e do respeito à diversidade entre os povos.

 

 

 

MÚSICA (ATIVIDADES): TAÇA DE VENENO - GUILHERME ARANTES - COM GABARITO

 Música (Atividades): Taça de Veneno

          Guilherme Arantes

Os excessos tentam
diminuir
tudo o que nos falta
sem conseguir
vontades fazem
de um rei um escravo
quando põe o mundo atrás das grades.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgR0nZsCHs093nANwU0bsNj1yLZL5T1fhyphenhyphennqODVYFiQRDJY7snXsWk8Ue2JkTZafFMrWLL73qfrwYZHqR8PbqayJZJlsxXdBxByCHPfDGDGlaY6waNNAu3FE6vIt7fS_51CBNREoiMAR53ceKUI5U08zgt-r-t8wOn2LtpySlBB8_rmQLlnKvxzV4G2zb8/s320/images.jpg



São as forças
que nos podem matar
São fraquezas
que nos podem salvar
erros são certos
pra sermos únicos
defeitos
se confundem com virtudes.
Todos precisam de um veneno
pra encher a sua taça de desejo
todos precisam de um desejo
pra encher a sua taça de veneno
mas com medo não se vive
com receio não se vai
com a dúvida não se arrisca
não se voa, não se cai
curto é o caminho dos covardes
triste é o riso dos ignorantes.
Todos precisam...

Composição: Guilherme Arantes.

Entendendo a música:

01 – Qual é a contradição apresentada no trecho "Os excessos tentam / diminuir / tudo o que nos falta / sem conseguir" e o que ela revela sobre o comportamento humano?

      A contradição consiste na tentativa frustrada de usar os "excessos" (consumo, prazeres exagerados, compulsões) para preencher a sensação de vazio ou escassez interior ("tudo o que nos falta"). O eu lírico revela que os exageros externos são incapazes de suprir as carências profundas da alma, funcionando apenas como uma ilusão temporária que não resolve o vazio existencial.

02 – Como a metáfora "vontades fazem / de um rei um escravo / quando põe o mundo atrás das grades" explica o perigo dos desejos descontrolados?

      A figura do "rei" representa o indivíduo que possui controle, poder ou autonomia sobre si mesmo. Quando esse indivíduo se torna cego ou dominado por seus impulsos e ambições ("vontades"), ele perde a própria liberdade, transformando-se em "escravo" dos seus próprios desejos. A imagem do "mundo atrás das grades" mostra que a obsessão limita a visão do indivíduo, encarcerando-o em sua própria perspectiva reduzida.

03 – Qual é o jogo de palavras (paradoxo) presente no refrão "Todos precisam de um veneno / pra encher a sua taça de desejo / todos precisam de um desejo / pra encher a sua taça de veneno"?

      O refrão constrói um paradoxo entre risco ("veneno") e motivação/paixão ("desejo"):

      O "veneno" simboliza o perigo, a ousadia e a intensidade da vida. O desejo só ganha força quando há risco e entrega.

      Por outro lado, perseguir intensamente um "desejo" exige consumir uma dose de risco ("taça de veneno").

      Em suma, o texto sugere que viver plenamente e desejar algo exige aceitar a vulnerabilidade e os perigos inerentes à própria existência.

04 – Análise a estrofe que diz: "São as forças / que nos podem matar / São fraquezas / que nos podem salvar". Como o autor desconstrói as noções tradicionais de "força" e "fraqueza"?

      O autor inverte os conceitos tradicionais:

      As "forças" (orgulho, excesso de confiança, rigidez) podem ser destrutivas e levar à ruína ("podem matar").

      As "fraquezas" (humildade, vulnerabilidade, reconhecimento dos próprios limites) funcionam como mecanismos de defesa e sobrevivência ("podem salvar").

      A estrofe ensina que reconhecer as próprias limitações e ter imperfeições ("erros são certos pra sermos únicos") faz parte do amadurecimento humano.

05 – Qual é a crítica feita ao medo e à estagnação nos versos "mas com medo não se vive / com receio não se vai / com a dúvida não se arrisca / não se voa, não se cai"?

      O eu lírico critica a postura de covardia e imobilismo diante da vida. Ele enfatiza que o erro e a queda são partes naturais do aprendizado ("não se voa, não se cai"). Quem se deixa paralisar pelo medo ou pela dúvida renuncia à própria experiência de viver plenamente. Essa ideia é arrematada na crítica aos "covardes" (cujo caminho é curto/limitado) e aos "ignorantes" (cujo riso é superficial/triste por falta de vivência real).

 

 

MÚSICA(ATIVIDADES): UM DEUS ATEU - GUILHERME ARANTES - COM GABARITO

 Música (Atividades): Um Deus Ateu

          Guilherme Arantes

Quem
Te roubou o inocente jardim
Tuas faces de rubras maçãs
Teu condão
Talismã
Quem levou
Nossas verdes manhãs de sol
Tardes sem fim

Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEglN1JaJZOe2NH6mYo3wzyrSQhXG5fZZ2xHfH1urIcM9RonF2Vj6_P5a9MkHzBQQpQjO9J1RlQyrn6yKYvbCuOhYB59Uy2xDp-5yQNvN47ByB9PvW91iRHG3SII0g7nYXL3WyLT_8HxjlQWPYToRA6yNpCoyoGYiil0G0WMZorTD4kFGQZ6ZktLT9MZG5U/s1600/images.jpg 


Inventou a distância cruel
Levou a linha, a vareta e o papel
Lavou o céu
Secou o mar
Jogou nuvens de areia nos olhos
Muralhas de pedras
Brilhantes que furtam a visão
Como um deus ateu
Vaguei vagabundo
Morei num barril
Andei condenado
A viver buscando
Cana de açúcar
Duna de sal
Moinho de sonho
Usina do amor
No torvelinho
Na febre no frio
Não se perdeu
Nosso ébrio navio.

Composição: Guilherme Arantes.

Entendendo a música:

01 – Qual é o significado da perda do "inocente jardim" e das "verdes manhãs de sol" no início da canção?

      Essa perda simboliza o fim da infância, da pureza e a nostalgia de um tempo mais simples e protegido. O "inocente jardim" e as "verdes manhãs" representam a beleza da juventude e a harmonia do passado que foram rompidas pela maturidade, pelo tempo ou pelo surgimento de uma separação dolorosa.

02 – De que forma a metáfora "Levou a linha, a vareta e o papel" se conecta com a mudança de estado do eu lírico?

      A junção de "linha, vareta e papel" faz referência lúdica à confecção de uma pipa (papagaio), brinquedo tradicional da infância. O desaparecimento desses objetos marca o fim da leveza e da liberdade infantil. Esse contraste prepara o leitor para o surgimento dos obstáculos da vida adulta, representados pela "distância cruel" e pelas "nuvens de areia nos olhos".

03 – Qual é o efeito do paradoxo construído na expressão "Como um deus ateu" para caracterizar a condição do eu lírico?

      O paradoxo une dois conceitos opostos: a figura do "deus" (símbolo de criação, poder e luz) e o qualificativo "ateu" (símbolo da ausência de fé, abandono e descrença). Essa imagem traduz a crise existencial do eu lírico que, apesar de possuir força criativa e sensibilidade poética, sente-se desamparado, solitário e sem um rumo espiritual ou afetivo a seguir.

04 – Qual é o significado cultural e filosófico da alusão ao verso "Morei num barril" e sua relação com a busca pessoal do eu lírico?

      A menção a "morar num barril" faz uma alusão ao filósofo grego Diógenes de Sínope (o Cínico), conhecido por viver em um barril e abdicar de todos os bens materiais. Na canção, a imagem reforça a vida despojada e errante do eu lírico, que prefere a simplicidade e a busca por elementos essenciais ("cana de açúcar", "duna de sal", "moinho de sonho") em vez dos luxos representados pelas "muralhas de pedras brilhantes que furtam a visão".

05 – Como a metáfora do "ébrio navio" na estrofe final expressa a resiliência do sentimento diante das adversidades?

      O "ébrio navio" (embarcação embriagada ou à deriva) representa a trajetória turbulenta da vida e das emoções, que navega sem rumo fixo por meio de tempestades ("torvelinho", "febre", "frio"). Ao concluir com a afirmação "Não se perdeu / Nosso ébrio navio", o eu lírico celebra a resistência da relação ou do próprio espírito, que sobreviveu aos percalços e manteve sua jornada viva.

 

 

ARTIGO PESSOAL: VELHO CANIVETE - FRAGMENTO - DENIS RUSSO BURGIERMAN - COM GABARITO

 Artigo pessoal: Velho Canivete – Fragmento


        Já ganhei vários presentes. [...]

        Mas acho que, se alguém me forçasse a escolher o melhor presente que já recebi, eu ficaria mesmo com o canivete suíço que meu pai me deu 11 anos atrás. Não é um canivete qualquer: é daqueles gordos, com dezenas de ganchinhos, serrinhas, lâminas. Com caneta, pinça, lupa, tesoura, alicate. Ele ainda veio num estojo de couro, com lápis, pedra de amolar, band-aid, kit de costura, lixa. E um espelhinho acompanhado de um papel com o código morse – sim, para eu me comunicar refletindo a luz do sol em caso de naufrágio, ou terremoto, ou tsunami, sei lá.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhbUV1qCrZfOYdHtiyQh4oakw2pgDzDN6Z-TpPaVJJSwXznRNF4rGNMT5-5qrHdc0vLFE0xWS8YeL3c4_ddGVdjdnZ5cqLhLazpA7MnYiglcjCEIA2VmsSNNo2_97ulwLuNjLjZTs-bJRLeLBjMlOZWTag7Qz7Vn8wDJOgh2-nelQkxqmg8VDyfcRlQqzM/s320/images.jpg


        O canivete já me salvou de várias [...]. Ele já passou por boas, e isso fica claro quando se mexe nele. As articulações já não são tão suaves, as molas endureceram, muitas peças estão tortas e não encaixam direito. A caneta sumiu, os band-aids suíços acabaram, as agulhas de costura estão com as pontas pretas de tanto serem colocados na chama para esterilizar antes de serem usadas para extrair espinhos. Apesar de ser de aço inox, há marcas de ferrugem por toda parte. Enfim, tudo nele dizia “está na hora de comprar um canivete novo”.

        Pois é, hoje em dia existem canivetes espetaculares, até com recursos eletrônicos (lanternas, pen drives e sei lá mais o quê). Aí comecei a lembrar a origem daquelas marquinhas – e cada uma delas me transportou para um lugar diferente. Cada uma era prova de que aquele canivete viveu. De que ele abriu latas, serrou cabos de aço, lixou unhas quebradas, aparou minha barba, arrombou portas, consertou bicicletas, tapou buracos de botas, ajustou óculos. De que ele esteve em todos os cantos do mundo e tomou banho de mar, de óleo de peixe em conserva, de molho de tomate, de vinho vagabundo. E me lembrei de quando ganhei o canivete de presente: eu estava de saída para a minha primeira longa temporada fora de casa – nove meses na estrada de mochila nas costas – e, como meu pai não podia ir comigo, aquele foi o melhor jeito que ele teve de me dizer “quer uma força?”

        Fui buscar uma escova de dentes velha e uma lata de querosene e comecei a limpar as entranhas dele. Foram umas duas horas de trabalho, esfregando, desentortando, enxugando. Não dá para dizer que o canivete ficou novo – as marcas continuam lá, e vão continuar sempre. Mas acho que ele está pronto para a próxima.


Denis Russo Burgierman. Vida Simples, nº 56. Editora Abril.

Entendendo o artigo:

01 – Qual é a importância afetiva e simbólica do canivete suíço para o narrador em comparação com os outros presentes que ele já ganhou?

      O narrador destaca que, embora tenha ganho vários presentes ao longo da vida, o canivete suíço dado por seu pai há 11 anos é o seu favorito. O valor do objeto vai muito além de sua utilidade material; ele carrega um significado simbólico profundo. O canivete representou o apoio e a presença paterna no momento em que o narrador se preparava para a sua primeira longa temporada fora de casa (nove meses na estrada de mochila). Sendo um presente enviado por um pai que não podia acompanhá-lo fisicamente, o canivete funcionou como uma forma tangível de dizer: "quer uma força?".

 

02 – De que maneira o estado físico do canivete reflete as experiências vividas pelo narrador ao longo dos anos?

      O desgaste físico do canivete (com articulações rígidas, peças tortas, marcas de ferrugem, agulhas com pontas pretas e a ausência de alguns acessórios originais) serve como um registro material da história de vida do narrador. Cada marca, arranhão ou defeito é o testemunho de uma situação real vivida: as aventuras pelo mundo, os consertos de bicicletas, o arrombamento de portas, a extração de espinhos e o contato com os mais diversos elementos (mar, óleo de peixe, molho de tomate, vinho). Em vez de defeitos descartáveis, os desgastes transformam-se em memórias visíveis de que o objeto "viveu".

 

03 – Por que o narrador reflete sobre a possibilidade de comprar um canivete novo e o que o faz mudar de ideia?

      O narrador considera comprar um canivete novo porque o objeto atual aparenta estar desgastado e obsoleto — especialmente diante de modelos modernos e tecnológicos disponíveis no mercado (com lanternas e pen drives). No entanto, ele muda de ideia ao olhar para as marcas de uso e lembrar a origem de cada uma delas. Ao perceber que cada imperfeição carrega uma lembrança e prova a utilidade e a parceria do objeto em todas as suas jornadas, o narrador ressignifica o desgaste: o que parecia sinal de descarte torna-se a identidade e a história do canivete.

 

04 – Qual é o significado da ação final do narrador (limpar e restaurar o canivete com querosene e uma escova de dentes) para o desfecho do texto?

      A ação de limpar o canivete simboliza um ato de cuidado, respeito e renovação de laços com o passado. Ao dedicar duas horas a esfregar, desentortar e enxugar o objeto, o narrador demonstra que não busca a perfeição ou a aparência de um item novo de fábrica, mas sim a preservação da essência e da história que o canivete carrega. O desfecho ("Mas acho que ele está pronto para a próxima") reforça a cumplicidade entre o dono e o objeto, mostrando que ambos continuam preparados para enfrentar novas jornadas.

 

05 – O texto apresenta características típicas de um artigo pessoal (ou crônica de memória). Como a escolha do tom e da linguagem contribui para envolver o leitor?

      O texto utiliza um tom confessional, intimista e coloquial, criando uma sensação de proximidade com o leitor. O uso de expressões cotidianas e reflexões pessoais (como "sei lá", "Pois é" e a descrição bem-humorada de itens como o kit de sobrevivência com código morse) humaniza o narrador. Essa linguagem descontraída, aliada a descrições sensoriais detalhadas (o cheiro, o tato, as marcas visuais), transforma um objeto banal do dia a dia em uma metáfora emocionante sobre o tempo, a memória e as marcas que a vida deixa em nós.

 

 

 

 

 

TIRINHA: HAGAR - O ESPELHO - COM GABARITO

 Tirinha: Hagar O espelho

 


Entendendo a tirinha:

01 – Helga, no primeiro quadrinho, diz uma frase que é característica de que conhecida história infantil?

      A frase remete à clássica história infantil Branca de Neve e os Sete Anões, na qual a rainha má consulta seu espelho mágico dizendo "Espelho, espelho meu...".

02 – Ela chega a completar a frase? Comprove sua resposta.

      Não, ela não chega a completar a frase. A comprovação está no primeiro quadrinho, onde a fala é interrompida abruptamente no trecho "Quem é a mais bela de T... /", sendo completada imediatamente pelo próprio espelho.

03 – O espelho foi sincero? Comprove sua resposta.

      Não, o espelho não foi sincero. A comprovação está no terceiro quadrinho, quando o espelho confessa: "Às vezes é preciso mentir pra sobreviver", indicando que ele apenas disse o que Helga gostaria de ouvir para evitar problemas.

04 – O que, provavelmente, aconteceria com o espelho se ele tivesse respondido de outra maneira?

      Se o espelho tivesse respondido com sinceridade (dizendo que ela não era a mais bela), ele provavelmente teria sido quebrado ou destruído pela fúria de Helga, justificando a frase sobre "mentir para sobreviver".

TIRINHA: TURMA DA MÔNICA - COM GABARITO

 TIRINHA: Turma da Mônica


Entendendo a tirinha:

01 – A tira inicia-se com Cebolinha tendo que resolver um problema. Qual é este problema?

      O problema de Cebolinha é que ele quer brincar de balanço, mas não tem ninguém para empurrá-lo.

02 – No segundo quadrinho, Cebolinha enxerga uma possível solução para esse problema. Qual?

      A solução encontrada por Cebolinha é pedir a ajuda da Mônica para empurrá-lo no balanço.

03 – A expressão “quebrar o galho” ganhou duplo significado no texto. O que significou a expressão para Mônica e o que significou para Cebolinha?

      Para a Mônica, "quebrar o galho" significou aceitar o pedido de favor de Cebolinha (ajudá-lo). Para Cebolinha, significou literalmente quebrar o galho da árvore em que o balanço estava pendurado, fazendo-o cair.

04 – O problema de Cebolinha foi resolvido?

      Não, o problema original não foi resolvido; pelo contrário, piorou, pois, o Cebolinha caiu no chão.

05 – Mônica percebeu o engano que cometeu?

      Não há indícios de que Mônica tenha percebido o duplo sentido ou seu erro de forma imediata; ela apenas atendeu ao pedido ao pé da letra.

06 – O que significam as estrelas e a fumaça na cabeça de Cebolinha?

      As estrelas e a fumaça na cabeça de Cebolinha são recursos gráficos tradicionais dos quadrinhos que indicam que ele sofreu uma forte pancada na cabeça e ficou tonto após a queda.

 

DICAS DE LÍNGUA PORTUGUESA - DÚVIDAS CRUÉIS

 DICAS DE LÍNGUA PORTUGUESA – DÚVIDAS CRUÉIS

 

CESSÃO – SESSÃO – SEÇÃO/SECÇÃO. Como diferenciar?

 

1. CESSÃO (de ceder = doação, liberação): "A CESSÃO do prédio foi autorizada."

2. SESSÃO (reunião, atividade de entretenimento ou etapa de um tratamento de saúde): "Não pude comparecer à SESSÃO parlamentar de ontem."

3. SECÇÃO/SEÇÃO (parte de um todo, setor, departamento): "A SEÇÃO eleitoral foi aberta." / "A SEÇÃO de carnes fica no final."

 

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgJlFem5HiY2fci_v6QGliAFGvz9M5Uzu06b21gnGbfgd0zcOsfqjdp3AZYE_7CxY0uziISJ_IPgnJ9ayzs2g93PAOurZY8Cc8Q0-xGtAUNzL-PmAdHYJx8Ae-m9Z1jJELy_j8sxySWy2M40U2JnDSJ65Nslu0EQR7Rk7UcffdVaGy2aXBuQIpoEnOQhrs/s320/images.jpg

MAIS – MAS

        Diferenças entre MAIS e MAS = o primeiro é antônimo de MENOS: "Quero MAIS carne"; o segundo é sinônimo de PORÉM: "Trabalho muito, MAS ganho pouco."

 

INICIAL MAIÚSCULA

        A palavra Estado é usada com inicial maiúscula quando se referir à organização político-administrativa de uma nação, incluindo o seu governo e seus Poderes: "O Estado deve respeitar o cidadão" (O país, a nação).

 

        Usa-se inicial maiúscula antes de nomes próprios de pessoas, nomes de empresas, nomes de instituições oficiais, antes das palavras "país", "estado" "município", "cidade", quando estas estiverem em lugar das denominações: Cassildo, Central de Cursos, Instituto Federal de Teconologia do Rio Grande do Norte. O País precisa avançar (Brasil); O Município tem crescido (Natal); O Estado tem muitos turistas (Rio Grande do Norte).

 

        Não se usa inicial maiúscula antes de festas pagãs, antes de nomes de dias da semana, antes das palavras "rua", "bairro", "avenida" ou dos meses do ano: carnaval, sexta-feira, dezembro, rua do Petróleo, bairro JK, avenida Teotônio Freire.

 

        Nos plurais das siglas e abreviaturas, não se utiliza apóstrofo ('), é uma mania antiga, porém equivocada: CPFs (certo); CPF's (errado); RGs (certo); RG's (errado) (sempre iniciais maiúsculas e "s" minúsculo).

 

PORQUÊS

 

1. POR QUE (separado) = POR QUE RAZÃO: "POR QUE (razão) não vieste logo? / "Não entendo POR QUE (razão) as pessoas são invejosas." Em final de orações, é acentuado: "Não vieste logo POR QUÊ?".

2. PORQUE (junto sem acento) = POIS, EM VIRTUDE DE, POR CAUSA DE (em perguntas ou não): "Não vim logo PORQUE (POIS) me atrasei/ "Não veio logo PORQUE estava doente?"

3. PORQUÊ (junto e acentuado) = MOTIVO, RAZÃO, QUESTÃO. É substantivo, por isso vem, geralmente, acompanhado de artigo: "Não sei o PORQUÊ (o motivo, a razão) de sua atitude." / "Não entendo tantos PORQUÊS" (tantas questões).

 

ZAR ou ISAR?

 

        Se na palavra original não existe "S", os verbos resultantes serão com "IZAR": ATUALIZAR, ORGANIZAR, SUAVIZAR, ETC.

 

        Não se escreve QUIZER; o certo é QUISER; o certo é AVISAR, de AVISO; IMPROVISAR, de IMPROVISO; PESQUISAR, de PESQUISA; ANALISAR, de ANÁLISE.

 

TAMPOUCO / TÃO POUCO; SENÃO/SE NÃO; SEQUER/ SE QUER; MAIS/MAS

 

a) TÃO POUCO = Adv.+pron. indef. Indica intensidade: NÃO FAÇO BRIGA POR TÃO POUCO PROBLEMA (muito pouco problema/problema tão pequeno).
b) TAMPOUCO = Advérbio (também não/nem também): NÃO GANHEI FAMA, TAMPOUCO DINHEIRO. (nem também dinheiro).

 

a) SE NÃO = Conj.+adv. Indica condição: SE NÃO QUER SAIR, DIGA.
b) SENÃO = Conj./ Prep. (a não ser que): NÃO SABEMOS NADA, SENÃO O PRIMEIRO NOME (a não ser o primeiro nome).

 

a) SE QUER = Conj.+verbo. Indica condição: SE QUER SAIR, PEÇA.
b) SEQUER = Advérbio (nem mesmo): NÃO CONSEGUI SEQUER O TELEFONE.

 

 

a) MAS = Conj. Advers. = porém: QUERIA VOLTAR, MAS NÃO CONSEGUI;

 

b) MAIS = pron. Indef. (oposto de MENOS): QUERO MAIS COMIDA.

PLURAIS DE PALAVRAS COM “L” E COM “U”

 

        Nos casos de palavras findas em "L", o plural é feito com "IS" em lugar do próprio "L": CASCAVEL – CASCAVÉIS; TÚNEL – TÚNEIS; Exceção: MAL – MALES.

        Cuidado com os plurais: TROFÉU, CÉU, MAUSOLÉU apenas recebem S, portanto ficando: TROFÉUS (não existe TROFÉIS), CÉUS, MAUSOLÉUS, VÉUS.

 

DUPLA CONCORDÂNCIA – ALGUNS CASOS

 

        A diferença entre os dois casos abaixo é que na primeira frase existe o pronome relativo "QUE"; por isso, é possível as duas concordâncias. No segundo caso, não, o verbo concorda com núcleo do sujeito.

 

        Mas, diferentemente, "Um grupo de engenheiros CHEGOU aqui para fazer vistorias." (Perceba que o núcleo do SUJEITO "grupo" é que faz a concordância).

 

        Dupla concordância: "Há um grupo de engenheiros que VEIO/VIERAM de fora" (Neste caso, ou se concorda com "grupo" ou com "engenheiros").

 

        Nas expressões BOA PARTE DE/MAIORIA/MAIOR PARTE/GRANDE PARTE, concorda-se ou com a unidade (singular) ou com os elementos (plural) do conjunto: A MAIORIA DOS ALUNOS ficou/ficaram em casa.

 

OUTRAS DICAS

 

        O certo é COMPREENSÃO, nunca COMPREENÇÃO; o mesmo vale para PRETENSÃO, jamais PRETENÇÃO; ANSIEDADE, "never" ANCIEDADE.

 

        DE REPENTE, nunca DIRREPENTE; COM CERTEZA, jamais CONCERTEZA; A PARTIR é o certo, nunca valendo APARTIR.

 

 

AO ENCONTRO DE = Concordância, acordo: "Minhas ideias vão AO ENCONTRO DAS suas." (estão de acordo, convergem); DE ENCONTRO A = Discordância: "Minhas ideias vão DE ENCONTRO ÀS suas." (discordam, divergem).

 

CÍRCULO VICIOSO sempre estará correto em vez de CICLO VICIOSO: "A corrupção no Brasil já virou CÍRCULO VICIOSO" (Ou seja, uma bola de neve, em que tudo volta ao mesmo lugar).

 

ESTE; ESSE; AQUELE: O primeiro representa proximidade; o segundo média distância; o terceiro, uma distância maior, seja espacialmente, como referência anafórica ou temporalmente.

 

ESPAÇO: "ESTE lápis é meu." (próximo a quem fala); "ESSA caneta é sua." (próximo a quem ouve); "AQUELE caderno nem era seu nem meu." (distante dos dois)

 

TEMPO: "ESTE ano está sendo ótimo." (2012, ano presente); "ESSE ano de 2010 foi muito corrido." (ano anterior ao presente); "AQUELE ano de 1985 marcou o fim da ditadura." (ano bem anterior ao presente).

 

ANÁFORA: "Márcio, João e Pedro são colegas de classe; AQUELE (Márcio) é muito aplicado; ESSE (João), meio preguiçoso; já ESTE (Pedro) fica no meio-termo, oscilando entre interessado e despojado."

 

HAVER = EXISTIR: Sempre no singular: HAVIA muitas questões a resolver (C); HAVIAM muitas questões a resolver (E).

Verbos DAR, SOAR, BATER, quando significam SER, na indicação de horas, concordam com termo seguinte: "DERAM 5 cinco horas." (C); "DEU 5 horas." (E).

        É impressionante como se erram palavras escritas com "C" ou "Ç". Desde cedo, aprendemos que o "Ç" (cê cedilha) só deve ser usado antes de "a", "o", "u", "ão", mas as pessoas insistem em errar nesse quesito básico, escrevendo aconteçe, mereçe, etc. Não errem mais!

 

NOVO ACORDO ORTOGRÁFICO

        Quando a vogal dos dois elementos forem iguais, a palavra ficará com hífen entre prefixo e o termo seguinte: MICRO-ONDAS, ANTI-INFLAMATÓRIO.

 

        Formas VÊEM, DÊEM, CRÊEM e LÊEM perderão os acentos, devendo ser grafadas: VEEM, DEEM, CREEM, LEEM.

 

        Quando o prefixo terminar em vogal e o 2º elemento iniciar com "s" ou "r", tira-se o hífen e dobra-se a consoante: ANTIRRÁBICO, ULTRASSOM.

 

        Quando o prefixo terminar em vogal diferente da que inicia a segunda palavra, vocábulo será sem hífen: AUTOESCOLA, AUTOESTIMA.

 

        Os ditongos abertos EI e OI das palavras paroxítonas ficarão sem acento: ASSEMBLEIA, PARANOIA, HEROICO. Mas HERÓI continuará acentuada.