terça-feira, 15 de setembro de 2026

ARTIGO PESSOAL: VELHO CANIVETE - FRAGMENTO - DENIS RUSSO BURGIERMAN - COM GABARITO

 Artigo pessoal: Velho Canivete – Fragmento


        Já ganhei vários presentes. [...]

        Mas acho que, se alguém me forçasse a escolher o melhor presente que já recebi, eu ficaria mesmo com o canivete suíço que meu pai me deu 11 anos atrás. Não é um canivete qualquer: é daqueles gordos, com dezenas de ganchinhos, serrinhas, lâminas. Com caneta, pinça, lupa, tesoura, alicate. Ele ainda veio num estojo de couro, com lápis, pedra de amolar, band-aid, kit de costura, lixa. E um espelhinho acompanhado de um papel com o código morse – sim, para eu me comunicar refletindo a luz do sol em caso de naufrágio, ou terremoto, ou tsunami, sei lá.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhbUV1qCrZfOYdHtiyQh4oakw2pgDzDN6Z-TpPaVJJSwXznRNF4rGNMT5-5qrHdc0vLFE0xWS8YeL3c4_ddGVdjdnZ5cqLhLazpA7MnYiglcjCEIA2VmsSNNo2_97ulwLuNjLjZTs-bJRLeLBjMlOZWTag7Qz7Vn8wDJOgh2-nelQkxqmg8VDyfcRlQqzM/s320/images.jpg


        O canivete já me salvou de várias [...]. Ele já passou por boas, e isso fica claro quando se mexe nele. As articulações já não são tão suaves, as molas endureceram, muitas peças estão tortas e não encaixam direito. A caneta sumiu, os band-aids suíços acabaram, as agulhas de costura estão com as pontas pretas de tanto serem colocados na chama para esterilizar antes de serem usadas para extrair espinhos. Apesar de ser de aço inox, há marcas de ferrugem por toda parte. Enfim, tudo nele dizia “está na hora de comprar um canivete novo”.

        Pois é, hoje em dia existem canivetes espetaculares, até com recursos eletrônicos (lanternas, pen drives e sei lá mais o quê). Aí comecei a lembrar a origem daquelas marquinhas – e cada uma delas me transportou para um lugar diferente. Cada uma era prova de que aquele canivete viveu. De que ele abriu latas, serrou cabos de aço, lixou unhas quebradas, aparou minha barba, arrombou portas, consertou bicicletas, tapou buracos de botas, ajustou óculos. De que ele esteve em todos os cantos do mundo e tomou banho de mar, de óleo de peixe em conserva, de molho de tomate, de vinho vagabundo. E me lembrei de quando ganhei o canivete de presente: eu estava de saída para a minha primeira longa temporada fora de casa – nove meses na estrada de mochila nas costas – e, como meu pai não podia ir comigo, aquele foi o melhor jeito que ele teve de me dizer “quer uma força?”

        Fui buscar uma escova de dentes velha e uma lata de querosene e comecei a limpar as entranhas dele. Foram umas duas horas de trabalho, esfregando, desentortando, enxugando. Não dá para dizer que o canivete ficou novo – as marcas continuam lá, e vão continuar sempre. Mas acho que ele está pronto para a próxima.


Denis Russo Burgierman. Vida Simples, nº 56. Editora Abril.

Entendendo o artigo:

01 – Qual é a importância afetiva e simbólica do canivete suíço para o narrador em comparação com os outros presentes que ele já ganhou?

      O narrador destaca que, embora tenha ganho vários presentes ao longo da vida, o canivete suíço dado por seu pai há 11 anos é o seu favorito. O valor do objeto vai muito além de sua utilidade material; ele carrega um significado simbólico profundo. O canivete representou o apoio e a presença paterna no momento em que o narrador se preparava para a sua primeira longa temporada fora de casa (nove meses na estrada de mochila). Sendo um presente enviado por um pai que não podia acompanhá-lo fisicamente, o canivete funcionou como uma forma tangível de dizer: "quer uma força?".

 

02 – De que maneira o estado físico do canivete reflete as experiências vividas pelo narrador ao longo dos anos?

      O desgaste físico do canivete (com articulações rígidas, peças tortas, marcas de ferrugem, agulhas com pontas pretas e a ausência de alguns acessórios originais) serve como um registro material da história de vida do narrador. Cada marca, arranhão ou defeito é o testemunho de uma situação real vivida: as aventuras pelo mundo, os consertos de bicicletas, o arrombamento de portas, a extração de espinhos e o contato com os mais diversos elementos (mar, óleo de peixe, molho de tomate, vinho). Em vez de defeitos descartáveis, os desgastes transformam-se em memórias visíveis de que o objeto "viveu".

 

03 – Por que o narrador reflete sobre a possibilidade de comprar um canivete novo e o que o faz mudar de ideia?

      O narrador considera comprar um canivete novo porque o objeto atual aparenta estar desgastado e obsoleto — especialmente diante de modelos modernos e tecnológicos disponíveis no mercado (com lanternas e pen drives). No entanto, ele muda de ideia ao olhar para as marcas de uso e lembrar a origem de cada uma delas. Ao perceber que cada imperfeição carrega uma lembrança e prova a utilidade e a parceria do objeto em todas as suas jornadas, o narrador ressignifica o desgaste: o que parecia sinal de descarte torna-se a identidade e a história do canivete.

 

04 – Qual é o significado da ação final do narrador (limpar e restaurar o canivete com querosene e uma escova de dentes) para o desfecho do texto?

      A ação de limpar o canivete simboliza um ato de cuidado, respeito e renovação de laços com o passado. Ao dedicar duas horas a esfregar, desentortar e enxugar o objeto, o narrador demonstra que não busca a perfeição ou a aparência de um item novo de fábrica, mas sim a preservação da essência e da história que o canivete carrega. O desfecho ("Mas acho que ele está pronto para a próxima") reforça a cumplicidade entre o dono e o objeto, mostrando que ambos continuam preparados para enfrentar novas jornadas.

 

05 – O texto apresenta características típicas de um artigo pessoal (ou crônica de memória). Como a escolha do tom e da linguagem contribui para envolver o leitor?

      O texto utiliza um tom confessional, intimista e coloquial, criando uma sensação de proximidade com o leitor. O uso de expressões cotidianas e reflexões pessoais (como "sei lá", "Pois é" e a descrição bem-humorada de itens como o kit de sobrevivência com código morse) humaniza o narrador. Essa linguagem descontraída, aliada a descrições sensoriais detalhadas (o cheiro, o tato, as marcas visuais), transforma um objeto banal do dia a dia em uma metáfora emocionante sobre o tempo, a memória e as marcas que a vida deixa em nós.

 

 

 

 

 

TIRINHA: HAGAR - O ESPELHO - COM GABARITO

 Tirinha: Hagar O espelho

 


Entendendo a tirinha:

01 – Helga, no primeiro quadrinho, diz uma frase que é característica de que conhecida história infantil?

      A frase remete à clássica história infantil Branca de Neve e os Sete Anões, na qual a rainha má consulta seu espelho mágico dizendo "Espelho, espelho meu...".

02 – Ela chega a completar a frase? Comprove sua resposta.

      Não, ela não chega a completar a frase. A comprovação está no primeiro quadrinho, onde a fala é interrompida abruptamente no trecho "Quem é a mais bela de T... /", sendo completada imediatamente pelo próprio espelho.

03 – O espelho foi sincero? Comprove sua resposta.

      Não, o espelho não foi sincero. A comprovação está no terceiro quadrinho, quando o espelho confessa: "Às vezes é preciso mentir pra sobreviver", indicando que ele apenas disse o que Helga gostaria de ouvir para evitar problemas.

04 – O que, provavelmente, aconteceria com o espelho se ele tivesse respondido de outra maneira?

      Se o espelho tivesse respondido com sinceridade (dizendo que ela não era a mais bela), ele provavelmente teria sido quebrado ou destruído pela fúria de Helga, justificando a frase sobre "mentir para sobreviver".

TIRINHA: TURMA DA MÔNICA - COM GABARITO

 TIRINHA: Turma da Mônica


Entendendo a tirinha:

01 – A tira inicia-se com Cebolinha tendo que resolver um problema. Qual é este problema?

      O problema de Cebolinha é que ele quer brincar de balanço, mas não tem ninguém para empurrá-lo.

02 – No segundo quadrinho, Cebolinha enxerga uma possível solução para esse problema. Qual?

      A solução encontrada por Cebolinha é pedir a ajuda da Mônica para empurrá-lo no balanço.

03 – A expressão “quebrar o galho” ganhou duplo significado no texto. O que significou a expressão para Mônica e o que significou para Cebolinha?

      Para a Mônica, "quebrar o galho" significou aceitar o pedido de favor de Cebolinha (ajudá-lo). Para Cebolinha, significou literalmente quebrar o galho da árvore em que o balanço estava pendurado, fazendo-o cair.

04 – O problema de Cebolinha foi resolvido?

      Não, o problema original não foi resolvido; pelo contrário, piorou, pois, o Cebolinha caiu no chão.

05 – Mônica percebeu o engano que cometeu?

      Não há indícios de que Mônica tenha percebido o duplo sentido ou seu erro de forma imediata; ela apenas atendeu ao pedido ao pé da letra.

06 – O que significam as estrelas e a fumaça na cabeça de Cebolinha?

      As estrelas e a fumaça na cabeça de Cebolinha são recursos gráficos tradicionais dos quadrinhos que indicam que ele sofreu uma forte pancada na cabeça e ficou tonto após a queda.

 

DICAS DE LÍNGUA PORTUGUESA - DÚVIDAS CRUÉIS

 DICAS DE LÍNGUA PORTUGUESA – DÚVIDAS CRUÉIS

 

CESSÃO – SESSÃO – SEÇÃO/SECÇÃO. Como diferenciar?

 

1. CESSÃO (de ceder = doação, liberação): "A CESSÃO do prédio foi autorizada."

2. SESSÃO (reunião, atividade de entretenimento ou etapa de um tratamento de saúde): "Não pude comparecer à SESSÃO parlamentar de ontem."

3. SECÇÃO/SEÇÃO (parte de um todo, setor, departamento): "A SEÇÃO eleitoral foi aberta." / "A SEÇÃO de carnes fica no final."

 

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgJlFem5HiY2fci_v6QGliAFGvz9M5Uzu06b21gnGbfgd0zcOsfqjdp3AZYE_7CxY0uziISJ_IPgnJ9ayzs2g93PAOurZY8Cc8Q0-xGtAUNzL-PmAdHYJx8Ae-m9Z1jJELy_j8sxySWy2M40U2JnDSJ65Nslu0EQR7Rk7UcffdVaGy2aXBuQIpoEnOQhrs/s320/images.jpg

MAIS – MAS

        Diferenças entre MAIS e MAS = o primeiro é antônimo de MENOS: "Quero MAIS carne"; o segundo é sinônimo de PORÉM: "Trabalho muito, MAS ganho pouco."

 

INICIAL MAIÚSCULA

        A palavra Estado é usada com inicial maiúscula quando se referir à organização político-administrativa de uma nação, incluindo o seu governo e seus Poderes: "O Estado deve respeitar o cidadão" (O país, a nação).

 

        Usa-se inicial maiúscula antes de nomes próprios de pessoas, nomes de empresas, nomes de instituições oficiais, antes das palavras "país", "estado" "município", "cidade", quando estas estiverem em lugar das denominações: Cassildo, Central de Cursos, Instituto Federal de Teconologia do Rio Grande do Norte. O País precisa avançar (Brasil); O Município tem crescido (Natal); O Estado tem muitos turistas (Rio Grande do Norte).

 

        Não se usa inicial maiúscula antes de festas pagãs, antes de nomes de dias da semana, antes das palavras "rua", "bairro", "avenida" ou dos meses do ano: carnaval, sexta-feira, dezembro, rua do Petróleo, bairro JK, avenida Teotônio Freire.

 

        Nos plurais das siglas e abreviaturas, não se utiliza apóstrofo ('), é uma mania antiga, porém equivocada: CPFs (certo); CPF's (errado); RGs (certo); RG's (errado) (sempre iniciais maiúsculas e "s" minúsculo).

 

PORQUÊS

 

1. POR QUE (separado) = POR QUE RAZÃO: "POR QUE (razão) não vieste logo? / "Não entendo POR QUE (razão) as pessoas são invejosas." Em final de orações, é acentuado: "Não vieste logo POR QUÊ?".

2. PORQUE (junto sem acento) = POIS, EM VIRTUDE DE, POR CAUSA DE (em perguntas ou não): "Não vim logo PORQUE (POIS) me atrasei/ "Não veio logo PORQUE estava doente?"

3. PORQUÊ (junto e acentuado) = MOTIVO, RAZÃO, QUESTÃO. É substantivo, por isso vem, geralmente, acompanhado de artigo: "Não sei o PORQUÊ (o motivo, a razão) de sua atitude." / "Não entendo tantos PORQUÊS" (tantas questões).

 

ZAR ou ISAR?

 

        Se na palavra original não existe "S", os verbos resultantes serão com "IZAR": ATUALIZAR, ORGANIZAR, SUAVIZAR, ETC.

 

        Não se escreve QUIZER; o certo é QUISER; o certo é AVISAR, de AVISO; IMPROVISAR, de IMPROVISO; PESQUISAR, de PESQUISA; ANALISAR, de ANÁLISE.

 

TAMPOUCO / TÃO POUCO; SENÃO/SE NÃO; SEQUER/ SE QUER; MAIS/MAS

 

a) TÃO POUCO = Adv.+pron. indef. Indica intensidade: NÃO FAÇO BRIGA POR TÃO POUCO PROBLEMA (muito pouco problema/problema tão pequeno).
b) TAMPOUCO = Advérbio (também não/nem também): NÃO GANHEI FAMA, TAMPOUCO DINHEIRO. (nem também dinheiro).

 

a) SE NÃO = Conj.+adv. Indica condição: SE NÃO QUER SAIR, DIGA.
b) SENÃO = Conj./ Prep. (a não ser que): NÃO SABEMOS NADA, SENÃO O PRIMEIRO NOME (a não ser o primeiro nome).

 

a) SE QUER = Conj.+verbo. Indica condição: SE QUER SAIR, PEÇA.
b) SEQUER = Advérbio (nem mesmo): NÃO CONSEGUI SEQUER O TELEFONE.

 

 

a) MAS = Conj. Advers. = porém: QUERIA VOLTAR, MAS NÃO CONSEGUI;

 

b) MAIS = pron. Indef. (oposto de MENOS): QUERO MAIS COMIDA.

PLURAIS DE PALAVRAS COM “L” E COM “U”

 

        Nos casos de palavras findas em "L", o plural é feito com "IS" em lugar do próprio "L": CASCAVEL – CASCAVÉIS; TÚNEL – TÚNEIS; Exceção: MAL – MALES.

        Cuidado com os plurais: TROFÉU, CÉU, MAUSOLÉU apenas recebem S, portanto ficando: TROFÉUS (não existe TROFÉIS), CÉUS, MAUSOLÉUS, VÉUS.

 

DUPLA CONCORDÂNCIA – ALGUNS CASOS

 

        A diferença entre os dois casos abaixo é que na primeira frase existe o pronome relativo "QUE"; por isso, é possível as duas concordâncias. No segundo caso, não, o verbo concorda com núcleo do sujeito.

 

        Mas, diferentemente, "Um grupo de engenheiros CHEGOU aqui para fazer vistorias." (Perceba que o núcleo do SUJEITO "grupo" é que faz a concordância).

 

        Dupla concordância: "Há um grupo de engenheiros que VEIO/VIERAM de fora" (Neste caso, ou se concorda com "grupo" ou com "engenheiros").

 

        Nas expressões BOA PARTE DE/MAIORIA/MAIOR PARTE/GRANDE PARTE, concorda-se ou com a unidade (singular) ou com os elementos (plural) do conjunto: A MAIORIA DOS ALUNOS ficou/ficaram em casa.

 

OUTRAS DICAS

 

        O certo é COMPREENSÃO, nunca COMPREENÇÃO; o mesmo vale para PRETENSÃO, jamais PRETENÇÃO; ANSIEDADE, "never" ANCIEDADE.

 

        DE REPENTE, nunca DIRREPENTE; COM CERTEZA, jamais CONCERTEZA; A PARTIR é o certo, nunca valendo APARTIR.

 

 

AO ENCONTRO DE = Concordância, acordo: "Minhas ideias vão AO ENCONTRO DAS suas." (estão de acordo, convergem); DE ENCONTRO A = Discordância: "Minhas ideias vão DE ENCONTRO ÀS suas." (discordam, divergem).

 

CÍRCULO VICIOSO sempre estará correto em vez de CICLO VICIOSO: "A corrupção no Brasil já virou CÍRCULO VICIOSO" (Ou seja, uma bola de neve, em que tudo volta ao mesmo lugar).

 

ESTE; ESSE; AQUELE: O primeiro representa proximidade; o segundo média distância; o terceiro, uma distância maior, seja espacialmente, como referência anafórica ou temporalmente.

 

ESPAÇO: "ESTE lápis é meu." (próximo a quem fala); "ESSA caneta é sua." (próximo a quem ouve); "AQUELE caderno nem era seu nem meu." (distante dos dois)

 

TEMPO: "ESTE ano está sendo ótimo." (2012, ano presente); "ESSE ano de 2010 foi muito corrido." (ano anterior ao presente); "AQUELE ano de 1985 marcou o fim da ditadura." (ano bem anterior ao presente).

 

ANÁFORA: "Márcio, João e Pedro são colegas de classe; AQUELE (Márcio) é muito aplicado; ESSE (João), meio preguiçoso; já ESTE (Pedro) fica no meio-termo, oscilando entre interessado e despojado."

 

HAVER = EXISTIR: Sempre no singular: HAVIA muitas questões a resolver (C); HAVIAM muitas questões a resolver (E).

Verbos DAR, SOAR, BATER, quando significam SER, na indicação de horas, concordam com termo seguinte: "DERAM 5 cinco horas." (C); "DEU 5 horas." (E).

        É impressionante como se erram palavras escritas com "C" ou "Ç". Desde cedo, aprendemos que o "Ç" (cê cedilha) só deve ser usado antes de "a", "o", "u", "ão", mas as pessoas insistem em errar nesse quesito básico, escrevendo aconteçe, mereçe, etc. Não errem mais!

 

NOVO ACORDO ORTOGRÁFICO

        Quando a vogal dos dois elementos forem iguais, a palavra ficará com hífen entre prefixo e o termo seguinte: MICRO-ONDAS, ANTI-INFLAMATÓRIO.

 

        Formas VÊEM, DÊEM, CRÊEM e LÊEM perderão os acentos, devendo ser grafadas: VEEM, DEEM, CREEM, LEEM.

 

        Quando o prefixo terminar em vogal e o 2º elemento iniciar com "s" ou "r", tira-se o hífen e dobra-se a consoante: ANTIRRÁBICO, ULTRASSOM.

 

        Quando o prefixo terminar em vogal diferente da que inicia a segunda palavra, vocábulo será sem hífen: AUTOESCOLA, AUTOESTIMA.

 

        Os ditongos abertos EI e OI das palavras paroxítonas ficarão sem acento: ASSEMBLEIA, PARANOIA, HEROICO. Mas HERÓI continuará acentuada.

 

 

REFORMA ORTOGRÁFICA: SAIBA QUAIS SÃO AS PRINCIPAIS MUDANÇAS

 Reforma ortográfica: saiba quais são as principais mudanças

 

        Confira as alterações da língua portuguesa após a reforma ortográfica:
        Alfabeto: O alfabeto ganha três letras (k, y e w).

Antes: 23 letras.

Depois: 26 letras.

Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEimXYD-CD725BQmCg1tZcplfk9am-awcW2Kq7jaIOPr0XTqSGQx82lt9ohJvQhnOvWUst5AKxPY7GCsQcte5i8FpBY6ypgcqPlSI7M8Yt3qPFrdFwWFOT2PzMCRsqHtFCE2Y6rfEY_lTzEQSJGFadqKzTUjpNlSVH9HplJr1VPHrf5wdw_mBq05RVzH4JM/s320/images.jpg 


        Trema: O trema cai, de vez, em desuso, exceto em nomes próprios e seus derivados. Grafado nos casos em que o “u” é átono e pronunciado (que, qui, gue, gui), o sinal não será mais utilizado nas palavras da língua portuguesa.

Antes: lingüiça, conseqüência, freqüência.

Depois: linguiça, consequência e frequência.


        Hífen: O sinal não poderá ser mais usado quando a primeira palavra terminar com vogal e a segunda começar com consoante.

Antes: anti-rugas, auto-retrato, ultra-som.

Depois: antirrugas, autorretrato, ultrassom.

        O hífen também não deve ser grafado quando a primeira palavra terminar com letra diferente da que começar a segunda.

Antes: auto-estrada, infra-estrutura.

Depois: autoestrada, infraestrutura.

        O sinal deverá ser usado quando a palavra seguinte começa com b, h, r, m, n ou com vogal igual à ultima do prefixo.

Antes: anti-imperialista, super-homem, inter-regional, sub-base.

Depois: anti-imperialista, super-homem, inter-regional, sub-base.

        Outro caso que se faz necessário o uso do hífen é quando a primeira palavra terminar com vogal ou consoante igual à letra que começar a segunda.

Antes: microônibus, contraataque, microondas.

Depois: micro-ônibus, contra-ataque, micro-ondas.


        Acento agudo: Os ditongos abertos “éi” e “ói” das palavras paroxítonas não serão mais acentuados.

Antes: jibóia, apóio, platéia, européia.

Depois: jiboia, apoio, plateia, europeia.

        * As palavras herói, papéis e troféu continuam sendo acentuadas porque têm a ultima sílaba mais forte.

        O acento some também no “i” e no “u” tônicos quando vierem depois de ditongo em palavras paroxítonas.

Antes: feiúra, bocaiúva.

Depois: feiura, bocaiuva.

        * O acento permanece se o “i” ou o “u” estiverem na ultima sílaba, a exemplo de Piauí e tuiuiú.

        Na letra “u” dos grupos que, qui, gue e gui o acento também deixa de existir.

Antes: apazigúe, averigúe.

Depois: apazigue, averigue.

        O acento diferencial também some em alguns casos.

Antes: pára, péla, pêlo, pólo, pêra.

Depois: para, pela, pelo, polo, pera.

        * O acento diferencial não deixa de ser usado em pôr (verbo) / por (preposição) e pôde (pretérito) / pode (presente). Fôrma também continua sendo acentuada para ser diferenciada de forma.

 

 

 

 

MÚSICA (ATIVIDADES): ANO NOVO - GUILHERME ARANTES - COM GABARITO

 Música (Atividades): Ano Novo

            Guilherme Arantes

E o milênio vai virar
Seja lá em que direção
Muitas pedras vão rolar
Não se vive só de esperteza e diversão
Ideais vão despertar
Utopias vão renascer
Os valores vão mudar
Não há ordem perfeita imune à erosão
E na contra-mão da festa dessa multidão
Uma tribo estranha ainda resta
Mesmo dispersa na ilusão dos poetas
A vida se projeta em cada olhar ...

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjsjPTw3bHPgpJFVGOGiLOyea5sPqIxZD7wc217yLVwj7VkMEoxXs6pbpzK6Qr0gLOASpjibUIxO9GTFgylTu9uwcWdA4DzrfXfQaCiq5hhsgK4cSKhGMatC0XieEEZdT6Sph-Tk6s23p0G8CKQnMFXT8PFwqPik8ATi-v6j1Sn41BzLR6PJ0HiL9itdHA/s320/images.jpg


Onde você vai estar
Com quem vai dividir as lágrimas
Da esperança
E não basta chorar
O que você vai fazer
Pro ano novo ir muito além
Dos fogos que se lança

Mais que um corpo pra cuidar
Mais cabeça que um visual
Para o jovem se engajar
Pelo meio ambiente ou causa social

Na contra-mão...

Composição: Guilherme Arantes.

Entendendo a música:

01 – O verso inicial "E o milênio vai virar / Seja lá em que direção / Muitas pedras vão rolar" sugere mudanças inevitáveis com o passar do tempo. Considerando o contexto da canção, como o autor interpreta essas transformações na sociedade e na vida humana?

      O autor interpreta as transformações temporais como um processo dinâmico e inevitável de transição, onde velhos paradigmas dão lugar a novas realidades ("Ideais vão despertar / Utopias vão renascer / Os valores vão mudar"). A expressão "muitas pedras vão rolar" simboliza os sobressaltos, as reviravoltas e os desafios inerentes a essa mudança de era. Guilherme Arantes pontua que a vida e a sociedade não são estáticas — "Não há ordem perfeita imune à erosão" —, sugerindo que a evolução é constante e exige resiliência diante das inevitáveis turbulências do futuro.

02 – Na estrofe "Não se vive só de esperteza e diversão", o compositor faz uma crítica aos comportamentos superficiais. Qual é a contraposição apresentada na letra em relação a essa busca vazia por entretenimento?

      A contraposição reside no convite ao engajamento profundo, à reflexão e à busca por propósito. Enquanto a "esperteza e a diversão" representam uma postura imediatista, individualista e efêmera voltada apenas para o consumo de momentos festivos ("a festa dessa multidão"), a música aponta para valores mais sólidos. O autor valoriza o despertar de ideais, o renascer de utopias, a sensibilidade artística ("ilusão dos poetas") e a conexão humana real, mostrando que a vida ganha sentido quando direcionada por causas maiores e pela projeção de um olhar mais atento à realidade.

03 – O que o trecho "E na contra-mão da festa dessa multidão / Uma tribo estranha ainda resta" revela sobre a postura de determinados indivíduos ou grupos perante as comemorações tradicionais de fim de ano?

      Esse trecho revela uma postura de resistência e introspecção frente à superficialidade com que muitas vezes o "Ano Novo" é celebrado coletivamente. Enquanto a "multidão" está imersa na festa automatizada e na euforia passageira, essa "tribo estranha" (simbolizando os poetas, pensadores ou aqueles que se mantêm conscientes) opta pela contra-mão: o caminho da reflexão profunda. Em vez de apenas celebrar de forma mecânica, esses indivíduos valorizam o sentimento genuíno, a partilha de emoções e a busca por um significado real para a passagem do tempo, distanciando-se do consumo vazio da alegria festiva.

04 – Analise os versos: "E não basta chorar / O que você vai fazer / Pro ano novo ir muito além / Dos fogos que se lança". Qual é a mensagem principal contida nessa cobrança por atitude?

      A mensagem principal é um apelo à responsabilidade e à ação concreta. O autor argumenta que lamentar-se pelas dificuldades ("chorar") ou depositar falsas esperanças em rituais passageiros (representados metaforicamente pelos "fogos que se lança", que brilham intensamente por um instante e depois se apagam) não é suficiente para transformar a realidade. O texto exige protagonismo: o ano novo só será genuinamente diferente se houver uma mudança de postura por parte do indivíduo, que precisa agir de forma propositiva para que o futuro supere o efêmero e traga mudanças reais.

05 – Nos versos finais, o autor menciona a necessidade de "Mais cabeça que um visual / Para o jovem se engajar / Pelo meio ambiente ou causa social". Como essa estrofe dialoga com a construção de uma cidadania mais consciente?

      Essa estrofe dialoga diretamente com a construção de uma cidadania ativa ao desvalorizar o culto à aparência ("mais cabeça que um visual") e exaltar a importância do pensamento crítico e da responsabilidade coletiva. O autor defende que a juventude e os cidadãos em geral precisam direcionar suas energias para pautas fundamentais e estruturais, como a preservação do meio ambiente e o engajamento em causas sociais. Dessa forma, o "Ano Novo" deixa de ser apenas uma data no calendário e passa a representar um compromisso ético e político com o planeta e com a sociedade.

 

 

RELATO DE MEMÓRIAS: TEMPO DE INFÂNCIA - FRAGMENTO - COM GABARITO

 Relato de memória: Tempo de Infância – Fragmento

 

        Quando se é criança, o mundo é apenas um grande parque de diversões. E são essas as primeiras lembranças que trago em mim.

Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhWaioTmsRJ-Mfh4GUvuENLVbPyT_ig2X7U8LULAZridVlDR0I-D_vd5MH6lrraVz9DY6YW6PLTktnKue9tYf-x2PBSCNdoqQwotXuftRztdQLiPBSkfZG-Phm7LfAIolPSYGlLUnvuIGkB69QcGBAAwaBGgk-ZN_w37C_K-J2KDcH1_07LwHI-T3BJQN4/s320/images%20(1).jpg

        Lembro que, ainda bem pequeno, gostava de sair correndo atrás de meus irmãos e primos maiores. Era uma corrida sem finalidade. Corria-se por correr ou, apenas, para repetir os gestos dos calangos que dividiam com a gente o espaço da aldeia. Meus irmãos e eu andávamos sem paradeiro e sem destino. Íamos a todos os cantos que nos eram permitidos pelos adultos. O igarapé era nosso principal objetivo, mas também tínhamos as árvores, enormes mangueiras que cresciam por toda a aldeia. As maiores subiam com destreza e depois me ajudavam a subir também.

        Passávamos horas ali, brincando de navegar nos galhos da velha árvore, comendo mangas com farinha de mandioca

        (...).

Daniel Munduruku.

Entendendo o relato:

01 – Que pistas nos dá o texto de que a criança era indígena?

      O texto apresenta pistas culturais e geográficas típicas do contexto indígena, especificamente a menção aos calangos (lagartos comuns na região), a convivência em uma aldeia, a referência ao igarapé (curso d'água amazônico) e o consumo de mangas com farinha de mandioca, um hábito alimentar tradicional da região Norte.

 02 – Qual era o principal objetivo das crianças na brincadeira?

      O principal objetivo das crianças na brincadeira era o igarapé, embora elas também aproveitassem as enormes mangueiras para brincar, correr sem destino e imitar os gestos dos calangos.

 03 – Este texto tem uma estrutura diferente. É um texto de memórias.

a) Quais são as memórias apresentadas?

      As memórias apresentadas referem-se à infância do autor na aldeia, destacando a liberdade para correr sem destino com os irmãos e primos maiores, as brincadeiras de navegar nos galhos das mangueiras e o hábito de comer mangas com farinha de mandioca.

 b) Retire do texto o trecho que exemplifica esta narrativa de memória.

      O trecho que exemplifica essa narrativa de memória é: "Lembro que, ainda bem pequeno, gostava de sair correndo atrás de meus irmãos e primos maiores." (ou qualquer outro parágrafo que inicie com o resgate de lembranças do passado, como "Passávamos horas ali, brincando...").

DIÁLOGO: ESTOU NO BRASIL - BEGINNER LEVEL - COM GABARITO

 Diálogo: Estou no Brasil

        Beginner level

 

        John telefona para a casa de sua amiga Maria para contar que está no Brasil.

        John – Alô! A Maria está, por favor?

        Maria – É ela. Que fala?

        John – Sou eu, Maria, o John!

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgakeMVK4ws1Ekt6ftURR6qT73plUnbQxQMrwLuYcYDBsJBWbwUQDbSUSXNF35T5Ti32HoBolmSUcCvZTiQNHFAIRmhm_qTP8L6YQN1XK8a3fL8PwXzF1Bj2TAyQH7JCxq3FG_HUwtrmsMb9TqUmCFcUiIYhbKCL_WAz76KhvL_PSXbq3W3dl_8PLH-wG4/s320/images.jpg


        Maria – Que surpresa boa você me telefonar! Eu estou bem, obrigada. E você?

        John – Eu estou muito bem e pertinho de você, estou no Rio de Janeiro.

        Maria – Não acredito, que legal! Quando você chegou?

        John – Eu cheguei ontem, sexta-feira, no Rio e já visitei um monte de lugares. Eu também comprei umas lembranças.

        Maria – Nossa! Como você se virou bem!

        Eu quero muito ver você. Que tal a gente se encontrar amanhã? Eu e meu irmão combinamos de jantar e você pode vir com a gente.

        John – Adorei a ideia. É um restaurante brasileiro, né?

        Maria – E acho que a sua comida favorita é comida brasileira, não é mesmo?

        John – Eu não conheço muito bem, mas quero conhecer melhor.

        Maria – Tá. Então podemos ir ao restaurante Sabor Brasileiro/

        John – Onde fica esse restaurante?

        Maria – Fica atrás do Pão de Açúcar. O restaurante é pequeno, mas a comida é deliciosa.

        John – Então tá combinado. Até amanhã. Um beijo.

        Maria – Outro.


Entendendo o diálogo:


01 – Qual a surpresa que o John contou para Maria?

      O John contou que está no Brasil, mais especificamente no Rio de Janeiro.

 02 – Quando John chegou ao Brasil?

      Ele chegou ontem, sexta-feira.

03 – O que ele contou que fez?

      Ele disse que já visitou um monte de lugares e comprou umas lembranças.

04 – O que John e Maria combinaram de fazer?

      Eles combinaram de se encontrar no dia seguinte para jantar junto com o irmão da Maria.

05 – Onde fica o restaurante?

      Fica atrás do Pão de Açúcar.

CRÔNICA: COMO BUDISTAS - LIMA BARRETO - COM GABARITO

 Crônica: COMO BUDISTAS...

             Lima Barreto

        Tenho tanto que escrever, sobre coisas tão interessantes, que, agora, o tratar dessa notícia de polícia de São Paulo, eu me arrependo. Tinha de falar do Sol de Portugal. do José Vieira; tinha de falar desse extraordinário discurso do senhor doutor Ildefonso Albano, deputado federal.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhT6M2J0XpLbNg85PoNjfuOwYnit5NTU42nzcT4UHyk9PMaKZf6c_1OrbcBcb31qNEs-KlygzhAgegaQzkM_Q0UIQYCcNVOcH3RglewnIdSLRxhuODhn_DuIn_qu84gcH4VGj-tyUEXGcT38a8D5vI5AQKHFXaYIvyRR_g1QIZx21y9KJRLBfoQSgLzqBk/s320/images.jpg


        Há tanta coisa tão interessante, num e noutro livro, que eu me reservo para dizer tudo o que de bom encontrei neles, mais tarde.

        O que me absorve agora o pensamento é este caso dessa pobre moça que matou o marido em São Paulo. É essa moça que, como todas as moças, não tem experiência da vida e são levadas a julgá-la da maneira mais infame que os charlatães a receitam.

        Ela pensou que seu marido fosse um homem; ele, quando ela o conheceu direito, não passava de um caçador de dotes.

        Todos nós, inclusive eu, malgré tout, estamos arriscados a casar com “moça rica”; mas de que nós não estamos ameaçados é de sermos maus para essas moças.

        O que há nisto tudo é a combinação do nosso espírito muito brasileiro de acreditar que o “doutor” é tudo e a crença universal do dinheiro.

        Essa moça não se casaria com esse moço, se não o visse armado de um “anel”; ela não daria seu corpo se a ambiência social não dissesse que, com a tal carta, ele valia muitas coisas.

        E ele não iria procurá-la, se não estivesse armado do que a bobagem dos jornais chama “pergaminho”.

        Houve um mútuo engano. Ele procurou enganar a mulher com o título que o Belisário Pena diz ser científico; ela procurou enganá-lo com aquilo com que os homens enrique­cem.

        Mas, todos os dois se esqueceram que entre mulher e marido não há furtos. Está no Código Penal.

        Entre os dois só deve haver a máxima lealdade. Todos os dois devem entrar na sociedade conjugal com a máxima boa vontade e admiração um pelo outro. O que não pode continuar, é que se faça da mulher, escada para subir.

        Nós temos direito de ter ambições. Eu mesmo quero morrer em Veneza, para ver se ainda lá encontro a minha grande paixão – Desdêmona. O que eu não posso compreender, é que um homem ambicioso, transforme a sua mulher, o seu maior amigo, a sua própria filha, em instrumento da sua am­bição.

        Todos esses entes são sagrados; para todos eles, o nosso amor e a nossa piedade devem ser coisa muito pouca.

        Quando a gente se quer bater, tem muitos homens por diante; e não precisa procurá-los em sua própria casa.

        A vida, apesar de não poder ser uma felicidade, deve ser uma coisa heroica.

        E não há homem que tenha esse sentimento de heroísmo que não o deseje encontrar nas mulheres escolhidas.

        A mulher não é instrumento de ambição; a mulher é um consolo e um conforto para os nossos vícios e as nossas des­graças.

        Já fui muitas vezes jurado; já sofri muito por causa disso; mas, se eu fosse escolhido, para o júri de dona Julieta Melilo, eu a absolveria.

        Absolvia, minha senhora, porque não gosto desses seres cheios de títulos, que não amam a mulher a quem eles de­viam amor.

        Como eu sou budista, o que eu quero é o esquecimento da vida; e não mais tratarei de semelhante caso.

José Vieira (1880-1948), jornalista, poeta, cronista e romancista paraibano. A.B.C., Rio, 31-8-1918.

Entendendo a crônica:

01 – Como o cronista inicia o texto, justificando seu arrependimento por ter escolhido comentar o caso policial de São Paulo?

      O cronista inicia afirmando que tinha muitos assuntos interessantes para tratar, como o livro Sol de Portugal, de José Vieira, e um extraordinário discurso do deputado federal Ildefonso Albano. Ele confessa que se arrependeu de ter desviado sua atenção para uma notícia policial, pois preferiria estar comentando as leituras enriquecedoras que guardava para o futuro.

02 – Qual foi o fator motivador central que levou a jovem mencionada na notícia a se envolver e se casar com o homem que acabou matando?

      O fator motivador foi a ilusão social em torno de títulos acadêmicos e status financeiro. O cronista aponta que a moça, carente de experiência de vida, foi seduzida pela falsa ideia de valor associada ao "anel" de doutor e aos "pergaminhos" alardeados pelos jornais, acreditando erroneamente que o marido possuía o valor moral correspondente à sua suposta posição social.

03 – Como Lima Barreto descreve a dinâmica do relacionamento e o "mútuo engano" que ocorreu entre o marido e a esposa antes do desfecho trágico?

      Lima Barreto define a relação como um acordo pautado pela ambição e pela falsidade de expectativas. O marido buscou enganar a mulher utilizando um título acadêmico como fachada (um "caçador de dotes"), enquanto a esposa e sua família tentaram usá-lo com base na riqueza material que ele supostamente representava, esquecendo-se de que o matrimônio deveria ser fundado na lealdade e na boa-fé mútua.

04 – Qual é a crítica central que o autor faz em relação à forma como algumas pessoas utilizam os entes queridos, especialmente as mulheres?

      A crítica central repousa na rejeição veemente à instrumentalização dos afetos. O autor argumenta que um homem ambicioso não pode transformar sua mulher, sua filha ou seus amigos mais íntimos em "escada para subir" ou em instrumentos para saciar suas ambições pessoais, ressaltando que esses entes são sagrados e merecem amor e proteção incondicionais, e não exploração egoísta.

05 – Qual é a visão de Lima Barreto sobre o papel que a mulher deve ocupar na vida de um homem?

      Para o cronista, a mulher jamais deve ser tratada como um meio para atingir fins utilitaristas. Ele defende que a mulher constitui um "consolo e um conforto" diante das adversidades, dos vícios e das desgraças humanas. O autor espera encontrar na mulher uma parceira dotada de heroísmo e dignidade, enxergando o relacionamento como um refúgio de paz, e não como um campo de batalha doméstico.

06 – Qual seria a decisão de Lima Barreto caso fizesse parte do tribunal do júri responsável pelo julgamento de dona Julieta Melilo, e qual justificativa ele apresenta?

      O autor declara categoricamente que, se fosse escolhido para compor o júri de dona Julieta Melilo (a ré do caso policial), votaria por sua absolvição. Ele justifica essa posição afirmando que não nutre simpatia por indivíduos prepotentes e repletos de títulos falsos que não demonstram amor e respeito genuínos pelas esposas a quem deviam zelar.

07 – O que o autor expressa por meio da frase final "Como eu sou budista, o que eu quero é o esquecimento da vida" em relação ao caso narrado?

      Ao se autodenominar "budista" e evocar o "esquecimento da vida", o cronista expressa um profundo cansaço e desencanto diante das mesquinharias, ambições cegas e tragédias cotidianas da sociedade humana. Essa frase funciona como um fecho irônico e melancólico, indicando que ele prefere afastar-se mentalmente de tanta sordidez e encerrar imediatamente suas reflexões sobre aquele episódio doloroso.