quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

CONTO: O CASAMENTO - LUÍS FERNANDO VERÍSSIMO - COM QUESTÕES GABARITADAS

Conto: O casamento
         
 Luís Fernando Veríssimo

        — Eu quero ter um casamento tradicional, papai.
        — Sim, minha filha.
        — Exatamente como você!
        — Ótimo.
        — Que música tocaram no casamento de vocês?
        — Não tenho certeza, mas acho que era Mendelssohn. Ou Mendelssohn é o da Marcha Fúnebre? Não, era Mendelssohn mesmo.
        — Mendelssohn, Mendelssohn...  Acho que não conheço. Canta alguma coisa dele ai.
        — Ah, não posso, minha filha. Era o que o órgão tocava em todos os casamentos, no meu tempo.
        — O nosso não vai ter órgão, é claro.
        — Ah, não?
        — Não. Um amigo do Varum tem um sintetizador eletrônico e ele vai tocar na cerimônia. O Padre Tuco já deixou. Só que esse Mendelssohn, não sei, não...
        — É, acho que no sintetizador não fica bem...
        — Quem sabe alguma coisa do Queen...
        — Quem?
        — O Queen.
        — Não é a Queen?
        — Não. O Queen. E o nome de um conjunto, papai.
        — Ah, certo. O Queen. No sintetizador.
        — Acho que vai ser o maior barato!
        — Só o sintetizador ou...
        — Não. Claro que precisa ter uma guitarra elétrica, um baixo elétrico...
        — Claro. Quer dizer, tudo bem tradicional.
        — Isso.
        — Eu sei que não é da minha conta. Afinal, eu sou só o pai da noiva. Um nada. Na recepção vão me confundir com um garçom. Se ainda me derem gorjeta, tudo bem. Mas alguém pode me dizer por que chamam o nosso futuro genro de Varum?
        — Eu sabia...
        — O quê?
        — Que você já ia começar a implicar com ele.
        — Eu não estou implicando. Eu gosto dele. Eu até o beijaria na testa se ele algum dia tirasse aquele capacete de motoqueiro.
        — Eles nem casaram e você já está implicando.
        — Mas que implicância? É um ótimo rapaz. Tem uma boa cabeça. Pelo menos eu imagino que seja cabeça o que ele tem debaixo do capacete.
        — É um belo rapaz.
        — E eu não sei? Há quase um ano que ele frequenta a nossa casa diariamente. É como se fosse um filho. Eu às vezes fico esperando que ele me peça uma mesada. Um belo rapaz. Mas por que Varum?
        — E o apelido e pronto.
        — Ah, então é isso. Você explicou tudo. Obrigado.
        — Quanto mais se aproxima o dia do casamento, mais intratável você fica.
        — Desculpe. Eu sou apenas o pai. Um inseto. Me esmigalha. Eu mereço.
        — Aí xará!
        — Ôi, Varum, como vai? A sua noiva está se arrumando. Ela já desce. Senta aí um pouquinho. Tira o capacete...
        — Essa noivinha...
        — Vocês vão ao cinema?
        — Ela não lhe disse? Nós vamos acampar.
        — Acampar? Só vocês dois?
        — É. Qual é o galho?
        — Não. E que... Sei lá.
        — Já sei o que você tá pensando, cara. Saquei.
        — É! Você sabe como é...
        — Saquei. Você está pensando que só nós dois, no meio do mato, pode pintar um lance.
        — No mínimo isso. Um lance. Até dois.
        — Mas qualé, xará. Não tem disso não. Está em falta. Ôi, gatona!
        — Oi, Varum. O que é que você e papai estão conversando?
        — Não, o velho aí tá preocupado que nós dois, acampados pode pintar um lance. Eu já disse que não tem disso.
        — Ô, papai. Não tem perigo nenhum. Nem cobra. E qualquer coisa o Varum me defende. Eu Jane, ele Tarzan.
        — Só não dou o meu grito para proteger os cristais.
        — Vamos?
        — Vamlá?
        — Mas... Vocês vão acampar de motocicleta?
        — De motoca, cara. Vá-rum, vá-rum.
        — Descobri por que ele se chama Varum.
        — O quê? Você quer alguma coisa?
        — Disse que descobri por que ele se chama Varum.
        — Você me acordou só para dizer isto?
        — Você estava dormindo?
        — É o que eu costumo fazer às três da manhã, todos os dias. Você não dormiu?
        — Ainda não. Sabe como é que ele chama ela? Gatona.
        Por um estranho processo de degeneração genética, eu sou pai de uma gatona.
        Varum e Gatona, a dupla dinâmica, está neste momento, no meio do mato.
        — Então é isso que está preocupando você?
        — E não é para preocupar? Você também não devia estar dormindo.
        A gatona é sua também.
        — Mas não tem perigo nenhum!
        — Como, não tem perigo? Um homem e uma mulher, dentro de uma tenda, no meio do mato?
        — O que é que pode acontecer?
        — Se você já esqueceu, é melhor ir dormir mesmo.
        — Não tem perigo nenhum. O máximo que pode acontecer é entrar um sapo na tenda.
        — Ou você está falando em linguagem figurada ou eu é que estou ficando louco.
        — Vai dormir.
        — Gatona. Minha própria filha...
        — Você também tinha um apelido pra mim, durante o nosso noivado.
        — Eu prefiro não ouvir.
        — Você me chamava de Formosura. Pensando bem, você também tinha um apelido.
        — Por favor. Reminiscências não. Comi faz pouco.
        — Kid Gordini. Você não se lembra? Você e o seu Gordini envenenado.
        — Tão envenenado que morreu, nas minhas mãos. Um dia levei num mecânico e disse que a bateria estava ruim. Ele disse que a bateria estava boa, o resto do carro é que tinha que ser trocado.
        — Viu só? E você se queixa do Varum. Kid Gordini!
        — Mas eu nunca levei você para o mato no meu Gordini.
        — Não levou porque meu pai matava você.
        — Hummmm.
        — “Hummmm” o quê?
        — Você me deu uma ideia. Assassinato...
        — Não seja bobo.
        — Um golpe bem aplicado... Na cabeça não porque ela está sempre bem protegida. Sim. Kid Gordini ataca outra vez...
        — O que você tem é ciúme.
        Nisso tudo, tem uma coisa que me preocupa acima de tudo que é o que me tira o sono.
        — O quê?
        — Será que ele tira o capacete para dormir?
        — Bom dia.
        — Bom dia.
        — Eu sou o pai da noiva. Da Maria Helena.
        — Maria Helena... Ah, a Gatona!
        — Essa.
        — Que prazer. Alguma dúvida sobre a cerimônia?
        — Não, Padre Osni. E que...
        — Pode me chamar de Tuco. E como me chamam.
        — Não, Padre Tuco. E que a Ga... A Maria Helena me disse que ela pretende entrar dançando na igreja. O conjunto toca um rock e a noiva entra dançando, é isso?
        — É. Um rock suave. Não é rock pauleira.
        — Ah, não é rock pauleira. Sei. Bom, isto muda tudo.
        — Muitos jovens estão fazendo isto. A noiva entra dançando e na saída os dois saem dançando. O senhor sabe, a Igreja hoje está diferente. É isto que está atraindo os jovens de volta à Igreja. Temos que evoluir com os tempos.
        — Claro. Mas, Padre Osni...
        — Tuco.
        — Padre Tuco, tem uma coisa. O pai da noiva também tem que dançar?
        — Bom, isto depende do senhor. O senhor dança?
        — Agora não, obrigado. Quer dizer, dançava. Até ganhei concurso de chá-chá-chá. Acho que você ainda não era nascido. Mas estou meio fora de forma e...
        — Ensaie, ensaie.
        — Certo.
        — Peça para a Gatona ensaiar com o senhor.
        — Claro.
        — Não é rock pauleira.
        — Certo. Um roquezinho suave. Quem sabe um chá-chá-chá? Não. Esquece, esquece.
        — Você está nervoso, papai?
        — Um pouco. E se a gente adiasse o casamento? Eu preciso uma semana a mais de ensaio. Só uma semana.
        — Eu estou bonita?
        — Linda. Quando estiver pronta vai ficar uma beleza.
        — Mas eu estou pronta.
        — Você vai se casar assim?
        — Você não gosta?
        — É... diferente, né? Essa coroa de flores, os pés descalços...
        — Não é um barato?
        — Um brinde, xará!
        — Um brinde, Varum.
        — Você estava um estouro entrando naquela igreja. Parecia um bailarino profissional.
        — Pois é. Improvisei uns passos. Acho que me sai bem.
        — Muito bem!
        — Não sei se você sabe que eu fui o rei do chá-chá-chá.
        — Do quê?
        — Chá-chá-chá. Uma dança que havia. Você ainda não era nascido.
        — Bota tempo nisso.
        — Eu tinha um Gordini envenenado. Tão envenenado que morreu. Um dia levei no...
        — Tinha um quê?
        — Gordini. Você sabe. Um carro. Varum, varum.
        — Ah.
        — Esquece.
        — Um brinde ao sogro bailarino.
        — Um brinde. Eu sei que vocês vão ser muito felizes.
        — O que é que você achou da minha beca, cara?
        — Sensacional. Nunca tinha visto um noivo de macacão vermelho, antes. Gostei. Confesso que quando entrei na igreja e vi você lá no altar, de capacete...
        — Vacilou.
        — Vacilei. Mas aí vi que o Padre Tuco estava de boné e pensei, tudo bem. Temos que evoluir com os tempos. E ataquei meu rock suave.

                 VERÍSSIMO, Luís Fernando. In: Para gostar de ler.
São Paulo, Ática, 1994. v. 13, p. 71-6.
Entendendo o conto:
01 – Ao conversar com o pai a respeito do casamento, a filha afirma querer um casamento tradicional, no entanto não é exatamente isso o que ocorre. Selecione do texto pelo menos três detalhes que provam que o casamento não foi tradicional.
      Sugestão: A música ser tocada com sintetizador, baixo e guitarra; a noiva casar descalça; o noivo usar macacão vermelho; o pai e a noiva entrarem na igreja dançando rock; o padre celebrar o casamento usando um boné.

02 – O pai tem uma curiosidade: saber por que seu futuro genro é chamado de Varum. Explique o porquê de tal apelido e transcreva o trecho em que você se baseou para dar sua resposta.
      Porque o rapaz sempre andava de moto e o barulho do motor é vá-rum. O apelido é, na verdade, uma onomatopeia. O trecho é: “—Mas... Vocês vão acampar de motocicleta? – de motoca, cara. Vá-rum, vá-rum”.

03 – Durante a conversa que mantém com o padre, qual a grande preocupação do pai?
      Ele está preocupado porque terá que entrar dançando na igreja.

04 – Como o pai da noiva se saiu no casamento? Que fala do noivo comprovaria isso?
      O pai da noiva saiu-se bem ao entrar na igreja dançando. A fala do noivo que mostra isso é: “Um brinde ao sogro bailarino”.

05 – Embora o texto todo seja formado por diálogos em linguagem coloquial, há momentos em que a linguagem se torna muito mais informal. Que momentos são esses? Por que isso ocorre?
      São os momentos em que Varum fala. Isso ocorre porque Varum é jovem e usa gírias e também porque ele tem intimidade com o pai de Maria Helena.

06 – Selecione um trecho que sirva para comprovar que a linguagem do texto chega a ser bastante informal, havendo inclusive a presença de gírias.
      “Já sei o que você tá pensando, cara. Saquei”.

07 – Procure refazer o diálogo inicial entre Varum e seu sogro, usando uma linguagem menos informal.
      Resposta pessoal do aluno.

08 – O fato de Maria Helena dizer que queria um casamento tradicional fez com que seu pai pensasse que o desejo da filha era ter um casamento parecido com o dele. No entanto, não era essa ideia de “tradicional” que ela tinha em mente. Na sua opinião, as tradições devem ser mantidas ou os costumes devem ser modernizados? Explique sua resposta.
      Resposta pessoal do aluno.


SIMULADO SOBRE ARCADISMO - COM GABARITO

Simulado sobre Arcadismo

01 – (VUNESP/UNOPAR) – Considerando o “mais árcade” dos poetas brasileiros do fim do século XVIII, ele realizou plenamente o ideal áurea mediocritas (áurea mediania): Dirceu, o pastor, louvou a vida campestre e a simplicidade; elevou a mulher à categoria de musa inspiradora constante – como foi comum no Neoclassicismo europeu – e defendeu a utópica superioridade do homem natural.
O poeta a que se refere o trecho acima é:
a)   Cláudio Manuel da Costa.
b)   Castro Alves.
c)   Casimiro de Abreu.
d)   Tomás Antônio Gonzaga.
e)   Gonçalves Dias.

02 – Sobre o Arcadismo no Brasil, assinale a incorreta.
a)   Coincide, no plano histórico, com as rebeliões nativistas, com o ciclo do ouro, com o apogeu de Minas Gerais e com o despotismo esclarecido do Marquês de Pombal.
b)   Desenvolveram-se as poesias lírica, épica e satírica.
c)   Marca o aparecimento do nativismo reivindicatório e do indianismo, ainda que o índio não seja, em O Uraguai e Caramuru, tomado como símbolo da nacionalidade.
d)   Passa a haver ressonância das obras no meio social e a literatura passa a exprimir o descontentamento dos habitantes da Colônia em relação à Metrópole.
e)   Há nítido predomínio da prosa, através da crônica, do conto e da novela.

03 – “Sua notoriedade resulta do poema épico que escreveu, não tanto pelo assunto, mas por sua técnica expressiva. Inútil procurar nele reminiscências de Camões, pois embora estas possam existir, minguada e avulsamente, o poema já não é camoniano na estrutura, na composição, no decassílabo, na ductilidade da expressão. Nada de oitavas, nada de rimas, pois já se impunham a seu espírito outros modelos de epopeia. E, além de seus méritos formais, o poemeto ostenta o de ter transformado os pastores da Arcádia, cuja substância era pura nuvem, nos índios brasileiros, reais e ainda mais próximos da natureza.”
O trecho acima refere-se a:
a)   Cláudio Manuel da Costa.
b)   Gregório de Matos.
c)   Tomás Antônio Gonzaga.
d)   Santa Rita Durão.
e)   Basílio da Gama.

04 – Sua obra lírica tem por vigas o motivo bucólico e as cadências do soneto camoniano. Os prados e os rios, os montes e vales não só servem de fundo às inquietações amorosas, como também de seus confidentes. De todos os árcades foi o mais preso às emoções e aos valores da terra. Trata-se de:
a)   Cláudio Manuel da Costa.
b)   Silva Alvarenga.
c)   Alvarenga Peixoto.
d)   Basílio da Gama.
e)   Tomás A. Gonzaga.

05 – (UFV)
     Enquanto pasta, alegre, o manso gado,
     Minha bela Marília, nos sentemos
     A sombra deste cedro levantado.
                      Um pouco meditemos
                      Na regular beleza,
     Que em tudo quanto vive nos descobre
                      A sábia natureza.

                      Tomás Antônio Gonzaga

Todas as alternativas apresentam uma característica temática do Arcadismo utilizada por Gonzaga nos versos acima, EXCETO:
a) O poeta busca motivos bucólicos, com sensualismo e subjetivismo exagerados.
b) A poesia da Arcádia transforma o campo num bem perdido.
c) A vida em contato com a natureza é revalorizada.
d) O emprego de uma linguagem poética cheia de simplicidade faz parte da retórica neoclássica.
e) O árcade adota uma personalidade fictícia, um estado pastoril.

06 – (ITA) – Leia atentamente as informações, e relacione-as aos autores apresentados:
I – Os cem sonetos de [...] compõem um cancioneiro onde não uma só figura feminina, mas várias pastoras, em geral inacessíveis, constelam uma tênue biografia sentimental. Os prados e os rios, os montes e os vales servem não só de pano de fundo às inquietações de Glauceste, como também de seus versejador.
II – Resta ver a força artesanal, que é patente em um versejador como [...]. 

Alguns de seus sonetos sacros e amorosos transpõem com brilho esquemas de Gôngora e Quevedo e valem como exemplo do gosto seiscentista de compor símiles e contrastes para enfunar imagens e destrinçar conceitos. Autores:
a)   Gregório de Matos.
b)   Cláudio Manuel da costa.
c)   Tomás A. Gonzaga.
d)   Basílio da Gama.
e)   Alvarenga Peixoto.
f)    Padre Vieira.
a)   I – c; II – f.
b)   I – d; II – c.
c)   I – e; II – f.
d)   I – b; II – c.
e)   I – b; II – a.

07 – (ITA) – Poema:
Torno a ver-vos, ó montes; o destino
Aqui me torna a pôr nestes outeiros,
Onde um tempo os gabões deixei grosseiros
Pelo traje da Corte, rico e fino.  
Aqui estou entre Almendro, entre Corino,
Os meus fiéis, meus doces companheiros,
Vendo correr os míseros vaqueiros
Atrás de seu cansado desatino.        
Se o bem desta choupana pode tanto,
Que chega a ter mais preço, e mais valia
Que, da Cidade, o lisonjeiro encanto, 
Aqui descanse a louca fantasia,
E o que até agora se tornava em pranto
Se converta em afetos de alegria.

Cláudio Manoel da Costa. In: Domício Proença Filho. A poesia dos inconfidentes.
Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2002, p. 78-9.
Dadas as asserções:
I – O poema manifesta o conflito do poeta, homem nativista provinciano, ligado à terra natal, cuja formação superior deu-se na metrópole.
II – O poema mostra como o autor soube explorar a característica principal do Arcadismo: a celebração da vida urbana pelo intelectual, consciente das dificuldades da vida no campo.
III – O poema manifesta a preocupação do poeta com os problemas sociais da época: transferência de riquezas da colônia para a metrópole, oriundas da pecuária, e empobrecimento do homem do campo.
Está(ão) correta(s):
a)   Apenas a I.
b)   Apenas a II.
c)   I e II.
d)   I e III.
e)   II e III.

08 – Poema satírico sobre os desmandos administrativos e morais imputados a Luís da Cunha Menezes, que governou a Capitania das Minas de 1783 a 1788:
a)   Marília de Dirceu.
b)   Vila Rica.
c)   Fábula do Ribeirão do Carmo.
d)   Cartas Chilenas.
e)   O Uraguai.

09 – O poema mencionado, embora tenha circulado anônimo, é modernamente atribuído a:
a)   Cláudio Manuel da Costa.
b)   Tomás Antônio Gonzaga.
c)   Alvarenga Peixoto.
d)   Gregório de Matos.
e)   Antônio Vieira.

10 – Em seu poema épico, tenta conciliar a louvação do Marquês de Pombal e o heroísmo do índio. Afasta-se do modelo de Os Lusíadas e emprega como maravilhoso o fetichismo indígena. São heróis desse poema:
a)   Cacambo, Lindoia, Moema.
b)   Diogo Álvares Correia, Paraguaçu, Moema.
c)   Diogo Alvares Correia, Paraguaçu, Taanajura.
d)   Cacambo, Lindoia, Gomes Freire de Andrade.
e)   N.D.A.

11 – (UEL) – Simplificando a linguagem lírica de Cláudio Manuel da Costa, mas evitando igualmente a diluição dos valores poéticos no sentimentalismo, as _________ mais densas, dedicadas a _________, fizeram de _________ uma figura central do nosso Arcadismo.
a)   Crônicas – Marília – Dirceu.
b)   Crônicas – Gonzaga – Dirceu.
c)   Sátiras – Dirceu – Gonzaga.
d)   Liras – Gonzaga – Dirceu.
e)   Liras – Marília – Gonzaga.

12 – (SANTA CASA)
Alguém há de cuidar que é frase inchada
Daquela que lá se usa entre essa gente
Que julga que diz muito, e não diz nada.

O nosso humilde gênio não consente,
Que outra coisa se diga mais, que aquilo
Que só convém ao espírito inocente.

Os versos de Cláudio Manuel da Costa lembram o fato de que:
a)   A expressão exata, contida, que busca os limites do essencial, é traço da literatura colonial brasileira e dos primeiros movimentos estéticos pós-independência.
b)   O Barroco se esforçou por alcançar uma expressão rigorosa e comedida, a fim de espelhar os grandes conflitos da alma do homem da época.
c)   O Arcadismo, buscando simplicidade, se opôs à expressão intrincada e aos excessos do cultismo barroco.
d)   O Romantismo, embora tenha refugado os rigores do formalismo neoclássico, tomou por base o sentimentalismo originário desse movimento estético.

13 – (F. CIÊN. AGRÁRIAS DO PARÁ) – Leia a seguinte estrofe da Lira I de Tomás Antônio Gonzaga.
Irás a divertir-te na floresta,
Sustentada, Marília, no meu braço;
Ali descansarei a quente sesta,
Dormindo um leve sono em teu regaço;
Enquanto a luta jogam os pastores,
E emparelhados correm nas campinas,
Toucarei teus cabelos de boninas,
Nos troncos gravarei os teus louvores.
Graças, Marília bela,
Graças à minha estrela!

Dela pode-se afirmar que:
a)   Deixa transparecer sinais que comprovam que vai de encontro à luta pela simplicidade de expressão.
b)   Prega o ideal de felicidade na vida simples em contato com a natureza.
c)   Analisa cenas que se passam num ambiente cortesão.
d)   Expressa toda sua angústia pela ausência da mulher amada.
e)   A necessidade de lazer era um dos pontos a explorar no ideal de felicidade urbana que os árcades defendiam.

14 – (ITA) – Uma das afirmações abaixo é INCORRETA. Assinale-a:
a)   O escritor árcade reaproveita os seres criados pela mitologia greco-romana, deuses e entidades pagãs. Mas esses mesmos deuses convivem com outros seres do mundo cristão.
b)   A produção literária do Arcadismo brasileiro constitui-se sobretudo de poesia, que pode ser lírico-amorosa, épica e satírica.
c)   O árcade recusa o jogo de palavras e as complicadas construções da linguagem barroca, preferindo a clareza, a ordem lógica na escrita.
d)   O poema épico Caramuru, de Santa Rita Durão, tem como assunto o descobrimento da Bahia, levado a efeito por Diogo Álvares Correia, misto de missionário e colono português.
e)   A morte de Moema, índia que se deixa picar por uma serpente, como prova de fidelidade e amor ao índio Cacambo, é o trecho mais conhecido da obra O Uruguai, de Basílio da Gama.

15 – (ITA) – Dadas as afirmações:
I – O Uruguai, poema épico clássico que antecipa em várias direções o Romantismo, é motivado por dois propósitos indisfarçáveis: exaltação da política pombalina e antijesuitismo radical.
II – O(A) autor(a) do poema épico Vila Rica, no qual exalta os bandeirantes e narra a história da atual Ouro Preto, desde a sua fundação, cultivou a poesia bucólica, pastoril, na qual menciona a natureza como refúgio.
III – Em Marília de Dirceu, Marília é quase sempre um vocativo; embora tenha a estrutura de um diálogo, a obra é um monólogo – só Gonzaga fala, raciocina; constantemente cai em contradição quanto à sua postura de pastor e sua realidade de burguês.
Está(ão) correta(s):
a)   Apenas I.
b)   Apenas II.
c)   Apenas I e II.
d)   Apenas I e III.
e)   Todas.

16 – (ITA) – As opções seguintes referem-se aos textos:
Texto A: Ah! enquanto os destinos impiedosos
 (II)         Não voltam contra nós a face irada,
               Façamos, sim, façamos, doce amada,
               Os nossos breves dias mais ditosos.
Texto B: Ó não aguardes que a madura idade
(I)           Te converta essa flor, essa beleza
               Em terra, em cinza, em pó, em sombra, em nada.
Texto C: Nos olhos Capitu não sofre o pranto,
(III)         E rompe em profundíssimos suspiros,
               Lendo na testa da fronteira gruta
               De sua mão já trêmula gravado
               O alheio crime, e a voluntária morte.
Texto D: O todo sem a parte não é todo;
 (I)           A parte sem o todo não é parte;
               Mas se a parte o faz todo, sendo parte,
               Não se diga que é parte, sendo todo.
Preencha os parênteses ao lado dos textos dados, obedecendo à seguinte convenção:
I – Gregório de Matos.
II – Tomás Antonio Gonzaga.
III – Basilio da Gama.
IV – Cláudio Manuel da Costa.

Preenchidos os parênteses, a sequência correta é:
a)   II – I – III – I.
b)   IV – I – II – II.
c)   I – II – II – I.
d)   I – IV – III – I.
e)   II – IV – III – IV.

17 – (PUCCAMP)
Acaso são estes
Os sítios formosos,
Aonde passava
Os anos gostosos?
São estes os prados,
Aonde brincava,
Enquanto pastava,
O manso rebanho
Que Alceu me deixou?

Os versos acima, de Tomás Antônio Gonzaga, são expressão de um momento estético em que o poeta:
a)   Busca expressão para o sentimento religioso associado à natureza, revestindo frequentemente o poema do tom solene da meditação.
b)   Tentava exprimir a insatisfação do mundo contemporâneo, dava grande ênfase à vida sentimental, tornando o coração a medida mais exata de sua existência.
c)   Buscava a “naturalidade”. O que havia de mais simples, mais “natural”, que a vida dos pastores e a contemplação direta da natureza?
d)   Tinha predileção pelo soneto, exercitando a precisão descritiva e dissertativa, o jogo intelectual, a famosa “chave de ouro”.
e)   Acentuava a busca da elegância e do requinte formal, perdendo-se na minúcia descritiva dos objetos raros: vasos, taças, leques.

Soneto XLVI:
Não vês, Lise, brincar esse menino
Com aquela avezinha? Estende o braço;
Deixa-a fugir; mas apertando o laço,
A condena outra vez ao seu destino?

Nessa mesma figura, eu imagino,
Tens minha liberdade; pois ao passo,
Que cuido, que estou livre do embaraço,
Então me prende mais meu desatino.

Em um contínuo giro o pensamento
Tanto a precipitar-me se encaminha,
Que não vejo onde pare o meu tormento.

Mas fora menos mal esta ânsia minha,
Se me faltasse a mim o entendimento,
Como falta a razão a esta avezinha.

                             Cláudio Manuel da Costa

18 – O tema soneto é:
a)   O contraste natureza-cultura.
b)   Os problemas de sua terra.
c)   O contraste rústico-civilizado.
d)   O desajuste amoroso.
e)   O amante infeliz.

19 – Assinale o par que NÃO corresponde a uma relação de identidade ou de realidade no poema:
a)   Amada/menino.
b)   Poeta/avezinha.
c)   Poeta/liberdade.
d)   Ave/laço.
e)   Poeta/prisão.

20 – Se pensarmos na “função semântica” (significativa) da rima, que par traduziria melhor a ideia do poema?
a)   Pensamento/tormento.
b)   Imagino/desatino.
c)   Minha/avezinha.
d)   Braço/laço.
e)   Menino/destino.

21 – Que resposta melhor justificaria a passagem de “aquela avezinha” (2° verso) para “esta avezinha” (último verso)?
a)   O desatino do poeta e o da ave são idênticos.
b)   O poeta deixa transparecer a piedade que sente pelo pássaro.
c)   A ave aproximou-se do poeta.
d)   A proximidade da ave é imaginária, fruto de uma identidade de destino.
e)   A passagem do tempo.