terça-feira, 8 de janeiro de 2019

PENSAMENTOS FILOSÓFICOS - LIVRO: FILOSOFANDO


PENSAMENTOS FILOSÓFICOS
Fonte: Livro: Filosofando. Ed. Moderna


“A primeira razão pela qual os homens servem com boa vontade é porque nascem servos e como tal são criados. Como é que o chefe ousaria pular em cima de vós, se vós não estivésseis de acordo?”
Étienne de la Boétie

A desvalorização do mundo humano aumenta em proporção direta com a valorização do mundo das coisas.”
Karl Marx

“A história dos esforços humanos para subjugar a natureza é também a história da subjugação do homem pelo homem.”
Max Horkheimer

“Pedimos somente um pouco de ordem para nos proteger do caos. Nada é mais doloroso, mais angustiante do que um pensamento que escapa a si mesmo, ideias que fogem, que desaparecem apenas esboçadas, já corroídas pelo esquecimento ou precipitadas em outras, que também não dominamos. [...] Perdemos sem cessar nossas ideias. É por isso que queremos tanto agarrar-nos a opiniões prontas.”
Deleuze e Guattari

“Jogamos os jogos da vida, obedecendo a livros de regras escritos com letra invisível ou com um código secreto.”
Arthur Koestier

“É impossível sobrepor, no homem, uma primeira camada de comportamentos que chamaríamos de “naturais” e um mundo cultural ou espiritual fabricado. No homem, tudo é natural e tudo é fabricado, como se quiser, no sentido em que não há uma só palavra, uma só conduta que não deva algo ao ser simplesmente biológico – e que ao mesmo tempo não se furte à simplicidade da vida natural.”
Maurice Merleau-Ponty

“A verdadeira filosofia é reaprender a ver o mundo.”
Maurice Merleau-Ponty

“Advento da pólis, nascimento da filosofia: entre as duas ordens de fenômenos os vínculos são demasiado estreitos para que o pensamento racional não apareça, em suas origens, solidário das estruturas sociais e mentais próprias da cidade grega.”
Jean-Pierre Vermant

“A perenidade dos mitos não é devida ao prestígio da fabulação, à magia da literatura. É que ela atesta a perenidade mesma da realidade humana.”
Gusdorf

“A filosofia não é mera especulação no vácuo ou simples jogo de conceitos abstratos. É trabalho sobre a experiência real e que cumpre levar a cabo sem perder esse sentido do concreto.”
João Cruz Costa

“Para muita gente, antes morrer que pensar. E é isso mesmo que fazem.”
Bertrand Russel

“O objeto da lógica não é determinar se as conclusões são verdadeiras ou falsas, mas determinar se o que se afirma como conclusões são conclusões.”
Augustus de Morgan

“Primeiramente, considero haver em nós certas noções primitivas, as quais são como originais, sob cujo padrão formamos todos os nossos outros conhecimentos.”
Descartes

“De onde apreende todos os materiais da razão e do conhecimento?
A isso respondo, numa palavra, da experiência.”
Locke

“O mais nobre assunto de estudo para o homem é o homem.”
Lessing

“O que é a verdade, portanto? Um batalhão móvel de metáforas, metonímias, antropomorfismos, enfim, uma soma de relações humanas que foram enfatizadas poética e retoricamente, transpostas, enfeitadas, e que, após longo uso, parecem a um povo sólidas, canônicas e obrigatórias.”
Nietzsche

“Todos os bons espíritos repetem, desde Bacon, que somente são reais os conhecimentos que repousam sobre fatos observados.”
Comte

“O real é racional e oracional é real.”
Hegel

“Não é a consciência dos homens que determina o seu ser; é o seu ser social que, inversamente, determina a sua consciência.”
Marx

“A linguagem mascara o pensamento.”
Wittgenstein
“... a trama, a urdidura de todo pensamento e de toda investigação é o símbolo, e a vida do pensamento e da ciência é a vida inerente aos símbolos; de modo que é errôneo dizer, meramente, que uma boa linguagem é importante para o bom pensar, visto que é a própria essência deste.”
Charles Sanders Peirce

“Ciência sem consciência não é senão a ruína da alma.”
Rabelais

“O silêncio eterno desses espaços infinitos me apavora.”
Pascal

“A coisa mais incompreensível acerca do universo é que ele é compreensível.”
Einstein

“O átomo é um monumento à sabedoria da raça humana.
Um dia poderá ser a lápide de sua insensatez.”
J.G.Feinberg

“Com Copérnico, o homem deixou de estar no centro do Universo.
Com Darwin, o homem deixou de ser o centro do reino animal.
Com Marx, o homem deixou de ser o centro da história (que, aliás, não possui um centro).
Com Freud, o homem deixou de ser o centro de si mesmo.”
Eduardo Prado Coelho

“É justo que o que é justo seja seguido. É necessário que o que é mais forte seja seguido. / A justiça sem a força é impotente; a força sem a justiça é tirânica.
A justiça sem a força será contestada, porque há sempre maus; a força sem a justiça será acusada. É preciso, pois, reunir a justiça e a força; e, dessa forma, fazer com que o que é justo seja forte, e o que é forte seja justo.”
Pascal

“O homem é só um laço de relações, apenas as relações contam para o homem.”
Saint-Exupéry

“Cada um desses homens [Lincoln, Gandhi e Martin Luther King] sentia muito profundamente que o âmago da moralidade (e o âmago da sociedade) era o igual respeito pela dignidade humana. Cada um deles foi capaz de mostrar o respeito mútuo pressuposto pelo ponto de vista moral, reconhecendo a exigência moral de se engajar em diálogo com aqueles que discordavam profundamente deles.
Foram essas características que os tornaram não apenas grandes visionários morais, mas também grandes educadores morais.”
Lawrence Kohlberg

“Os homens normais não sabem que tudo é possível”
David Rousset

“Os males não cessarão para os humanos antes que a raça dos puros autênticos filósofos chegue ao poder, ou antes que os chefes das cidades, por uma divina graça, se não ponham a filosofar verdadeiramente.”
Platão

“É preciso que o melhor governo seja aquele que possua uma constituição tal que todo o cidadão possa ser virtuoso e viver feliz.”
Aristóteles

“Dois amores construíram duas cidades: o amor de si levado até ao desprezo de Deus edificou a cidade terrestre, civitas terrena; o amor de Deus levado até ao desprezo de si próprio ergueu a cidade celeste; uma rende glória a si, a outra ao Senhor; uma busca uma glória vinda dos homens; para a outra, Deus, testemunha da consciência, é a maior glória.”
Santo Agostinho

“Para um pensador da Idade Média, o estado está para a Igreja como a filosofia para a teologia e a natureza para a graça.”
Etienne Gilson

“Como é meu intento escrever coisa útil para os que se interessarem, pareceu-me mais conveniente procurar a verdade efetiva das coisas, do que pelo que delas se possa imaginar. E muita gente imaginou repúblicas e principados que nunca se viram nem jamais foram reconhecidos como verdadeiros.”
Maquiavel

“Nós temos por testemunho as seguintes verdades: todos os homens são iguais: foram aquinhoados pelo seu Criador com certos direitos inalienáveis e entre esses direitos se encontram o da vida, da liberdade e da busca da felicidade.
Os governos são estabelecidos pelos homens para garantir esses direitos, e seu justo poder emana do consentimento dos governados.
Todas as vezes que uma forma de governo torna-se destrutiva desses objetivos, o povo tem o direito de muda-lo ou de aboli-lo, e sobre a forma que lhe pareça a mais própria para garantir-lhe a segurança e a felicidade.”
Trecho da Declaração de Independência dos Estados Unidos, de 1776.

“Todos os homens têm igual direito à satisfação das suas necessidades e ao usufruto de todos os bens da natureza, e a sociedade deve consolidar esta igualdade.”
Babeuf

“Os filósofos não têm feito senão interpretar o mundo de diferentes maneiras: o que importa é transformá-lo.”
Karl Marx

“Ó minha alma, não aspires à vida imortal, mas esgota o campo do possível.”
Píndaro

“Nunca há determinismo e nunca há escolha absoluta, nunca sou coisa e nunca sou consciência nua.”
Merleau-Ponty

“Encontro pela vida milhões de corpo; desses milhões posso desejar centenas; mas dessas centenas, amo apenas um. O outro pelo qual estou apaixonado me designa a especialidade do meu desejo.”
Roland Barthes

“A chama é a parte mais sutil do fogo, e se eleva em figura piramidal. O fogo original e primordial, a sexualidade, levanta a chama vermelha do erotismo e esta, por sua vez, sustenta outra chama, azul e trêmula: a do amor.
Erotismo e amor: a dupla chama da vida.”
Octavio Paz

“A arte é uma série de objetos que provocam emoções poéticas”
Le Corbusier

“Entender a ideia de uma obra de arte é mais como ter uma nova experiência do que como admitir uma nova proposição.”
Suzanne Langer
“O verdadeiro homem é aquele que vive a vida de seu tempo. A matéria da reflexão moral é o jornal, a rua, a batalha do dia-a-dia.”
Frédéric Rauh








TEXTO: BRIGAS ENTRE MENINOS E MENINAS - ANNA FLORA - COM GABARITO

Texto: Brigas entre meninos e meninas

        Cheguei no campinho. Alguns não disseram nada, outros tentaram me impedir.
        — Menina não entra!
        — Não entra pra competir! — disse olhando firme.
        — Mas pra assistir ninguém me falou nada.
        Eles pareciam meio sem saber o que fazer e resolveram me deixar ficar. Eu prestava muita atenção no jeito do Zé Miguel jogar: ele era canhoto e tinha uma esquerda incrível! O estilingue ficava meio torto, parecia que não ia acertar, mas a mamona voava... ziiiimmmm!! Batia em cheio no alvo.
        — Ele é bom pra burro!! Comentei baixinho.
        As regras eram assim: os dois concorrentes ficavam atirando durante meia hora. Quem acertasse mais, vencia. Faltava só dez minutos pra acabar a partida final e o Zé Miguel estava invicto, com cinco alvos na frente do Luiz Guilherme. É claro que ele venceu.
        Atravessei o campinho, cumprimentei Zé Miguel e falei:
        — Você quer competir comigo?
        — Com você? — e ele deu uma gargalhada.
        — Era só o que me faltava! Você é menina!
        — Menina não pode participar, mas o campeonato já acabou e eu estou propondo um desafio entre nós dois. Ele me olhou de alto a baixo com cara de deboche:
        — Eu estou meio cansado, mas mesmo assim eu topo. Dê dez minutos de descanso. Ficou um disse-que-disse imenso:
        — Mas como ela é cara de pau!
        — Tô pagando pra ver ...
        — Ela ganhou o ano passado, mas daquela vez o Zé estava viajando.
        Passou um tempinho. Fomos os dois, para o meio de campo. A turma fez um semicírculo. Todos na maior expectativa.
        — As regras são as mesmas: par ou ímpar para ver quem começa. Par!
        — Ímpar! — falou Zé Miguel.
        Ele começou. A mamona voou feito uma flecha no lugar exato.
        Fiz minha mira, mas estava tão nervosa que errei. Nos quinze primeiros minutos ele já estava três pontos na minha frente. Eu ouvia os comentários:
        — Ela vai se dar mal... bem que eu disse...
        — Bem feito! Quem manda enfrentar o mais forte!
        Foi aí que me deu um estalo: para que eu estava preocupada em vencer? — E falando pra mim mesma — o que eu quero é continuar na turma, não é ganhar do Zé Miguel!
        Por incrível que pareça ao perceber isso, fui ficando calma, relaxei o braço, dei uma esticada boa no estilingue e... Tooooiiimmmm!!!! Acertei em cheio.
        Depois de cinco minutos eu já estava empatada. Mais um pouco eu vencia de cinco a três. Todo mundo estava mudo.
        Quando faltava só um pouquinho pra acabar, eu já estava com sete na frente, cheguei pro Zé Miguel e falei:
        — Não quero mais!
        Depois desse dia, nenhum menino mais teve coragem de me dizer: “isso não é coisa pra mulher!”.

                                                Anna Flora — O louco do meu bairro
Entendendo o texto:

01 – A respeito do texto que você acabou de ler, pode-se dizer que se trata de:
a) uma biografia.
b) um conto.
c) uma lenda.
d) uma notícia.

02 – De acordo com a história, complete as lacunas. A história se passa em um campinho e quem narra é a menina.

03 – De acordo com o texto lido, pinte as características que se adequam à menina.
        Maldosa   Brava    Inteligente    Triste    Calma    Mentirosa    Corajosa    Chorona.

04 – Marque a alternativa que mostra qual era a intenção da menina ao propor o desafio.
a) Exibir-se para as outras meninas.
b) Continuar na turma do Zé Miguel.
c) Brigar com a turma.
d) Fazer uma competição.

05 – Os meninos da turma implantaram uma regra: menina não entra mais na brincadeira dos meninos. Esta é uma regra preconceituosa? Por quê?
      Sim. Porque eles achavam que aquela brincadeira era só pra meninos.

06 – Quem é o narrador da história? Como você descobriu?
      A menina. “Cheguei no campinho. Alguns não disseram nada, outros tentaram me impedir.”

07 – Leia o trecho abaixo e circule a resposta correta.
“... cheguei no campinho. Alguns não disseram nada, outros tentaram me impedir.”
Antes da palavra cheguei, qual pronome poderia ser utilizado?
        Ele      Eu      Tu.

08 – “Ele começou. A mamona voou feito uma flecha no lugar exato.”
No trecho acima, as palavras em destaque estão:
a) no tempo presente.
b) no passado.
c) no futuro e no passado.
d) nenhuma das alternativas anteriores.

09 – Leia o trecho abaixo com muita atenção:
        “— não entra pra competir! — disse olhando firme — mas pra assistir ninguém me falou nada.”

Escreva nas linhas abaixo.
a) Verbos que aparecem no trecho acima.
      Competir – assistir – entra – olhando – falou.

b) Pronomes.
      Ninguém – nada.




segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

MÚSICA: NINGUÉM = NINGUÉM - ENGENHEIROS DO HAWAII - COM QUESTÕES GABARITADAS

Música: Ninguém = Ninguém

                                Engenheiros do Hawaii

Há tantos quadros na parede
Há tantas formas de se ver o mesmo quadro
Há tanta gente pelas ruas
Há tantas ruas e nenhuma é igual a outra
Ninguém é igual a ninguém
Me espanta que tanta gente sinta
(Se é que sente) A mesma indiferença

Há tantos quadros na parede
Há tantas formas de se ver o mesmo quadro
Há palavras que nunca são ditas
Há muitas vozes repetindo a mesma frase:
Ninguém é igual a ninguém
Me espanta que tanta gente minta
(Descaradamente) a mesma mentira

Todos iguais, todos iguais
Mas uns mais iguais que os outros
Todos iguais, todos iguais
Mas uns mais iguais que os outros
Todos iguais, todos iguais
Mas uns mais iguais

Há pouca água e muita sede
Uma represa, um apartheid
(A vida seca, os olhos úmidos)

Entre duas pessoas
Entre quatro paredes
Tudo fica claro
Ninguém fica indiferente
Ninguém é igual a ninguém
Me assusta que justamente agora
Todo mundo (tanta gente) tenha ido embora

Todos iguais, todos iguais
Mas uns mais iguais que os outros
Todos iguais, todos iguais
Mas uns mais iguais que os outros
Todos iguais, todos iguais
Mas uns mais iguais, mas uns mais iguais, mas uns mais iguais
Que os outros

O que me encanta é que tanta gente
Sinta (se é que sente) ou
Minta (desesperadamente)
Da mesma forma

Todos iguais, todos iguais
Mas uns mais iguais que os outros
Todos iguais, todos iguais
Mas uns mais iguais que os outros
Todos iguais, todos iguais
Todos iguais, todos iguais

Tão desiguais, tão desiguais
Tão desiguais, tão desiguais

Todos iguais, todos iguais.
                                            Composição: Humberto Gessinger
Entendendo a canção:
01 – Leia a estrofe com atenção:
“Há tantos quadros na parede
Há tantas formas de se ver o mesmo quadro
Há tanta gente pelas ruas
Há tantas ruas e nenhuma é igual a outra
Ninguém é igual a ninguém.”

        O eu lírico do poema afirma que nada precisa ser igual, no entanto podemos perceber que quando algo ou alguém é diferente sofre com o preconceito e com a discriminação. Na sua opinião, o que realmente é importante em uma pessoa?
      Resposta pessoal do aluno.

02 – Explique os versos: “Me encanta que tanta gente sinta / (se é que sente) a mesma indiferença.”
      Ele diz que a indiferença perturba, incomoda, já que provavelmente as pessoas nem sintam mesmo.

03 – Nos versos: “São tão iguais / E tão desiguais / Uns mais iguais que os outros”, percebe-se uma ironia. Qual é esta ironia?
      A ironia é dizer que uns são mais iguais a outros, pois se uns são mais, outros são menos iguais – ou mais diferentes.

04 – Nos versos: “Há pouca água e muita sede” / “(a vida seca os olhos úmidos)”, quais as figuras de linguagem que aparecem?
      “Há pouca água e muita sede” – Antítese.
      “... a vida seca os olhos úmidos” – Metáfora.

05 – No 2° verso da 4ª estrofe, o eu lírico faz uma referência ao romance “Vidas secas” de Graciliano Ramos, e um jogo de palavra entre represa e apartheid (separação). O que ele quis dizer?
      Quer dizer que tanto a represa quanto o apartheid servem para SEPARAR – água ou pessoas. E já que se fala da represa, nada como citar o romance de Graciliano Ramos (Vidas Secas) como fonte de tristeza, que umedece os olhos – o que umedece os olhos numa vida seca.

06 – Em que estrofe o eu lírico ironiza o comportamento dissimulado do ser humano, em relação ao preconceito e a discriminação?
      Na 9ª estrofe: “Tão desiguais, tão desiguais / Tão desiguais, tão desiguais”.

MENSAGEM ESPÍRITA: CONVITE À PACIÊNCIA - JOANNA DE ÂNGELIS- O LIVRO DOS ESPÍRITOS - SOBRE OS ESPÍRITOS MUNDO NORMAL PRIMITIVO - PARA REFLEXÃO

Mensagem: Convite à Paciência


                                               Joanna de Ângelis
         “... Em muita paciência, em aflições, em necessidades, em angústias.” (2ª Epístola aos Coríntios: capítulo 6º, versículo 4).

        Antiga lenda nórdica narra que alguém perguntou a um sábio como poderia ele explicar a eternidade do tempo e do espaço.
        O missionário meditou, e apontando colossal montanha de granito que desafiava as alturas, respondeu com simplicidade: 
        “Suponhamos que uma avezita se proponha a desbastar a rocha imponente, paulatina, insistentemente, atritando o bico de encontro à pedra. 
           Quando houver destruído tudo, estará apenas iniciando a eternidade...”
      A paciência é o fator que representa, de maneira mais eficiente, o equilíbrio do homem que se candidata a qualquer mister.
        Fácil é o entusiasmo do primeiro impulso, comum é o desencanto da terceira hora.
        A paciência é a medida metódica e eficaz que ensina a produzir no momento exato a tarefa correta.
      Diante do que devemos fazer, não poucas vezes somos acionados pelos implementos da precipitação.
    Frente às tarefas acumuladas e aos problemas, indispensável façamos demorado exame e cuidada reflexão antes de apressar atitudes.
   Precipitação traduz desarmonia, perturbação, com agravante desconsideração ao tempo.
        A paciência significa autoconfiança.
        A pirâmide se ergueu bloco a bloco.
       As construções grandiosas resultaram da colocação de peça sobre peça.
        As gigantescas sequoias se desenvolveram célula a célula.
      O que hoje não consigas, perseverando com dignidade e paciência, lograrás amanhã.
     Paciência não quer dizer amolentamento, mas dinâmica eficiente e nobre de produzir diante dos deveres que nos competem desdobrar.
        Ao lado de alguém que nos subestima — paciência.
        Entre as dores que nos chegam — paciência.
        Ante o rebelde que nos atormenta — paciência.
      O tempo é mestre eficiente que a todos ensina, no momento próprio, com a lição exata plasmando o de que cada um necessita a benefício de si mesmo.
   Jesus, acompanhando e inspirando o progresso da Terra, pacientemente espera que o homem se volte para Ele, a fim de que, encarregado da nossa felicidade, possa dirigir-nos pelo caminho que leva a Deus. 
        Em qualquer circunstância, pois, paz e paciência para o êxito do empreendimento encetado.
FRANCO, Divaldo Pereira pelo Espírito Joanna de Ângelis.
Convites da vida, Cap. 34, p .29-30, 1972.

Mensagens Espírita: O livro dos Espíritos
ALLAN KARDEC – Tradução Matheus R. Camargo
Perguntas e respostas
                      Livro Segundo
MUNDO ESPÍRITA OU DOS ESPÍRITOS
                       Capítulo I
        SOBRE OS ESPÍRITOS
MUNDO NORMAL PRIMITIVO

84 – Os Espíritos constituem um mundo à parte, fora daquele que vemos?
      -- Sim, o mundo dos Espíritos ou das inteligências incorpóreas.

85 – Qual dos dois, o mundo espírita ou o mundo corporal, é o principal na ordem das coisas?
      -- O mundo espírita; ele é preexistente e sobrevivente a tudo.

86 – O mundo corporal poderia deixar de existir, ou jamais ter existido, sem alterar a essência do mundo espírita?
      -- Sim, eles são independentes e, no entanto, sua correlação é incessante, pois reagem incessantemente um sobre o outro.

87 – Os Espíritos ocupam uma região determinada e circunscrita no espaço?
      -- Os Espíritos estão em toda parte; povoam infinitamente os espaços infinitos. Há aqueles que estão continuamente ao vosso lado, observando-vos e agindo sobre vós, sem que o saibais, pois os Espíritos são uma das forças da natureza e os instrumentos de que Deus se serve para o cumprimento de Seus desígnios providenciais. Mas nem todos vão a toda parte, pois há regiões interditadas aos menos avançados.

DIÁRIO: O PRIMEIRO BEIJO - EDSON GABRIEL GARCIA - COM QUESTÕES GABARITADAS

DIÁRIO: O primeiro beijo

        Querido diário

        Ontem fui à festa de aniversário da Adriana, um barato. Uma delícia. Mas por pouco eu não vou. Sabe por quê? Te conto logo: minha mãe disse que não tinha grana para comprar presente. Eu bati o pé, sem presente jamais. Já pensou eu chegando, todo mundo olhando a minha cara limpa e as mãos abanando, mais limpas ainda!? Não e não. Por fim ela deu um jeito e comprou um presente. Mixuruquinha, é verdade, mas comprou. Bem, sabe quem estava por lá? Sabe quem? Ele mesmo, o Fabi. Mas não foi surpresa, não. Eu sabia que ele iria, pois, afinal, a Adriana é amiga dele. Ele sabia, também, que eu iria. Assim que eu cheguei, ele já estava lá, sentado num banco de madeira na frente da casa, e logo veio conversar comigo. Primeiro conversamos sobre roupa. O Fabi elogiou meu vestido amarelo, pobre vestido. Parecia novo mas não era e, ainda por cima, era reformado. Eu queria mesmo é que ele reparasse no meu rosto e na minha boca. No rosto tinha um pó suave que minha irmã disse que veio de contrabando e nos lábios um batom delicado emprestado da minha mãe. O batom era enfeite para esperar o beijo. Mas o Fabi parece que não entende dessas coisas e do vestido ele pulou para a escola, da escola mudou para cinema, daí para a praia e não parou mais. Nós dançamos tudo que tivemos direito: música nova, pesada, música romântica, antiga, trilha de novela, o diabo. Mas o beijo não veio, estava cheinho de gente e gente que bota reparo em tudo. A certa hora, a festa quase acabando, muita gente tinha ido embora, a Adriana chamou nós dois pra ver os presentes dela. Fomos até o quarto para ver o que ela ia mostrando, apontando, manuseando. Uns dois minutos depois, a mãe chamou-a para resolver qualquer coisa e lá foi ela. Ficamos só nós dois. Eu senti que era chegado o momento, a hora do beijo. Olhei pro Fabi e ele pra mim. O tempo era pequeno, mas a vontade era muito grande, quase não cabia ali no quarto. Só nós dois, as duas mãos dadas, os corpos um de frente para o outro. Eu fechei os olhos e esperei, de batom novo, um primeiro e gostoso beijo...Mas, querido diário, amigo solitário, em vez do beijo eu senti e ouvi a voz ranzinza da mãe da Adriana: “Na minha casa não! Se vocês querem aprontar, por favor, façam isso lá fora, fora da minha casa...ou melhor, façam na casa de vocês!” Onde já se viu! Ela quase nos expulsou da casa dela. Tem cada adulto neste mundo que eu vou te contar. Será que ela nunca beijou? Depois dessa, ela não desgrudou da gente, não saiu mais de perto, e lá se foi meu beijo pro espaço. Pouco depois, meu pai passou por lá e me levou embora. Quando ele perguntou se eu tinha gostado da festa, na mesma hora eu respondi: “Quase!”. Ele não entendeu como é que uma pessoa pode “quase” gostar de uma festa, mas eu não tinha jeito nem coragem para explicar, e a conversa sobre a festa acabou por aí mesmo. E eu acabo por aqui, agora.
                        Beijos.
Biloca
Entendendo o texto:
01 – Onde se passa a situação narrada por Biloca?
      Na festa de aniversário na casa de Adriana, amiga de Biloca.

02 – Por que Biloca fazia questão de levar um presente, ainda que “mixuruquinha”?
      Ela achava que todo mundo iria notar que ela estava sem o presente, e se sentiria mal com isso.

03 – O que Biloca esperava que acontecesse na festa?
      Ela esperava que o Fabi lhe desse um beijo.

04 – Usando o foco narrativo em 1ª pessoa, o personagem-narrador fica livre para expor os seus pensamentos. O que Biloca comenta a respeito do fato de Fabi parecer não ter reparado na sua maquilagem?
      Comenta que ele parecia não entender nada dessas coisas.

05 – Biloca achou que enquanto dançava com Fabi o beijo viria, mas frustrou-se. Que trecho do texto demonstra isso? Como ela justifica o fato de o beijo não acontecer?
      O trecho é: “Nós dançamos tudo que tivemos direito... Mas o beijo não veio...”. A justificativa que ela dá é que havia muita gente que ficava observando tudo.

06 – Em que outro momento surgiu a oportunidade de o beijo acontecer?
      No quarto, quando Adriana convidou Biloca e Fabi para ver os presentes: a mãe de Adriana chamou-a e os dois ficaram sozinhos.

07 – Como seria de esperar, no texto do diário de uma jovem, o autor recorre a expressões da linguagem coloquial. Procure exemplos dessas expressões.
      “Um barato”; “Te conto”; “não tinha grana”; “gente que bota reparo”; “Olhei pro Fabi”; “Tem cada adulto”; “não desgrudou da gente”; “lá se foi meu beijo pro espaço”; etc.