sexta-feira, 12 de junho de 2026

NOTÍCIA: MÔNICA TORRES ACHARÁ TODO MUNDO "GENTINHA" EM NOVELA - COM GABARITO

 Notícia: Mônica Torres achará todo mundo “gentinha” em novela

 

        A atriz Mônica Torres começa nos próximos dias a preparação para a nova novela da Record, Ribeirão do Tempo.

Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEh4ZhH6-8yNGg8KY-P2-HqTtoO3IjHUfdFfWiLFx7M7YTGKpmqGo847gv4mpfKhlEWZ81dYogr965dV54XTFTT_wwmPG6mAfh_d6i98dH81PV-xctEeuwdWCaYmBtWarNDB60KY9onn9hQ3wt5R7g_3L1HCGmRzijSEfuULGvf-_Bj66X_LMJrXsBnbXmU/s1600/images.png 


        Ela será uma ex-modelo e proprietária da butique mais luxuosa da cidadezinha que empresta seu nome à trama.

        -- A Célia vai morar em Ribeirão do Tempo contrariada. Ela está acostumada com o glamour das grandes cidades. Vai contrariada por conta do marido e vai achar todo mundo ‘gentinha’.

http://entretenimento.r7.com.

 

Entendendo a notícia:

01 – O uso do diminutivo na palavra ‘gentinha’ no texto significa que:

(A) a personagem dará às pessoas um tratamento carinhoso. 

(B) as pessoas da novela vivem em uma cidade pequena.

(C) a atriz compara as pessoas da cidade à sua butique luxuosa. 

(D) a personagem desconsidera as pessoas da cidadezinha.

02 – De acordo com o texto, qual é o principal motivo para a insatisfação da personagem Célia ao mudar-se para Ribeirão do Tempo?

      O motivo de sua insatisfação é o choque cultural e de estilo de vida. Célia é uma ex-modelo acostumada ao luxo e ao agito das grandes metrópoles, e se muda para uma cidade pequena de forma contrariada, apenas para acompanhar o marido.

03 – A notícia menciona que Célia será proprietária da "butique mais luxuosa da cidadezinha". Como essa informação ajuda a construir o perfil socioeconômico da personagem?

      Essa informação reforça o perfil elitista e vaidoso de Célia. Ser dona do estabelecimento mais caro e exclusivo da região mostra que ela faz questão de manter seu status de poder, riqueza e ligação com o mundo da moda, mesmo estando fora de uma grande capital.

04 – Qual elemento do texto indica que os fatos narrados na notícia ainda iriam acontecer no momento em que ela foi publicada?

      O uso dos verbos no futuro do presente ("começa nos próximos dias", "ela será", "vai morar", "vai achar") deixa claro que a novela ainda estava em fase de pré-produção e que a atriz ainda iniciaria a preparação para o papel.

05 – No trecho "-- A Célia vai morar em Ribeirão do Tempo contrariada...", o uso do travessão introduz a fala de quem? O que essa fala acrescenta à notícia?

      O travessão introduz a fala da própria atriz (Mônica Torres) ou de alguém diretamente ligado à produção (como o autor ou diretor). Essa fala acrescenta a voz de quem conhece a fundo a psicologia da personagem, antecipando para o público o temperamento arrogante e os conflitos que Célia trará para a trama.

 

 

POEMA: CAVERNA - ROSEANA MURRAY - COM GABARITO

 Poema: Caverna

       Roseana Murray

 

Houve um dia,

no começo do mundo

em que o homem

ainda não sabia

construir sua casa.

 

Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEipywfMwZckGVNnyvkt7CSSc7NfCQUUB0g0W3lNYmmfgZdar9Gman7jENCc32-vfy6um-EJoLumXhyphenhyphenOWBnH1P4dxw24t5U9XnRyBcUYy5ddWlHCcej9vqlMhwZKY5_Ap9ZvjSsgzDj3GQt9Ch656zbGsTRfsE_4e9ujL1Zc2JtuyJxCrQjjVz8Zt9wcq-4/s320/images.jpg 

Então disputava

a caverna com bichos

e era aí sua morada.

 

Deixou para nós

seus sinais,

desenhos desse mundo

muito antigo.

 

Animais, caçadas, danças,

misteriosos rituais.

 

Que sinais

deixaremos nós

para o homem do futuro?

                     Roseana Murray. Casas. Belo Horizonte: Formato, 2004.

Entendendo o poema:

01 – No último verso da segunda estrofe: “e era aí sua morada”, a expressão em destaque pode ser substituída por: 

(A) sua casa.  

(B) o homem.  

(C) do mundo.  

(D) com bichos.

02 – De acordo com a terceira e a quarta estrofe, de que forma os homens do começo do mundo se comunicaram com as gerações futuras?

      Eles se comunicaram através de pinturas rupestres ("deixou para nós seus sinais, desenhos desse mundo muito antigo"). Esses registros retratavam o cotidiano deles, como os animais da época, as estratégias de caça, suas danças e os rituais religiosos ou misteriosos que realizavam.

03 – O que a disputa da caverna "com bichos" (segunda estrofe) revela sobre a relação entre o homem primitivo e a natureza?

      Revela uma relação de igualdade na luta pela sobrevivência. Como o homem ainda não dominava a tecnologia de construção, ele não estava no topo da cadeia de forma soberana; ele precisava competir diretamente com os animais selvagens pelo mesmo espaço físico de proteção contra o clima e predadores.

04 – O poema faz uma transição temporal ao longo de suas estrofes. Como essa linha do tempo está organizada no texto?

      O poema começa no passado remoto ("no começo do mundo", "mundo muito antigo"), passa pelo nosso presente ao analisar os sinais que recebemos ("deixou para nós") e termina projetando o futuro ("para o homem do futuro"), criando uma linha de continuidade da história humana.

05 – Qual a principal reflexão ou provocação que a autora faz na última estrofe do poema?

      A autora faz uma provocação filosófica e ecológica. Ela nos questiona sobre o legado da nossa sociedade atual. Enquanto os homens primitivos deixaram registros de arte, conexão com a natureza e rituais, ela nos faz pensar se nós deixaremos coisas positivas ou se deixaremos destruição, poluição e ruínas para as próximas gerações.

06 – O poema faz parte de um livro chamado "Casas". Como o conceito de "casa" evoluiu do início do texto até os dias de hoje, com base na leitura?

      No início do texto, "casa" era um elemento puramente biológico e de sobrevivência, um refúgio natural (a caverna) disputado com animais. Hoje, a casa é algo que o homem aprendeu a construir, transformando-se em um espaço cultural, tecnológico e social. No entanto, a última estrofe sugere que o nosso conceito atual de "construir" e habitar o planeta pode estar deixando marcas preocupantes para o futuro.

 

 

POEMA: A LUA NO CINEMA - PAULO LEMINSKI - COM GABARITO

 Poema: A LUA NO CINEMA

           Paulo Leminski

A lua foi ao cinema,

passava um filme engraçado,

a história de uma estrela

que não tinha namorado.

 

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEir_lS8LiIlt66-R6dK57yCsQIhyphenhyphenFDFmu51PqsSNxvHA9wZpptcqvDGd4lWdTeN5nsqQvNGP52rOR1I5GaZA4COSwJHoMSPxlZBeVyTOWFKOSrVbsbexkbg-Aac7fDRPQP604_YuPH3tcC1OHtUDrvyRS4WItZQxVO2ZaoDhsJu9FuyES8mmxP1nfXksR0/s320/images.jpg

Não tinha porque era apenas

uma estrela bem pequena,

dessas que, quando apagam,

ninguém vai dizer, que pena!

 

Era uma estrela sozinha,

ninguém olhava pra ela,

e toda a luz que ela tinha

cabia numa janela.

 

A lua ficou tão triste

com aquela história de amor,

que até hoje a lua insiste:

– Amanheça, por favor!

 

Paulo Leminski. Distraídos venceremos. São Paulo, Brasiliense, 1993.

 

Entendendo o poema:

01 – Nos versos “Não tinha porque era apenas / uma estrela bem pequena” da segunda estrofe do poema, o uso da palavra “porque” introduz:

(A) a causa de não ter namorado.  

(B) uma oposição a um filme engraçado.

(C) a consequência de uma história de amor.  

(D) uma comparação do tamanho da estrela com a intensidade da luz.

 

02 – Este poema:

(A) explica o nascimento do cinema.  

(B) faz a propaganda de um filme engraçado.

(C) apresenta as características de uma lua solitária. 

(D) conta a história de uma estrela que não tinha namorado.

 

03 – No último verso, a lua exclama: "– Amanheça, por favor!". O que motivou esse pedido da lua?

      O pedido foi motivado pela profunda tristeza e empatia que a lua sentiu ao assistir à história da estrela solitária. Ela ficou tão abalada com o "filme" que desejou que a noite acabasse logo para deixar de pensar naquilo.

 

04 – A segunda estrofe diz que, se a estrela se apagasse, "ninguém vai dizer, que pena!". O que esses versos revelam sobre a importância da estrela no contexto do poema?

      Revelam que a estrela era considerada irrelevante ou invisível para os outros. O autor enfatiza a solidão extrema da personagem, sugerindo que sua existência não fazia diferença para o restante do universo.

 

05 – Como o espaço ocupado pela luz da estrela (mencionado na terceira estrofe) reforça a ideia de solidão?

      Ao dizer que a luz "cabia numa janela", o poema mostra que o brilho da estrela era muito limitado e pequeno. Isso reforça a ideia de que ela vivia em um mundo restrito, onde ninguém a notava, contrastando com a grandiosidade comum que se espera dos astros celestes.

 

06 – O poema de Leminski utiliza um recurso chamado personificação (ou prosopopeia). Identifique dois exemplos desse recurso no texto.

      Exemplos de personificação incluem a lua "ir ao cinema" e a lua "ficar triste" ou "insistir" em um pedido. Ao atribuir ações e sentimentos humanos a astros celestes, o autor cria uma narrativa lúdica e sensível.

 

NOTÍCIA: CÃES FORAM DOMESTICADOS NA CHINA HÁ 16 MIL ANOS - REVISTA ÉPOCA - COM GABARITO

 Notícia: Cães foram domesticados na China há 16 mil anos

 

        Estudo publicado esta semana no periódico científico Molecular Biology and Evolution afirma ter descoberto o local e o tempo exatos em que os cachorros foram incorporados à sociedade humana. Sabia-se, antes, que a domesticação dos cães ocorrera no leste da Ásia, mas nunca um lugar preciso havia sido apontado.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhcxO-8ygvyrRg3FtSuaRRYS_mkIll_-ex5UFVOOxP5mA3-_Mr1ngyM-y5MsKwMwIgIM4NWErU2nM0qRVMhnKGDAfu2Ms1ehQM5IMrolnSYTfikElyT5MiqE5biYOytWliwZHtT42XcGLLu8LvVhXVIyWZxyUhW00WAnoToQqzw0KqdMPMsxDBgLTMsCjU/s320/domesticacao-de-animais.jpg


        Segundo os pesquisadores, os cachorros apareceram há menos de 16 mil anos, ao sul do rio Yangtze, na China. Os resultados da pesquisa também afirmam que, embora tenham uma origem geográfica única, os cães descendem de um "grande número de animais – pelo menos algumas centenas de lobos domesticados".

 http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI91056-15224,00 CAES+FORAM+DOMESTICADOS+NA+CHINA+HA+MIL+ANOS.html.

 

Entendendo a notícia:

01 – Segundo o texto, o aparecimento dos cães:

(A) ocorreu precisamente no leste da Ásia.   

(B) não teve local definido.      

(C) ocorreu ao sul de um rio chinês.                

(D) não teve origem no mesmo lugar.

 

02 – O que a pesquisa publicada no periódico Molecular Biology and Evolution trouxe de novidade em relação ao que a ciência já sabia sobre a domesticação dos cães?

      A novidade foi a descoberta do local e do tempo exatos da domesticação. Antes, a ciência sabia apenas, de forma generalizada, que o processo tinha ocorrido no leste da Ásia, mas não conseguia apontar um ponto geográfico e um período precisos.

 

03 – A partir de quais animais os cães modernos se originaram, segundo os resultados apresentados na notícia? E quantos, aproximadamente, foram necessários?

      Os cães modernos descendem de lobos domesticados. De acordo com os pesquisadores, o processo envolveu um "grande número de animais", estimando-se pelo menos algumas centenas de lobos.

 

04 – No trecho "Estudo publicado esta semana no periódico científico...", a expressão "esta semana" funciona como um marcador de tempo. Por que esse tipo de recurso é importante em um texto jornalístico (notícia)?

      Esse recurso serve para indicar a atualidade e o imediatismo do fato. O objetivo é mostrar ao leitor que a descoberta científica é recente, uma novidade fresca, o que é uma das principais características do gênero textual "notícia".

 

05 – Com base no texto, explique por que a expressão "origem geográfica única" não significa que os cães descendem de um único casal de animais.

      Porque a expressão "origem geográfica única" refere-se apenas ao lugar onde a domesticação aconteceu (ao sul do rio Yangtze). O próprio texto esclarece que, apesar de terem surgido na mesma região, os cães descendem de uma população diversa, composta por centenas de lobos domesticados.

 

 

CONTO: BOM TEMPO, SEM TEMPO - CARLOS DRUMMOND ANDRADE - COM GABARITO

 Conto: Bom tempo, sem tempo

           Carlos Drummond de Andrade

 

        Não chovia, meses a fio. Ou chovia demais. As plantas secavam, os animais morriam, os moradores emigravam. As plantas submergiam, os animais morriam, as pessoas não tinham tempo de emigrar. Assim era a vida naquele lugar privilegiado, onde medrava tudo para todos, havendo bom tempo. Mas não havia bom tempo. Havia o exagero dos elementos.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjAguKATKgc845IzYKoi1Qi1HOnnAh6wAnRGTP6FszVRV4gf1XJ5ZOq7UyuKQI1BJPpwiXmpFOVyS7IPTIT-SRfBHvRImwVA_Nx-doCUS6H2WNFe4wyYl1lO2xchVxyI7mgoBR5J0RoXTz0uIkYiBYdj75r-D8qy3UDoaR0BMW-ob1HGvbDlyazwgGudPE/s320/images.jpg


        O mágico chegou para reorganizar a vida, e mandou que as chuvas cessassem. Cessaram. Ordenou que a seca findasse. Findou. Sobreveio um tempo temperado, ameno, bom para tudo, e os moradores estranharam. Assim também não é possível, diziam. Podemos fazer tantas coisas boas ao mesmo tempo que não há tempo para fazê-las. Antes, quando estiava ou chovia um pouco - isto é, no intervalo das grandes enchentes ou das grandes secas -, a gente aproveitava para fazer alguma coisa. Se o sol abrasava, podíamos fugir. Se a água vinha em catadupa, os que escapavam tinham o que contar. Quem voltasse do êxodo vinha de alma nova. Quem sobrevivesse à enchente era proclamado herói. Mas agora, tudo normal, como aproveitar tantas condições estupendas, se não temos capacidade para isto?

        Queriam linchar o mágico, mas ele fugiu a toda.

 ANDRADE, Carlos Drummond de. Contos plausíveis. São Paulo, Record: 2006.

 

Entendendo o conto:

01 – De acordo com o texto, qual o significado das palavras abaixo:

-- Catadupa – cachoeira.

-- Êxodo – emigração de todo um povo ou saída de pessoas em massa.

02 – O fato que motiva a história é:

(A) a chegada do mágico.          

(B) a falta de chuva.

(C) a chuva muito frequente.      

(D) o mágico fugir correndo.

03 – No primeiro parágrafo, o narrador afirma que aquele era um "lugar privilegiado", mas logo em seguida se contradiz. Que figura de linguagem predomina nessa descrição e qual é a verdadeira situação do lugar?

      Predomina a ironia. O narrador chama o lugar de "privilegiado" e diz que lá "medrava tudo para todos, havendo bom tempo", mas imediatamente revela a dura realidade: nunca havia bom tempo, apenas o "exagero dos elementos" (ou seca extrema ou chuva destrutiva).

04 – Por que os moradores estranharam e rejeitaram o "tempo temperado e ameno" trazido pelo mágico?

      Porque a normalidade e a abundância de condições favoráveis paralisaram os moradores. Eles estavam tão acostumados a viver no limite da sobrevivência (fugindo da seca ou resistindo às enchentes) que não sabiam como agir ou o que fazer quando tudo estava perfeito. A falta de dificuldades tirou deles o senso de propósito e de heroísmo.

05 – De acordo com o desabafo dos moradores, quais eram as "vantagens" que eles viam nos tempos de tragédia climática (seca e enchente)?

      Eles viam vantagens emocionais e sociais: a seca permitia a experiência do êxodo, fazendo com que as pessoas voltassem "de alma nova"; já as enchentes davam a oportunidade de os sobreviventes serem "proclamados heróis" e terem histórias impactantes para contar.

06 – O que o desfecho do conto — com os moradores querendo linchar o mágico — sugere sobre a natureza humana?

      Sugere que o ser humano muitas vezes se acomoda ao sofrimento e à rotina do caos, desenvolvendo uma incapacidade de lidar com a perfeição, com a paz ou com a facilidade. A crônica de Drummond satiriza a tendência humana de reclamar de qualquer situação, mostrando que nem mesmo a solução exata para os problemas (o clima perfeito) foi capaz de satisfazer aquela população.

 

 

quinta-feira, 11 de junho de 2026

CONTO: AQUELE ESTRANHO ANIMAL - MÁRIO QUINTANA - ALMANAQUE DO CORREIO - COM GABARITO

 Conto: AQUELE ESTRANHO ANIMAL

        Os de Alegrete dizem que o causo se deu em Itaqui, os de Itaqui dizem que foi no Alegrete, outros juram que só poderia ter acontecido em Uruguaiana. Eu não afirmo nada: sou neutro.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhCxNJy7cPVNKzeiD-1IqK8_56grMwTpHusAmV3OuCqdh8gWBAb3YNr_6-W_6YRulLxrKF6GZPdqHV6lSlPnTVoSFAHKOMESPaz9mEyUar21h3QZTS7oxX-Yteh_t2ExbRB2cNGLd96_P_SccvYqQTwZtGaF1f8LkOpTJKQCq662kuocYlP4ITJXZUfRes/s1600/CAVALO.jpg


        Mas, pelo que me contaram, o primeiro automóvel que apareceu entre aquela brava indiada, eles o mataram a pau, pensando que fosse um bicho. A história foi assim como já lhes conto, metade pelo que ouvi dizer, metade pelo que inventei, e a outra metade pelo que sucedeu às deveras. Viram? É uma história tão extraordinária mesmo que até tem três metades... Bem, deixemos de filosofança e vamos ao que importa. A coisa foi assim, como eu tinha começado a lhes contar.

        Ia um piazinho estrada fora no seu petiço – tropt, tropt, tropt – (este é o barulho do trote) – quando de repente ouviu – fufufupubum! fufufupubum chiiipum!

        E eis que a “coisa”, até então invisível, apontou por detrás de um capão, bufando que nem touro brigão, saltando que nem pipoca, chiando que nem chaleira derramada e largando fumo pelas ventas como a mula-sem-cabeça.

        “Minha Nossa Senhora!”

        O piazinho deu meia-volta e largou numa disparada louca rumo da cidade, com os olhos do tamanho de um pires e os dentes rilhando, mas bem cerrados para que o coração aos corcoveios não lhe saltasse pela boca.

        É claro que o petiço ganhou luz do bicho, pois no tempo dos primeiros autos, eles perdiam para qualquer matungo.

        Chegado que foi, o piazinho contou a história como pôde, mal-e-mal e depressa, que o tempo era pouco e não dava para maiores explicações, pois já se ouvia o barulho do bicho que se aproximava.

        Pois bem, minha gente: quando este apareceu na entrada da cidade, caiu aquele montão de povo em cima de!e, os homens uns com porretes, outros com garruchas que nem tinham tido tempo de carregar de pólvora, outros com boleadeiras, mas todos a pé, porque também nem houvera tempo para montar, e as mulheres umas empunhando as suas vassouras, outras as suas pás de mexer marmelada, e os guris, de longe, se divertindo com os seus bodoques, cujos tiros iam acertar em cheio nas costas dos combatentes. E tudo abaixo de gritos e pragas que nem lhes posso repetir aqui.

        Até que enfim houve uma pausa para respiração.

        O povo se afastou, resfolegante, e abriu-se uma clareira, no meio da qual se viu o auto emborcado, amassado, quebrado, escangalhado, e não digo que morto, porque as rodas ainda giravam no ar, nos últimos transes de uma teimosa agonia. E quando as rodas pararam, as pobres, eis que o motorista, milagrosamente salvo, saiu penosamente engatinhando de seu ex-automóvel.

        – A la pucha! – exclamou então um guasca, entre espantado e penalizado – o animal deu cria!

 Mário Quintana, Almanaque do Correio do Povo, Porto Alegre, 1971, p. 246.

 

Entendendo o conto:

01 – De acordo com o texto, qual o significado das palavras abaixo:

Indiada – grupo de gaúchos

Às deveras – verdadeiramente

Filosofança – filosofia

Piazinho – menino pequeno

Petiço – cavalo pequeno

Capão – porção de mato isolado

Rilhar – ranger

Corcoveios – batimentos fortes – sobressaltado

Matungo – cavalo velho

Boleadeiras – aparelho usado pelos campeiros para laçar animais

A la pucha – expressão que denota surpresa

Guasca – caipira do Rio Grande do Sul

Refoligar – tomar fôlego

02 – A história narrada pelo Mario Quintana é realmente extraordinária. No primeiro parágrafo do texto ele:

A) Questiona a autoria do acontecimento.

B) Desmerece a importância da história.

C) Comprova a autenticidade dos fatos.

D) Sugere a insignificância da origem do “causo”.  

03 – O provérbio que se aplica ao primeiro parágrafo é:

A) “Quem conta um conto aumenta um ponto”

B) “Filho feio não tem pai”.

C) “Nos menores frascos estão os melhores perfumes”

D) “Nem tudo o que reluz é ouro”.                                        

 

04 – “E eis que a “coisa”, até então invisível, apontou por detrás de um capão, bufando que nem touro brigão”. A palavra “coisa” está relacionada a:

A) mistério

B) perigo

C) preocupação

D) vingança.

05 – Retire do texto a passagem que faz referência à velocidade do carro.

      “É claro que o petiço ganhou luz do bicho, pois no tempo dos primeiros autos, eles perdiam para qualquer matungo.”

06 – “Chegado que foi, o piazinho contou a história como pôde...”. A parte destacada expressa circunstância de:

A) causa

B) finalidade

C) consequência

D) tempo.                                          

07 – “Pois bem, minha gente: ... caiu aquele montão de povo em cima dele...”. Para o leitor de hoje, a cena de ataque ao “bicho” é:

A) Cruel

B) Humorística

C) Precipitada

D) Agressiva.

08 – “E tudo abaixo de gritos e pragas que nem lhes posso repetir aqui”. O que leva o narrador a omitir o conteúdo dos gritos e das pragas?

      Por cortesia e ética com os leitores.

09 – A exclamação feita por um guasca, no final, é incoerente com os fatos narrados no texto. Essa é uma afirmativa. Justifique:

      Falsa. Os fatos narrados falam do carro como se fosse bicho. E

Bicho dá cria.

10 – Prosopopeia ou personificação é um recurso que consiste em atribuir vida, ação, voz e movimento a seres inanimados, irracionais ou mortos. Retire do texto uma passagem em que ocorreu uma prosopopeia.

      Sugestão: “bufando que nem touro brigão...” / “largando fumo pelas ventas...”

11 – De acordo com o texto, escreva V para as afirmativas verdadeiras e F para as afirmativas falsas.

(V) O desenvolvimento tecnológico pode gerar estranheza.

(V) A evolução científica e tecnológica pode explicar inúmeras situações misteriosas.

(F) O progresso chega a todos os lugares ao mesmo tempo.

 

NOTÍCIA: VÊNUS - ALMANAQUE RECREIO - COM GABARITO

 Notícia: Vênus

        Depois de Mercúrio, é o planeta mais perto do Sol. Seu ano dura 225 dias. Vênus tem duas coisas curiosas. A primeira é que gira no mesmo sentido que os ponteiros de relógio. Apenas ele e Urano fazem isso. Os outros planetas giram no sentido anti-horário. 

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEglIwyflfTSaUQbBi9rJLqV2aYsTZNNFqdOk1NYN4_Fhx_s8ntqhNGncH8RKPxNEzzCJQJR-TpMatrC-Hw7uQNC6SWlypioddgUXkSDD9zWRL3YuyJZB6OqTJwBFfLS5OQQUGNlMku9NNWxRPMcxKPZ33Mw3AV5MS9YRhMcU4UmPW5LcIg-iKnjdFDQzP0/s1600/images.jpg


Além disso, o dia de Vênus é muito comprido: em vez de 24 horas, dura 5.800 horas! Os cientistas acham que Vênus pode ter dado uma batida monumental com algum asteroide, há milhões de anos. Por isso, ele anda de ré em volta do Sol e quase não gira em torno de si mesmo.

        Vênus é também muito quente. A temperatura no planeta é de cerca de 500 graus centígrados, calor suficiente para derreter uma barra de chumbo, por exemplo.

Almanaque Recreio. São Paulo: Editora Abril, 2003.

Entendendo a notícia:

01 – Quais as duas características curiosas a respeito do planeta Vênus?
(A) Ele gira no sentido anti-horário e seu dia é comprido.
(B) Ele gira no sentido do relógio e seu dia é curto.
(C) Ele gira no sentido anti-horário e o seu dia é curto.
(D) Ele gira no sentido do relógio e seu dia é comprido.

02 – Quais os fatores que levam os cientistas a pensarem que Vênus pode ter dado uma batida em algum asteroide?
(A) Seu clima quente e sua atmosfera espessa.
(B) Seu ar pesado e sua proximidade ao Sol.
(C) Seu dia curto e seu movimento anti-horário.
(D) Seu giro lento em torno de si e seu movimento horário.

03 – A expressão "uma batida monumental" significa uma batida
(A) muito forte.
(B) muito fraca.
(C) de leve.
(D) barulhenta.

04 – Vênus é um planeta mais quente do que a Terra porque
(A) depois de Mercúrio, é o planeta mais perto do Sol.
(B) seu dia é muito mais curto.
(C) seu ano dura 225 dias.
(D) anda de ré em volta do Sol.

05 – Qual a função do texto acima?
(A) Fazer uma propaganda de Vênus.
(B) Relatar acontecimentos ocorridos em Vênus.
(C) Narrar uma história sobre Vênus.
(D) Informar sobre o planeta Vênus.

CRÔNICA: NINHO DE CUCO - DILÉIA FRATE - COM GABARITO

 Crônica: Ninho de Cuco


        O cuco é o mais mafioso dos pássaros. Não gosta muito de trabalhar e adora ocupar o ninho dos outros.

Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEh8kSC3x3gmleMwwYGgUjGFrokcSMaTeyyiSMinSNdawkFaHYqgiXdueCFq3E42WBFiYK_ieosX-0ENZ_riIAZguz0ypUS8OBJ44UlZX5OdWlKiaL4kyI4D45ey0d_1-_HAtxODvb0aiMsKxLxdKq1nuTC8QSAsf6D7Y4Z8yYQDCafbwXLdR_TJSN8K51I/s320/CUCO.jpg 


        Foi assim que, um dia, um pardal muito bondoso, emprestou o seu ninho para o cuco e pediu que, em troca, ele ficasse por algumas horas tomando conta da ninhada toda.

        Saiu. Quando voltou, encontrou o cuco numa zorra danada, bagunçando seus ovinhos:

        -- Quer dizer que eu lhe empresto o ninho e você faz essa bagunça?

        Ao que o cuco respondeu:

        -- Eu estou retribuindo a sua hospitalidade. Nós, cucos, somos assim mesmo: só posso ser como sou.

        O pardal, cheio de raiva, deu uma bicada no cuco, que, ofendido, disse:

        -- Mas o que é isso, amigo?

        E o pardal respondeu:

        -- Essa bicada é tudo o que eu lhe posso dar, no momento. Sinto muito, mas nós, pardais, somos organizados, e você e seu ovinho vão ter que cair fora do meu ninho.

        E o cuco, bagunceiro, foi baixar noutro terreiro: mais precisamente no buraco vazio de um relógio, onde, desde então, dá duro para sobreviver trabalhando em turnos de meia hora.
Cuco-cuco-cuco!

FRATE, Diléia. Histórias para acordar. Companhia das Letrinhas.


Entendendo a crônica:


01 – "Mas o que é isso, amigo?". Na frase acima, a palavra grifada se refere ao:
(A) cuco.
(B) pardal.
(C) relógio.
(D) ovinho.

02 – Na frase "... encontrou o cuco numa zorra danada", a expressão grifada significa que o cuco estava:
(A) fazendo pouco barulho.
(B) dormindo profundamente.
(C) chocando os ovinhos.
(D) desorganizando o ninho.

03 – O título do texto é Ninho de Cuco porque:
(A) o cuco se aproveita do ninho dos outros pássaros.
(B) o cuco constrói seu próprio ninho.
(C) o pardal dá seu ninho para o cuco.
(D) dentro de um relógio há um ninho de cuco.

04 – O pardal brigou com o cuco porque o cuco:
(A) não gosta de trabalhar.
(B) abandonou o ninho do pardal e foi para o relógio.
(C) bicou o pardal.
(D) bagunçou o ninho do pardal.

05 – O que aconteceu ao cuco depois que foi expulso do ninho do pardal?
(A) Foi parar no terreiro.
(B) Foi para o seu ninho.
(C) Foi morar no relógio.
(D) Foi cantar no terreiro.

06 – Na frase "E o cuco, bagunceiro, foi baixar noutro terreiro: mais precisamente no buraco vazio de um relógio...", qual a função dos dois pontos?
(A) Finalizar uma frase.
(B) Introduzir uma explicação.
(C) Interromper a frase.
(D) Destacar uma expressão.

quarta-feira, 10 de junho de 2026

NOTÍCIA: VOCÊ VIU MARTE MAIS PERTO? ESTADINHO - COM GABARITO

 Notícia: Você viu Marte mais perto?


        Esta semana o planeta vermelho ficou mais perto da Terra e levou milhares de pessoas do mundo todo para as ruas. Astrônomos profissionais e amadores queriam enxergar Marte que ficou milhões de quilômetros menos distante de nós. Normalmente, Marte fica a 225 milhões de quilômetros da Terra, mas na última quarta-feira a distância diminuiu para 56 milhões! Tudo bem que não deu para notar muita diferença a olho nu, porém, quem usou telescópio pôde ver detalhes do planeta. 

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjuVAZKL_ik_L614Exzbduc363BYdqeJlnkc-UBpVLs2GN0z53VqyjU4Amldb6QLUpnhSD0O0c0nTCkbgCe2CsWq4yZeJYSOER1MIC5eEdtMqhTqzaA0S96lmI31k11-etC5lOR0nei6nctGc5XMKz1npsnR9LoApSImuuxDXy0gioV18lzmYODYTDUPcQ/s1600/images.jpg


O mais bacana é que a última vez que Marte ficou tão perto da Terra foi há 60 mil anos, quando nossos ancestrais ainda viviam em cavernas. Quem perdeu vai ter de esperar um bocado: Marte só voltará para perto de nós em 2287.

Estadinho, 30/08/2003.

Entendendo a notícia:

01 – Quando Marte voltará a ficar mais perto do planeta Terra?
(A) No ano de 2287.
(B) Daqui a 60 mil anos.
(C) Daqui a 56 milhões de anos.
(D) Daqui a 225 milhões de anos.

02 – A expressão "planeta vermelho" se refere

(A) a Terra.

(B) a Marte.

(C) ao Sol.

(D) a Lua.

03 – A notícia fala, principalmente,
(A) de detalhes do planeta Marte.
(B) dos homens que viviam em cavernas.
(C) da diminuição da distância entre Marte e Terra.
(D) de astrônomos profissionais e amadores.

04 – Quem não conseguiu ver Marte tão próximo da Terra, na semana de 30 de agosto de 2003, não o verá mais porque
(A) Marte não voltará a passar perto da Terra.
(B) Marte só voltará a passar perto da Terra em 2287.
(C) Marte irá desaparecer do Sistema Solar.
(D) a Terra se distanciará de Marte ainda mais.

 

CONTO: UM CRIME QUASE PERFEITO - 1ª PARTE - FRAGMENTO - ROBERT ARLT

Conto: UM CRIME QUASE PERFEITO 1ªparte – Fragmento

           Robert Arlt

        As alegações dos três irmãos da suicida foram checadas. Não tinham mentido. O mais velho, Juan, permanecera das cinco da tarde até a meia-noite (a senhora Stevens se suicidou entre sete e dez da noite) detido numa delegacia, por sua imprudente participação num acidente de trânsito. O segundo irmão, Esteban, estivera no povoado de Lister desde as seis da tarde daquele dia até as nove do seguinte. Quanto ao terceiro, doutor Pablo, ele não se afastara em nenhum momento do laboratório de análise de leite da Cia. Erpa, mais exatamente do setor de doseamento da gordura.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEj-ac9jQ2XO-AN4FSaG5K8ORoQpZXcz6WknEMArb1L6-6KeN_RA91ygu5m-DNzAepjgGrZFowgOUro95YpcFW3ZfIQAVrsEwnamzrsU1oNX5fl8I55BtXHb17PEQKdnImWFCTS7iLmiBZdQnMKdUhhD-T8ftCbzUhdHE_Ea-vM2-f2YWNRprOF1kVhsXe4/s1600/CRIME.jpg


        O curioso é que, naquele dia, os três irmãos tinham almoçado com a suicida, comemorando seu aniversário, e ela, por sua vez, em nenhum momento deixara entrever uma intenção funesta. Todos comeram alegremente e, às duas da tarde, os homens se retiraram.

        Suas declarações coincidiram em tudo com as da criada que, desde muitos anos trabalhava para a senhora Stevens. Essa mulher, que não dormia no emprego, às sete da noite foi para casa. A última ordem que recebeu foi a de dizer ao porteiro que trouxesse o jornal da tarde. Às sete e dez o porteiro entregou o jornal à senhora Stevens, e o que fez esta antes de matar-se pode ser presumido logicamente. Revisou os últimos lançamentos da contabilidade doméstica, pois a livreta estava na mesa da copa, com os gastos do dia sublinhados. Serviu-se de uísque com água e nessa mistura deixou cair, aproximadamente, meio grama de cianureto de potássio. Pôs-se a ler o jornal, depois bebeu o veneno e, ao sentir que ia morrer, levantou-se, para logo tombar no chão atapetado. O jornal foi achado entre seus dedos contraídos.

        Tal foi a primeira hipótese, construída a partir de um conjunto de coisas pacificamente ordenadas no interior da residência, mas esse suicídio estava carregado de absurdos psicológicos e não queríamos aceitá-lo. No entanto, só a senhora Stevens podia ter posto o veneno no copo. O uísque da garrafa não continha veneno. A água misturada também era pura. O veneno, claro, podia estar no fundo ou nas paredes do copo, mas esse copo tinha sido retirado de uma prateleira onde havia uma dúzia de outros iguais: o eventual assassino não havia de saber qual copo a senhora Stevens escolheria. De resto, o laboratório da polícia nos informou que nenhum copo tinha veneno em suas paredes.

        A investigação não era fácil. As primeiras provas – provas mecânicas, como eu as chamava – sugeriam que a viúva morrera por suas próprias mãos, mas a evidência de que, ao ser surpreendida pela morte, estava distraída na leitura do jornal, tornava disparatada a ideia de suicídio.

        Essa era a situação quando fui desligado por meus superiores para continuar a investigação. A informação de nosso laboratório era categórica: havia veneno no copo que a senhora Stevens usara, mas a água e o uísque da garrafa eram inofensivos. O depoimento do porteiro era igualmente seguro: ninguém visitara a senhora Stevens depois que lhe entregara o jornal. Se após as diligências iniciais eu tivesse concluído o inquérito optando pelo suicídio, meus superiores nada teriam objetado. Porém, concluir o inquérito nesses termos era  a confissão de um fracasso. A senhora Stevens tinha sido assassinada e havia certo indício: onde estava o envoltório do veneno? Por mais que revistássemos a casa, não encontramos a caixa, o envelope ou o frasco do tóxico. Aquilo era eloquente.

 ARLT, Roberto. Um crime quase perfeito. Parte 1. Trad. Sérgio Faraco. In: Flávio Moreira Costa (org.) Os 100 melhores contos de crime e mistério da literatura universal. 2.ed. Rio de Janeiro: Ediouro, 2002. P. 607 – 609.

 Entendendo o conto:

01 – De acordo com o texto, qual o significado das palavras abaixo:

Funesta: que causa a morte; fatal; mortal.

Cianureto de potássio: poderoso veneno.

Hipótese: suposição, conjetura, pela qual a imaginação antecipa conhecimento, com o fim de explicar ou prever a possível realização de um fato.

Evidência: indicação; indício; sinal; traço.

Eloquente: aquele ou aquilo que é convincente; persuasivo.

 

02 – Reflita sobre o título do conto: Um crime quase perfeito. O que seria um crime quase perfeito?

      Um crime quase perfeito é aquele cuja autoria não se consegue provar.

 

03 – Qual é o nome da vítima?

      Senhora Stevens.

 

04 – De acordo com o que o narrador nos conta sobre o depoimento das testemunhas e sobre os vestígios encontrados na residência da vítima, reconstitua suas ações nos momentos anteriores à sua morte.

      Era dia de seu aniversário. Ela almoçou com seus três irmãos. A empregada foi embora às 19h. Às 19h10, o porteiro entregou-lhe o jornal. Ela revisou alguns itens da contabilidade doméstica. Depois começou a ler o jornal. Tomou uísque com água e veneno e pôs-se a ler até começar a sentir-se mal.

 

05 – Quais foram as últimas pessoas que viram a vítima antes do crime?

      A criada e porteiro.

 

06 – Quem nos narra todo o caso? Reescreva um trecho que comprove sua resposta. Se o trecho selecionado deixar dúvidas, complemente sua resposta com uma explicação.

      Quem nos conta um caso é um policial, detetive ou inspetor da polícia. “Essa era a situação quando fui designado por meus superiores para continuar a investigação. A informação de nosso laboratório era categórica”.

 

07 – Qual é a primeira hipótese apresentada para a morte da senhora Stevens? Por que o narrador crê que ela é disparatada?

      Hipótese de suicídio. O narrador crê que essa hipótese é disparatada porque a Sra. Stevens não parecia ter provocado a própria morte e o envoltório do veneno não foi encontrado.

 

08 – “Envoltório” é tudo aquilo que serve de recipiente para guardar, conservar ou proteger alguma coisa. Quais são as outras três palavras presentes no texto que poderiam substituir o termo “envoltório”?

      Caixa, envelope e frasco.

 

09 – A ausência de veneno nos outros copos do armário reforça a ideia de assassinato ou de suicídio?

      De suicídio.

 

10 – Por que encontrar o envoltório original do veneno seria uma peça fundamental da investigação policial?

      O envoltório do veneno poderia indicar quem foi a última pessoa a manuseá-lo, pelas impressões digitais, por exemplo.

 

11 – Na sua opinião, o que aconteceu com a vítima? Por quê?  

      Resposta pessoal do aluno.