sábado, 28 de maio de 2022

CORDEL: CORDEL EM VERSOS - (FRAGMENTO) - MOREIRA DE AROPIARA - COM GABARITO

 Cordel: Cordel em versos - Fragmento

“EU resolvi escrever

Um cordel sobre CORDEL

Porque o cordel tem sido

Meu companheiro fiel,

E pra tirar do leitor

Alguma dúvida cruel”.

 

O cordel em minha vida

Esteve sempre presente;

Esteve, está e estará

Na vida de muita gente!

Comigo ele sempre foi

Um professor excelente.

 

É que nasci no sertão

Onde havia pouca escola.

Por lá os divertimentos

Eram: um joguinho de bola,

Forrós, vaquejadas e

Versos ao som da viola.

 

E as leituras de folhetos

Dos poetas do sertão.

Quando aparecia um.

Os jovens da região

Se reuniam e, atentos,

Ouviam a narração.

 

Pois o povo era sensível,

E, apesar de ser pacato,

De ter pouca informação

E, de residir no mato,

A leitura de folhetos

Foi sempre o grande barato.

 

Era comum na fazenda

A gente se reunir

Ao redor de uma fogueira

Pouco antes de dormir

Para ler versos rimados,

Cantar e se divertir.

 

O Pavão Misterioso,

Coco Verde e Melancia

E o de Pedro Malazarte

A gente com gosto lia.

Logo se emocionava

Com cada autor que surgia.

 

José Pacheco, a meu ver,

Foi um poeta moderno.

O seu folheto A chegada

De Lampião no inferno

É um dos mais bem-compostos,

Nasceu para se eterno.

 

E nesse clima poético

Pude me desenvolver.

Sempre lendo, sempre atento,

E depois de tanto ler

E de tanto ouvir, senti

Que precisava escrever.

 

Mas para escrever direito

Era preciso estudar,

Dominar a arte de

Rimar e metrificar.

E pra botar conteúdo

Eu tinha que pesquisar.

 

E li muitos e bons livros:

O Dicionário, a Gramática!

Devorei livros de História,

De Redação, Matemática,

E tudo que eu aprendia

Ia colocando em prática.

 

Fiz meus primeiros versinhos

Com quinze anos de idade;

Mas uns versos primitivos,

Sem muita propriedade,

Pois nessa idade ninguém

É poeta de verdade.

 

Mas prossegui pesquisando,

Lendo isso, lendo aquilo,

Questionando, indo atrás,

Curioso e intranquilo.

E escrevendo muito, até

Desenvolver meu estilo.

 

E li poesia branca,

Li poesia rimada,

Li poesia matuta,

Moderna, metrificada,

E descobri que pra ler

Qualquer estilo me agrada.

 

Mas na hora de escrever

Foi que eu pude constatar

Que minha paixão maior

Era mesmo o popular.

E as origens do cordel

Eu resolvi pesquisar.

 

[...].

         Moreira de Aropiara. Cordel em arte e versos. Xilogravuras de Erivaldo Ferreira da Silva. São Paulo: Acatu/Duna Dueto, 2008, p. 6-10.

         Fonte: Língua Portuguesa – Caminhar e transformar – Aos finais do ensino fundamental – 1ª edição – São Paulo – FTD, 2013. p. 25-7.

Entendendo o cordel:

01 – Observe a forma como o texto Cordel em versos se apresenta na página.

a)   Cada estrofe é formada por quantos versos?

Cada estrofe é formada por seis versos.

b)   O trecho é formado por quantas estrofes?

O trecho é formado por 15 estrofes.

c)   O que separa uma estrofe da outra?

Há um espaço em branco entre uma estrofe e outra.

d)   Considerando a forma como ocupam o espaço da página, o texto Cordel em versos e uma carta são parecidos? Por quê?

Não, porque o texto Cordel em versos está organizado em versos. Uma carta é organizada em parágrafos.

02 – Numere cada verso da primeira estrofe do texto Cordel em versos.

a)   Leia os versos 2, 4 e 6 dessa estrofe e observe as palavras finais de cada um deles. O que você percebeu?

Que o final de cada deles se rimam.

b)   Sua observação também se aplica às outras estrofes?

Sim. Em todas as estrofes o segundo, o quarto e o sexto verso rimam.

c)   Escolha mais uma estrofe e pinte com a mesma cor as palavras de cada verso que apresentam finais semelhantes.

Resposta pessoal do aluno.

03 – Assinale as alternativas que estão de acordo com o poema de cordel que você leu: Por que o cordel era importante no sertão?

(X) Porque havia poucos divertimentos.

(   ) Porque os poetas ganhavam dinheiro com ele.

(X) Porque o povo se divertia com os versos.

04 – Converse com seus colegas: Por que o poeta afirma que o cordel foi para ele “um professor excelente”?

      Porque a literatura de cordel no sertão tinha a função de levar não só histórias como também informações que não chegariam por outros meios, já que havia poucas escolas.

 

 

 

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