quarta-feira, 9 de junho de 2021

REPORTAGEM: AULA FAZ 82% DOS ALUNOS COMEREM MAIS FRUTAS - EDISON VEIGA - O ESTADO DE S.PAULO - COM GABARITO

 REPORTAGEM: AULA FAZ 82% DOS ALUNOS COMEREM MAIS FRUTAS

Edison Veiga - O Estado de S. Paulo

Depois de um ano, projeto do Hospital das Clínicas diminui obesidade em escola de SP

"Não tenho mais coragem de beber refrigerante todo dia", diz Sheila Alves Rezende, de 12 anos. "Antes não comia salada; agora, faço um esforço e como todo dia", conta Emily Gomes da Silva, também de 12 anos. "Era bolacha todo dia. Hoje em dia, só de vez em quando", relata Livia Alves, de 11 anos. "Eu ficava enrolando minha mãe na hora de comer salada. Mas aprendi a gostar", afirma Erick Kaik Neri Lazzarato, de 12 anos.

Parece reunião dos Comedores Compulsivos Anônimos. Mas são depoimentos de alunos da Escola Estadual Deputado Augusto do Amaral, no Jaguaré, zona oeste de São Paulo. Desde o início de 2013, eles participam de um projeto-piloto desenvolvido pelo Instituto da Criança do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-USP) - o Meu Pratinho Saudável. O objetivo do trabalho foi mudar os hábitos alimentares da criançada. E os resultados já são visíveis.

Todos os 189 alunos participantes passaram por aferição de peso, altura para definição do IMC (Índice de Massa Corporal) e de circunferência abdominal no início do programa. Foi constatado sobrepeso ou obesidade em 39% dos meninos. Após um ano, as medições foram repetidas. Os meninos com sobrepeso ou obesidade representaram 36%. Na medição de circunferência abdominal, os avaliados como predispostos a desenvolver doenças  cardiovasculares, que representavam 44% no início do programa, passaram para 40%.

As respostas obtidas em questionário de hábitos alimentares também melhoraram. Após um ano da vigência do projeto, 82% dos alunos informaram ter aumentado o consumo de frutas, 65% passaram a fracionar as refeições, 73% ampliaram ingestão de legumes e 68% reduziram o consumo de gorduras. Os dados obtidos também mostram que 68% diminuíram a ingestão de doces, 62% reduziram o consumo de refrigerantes e 76% aumentaram a prática de atividades físicas. "Considerando que o projeto foi implementado há pouco mais de um ano, os números mostram grande avanço", avalia a médica Elisabete Almeida, coordenadora do Meu Pratinho Saudável.

Uma vez por mês, profissionais dos Hospitais das Clínicas vão até a escola. Ali realizam gincanas, dinâmicas, montagem de pratos com alimentos em resina e jogos nos quais os alunos aprendem conceitos como quantidade de gordura, sal e açúcar. "Nesse período também fizemos três reuniões com os pais de alunos", acrescenta a médica. Todo esse trabalho foi viabilizado graças a parcerias com a LatinMed Editora em Saúde e o Instituto Givaudan. "O período escolar é a melhor época para a criança aprender o que e quanto colocar no prato", acredita Elisabete.

Até a diretora do colégio conta que melhorou sua alimentação. "Aprendi a comer salada todos os dias e agora ando evitando refrigerante", confessa Rosane Molina Carvalho.

 Outras escolas

A iniciativa do Meu Pratinho Saudável vem sendo acompanhada pela Secretaria de Estado da Educação. A expectativa dos envolvidos é que o projeto se expanda para toda a rede. "Preocupamo-nos com o fato de a criança precisar se alimentar bem dentro e fora da escola", afirma a nutricionista Andreia Ignacio dos Santos, do Departamento de Alimentação e Assistência ao Aluno da Secretaria de Estado da  Educação. "Se esse projeto continuar dando resultados, é possível que haja um convênio para levá-lo para outras escolas."


FONTE: VEIGA, Edison. O Estado de S. Paulo. São Paulo, 28 set. 2014. Metrópole. p. A29. Disponível em: sao-paulo.estadao.com.br/noticias/geral,aula-faz-82-dos-alunos-comerem-mais-frutas-imp-,1567328. Acesso em: jul. 2015.

Para entender o texto

1. Esse texto foi publicado em 28 de setembro de 2014. Tendo em vista essa informação, responda: essa data tem alguma relação com os eventos relatados no texto? Justifique sua resposta com elementos do próprio texto.

 Sim, a data de publicação tem total relação com os eventos do texto e é imprescindível saber dela para garantir a compreensão das indicações temporais ancoradas nela ("desde o início de 2013", "depois de um ano", "após um ano da vigência do projeto", "há pouco mais de um ano"). Além disso, o último parágrafo do texto encerra uma informação de um dos entrevistados que projeta a sequência do fato no futuro.

2. Leia o segundo parágrafo da notícia. O grupo a que se refere o jornalista existe de fato ou foi uma referência inventada?

A associação existe de fato e oferece um programa de recuperação para comedores compulsivos.

3.O texto apresenta diversos depoimentos curtos de alunos envolvidos no projeto noticiado. Em sua opinião, qual é a função desses depoimentos no texto?

Resposta pessoal. Sugestão: A função dos depoimentos é ajudar a sustentar a afirmativa do título.

4. Na notícia lida aparecem vários números percentuais. Identifique todos eles e explique a relevância desses numerais nesse texto.

 Assim como os depoimentos, os números percentuais são dados responsáveis por dar mais credibilidade às informações da notícia. Eles permitem que o leitor quantifique os resultados do programa noticiado.

5. Analise o infográfico que acompanha a notícia e responda no caderno:

a) Que informações desse infográfico são novas para você?

Resposta pessoal.

b) Considerando o critério estabelecido no infográfico para definir um prato saudável, que nota de zero a dez você daria para seus hábitos alimentares do dia a dia?

Resposta pessoal.

 

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