terça-feira, 29 de maio de 2018

LENDA: O SACI - RICARDO AZEVEDO - COM INTERPRETAÇÃO/GABARITO


Lenda: O Saci


  Gente da cidade grande, acostumada com a luz elétrica, entregador de pizza, televisão, poluição, telefone celular, trânsito e computador, não entende nada de Saci e só vai ver o Saci no dia de São Nunca.
         Acontece que o Saci é filho do mistério, filho do vento que assobia, filho das sombras que formam figuras no escuro da floresta, filho do medo da assombração. O Saci é uma dessas coisas que ninguém explica.
         Por exemplo. É muito fácil explicar uma casa. Ela tem tijolos, portas, paredes, janelas e serve para morar. É muito fácil também explicar um cachorro. É um animal mamífero, pertence à espécie canina, abana o rabo, às vezes morde, faz xixi no poste, é amigo das pulgas e serve para latir e tomar conta de casas e apartamentos.
         Agora, tente explicar o gosto. Por que tem gente que gosta de uma coisa e gente que gosta justo do contrário?
         Experimente explicar a beleza ou explicar um sentimento ou as coincidências que acontecem ou o gosto ou os sonhos, os acasos ou um pressentimento. Você já teve um pressentimento? Já sentiu que uma coisa ia acontecer e, no fim, ela aconteceu mesmo? Pois bem, agora tente explicar!
         Às vezes a gente está calmamente em casa com uma coisa na mão.  O telefone toca. A gente atende. Bate um papo. Quando desliga, cadê a coisa que a gente estava segurando? Sumiu! A gente não consegue acreditar. A coisa estava aqui agorinha mesmo! A gente procura em todo o canto, xinga, reclama, arranca os cabelos, vira a casa de cabeça para baixo e nada. De repente, olha pro lado... não é possível! A coisa estava ali o tempo todo bem na cara da gente!
         Numa casa de caboclo, quando isso acontece, as pessoas dizem que foi obra do Saci. Dizem que o Saci tem mania de esconder as coisas e depois fica escondido, dando risada, enquanto a gente faz papel de bobo.
         O Saci é um ser misterioso habitante do mato. Sua aparência é de um negrinho pequeno e risonho, de uma perna só, com um capuz vermelho enterrado na cabeça, sem pelos no corpo, nem órgãos para fazer xixi e cocô. Costuma ter três dedos nas mãos, que são furadas, e, quando quer, solta um assobio misterioso e fica invisível. Além disso, vive com o joelho machucado e as comandar os mosquitos, pernilongos e pulgas que vivem atazanando a vida da gente. Tem outra coisa: O malandrinho aprecia fumar cachimbo e consegue soltar fumaça pelos olhos! quando está de bom humor, pode ajudar as pessoas a encontrar objetos perdidos. Em compensação, adora pregar as piores peças nos outros: faz os viajantes errarem seu caminho, esconde dinheiro e coisas de estimação, faz vasos, pratos e copos caírem sem motivo e quebrarem, gosta de judiar dos bichos e é especialista em fazer comida gostosa dar dor de barriga. De vez em quando, o Saci sai girando em volta de si mesmo, feito um pião maluco, e gira tanto, tanto, tanto que até levanta as folhas secas e a poeira do chão. Aliás, muitos afirmam que é só por isso que existem os rodamoinhos.
         O Saci tem vários nomes, dependendo da região onde aparece: pode ser Saci Cererê, Saci Taperê, Saci Pererê, Saci Saçura, Saci Siriri, Saci Trique. Às vezes é chamado de Matitaperê, Matintaperera ou Sem – Fim, que na verdade, são nomes de pássaros. É que em certos lugares, dizem, o danado, quando perseguido, dá risada, vira passarinho e desaparece deixando todo mundo de queixo caído.
         O Saci pode ser perigoso. Às vezes chama as criancinhas, canta, dança, inventa lindas histórias e acaba fazendo as infelizes se perderem na floresta. Pode também fazer um caçador entrar no mato e nunca mais voltar.
         Para dominar o Saci só tem um jeito: primeiro, pegar uma peneira. Segundo, esperar um rodamoinho dos fortes. Terceiro, atirar a peneira bem em cima do pé de vento. Quarto, agarrar o Saci que aparecer preso na peneira. Quinto, arrancar seu capuz e, sexto prender o espertinho dentro de uma garrafa. Sem aquele gorro vermelho o Saci fica apavorado, ameaça, geme, choraminga, fala palavrão, implora e acaba fazendo tudo que a gente quer.        
         Pode até ser bom morar na cidade, mas como seria gostoso, um dia, assim, de repente, encontrar um Saci de verdade fazendo bagunça, fumando cachimbo, soltando fumaça pelos olhos, virando passarinho e sumindo no espaço!
Ricardo Azevedo. Armazém do folclore.
São Paulo, Ática, 2000. p. 18 a 20.

Entendendo a lenda:
01 – O que o texto trouxe de novidade sobre o Saci que você ainda não sabia?
      Resposta pessoal do aluno.

02 – Quem é o autor do texto?
      Ricardo Azevedo.

03 – De onde o texto foi tirado?
      Armazém do Folclore. São Paulo. Ática, 2000. p. 18 a 20.

04 – Segundo o texto, gente da cidade grande não entende nada de Saci. Você concorda com isso? Por quê?
      Resposta pessoal do aluno.

05 – O autor diz que o Saci é uma coisa que ninguém explica, que é mais fácil explicar uma casa ou um cachorro. Por quê?
      Porque o Saci é uma lenda. Enquanto uma casa ou cachorro são palpáveis.

06 – A quem o autor se refere quando fala em caboclo?
      Ao povo que mora no campo.

07 – Indique no texto a parte referente às características físicas do Saci.
      O Saci é um ser misterioso habitante do mato. Sua aparência é de um negrinho pequeno e risonho, de uma perna só, com um capuz vermelho enterrado na cabeça, sem pelos no corpo, nem órgãos para fazer xixi e cocô. Costuma ter três dedos nas mãos, que são furadas, e, quando quer, solta um assobio misterioso e fica invisível.

08 – Quais são os nome que o Saci recebe conforme a região onde aparece?
      O Saci tem vários nomes, dependendo da região onde aparece: pode ser Saci Cererê, Saci Taperê, Saci Pererê, Saci Saçura, Saci Siriri, Saci Trique.

09 – Na região onde você mora, como o Saci é conhecido?
      Resposta pessoal do aluno.

10 – Por que em alguns lugares, ele recebe nome de pássaros?
      É que em certos lugares, dizem, o danado, quando perseguido, dá risada, vira passarinho e desaparece deixando todo mundo de queixo caído.

11 – Indique as frases que mostram o jeito de ser e de agir do Saci.
(X) Tem mania de esconder as coisas.
(   ) Gosta de ver as pessoas fazendo papel de bobas.
(   ) É mal – humorado.
(X) É brincalhão.
(X) Fuma cachimbo.
(   )  Protege os bichos.
(   ) Auxilia os caçadores  a se localizarem nas florestas.
(X) Gosta de judiar dos bichos.
(   ) Tem bom humor.
(X) Esconde dinheiro e as coisas de estimação.
(X) Faz um caçador entrar na mata e nunca mais voltar.

12 – Em sua opinião, qual foi a intenção do autor ao escrever este texto?
      Resposta pessoal do aluno.

13 – Quantos parágrafos possui este texto?
      O texto possui 13 parágrafos.

14 – Releia o penúltimo parágrafo e desenhe, no caderno, as etapas de como pegar um Saci.
      Resposta pessoal do aluno.

15 – Você sabia que o Saci ganhou um dia só para ele no nosso calendário? Pesquise que dia é esse e porque foi escolhido para homenageá-lo.
      Resposta pessoal do aluno.     


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