sábado, 14 de março de 2026

CRÔNICA: EPIDEMIA POLISSILÁBICA - OTTO LARA RESENDE - COM GABARITO

 Crônica:  Epidemia polissilábica

                Otto Lara Resende

          RIO DE JANEIRO - Já se disse que a crise é de dicionário. Paulo Rónai denunciou a existência de uma geração sem palavras. Uma só, não, digo eu. Várias. A crise é semântica, disse um professor na Sorbonne, que convocou um seminário. Pode ser, diz o Pedro Gomes. Mas é também polissilábica. E me expõe a sua tese: nenhum país aguenta tantos palavrões como os que circulam agora por aí. Palavrão no sentido estrito de palavra grande.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg75ympSr7WAdI-6mYb39z1SJpzRU9MpNFrzeZDpH8yimv8jE9xqNR70S4jrFwsCR_5mOSFoThYNhPgcbMSNsPQVsGS2Zm2bqhmGwUfth5IU6Is7dmOt4DpPWdffOQnx7tCEKd_QsEuy_aWsUhppF0sXg6WUvo53Ww9Bj9-axTwBzEfEe7Rk26EeY0XdVM/s320/cronicas-otto-lara-resende.jpg


             A maior delas, como aprendemos na remota infância, tem até governado o Brasil. É essa mesmo: inconstitucionalissimamente. Depois deste advérbio, no seu hoje modesto pioneirismo, apareceram verdadeiros bondes vocabulares. Autênticos minhocões. São cada vez mais numerosos e compridos, como a composição ferroviária que transporta minérios. A perder de vista, todos têm de cinco sílabas para cima. São centopeias de tirar o fôlego e de destroncar a língua.

            Na porta do Jockey, depois do almoço, um sujeito conversava outro dia, sereno, sobre a atratividade do investimento superavitário. Temi pela sua digestão, se é que não foi vítima de uma congestão. Ou de um insulto cerebral. Mas há pessoas insuscetíveis de insulto, sobretudo cerebral. É o caso do cidadão que discorreu sobre o obstaculizado caminho que o Brasil tem de percorrer, se quiser alcançar um nível de competitividade num cenário de internacionalização do livre-cambismo.

                  Até a carta-testamento do Getúlio, obstaculizar não tinha feito a sua aparição triunfal. Dizem que foi ideia do Maciel Filho, que tinha este vezo nacionalista da palavra complicada. Na verdade, é difícil inovar o jargão político. Para atacar José Américo de Almeida, história antiga, Benedito Valladares lançou no mercado a palavra boquirroto. Logo os adversários disseram que era soprado pelo Orozimbo Nonato, um íntimo do Vieira e do Bernardes. Arrazoava com um cunho seiscentista.

             Enfim, tudo hoje em dia gera distorções. Gerar é um verbo-ônibus. Serve para tudo. Confiemos, porém, que a seu tempo, a nível de país, na expressão abominável que hoje é corrente, a solução seja equacionada. A desestabilização extrapola de qualquer colocação. Longe de mim o catastrofismo, mas no caminho polissilábico em que vamos, a ingovernabilidade é fatal. E talvez passemos antes pela platino-dolarização contingencial.   (Folha de S. Paulo, 22/07/91)

 

Entendendo o texto

 

01. No início do texto, o autor cita Paulo Rónai e um professor da Sorbonne para introduzir o tema da "crise". Segundo a tese de Pedro Gomes, apresentada e defendida por Otto Lara Resende, qual é a natureza específica dessa crise?

a. Uma crise de falta de termos técnicos para descrever a economia moderna.

b. Uma crise semântica causada pela ausência total de palavras no vocabulário dos jovens.

c.  Uma crise "polissilábica", caracterizada pelo uso excessivo de palavras muito longas e complexas.

d. Uma crise política gerada pela incapacidade de traduzir dicionários estrangeiros.

 

02. O autor utiliza metáforas como "bondes vocabulares", "autênticos minhocões" e "centopeias de tirar o fôlego" para se referir a certas palavras. O que essas figuras de linguagem revelam sobre a opinião do autor?

a. Admiração pela criatividade da língua portuguesa em criar termos extensos.

b. Crítica ao tamanho exagerado e à artificialidade de certas palavras modernas.

c. Apoio ao uso de termos ferroviários dentro do jargão político brasileiro.

d. Desejo de que a língua se torne mais complexa para alcançar o nível internacional.

 

03. Ao mencionar expressões como "atratividade do investimento superavitário" e "internacionalização do livre-cambismo", qual é a intenção principal do cronista?

a. Demonstrar erudição e conhecimento sobre o mercado financeiro.

b. Exemplificar como o discurso técnico e burocrático se tornou refém da "epidemia" de palavras longas.

c. Defender que o Brasil só alcançará competitividade se utilizar um vocabulário mais robusto.

d. Mostrar que a digestão humana é afetada pela leitura de jornais de economia.

 

04. O texto menciona que o verbo "gerar" tornou-se um "verbo-ônibus". O que essa classificação significa no contexto da crítica de Otto Lara Resende?

a. Que é um verbo que deve ser usado apenas por pessoas que utilizam transporte público.

b. Que é uma palavra de movimento que impulsiona a economia do país.

c. Que é um verbo de sentido vago e genérico, usado excessivamente para substituir termos mais precisos.

d. Que é a palavra mais comprida e difícil de pronunciar encontrada no dicionário.

 

05. Qual é a conclusão satírica (irônica) que o autor apresenta no último parágrafo sobre o futuro do Brasil diante desse cenário linguístico?

a. O país se tornará uma potência se adotar o "livre-cambismo" linguístico.

b. A simplificação do dicionário é a única forma de salvar a economia.

c. O uso de termos como "desestabilização" e "ingovernabilidade" levará o país a uma "platino-dolarização contingencial".

d. A solução para os problemas do país será finalmente "equacionada" através de seminários na Sorbonne.

 

 

TEXTO: CORTE DA OTAN NÃO DESNUCLEARIZA EUROPA DE BERLIM - FOLHA DE S.PAULO - COM GABARITO

 TEXTO: Corte da Otan não desnucleariza Europa De Berlim

           O secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan, a aliança militar ocidental), Manfred Woerner, afirmou que apesar da redução de 80% no arsenal da organização, a Europa não será uma área desnuclearizada no futuro. Ele participou de uma reunião de dois dias da Otan em Taormina (Itália).

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhY8E6qh3vpegoUNvqRu_Hzfdkjz9tAk0gzmnGpgCdDgQKhX4ryLTLbceIMQtcX6xWdSFvU9OC_Q-fOKrti0Y4NIH_y10KXhnPT4YrCx84bE1x4DAK6XVAzwiWd_UEtB9yafmOEq-5hYpYpa4lR9rYcVJrRyPCt7NOzUQlZQFha-Bj68wgfVMt77GCshng/s1600/OTAN.jpg


         Depois do corte de armas a Otan ainda manterá cerca de 700 bombas nucleares, das 1.400 que possui, na Europa. Os outros cortes foram a retirada das armas nucleares de curto alcance (granadas e mísseis Lance). Essas armas deverão ser devolvidas aos Estados Unidos onde serão destruídas. Segundo a Otan, não existe um prazo definido para a operação, que não inclui as armas nucleares francesas e britânicas.

         O projeto de uma força militar da Comunidade Européia, lançado pela França e pela Alemanha, também foi discutido durante a reunião. Os ministros da Defesa dos países-membros estavam preocupados com o esvaziamento da Otan, mas foram informados pelo ministro da Defesa da Alemanha, Gerhardt Stoltenberg, que a nova força não vai competir com a Otan e que seu efetivo ainda não foi precisado.

(FG) (Folha de S. Paulo, 19/10/91.)

 

Entendendo o texto

 01. Qual foi a principal afirmação de Manfred Woerner sobre o futuro nuclear da Europa?

Ele afirmou que, apesar da redução expressiva de 80% no arsenal da organização, a Europa não se tornará uma área desnuclearizada no futuro.

 02. Quantas bombas nucleares a Otan planejava manter em território europeu após os cortes mencionados?

A organização planejava manter cerca de 700 bombas nucleares, metade das 1.400 que possuía na época.

 03. O que aconteceria com as armas nucleares de curto alcance (granadas e mísseis Lance) retiradas da Europa?

Elas deveriam ser devolvidas aos Estados Unidos para serem destruídas, embora o texto ressalte que não havia um prazo definido para essa operação.

04. Quais países europeus possuem armas nucleares que não foram incluídas no plano de redução da Otan citado no texto?

As armas nucleares da França e da Grã-Bretanha não foram incluídas na operação de corte da Otan.

05. Qual era a preocupação dos ministros da Defesa em relação ao projeto de uma força militar da Comunidade Europeia e como foram tranquilizados?

Eles temiam o esvaziamento da Otan com a criação dessa nova força. Foram tranquilizados pelo ministro da Defesa da Alemanha, Gerhardt Stoltenberg, que garantiu que a nova força (proposta por França e Alemanha) não competiria com a Otan.

 

 

 

 

 

 

 

ANÚNCIO PUBLICITÁRIO - CENTRAL DE OUTDOOR - COM GABARITO

 Anúncio Publicitário - Central de Outdoor

 

            O anúncio de revista é rico em informações. Pode dar toda a literatura necessária sobre um produto. Explicar o que é, como funciona, a forma de pagamento, enfim, pode dar todos os detalhes tintim por tintim.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjLbBS1j3Zew2bsjN2UkybgYEKTVlq40uXuxVnLwUi5YhcObqP9M3FFrXNNbdWPviXeSgkE7Iqllau8wmAhzxikco2I2Crh4lztotpQNKabZEYTlxBa4ggtn3HUv7vyxRemzKdMAtoEFTZGLLaP-L7riMIU3QxdBgeT5AYQPw2EoV_max4dQCX-w7BdN9M/s320/AN%C3%9ANCIO.jpg


          Ele é fantástico para um sujeito que dispõe desse tempo que você está tendo agora. Para folhear calmamente, lendo artigos e anúncios.

       Já no trânsito, para passar a mensagem a quem está passando, aí o outdoor é imbatível.

     Ele é rápido, telegráfico, gigante. Ótimo para anúncios institucionais ou promocionais de qualquer produto ou serviço.

       O outdoor também apresenta um dos recalls mais elevados, dentro de uma relação custo/benefício bem atraente.

        Dependendo do produto e seu mercado, você pode utilizar o outdoor para cercar o Brasil inteiro, um estado, uma cidade ou simplesmente um bairro. E vender tanto para o Brasil quanto para um bairro com a mesma eficiência, é uma versatilidade que nenhum outro veículo tem.

             Além do quê, o outdoor é o seu último apelo ao consumidor antes da compra. Porque ele está ali, na rua, bem próximo ao seu ponto de venda. E, você há de concordar, num mercado tão competitivo quanto o nosso isso pode ser decisivo.

              São detalhes como esse que você, anunciante, não pode deixar de levar em conta na hora de programar sua mídia. Principalmente se você quiser atingir um público como esse nosso, dirigido.

 

Entendendo o texto

 01. De acordo com o texto, qual é a principal diferença entre o comportamento do leitor de uma revista e o do espectador de um outdoor?

a. O leitor de revista busca mensagens rápidas, enquanto o do outdoor procura detalhes técnicos.

b.  O leitor de revista dispõe de tempo para uma leitura calma e detalhada, enquanto o público do outdoor está em movimento (no trânsito).

c.  Ambos buscam informações minuciosas sobre a forma de pagamento e funcionamento dos produtos.

d.  O público do outdoor tem mais tempo para ler textos longos do que o leitor de revistas.

02. O texto utiliza os adjetivos "rápido, telegráfico e gigante" para caracterizar o outdoor. Essas características o tornam ideal para:

a.  Explicar o funcionamento detalhado de um produto "tintim por tintim".

b.  Substituir completamente os artigos informativos das revistas.

c.  Passar mensagens eficientes a quem está passando pelo trânsito.

d.  Veicular textos literários longos e complexos.

03. Sobre a abrangência geográfica do outdoor, o anúncio afirma que sua versatilidade permite:

a. Atingir apenas consumidores de bairros nobres e centros urbanos.

b.  Atuar com a mesma eficiência desde a cobertura de um bairro específico até o país inteiro.

c.  Ser utilizado exclusivamente em campanhas nacionais de grandes empresas.

d.  Limitar a comunicação apenas ao ponto de venda, sem alcance em rodovias.

04. Por que o outdoor é considerado o "último apelo ao consumidor antes da compra"?

a. Porque é o veículo de comunicação mais caro do mercado publicitário.

b.  Porque ele apresenta o maior índice de textos explicativos sobre promoções.

c. Porque ele está presente na rua, muitas vezes posicionado próximo ao ponto de venda.

d. Porque ele convence o consumidor a desistir de marcas concorrentes através de longos argumentos.

05. Qual é o argumento utilizado no texto para demonstrar a eficiência financeira do outdoor?

a.  Ele possui um dos recalls (memorização) mais elevados com um custo-benefício atraente.

b.  Ele é o único veículo que não exige planejamento de mídia por parte do anunciante.

c.  Ele dispensa o uso de imagens, o que barateia a produção das campanhas.

d.  Ele é voltado exclusivamente para um público que não consome outros tipos de mídia.

 

 

 

 

quinta-feira, 12 de março de 2026

POEMA: VOZES-MULHERES - CONCEIÇÃO EVARISTO - COM GABARITO

 Poema: Vozes-Mulheres 

                      Conceição Evaristo

A voz de minha bisavó
ecoou criança
nos porões do navio.
Ecoou lamentos
de uma infância perdida.

 
Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhOgcTJgKQIlJb4UfIx7JYbV06jk88J01Ftm-2QxbfChkhgvGnzvEuWCUl42X-7EOIX54BK5sZgCKD5qO2dKedOSvqAV0pj5Jzydeo_VDDE3tGr-iOtNz8beLGE2JxTynUaF792_8m2ff7eMFd6YwHTmSi7DAHTry8k9eBl_fFtV2f-JdPKrIao6EZTeTA/s320/VOZES.jpg

A voz de minha avó
ecoou obediência
aos brancos-donos de tudo.

A voz de minha mãe
ecoou baixinho revolta
no fundo das cozinhas alheias
debaixo das trouxas
roupagens sujas dos brancos
pelo caminho empoeirado
rumo à favela

A minha voz ainda
ecoa versos perplexos
com rimas de sangue
        e
        fome.

 

A voz de minha filha
recolhe todas as nossas vozes
recolhe em si
as vozes mudas caladas
engasgadas nas gargantas.

A voz de minha filha
recolhe em si
a fala e o ato.
O ontem – o hoje – o agora.
Na voz de minha filha
se fará ouvir a ressonância
O eco da vida-liberdade.
   
(In: Poemas de recordação e outros movimentos, 3.ed., p. 24-25)

 

Entendendo o texto

O poema percorre vários tempos históricos.

 

01. A partir de qual estrofe revela-se o tempo presente?

Quarta estrofe.

02. Quais situações vividas pela população negra, principalmente pelas mulheres, estão retratadas nas estrofes iniciais?

A vinda para o Brasil nos navios negreiros, o trabalho escravo e a permanência na condição de pobreza.

03. Na terceira estrofe, retrata-se uma condição da mulher negra que persiste em nossa sociedade. Que condição é essa? Por que ela ainda ocorre?

A condição de empregadas domésticas e de lavadeiras, funções muito exercidas pela mulher negra, que tem menos condições de estudar e por isso não consegue trabalhos que lhe  propiciem uma renda melhor.

04. As situações retratadas parecem referir-se apenas à família do eu lírico?

Não. São situações que se referem a grande parte das mulheres negras do país.

 

05.  Na quarta estrofe, o eu lírico diz “A minha voz ainda/ecoa versos perplexos”

a.   Que palavra foi usada nesses versos para remeter aos versos anteriores?

Ainda.

b.   Em sua opinião, que sentimento o eu lírico transmite por meio desses versos?

O eu lírico experimenta os sentimentos de dor r indignação vivenciados por sua mãe, avó e bisavó.

06. Na última estrofe, o eu lírico demonstra confiar em sua filha como agente da mudança. O que há de diferente no comportamento dessa filha?

A voz da filha do eu lírico está associada à ação (“o ato”), como diz o trecho “A voz de minha filha/ recolhe em si/ a fala e o ato”.

 

 

segunda-feira, 9 de março de 2026

CRÔNICA: CORDÃO DOS COME-SACO - STANISLAW PONTE-PRETA - COM GABARITO

 Crônica: Cordão dos come-saco

Stanislaw Ponte Preta (pseudônimo de Sérgio Porto)

 

         Em Londres, que ultimamente não tem sido uma capital das mais britânicas (ou talvez os britânicos é que não sejam tão londrinos assim, sei lá), vai se inaugurar uma exposição internacional de embalagem. Até aí, tudo normal, como dizem os anormais. Há, no entanto, uma nova indústria que se fará representar nessa exposição que está causando a maior curiosidade: a dos sacos comestíveis.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgVNO-m4Xvi4NvSLxVs04dX_u_UCyjtbPwg-i09MTsxYWVE4WTxPTbHPAS4AyvXWwQHFHfk03TEbEd2itTKjWcNkcCNCYaZ4tR1Rfgk9MR_q-X5lR7aiag6eGguaYPwllWQAtU-luJUG1LNqyZE-keCeIncBqrwSzEhwIoax3C4b6cd_vCTJ3l_lLDznkU/s320/2001_Pack-Expo_banner-1024x427.jpg


         Como, minha senhora, de quem é que é o saco? Calma, madama, eu já chego lá. A indústria foi inspirada na salsicha e isto dito assim fica meio sobre o jocoso, mas torno a explicar que, com vagar, se chega ao saco. É o seguinte: não sei se vocês já repararam que as salsichas, ultimamente, não têm mais aquela pele indigesta que a gente comia antigamente e ficava trocando seu reino por um bicarbonato. Hoje em dia, a pele das salsichas é fininha e a gente come sem o menor remorso estomacal posterior.
           Pois essa pelinha, irmãos, é de matéria plástica comestível. Foi inventada por um Thomas Edison das salsichas e aprovou num instante. E baseada nessa aprovação é que uma fábrica de embalagens estudou a possibilidade de fazer sacos para carregar comida das mercearias para o lar, capazes de serem também comidos, isto é, um saco de matéria plástica parecida com a das salsichas, que seriam vendidos aos armazéns e utilizados pelos fregueses para transportar a mercadoria comprada. Entenderam, ou tem leitor retardado mental?
           Agora, que fica bacaninha, isto fica. Num instante vão aparecer os estetas dos refogados, para melhor aproveitamento do saco. As Myrthes Paranhos do mundo inteiro vão publicar receitas de como se prepara um saco de matéria plástica para o almoço e os jornais, nas suas seções dominicais de culinária, terão títulos como este: "Saquinho de siri", "Saco au champignon", "Saco à la façon du chef", etc., etc.
            E parece até que aqui o neto do Dr. Armindo está vendo uma dessas grã-finas, sempre mais preocupadas com o aspecto exterior do que com o aspecto interior, fazendo um rigoroso regime alimentar e dizendo para a empregada, quando esta volta do mercadinho com as compras:
               _ Para mim não precisa preparar almoço, não. Eu como só o saco.
(Stanislaw Ponte Preta - Rosamundo e os outros)

 Entendendo o texto

 01. Qual é o fato internacional que serve de pretexto para o autor iniciar sua crônica?

a) O lançamento de uma nova marca de salsichas britânicas.

b) Uma convenção de etiquetas e bons modos em Londres.

c) A inauguração de uma exposição internacional de embalagens. d) Uma crise econômica que obrigou os ingleses a comerem plástico.

e) A invenção de um novo tipo de bicarbonato de sódio na Europa.

02. Segundo o narrador, qual foi a "inspiração" para a criação dos sacos plásticos comestíveis?

a) As antigas peles de salsicha que causavam indigestão.

b) As novas películas finas e comestíveis usadas nas salsichas modernas.

c) O hábito das "grã-finas" de fazerem dietas rigorosas.

d) Uma técnica antiga de transporte de mercadorias em armazéns. e) Os estudos de Thomas Edison sobre polímeros sintéticos.

 

03. O autor utiliza uma linguagem marcadamente coloquial e irônica. Qual trecho exemplifica essa interação direta e humorística com o leitor?

a) "vai se inaugurar uma exposição internacional de embalagem."

b) "é de matéria plástica comestível."

c) "Entenderam, ou tem leitor retardado mental?"

d) "capazes de serem também comidos..."

e) "estudou a possibilidade de fazer sacos para carregar comida..."

 

04. Ao mencionar a expressão "trocando seu reino por um bicarbonato", o autor faz uma alusão humorística para indicar que: a) A pele das salsichas antigas era muito saborosa e valiosa.

b) As salsichas eram artigos de luxo consumidos apenas pela realeza.

c) O mal-estar estomacal causado pela pele da salsicha era tão grande que a pessoa daria tudo por um remédio.

d) O bicarbonato era a moeda de troca oficial nos armazéns de antigamente.

e) A monarquia britânica foi a responsável por popularizar a salsicha indigesta.

 

05. No desenvolvimento do texto, o narrador prevê que a novidade dos sacos comestíveis causará um impacto na culinária. Segundo ele, isso ocorreria através de:

a) Críticas severas dos chefs de cozinha contra o uso de plástico na comida.

b) A substituição total das carnes por embalagens sintéticas.

c) Publicações de receitas exóticas e "chiques" utilizando o saco como ingrediente principal.

d) A proibição de vender sacos plásticos em mercearias e armazéns.

e) Cursos de culinária obrigatórios para as empregadas domésticas.

 

06. A conclusão da crônica apresenta uma sátira social voltada para qual grupo de pessoas?

a) Os cientistas ingleses que inventam tecnologias inúteis.

b) Os donos de armazéns que cobram caro pelas embalagens.

c) Os garçons e cozinheiros que não aceitam inovações.

d) As "grã-finas", ironizando sua preocupação excessiva com a aparência e dietas.

e) Os operários das fábricas de plástico que não têm o que comer.

 

07. O título "Cordão dos come-saco" e o desfecho do texto reforçam o estilo de Stanislaw Ponte Preta, que consiste em:

a) Escrever textos científicos sobre avanços da indústria química.

b) Produzir manuais de instrução para o uso de novas embalagens. c) Utilizar o absurdo e o duplo sentido para ridicularizar comportamentos sociais.

d) Defender o uso de materiais biodegradáveis para preservar o meio ambiente.

e) Fazer uma propaganda séria e elogiosa sobre os costumes londrinos.

 

 

CRÔNICA: ACABARAM COM A NOSSA LETRA - MÁRIO PRATA - COM GABARITO

   Crônica:  Acabaram com a nossa letra

                    Mário Prata

          Faço as minhas compras no supermercado, pego o meu talão de cheques, vou preencher. A mocinha:

       _ Pode deixar que a máquina faz isso!

           Fico uns segundos atabalhoado, olho para o cheque.

        _ Faço questão de eu mesmo preencher.

           E preenchi.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgeKHlXw4L1We-NflFCfUEoKIQTt4w0CQMU62K0j_-KVpmn0bvDFDe6KRAFXk1i5m9k3L6nM6nKneA9AVZnpAbImGgWdo0Uel97TlHZNjthb73PvA3-A_fXEQFv_HluhiZZj4GSzOBsSoRjA5TCZN5vEfIfqxU6ecfoBWNUu1743ITxfJSUWO5jN3t6Fy0/s320/CHEQUE.jpg


        A cena é corriqueira, não é? Mas ali, naquele momento, aquela mocinha estava me tirando o prazer de colocar a minha letra no cheque. Afinal, pensei eu naquele momento, é a única coisa que eu escrevo à mão: o cheque.

       Você já notou que a gente não escreve mais nada? Nada! Acho que desde que saí da faculdade não uso a mão para tais finalidades. Estão aí todas as máquinas e cartões para tal uso.

         E olha que aprender a escrever à mão, no meu tempo, era uma dificuldade. No curso primário a gente tinha aula de linguagem. Tinha o caderno de linguagem, que todos eram obrigados a comprar. A linha era subdividida em duas partes, sendo a de baixo menorzinha para caberem as letras baixas, como o "a" e o "o", por exemplo. E quando pintava um "l" ou um "t", tinha que ir até lá em cima. Assim, todo mundo ficava com a letra igual à da professora, que era perfeita, por sinal.

            Com o passar dos anos e com o desuso, a minha letra foi ficando horrorosa. Nem eu mesmo entendia. Passei a só escrever em letra de forma. O tempo passou mais e mais e a letra de forma se foi deformando toda. Mas dava para o cheque. Agora, com a máquina de preencher cheque, lá se vai a minha letra. Com você anda acontecendo o mesmo? 

                Tenho certeza que, no futuro próximo, os alunos vão levar os notebooks para a sala de aula. A letra à mão será coisa pré-histórica. Imagino os novos alunos, quando já grandinhos, olhando as receitas dos médicos e imaginando que os pais e avós escreviam daquele jeito. Ou será que também os médicos vão ter uma maquininha para dar suas tortas receitas?

                Fico triste ao constatar tudo isso. É como se uma parte de mim fosse embora. Uma parte 

trabalhada duramente durante anos e anos.

            O correio-elegante das quermesses, como ficará? Persistirá, mesmo com as pessoas tendo letras cada vez mais confusas? Como conquistar uma moça com aquela letra, gente? E o cartãozinho das flores remetidas? Será que só usaremos as letras manuais para os motivos apaixonantes?

                 Chegará o momento que usaremos a nossa mão apenas para a assinatura. Ou será que teremos um cartão a laser que, passado em cima de um papel, depois de codificado por um número, imprimirá nossa assinatura? Ou será que voltaremos ao uso infalível da impressão digital?

                Será que um dia chegaremos ao absurdo de ser proibido escrever à mão? Penas pesadas   para os infratores? Fulano preso escrevendo poesias em plena praça. O que o pai do fulano não vai pensar daquilo? Mesmo a multa aplicada pelo guarda não será escrita à mão. Ele digita a placa do seu carro e a informação vai diretamente para o Detran.

               Nos países mais metidos a besta (também conhecidos como Primeiro Mundo), os garçons já pegam o seu pedido com um minicomputador que leva imediatamente o seu pedido para o cozinheiro. Nem garçom vai escrever mais.

           Claro que o jogo do bicho será rapidamente informatizado, evitando aqueles papeizinhos que a gente sempre perde ou não confere. Sorteio de amigo-secreto com aqueles pedacinhos de papéis dobrados. Sobreviverá? Haverá, na repartição, ainda alguém com boa letra para tanto?

                Como as secretárias vão avisar o chefe que fulano telefonou a tal hora? Tudo por cabos eletrônicos, é claro.

                 Agendas eletrônicas já se encontram em qualquer das boas casas do ramo.

                 E conta? Alguém ainda faz contas no papel? Será que nas escolas ainda ensinam raiz quadrada, com o aluno ali com a sua calculadora? Você deve saber que, nos vestibulares, já se admitem as tais maquininhas.

                    Listinha de pecados para se confessar. Grava-se num gravadorzinho e enfia no ouvido do padre. Afinal, os nossos pecados são sempre os mesmos. Principalmente o pecado da preguiça, que marcará nossas vidas neste século que está chegando. Em algarismos romanos, sei lá por quê.

                                                  Crônica de autoria de Mario Prata. In: O Estado de S. Paulo, 12/11/1997.

 

Entendendo o texto

 01. No início do texto, o que motiva a reflexão do narrador sobre a perda da escrita à mão?

a) O fato de ele ter esquecido como se escreve o próprio nome.

b) A tentativa de uma funcionária de supermercado de preencher seu cheque com uma máquina.

c) A dificuldade de entender a letra de um médico em uma receita. d) O recebimento de uma fatura de cartão de crédito impressa.

e) A obrigatoriedade de usar computadores em seu trabalho como escritor.

 

02. Como o autor descreve o aprendizado da escrita em sua época de escola (curso primário)?

a) Era um processo livre, onde cada aluno desenvolvia seu próprio estilo desde cedo.

b) Era focado apenas na digitação em máquinas de escrever antigas.

c) Era rigoroso, utilizando cadernos de linguagem com linhas subdivididas para padronizar a letra.

d) Era opcional, pois a maioria das crianças já preferia usar calculadoras.

e) Era baseado em desenhos e pinturas, sem preocupação com a forma das letras.

 

03. Qual é o sentimento predominante do narrador ao constatar que a escrita manual está desaparecendo?

a) Entusiasmo com a agilidade proporcionada pelas novas máquinas.

b) Indiferença, pois ele acredita que a tecnologia sempre melhora a vida.

c) Alívio, por não precisar mais usar cadernos de caligrafia.

d) Tristeza, como se uma parte de sua própria identidade estivesse indo embora.

e) Ansiedade para aprender a usar os novos notebooks escolares.

 

04. Ao mencionar o "correio-elegante" e os "cartõezinhos de flores", o autor sugere que:

a) A escrita à mão deveria ser abolida até mesmo em situações românticas.

b) A tecnologia tornará as conquistas amorosas muito mais fáceis e rápidas.

c) A letra confusa ou a falta da escrita manual podem afetar a expressão de sentimentos e o romantismo.

d) O correio eletrônico (e-mail) é idêntico ao correio-elegante das quermesses.

e) Ninguém mais se interessará por flores no futuro próximo.

 

05. O autor utiliza o termo "países mais metidos a besta" para se referir a:

a) Países que proíbem o uso de tecnologia em restaurantes.

b) Países do chamado "Primeiro Mundo", onde a informatização já chegou até aos garçons.

c) Países que ainda preservam a tradição da caligrafia artística.

d) Cidades do interior que mantêm as quermesses e o jogo do bicho.

e) Sociedades que valorizam a escrita manual acima de tudo.

 

06. No trecho "Principalmente o pecado da preguiça, que marcará nossas vidas neste século que está chegando", o autor estabelece uma relação entre:

a) A facilidade tecnológica e o esforço humano em manter habilidades manuais.

b) A prática religiosa e o uso de gravadores nos confessionários.

c) A matemática escolar e o uso excessivo de algarismos romanos. d) O trabalho das secretárias e a eficiência dos cabos eletrônicos. e) O jogo do bicho e a informatização dos sorteios.

 

07. Qual é a principal crítica social ou reflexão central presente na crônica?

a) A defesa absoluta de que o progresso tecnológico é prejudicial em todos os setores.

b) Uma crítica aos supermercados que não aceitam mais cheques preenchidos à mão.

c) Uma reflexão sobre como a tecnologia despersonaliza ações cotidianas e extingue habilidades humanas tradicionais.

d) Um guia prático de como melhorar a letra de forma após anos de desuso.

e) Uma reclamação específica sobre a má qualidade do ensino de matemática nas escolas modernas.

 

sexta-feira, 6 de março de 2026

NOTÍCIA: MENINO PALESTINO QUE VIRALIZOU AO ABRAÇAR MÉDICO EM GAZA ESTÁ EM SEGURANÇA - VITOR GUERRA - COM GABARITO

 NOTÍCIA: MENINO PALESTINO QUE VIRALIZOU AO ABRAÇAR MÉDICO EM GAZA ESTÁ EM SEGURANÇA

 25 de outubro de 2023 – Por Vitor Guerra

     O menino palestino que viralizou na semana passada, após abraçar um médico, está vivendo em um campo de refugiados junto com a família, em Rafah, fronteira do Egito. Felizmente, Muhammad Abu Louli, agora está em segurança.

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiM_ehWh0ZYTV9yT24GCa0lSHlph6D8xokdJHaUbpC885QF83-nqHcOzoAAi3bDKoxMQTno6fMQw0y-12rQt9P9pvOTjuCCU-uOnrgrCVdrakcItWpt0-gtkHJjr_s4SYIWLQdgO4kjfjX2aqaMYWv-K_sKHMq68uJOy596Twb7rWC5vpYFZX_4I51Y5vE/s320/sem-tituloa_1.jpg


    As imagens mostravam o garotinho em estado de choque no hospital após ter sua casa bombardeada por mísseis israelenses. No local, o pequeno, com os olhos arregalados e tremendo, foi confortado pelo médico.
    Agora, uma semana depois, uma notícia boa! O fotógrafo Abdallah Alattar, que cobre o conflito, registrou imagens de Muhammad com a família em uma escola que abriga refugiados. A expressão de medo e espanto do garotinho foi substituída pela leveza.

 

https://www.sonoticiaboa.com.br

Entendendo  o texto

 

01.  Qual o fato que motivou a publicação da notícia? 
a) A divulgação das imagens tocantes do menino palestino e o médico.
b) A preocupação global com a situação dos refugiados palestinos.
c) O esforço da comunidade internacional para garantir a segurança do garoto.
d) O registro da transformação emocional do menino, substituindo o medo pela esperança.

    02. Há uma opinião em:

         a) “As imagens mostravam o garotinho em estado de choque…”
         b) “Felizmente, Muhammad Abu Louli, agora está em segurança.”
         c) “No local, o pequeno, com os olhos arregalados e tremendo…”
         d) “Agora, uma semana depois, uma notícia boa!”

        03. Qual era o estado emocional de Muhammad no hospital logo após o bombardeio, conforme descrito no texto?

       a) Ele estava calmo e sorridente.

       b) Ele estava em estado de choque, tremendo e com os olhos arregalados.

       c) Ele estava bravo e gritando com os médicos.

       d) Ele estava dormindo profundamente devido ao cansaço.

 

      04. Onde Muhammad e sua família estão vivendo atualmente, de acordo com a atualização da notícia?

       a) Em sua antiga casa que foi reconstruída.

      b) Em um hospital na cidade de Gaza.

     c) Em um campo de refugiados em uma escola em Rafah.

     d) Fora da Palestina, em um país da Europa.

 05. Quem foi o responsável por registrar as novas imagens que mostram o menino em segurança e com uma expressão de leveza?

     a) O médico que o abraçou no hospital.

     b) O jornalista Vitor Guerra.

     c) Um familiar de Muhammad.

     d) O fotógrafo Abdallah Alattar.

    06. O que causou o estado de choque inicial de Muhammad no hospital?

       O fato de sua casa ter sido bombardeada por mísseis.

   07. De acordo com o texto, qual gesto de Muhammad viralizou na internet na semana anterior à notícia?

      O gesto de abraçar um médico enquanto estava no hospital.

08. Como o texto descreve a mudança na expressão do garoto entre o momento no hospital e o momento no campo de refugiados?

      A expressão de medo, choque e espanto foi substituída por uma expressão de leveza.

 

POEMA: QUERO - CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE - COM GABARITO

 Poema: Quero

            Carlos Drummond de Andrade

 

Quero que todos os dias do ano

todos os dias da vida

de meia em meia hora

de 5 em 5 minutos

me digas: Eu te amo.

 

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjIjGsjTRyP27-w9RwcN0lycpgXZVIoWvgDzWk9ce7s7DYHpxOkTQfNk8gR1wYRR4XPqbU-PNHtf6JCt2il1rvekLJsOmtNlMlsaGj45It2TG0wfROfzGywvJh_4n4jCR3OOZg2m1smf3C1h7YmQTQLpdVbnVs3J2iuTyD-_fB1Y2SxqhkkKOFNMB-haeQ/s1600/AMO.jpg

Ouvindo-te dizer: Eu te amo,

creio, no momento, que sou amado.

No momento anterior

e no seguinte,

como sabê-lo?

 

Quero que me repitas até a exaustão

que me amas que me amas que me amas.

Do contrário evapora-se a amação

pois ao dizer: Eu te amo,

desmentes

apagas

teu amor por mim.

 

Exijo de ti o perene comunicado.

Não exijo senão isto,

isto sempre, isto cada vez mais.

Quero ser amado por e em tua palavra

nem sei de outra maneira a não ser esta

de reconhecer o dom amoroso,

a perfeita maneira de saber-se amado:

amor na raiz da palavra

e na sua emissão,

amor

saltando da língua nacional,

amor

feito som

vibração espacial.

 

No momento em que não me dizes:

Eu te amo, 

inexoravelmente sei

que deixaste de amar-me,

que nunca me amaste antes.

 

Se não me disseres urgente repetido

Eu te amoamoamoamoamo,

verdade fulminante que acabas de desentranhar,

eu me precipito no caos,

essa coleção de objetos de não-amor.

 

Entendendo o texto

 

01. No poema, o eu lírico demonstra uma necessidade constante de ouvir a frase "Eu te amo". Qual é o principal motivo para essa exigência?

     a) Ele tem má memória e esquece o que as pessoas dizem.

     b) Ele acredita que o amor só existe no exato momento em que é dito em voz alta.

     c) Ele quer testar a paciência da pessoa amada todos os dias.

     d) Ele prefere ganhar presentes do que ouvir palavras de carinho.

02. Na terceira estrofe, o autor utiliza a expressão "até a exaustão". O que essa expressão sugere sobre o desejo do eu lírico?

    a) Que ele quer que a pessoa amada descanse e durma bastante.

    b) Que ele deseja que a declaração de amor seja repetida inúmeras vezes, sem parar.

    c) Que ele está cansado de amar e quer terminar o relacionamento.

    d) Que ele não gosta de conversar e prefere o silêncio.

03. Para o eu lírico de Drummond, como o amor é reconhecido de forma "perfeita"?

      a) Através de gestos e atitudes do dia a dia.

      b) Por meio de cartas escritas e enviadas pelo correio.

     c) Através da palavra falada, do som e da vibração da voz.

     d) Através de olhares profundos e silenciosos.

04. O que acontece com o eu lírico no momento em que ele não ouve a frase "Eu te amo"?

      a) Ele fica feliz porque finalmente tem um pouco de paz.

      b) Ele sente que o amor nunca existiu e se sente perdido no "caos".

      c) Ele resolve sair para caminhar e esquecer os problemas.

      d) Ele entende que a pessoa amada está apenas ocupada com outras coisas.

05. No final do poema, a palavra "Eu te amo" aparece escrita de forma grudada: "Eu te amoamoamoamoamo". Essa forma de escrever serve para representar:

     a) Um erro de digitação do autor que não foi corrigido.

     b) A pressa da pessoa amada para ir embora.

     c) A intensidade e a rapidez da repetição exigida pelo eu lírico.

     d) Que o amor é algo muito confuso e impossível de entender.