quinta-feira, 6 de agosto de 2026

BIOGRAFIA: HISTÓRIA DA RUTH ROCHA - COM GABARITO

 Biografia: História da Ruth Rocha

 

        Ruth Rocha nasceu em 1931 na cidade de São Paulo. Filha dos cariocas Álvaro de Faria Machado, médico, e Esther de Sampaio Machado, tem quatro irmãos, Rilda, Álvaro, Eliana e Alexandre. Teve uma infância alegre e repleta de livros e gibis. O bairro de Vila Mariana, onde morava, tinha nessa época muitas chácaras por onde Ruth passava, a caminho da escola – estudava no Colégio Bandeirantes. Mais tarde, terminou o Ensino Médio no Colégio Rio Branco. 

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjexIAh9rEKRjT4_7JO5DXpjjmHYU1pysgL56631HEIoHz0o1p6x9qMDqN3f6oc-tvhRI6Xokkf0W3atJP0vO3fJTs82ZUnWqTaTLl7pCnzdPdKV67CGmIh6mSWetDHQTfqDuC7aiWntSPS0ogrTc5BCrG6JelhKFvOGgjIbAZzmdQeb1WCuEf44KCN7qw/s1600/images.jpg


        É graduada em Sociologia e Política pela Universidade de São Paulo e pós-graduada em Orientação Educacional pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Casada com Eduardo Rocha, tem uma filha, Mariana e dois netos, Miguel e Pedro. 

        Durante 15 anos (de 1956 a 1972) foi orientadora educacional do Colégio Rio Branco, onde pôde conviver com os conflitos e as difíceis vivências infantis e com as mudanças do seu tempo. A liberação da mulher, as questões afetivas e de autoestima foram sedimentando-se em sua formação.

        Começou a escrever em 1967, para a revista Claudia, artigos sobre educação. Participou da criação da revista Recreio, da Editora Abril, onde teve suas primeiras histórias publicadas a partir de 1969. “Romeu e Julieta”, “Meu Amigo Ventinho”, “Catapimba e Sua Turma”, “O Dono da Bola”, “Teresinha e Gabriela” estão entre seus primeiros textos de ficção. Ainda na Abril, foi editora, redatora e diretora da Divisão de Infanto-Juvenis.

        Publicou seu primeiro livro, “Palavras Muitas Palavras”, em 1976, e desde então já teve mais de 130 títulos publicados, entre livros de ficção, didáticos, paradidáticos e um dicionário. As histórias de Ruth Rocha estão espalhadas pelo mundo, traduzidas em mais de 25 idiomas.

        Monteiro Lobato foi sua grande influência. Em sua obra, essa influência se traduz pelo seu interesse nos problemas sociais e políticos, na sua tendência ao humor e nas suas posições feministas. 

        Seu livro de forte conteúdo crítico, “Uma História de Rabos Presos”, foi lançado em 1989 no Congresso Nacional em Brasília, com a presença de grande número de parlamentares. Em 1988 e 1990 lançou na sede da Organização das Nações Unidas em Nova York seus livros “Declaração Universal dos Direitos Humanos” para crianças e “Azul e Lindo – Planeta Terra Nossa Casa”.

        Participou durante seis anos do programa de televisão Gazeta Meio-Dia como membro fixo da mesa de debates. 

        Em 1998 foi condecorada pelo presidente Fernando Henrique Cardoso com a Comenda da Ordem do Mérito Cultural do Ministério da Cultura.

        Ganhou os mais importantes prêmios brasileiros destinados à literatura infantil da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil, da Câmara Brasileira do Livro, cinco Prêmios “Jabuti”, da Associação Paulista de Críticos de Arte e da Academia Brasileira de Letras, Prêmio João de Barro, da Prefeitura de Belo Horizonte, entre outros.

        Seu livro mais conhecido é “Marcelo, Marmelo, Martelo”, que já vendeu mais de 1 milhão de cópias.

        Em 2002 ganhou o prêmio Moinho Santista de Literatura Infantil, da Fundação Bunge. Também nesse ano foi escolhida como membro do PEN CLUB – Associação Mundial de Escritores no Rio de Janeiro. 

        Atualmente é membro do Conselho Curador da Fundação Padre Anchieta. 

 

Disponível em: http://www2.uol.com.br/ruthrocha/historiadaruth.htm

 

Entendendo a biografia:

01 – Construa uma linha do tempo da vida da autora escrevendo, resumidamente, os acontecimentos de cada data abaixo:

1931: Nascimento de Ruth Rocha na cidade de São Paulo.

1967: Início de sua carreira como escritora, publicando artigos sobre educação para a revista Claudia.

1969: Publicação de suas primeiras histórias de ficção infantil na revista Recreio (como "Romeu e Julieta" e "O Dono da Bola").

1976: Publicação do seu primeiro livro, "Palavras Muitas Palavras".

1998: Condecoração pelo presidente Fernando Henrique Cardoso com a Comenda da Ordem do Mérito Cultural.

2002: Ganhou o prêmio Moinho Santista de Literatura Infantil e foi escolhida como membro do PEN CLUB (Associação Mundial de Escritores).

 

02 – O texto que você leu é uma biografia. Tente definir o que é biografia.

      Biografia é um gênero textual que narra os fatos marcantes da história da vida de uma pessoa real. Ela apresenta dados como data e local de nascimento, formação, conquistas, momentos importantes e realizações profissionais, geralmente organizados em ordem cronológica.

 

03 – Qual é a formação acadêmica de Ruth Rocha e qual profissão ela exerceu por 15 anos no Colégio Rio Branco?

      Ela é graduada em Sociologia e Política pela USP e pós-graduada em Orientação Educacional pela PUC-SP. Por 15 anos (de 1956 a 1972), atuou como orientadora educacional no Colégio Rio Branco.

 

04 – Quem foi a grande influência literária de Ruth Rocha e de que forma essa influência se reflete em suas obras?

      Sua grande influência foi Monteiro Lobato. Isso se reflete em seu interesse por problemas sociais e políticos, no tom de humor de suas histórias e em suas posições feministas.

 

05 – Qual é o livro mais conhecido de Ruth Rocha e qual marca de vendas ele atingiu segundo o texto?

      O livro mais conhecido é "Marcelo, Marmelo, Martelo", que já vendeu mais de 1 milhão de cópias.

 

06 – Onde e em quais anos Ruth Rocha lançou livros voltados para os Direitos Humanos e o Meio Ambiente em nível internacional?

      Ela lançou os livros "Declaração Universal dos Direitos Humanos" para crianças e "Azul e Lindo – Planeta Terra Nossa Casa" na sede da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, nos anos de 1988 e 1990.

 

07 – Qual livro de forte conteúdo crítico a autora lançou no Congresso Nacional em Brasília em 1989?

      O livro "Uma História de Rabos Presos".

 

 

HISTÓRIA: FAZ MUITO TEMPO II - CONTINUAÇÃO - RUTH ROCHA - COM GABARITO

 História: Faz muito tempo II – Continuação

              Ruth Rocha

 

E a história continua! Veja o que aconteceu...

 

Pedrinho gostou logo do seu trabalho.
Para Pedrinho, era o mais bonito de todos.
Ficar lá em cima do mastro mais alto, numa cestinha, e ir avisando tudo o que via.
Aprendeu logo as palavras diferentes que os marujos usavam e, logo que havia alguma coisa, gritava, muito importante:
-- Nau capitânia a bombordo...
-- Baleias a estibordo...

Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhEeCjG2H4mES6YzN215X3zJX2W0iV_QnE-wM1fSRm0BwM5XlPl35ZRtagAS7TCrrNCJNUXwwhvyJzWmZxLKoMm3ORz5gjrFe-1dBVLjqbpl9-o_NhJPvwpIFrLRlZo7zWUXlkYu1zs2i5IX5kwNZvm0HfH37ORxoF4_hNw6hWfAx8CqpHfjXfVWOPXUjM/s320/images.jpg 



Depois de alguns dias, Pedrinho viu ao longe as ilhas Canárias, mais tarde, as ilhas de Cabo Verde.
E depois não se viu mais nenhuma terra.
Somente céu e mar, mar e céu.
E peixes, que pulavam fora da água, como se voassem.
E baleias, que passavam ao longe, espirrando colunas de água.
Pedrinho viu noites de lua, quando o mar parecia um espelho.
E noites de tempestade, quando as ondas, enormes, pareciam querer engolir o navio.
E dias de vento, e dias de calmaria.

Até que um dia...
Até que um dia, boiando sobre as águas, Pedrinho avistou alguma coisa.
O que seria?
Folhas, galhos, parecia.
De repente, uma gaivota, voando seu voo branco contra o céu.
Pedrinho sabia o que isso queria dizer:

-- Sinais de terra!!!
Todos vieram olhar e houve grande alegria.
-- Sinais de terra!!!
E todos trabalharam com mais vontade.
Até que, no outro dia, Pedrinho avistou, ao longe, o que parecia um monte.
E gritou o aviso tão esperado:

-- Terra à vista!
E como era o dia da Páscoa, o monte recebeu o nome de Monte Pascoal.

E no outro dia chegaram mais perto e viram.
A praia branca, a mata fechada...

-- Deve ser uma ilha – diziam todos.
Pedrinho, lá do alto, enxergava melhor:
-- A praia está cheia de gente...

Os navios procuraram um lugar abrigado e lançaram suas âncoras.
E esse lugar se chamou Porto Seguro.
E Pedrinho viu o que havia do outro lado do mar.
Era uma terra de sol, terra de matas, terra de mar...

Do outro lado do mar viviam pessoas.
Homens, mulheres, meninos, meninas.
Todos muito morenos, enfeitados de penas, pintados de cores alegres: índios.

Viviam pássaros de todas as cores.
Cobras de todos os tamanhos.
Feras de todas as bravezas.
Do outro lado do mar viviam meninos índios que pensavam:
-- O que é que existe do outro lado do mar?


Adaptação: ROCHA, Ruth. Faz muito tempo. São Paulo: Editora Ática, 2000.

Entendendo a história:

01 – Todos os marinheiros tinham um trabalho a realizar. Qual era a função de Pedrinho?

      A função dele era ficar no topo do mastro mais alto, dentro de uma cestinha (conhecida como cesto de gávea), observando e avisando a tripulação sobre tudo o que via no mar.

02 – Os marinheiros têm uma linguagem diferente, que usam quando estão navegando. Transcreva o trecho em que essas palavras aparecem.

      “-- Nau capitânia a bombordo...” e “-- Baleias a estibordo...”

03 – “─ O que é que existe do outro lado do mar?” [...] Essa fala é utilizada por personagens da história, em dois momentos e em dois lugares diferentes. Quem são esses personagens?

      Pedrinho (em Portugal) e os meninos índios (na terra que viria a ser o Brasil).

04 – Onde se encontravam Pedrinho e os meninos índios ao se perguntarem o que havia do outro lado do mar?

      Pedrinho estava em Portugal (na Europa) e os meninos índios estavam na praia/terra onde os navios desembarcaram (na América / no Brasil).

05 – Explique com suas palavras, por que isso ocorre.

      Respostas pessoal. Sugestão: Isso acontece porque ambos tinham curiosidade sobre o desconhecido. Como nenhum dos dois lados sabia da existência do outro ou o que havia através do oceano, todos se faziam a mesma pergunta sobre o que existia além do horizonte.

06 – Em 1500, as viagens pelo mar demoravam muito, pois as caravelas (barcos) dependiam do vento para se movem no mar. Depois de algum tempo de viagem, Pedrinho teve um sinal de que estava se aproximando de terras. Que sinal foi esse?

      Ele avistou folhas e galhos boiando nas águas, além de uma gaivota voando no céu.

07 – Que nome os navegantes deram às terras? Por quê?

      Deram o nome de Monte Pascoal ao monte avistado, porque no dia em que avistaram a terra era o dia da Páscoa. Já o local onde ancoraram os navios foi chamado de Porto Seguro, por ser um local abrigado.

08 – Retire do texto um trecho que revela as características da terra avistada.

      “Era uma terra de sol, terra de matas, terra de mar...” (Também pode ser citado: “A praia branca, a mata fechada...”)

09 – Escreva a frase que Pedrinho utilizou para dizer que avistava terra.

      “-- Terra à vista!”

10 – “─ Ó menino, tu queres ser marinheiro? Pedrinho arregalou os olhos.” Explique, com suas palavras, o significado da expressão “arregalou os olhos”.

      Significa abrir muito os olhos por ter ficado surpreso, espantado ou muito entusiasmado com a pergunta do padrinho.

11 – A pergunta que Pedrinho fez ao pai, no início da história, foi respondida.

a) Quando isso ocorreu?

      Ocorreu no momento em que a expedição chegou à nova terra e Pedrinho pôde observar a praia, a natureza e as pessoas que moravam lá.

b) Transcreva o trecho que revela o que Pedrinho encontrou do outro lado do mar.

      “Era uma terra de sol, terra de matas, terra de mar... Do outro lado do mar viviam pessoas. Homens, mulheres, meninos, meninas. Todos muito morenos, enfeitados de penas, pintados de cores alegres: índios.”

12 – A curiosidade sobre o que havia do outro lado do mar não estava somente na cabeça de Pedrinho. Do outro lado do mar, para onde Pedrinho viajava, também havia curiosidade em seus habitantes. Escreva o trecho em que é possível identificar esse fato.

      “Do outro lado do mar viviam meninos índios que pensavam: -- O que é que existe do outro lado do mar?”.

CRÔNICA: LUTO PELA FAMÍLIA SILVA - RUBEM BRAGA - COM GABARITO

 Crônica: Luto pela família Silva

             Rubem Braga

 

        A assistência foi chamada. Veio tinindo. Um homem estava deitado na calçada. Uma poça de sangue. A Assistência voltou vazia. O homem está morto. O cadáver foi removido para o necrotério. Na seção dos "Fatos Diversos" do Diário de Pernambuco, leio o nome do sujeito: João da Silva. Morava na Rua da Alegria. Morreu de hemoptise.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEh9G9jsnp0KrYURV0aJGNvNXXl16sHH5zvdx23I2JU6mRroj8Twx16bRd05xuGWihyphenhyphengJSfPdHqgnhTFET_3Y11i-rOsJJpKnoeZYZ2rSzo1SmuEYq0k6fk0YpMLnRedLdlgNtY6yLPwAVfKblvavpOkfJ_hZEQ0CRw4IlqsiJtjdn1U7X87U_kOQFJtgm4/s1600/images.jpg


        João da Silva – Neste momento em que seu corpo vai baixar à vala comum, nós, seus amigos e seus irmãos, vimos lhe prestar esta homenagem. Nós somos os Joões da silva. Nós somos os populares Joões da Silva. Moramos em várias casas e em várias cidades. Moramos principalmente na rua. Nós pertencemos, como você, à família Silva. Não é uma família ilustre; nós não temos avós na história. Muitos de nós usamos outros nomes, para disfarce. No fundo, somos os Silva. Quando o Brasil foi colonizado, nós éramos os degredados. Depois fomos os índios. Depois fomos os negros. Depois fomos os imigrantes, mestiços. Somos os Silva. Algumas pessoas importantes usaram e usam o nosso nome. É por engano. Os Silva somos nós. Não temos a mínima importância. Trabalhamos, andamos pelas ruas e morremos. Saímos da vala comum da vida para o mesmo local da morte. Às vezes, por modéstia, não usamos nosso nome de família. Usamos o sobrenome "de Tal". A família Silva e a família "de Tal" são a mesma família. E, para falar a verdade, uma família que não pode ser considerada boa família. Até as mulheres que não são de família pertencem à Silva.

        João da Silva – nunca nenhum de nós esquecerá seu nome. Você não possuía sangue-azul. O sangue que saía de sua boca era vermelho – vermelhinho da silva. Sangue de nossa família. Nossa família, João, vai mal em política. Sempre por baixo. Nossa família, entretanto, é que trabalha para os homens importantes. A família Crespi, a família Matarazzo, a família Guinle, a família Rocha Miranda, a família Pereira Carneiro, todas essas famílias assim são sustentadas pela nossa família. Nós auxiliamos várias famílias importantes na América do Norte, na Inglaterra, na França, no Japão. A gente de nossa família trabalha nas plantações de mate, nos pastos, nas fazendas, nas usinas, nas praias, nas fábricas, nas minas, nos balcões, no mato, nas cozinhas, em todo lugar onde se trabalha. Nossa família quebra pedra, faz telha de barro, laça os bois, levanta os prédios, conduz os bondes, enrola o tapete do circo, enche os porões dos navios, conta o dinheiro dos Bancos, faz os jornais, serve no Exército e na Marinha. Nossa família é feito Maria Polaca: faz tudo.

        Apesar disso, João da Silva, nós temos de enterrar você é mesmo na vala comum. Na vala comum da miséria. Na vala comum da glória, João da Silva. Porque nossa família um dia há de subir na política.

 

BRAGA, Rubem. Luto da família Silva. In: Para gostar de ler. 4. Ed. São Paulo, Ática: 1984.

 

Entendendo a crônica:

01 – De acordo com o que se diz no primeiro parágrafo, o que aconteceu com João da Silva? Como isso aconteceu?

      De acordo com o primeiro parágrafo, João da Silva morreu de hemoptise. Ao verem o corpo de João na calçada, chamaram a assistência, mas ela não pôde fazer nada, uma vez que o sujeito já estava morto. Sendo assim, o homem então foi levado para o necrotério.

      Obs.: Hemoptise é a expectoração sanguínea através da tosse, proveniente de hemorragia nas vias respiratórias. É comum a várias doenças cardíacas e pulmonares.

 

02 – Quem fala e para quem no primeiro parágrafo? E do segundo parágrafo em diante?

      No primeiro parágrafo da crônica, quem fala parece ser alguém que não tem intimidade com o morto, tendo em vista a linguagem impessoal e objetiva utilizada para noticiar a morte de João da Silva.  Entretanto, do segundo parágrafo em diante, ocorre uma mudança de foco narrativo, isto é, passa-se a se utilizar a primeira pessoa do plural. Daí em diante quem fala são os amigos e familiares de João da Silva se dirigindo ao próprio defunto. Isso fica claro em passagens como: “Neste momento em que seu corpo vai baixar à vala comum, nós, seus amigos e irmãos, vimos lhe prestar esta homenagem”.

 

03 – O que significa o fato de a morte do personagem ter sido noticiada na seção dos "Fatos Diversos" do Diário de Pernambuco?

      A expressão “Fatos Diversos” indica que qualquer fato pode ser noticiado nesta seção, ou seja, são fatos sem importância e que não têm distinção uns dos outros, que não merecem serem publicados numa seção de maior destaque no jornal.

 

04 – Quem são, de fato, os Joões da Silva citados pelo autor no trecho: “Nós somos os populares Joões da Silva”?

      Os Joões da Silva que não tiveram muitas oportunidades na vida e que, por isso, geralmente ocupam os cargos cuja remuneração é mais baixa, vivem sob condições precárias de vida, não têm acesso à educação de qualidade. Esses Joões da Silva são as pessoas socialmente menos privilegiadas da sociedade e que, consequentemente, sofrem mais com os efeitos da desigualdade social.

 

05 – Veja o seguinte trecho da crônica de Rubem Braga: “Muitos de nós usamos outros nomes, para disfarce. No fundo, somos os Silva. [...] Usamos o sobrenome ‘de Tal’”. O que significa usar o sobrenome ‘de Tal’ e por que se diz que “No fundo, somos os Silva.”?

      Silva é um sobrenome popular, muito comum, que não distingue as pessoas. Usar outro sobrenome “de Tal” seria uma forma de tentar não pertencer a essa família estigmatizada, sem privilégios e que sofre por pertencer a uma camada social que sobrevive com poucos recursos financeiros e condições precárias.

 

06 – Quando se diz “Até as mulheres que não são de família pertencem à família Silva”, quem são essas mulheres e por que se usa a palavra “até”?

      Mulher que não é de família é uma expressão que nos remete a mulheres entregues à prostituição, à vida promíscua. Sendo assim, utiliza-se a expressão até para mostrar o quanto as associações que se fazem à família Silva são pejorativas, ou seja, tudo ou quase tudo que há de ruim, de marginal, de servil, tem relação com a família Silva.

 

07 – Quando se refere ao sepultamento de João da Silva, o autor utiliza a expressão “vala comum”. Com que intenção ela foi utilizada no texto?

      Essa expressão foi utilizada para mostrar que os Silva não têm direito a sepultamento pomposo, com cerimônias de despedida ou coisa parecida. Pelo contrário, os Silva são todos enterrados num lugar comum, indiferente.

 

08 – Você acha que os Silva estão sempre fadados a terminar numa “vala comum”? Justifique sua resposta.

      Seria interessante nessa pergunta o professor trabalhar com a questão da comodidade, a princípio, característica injustamente associada do brasileiro. Comodidade essa que não deixaria um Silva ascender socialmente e que os torna fadados a terminarem na vala comum. Consequentemente, ao se falar em comodismo, certamente surgirão questões relacionas à desigualdade social, pois tudo parte daí. E uma vez trabalhando em prol da igualdade na sociedade, pode-se mudar essa “pré-destinação” dos Silva, por exemplo.

 

09 – No texto, são citadas várias famílias, como: “A família Crespi, a família Matarazzo, a família Guinle, a família Rocha Miranda, a família Pereira Carneiro, todas essas famílias assim são sustentadas pela nossa família.”. Qual a diferença entre essas famílias e a família Silva?

      A diferença é que essas famílias têm sobrenomes tradicionais, nobres, sobrenomes esses geralmente associados a famílias ricas, que têm poderes e privilégios na sociedade. Diferentemente da família Silva, cujo sobrenome tem forte relação, na sociedade, com sobrenomes de famílias mais humildes, mais populares. Daí a importância associada a um sobrenome como Rocha Miranda e o desprivilegio associado a sobrenomes como Silva. É como se o sobrenome servisse de identidade para mostrar a que classe social o indivíduo pertence.

 

10 – Como os Silva auxiliam essas famílias? O que há em comum entre essas profissões?

      Os Silva auxiliam essas famílias nas plantações de mate, nos pastos, nas fazendas, nas usinas, nas praias, nas fábricas, nas minas, nos balcões, no mato, nas cozinhas, quebrando pedra, fazendo telha de barro, laçando os bois, levantando os prédios, conduzindo os bondes, enchendo os porões dos navios, enfim, exercendo uma série de profissões que geralmente remuneram mal o funcionário. Sendo assim, os Silva geralmente são fadados a ocuparem as profissões de baixo prestígio na sociedade.

 

11 – Rubem Braga termina sua crônica utilizando a palavra “Apesar”. Justifique o uso dessa conjunção ao final do texto.

      O apesar, utilizado no final do texto, mostra-nos que, mesmo sendo uma pessoa digna, de valor, mesmo tendo trabalhado toda uma vida, João da Silva será enterrado como qualquer um, na “vala comum da miséria”.  Mas, mesmo assim, há um desejo manifestado pelo narrador de que os Silvas ainda serão reconhecidos, ainda terão poder político (“nossa família um dia há de subir na política”).

 

HISTÓRIA: FAZ MUITO TEMPO I - FRAGMENTO - RUTH ROCHA - COM GABARITO

 História: Faz muito tempo I – Fragmento

            Ruth Rocha


Foi em 1500, em Portugal, do outro lado do mar.
Havia um menino chamado Pedrinho.
E havia o mar.
Pedrinho amava o mar.
Pedrinho queria ser marinheiro.
Tinha alma de aventureiro.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjgwrUIIW2L8Fdtv5ZLhW39ofbbtsOT2q8wM7kz6zA0psBqMmrzRPFgWVKpRKpBStqYQCWj2oWISegPlHIQ-dmwHIrqeEqttFTuBSFg62tKEJTXnhsKolspMu9YjsHija_Cr0NRDsqqZ-nVXf9Vb8Yq-XENKChSvJAwDF0EbbUtoAGfn5qvlP_NuQtulmA/s1600/images.jpg



Perguntava sempre para o pai:
-- O que é que há do outro lado do mar?
O pai sacudia a cabeça:
-- Ninguém sabe, meu filho, ninguém sabe...
Naquele tempo, ninguém sabia o que havia do outro lado do mar.

Um dia, o padrinho de Pedrinho chegou.
O padrinho de Pedrinho era viajante.
Chegou da Índias.
Trouxe de suas viagens coisas que as pessoas nunca tinham visto...
Roupas bordadas de lindas cores...
Doces de gostos diferentes...
E os temperos, que mudavam o gosto da comida?
E as histórias que ele contava?
De castelos, de marajás, de princesas, de tesouros...
Pedrinho ouvia, ouvia e não se cansava de ouvir.
Até que o padrinho convidou:
-- Ó menino, tu queres ser marinheiro?
Pedrinho arregalou os olhos.
-- Não tens medo, ó Pedrinho?
Pedrinho bem que tinha medo.
Mas respondeu:
-- Que nada, padrinho, homem não tem medo de nada.
-- Pois, se teu pai deixar, embarcamos na semana que vem.
-- Pra onde, padrinho?
-- Para o outro lado do mar, Pedrinho.

Quando chegaram ao porto, que beleza!
Quantas caravelas, de velas tão brancas!
Pedrinho nunca tinha visto tantos navios juntos.
-- Quantos navios, padrinho! Para onde vão?
-- Pois vão conosco, Pedrinho, vão atravessar o mar.

Pedrinho embarcou.
No dia da partida houve grandes festas.
Pedrinho viu, do seu navio, quando o rei, Dom Manoel, se despediu do chefe da expedição, Pedro Álvares Cabral.
E esperaram chegar o vento. E quando o vento chegou, as velas se enfunaram e os navios partiram.

E a grande viagem começou.

[...].

 

Adaptação: ROCHA, Ruth. Faz muito tempo. São Paulo: Editora Ática, 2000.


Entendendo a história:

01 – Pedrinho tinha um desejo. Que desejo era esse?

      O desejo de Pedrinho era ser marinheiro.

02 – Transcreva o trecho que explica a razão desse desejo.

      “Tinha alma de aventureiro.”

03 – O padrinho de Pedrinho perguntou se ele queria ser marinheiro. Qual a condição apresentada pelo padrinho para deixar o menino viajar? Transcreva o trecho que justifica sua resposta.

      A condição era que o pai de Pedrinho autorizasse a viagem.

      Trecho: “-- Pois, se teu pai deixar, embarcamos na semana que vem.”

04 – O narrador apresenta dois personagens que são parentes de Pedrinho. Quem são esses personagens?

      O pai de Pedrinho e o seu padrinho.

05 – Logo no início da história, há indicações do lugar e do ano em que a história se passa. Transcreva o trecho em que você encontra essas informações.

      “Foi em 1500, em Portugal, do outro lado do mar.”

06 – Estamos no ano de 2012. Quanto tempo faz que a história contada ocorreu?

      Faz 512 anos.

07 – Volte ao texto e descubra quem está falando!

a) “─ Ninguém sabe, meu filho, / Ninguém sabe...”

      O pai de Pedrinho.

b) “Foi em 1500, em Portugal, / Do outro lado do mar, / Havia um menino / Chamado Pedrinho.”

      O narrador.

c) “─ O que é que há do outro lado do mar?”

      Pedrinho.

08 – Lendo o trecho abaixo, é possível retirar algumas informações sobre o padrinho de Pedrinho.

        “Um dia, o padrinho de Pedrinho chegou de uma viagem que havia feito às Índias. Trouxe coisas que as pessoas nunca tinham visto... Roupas bordadas de lindas cores, doces de gostos diferentes e temperos que mudavam o gosto da comida... E as histórias que ele contava? De castelos, de marajás, de princesas, de tesouros...”

a) O padrinho estava chegando de viagem. De que lugar ele chegava?

      Das Índias.

b) Ele comprou mercadorias nas Índias. Quais foram elas?

      Roupas bordadas, doces e temperos (especiarias).

c) O padrinho de Pedrinho gostava de contar histórias. Quais eram os temas das histórias que ele contava?

      Histórias de castelos, de marajás, de princesas e de tesouros.

09 – Também podemos apresentar características de objetos, de comidas, de roupas e muito mais. Releia o trecho da questão 8 e destaque as características das roupas, doces e temperos.

      Roupas: Bordadas de lindas cores.

      Doces: De gostos diferentes.

      Temperos: Que mudavam o gosto da comida.

10 – Agora leia o trecho a seguir e destaque as características das pessoas, pássaros, cobras e feras.

        “Do outro lado do mar viviam pessoas. Homens, mulheres, meninos, meninas. Todos muito morenos, enfeitados de cores alegres: índios. Viviam pássaros de todas as cores. Cobras de todos os tamanhos. Feras de todas as bravezas.”

      Pessoas: Muito morenas, enfeitadas de cores alegres (índios).

      Pássaros: De todas as cores.

      Cobras: De todos os tamanhos.

      Feras: De todas as bravezas.

 

POEMA: POTIRA - VALDECK DE GARANHUNS - COM GABARITO

Poema: Potira

            Valdeck de Garanhuns

 

Dois amantes viviam a sonhar

bem felizes curtiam sua terra

mas um dia chegou a triste guerra

e o casal teve que se separar.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhLdMwf1ahuaXxrcC1DAG38ULlbAY8dggbSAB1c4p1J9HqnVhROwDmRbYrjClJrxhQpUhDPqESyum7yGCWntO9I7WliIxLTpvU9obAmPQwBsDFq359PC0YozZ3UMEp-_ECfgjzwo8AdntSVeevEMrXnm-xDSx_ZjRgm2eeMmP_krd7wpU-ZKKiiVjm1avM/s320/images.jpg


O guerreiro partiu para lutar

muito triste pois não era seu plano

a esposa ficou em desengano

coração apertado de sofrer

esperando o amado aparecer

pra cantar um martelo alagoano.

 

Prometeu que jamais ia chorar

esperando o regresso do amado

e seu pranto no peito estagnado

só com a morte iria derramar.

Todo dia Potira ia olhar

se seu índio surgia, mesmo insano

mas o rio revelava seu engano

e Potira voltava para a aldeia

pra sonhar sob a luz da lua cheia

e cantar seu martelo alagoano.

 

Essa índia sofreu e esperou

o regresso do índio tão querido

quando soube da morte do marido

todo pranto que tinha derramou.

Lá na beira do rio ela ficou

a chorar seu destino tão tirano

mas tupã o bondoso soberano

transformou suas lágrimas brilhantes

em milhões e milhões de diamantes

e o seu pranto em martelo alagoano.

 

Garanhuns Valdeck de. Mitos e lendas brasileiras em prosa e versos recontados por Valdeck de Garanhuns. Série Folia Popular, 1ª Ed., São Paulo, Moderna, 2007.)


Entendendo o poema: 

01 – Marque a alternativa em que os fatos apresentados no poema que você acabou de ler estejam dispostos em ordem cronológica.

 I. Potira olhava ao longe diariamente.

II. Tupã valorizou o sofrimento de Potira.

III. O índio exerceu a sua função de guerreiro.

IV. O guerreiro e Potira se divertiam com frequência.

V. Potira tem o eu coração estraçalhado.

a) IV, III, V, I, II.

b) III, IV, I, II, V.

c) IV, I, III, V, II.

d) I, IV, III, II, V.

e) III, I, II, IV, V.

 

02 – No verso 4, “e o casal teve que se separar”, a expressão sublinhada indica

a) Desejo.

b) Vontade.

c) Obrigação.

d) Continuidade.

e) Possibilidade.

 

03 – Alguns termos são utilizados para retomar palavras já mencionadas no texto e, assim, evitar a repetição desnecessária. Nos versos de 15 a 17, “Todo dia Potira ia olhar / se seu índio surgia, mesmo insano / mas o rio revelava o seu engano”, a palavra sublinhada retoma o seguinte termo:

a) Potira.

b) Índio.

c) Insano.

d) Rio.

e) Engano.

 

04 – Dependendo do contexto, uma mesma palavra pode apresentar sentidos diferentes. Nos versos 19 e 20, “pra sonhar sob a luz da lua cheia / e cantar seu martelo alagoano”, a palavra destacada indica a adição de duas ações. Quanto aos versos 3 e 4 “mas um dia chegou a triste guerra / e o casal teve que se separar.”, a mesma palavra sublinhada estabelece, com o verso anterior, uma relação de sentido de:

a) Tempo.

b) Condição.

c) Comparação.

d) Causa.

e) Consequência.

 

05 – Pelo que você leu no poema só não se pode afirmar que:

a) A guerra é um FATO e a morte do índio, uma CONSEQUÊNCIA desse fato.

b) A morte do índio é um FATO e a guerra, a CAUSA desse fato.

c) A separação do casal é um FATO e as lágrimas de Potira, a CONSEQUÊNCIA desse fato.

d) A guerra é um FATO e o sofrimento de Potira, a CONSEQUÊNCIA desse fato.

e) A morte do guerreiro é um FATO e o amor de Potira, a CAUSA desse fato.

 

06 – Marque a opção em que a substituição do termo sublinhado pelo que está indicado em seguida altera o sentido da frase.

a) “a esposa ficou em desengano / coração apertado de sofrer” (versos 7 e 8) – desilusão.

b) “mas o rio revelava seu engano / e Potira voltava para a aldeia” (versos 17 e 18) – encobria.

c) “Essa índia sofreu e esperou / o regresso do índio tão querido” (versos 21 e 22) – volta.

d) “Lá na beira do rio ela ficou / a chorar seu destino tão tirano” (versos 25 e 26) – cruel.

e) “mas Tupã o bondoso soberano / transformou suas lágrimas brilhantes” (versos 27 e 28) – deus.

 


NOTÍCIA: O AR QUE RESPIRAMOS - JBONLINE - COM GABARITO

 Notícia: O ar que respiramos

        Os maços de cigarros brasileiros passaram a exibir obrigatoriamente imagens chocantes de pacientes vítimas do tabagismo. Esta não é a primeira nem será a última das campanhas ordenadas pelo governo para alertar as pessoas sobre os malefícios do fumo, sobretudo considerando que os fabricantes nos últimos tempos direcionaram sua publicidade para os jovens e as mulheres. De acordo com o Instituto Nacional do Câncer, há 30 milhões de fumantes no Brasil, dos quais 2,4 milhões têm de 15 a 19 anos. Ainda no Brasil, um em cada dez casos de câncer de pulmão é causado pelo cigarro. Isso significa que o tabagismo causa 80 mil mortes todos os anos.

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi2BD8adj_JrueUBy3hOz5R33t7Py254Gj7nWVtsgaigjcALrnD2YM7mTQFCakJRSRc7N86yPjopPjIHfJ57aY78GQWbyCgGHulwesBWxLNHVbx1AdDNe2ibjkItVwxV5FcdjBUMNivnH62YLNzbf-xXPkWB3n2cJxMB2TLpZPRmGi3T14u6JhvFjgxXRY/s320/images.jpg


        A Organização Mundial de Saúde também não se cansa de lembrar que atualmente 4 milhões de pessoas morrem de doenças relacionadas com o fumo. Se não se inverter com urgência a tendência, o cigarro, daqui a vinte anos, ocupará o primeiro lugar na lista de causas de morte nos países desenvolvidos. Segundo relatório divulgado em meados do ano passado pelo governo inglês, 8,5 milhões de pessoas morrerão por ano devido ao fumo.

        São estatísticas mais do que convincentes. Só não convencem os fumantes empedernidos que, além de não pararem de fazer mal à própria saúde, ainda prejudicam a saúde alheia, atingindo os chamados “fumantes passivos” nos ambientes fechados.

        A Europa saiu na frente na luta contra o fumo, ciente de que um em cada três europeus fuma, e o objetivo é baixar esta relação para um em cinco, como ocorre nos EUA. A guerra contra o fumo é também uma guerra contra a mentira dos fabricantes que tentam convencer consumidores de que tomam providências para atenuar os efeitos nocivos. São coisas que não passam de propaganda, como é o caso das palavras light e suave, impressas em maços de determinadas marcas, objeto doravante de proibição. Referem-se apenas ao sabor, e não aos efeitos nocivos do fumo.

        O Brasil já entrou nessa guerra. sete estados brasileiros movem ações nos EUA contra fabricantes de cigarros americanos. Processos movidos pelos governos de São Paulo, Rio de Janeiro, Tocantins, Espirito Santo, Mato Grosso do Sul, Goiás e  Piauí buscam ressarcimento das despesas médicas que tiveram com pacientes vitimados por doenças decorrentes do fumo. O Rio saiu na frente entrando com ação no Texas.

        Processos contra empresas americanas começaram em 1999. Perversamente, o consumo de tabaco baixa nos países ricos, mas o lucro dos fabricantes aumenta. Isto se deve graças à ofensiva que se dirige aos jovens e às mulheres nos países em desenvolvimento. Esta proporção, que na realidade é uma desproporção sinistra, tem de acabar. Se não com a atual campanha, seja com outras, e com medidas eficazes do governo, até que a atmosfera volte a ficar rarefeita.

JBOnline. 12/2/2002. http://jbonline.terra.com.br.

Fonte: Linguagem Nova. Faraco & Moura. 8ª série. 15ª edição, 2ª impressão. Editora Ática. São Paulo. 2003. p. 235.

Entendendo a notícia:

01 – Qual foi a medida governamental obrigatória adotada no Brasil mencionada no início do texto e qual é o principal objetivo das campanhas publicitárias de conscientização contra o fumo?

      A medida foi a obrigatoriedade da exibição de imagens chocantes de pacientes vítimas do tabagismo nos maços de cigarros. O objetivo principal das campanhas é alertar a população sobre os malefícios do fumo, especialmente contrapondo-se à publicidade dos fabricantes, que passou a focar fortemente nos públicos jovem e feminino.

02 – Segundo os dados do Instituto Nacional do Câncer e da Organização Mundial de Saúde (OMS) citados no texto, qual é o impacto do tabagismo na saúde pública brasileira e global?

      No Brasil, existem 30 milhões de fumantes (dos quais 2,4 milhões são jovens entre 15 e 19 anos), o cigarro causa um em cada dez casos de câncer de pulmão e é responsável por 80 mil mortes anuais. Globalmente, a OMS indica que 4 milhões de pessoas morrem por ano de doenças ligadas ao fumo, com a previsão de que o tabagismo se torne a principal causa de morte nos países desenvolvidos se a tendência não for revertida.

03 – Como o texto define os "fumantes passivos" e por que o autor critica a atitude dos chamados "fumantes empedernidos"?

      Os "fumantes passivos" são as pessoas que não fumam, mas acabam inalando a fumaça e prejudicando sua saúde ao compartilhar ambientes fechados com quem fuma. O autor critica os "fumantes empedernidos" porque, apesar das estatísticas alarmantes, eles se recusam a parar de fumar, prejudicando tanto a própria saúde quanto a das pessoas ao seu redor.

04 – De que forma os fabricantes de cigarros usavam termos como "light" e "suave" nos maços, e qual é a crítica do texto a essa prática?

      Os fabricantes utilizavam essas palavras como uma estratégia de propaganda para tentar convencer os consumidores de que estavam reduzindo os efeitos nocivos do produto. O texto critica essa prática classificando-a como uma mentira, pois esses termos referem-se apenas ao sabor do cigarro e não à diminuição dos seus riscos à saúde, razão pela qual foram objeto de proibição.

05 – Qual foi a atitude judicial tomada por sete estados brasileiros nos Estados Unidos contra as indústrias de tabaco americanas e qual o motivo dessa ação?

      Sete estados brasileiros (São Paulo, Rio de Janeiro, Tocantins, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Goiás e Piauí) moveram ações judiciais nos EUA contra fabricantes americanos buscando o ressarcimento de despesas médicas que os governos estaduais tiveram ao tratar pacientes com doenças decorrentes do tabagismo.

 

CONTO: OS CEGOS E O ELEFANTE - WILLIAM J. BENNETT - COM GABARITO

 Conto: Os cegos e o elefante

          William J. Bennett

        Era uma vez seis amigos, todos cegos, que moravam na Índia – terra dos maiores animais do mundo, os elefantes. Naturalmente, sendo cegos, os amigos não tinham a menor ideia de como era um elefante.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjLlTxCPJ49yl1ETDx_Xy_FK2LPTho8sRAreR8f0Nub4wgashCArhD_7EWyut2kb8wPCxQeZgx3RAxA6ghuNfdoXl3xR20JUSN7TCWiLXNjwsnz1AYDXiY6yTazDUYReSjAuBAA45nStNhkPEN55D-YRpTBfKG_MgQvcg2Vp48IUp9RgxIZlvp0O8Pbjc8/s320/images.jpg


        Um dia, estavam sentados, conversando, quando escutaram um grande urro.

        -- Acho que está passando um elefante pela rua – disse um deles.

        -- Então, é nossa chance de descobrir que tipo de criatura é esse tal de elefante! – disse outro.

        E foram todos para a rua.

        O primeiro cego esticou o braço e tocou na orelha do elefante.

        “Ah!”, disse para si mesmo, “o elefante é uma coisa áspera, espalhada. É como um tapete”.

        O segundo cego pegou na tromba.

        “Agora entendo”, pensou. “O elefante é uma coisa comprida e redonda. É como uma cobra gigante”.

        O terceiro cego pegou uma perna do elefante.

        “Bom, eu jamais iria adivinhar!”, espantou-se. “O elefante é alto e forte, igual a uma árvore”.

        O quarto cego pegou ao lado da barriga do elefante.

        “Agora eu sei”, pensou. “O elefante é largo e liso, como uma parede”.

        O quinto cego colocou a mão numa das presas.

        “O elefante é um animal duro, pontudo, como uma lança”, decidiu ele.

        O sexto cego pegou no rabo do elefante.

        “Ora, ora!”, decepcionou-se. “Pode urrar bem forte, mas esse tal de elefante é apenas uma coisinha igual a uma cordinha fina!”.

        Em seguida, sentaram-se juntos novamente, para conversar sobre o elefante.

        -- Ele é áspero e espalhado, como um tapete! – disse o primeiro.

        -- Não, nada disso; ele é comprido e roliço, como uma cobra – disse o segundo.

        -- Não fale uma bobagem dessas! – riu o terceiro. – Ele é alto e firme, como uma árvore!

        -- Ah, nada disso – resmungou o quarto. – Ele é largo e liso, como uma parede.

        -- Duro e pontudo, como uma lança! – gritou o quinto.

        -- Fininho e comprido, como uma cordinha! – berrou o sexto.

        E aí começaram a brigar. Cada um insistia que tinha razão. Afinal, cada um o havia tocado com suas próprias mãos.

        O dono do elefante ouviu a gritaria e chegou perto para ver que confusão era aquela.

        -- Cada um de vocês está certo, mas cada um de vocês está errado também – falou ele. – Um homem sozinho não consegue saber toda a verdade, só uma pequena parte. Porém, se trabalharmos juntos, cada um contribuindo com a sua parte para a formação do todo, aí sim poderemos obter sabedoria.

BENNETT, William J. O livro das virtudes II – O compasso moral. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1986. p. 175-177.

Fonte: Linguagem Nova. Faraco & Moura. 8ª série. 15ª edição, 2ª impressão. Editora Ática. São Paulo. 2003. p. 117-118.

Entendendo o conto:

01 – O que motivou os seis amigos cegos a irem para a rua e qual método eles utilizaram para tentar descobrir como era um elefante?

      A motivação dos seis amigos foi ouvir o grande urro do animal ao passar pela rua, o que viram como uma oportunidade para descobrir como ele era, já que não tinham noção da sua forma. Para isso, eles utilizaram o sentido do tato, onde cada um tocou em uma parte diferente do corpo do elefante para tentar compreender o animal como um todo.

02 – Como a percepção individual de cada um dos seis cegos sobre o elefante diferiu entre si? Relacione a parte do corpo tocada com a comparação feita por cada um.

      A percepção de cada cego variou de acordo com a parte do corpo que tocaram:

      O primeiro, ao tocar a orelha, achou o elefante áspero e espalhado como um tapete.

      O segundo, ao pegar na tromba, concluiu que era comprido e redondo como uma cobra gigante.

      O terceiro, ao tocar na perna, achou-o alto e forte como uma árvore.

      O quarto, ao apalpar a barriga, achou-o largo e liso como uma parede.

      O quinto, ao tocar na presa, julgou-o duro e pontudo como uma lança.

      O sexto, ao segurar o rabo, achou-o fino como uma cordinha.

03 – Por que os amigos começaram a discutir e a brigar quando se reuniram para conversar sobre o que haviam descoberto?

      Os amigos começaram a brigar porque cada um insistia que sua própria descrição era a única correta, já que haviam experimentado o toque com as próprias mãos. Como cada um percebeu apenas uma parte isolada do elefante, eles não conseguiam aceitar que as descrições dos outros — aparentemente contraditórias — pudessem ser verdadeiras ao mesmo tempo.

04 – Qual foi a explicação dada pelo dono do elefante para resolver o impasse e a confusão entre os seis amigos?

      O dono do elefante explicou que todos estavam corretos e errados ao mesmo tempo. Estavam certos quanto à parte específica que tocaram, mas errados ao tentarem definir o animal inteiro baseando-se apenas nessa experiência parcial, pois uma pessoa sozinha não consegue alcançar a verdade completa, apenas uma fração dela.

05 – Qual é a principal lição de moral ou ensinamento transmitido por esse conto a respeito do conhecimento e do trabalho em equipe?

      A principal lição do conto é que a verdade total sobre algo raramente é percebida por uma única pessoa, pois cada indivíduo enxerga o mundo através de sua perspectiva limitada. O texto ensina que para alcançar a sabedoria e a compreensão completa de um fato, é necessário somar as diferentes visões e pontos de vista por meio da cooperação e do diálogo.