sábado, 1 de agosto de 2026

CORDEL: UM TESOURO SEM PAR - 100 ANOS DE CORDEL - COM GABARITO

 Cordel: Um tesouro sem par

        Antes de serem impressos no Brasil, as histórias de cordel eram contadas pelo povo e reproduziam outras, vindas de tempos e terras distantes, trazidas pelos portugueses.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEilf_gE5q4KJnpR2PTjneGE0RM6h_9axMGKOihfbvjZrdp1paO5LBIYKWzBCJaafKVQhcRSo3hjzQ4i2tYGwnyOLKDlq2MQoL-MXmMILJD-ysiBcARj5aHyTlaUlsL8WhJMCuMMm9eNn7lO9iiQijzGzqcpG14vqeXlSknhLdV-QJ9wHPTAE9oruEki2Rs/s320/images.jpg


        São narrativas de heróis, princesas de beleza deslumbrante, príncipes destemidos, reis, como Carlos Magno, e seus intrépidos guerreiros, que se transportaram da Idade Média para o imaginário do povo do nosso sertão.

        A literatura popular em versos desenvolveu-se aqui como em nenhuma outra parte do mundo. Mas, além de histórias fantásticas, os poetas cantadores faziam chegar aos pontos mais distantes do sertão nordestino notícias das coisas acontecidas, comentários políticos, as valentias de Lampião, os milagres do Padre Cícero.

        A imprensa instalou-se no Brasil, em 1808, com a chegada da família real portuguesa, mas a circulação dos jornais ficava limitada às cidades mais importantes. Assim, só nos últimos anos do século XIX, surgiram os primeiros folhetos.

        As ilustrações, os cabeçalhos e vinhetas dos folhetos de cordel eram feitos por xilogravura (gravura em madeira). A madeira preferida era a umburana, e os entalhes eram feitos com canivete, hastes de guarda-chuva, lâminas de barbear, etc.

        O Cordel inspirou escritores, como Jorge Amado, poetas, como João Cabral de Melo Neto, dramaturgos, como Ariano Suassuna, e está no cinema de Glauber Rocha, nas artes plásticas, como na obra de Gilvan Samico, e principalmente na música popular brasileira.

Fonte: 100 anos de cordel. São Paulo, Sesc, 2001.

Fonte: Linguagem Nova. Faraco & Moura. 6ª série. 17ª edição, 2ª impressão. Editora Ática. São Paulo. 2003. p. 208.

Entendendo o cordel:

01 – De que maneira as narrativas de origem europeia se transformaram ao chegar ao Brasil e como passaram a fazer parte do imaginário popular?

      As histórias de cordel eram originalmente contadas pela tradição oral e foram trazidas ao Brasil pelos colonizadores portugueses. Traziam temas europeus e medievais, como relatos de heróis, princesas, príncipes e figuras históricas como o rei Carlos Magno e seus guerreiros. Ao chegarem ao sertão nordestino, essas narrativas foram incorporadas e adaptadas à cultura local, mesclando a tradição literária da Idade Média com a realidade, o imaginário e o contexto do povo sertanejo.

02 – Além de contar histórias fantásticas, qual era a função social e informativa da literatura de cordel no sertão nordestino?

      O cordel desempenhava um papel fundamental de veículo de informação e jornalismo popular no sertão. Como a circulação dos jornais tradicionais ficava restrita às grandes cidades, os poetas cantadores levavam às regiões mais isoladas as notícias sobre os acontecimentos do país, comentários e debates políticos, relatos sobre o cangaço (como as valentias de Lampião) e aspectos da religiosidade popular (como os milagres do Padre Cícero).

03 – Como eram confeccionadas as ilustrações dos folhetos de cordel e quais recursos eram utilizados pelos artesãos?

      As ilustrações, cabeçalhos e vinhetas eram produzidos por meio da técnica da xilogravura, que consiste no entalhe da imagem em blocos de madeira. Para isso, os artesãos preferiam utilizar a madeira de umburana e usavam ferramentas adaptadas do cotidiano para fazer os cortes, tais como canivetes, hastes de guarda-chuva e lâminas de barbear.

04 – Qual foi o impacto da chegada da imprensa ao Brasil para o aparecimento do cordel impresso e quando surgiram os primeiros folhetos?

      Embora a imprensa tenha se instalado no Brasil em 1808 com a chegada da família real portuguesa, o acesso aos jornais permaneceu limitado aos centros urbanos de maior importância. Por essa razão, a produção e circulação dos primeiros folhetos impressos de cordel só ganharam força e se consolidaram no país nos últimos anos do século XIX.

05 – Com base no texto, demonstre como o cordel influenciou outras linguagens artísticas e culturais no Brasil.

      A literatura de cordel serviu de fonte de inspiração para diversos campos da cultura nacional. Na literatura e no teatro, influenciou grandes nomes como Jorge Amado, João Cabral de Melo Neto e Ariano Suassuna. No cinema, fez-se presente nas obras de Glauber Rocha; nas artes plásticas, destacou-se no trabalho de Gilvan Samico; e, de forma marcante, integrou-se à música popular brasileira.

 

 

NOTÍCIA: ILHA NASCE NA COSTA DE TRINIDAD E TOBAGO - FRAGMENTO - FOLHA ONLINE - COM GABARITO

 Notícia: Ilha nasce na costa de Trinidad e Tobago – Fragmento


        Uma pequena ilha de lama surgiu de dentro do oceano na costa de Trinidad e Tobago pela quarta vez em 90 anos. A ilhota foi encontrada por moradores da vila costeira de Chatham no dia 11 de maio, no canal de Columbus, cerca de 2,5 quilômetros da praia.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiJX1N9ZwpSisfNSyIGPGdpUG_J6-O352tmWIMCyhGHk20W6pnm_-AvyKg_4R7z2ECC2ysJPYkhuewAoOIB7TfYOkWJCsNY9qL5bFf7P85u8YSaI23RNSwJaz6GlRyWmYKZevN2UdQINeEqkEd73JdQBXYP8S31MC9WvCQ8dkXKmDnILW7_whDUnspDZhQ/s320/images.jpg


        Segundo os cientistas da Unidade de Pesquisas Sismológicas de Trinidad, Jan Lindsay e Kirstie Simpson, o fundo do mar começou a subir há cerca de quatro anos, de uma profundidade de 4 metros. Há seis meses, o fundo chegou à superfície.

        Com 5 metros de diâmetro e 1 metro de altura, o local tornou-se uma atração turística e alguns se dispuseram a pagar US$ 4 para dar uma olhada mais de perto no espetáculo natural.

        A ilha já se tornou o lar de vários pássaros e deu aos pescadores uma rara oportunidade de faturar um dinheiro extra, o que foi bem recebido, "especialmente em uma época em que o negócio da pesca anda em baixa", disse o proprietário do barco Seenath Singh.

        Os cientistas afirmaram que a ilha se formou com lama vulcânica e não representava nenhuma ameaça para as populações e propriedades costeiras. Os dois, porém, advertiram as pessoas para que ficassem longe da ilha e, caso se aproximassem dela, o fizessem com cautela, uma vez que o local pode explodir ou emitir gases tóxicos que entrariam em combustão espontaneamente.

        Os vulcões de lama não são vulcões verdadeiros e não entram em erupção soltando lava e cinza.

        Eles surgem quando a lama e a areia sob a superfície são pressionados para cima por forças compressivas, disseram os cientistas. [...]

fonte: Folha OnLine. www.folha.com.br.

Fonte: Linguagem Nova. Faraco & Moura. 6ª série. 17ª edição, 2ª impressão. Editora Ática. São Paulo. 2003. p. 219.

Entendendo a notícia:

01 – Onde a nova ilha foi encontrada e por que esse fenômeno não é considerado algo inédito na região?

      A pequena ilha de lama foi encontrada por moradores da vila costeira de Chatham no canal de Columbus, a cerca de 2,5 quilômetros da praia de Trinidad e Tobago. O fenômeno não é inédito porque essa é a quarta vez em 90 anos que uma ilha surge de dentro do oceano naquela mesma área.

02 – Quanto tempo durou o processo de elevação da ilha do fundo do mar até a superfície e quais eram as suas dimensões quando foi avistada?

      O processo começou cerca de quatro anos antes do aparecimento da ilha, subindo de uma profundidade de 4 metros até atingir a superfície seis meses antes da descoberta. Quando foi encontrada, a ilhota apresentava 5 metros de diâmetro e 1 metro de altura.

03 – De que maneira o surgimento da ilha impactou a economia local e os moradores da região costeira?

      O local se tornou uma atração turística, levando pessoas a pagarem US$ 4 para vê-la de perto. Isso beneficiou os pescadores locais, que puderam faturar um dinheiro extra transportando turistas em seus barcos, o que foi positivo diante da baixa na atividade da pesca.

04 – Embora os cientistas afirmem que a ilha não representa uma ameaça para as populações costeiras, quais alertas foram dados aos visitantes que tentam se aproximar?

      Os cientistas advertiram para que as pessoas fiquem longe da ilha ou se aproximem com extrema cautela, pois o local corre o risco de explodir ou de emitir gases tóxicos capazes de sofrer combustão espontânea.

05 – De acordo com o texto, qual é a diferença entre os vulcões de lama e os vulcões verdadeiros quanto à sua formação e ao material liberado?

      Os vulcões de lama não são vulcões verdadeiros porque não entram em erupção expelindo lava e cinza. Eles se formam pelo acúmulo de lama e areia que estão sob a superfície e acabam sendo pressionados para cima devido a forças de compressão.

 

 

CONTO: ADIVINHAS - RICARDO AZEVEDO - COM GABARITO

 Conto: Adivinhas

          Ricardo Azevedo

I

O que é, o que é?
Separa as coisas do mundo
Na terra manda e desmanda
Sobe morro, desce morro
Vive parada e não anda?

      A cerca.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiIigHa-5kG0LNhqGaqna9aoKYqFZmRg8Zbb8RkR9L2iTBJSjssm6hX6NLuwdZxFXBZG7LvlcavzsJpg8oeTgmfFp7OvycyFtT1NeAVehMiw2OCBLU7MqOCdzP-M2R0wiYbIf-mhyphenhyphenjpvYzYXU_XSFjm-f4-RUVpxm29svERuQTtA4jC41a004wDW84JA90/s320/images.jpg


II

O que é, o que é?  
Deita na cama com a gente
Às vezes tapa o nariz
Às vezes dói na cabeça
Gosta de frio, mas não diz.     

      O resfriado.

III 

O que é, o que é?
Agarra, coça e atira
Escreve, pinta e inventa
Aperta, aponta e dá soco
Faz carinho e cumprimenta?

      A mão.

IV

O que é, o que é?
Nunca dorme e não acorda
Quando acorda, não concorda
Quando concorda, discorda
Quando discorda, acorda?  

      A corda.

Campo grande
Gado miúdo
Moça formosa
Pai Carrancudo

      Céu, estrelas, lua e sol.

VI

Quanto mais cresce menos se vê?
Quanto mais se tira menor fica?
Sempre se quebra quando se fala?

      Escuridão, buraco, segredo (ou silêncio).

VII

Quem faz nunca vai querer
Quem compra não quer usar
Quem usa não pode ver
Quem vê não vai desejar?

      O caixão de defunto.

Fonte: Linguagem Nova. Faraco & Moura. 6ª série. 17ª edição, 2ª impressão. Editora Ática. São Paulo. 2003. p. 214.

 

POESIA: A GALINHA - D'ANGOLA - VINÍCIUS DE MORAES - COM GABARITO

 Poesia: A galinha-d’angola

           Vinicius de Moraes

Coitada
Da galinha-
- D’angola
Não anda
Regulando
Da bola
Não para
De comer
A matraca
E vive
A reclamar
Que está fraca:

— “Tou fraca! Tou fraca!”

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgYKUJwY9EC7cml0OI4S1MYjgg4VcSvImONGwDdu44m-dG_Ee7j5MFs7FU1h3C4DJJyss0KY63pfi7pQWcEkoosMXNZHDfb9spco1_c7OfBtqhl1XZQJBIhjneAk2Fp0qmd9ixosn-1LoBMu_9BxAEmCXYAEAGNVCObPpmANUfjXirUc0xMKYGcLGS8LBY/s320/images.jpg


MORAES, Vinicius de. A arca de Noé. São Paulo: Companhia das Letrinhas, 2004.

Habilidade EF15LP03 – Localizar informações explícitas em textos.

Entendendo a poesia:

01 – No poema, Vinicius de Moraes utiliza um recurso sonoro muito comum na poesia infantil para caracterizar a personagem. Identifique esse recurso no desfecho do texto e explique como ele estabelece a relação entre a linguagem humana e o comportamento do animal.

      O recurso utilizado é a onomatopeia. No desfecho ("— 'Tou fraca! Tou fraca!'"), o poeta transpõe o som natural emitido pela galinha-d'angola para a língua portuguesa, criando um trocadilho. Isso humaniza a ave (personificação), atribuindo-lhe uma fala que justifica o título "Coitada", pois o som que ela emite é interpretado como uma reclamação constante de debilidade física, apesar de sua agitação característica.

02 – Analise a estrutura rítmica do poema. Como a escolha de versos curtos e a pontuação contribuem para a construção da imagem da galinha-d'angola perante o leitor?

      A estrutura de versos curtíssimos (muitas vezes compostos por apenas uma ou duas palavras) e o ritmo quebrado imprimem uma agilidade e um nervosismo à leitura. Esse estilo mimetiza o comportamento saltitante e "desorientado" da ave. A falta de pausas longas até o clímax da fala final reforça a ideia de que a galinha "não para" e está em constante movimento, transmitindo visual e sonoramente a confusão descrita na expressão "não anda regulando da bola".

03 – Existe uma contradição ou ironia apresentada entre as ações da galinha e o seu discurso final. Explique que contradição é essa e como ela contribui para o humor da obra.

      A contradição reside no fato de o poema descrever que a galinha "não para de comer a matraca" (ou seja, come incessantemente e faz barulho), mas vive a reclamar que "está fraca". O humor nasce dessa ironia: a ave, apesar de bem alimentada e extremamente ativa, utiliza seu canto para expressar uma suposta fraqueza. Isso cria uma imagem cômica de uma personagem hipocondríaca ou eternamente insatisfeita, característica marcante da poesia de Vinicius para o público infantil em "A Arca de Noé".

04 – Tanto o conto como o poema são textos literários, ou seja, neles não há compromissos com a veracidade dos fatos. Então, a finalidade deles é:

(  ) Informar.     (X) Entreter e emocionar.      (  ) Opinar.

05 – Os textos literários, em sua maioria, são publicados em:

(  ) Enciclopédias.       (  ) Gibis.         (X) Livros.

 

MÚSICA(ATIVIDADES): A VELHA A FIAR ... HUMBERTO MAURO - COM GABARITO

 Música (Atividades): A velha a fiar...

 

Estava a velha a fiar...  

Veio a mosca lhe fazer mal 

A mosca na velha e a velha a fiar 

 

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEirnDLRYpdjPWz1N3PIpD-MhCRTUC5SQ4RycKfnXZMYiq7nKkCurrTlm51B85YouC9_PUgAAEpDO7bQUwUOW_KBe16S46PTRrGdMWEEjnAM6BPbgLb-IJY1u8Yotaf_oRs_gTVM9dSR6dJ2Fi_sqExm1CeV62BS7H_96fx9EdGQWmp1ibDITyEglIRjzBU/s320/images.jpg

Estava a mosca em seu lugar 

Veio a aranha lhe fazer mal 

A aranha na mosca, a mosca na velha e a velha a fiar 

 

Estava a aranha em seu lugar 

Veio o rato lhe fazer mal 

O rato na aranha, a aranha na mosca, a mosca na velha e a velha a fiar 

 

Estava o rato em seu lugar 

Veio o gato lhe fazer mal 

O gato no rato, o rato na aranha, a aranha na mosca, a mosca na velha e a velha a fiar 

 

Estava o gato em seu lugar 

Veio o cão lhe fazer mal 

O cão no gato, o gato no rato, o rato na aranha, a aranha na mosca, a mosca na velha e a velha a fiar 

 

Estava o cão em seu lugar

Veio o pau lhe fazer mal 

O pau no cão, o cão no gato, o gato no rato, o rato na aranha, a aranha na mosca, a mosca na velha e a velha a fiar 

 

Estava o pau em seu lugar 

Veio o fogo lhe fazer mal 

O fogo no pau, o pau no cão, o cão no gato, o gato no rato, o rato na aranha, a aranha na mosca, a mosca na velha e a velha a fiar 

 

Estava o fogo em seu lugar 

Veio a água lhe fazer mal 

A água no fogo, o fogo no pau, o pau no cão, o cão no gato, o gato no rato, o rato na aranha, a aranha na mosca, a mosca na velha e a velha a fiar 

 

Estava a água em seu lugar 

Veio o boi lhe fazer mal 

O boi na água, a água no fogo, o fogo no pau, o pau no cão, o cão no gato, o gato no rato, o rato na aranha, a aranha na mosca, a mosca na velha e a velha a fiar 

 

Estava o boi em seu lugar 

Veio o homem lhe fazer mal 

O homem no boi, o boi na água, a água no fogo, o fogo no pau, o pau no cão, o cão no gato, o gato no rato, o rato na aranha, a aranha na mosca, a mosca na velha e a velha a fiar 

 

Estava o homem em seu lugar 

Veio a mulher lhe fazer mal 

A mulher no homem, o homem no boi, o boi na água, a água no fogo, o fogo no pau, o pau no cão, o cão no gato, o gato no rato, o rato na aranha, a aranha na mosca, a mosca na velha e a velha a fiar 

 

Estava a mulher em seu lugar 

Veio a morte lhe fazer mal 

A morte na mulher, a mulher no homem, o homem no boi, o boi na água, a água no fogo, o fogo no pau, o pau no cão, o cão no gato, o gato no rato, o rato na aranha, a aranha na mosca, a mosca na velha e a velha a fiar.

Cantiga popular que inspirou o curta-metragem Velha a fiar, de 1964, do cineasta brasileiro Humberto Mauro.

Fonte: Linguagem Nova. Faraco & Moura. 6ª série. 17ª edição, 2ª impressão. Editora Ática. São Paulo. 2003. p. 209-210.

Entendendo a música:

01 – A canção "A Velha a Fiar" é classificada como uma cantiga acumulativa ou de repetição. Como funciona a estrutura do texto ao longo das estrofes?

      A cada nova estrofe, um elemento inédito surge para interromper a ação do elemento anterior. A estrutura se repete ao resgatar em ordem inversa todos os seres e objetos apresentados até o momento, formando uma longa cadeia de ações acumuladas que sempre termina com a ação inicial: "e a velha a fiar".

02 – Qual é a atividade que dá origem à narrativa e quem é o primeiro elemento a tentar interrompê-la?

      A atividade inicial é a ação de fiar (trabalhar com o fuso/fio), realizada pela velha. O primeiro elemento que surge para atrapalhá-la é a mosca ("Veio a mosca lhe fazer mal").

03 – Na lógica da canção, qual elemento aparece para fazer mal ao gato e qual surge em seguida para fazer mal a esse novo elemento?

      O elemento que surge para fazer mal ao gato é o cão ("Veio o cão lhe fazer mal"). Na sequência, quem vem fazer mal ao cão é o pau.

04 – A partir de determinado momento, a cantiga deixa de listar apenas animais e introduz elementos da natureza e objetos inanimados. Quais são eles e em que ordem aparecem?

      Os elementos inanimados e naturais que aparecem em ordem na cantiga são: o pau, o fogo e a água.

05 – De que forma a música constrói as relações entre os animais apresentados (mosca, aranha, rato, gato, cão)?

      A canção utiliza uma cadeia que remete às relações de predação e conflito do mundo animal, onde cada bicho é ameaçado por outro tradicionalmente considerado seu opositor ou predador (a aranha pega a mosca, o rato ameaça a aranha, o gato persegue o rato e o cão ataca o gato).

06 – Qual é o último elemento a entrar na sequência da canção e como a narrativa é finalizada?

      O último elemento a entrar na história é a morte, que vem fazer mal à mulher. A narrativa é finalizada recapitulando toda a extensão da cadeia acumulada — desde a morte até a mosca — culminando no retorno à cena inicial da velha continuando a fiar.

07 – O que a permanência da frase "e a velha a fiar" ao final de todas as estrofes sugere sobre a rotina da personagem?

      Sugere persistência e continuidade. Apesar de todas as interferências, confusões e reações em cadeia geradas ao seu redor (envolvendo animais, elementos naturais, pessoas e até a morte), a velha não para seu trabalho e segue firme na sua tarefa cotidiana de fiar.

 

ARTIGO: IGREJA DA PAMPULHA (SÃO FRANCISCO DE ASSIS) - FRAGMENTO - COM GABARITO

 Artigo: Igreja da Pampulha (São Francisco de Assis) – Fragmento

        Erguida em 1943, a igreja de São Francisco de Assis, na região da Pampulha, em Belo Horizonte, é considerada um marco na história da arquitetura brasileira e o primeiro trabalho de expressão do jovem arquiteto Oscar Niemeyer [...]. Junto com a Casa do Baile, o Cassino (hoje Museu de Arte da Pampulha) e o Iate Clube, a igreja compõe o Conjunto Arquitetônico da Pampulha, todos concebidos por Niemeyer.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjaJ2R11JkZtDk-2WgT9mm7uCr3F0ahyO4fZp67fE-CemVv-lyI2auxzjIoB4BSIU7dnIMAaUqWSmSJYOVOSjdwgTTzZccYrLLzPqVW517cgZ8im0pVwF7orhyubJWFLw-AUweVE-UgpSCuP6Vw_zs2mYPh6wmOqTaHXpdRmfqcx2ngSZp7RZjiCDzy8Q8/s320/images.jpg


        Marcado por curvas que fazem uma alusão às montanhas de Minas Gerais, o desenho da igreja traz uma sucessão de abóbadas (tetos arredondados): duas principais, que cobrem a nave e o santuário, e três secundárias, que envolvem a sacristia e anexos. Na fachada principal, uma marquise reta conduz à torre que emerge na lateral. “Era um protesto que eu levava como arquiteto, de cobrir a igreja da Pampulha de curvas, das curvas mais variadas, essa intenção de contestar a arquitetura retilínea que então predominava”, explicou Niemeyer, anos mais tarde. [...]

        A convite de Niemeyer, artistas importantes participaram da construção da igreja.

        Cândido Portinari – O artista plástico é autor do painel externo em azulejo azul e branco, na fachada posterior da igreja, que retrata cenas da vida de São Francisco. Fez também o mural do altar principal e os 14 pequenos quadros que retratam a Via Sacra. Destaca-se o painel em cerâmica que reveste o púlpito, na parede exterior do batistério e no balcão. [...]

Disponível em: www.mg.gov.br/conteudo/conheca-minas/turismo/igreja-da-pampulha-sao-francisco-de-assis. Acesso em: 28 fev. 2022.

Fonte: Maxi: Séries Finais. Caderno 1. Língua Portuguesa – 8º ano. 1. ed. São Paulo: Somos Sistemas de Ensino, 2021. Ensino Fundamental 2. p. 04.

Entendendo o artigo:

01 – Qual é a importância histórica e arquitetônica da Igreja de São Francisco de Assis (Pampulha) no contexto da arquitetura brasileira?

      Erguida em 1943 em Belo Horizonte, a Igreja de São Francisco de Assis é reconhecida como um marco fundamental na história da arquitetura brasileira. Ela representa o primeiro trabalho de grande expressão do arquiteto Oscar Niemeyer, consolidando a introdução de formas orgânicas e inovadoras na arquitetura moderna do país.

02 – Como é descrita a estrutura arquitetônica da igreja em termos de formas e abóbadas, e qual a relação do desenho com a paisagem mineira?

      A estrutura da igreja é marcada pelo uso de curvas que fazem uma direta alusão às montanhas do estado de Minas Gerais. O desenho é composto por uma sucessão de abóbadas (tetos arredondados): duas abóbadas principais, que cobrem a nave e o santuário, e três abóbadas secundárias, que envolvem a sacristia e os anexos. Além disso, na fachada principal, há uma marquise reta que conduz à torre lateral.

03 – Qual era a intenção teórica e conceitual de Oscar Niemeyer ao projetar a igreja com formas predominantemente curvas?

      Segundo o próprio Niemeyer, a escolha por cobrir a igreja com as mais variadas curvas funcionou como uma forma de protesto e contestação contra a arquitetura retilínea (com base em linhas retas) que predominava na época. O arquiteto buscava romper com o rigor geométrico tradicional e expressar liberdade formal.

04 – Quais edificações compõem o Conjunto Arquitetônico da Pampulha ao lado da Igreja de São Francisco de Assis, e quem foi o responsável por seus projetos?

      O Conjunto Arquitetônico da Pampulha é composto pela Igreja de São Francisco de Assis, pela Casa do Baile, pelo Cassino (atualmente Museu de Arte da Pampulha) e pelo Iate Clube. Todos esses prédios foram idealizados e concebidos pelo arquiteto Oscar Niemeyer.

05 – De que maneira o artista plástico Cândido Portinari contribuiu para a composição artística da Igreja da Pampulha?

      Cândido Portinari integrou a equipe de artistas convidados por Niemeyer e realizou importantes intervenções na igreja:

      O painel externo em azulejos azuis e brancos na fachada posterior, retratando cenas da vida de São Francisco;

      O mural do altar principal;

      Os 14 painéis/quadros que retratam a Via Sacra;

      O revestimento em painéis de cerâmica no púlpito, na parede exterior do batistério e no balcão.

06 – De acordo com o texto, qual o significado da palavra Batistério?

      Local designado ao batismo.

BIOGRAFIA MARIE CURIE - FRAGMENTO -HENRIQUE TOMA - COM GABARITO

 Biografia Marie Curie – Fragmento

        Manya Sklodowska nasceu em Varsóvia, em 7 de novembro de 1867. Nessa época, a Polônia estava dividida entre Áustria, Prússia (Alemanha) e Rússia, e Varsóvia ficava sob o controle da Rússia. Seu pai, Vladislav Sklodowska, era professor secundário de Matemática e de Física, e sua mãe era diretora de escola. ambos foram bastante prejudicados com as pressões políticas, com rebaixamento de cargos e vencimentos. Manya, ou Marie (nome que adotaria mais tarde), tinha dez anos quando sua mãe morreu de tuberculose. Para manter a família unida, Vladislav empenhou-se pessoalmente na educação dos filhos. Os instrumentos utilizados nas aulas de Física foram mantidos em sua casa, depois da proibição do ensino de laboratório pelas autoridades russas. Dessa forma, Marie aprendeu a fazer experimentos e iniciou-se em estudos de Física com seu pai. [...]

Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjL7Q4apWGOUaET2y-xca_eOzarw4qJ94Ybe7tirjfOxD8W002ecHRjsvZX2wK45TzJkzfAD-UQZppqx5F90Wxu1tX6dRNQuZHx1BqSd0yUQ_8bwNZaTJGZZ1j7XdyI5Zy2CZBCH_Hg45EAJQF8FhEuwsfRI6i_K81v-f_v0A2WmofMEQ78_MueJs4UnfE/s320/images.jpg


        O domínio da Rússia impunha restrições ao ingresso das mulheres nas universidades. Por isso, Marie juntou-se às suas colegas, incluindo sua irmã, Bronya, e passou a frequentar a chamada universidade itinerante, que funcionava clandestinamente no período noturno, mudando de localidade com frequência, para fugir da vigilância russa. [...]

        Finalmente, e, 1891, aos 24 anos de idade, Marie estava pronta para perseguir os seus sonhos em Paris. [...] Quando Manya entrou para a Sorbonne [...] adotou o nome Marie, e passou a estudar Matemática e Física. [...]

        Marie percebeu que estava em desvantagem em relação a seus colegas, e precisava melhorar seus conhecimentos [...]. Por isso, dedicou-se aos estudos com muito afinco, e em 1893 já conquistava o mestrado em Física. [...]

        Através de amigos, chegou ao laboratório da Escola Municipal de Física e Química Industrial de Paris, chefiada por Pierre Curie (1859-1906). Marie foi bem recebida, e encantou-se com a postura séria e gentil de Pierre. O trabalho em conjunto aproximava-os cada vez mais, e assim o respeito inicial foi se transformando em um relacionamento afetivo. [...]

        Em julho de 1895, Marie e Pierre Curie oficializavam seu casamento civil. Em 1897, nascia sua primeira filha, Irène, sob os cuidados do pai de Pierre, que era médico. [...] O avô era muito apegado à Irène, e passou a dar suporte para que Pierre e Marie continuassem suas pesquisas no laboratório. Assim, Marie decidiu dar início às suas pesquisas, visando a obtenção do doutorado, cujo efeito ainda era inédito para as mulheres na França. [...]

        Em julho de 1898, o casal Curie anunciava a descoberta de um novo elemento [...], o qual chamaram de polônio, em homenagem ao berço amado de Marie. [...] Em dezembro de 1898, o casal anunciava a descoberta do elemento que chamaram de rádio.

        Em 1903, Marie Curie finalmente defendeu sua tese de doutorado, “Pesquisas sobre substâncias radioativas”. Os examinadores consideraram a tese de Marie Curie como a mais importante contribuição científica registrada até então. [...]

        O casal Curie e Becquerel foi laureado com o Prêmio Nobel de Física em 1903. [...] O Prêmio Nobel teve profundo impacto na vida do casal Curie, como perda de privacidade e surgimento de muitos compromissos. Em 1904, nascia a segunda filha do casal, Eve. [...].

        Em 1906, em um dia de muitos compromissos, quando saía apressadamente de uma reunião no período do almoço, debaixo de chuva, Pierre foi atropelado por um pesado carro-vagão puxado por cavalos. Sua morte foi instantânea. [...]

        Em 1911, Marie Curie foi surpreendida com um telegrama comunicando seu Prêmio Nobel em Química. O recebimento de dois Prêmios Nobel era um fato inédito. [...]

        Sua grande meta passou a ser o recém-criado Instituto do Rádio, que ela considerava um tributo à memória de Pierre Curie. Nele, seriam desenvolvidas novas pesquisas e produtos, [...] voltados para a aplicação da radioatividade na Medicina. O Instituto foi inaugurado em agosto de 1914, mês em que a Alemanha declarava guerra à França. [...] Com o agravamento da guerra, Marie percebeu que poderia contribuir com serviços de radiologia, chefiando uma divisão na Cruz Vermelha. Conseguiu convencer os fabricantes de veículos a adaptarem algumas unidades para uso em campo, colocando em operação 20 laboratórios móveis de radiologia ainda nesse ano. [...]

        Marie Curie morreu perto de Salanches, França, em 1934, de leucemia, devido, seguramente, à exposição maciça a radiações durante o seu trabalho. [...] Na pesquisa feita pela revista New Scientist, Marie Curie foi eleita a mulher mais influente da ciência, de todos os tempos. [...]

TOMA, Henrique E. Marie Curie: radioatividade e era nuclear. Disponível em: https://midia.atp.usp.br/impressos/lic/modulo02/evolucao_PLC0014/evolucao_top09.pdf. Acesso em: 28 fev. 2022.

Fonte: Maxi: Séries Finais. Caderno 1. Língua Portuguesa – 8º ano. 1. ed. São Paulo: Somos Sistemas de Ensino, 2021. Ensino Fundamental 2. p.21-22.

Entendendo a biografia:

01 – Como o contexto político de Varsóvia e a situação de sua família influenciaram as primeiras experiências de Marie Curie com a ciência?

      Sob o domínio do Império Russo, o ensino de laboratório foi proibido nas escolas e a família de Marie sofreu forte pressão política, com o rebaixamento de cargos e vencimentos de seus pais. Diante disso e da morte de sua mãe, seu pai manteve os instrumentos de Física em casa e empenhou-se pessoalmente na educação dos filhos. Dessa forma, Marie iniciou seus estudos e aprendeu a fazer experimentos científicos diretamente com seu pai.

02 – O que era a "universidade itinerante" e por que Marie Curie precisou frequentá-la em sua juventude?

      A "universidade itinerante" era uma instituição clandestina noturna que mudava frequentemente de local para escapar da vigilância das autoridades russas, as quais impunham restrições ao ingresso de mulheres nas universidades formais. Marie e sua irmã Bronya a frequentavam para dar continuidade aos seus estudos superiores, contornando a proibição oficial.

03 – Como se deu a aproximação profissional e pessoal entre Marie e Pierre Curie?

      Marie conheceu Pierre Curie ao chegar ao laboratório da Escola Municipal de Física e Química Industrial de Paris, chefiada por ele. Encantada com a postura séria e gentil de Pierre, o trabalho em conjunto na pesquisa científica aproximou os dois, fazendo com que o respeito profissional inicial evoluísse para um relacionamento afetivo, culminando no casamento civil do casal em julho de 1895.

04 – Quais foram os dois novos elementos químicos descobertos pelo casal Curie em 1898 e qual é a origem do nome do primeiro deles?

      Em julho de 1898, o casal anunciou a descoberta do polônio, batizado assim em homenagem ao país natal de Marie (a Polônia). Em dezembro do mesmo ano, anunciaram a descoberta do elemento rádio.

05 – Qual tragédia pessoal marcou a vida de Marie Curie em 1906 e como ela ocorreu?

      Em 1906, Pierre Curie faleceu de forma trágica e instantânea ao ser atropelado por um pesado carro-vagão puxado por cavalos, enquanto caminhava apressadamente sob chuva em um dia cheio de compromissos em Paris.

06 – De que maneira Marie Curie contribuiu com os esforços da Primeira Guerra Mundial utilizando seus conhecimentos científicos?

      Com o início da guerra em 1914, Marie chefiou uma divisão na Cruz Vermelha voltada para serviços de radiologia. Ela convenceu fabricantes de veículos a adaptar automóveis para uso no campo de batalha, colocando em operação 20 laboratórios móveis de radiologia para auxiliar no atendimento aos feridos.

07 – Quais foram os reconhecimentos inéditos e o legado científico alcançados por Marie Curie ao longo de sua vida e carreira?

      Marie Curie defendeu uma tese de doutorado considerada pelos examinadores como a mais importante contribuição científica até então; tornou-se a primeira mulher a receber o Prêmio Nobel (Física, em 1903) e conquistou um feito inédito ao receber um segundo Prêmio Nobel (Química, em 1911). Além de idealizar o Instituto do Rádio, ela foi posteriormente eleita pela revista New Scientist como a mulher mais influente da ciência de todos os tempos.

 

AUTOBIOGRAFIA: O MENINO DE BRODÓSQUI - FRAGMENTO - CANDIDO PORTINARI - COM GABARITO

 Autobiografia: O menino de Brodósqui – Fragmento

“Saí das águas do mar

E nasci no cafezal de terra roxa.

Passei a infância

No meu povoado arenoso.

Andei de bicicleta e em

Cavalo em pelo. Tive medos

E sonhei. Viajei pelo espaço.”

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgexj-12LK-R34VPHoelocWaL7Yy609rtWu7jSrqHjNRK9-W8OteFCG4wNOsORCS6zoCt1fI7ze1_WdHoIhStMXEhOiW7bi8BCxx8nUEEyWmFHHmTB3aLbX6NwQHMUNcmrN3r03nZd9L20DNoZsAB-PHsildR38eOA7AL9hUZLGmXDlGOoYJKXxHISeQgA/s1600/images.jpg


        Nasci numa fazenda de café. Meus pais trabalhavam na terra. Não tenho nenhuma lembrança dali.

        Mudaram-se da fazenda Santa Rosa para a estação de Brodósqui – onde não havia ainda povoado; eu devia ter uns dois anos de idade.

        No novo local viviam, com meus pais, minha avó paterna, um tio e uma tia, ambos irmão do meu pai. [...]

        Nosso brinquedos eram variados, conforme o mês, e também havia os para o dia e os para noite. Para o dia eram: gude, pião, arco, avião, papagaio, diabolô, bilboquê, ioiô, botão, balão, malha e futebol. Para a noite: pique, barra-manteiga, pulando carniça, etc. tinha o cabelo branco e apelidavam-me de vovô. Gostava muito de ir na garupa de cavaleiros. Gostava de deitar-se na grama e olhar as  estrelas, era um grande prazer. Havia também as histórias de Dona Iria, senhora portuguesa, mãe de muitos filhos e muito boa pessoa; à noite, sentados no chão ao seu redor, ficávamos atentos, ouvindo as histórias: Roberto do Diabo, Roldão, Carlos Magno, reis, príncipes e princesas. Que lindas eram as suas histórias e que bom era esse tempo.

        Eram belas as manhãs frias na época da apanha de café e delicioso o canto dos carros de boi transportando as sacas da colheita. Quantas vezes adormecíamos sobre as sacas da colheita. A luz do sol parecia mais forte. Era somente para nós. Ia pela estrada afora o carro vagaroso, cantando. Dormíamos cheios de felicidade. Sonhávamos sempre, dormindo ou não. Nossa imaginação esvoaçava pelo firmamento. Fantasias forjadas, olhando as nuvens brancas, mais brancas do que a neve. Tudo se movia ao nosso redor como um passe de mágica. Belas eram as flores silvestres. Conhecíamos bem os pássaros, as formigas, as seriemas, as saracuras e os tatus. Quando víamos no chão um orifício, sabíamos a que bicho pertencia. Conhecíamos também a maioria das árvores e arbustos, sabíamos suas serventias para as doenças; as chuvas e o arco-íris, as nuvens, as estrelas, a lua, o vento e o sol eram-nos familiares. O contato com os elementos moldava nossa imaginação e enchia nosso coração de ternura e esperança. [...].

PORTINARI, Candido. O menino de Brodósqui. In: PORTINARI, Candido. Retalhos da minha vida de infância. Org. e consult. Técnica: Projeto Portinari: São Paulo, 2001.

Fonte: Maxi: Séries Finais. Caderno 1. Língua Portuguesa – 8º ano. 1. ed. São Paulo: Somos Sistemas de Ensino, 2021. Ensino Fundamental 2. p. 5-6.

Entendendo a autobiografia:

01 – De acordo com o texto, qual o significado das palavras abaixo:

-- Terra roxa: também chamada de terra vermelha, é um tipo de solo conhecido por sua alta fertilidade e por seu preço elevado.

-- Forjadas: inventadas, criadas.

-- Orifício: buraco.

02 – Onde o autor nasceu e por que ele afirma não ter lembranças desse local de nascimento?

      O autor nasceu em uma fazenda de café (a Fazenda Santa Rosa), onde seus pais trabalhavam na terra. Ele não tem lembranças do local porque sua família se mudou de lá para a estação de Brodósqui quando ele devia ter apenas cerca de dois anos de idade.

03 – Quais eram os brinquedos e brincadeiras mencionados pelo autor, e como eles se dividiam entre o dia e a noite?

      Os brinquedos e brincadeiras variavam conforme o mês e o período do dia:

      Para o dia: gude, pião, arco, avião, papagaio, diabolô, bilboquê, ioiô, botão, balão, malha e futebol.

      Para a noite: pique, barra-manteiga, pulando carniça, entre outros.

04 – Quem era Dona Iria e qual era o seu papel nas memórias de infância do autor?

      Dona Iria era uma senhora portuguesa, mãe de muitos filhos e descrita como uma pessoa muito boa. À noite, as crianças se sentavam no chão ao seu redor para ouvir atentas as suas histórias fascinantes sobre reis, príncipes, princesas e personagens como Roberto do Diabo, Roldão e Carlos Magno.

05 – Qual apelido o autor tinha quando criança e por qual motivo ele recebeu essa alcunha?

      O autor era apelidado de "vovô" porque tinha o cabelo branco quando era criança.

06 – Como era a rotina das crianças durante a época da apanha do café descrita no texto?

      Nas manhãs frias da época da apanha do café, as crianças ouviam o "cantar" dos carros de boi que transportavam as sacas da colheita. Muitas vezes, elas adormeciam sobre as próprias sacas de café no carro de boi vagaroso que ia pela estrada afora, dormindo cheias de felicidade e sonhando.

07 – Como era a relação do autor e de seus companheiros com a natureza e com o ambiente rural?

      Eles tinham uma relação de profunda intimidade e conhecimento com a natureza: conheciam os pássaros, animais (como seriemas, saracuras e tatus) e sabiam identificar qual bicho habitava cada buraco no chão. Além disso, conheciam as árvores, arbustos e suas utilidades medicinais, sendo-lhes familiares elementos como as chuvas, o arco-íris, o vento, a lua e as estrelas.

08 – De acordo com o texto, qual foi o impacto do contato direto com os elementos da natureza na formação do autor?

      Segundo o fragmento, o contato com os elementos da natureza moldava a imaginação das crianças, estimulava suas fantasias e enchia seus corações de ternura e esperança.