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sábado, 13 de outubro de 2018

FÁBULA: O MORCEGO - WILLIAN BENNETT - COM QUESTÕES GABARITADAS

Fábula: O MORCEGO
              Willian Bennett


     Era uma vez uma guerra entre pássaros e feras. O morcego estava do lado dos pássaros. Mas na primeira batalha os pássaros foram severamente espancados. Ao constatar que as coisas estavam indo contra ele, o morcego saiu de fininho e se escondeu debaixo de uma tora, e lá ficou até terminar a briga.
  Quando as vitoriosas bestas estavam indo para casa, ele se meteu no meio delas. Após terem caminhado por um tempo, as feras notaram sua presença e disseram:
        -- Espere um minuto. Você não é um dos que lutou contra nós?
        O morcego respondeu:
        -- Oh, não! Eu sou um de vocês. Não pertenço ao grupo dos pássaros. Vocês não estão vendo minhas orelhas e garras? E olhem os meus dentes. Vocês já viram algum pássaro com caninos como os meus? Claro que não. Não, eu faço parte do grupo das bestas.
        Elas nada disseram e deixaram o morcego ficar.
        Logo depois houve uma nova batalha, e desta vez os pássaros venceram. Assim que percebeu a derrota do seu lado, o morcego saiu de fininho e se escondeu debaixo de uma tora. Quando a batalha terminou e os pássaros foram para casa, o morcego foi com eles.
        Ao notarem sua presença, os pássaros disseram:
        -- Você é nosso inimigo. Nós o vimos lutando contra nós.
        E o morcego respondeu:
        -- Oh, não. Eu pertenço ao seu grupo e não ao outro. Você já viu alguma besta com asas?
        Eles nada disseram e o deixaram ficar.
        Então o morcego ficou indo de um lado para o outro enquanto durou a guerra.
        Mas, finalmente, cansados de lutar, os pássaros e feras decidiram fazer as pazes. Organizaram um conselho para decidir o que fazer com o morcego.
        -- Você lutou com os pássaros, então vá viver entre eles – exclamaram as bestas.
        -- Nós não o queremos! – gritaram os pássaros. – Você lutou com as bestas. Vá viver entre elas.
        Ficou decidido que eles o excluiriam, e disseram-lhe:
        -- De agora em diante, você voará sozinho à noite e não terá amigos dentre os que voam ou os que andam.
        Por isso agora o morcego se esconde no escuro e vive nas cavernas sem luz. Ele voa como os pássaros, mas nunca pousa no topo das árvores. Ninguém procura saber que tipo de criatura ele é.
        Moral da história: O oportunista nem sempre se dá bem.

BENNETT, Willian J. O livro das virtudes II – O compasso moral.
Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1995. p. 559-60.
Entendendo o conto:
01 – O texto lido é uma fábula. Que características apresenta esse tipo de narrativa?
      O diálogo falado entre animais.

02 – “... o morcego saiu de fininho e se escondeu debaixo de uma tora.” Essa atitude revela covardia. Por quê?
      Sim. Porque na hora que precisavam da tua ajuda, ele abandonou-o.

03 – Essa fábula trata principalmente de uma atitude humana. Qual?
      Sim. A covardia, a falta de companheirismo.

04 – A frase final do texto – “Ninguém procura sabe que tipo de criatura ele é.” – é verdadeira? Justifique sua resposta.
      Sim. Porque é uma criatura em que não se pode confiar.

05 – Indivíduo responsável é aquele que responde pelos seus atos. O morcego da história foi responsável? Explique.
      Não. Porque ele não assumiu as decisões que ele tomou.

06 – Na sua opinião, a lealdade deve existir apenas entre companheiros ou vai além disso? Justifique sua resposta.
      Resposta pessoal do aluno.

07 – Que animal é considerado como símbolo da lealdade?
      É o cachorro.

08 – Na frase: “Quando as vitoriosas bestas estavam indo para casa, ele se meteu no meio delas.” Qual é, nesse texto, o significado do termo destacado?
      São as mulas, ou seja, as fêmeas do burro.

09 – Você concorda com a moral da história? Caso não crie uma nova moral.
      Resposta pessoal do aluno.






domingo, 25 de agosto de 2024

REPORTAGEM: COMBATE ÀS DESIGUALDADES É RESPOSTA PARA PROTESTOS GLOBAIS, [...] - ONU NEWS - COM GABARITO

 Reportagem: Combate às desigualdades é resposta para protestos globais, diz relatório de Índice de Desenvolvimento Humano – Fragmento

        Pesquisa lançada esta segunda-feira afirma que soluções atuais não resolvem nova geração de desigualdade; em entrevista à ONU News, diretor do escritório explica porque isso é um problema e como pode ser combatido.

        As manifestações que acontecem em todo o mundo mostram que, apesar do progresso sem precedentes contra pobreza, fome e doenças, muitas sociedades continuam tendo problemas. A causa comum entre todas elas é a desigualdade. 

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEh_U9gsFIcOMx-SoKeNDYczu5WKPFD100Yqu98ygFcNe4eH4E3oTobs7Ph9mfmknGMdVqtMxloO5JZiOiMS3_5oNkQQG3OeVk78GGzZkPaK8tTNQ3wKuqD9PUUzd1IzjbMngL4opkgxpVzDHMtFV8qgvoieo9iuPAqF5-JLFMmZxhxI_kkIwfZGJrSv-r8/s320/image1170x530cropped.jpg


        Essa é a principal conclusão do Relatório de Desenvolvimento Humano de 2019, lançado esta segunda-feira na Colômbia. A pesquisa destaca uma nova geração de desigualdades, em torno da educação, tecnologia e mudanças climáticas, e alerta que podem criar "uma grande divergência" como não acontece desde a Revolução Industrial.

        Debate

        Em entrevista à ONU News, o diretor do escritório que produz o relatório, Pedro Conceição, disse que a pesquisa "vai além da desigualdade na distribuição de rendimento e tenta projetar aquilo que pode determinar a evolução das desigualdades ao longo do século."

        "O tema das desigualdades está no debate público em muitos países, mas tem sido centrado na distribuição do rendimento. Aquilo que nos pareceu foi que havia outras desigualdades que mereciam a nossa atenção, refletindo aquilo que os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável já nos dizem, que existem várias desigualdades que são importantes."

        Soluções

        O especialista diz que o relatório não faz propostas especificas para diferentes países, devido à diversidade de contextos, mas "oferece uma metodologia para tentar perceber quais as melhores áreas de intervenção."

        "A ideia essencial é que não nos podemos circunscrever a aspetos que têm a ver com a redistribuição de rendimento para lidar com as desigualdades que estão a surgir. É preciso considerar um vasto leque de políticas. Políticas ligadas à concorrência, por exemplo, para garantir que os mercados funcionam de forma mais eficiente e podem levar a que os resultados sejam menos desiguais."

        [...]

        Motivações

        Em nota, o administrador do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, Pnud, disse que "diferentes motivos estão levando as pessoas às ruas, como o custo de uma passagem de trem, o preço da gasolina, a exigência de liberdades políticas e a procura de justiça." Para Achim Steiner, "esta é a nova face da desigualdade."

        Em países com desenvolvimento humano muito alto, por exemplo, as assinaturas de internet de banda larga estão crescendo 15 vezes mais rápido do que em países com baixo desenvolvimento humano. Quanto à proporção de adultos com ensino superior, está crescendo seis vezes mais rápido.

        A distribuição desigual de educação, saúde e padrões de vida está impedindo o progresso dos países. A pesquisa estima que, em 2018, cerca de 20% do progresso do desenvolvimento humano foi perdido devido às desigualdades.

        Políticas que considerem infância e investimento ao longo da vida, produtividade, investimento público e impostos justos são recomendadas.

        Dados

        O relatório diz que valores médios "podem ser úteis para contar uma história, mas informações muito mais detalhadas são necessárias para criar políticas que combatem a desigualdade de maneira eficaz."

        Um dos exemplos é a igualdade de gênero. Com base nas tendências atuais, serão necessários 202 anos para eliminar a diferença entre homens em oportunidades econômicas. Apesar de o tema estar sendo mais discutido nos últimos anos, o Índice afirma que o ritmo de progresso está diminuindo.

        Pela primeira vez, o relatório inclui um Índice de Normas Sociais. Em metade dos países avaliados, o preconceito de gênero cresceu nos últimos anos. Cerca de 50% das pessoas em 77 países pensam que os homens são melhores líderes políticos do que as mulheres. Mais de 40% considera que os homens são melhores na área dos negócios.

        O relatório cita esses dados para afirmar que "políticas que abordam preconceitos, normas sociais e estruturas de poder são fundamentais."

        Políticas para equilibrar a distribuição de cuidados, principalmente para crianças, são um dos exemplos. Grande parte da diferença de rendimento entre homens e mulheres é criada antes dos 40 anos, quando as mulheres estão a criar os filhos pequenos.

        [...]

        Futuro

        O relatório também pergunta como a desigualdade pode mudar no futuro, destacando a crise climática e a transformação tecnológica.

        Sobre a primeira, alerta que medidas como a criação de mercado de carbono podem ser mal administradas e aumentar as desigualdades. Por outro lado, se as receitas do preço do carbono forem usadas para beneficiar os contribuintes com um conjunto de políticas sociais, podem reduzir o problema.

        Sobre a transformação tecnológica, a pesquisa diz que pode ser uma solução "se oportunidades forem rapidamente e compartilhadas amplamente." Avisa, no entanto, que "existe um precedente histórico para as revoluções tecnológicas criarem desigualdades profundas e persistentes."

        Uma nova "grande divergência", no entanto, ainda pode ser evitada. O relatório recomenda políticas de proteção social que, por exemplo, garantam uma compensação justa por trabalho em grupo e investimento em formação ao longo da vida para permitir a adaptação dos trabalhadores.

        Em conclusão, Achim Steiner afirma que "identificar o verdadeiro rosto da desigualdade é um primeiro passo." Segundo ele, "o que acontece a seguir é uma escolha de cada líder."

ONU NEWS. Combate às desigualdades é resposta para protestos globais, diz relatório de Índice de Desenvolvimento Human. ONU News, 9 dez. 2019. Disponível em: https://news.un.org/pt/story/2019/12/1697171. Acesso em: 12 maio 2020.

Fonte: Linguagens em Interação – Língua Portuguesa – Ensino Médio – Volume Único – Juliana Vegas Chinaglia – 1ª edição, São Paulo, 2020 – IBEP – p. 97-100.

Entendendo a reportagem:

01 – De acordo com o texto, qual o significado das palavras abaixo:

·        Grande divergência: termo usado por historiadores econômicos para referir-se ao distanciamento crescente de renda entre os países desenvolvidos e os países em desenvolvimento.

·        Índice de Desenvolvimento Humano: indicador, usado pela ONU em seu Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), que mede o grau de desenvolvimento humano dos países a partir de aspectos como educação, renda e saúde.

·        Mercado de carbono: a expressão se refere às iniciativas de comercialização de créditos de redução de emissão dos gases de efeito estufa, conhecidos como créditos de carbono.

·        Objetivos do Desenvolvimento Sustentável: também conhecidos como objetivos globais e referidos por vezes pela sigla ODS, são uma coleção de 17 metas globais estabelecidas pela Assembleia Geral das Nações Unidas que se propõem que sejam alcançadas por todos os países do mundo até 2030.

·        Padrões de vida: qualidade e quantidade de bens e serviços disponíveis a uma pessoa ou a uma população.

·        Políticas ligadas à concorrência: são normas estabelecidas pelo poder público que estimulam a livre competição entre as empresas, de modo que a população em geral seja beneficiada em suas práticas de consumo por meio da ampliação de possibilidades de escolha, redução de preços e melhoria na qualidade dos produtos.

·        Revolução Industrial: processo de mudanças que ocorreram na Europa nos séculos XVIII e XIX, cuja principal particularidade foi a substituição do trabalho artesanal pelo assalariado e com o uso de máquinas.

02 – Qual é a principal conclusão do Relatório de Desenvolvimento Humano de 2019?

      A principal conclusão do relatório é que, apesar do progresso global contra a pobreza, a fome e as doenças, a desigualdade continua a ser um problema central em muitas sociedades. O relatório destaca uma nova geração de desigualdades em torno da educação, tecnologia e mudanças climáticas.

03 – Quais são as novas áreas de desigualdade mencionadas no relatório?

      As novas áreas de desigualdade incluem a educação, a tecnologia e as mudanças climáticas, que podem criar uma "grande divergência" semelhante àquela ocorrida desde a Revolução Industrial.

04 – Por que o relatório de 2019 vai além da desigualdade de renda?

      O relatório vai além da desigualdade de renda porque reconhece que há outras desigualdades importantes que merecem atenção, como aquelas relacionadas à educação, à tecnologia e às mudanças climáticas.

05 – O relatório propõe soluções específicas para diferentes países?

      Não, o relatório não propõe soluções específicas para diferentes países devido à diversidade de contextos, mas oferece uma metodologia para identificar as melhores áreas de intervenção.

06 – Quais políticas são recomendadas para combater a desigualdade?

      São recomendadas políticas que considerem a infância, o investimento ao longo da vida, a produtividade, o investimento público e impostos justos. Políticas que abordem normas sociais, preconceitos e estruturas de poder também são fundamentais.

07 – Como as desigualdades estão afetando o progresso dos países?

      A distribuição desigual de educação, saúde e padrões de vida está impedindo o progresso dos países. Em 2018, estima-se que cerca de 20% do progresso do desenvolvimento humano foi perdido devido às desigualdades.

08 – Quais são as implicações da crise climática para a desigualdade?

      A crise climática pode aumentar as desigualdades se medidas como a criação de mercado de carbono forem mal administradas. No entanto, se as receitas do preço do carbono forem usadas para beneficiar os contribuintes por meio de políticas sociais, podem ajudar a reduzir as desigualdades.

09 – Como a transformação tecnológica pode influenciar a desigualdade?

      A transformação tecnológica pode ser uma solução se as oportunidades forem amplamente compartilhadas. Porém, há um precedente histórico de que revoluções tecnológicas podem criar desigualdades profundas e persistentes.

10 – Qual é a relação entre as políticas de proteção social e a desigualdade?

      Políticas de proteção social são recomendadas para garantir uma compensação justa pelo trabalho em grupo e para investir em formação ao longo da vida, permitindo a adaptação dos trabalhadores e ajudando a evitar uma nova "grande divergência" nas desigualdades.

11 – O que Achim Steiner afirma ser o primeiro passo no combate à desigualdade?

      Achim Steiner afirma que identificar o verdadeiro rosto da desigualdade é o primeiro passo. Segundo ele, o que acontece a seguir depende da escolha de cada líder.

 

 

domingo, 8 de abril de 2018

TEXTO: O MENINO SEM IMAGINAÇÃO(FRAGMENTO) - CARLOS EDUARDO MORAES - COM GABARITO


Texto: O MENINO SEM IMAGINAÇÃO
              Carlos Eduardo Moraes
     
    [...]
       Maria botou o jantar e pela primeira vez, desde que nasci, vi toda a família reunida à volta da mesa.
   - Como nos velhos tempos! – exclamou o vovô satisfeito.
      Ele disse que no passado era assim: as pessoas sentavam juntas, conversavam e trocavam ideias na hora das refeições. Disse que foi a chegada da televisão que provocou uma debandada geral. Eu fiquei calado, mas me irrita muito ver alguém falando mal da televisão. Para mim ela apenas permitiu que cada um comesse quando quisesse, porque as pessoas não são obrigadas a sentir fome à mesma hora.
         - Vamos conversar sobre o quê? – perguntou o vovô; que não obtendo resposta continuou:
         - Não podemos perder esta oportunidade. Ela talvez não se repita nunca mais.
         - Qualquer coisa – resmungou mamãe desinteressada.
         - Eu queria fazer um comentário sobre o jogo...
         - Ah! Futebol não! – mamãe cortou a frase de papai.
         - Então vamos meter o pau no Governo – propôs vovô.
         - Política nem pensar! – voltou mamãe.
         - Existe algum tema mais relevante do que o sumiço da televisão? – indagou titia.
         - Ah! Eu não aguento falar mais sobre isso! – disse papai.
         - Nem eu! – concordou a mana.
         E mergulhamos todos num longo silêncio.
         Eu havia colocado Fantástica sobre o aparador, na minha frente, mantendo seu controle remoto ao lado do meu prato, como um talher. Não acreditava que a TV fosse demorar muito mais fora do ar, porque papai falou que os donos das emissoras são poderosos “e logo vão dar um jeito nisso”.
         Eu dava uma garfada, ligava e desligava Fantástica; dava outra garfada, ligava e desligava e ligava e desligava, até que papai saiu de seu silêncio e bateu na mesa:
         - Para com isso, Tavinho! Que mania!
         - Só quero saber quando a imagem vai voltar.
         - Você vai saber! Vai ser uma barulhada infernal por esse país afora!
         A comida estava uma gororoba intragável. Maria é uma grande cozinheira, mas desta vez errou a mão, salgou tudo e queimou o arroz. Eu deixei cair um pedaço de goiabada no chão, titia se engasgou com a farofa e mamãe virou a garrafa de água na toalha. Minha irmã, que não perde uma chance, falou que “o sumiço da televisão está mexendo com o equilíbrio de muita gente”. Mamãe, eu se manteve calada o tempo todo, resolveu apelar:
         - Amanhã cedinho vou à igreja iniciar uma novena para Nossa Senhora fazer com que a televisão volte logo.
         - E eu vou à minha astróloga – emendou titia. – Talvez a conjuntura astrológica explique alguma coisa...
         - E eu vou procurar o pastor da minha igreja – arrematou Maria, de passagem.
         O jantar acabou e as pessoas ficaram vagando pelo apartamento feito almas penadas. Eu mesmo não sabia o que fazer. Experimentava uma sensação esquisita, das naves. Foi me dando sono, uma vontade de me encolher debaixo das cobertas.
         Minha irmã, ao me ver acabrunhado num canto, veio até mim:
         - Não fique assim, irmãozinho – disse carinhosa.
         - Fico assim. – resmunguei – A vida perdeu o sentido pra mim.
         - Que bobagem! – ela sorriu meiga. – A televisão é um eletrodoméstico.
         - Pra mim é muito mais! É minha razão de viver!
         - A humanidade viveu milhares de anos sem televisão, Tavinho, e nunca deixou de fazer as coisas
         - Pois eu sou aquela parte da humanidade que não saber fazer as coisas sem televisão.
         A mana sorriu e afogou meus cabelos, delicada:
         - Não adianta ficar emburrado. Faz o jogo do faz de conta. Ás vezes é preciso brincar para se suportar melhor a realidade.
         - Faz de conta o quê? O quê? – perguntei desafiador.
         - Por que você faz de conta que engoliu a TV?
         Lá vinha ela com suas birutices.
         - Eu? Engolir a televisão?
         [...]

       MORAES, Carlos Eduardo. O menino sem imaginação.
                                                             ed. 6. São Paulo: Ática, 1997.

Entendendo o texto:
01 – Lendo apenas esse trecho, foi possível compreender o conflito presente no romance? Como você chegou a essa conclusão?
      Professor, espera-se que o aluno responda que as emissoras não estavam transmitindo a programação porque aconteceu algum problema, afinal o pai disse que “os donos das emissoras são poderosos e logo vão dar um jeito nisso”.
02 – Quando Tavinho diz: “[...] pela primeira vez desde que nasci, i toda a família reunida à volta da mesa”, o que se pode perceber sobre a rotina da casa?
       Percebe-se que sua família não tem o hábito de realizar as refeições reunida, conversando: cada um come em um horário diferente e sempre diante da TV.

03 – O que você achou da família de Tavinho? Ela é diferente da sua?
       Resposta pessoal.

04 – Com base na leitura desse trecho, explique por que o autor deu esse título para a história.
       Resposta pessoal. Professor, espera-se que o aluno perceba, a partir da leitura do trecho, que Tavinho desenvolve uma dependência tão grande da TV que não sabia o que fazer sem ela, não tinha imaginação para fazer nada. Converse com a turma sobre a crítica que pode ser percebida nas entrelinhas do texto, de que as pessoas se tornam passivas, apáticas e alienadas quando desenvolvem esse tipo de dependência.

05 – Quem é fantástica? Poderíamos chamá-la de personagem? Por quê?
        Fantástica é o nome que Tavinho dá à televisão. Poderíamos chamá-la de personagem, pois ela é tratada como um ser e é devido ao seu estado (fora de ar) que todo o enredo da história se desenvolve.

06 – Quem é o narrador dessa história? Como você descobriu isso?
        Tavinho, a personagem principal. Professor, espera-se que o aluno chegue a essa conclusão observando o uso da primeira pessoa (“eu”).

07 – Como Tavinho reagiu diante do “sumiço da televisão”?
        Não sabia o que fazer, ficou muito triste, com vontade de dormir. É possível constatar pelo trecho: “dava uma garfada, ligava e desligava Fantástica; dava outra garfada, ligava e desligava e ligava e desligava”.

08 – A irmã de Tavinho, para consolá-lo, sugere: “Não adianta ficar emburrado. Faz o jogo do faz de conta”. O que você acha que ela quer dizer com isso?
        Professor, espera-se que o aluno comente que a irmã quer incentivar Tavinho a usar a imaginação, criar histórias e não ser tão dependente da TV.


terça-feira, 10 de abril de 2018

TEXTO: VITÓRIA-RÉGIA - DIDÁTICO-CIENTÍFICO - GABRIELA BRIOSCHI - COM GABARITO

TEXTO:  VITÓRIA – RÉGIA -  Didático-científico

     Ela ganhou esse nome como uma homenagem à rainha Vitória, da Inglaterra.
       Os índios Guarani chamam essa planta de “yrupé”: que quer dizer “prato d`água”. Elas são mesmo como bandejas verdes e aguentam até uma criança pequena em cima dalas!
        É da mesma família das ninfeias da Europa e dos lótus da Ásia, todas plantas aquáticas.
        Suas raízes ficam no fundo da água, de onde sai um ramo coberto de espinhos. A superfície inferior da folha tem pequenos canais cheios de ar, que funcionam como pequeninas boias – por isso ela flutua. Sua flor é a maior da região amazônica. Durante seus três únicos dias de vida, muda de cor. Tem várias camadas de pétalas e, no meio, um botão circular guarda as sementes. Essas flores só se abrem à noite e medem aproximadamente trinta centímetros! Seu perfume é delicioso.
        A vitória-régia é uma planta aquática típica dos rios da Amazônia. Foi levada para muitos lugares do mundo por sua beleza.
        De noite, quando as flores estão abertas, os besouros vão dentro delas e, como elas se fecham ao amanhecer, ficam presos ali.

     Gabriela Brioschi. Plantas do Brasil. São Paulo: Odysseus, 2003.

Entendendo o texto:
01 – Qual é o tema do texto lido?
      O texto fala sobre as características da planta vitória-régia. Educador: faça esta pergunta para os alunos responderem oralmente antes de registrarem a resposta por escrito.

02 – Releia os seguintes trechos do texto:
      Trecho 1: é da mesma família das ninfeias da Europa e dos lótus da Ásia, todas plantas aquáticas.

      Trecho 2: sua flor é a maior da região amazônica. Durante seus três únicos dias de vida, muda de cor. Tem várias camadas de pétalas e, no meio, um botão circular guarda as sementes.

     a)   Transcreva cinco características da vitória-régia.
      É da família das ninfeias da Europa e dos Lótus da Ásia (todas plantas aquáticas); sua flor é a maior da região amazônica; durante seus três únicos dias de vida, muda de cor; tem várias camadas de pétalas; no meio, um botão circular guarda as sementes.

     b)   Essas características foram atribuídas à planta pela ciência? Como você concluiu isso?
      Sim. É possível concluir isso pelo fato de as informações serem baseadas na observação e na comprovação objetiva.

03 – A partir da leitura e dos exercícios sobre a lenda e o texto didático-científico que trata da vitória-régia, compare o tema e o que se diz sobre essa planta.
        Identifique as semelhanças e as diferenças entre os dois textos completando as frases a seguir.

        Semelhanças e diferenças
        O tema dos dois textos é: semelhante.

        O que se diz sobre a vitória-régia nos dois textos é: diferente.

        Segunda etapa: Construa uma justificativa para cada resposta, seguindo a orientação do educador.

- O tema dos dois textos é: semelhante, pois tem como central a vitória-régia.

-  O que se diz sobre a vitória-régia nos dois textos é: diferente, pois eles explicam de modo diverso a origem da planta. O primeiro é uma lenda e conta a origem da vitória-régia baseando-se na tradição indígena e o segundo explica a origem por meio de informações científicas.









terça-feira, 28 de julho de 2020

POEMA: O RELÓGIO - JOÃO CABRAL DE MELO NETO - COM GABARITO

Poema: O Relógio

           João Cabral de Melo Neto


Ao redor da vida do homem

há certas caixas de vidro,

dentro das quais, como em jaula,

se ouve palpitar um bicho.

 

Se são jaulas não é certo;

mais perto estão das gaiolas

ao menos, pelo tamanho

e quadradiço de forma.

 

Uma vezes, tais gaiolas

vão penduradas nos muros;

outras vezes, mais privadas,

vão num bolso, num dos pulsos.

 

Mas onde esteja: a gaiola

será de pássaro ou pássara:

é alada a palpitação,

a saltação que ela guarda;

 

e de pássaro cantor,

não pássaro de plumagem:

pois delas se emite um canto

de uma tal continuidade

 

que continua cantando

se deixa de ouvi-lo a gente:

como a gente às vezes canta

para sentir-se existente.

 

O que eles cantam, se pássaros,

é diferente de todos:

cantam numa linha baixa,

com voz de pássaro rouco;

 

desconhecem as variantes

e o estilo numeroso

dos pássaros que sabemos,

estejam presos ou soltos;

 

têm sempre o mesmo compasso

horizontal e monótono,

e nunca, em nenhum momento,

variam de repertório:

 

dir-se-ia que não importa

a nenhum ser escutado.

Assim, que não são artistas

nem artesãos, mas operários

 

para quem tudo o que cantam

é simplesmente trabalho,

trabalho rotina, em série,

impessoal, não assinado,

 

de operário que executa

seu martelo regular

proibido (ou sem querer)

do mínimo variar.

 

A mão daquele martelo

nunca muda de compasso.

Mas tão igual sem fadiga,

mal deve ser de operário;

 

ela é por demais precisa

para não ser mão de máquina,

a máquina independente

de operação operária.

 

De máquina, mas movida

por uma força qualquer

que a move passando nela,

regular, sem decrescer:

 

quem sabe se algum monjolo

ou antiga roda de água

que vai rodando, passiva,

graçar a um fluido que a passa;

 

que fluido é ninguém vê:

da água não mostra os senões:

além de igual, é contínuo,

sem marés, sem estações.

 

E porque tampouco cabe,

por isso, pensar que é o vento,

há de ser um outro fluido

que a move: quem sabe, o tempo.

 

Quando por algum motivo

a roda de água se rompe,

outra máquina se escuta:

agora, de dentro do homem;

 

outra máquina de dentro,

imediata, a reveza,

soando nas veias, no fundo

de poça no corpo, imersa.

 

Então se sente que o som

da máquina, ora interior,

nada possui de passivo,

de roda de água: é motor;

 

se descobre nele o afogo

de quem, ao fazer, se esforça,

e que ele, dentro, afinal,

revela vontade própria,

 

incapaz, agora, dentro,

de ainda disfarçar que nasce

daquela bomba motor

(coração, noutra linguagem)

 

que, sem nenhum coração,

vive a esgotar, gota a gota,

o que o homem, de reserva,

possa ter na íntima poça.

João Cabral de Melo Neto

Entendendo o poema:

01 – Que temática é abordada no poema?

      A temática é o tempo.

02 – Qual é a primeira metáfora escolhida para o tempo nesse poema?

      É “bicho”, sendo gradativamente amenizada no decorrer das estrofes.

03 – Que mudança sofre o “bicho” no decorrer do poema?

      Passando de um “bicho” de jaula a um pássaro em uma gaiola.

04 – Em relação ao texto, julgue os itens que se seguem:

(F) O entendimento do poema é facilitado pelo fato de o título permitir que o sentido metafórico da terceira estrofe se associe à ideia de relógio.

(F) A utilização de estrofes que são quartetos e de versos de sete sílabas (redondilha maior) comprova que o Modernismo desprezou totalmente as formas tradicionais de construção de poemas.

(V) A noção de trabalho no texto apresenta as oposições: artistas e artesãos versus operários; produção variada, criativa versus produção em série, rotineira; a produção pessoal versus produção impessoal.

05 – Ainda em relação ao texto, julgue os itens seguintes:

(F) No primeiro verso do poema, a contagem das sílabas métricas exige a elisão de uma das vogais idênticas em “do homem” e a desconsideração da última sílaba gramatical do verso, por ser átona.

(F) A ocorrência próxima dos substantivos “jaula”, “jaulas”, “gaiolas”, “gaiola” e “pássaro” e das palavras com o mesmo radical “cantor”, “canto”, “cantando”, intensifica a sonoridade, a coesão e também a convergência e a densidade semântica do texto.

(V) Na interpretação de poemas, deve existir sempre uma margem de flexibilidade em consequência da multiplicidade de sentidos. Assim, na sexta estrofe, as duas ocorrências da expressão “a gente” podem ser interpretadas como nós (eu lírico e leitores) ou como as pessoas, o povo.

06 – Na tentativa de descrever o que há dentro dessas caixas de vidro, como o poema se inicia?

      Inicia-se investigando, buscando respostas diante da sua dúvida: “Se são jaulas não é certo”.

07 – Copie os versos que descrevem a passagem de jaula resistente que detém um ser feroz, para ela passa à delicadeza de uma gaiola que guarda um pássaro, de “alada palpitação”.

      “Uma vezes, tais gaiolas

       vão penduradas nos muros;

       outras vezes, mais privadas,

       vão num bolso, num dos pulsos.

 

       Mas onde esteja: a gaiola

       será de pássaro ou pássara:

       é alada a palpitação,

       a saltação que ela guarda.”

08 – A que se assemelha a imagem dos ponteiros do relógio?

      São semelhantes às asas de um pássaro, remete-nos ao tempo-pássaro, ao desejo da ave de voar, de ganhar o céu e a liberdade, mas que impossibilitada de fazê-lo, tem de contentar-se com o curto bater de suas asas dentro do espaço limitado da gaiola.

09 – O eu lírico através do poema fala da diferença entre o operário e os artesões e artistas. Explique.

      Ele diz que a figura do operário veste bem o ponteiro do relógio que trabalha sem parar, no mesmo ritmo, mecanicamente e diferentemente dos artesãos e artistas que fogem do compasso rotineiro do tempo, procurando evadir-se na arte, o trabalho dos ponteiros-operários.