segunda-feira, 23 de março de 2026

POEMA: PINTURA CORPORAL INDÍGENA - DANILO SOARES - COM GABARITO

 Poema: Pintura corporal indígena

             Danilo Soares

Carga gigante de interpretações,

Força enorme de representação

Da cultura do povo campeão

Em índoles e de conservações.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjeVUFtZgPFm1U_Ia14-C9vTqNjTRIGgtM8tgXtrBxuYFUbSI_eoEdW1Z69JS4a0oVIzi75v9qZSKlGb3pIncDDzdWxK8gv30VJri1z-m091DRUf5zf8geN_pOwYpCFR376hR1Z6d4lgRQ0wCzgRmlXWrbeBAI1NQ6N1MaYZ1dAtwrwXgQFIZzWuZEeMnE/s320/PINTURA.jpg


 

Alegra a pele de maneira artística.

Jenipapo se transforma em magia,

O pincel dança sob a poesia

E o indígena mantém a vida rica.

 

Livra alma e levanta a força do povo,

Assim empodera o desanimado

Desenterrando afeto que há enterrado.

 

Cada traço pintado é um riso novo!

Cada desenho é alívio à consciência

E torna-se a principal resistência.

SOARES, Danilo. Pintura corporal indígena. 14 maio 2019. Disponível em: https://www.instagram.com/p/B-r19upAYtM/. Acesso em: 05 nov. 2020.

Fonte: Coleção Rotas. Língua Portuguesa. Ensino fundamental. Anos finais. 8º ano/Sandra Moura Severino (org.) – Brasília – Editora Edebê Brasil, 2020. p. 93.

Entendendo o poema:

01 – Qual é a principal função da pintura corporal mencionada na primeira estrofe?

      De acordo com a primeira estrofe, a pintura corporal possui uma "carga gigante de interpretações" e uma "força enorme de representação". Ela funciona como um símbolo da cultura, da índole e da preservação do povo indígena.

02 – Quais elementos práticos e materiais da pintura são citados pelo autor?

      O poema menciona o jenipapo (fruto comumente usado para fazer a tinta preta) que "se transforma em magia" e o uso do pincel, que "dança sob a poesia" para alegrar a pele de maneira artística.

03 – De que forma a pintura corporal afeta o estado emocional e espiritual do indígena, segundo o texto?

      O autor afirma que a pintura "livra a alma", "levanta a força do povo" e "empodera o desanimado", sendo capaz de trazer à tona ("desenterrar") afetos que estavam esquecidos ou guardados.

04 – Como o poema relaciona a estética (o desenho) com o sentimento de alegria?

      Na última estrofe, o eu-lírico declara que "cada traço pintado é um riso novo", sugerindo que o ato de pintar e a beleza dos desenhos resultam em felicidade e alívio para a consciência.

05 – O que o autor quer dizer com o verso "E torna-se a principal resistência"?

      O verso sugere que a pintura corporal não é apenas um adorno, mas um ato político e cultural de afirmação. Ao manter seus costumes vivos e visíveis na pele, os povos indígenas resistem ao apagamento de sua cultura e reafirmam sua identidade diante do mundo.

 

 

 

CRÔNICA: AS ESTRELAS - FRAGMENTO - MONTEIRO LOBATO - COM GABARITO

 Crônica: As estrelas – Fragmento

             Monteiro Lobato

        Numa das noites daquele mês de abril estava Dona Benta na sua cadeira de balanço, lá na varanda, com olhos no céu cheio de estrelas. A criançada também se reunira ali.

        Súbito, Narizinho, que estava em outro degrau da escada fazendo tricô, deu um berro.

        -- Vovó, Emília está botando a língua para mim!

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiSPYXopTwnX_3_V_9ueLOhrS3huNViWt7cWFBDtvD0wpTcJdQsL14LHQId-ugW4MIGBnq-7IxuIgvLXqlOQa1rM_QRTiCvw5gIL6qlCJLP2FhaPi9d-OEwS7scr-sq-ILKTyMx0FNZscYITU2GTlDSS6u0DPDyaeeL7X0aHcLuOeuzxEKxo41w7C3aWZA/s320/Destaque-estrelas-piscantes.jpg


        Mas Dona Benta não ouviu. Não tirava os olhos das estrelas. Estranhando aquilo, os meninos foram se aproximando. E ficaram também a olhar para o céu, em procura do que estava prendendo a atenção da boa velha.

        -- Que é vovó, que a senhora está vendo lá em cima? Eu não estou enxergando nada – disse Pedrinho.

        Dona Benta não pôde deixar de rir-se. Pôs nele os óculos e puxou-o para o seu colo e falou:

        -- Não está vendo nada, meu filho? Então olha para o céu estrelado e não vê nada?

        -- Só vejo estrelinhas – murmurou o menino.

        -- E acha pouco, meu filho?

LOBATO, Monteiro. As estrelas. In: _____. Viagem ao Céu. 19 ed. São Paulo: Brasiliense, 1971. (Fragmento).

Fonte: Coleção Rotas. Língua Portuguesa. Ensino fundamental. Anos finais. 8º ano/Sandra Moura Severino (org.) – Brasília – Editora Edebê Brasil, 2020. p. 152.

Entendendo a crônica:

01 – Onde se passa a cena descrita no texto e qual era a atividade de Dona Benta no início?

       A cena se passa na varanda da casa (provavelmente no Sítio do Picapau Amarelo), numa noite de abril. Dona Benta estava sentada em sua cadeira de balanço, observando o céu estrelado.

02 – Qual o motivo do conflito inicial entre as crianças mencionado no fragmento?

      O conflito ocorre quando Narizinho dá um berro e reclama para a avó que a boneca Emília estava colocando a língua para ela enquanto ela fazia tricô.

03 – Por que Dona Benta não respondeu imediatamente à reclamação de Narizinho?

      Porque ela estava profundamente concentrada e maravilhada olhando para as estrelas; o texto diz que ela "não tirava os olhos das estrelas" e nem sequer ouviu o chamado da neta.

04 – Qual foi a reação de Pedrinho ao observar o que prendia a atenção da avó?

      Pedrinho aproximou-se e disse que não estava enxergando nada de especial, afirmando que via "só estrelinhas". Ele não compreendia, inicialmente, o fascínio de Dona Benta.

05 – O que a pergunta final de Dona Benta ("E acha pouco, meu filho?") sugere sobre a sua visão de mundo?

      A pergunta sugere que Dona Benta possui uma sensibilidade maior e uma capacidade de se encantar com a natureza. Para ela, as estrelas não são "só" pequenos pontos de luz, mas um espetáculo grandioso que merece contemplação e respeito, contrastando com a visão simplista da criança.

 

 

NOTÍCIA: À BEIRA-MAR - REVISTA RETRATOS - COM GABARITO

 Notícia: À beira-mar

        Paisagens litorâneas mudam com o avanço do turismo

        Quando olhamos para uma paisagem é difícil imaginar como ela era no passado. Foi esse o exercício que fizemos em nossa matéria de capa: produzimos uma foto da Praia do Forte, em Cabo Frio (RJ), a partir do mesmo ponto em que se posicionou o fotógrafo Wolney Texeira, em 1945. A reportagem mostra os impactos do crescimento do turismo em quatro cidades costeiras: Cabo Frio e Arraial do Cabo, no Rio de Janeiro, e Balneário Camboriú e Itapema, em Santa Catarina. 

Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjBM0TZkWSj-s0Wvy0KfR7Qc1nGJjnlwP7wDMmwJ1TpHkLXcu6OerCI3kMlfQPnkfSHtGvtXD-pal77t_g02eOVKf2IYZr8yarLEkkuQ9KWN3qYdQF2dRPusrLM9lZI0CS316Oj7Y9mW2HX_Tyii55CRayTwuFxMO2yKMnoOmAHFtxbE04igqDD8QW7IwY/s1600/PRAIA.jpg


        Em ano de realização da coleta de dados do Censo Agropecuário, diversas vertentes do rural brasileiro vêm sendo realçadas nas páginas da Retratos. É nesse sentido que a segunda parte da reportagem sobre aspectos das atividades agrícolas na Amazônia ganha destaque nesta edição.

        A Retratos nº 5 também dá continuidade à série de entrevistas sobre os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), cujos indicadores que irão mensurar o cumprimento de um conjunto de metas até 2030 estão em fase de elaboração. Dessa vez, o tema escolhido foi o ODS 16: paz, justiça e instituições eficazes.

        O que significa ter uma geladeira, um celular ou uma máquina de lavar? Essa é a pergunta que a matéria sobre bens duráveis no domicílio vai responder. Texto e gráficos vão mostrar para o leitor a importância que esses e outros itens ganharam ao longo do tempo nos lares do país. Boa leitura.

Revista Retratos, n. 5 nov. 2017. Disponível em: https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/media/com_mediaibge/arquivos/be148cc41e68e2e5fe9b53867c0221a1.pdf. Acesso em: 15 out. 2020.

Fonte: Coleção Rotas. Língua Portuguesa. Ensino fundamental. Anos finais. 8º ano/Sandra Moura Severino (org.) – Brasília – Editora Edebê Brasil, 2020. p. 210.

Entendendo a notícia:

01 – Qual foi o exercício comparativo realizado pela reportagem de capa na Praia do Forte?

      A reportagem produziu uma foto atual da Praia do Forte, em Cabo Frio (RJ), a partir do mesmo ponto de vista de uma fotografia tirada pelo fotógrafo Wolney Texeira no ano de 1945, permitindo visualizar as mudanças na paisagem ao longo do tempo.

02 – Quais cidades são citadas como exemplos dos impactos do crescimento do turismo?

      O texto menciona quatro cidades costeiras: Cabo Frio e Arraial do Cabo, no Rio de Janeiro, e Balneário Camboriú e Itapema, em Santa Catarina.

03 – Além do turismo litorâneo, qual outro tema geográfico e econômico ganha destaque nesta edição da revista?

      O texto destaca o Censo Agropecuário e as atividades agrícolas na Amazônia, reforçando a análise das diversas vertentes do meio rural brasileiro.

04 – Sobre qual Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) a edição traz uma entrevista?

      A revista traz uma entrevista sobre o ODS 16, que trata dos temas: paz, justiça e instituições eficazes, visando o cumprimento de metas até o ano de 2030.

05 – Qual é o objetivo da matéria que aborda bens duráveis (como geladeira e celular) nos domicílios?

      O objetivo é responder ao significado de possuir esses itens e, por meio de textos e gráficos, mostrar ao leitor a importância que esses bens ganharam ao longo do tempo nos lares brasileiros.

 

domingo, 22 de março de 2026

POEMA: ODE PARA O FUTURO - JORGE DE SENA - COM GABARITO

 POEMA: Ode para o futuro

                     JORGE DE SENA

 

Falareis de nós como de um sonho.

Crepúsculo dourado. Frases calmas.

Gestos vagarosos. Música suave.

Pensamento arguto. Sutis sorrisos.

Paisagens deslizando na distância.

Éramos livres. Falávamos, sabíamos,

e amávamos serena e docemente.

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhQpvp517m2ayXTXbj4Ne6_h0H3lEesHaBhS62-Tm1rCdNiAjZ2gygaMlCDS_V-wx6oTc3Na0mkchyphenhyphenkHvTrtkZZ14P0A93yk2whKK-3wpElMB8MR-oE0T7vp8JFb7m3XlbNeeudr041YX0L_UrMFgHojrmu4V57UistDo0rH2ezgdu33WEcPiHBxsrkrKA/s320/3452172-dourado-crepusculo-amanhecer-ceu-antes-do-sol-ceu-fundo-foto.jpg
 

Uma angústia delida, melancólica,

sobre ela sonhareis.

 

E as tempestades, as desordens, gritos,

violência, escárnio, confusão odienta,

primaveras morrendo ignoradas

nas encostas vizinhas, as prisões,

as mortes, o amor vendido,

as lágrimas e as lutas,

o desespero da vida que nos roubam

- apenas uma angústia melancólica,

sobre a qual sonhareis a idade de ouro.

 

E, em segredo, saudosos, enlevados6,

falareis de nós - de nós! - como de um sonho.

JORGE DE SENA

www.letras.ufrj.br

 

Entendendo o texto

01. Qual é a principal atitude do eu lírico em relação à forma como as gerações futuras perceberão o presente?

a.   O eu lírico espera que o futuro aprenda com os erros do presente para não repeti-los.

b.   O eu lírico expressa indiferença sobre como a história será contada nos séculos vindouros.

c.   O eu lírico acredita que o futuro entenderá perfeitamente todas as dores e lutas da época atual.

d.   O eu lírico prevê que o futuro verá o presente de forma idealizada e distorcida, como uma 'idade de ouro'.

02. No trecho 'Frases calmas. / Gestos vagarosos. Música suave.', qual figura de linguagem é predominante para construir a imagem que o futuro terá do presente?

a.   Onomatopeia, para reproduzir os sons da natureza descrita no poema.

b.   Assíndeto, através da omissão de conjunções para criar uma enumeração de imagens estáticas.

c.   Personificação, atribuindo sentimentos humanos à música e aos gestos.

d.   Hipérbole, para exagerar o barulho e a agitação da vida moderna.

03. A antítese é uma figura central no poema. Qual das oposições abaixo melhor representa o conflito entre a 'aparência' e a 'realidade' descrita por Jorge de Sena?

a.   A diferença entre o 'amor vendido' e as 'lágrimas' de quem sofre.

     b.   O contraste entre o 'crepúsculo dourado' (visão do futuro) e as 'prisões/mortes' (realidade vivida).

    c.   O embate entre as 'primaveras morrendo' e as 'encostas vizinhas'.

    d.   A oposição entre o 'segredo' e o ato de 'falar' mencionado na última estrofe.

04. Ao utilizar a expressão 'idade de ouro' para se referir ao modo como o futuro verá o presente, o eu lírico utiliza qual recurso expressivo?

a.   Eufemismo, para suavizar a dor das prisões citadas anteriormente.

b.   Ironia, pois o presente é marcado por violência e falta de liberdade, o oposto de uma era dourada.

c.   Metonímia, substituindo a parte (o ouro) pelo todo (a riqueza do presente).

d.   Pleonasmo, reforçando que o futuro será necessariamente melhor que o agora.

05. Qual é o efeito de sentido da repetição da expressão 'de nós' com pontos de exclamação na última estrofe?

a.   Indicar que o eu lírico está chamando as pessoas do futuro para um diálogo direto.

b.   Sugerir que o eu lírico tem dúvidas sobre quem são os verdadeiros responsáveis pelas 'tempestades'.

c.   Demonstrar a alegria do eu lírico por saber que será lembrado com carinho.

d.   Enfatizar a indignação ou o espanto do eu lírico diante da incompreensão futura sobre sua existência real.

 

ARTIGO DE OPINIÃO: DO BOM USO DO RELATIVISMO - LEONARDO BOFF - COM GABARITO

 Artigo de Opinião: Do bom uso do relativismo

                              Leonardo Boff

Hoje pela multimídia, imagens e gentes do mundo inteiro nos entram pelos telhados, portas e janelas e convivem conosco. É o efeito das redes globalizadas de comunicação. A primeira reação é de perplexidade que pode provocar duas atitudes: ou de interesse para melhor conhecer que implica abertura e dialogo ou de distanciamento que pressupõe fechar o espírito e excluir. De todas as formas, surge uma percepção incontornável: nosso modo de ser não é o único. Há gente que, sem deixar de ser gente, é diferente. Quer dizer, nosso modo de ser, de habitar o mundo, de pensar, de valorar e de comer não é absoluto. Há mil outras formas diferentes de sermos humanos, desde a forma dos esquimós siberianos, passando pelos yanomamis do Brasil até chegarmos aos sofisticados moradores de Alfavilles onde se resguardam as elites opulentas e amedrontadas. 

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhH4l5oHnotC088QVUBOsP15HUcRur8H109xHQc16J9vm0-X5KaJyYXNd2cUPNGR3Sr6l0tulah2aTLz4qsOaCHGFKVGTw7Qc3T8wSkl9ReGt6lNdzjEe_wJAisS5WWjS4ezImNtGTaW60Pau5a49uUDuw7ZIbFba90zmF3x-n0kVDqupAQmNyyJQKWB7g/s1600/relativismo1-6d330290.jpg


O mesmo vale para com as diferenças de cultura, de língua, de religião, de ética e de lazer. Deste fato surge, de imediato, o relativismo em dois sentidos: primeiro, importa relativizar todos os modos de ser; nenhum deles é absoluto a ponto de invalidar os demais; impõe-se também a atitude de respeito e de acolhida da diferença porque, pelo simples fato de estar-ai, goza de direito de existir e de co-existir; segundo, o relativo quer expressar o fato de que todos estão de alguma forma relacionados. Eles não podem ser pensados independentemente uns dos outros porque todos são portadores da mesma humanidade. Devemos alargar, pois, a compreensão do humano para além de nossa concretização. Somos uma geosociedade una, múltipla e diferente. Todas estas manifestações humanas são portadoras de valor e de verdade. Mas é um valor e uma verdade relativos, vale dizer, relacionados uns aos outros, auto-implicados, sendo que nenhum deles, tomado em si, é absoluto. Então não há verdade absoluta? Vale o every thing goes de alguns pós modernos? Quer dizer, o “vale tudo”? Não é o vale tudo. Tudo vale na medida em que mantém relação com os outros, respeitando-os em sua diferença. Cada um é portador de verdade, mas ninguém pode ter o monopólio dela. Todos, de alguma forma, participam da verdade. Mas podem crescer para uma verdade mais plena, na medida em que mais e mais se abrem uns aos outros. Bem dizia o poeta espanhol António Machado: ”Não a tua verdade. A verdade. Vem comigo buscá-la. A tua, guarde-a”. Se a buscarmos juntos, no diálogo e na cordialidade, então mais e mais desaparece a minha verdade para dar lugar a Verdade comungada por todos. A ilusão do Ocidente é de imaginar que a única janela que dá acesso à verdade, à religião verdadeira, à autêntica cultura e ao saber crítico é o seu modo ver e de viver. As demais janelas apenas mostram paisagens distorcidas. Ele se condena a um fundamentalismo visceral que o fez, outrora, organizar massacres ao impor a sua religião e, hoje, guerras para forçar a democracia no Iraque e no Afeganistão. Devemos fazer o bom uso do relativismo, inspirados na culinária. Há uma só culinária, a que prepara os alimentos humanos. Mas ela se concretiza em muitas formas, as várias cozinhas: a mineira, a nordestina, a japonesa, a chinesa, a mexicana e outras. Ninguém pode dizer que só uma é a verdadeira e gostosa e as outras não. Todas são gostosas do seu jeito e todas mostram a extraordinária versatilidade da arte culinária. Por que com a verdade deveria ser diferente?

Entendendo o texto

01.Segundo o primeiro parágrafo, qual é a principal causa da nossa convivência atual com imagens e pessoas do mundo inteiro?

a. O efeito das redes globalizadas de comunicação e da multimídia.

b. A vontade das pessoas de morarem em outros países.

c. O aumento do turismo em massa para o Brasil.

d. A leitura de livros antigos sobre diferentes culturas.

02. O autor afirma que a percepção de que nosso modo de ser não é o único é "incontornável". O que isso significa no contexto do texto?

a. Que podemos facilmente ignorar as outras culturas.

b. Que é impossível não perceber que existem outras formas de viver além da nossa.

c. Que as outras culturas são menos importantes que a nossa.

d. Que todos os seres humanos pensam e comem da mesma maneira.

03. Qual é o primeiro sentido de "relativismo" apresentado pelo autor?

a. Que cada um deve viver isolado em seu próprio mundo.

b. Que as elites devem ser protegidas em condomínios fechados.

c. Que nenhum modo de ser é absoluto e todos merecem respeito e acolhida.

d. Que a nossa cultura é a única que possui a verdade total.

04. O autor utiliza a expressão "vale tudo" para explicar o relativismo?

a. Sim, ele defende que qualquer comportamento é aceitável, mesmo sem respeito.

b. Sim, ele acredita que não existem regras na sociedade moderna. c. Não, ele afirma que apenas a cultura ocidental tem as regras corretas.

d. Não, ele diz que "tudo vale" apenas na medida em que se mantém a relação e o respeito pela diferença do outro.

05. Qual é a crítica que Leonardo Boff faz ao "Ocidente" no texto?

a. A ilusão de achar que o seu modo de ver e viver é a única janela para a verdade.

b. Que o Ocidente não tem tecnologia suficiente para a comunicação.

c. O fato de o Ocidente gostar muito de culinária estrangeira.

d. A falta de interesse do Ocidente em organizar guerras e massacres.

06. Para explicar o bom uso do relativismo, o autor faz uma comparação com qual área do conhecimento humano?

a. A Engenharia, comparando os povos a grandes construções.

b. A Culinária, mostrando que existem várias cozinhas gostosas e verdadeiras.

c. A Medicina, comparando a verdade a um remédio para a alma.  d. O Esporte, dizendo que a vida é uma competição entre as nações.

07. No final do texto, ao citar o poeta António Machado, qual é a mensagem transmitida sobre a "Verdade"?

a. Que cada pessoa deve guardar sua verdade e nunca compartilhá-la.

b. Que a verdade não existe e ninguém deve procurá-la.

c. Que a verdade pertence apenas aos poetas e escritores famosos.

d. Que a verdade é algo que se busca junto, no diálogo e na convivência.

 

 

 

CAUSO: O CONTADOR DE CAUSO - GLOBO.COM/CAIPIRA/ - COM GABARITO

 CAUSO:  O contador de causo

 Se depender de Seu Ico, saci existe, ara

  Era um matuto dos bons e vivia num rancho do Rio Pardo, perto de Cajuru. Seu Ico era o apelido dele. Acreditava em tudo que via e ouvia. E tinha opiniões muito firmes sobre coisas misteriosas. Adorava contar casos de assombração e outros bichos:

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiLJK7nSfYUq_5vCdkZhmqFzqBZ605xftBfBAw4Zp92hdqCBEI4L3Il_R7p7vqYjb1rg3urLsoCaZHhOb9P79iUX5gS2XftIRfXcwlYkbL0uV_U0I6BiyZ_PUoaIBpF5m4fpjTzSiyB1sgjuekznZI97E0lG-KFezpiwFsUHLG3ug5lerCTLGRtYE6HYSg/s1600/SACI.jpg


  - Fui numa caçada de veado no primeiro dia da quaresma! Ai ! ai! Ai! Num pode caçá na quaresma, mas eu num sabia. Aí apareceu a assombração! Arma penada do outro mundo. E os cachorro disparo. Foro tudo pro corgo pra modi fugi da bicha... Veado que é bão nem nu pensamento, pruque eis tamem pressintiru a penúria passanu ali tertu!

  - Mas era assombração mês Esse mundo é surtido!

  - Pois no mundo sortido do seu Ico também tinha saci!

  - Quando é o que o senhor viu saci, seu Ico?

  - Ara! Vi a famia toda, num foi um saci só... Tinha o saci, a sacia gravi, e os sacizim em riba da mãe, tudo,pulano numa perna

  - E o que eles fizeram ou disseram pro senhor?

  - Nada... O Saci cachaço inda ofereceu brasa pro meu paero. Gardicido! Eu disse... e entrei pra dentro modi num vê mais as tranquera...

  - E mula-sem-cabeça? Ah, seu Ico garante que existe:

  - Essa eu nu nca vi, mas ouvi o rinchando dela umas par de veis... E otro que eu tamem vi foi o tar de lobisome! Ê bicho fei! Mais num feis nada...desvirô num cachorro preto e sumiu presse mundão de meu Deus. Agora, em um dia de prescaria, aparece muito é caboclo d'água. Um caboquim pretim e jeitado que mora dentro do rio...Ah, e tem que vê tamém o caapora. Bichu fei! E o curupira! Vichi Maria, é fei dimais, tem pé virado pa trais...

  - E com tudo isso o senhor ainda se arrisca a ir pro meio do mato, seu Ico?

  - Pois vô sem medo! Qué sabe? – Dá uma gargalhada rouca e faz um ar maroto. – Qual! Tenho muito, mais muito mais medo é de gente vivo!

                                                                                                                                                                                                                                                   Globo.com/caipira/

Entendendo o texto

 01. A linguagem utilizada por Seu Ico no texto ("pruque", "num pode caçá", "pa trais") é um exemplo de:

a. Linguagem culta, utilizada em documentos oficiais e livros técnicos.

b. Linguagem coloquial regional, que reproduz a fala característica do interior ou do "matuto".

c. Gíria moderna utilizada por jovens em grandes cidades.

d. Linguagem estrangeira traduzida incorretamente para o português.

02. Segundo o relato de Seu Ico, por que a "assombração" apareceu durante a sua caçada de veado?

a. Porque ele estava caçando em uma propriedade que não era dele.

b. Porque os cachorros dele começaram a latir muito alto e acordaram os bichos.

c. Porque ele esqueceu de oferecer brasa para o pito do saci.

d. Porque ele saiu para caçar no primeiro dia da Quaresma, período em que, segundo a crença popular, não se deve caçar.

03. Sobre o encontro com o Saci, Seu Ico afirma algo incomum para as lendas tradicionais. O que ele viu de diferente?

a. Ele viu o saci voando em cima de um pássaro gigante.

b. Ele viu uma família inteira de sacis, incluindo uma "sacia" grávida e filhotes.

c. Ele viu um saci que tinha duas pernas em vez de uma.

d. Ele viu o saci se transformando em um lobisomem preto.

04. O personagem descreve vários seres do folclore brasileiro. Qual das características abaixo ele atribui ao Curupira?

a. Um bichinho preto e jeitado que mora dentro do rio.

b. Uma mula que solta fogo pelo pescoço e rincha alto.

c. Um bicho muito feio que possui os pés virados para trás.

d. Um cachorro preto que some no mundão de Deus.

05. Ao final do texto, Seu Ico revela qual é o seu verdadeiro medo. Qual é esse medo?

a. Ele tem pavor de encontrar o Curupira sozinho na mata fechada. b. Ele tem medo de que os sacis voltem para pedir mais brasa.

c. Ele confessa que tem muito mais medo de "gente viva" do que das assombrações.

d. Ele tem medo de pescar e encontrar o caboclo d'água no rio.

 

 

 

CONTO: O ENCANTAMENTO - BARROS FERREIRA - COM GABARITO

CONTO: O ENCANTAMENTO

                Barros Ferreira

    Júlio olhou. Ali estava a cena de que muito ouvira falar e lhe contestava a veracidade. No alto da copa retorcida de uma goiabeira, estava um bem-te-vi aflito, condenado à morte. Um fio invisível prendia-o e puxava-o inexoravelmente. Ele piava numa extrema aflição. Sabia que ia morrer, mas não conseguia libertar-se.

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiNcOXqgSs4mMprP8H5aPHumiTnTK4p6yYLWlktUv0EfAKIOa8vpTD23FfQCdiPmAiTJJKmLY9UHsMKkDuuV_C02L03dFxFNj9yfumPU-fm1gElbiFOaKtUovRyUzqvOsUDuqnVxWM-znsQCFnB-T3zj2VRxKaaI6B5hGc4kmEGYAUIR_op-aQlanGUasA/s320/BEM%20TE%20VI.jpg
 

   Embaixo, de cabeça erguida e coleante, estava uma jararaca. Seu olhar fixo prendia o pobre bem-te-vi, que não conseguia livrar-se daquele encantamento. O réptil forçava o pássaro a descer. Hipnotizara-o. Mantinha-o preso desde o momento em que a ave, curiosa, baixara o olhar para verificar a origem do farfalhar, que se levantava do chão. Os dois olhares cruzaram-se. O réptil prendeu o pássaro. Fulminara-lhe a vontade. Não podia mais voar. E piando plangentemente pulou para o ramo que estava logo abaixo do seu pequeno corpo.

     Júlio teve ímpetos de matar a cobra. Mas um desejo cruel de assistir ao desfecho o manteve imóvel.

     O bem-te-vi deu novo pio e novo salto. Não era mais o seu canto vibrante, agudo, que traspassava a mata. Tinha algo de um grito plangente, de um apelo de socorro que quebrasse o mortal encantamento. Júlio teve pena do pássaro. Sabia que bastaria uma pedrada ou apenas um grito pra libertar o bem-te-vi, pois a serpente procuraria ver de onde partia o perigo. Também o réptil estava sujeito ao medo. E desde que voltasse a cabeça interromperia a sujeição hipnótica. A ave poderia fugir. Mas a sua curiosidade era maior. Queria ver o fim.

    E esse não tardou. O bem-te-vi soltou um pio ainda mais plangente e com as asas abertas pousou no chão.

    A jararaca moveu-se lentamente, num avanço cauteloso. Estava agora a pouco mais de um metro da ave aterrorizada.

   Mentalmente, Júlio torceu para que o pássaro reagisse e levantasse voo. Supunha, ainda, que a ave não percebera o réptil, confundido com o chão devido ao desenho da pele e cor de massapé. Mas não havia possibilidade de engano. A jararaca conseguira hipnotizar a ave, quando acertara o seu frio olhar, mortal, no olhar do pássaro, que imprudentemente espiara do alto para verificar o que era aquela mancha amarela a mover-se. E fora como se uma flecha lhe penetrasse no cérebro, matando- lhe a vontade. A fome do réptil mantinha-o preso, com firmeza. O bem-te-vi soltou mais um pio triste. A cobra avançou mais um palmo.

    No íntimo de Júlio, travou-se dura batalha entre a misericórdia e a curiosidade. O coração pulsava-lhe doidamente. Parecia ouvir-lhe as pancadas como se fosse na pele de um tambor. O pássaro desengonçado, o bico aberto, as asas distendidas, deu um passo em direção à jararaca, soltando o pio estrídulo, que traduzia o desespero do condenado à perda da vida.

   Foi então que no coração de Júlio reboou urna pancada mais forte. Venceu o sentimento de solidariedade com os mais fracos. Deitou a mão frenética a um galho seco. O estalido forte do lenho que parte foi acompanhada de um berro!        — Desgraçada!

 Ao mesmo tempo, o galho partido caía pesadamente no tronco da jararaca, que ficou aturdida.

  Quebrara-se o encanto malévolo.

  O bem-te-vi, liberto do olhar, que o mantinha cativo, ruflou as asas e disparou num voo fulminante, como flecha saída do arco. Surpreendida e contundida, a cobra desfez as suas roscas e coleou com rapidez a refugiar-se em um lugar de capim alto, onde ficaria mais segura.

   Erguendo o olhar para o céu, onde grossas nuvens eram tangidas pelo vento, Júlio exclamou, satisfeito consigo mesmo:

 — Puxa! Foi mesmo na horinha!

                                                                         (Barros Ferreira)

Entendendo o texto 

01. No início do texto, o bem-te-vi é descrito como "condenado à morte". Por que ele não conseguia voar para longe?

a. Porque ele estava com uma das asas quebradas por causa de um galho.

b. Porque ele estava sob um "encantamento" ou hipnose causado pelo olhar fixo da jararaca.

c. Porque ele decidiu que queria enfrentar a cobra para proteger seu ninho.

d. Porque ele estava preso em um visgo invisível colocado por caçadores

02. Qual foi o conflito interno vivido pelo personagem Júlio ao observar a cena?

a. Ele estava em dúvida se matava a cobra para comê-la ou se a deixava fugir.

b. Ele sentia medo de que a cobra o atacasse caso ele se aproximasse.

c. Ele travou uma batalha entre a misericórdia (pena do pássaro) e a curiosidade cruel de ver o final da cena.

d. Ele não sabia se o bem-te-vi era um pássaro verdadeiro ou apenas uma ilusão da mata.

03. O texto afirma que a jararaca também estava "sujeita ao medo". O que seria necessário para quebrar o encanto hipnótico sobre o pássaro?

a. Que o pássaro fechasse os olhos por alguns segundos.

b. Que algo fizesse a serpente voltar a cabeça, interrompendo o contato visual.

c. Que o sol se escondesse atrás das nuvens, escurecendo a mata. d. Que Júlio desse comida para a cobra para que ela perdesse a fome.

04. Como o comportamento do pássaro mudou à medida que ele descia da goiabeira?

a. Seu canto tornou-se um pio plangente, um grito de socorro de quem perdeu a vontade própria.

b. Ele começou a cantar mais alto e vibrante para assustar a jararaca.

c. Ele ficou em silêncio absoluto para tentar se esconder entre as folhas.

d. Ele começou a bicar os próprios pés para tentar acordar do sono.

05. O que finalmente motivou Júlio a agir e interromper a cena?

a. O medo de que a cobra ficasse ainda maior depois de comer o pássaro.

b. O barulho de outras pessoas chegando na mata.

c. O fato de a cobra ter tentado atacar o próprio Júlio.

d. A vitória do sentimento de solidariedade com os mais fracos sobre a sua curiosidade.

06. De que forma Júlio conseguiu libertar o bem-te-vi?

a. Ele deu um tiro de espingarda na cabeça da jararaca.

b. Ele jogou um galho seco no tronco da cobra e soltou um berro, quebrando a concentração dela.

c. Ele subiu na goiabeira e pegou o pássaro com as mãos.

d. Ele assobiou tão alto que a cobra ficou atordoada com o som.

07. Qual foi o desfecho da história para os dois animais envolvidos?

a. O bem-te-vi fugiu em um voo veloz e a cobra se refugiou, ferida e surpresa, no capim alto.

b. O bem-te-vi atacou a cobra depois de liberto e a jararaca morreu. 

c. A cobra conseguiu picar o pássaro antes de Júlio intervir, mas Júlio a matou depois.

d. Júlio levou o bem-te-vi para casa para cuidar dele e a cobra fugiu para a floresta.