domingo, 29 de março de 2026

CONTO: OS SALTEADORES - HANZ CHRISTIAN ANDERSEN - COM GABARITO

 Conto: Os Saltadores

              Hans Christian Andersen

 

Um dia a Pulga, o Gafanhoto e a Cigarra resolveram verificar qual deles dava o pulo mais alto; convidaram todo o mundo e mais alguém que quisesse assistir ao espetáculo podia vir. Eram na verdade três saltadores famosos os que estavam ali reunidos!

 Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgyyuoYvStDjQpkIayvhz3NiWejIYfq_PEFWCDnXa_SidH8-50N-jRfn40CtuQesYcv2saJpSuQ5sMm8bWeDOVhK-1HhPnN9Gk2SmTzMfGqBulavVTzhVQtHT3uix6Y00Xe8DlLzPbI3wRzmTgMCjkY3THhCvH6vNBjGEeC7ig26l2kLF8YOb56LMgnKV0/s1600/pulga.png


- Darei a minha filha ao que der o salto mais alto - disse o Rei - porque não teria graça nenhuma que esta gente desse pulos assim, por nada.
Foi o Pulgo quem saltou primeiro. Tinha muito boas maneiras; cumprimentou toda a assistência com muita elegância, porque tinha nas veias sangue nobre, que lhe vinha do lado materno e estava habituado à sociedade das criaturas humanas - o que traz muita diferença.
Veio depois o Gafanhoto. Era, está visto, um tanto pesado, mas ainda assim fazia muito boa figura, realçada por um uniforme verde, muito distinto. Além disso, aquele cavalheiro sustentava que pertencia a uma família do Egito, muito antiga, e que lá naquela terra era ele tido em muito alta conta. E tanto isso era verdade que tinham ido buscá-lo ao prado, e deram-lhe por moradia uma casa de campo de três andares, feita de cartas de baralho, com os lados das figuras virados para dentro. E as portas e janelas eram recortadas mesmo no corpo do rei de copas.
- Eu canto tão bem - dizia ele - que dezesseis grilos nativos, que tinham trilado desde a mais tenra infância, sem obter um chalé, emagreceram tanto que ficaram ainda mais finos do que já eram, depois de me ouvirem.
Pulgo e gafanhoto proclamaram, pois, no devido tempo, quem eram, e ambos declararam que se julgavam com direito à mão da princesa.
O Grilo nada disse, mas achava, é claro, que não lhes ficava atrás; e o Cão de Guarda, mal o farejou, declarou logo que o Grilo era de boa família, tirado do osso do peito de um ganso real. O velho Senador, que obtivera três mandados para ficar calado, sustentava que o Grilo era dotado do poder de profecia, e que por meio do seu osso a gente podia saber se o inverno iria ser suave ou rigoroso, coisa que ninguém podia deduzir dos ossos daquele que escreve o almanaque!
- Oh! Eu por mim não digo nada - disse o velho Rei - mas sigo meu antigo costume, e tenho cá minhas ideias, como as outras pessoas.
E chegou a hora da prova. O Pulgo saltou tão alto que ninguém pôde ver até onde chegou, e por isso teimavam que ele não tinha dado pulo algum, coisa digna de desprezo naquelas regiões. O Gafanhoto não chegou nem à metade daquela altura, mas pulou direto ao rosto do Rei - procedimento que sua majestade considerou altamente incorreto. O Grilo ficou quieto ainda um bom pedaço, ao que parecia, perdido em cismas; e já todos se inclinavam a crer que ele não podia dar salto algum.
- Tomara que ele não tenha adoecido! - disse o Cão de Guarda, farejando-o de novo.
Mas, vrrrrr! E lá saltou o Grilo, meio de lado, para o regaço da Princesa, que estava timidamente sentada em um tamborete de ouro.
Então o Rei declarou:
- O salto mais alto foi o que alvejou minha filha, porque significa um delicado cumprimento. Para ocorrer uma idéia assim, é preciso que a pessoa tenha cabeça! E o Grilo provou que tem cabeça. Foi, pois, o Grilo quem obteve a mão da Princesa.
- E, no entanto - dizia o Pulgo - eu saltei mais alto! Mas não faz mal... Ela que fique lá com o osso de ganso, com a caixinha de música e tudo! Quem deu o salto mais alto fui eu! Mas neste mundo a gente precisa ter um corpo volumoso, que apareça, é o que é. E o Pulgo foi servir no estrangeiro e dizem que por lá morreu.
O Gafanhoto sentou-se à beira de uma vala, meditando sobre os costumes do mundo. E também ele dizia:
- O corpo é tudo neste mundo! O corpo é tudo!
E pôs-se a cantar sua canção melancólica - que foi de onde tiramos esta história. Mas, ainda que ela tenha sido impressa, talvez não seja absolutamente verdadeira. Não é bom fiar!

 

Entendendo o texto

 

01. Qual foi a promessa feita pelo Rei para motivar a competição entre os saltadores?

a) O vencedor receberia um castelo feito de cartas de baralho.

b) O vencedor ganharia um título de nobreza e sangue real.

c) O Rei daria a mão de sua filha em casamento ao que desse o salto mais alto.

d) O vencedor seria nomeado o novo Senador do reino.

 

02. De acordo com o texto, qual era a origem da distinção e das boas maneiras do Pulgo?

a) O fato de ele ter vivido em uma casa de campo de três andares.

b) O sangue nobre que lhe vinha do lado materno e a convivência com humanos.

c) O uniforme verde e distinto que ele usava para saltar.

d) O poder de profecia herdado de sua família do Egito.

 

03. Como era a moradia do Gafanhoto e do que ela era feita?

a) Um osso de ganso real guardado em um tamborete de ouro.

b) Uma vala à beira da estrada onde ele meditava sobre o mundo.

c) Um chalé simples conquistado através do seu canto.

d) Uma casa de campo de três andares feita de cartas de baralho.

 

04. O que aconteceu durante o salto do Pulgo que gerou discussão entre os assistentes?

a) Ele saltou tão alto que ninguém conseguiu ver até onde ele chegou.

b) Ele errou o alvo e caiu diretamente no rosto do Rei.

c) Ele sentiu-se mal e não conseguiu sair do lugar.

d) Ele saltou de lado e caiu no regaço da Princesa.

 

05. Qual foi a atitude do Gafanhoto durante a prova que o Rei considerou "altamente incorreta"?

a) Ele recusou-se a saltar por se considerar pesado demais.

b) Ele saltou diretamente no rosto de sua majestade, o Rei.

c) Ele começou a cantar sua canção melancólica em vez de pular.

d) Ele tentou trapacear usando suas asas de família egípcia.

 

06. Por que o Rei decidiu que o Grilo foi o vencedor, apesar dos outros terem saltado?

a) Porque o Grilo provou ser o mais forte fisicamente entre os três.

b) Porque o salto do Grilo em direção à Princesa foi interpretado como um cumprimento delicado e inteligente.

c) Porque o Cão de Guarda confirmou que o Grilo tinha o osso de ganso real.

d) Porque o Grilo previu que o inverno seria rigoroso através de sua profecia.

07. Qual foi a conclusão amarga do Pulgo após perder a competição?

a) Que ele deveria ter treinado mais para o salto ser visível.

b) Que a Princesa não era bonita o suficiente para o seu sangue nobre.

c) Que, no mundo, é preciso ter um corpo volumoso que apareça para ser valorizado.

d) Que o Grilo tinha usado magia para conquistar o Rei.

 

 

LENDA PORTUGUESA: LENDA DO PENDO DOS OVOS (PEDRA AMARELA) - COM GABARITO

 Lenda Portuguesa: Lenda do penedo dos ovos

(pedra amarela)

 Existe, no meio da serra de Sintra um penedo elevado a prumo, caprichosamente, pela Natureza, ou produzidos pelas convulsões vulcânicas do terreno em tempos ignotos, anda ligada à seguinte lenda:

Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjs-beHz-LKE_T7MGdiA8Lk4gQ0UVly7Km5m972jWDmpLuliJyoo2wUCH7omY_qVIJsFOESdtC93GIIf2fF-U8EEBrjCNWwkoL2DA3ZeZuCGWCww48wGXorFC_7GxJSxQltLu4Iz_dI09GA1SAuLkAjticsvZ4FM8Wv62VXPl4hot0i1YPU4WyrO5hIFCI/s320/ovos.jpg 


Dizia-se em tempos que por baixo de tal pedra havia um tesouro escondido (um tesouro encantado) que pertenceria a quem fosse capaz de derrubar o penedo, atirando-lhe com ovos.
Uma velha meteu então na cabeça que esse tesouro havia de lhe pertencer. Para tal, a velha começou a juntar tantos ovos quantos podia. Quando achou que já tinha uma boa provisão, deu início à sua ingénua tarefa. Carregou, pouco a pouco, todos os ovos para as imediações do penedo, e meteu mãos à obra. Um a um, dois a dois, e com quanta força dispunha, ia arremessando os ovos contra o penedo. Quando já não lhe restava nenhum, terrível decepção! O penedo continuava erecto e firme, lavado com ovos!
E foi assim que, em vez de cair por terra, o penedo, pondo a descoberto o maravilhoso tesouro, caíram por terra desfeitos todos os sonhos e todas as esperanças da pobre velha! E ainda hoje, o povo sempre propenso ao maravilhoso, julga ver nos musgos amarelados que cobrem o penedo, as gemas dos ovos que a velha contra ele arremessou.

 Entendendo o texto

01. Segundo a lenda, o que se encontraria debaixo do penedo da Serra de Sintra?

a. Uma entrada secreta para um vulcão antigo e adormecido.

b. As ossadas de gigantes que habitaram a serra em tempos ignotos.

c. Um tesouro encantado que pertenceria a quem derrubasse a pedra.

d. Uma fonte de água mágica capaz de realizar desejos.

02. Qual era a condição necessária para conseguir derrubar o penedo e obter a recompensa?

a. Utilizar a força de vários homens da região.

b. Arremessar ovos contra o penedo até que este caísse.

c. Escavar a terra à volta da pedra durante uma noite de luar.

d. Pronunciar palavras mágicas aprendidas com os antigos.

 03. Como se preparou a "velha" da história para tentar obter o tesouro?

a. Juntou a maior quantidade de ovos que conseguiu e levou-os para junto do penedo.

b. Pediu ajuda aos vizinhos para carregarem as pedras mais pesadas.

c. Estudou as convulsões vulcânicas do terreno para saber onde bater.

d. Consultou um sábio para entender como os ovos poderiam derrubar a rocha.

04. Qual foi o resultado final da tentativa da personagem principal?

a. O penedo caiu, mas o tesouro tinha desaparecido devido ao tempo.

b. Apenas uma parte da pedra se partiu, revelando moedas de ouro.

c. A velha desistiu a meio da tarefa por estar demasiado cansada.

d. O penedo permaneceu firme e erecto, apenas ficando lavado com os ovos.

 05. Que explicação popular é dada para a cor amarelada dos musgos que cobrem o penedo atualmente?

a. São reflexos do ouro do tesouro que ainda está lá em baixo.

b. São as gemas dos ovos que a velha arremessou contra a pedra.

c. É o resultado de substâncias vulcânicas que subiram à superfície.

d. É uma característica natural das rochas da serra de Sintra.

 

 

LENDA PORTUGUESA: O CASTELO DA SERRA DA NÓ - FERNANDA FRAZÃO - COM GABARITO

 Lenda Portuguesa: O Castelo da Serra da Nó

                                  Fernanda Frazão

 

Na região do Minho, a caminho de Ponte de Lima, fica a serra da Nó. Diz o povo que sob a terra há um belíssimo castelo cheio de fabulosas riquezas e habitado por Abakir e Zaida. Se alguém tiver coragem para escavar bem fundo a terra, encontrará ainda hoje tudo quanto um dia foi submergido por forças ocultas e estranhas, despertadas pelo poderoso alcaide.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhYn0YZLet5I26UyOVnN0k603DjrleYcEpJob118KchQ9Ml5arsfbG9e-ldEc0Mn7ZmxEkewb8h1bpC8UdSD9ShhAN4mFy1QdTEbYT07Hu5tv-lWGjnEFlV53B_BZ5-AQ26frf-1PAKeAREK8fGuYNoTeUIV1Flf7D-hJatVgJFcsGWEU_Ziu52veBBYk0/s320/n%C3%93.png



Conta a lenda que há muitos séculos atrás, no tempo da reconquista cristã, havia no alto da serra um castelo maravilhoso onde reinava Abakir, o mouro ao qual os cristãos chamavam o Feroz. Abakir era um homem sedento de todos os poderes e prazeres terrenos. Possuía um harém com algumas das mais lindas mulheres do mundo. Em tempo de tréguas com os cristãos, dividia os dias entre a montaria e as suas mulheres.
Um dia, Abakir, deu-se conta de que havia uma mulher no seu harém diferente das outras. Apesar de o tratar com ternura e afagos, como as outras, fazia-o com uma indiferença tal que ele acabou por o sentir. Ficou espantado. Como não estava habituado a ser tratado daquele modo, tratou de a cativar. Abakir deu por si a amá-la e, pouco a pouco, Zaida abandonou a indiferença dos gestos vazios .
Foi um amor tresloucado, tão louco e esquecido de tudo que Abakir mandou embora as mulheres do seu harém e jamais tornou a lembrar-se de governar o seu povo, de guardar a sua gente. O seu descuido era tal que, certo dia, foi surpreendido pela notícia de que os cristãos sitiavam o seu castelo. Achou-se então abandonado pelos seus guerreiros, que haviam partido para outros castelos onde os alcaides estivessem atentos às suas necessidades de soldados.
Ao ver que nada e ninguém o poderia salvar e que não havia fuga possível, Abakir pegou em Zaida pela mão e levou-a até uma pequena sala repleta de coxins de seda e damasco. Agarrou-lhe as duas mãos e concentrou-se silenciosa e profundamente. Pronunciou palavras misteriosas e, num segundo, os cristãos viram-se a sitiar coisa nenhuma: o castelo, os seus habitantes e as suas fabulosas riquezas desapareceram nas profundezas da terra.
Abakir e Zaida ainda podem ser vistos em noites de luar, vigiando a serra para não serem perturbados no seu amor e aparecendo àqueles que ousam tentar descobrir o mistério do castelo encantado!

Entendendo o texto

 

01. Segundo a crença popular, o que aconteceu ao castelo e às suas riquezas?

a. Foram destruídos e saqueados pelos guerreiros cristãos durante o cerco.

b. Foram abandonados por Abakir quando este fugiu com Zaida para o Minho.

c. Foram submergidos nas profundezas da terra por forças ocultas despertadas pelo alcaide.

d. Foram transformados em pedra por uma maldição de uma mulher do harém. 

02. O que diferenciava Zaida das outras mulheres do harém de Abakir inicialmente?

a. A sua beleza física, que era superior à de todas as outras mulheres do mundo.

b. A indiferença com que tratava o alcaide, apesar de manter os gestos de ternura.

c. A sua origem cristã, que a impedia de amar um senhor mouro.

d. O facto de ser a única que sabia praticar artes mágicas e ocultas.

03. Qual foi a consequência direta do "amor tresloucado" de Abakir por Zaida?

a. O fortalecimento das defesas do castelo para proteger a sua amada.

b. A decisão de converter o seu povo à religião cristã por influência de Zaida.

c. O envio das outras mulheres do harém embora e o total descuido pela governação e defesa do seu povo.

d. Uma aliança de paz duradoura entre mouros e cristãos na região do Minho.

04. Por que motivo os guerreiros de Abakir o abandonaram quando os cristãos cercaram o castelo?

a. Porque tinham medo do exército cristão, que era muito mais numeroso.

b. Porque Abakir os tinha obrigado a trabalhar nas escavações da serra.

c. Porque Zaida os convenceu de que o castelo estava amaldiçoado.

d. Porque procuraram outros alcaides que estivessem mais atentos às suas necessidades de soldados.

05. De acordo com a lenda, em que condições é que Abakir e Zaida ainda podem ser vistos?

a. Apenas por aqueles que escavam profundamente a terra da serra da Nó.

b. Em noites de luar, vigiando a serra para protegerem o seu amor.

c. Durante as batalhas entre cristãos e mouros que ainda ocorrem simbolicamente.

d. Todos os dias ao pôr do sol, no alto da torre do castelo invisível.

 

 

 

 

LENDA PORTUGUESA: FURNA DA MARIA ENCANTADA - COM GABARITO

 Lenda Portuguesa: Furna da Maria Encantada

                                  Arquipélago dos Açores, na Ilha Graciosa


Há muitos anos atrás, havia um casal que vivia na zona onde hoje é a Caldeira. Era uma família de posses, com a sua casa e muitos animais domésticos, como era costume então nas casa de campo: vacas, cabras, galinhas e galos, os quais ou ajudavam no trabalho do campo ou davam matérias primas para o vestuário ou serviam de alimento.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhctWEF0EePGR7WEjFvQMwBpiR-ptjGYV_qNaFTboFmvfDKmkw7m8t-nMzBKl0gPtMmbzaH0On7DaeNqVs9xYtVf7bnR2tSUuCG-W2271u1aALoOsMMFUN-t_AyIN0YXlqWEoEJD7byvZ_JeEFpsr18HkwA0p79eOE0fdN4Y3K8lK1zxNP3eNsE6BiGO5k/s1600/Furna.jpg


Era uma alegria ouvir o galo cantar durante a madrugada, quando a paz alastrava pelos campos, a lua coalhava a casa de uma luz suave e os restantes animais descansavam, espalhados pela serra.
Mas, um certo dia, a horas estranhas, o galo começou a cantar de maneira diferente e com insistência, o que chamou a atenção de Maria, a dona da casa. Cantou assim durante três dias e, escutando bem, percebia-se o que o galo dizia em som estridente:
-Foge, foge! Foge!
Maria compreendeu aquilo como um aviso e insistiu com o marido para que saíssem dali. Ele porém, não acreditou no que a mulher lhe dizia e recusou-se a que deixassem a sua casa e os seus bens. Ficaram, por obediência ao homem que era o chefe de família. Mas Maria tinha a certeza de que alguma coisa iria acontecer.
Passados alguns dias, a terra começou a tremer. Botou de si para fora um mar de fogo, lava e pedras. A paisagem ficou totalmente alterada. No lugar onde rebentou o vulcão apareceu a Caldeira e no sítio da casa de Maria formou-se uma furna. Toda a família desapareceu e Maria, que tinha acreditado no aviso, ali ficou encantada para todo o sempre com as suas três filhas: Roda, Maria e Madalena.
No facho, um monte que faz parte da Serra da Caldeira, Maria apascentou os seus rebanhos. Protegia muito bem os seus animais e, sempre que se ouviam latidos, Maria Encantada descia da serra, vestida de trapos, toda esgadelhada, para correr com os cães que lhe queriam comer as ovelhas.
Maria Encantada também tinha as suas galinhas que eram as gaivotas, segundo dizia a rapaziada dos Fenais e de outras zonas do lado nascente da ilha Graciosa. Ninguém se atrevia a tocar-lhes com medo.
Muitas vezes a criançada, receosa, abeirava-se da furna e atirava pedras lá para dentro. Então ouvia-se um som de cacos: era a louça da Maria a quebrar-se. Mas como castigo, as crianças, que percorriam descalças os carreiros que conduziam à serra, davam topadas e feriam os dedos dos pés nas balas de Maria Encantada.
Às vezes, quando o tempo estava bom e o sol quentinho, via-se estendida a roupa que Maria lavava.
Para se alimentarem, Maria Encantada cozia o seu pão e, nessas ocasiões, a Caldeira aparecia toda coberta pelo fumo do queimar da lenha.
Quem não tiver medo pode, ainda hoje, entrar na Furna da Maria Encantada, indo pela Canada da Furna à direita, antes de chegar ao túnel que dá acesso à Caldeira. Aí verá muitos vestígios dos objectos que ela usou, tais como a pá do forno e a peneira, decalcadas no tecto de pedra.

Açores (Graciosa)

 

 

Entendendo o texto

 

01. Como era a vida da família de Maria antes do acontecimento trágico?

a) Eles eram muito pobres e não possuíam animais.

b) Era uma família de posses, com casa própria e muitos animais domésticos.

c) Eles viviam na cidade e trabalhavam no comércio.

d) Eles eram pescadores que viviam perto do mar.

02. Qual foi o aviso estranho que o galo deu a Maria durante três dias?

a) Ele cantou que haveria uma grande festa na aldeia.

b) Ele avisou que os animais seriam roubados por ladrões.

c) Ele gritou de forma estridente: "Foge, foge! Foge!".

d) Ele previu que as filhas de Maria iriam se casar em breve.

03. Por que a família não saiu do local após o aviso do galo?

a) Porque Maria não acreditou no que o galo dizia.

b) Porque eles não tinham para onde ir com os animais.

c) Porque o marido não acreditou em Maria e recusou-se a deixar seus bens.

d) Porque uma tempestade impediu que eles saíssem da casa.

04. O que aconteceu na região passados alguns dias após o aviso? a) Houve uma grande inundação que destruiu as plantações.

b) A terra tremeu e um vulcão expeliu fogo, lava e pedras.

c) Um incêndio misterioso queimou apenas a casa de Maria.

d) O mar avançou sobre a serra e cobriu toda a paisagem.

05. Segundo a lenda, o que aconteceu com Maria e suas filhas após o desastre?

a) Elas conseguiram fugir para outra ilha dos Açores.

b) Elas foram resgatadas pelos vizinhos da zona nascente.

c) Elas ficaram "encantadas" na furna para todo o sempre.

d) Elas se transformaram em gaivotas para poderem voar.

06. Como as crianças eram castigadas quando atiravam pedras para dentro da furna?

a) Elas ficavam presas dentro da caverna por um dia.

b) Elas ouviam o choro das filhas de Maria.

c) Elas perdiam o caminho de volta para casa na serra.

d) Elas davam topadas e feriam os dedos dos pés nas pedras (balas) de Maria.

07. Quais vestígios de Maria Encantada ainda podem ser vistos no teto da furna hoje em dia?

a) Pinturas feitas pela família antes do vulcão.

b) A pá do forno e a peneira decalcadas na pedra.

c) As roupas de Maria que ficaram penduradas para secar.

d) As pegadas das ovelhas e das cabras do rebanho.

 

 

 

sábado, 28 de março de 2026

LENDA MOÇAMBICANA: A ÁGUA MILAGROSA - COM GABARITO

 Lenda Moçambicana: A água milagrosa

Era uma vez uma menina que quando era ainda muito pequena vivia na casa dos pais. Um dia a casa incendiou e os pais da menina morreram, só escapou a menina, mas sofreu graves queimaduras nos olhos e ficou cega.

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiPZOWlwN2RfdkZtE3Z5hKx15EhyphenhyphenlndorGCTwX6MJB_XiR2Ib3uFud62Ve_adZsnbVjdkA_MW28GKcjJzLSnxqKEEE4R4LIKqFjppB9VJqL7qzn_UyLN7wDFdR31jW6DkFd9dSBMBmglwiXY4mLeVCy9Awj5n787VcFSIFSkNlIrag0XZV-XNQp5kNUR8Y/s320/AGUA.jpg


Cresceu só com a ajuda de uma velhota que vivia lá por perto da casa dos pais.
À medida que foi crescendo tinha um grande desgosto de ser cega, mas mesmo assim fez-se uma bonita rapariga, casou-se... e teve filhos e era muito feliz.
Mas mais uma vez a desgraça voltou a bater à porta, e a casa onde vivia com o marido e os filhos também incendiou, o marido morreu, ela e as filhos salvaram-se… mas com o desgosto resolveu ir-se embora com os filhos para muito longe sem um destino certo.
Andaram, andaram até que resolveram parar para descansar. As crianças disseram à mãe que tinham sede e viram ao longe uma ribeira e foram andando até que lá chegaram, beberam e a mãe molhou as mãos e passou as mãos molhadas pela cara, e pelos olhos para refrescar porque fazia muito calor. Um milagre aconteceu, ao passar aquela água pelos olhos começou a ver novamente. Então, além de tanta desgraça sentiu-se feliz novamente por poder ver os filhos e assim conseguiram viver felizes os três para o resto da vida.

 

Entendendo o texto

 

01. O que causou a cegueira da protagonista quando ela ainda era uma criança pequena?

a) Uma doença grave que afetou sua visão.

b) Um acidente em uma ribeira enquanto brincava.

c) Graves queimaduras nos olhos causadas por um incêndio.

d) O desgaste natural provocado pelo sol forte.

02. Após a morte de seus pais no primeiro incêndio, quem ajudou a menina a crescer?

a) O marido que ela conheceu mais tarde.

b) Uma velhota que vivia perto da casa de seus pais.

c) Seus próprios filhos, que cuidavam dela.

d) Ela cresceu sozinha, sem ajuda de ninguém.

03. Qual foi a nova tragédia que aconteceu na vida da personagem depois que ela já estava casada e com filhos?

a) Ela perdeu a visão novamente após um acidente.

b) Sua casa incendiou, resultando na morte de seu marido.

c) Os filhos dela resolveram fugir de casa para longe.

d) Ela ficou pobre e não tinha onde morar com a família.

04. O que levou a família a encontrar a ribeira durante a viagem sem destino certo?

a) A vontade da mãe de encontrar uma água milagrosa.

b) A necessidade das crianças de descansarem do calor.

c) A busca por um lugar para construir uma nova casa.

d) A sede das crianças, que viram a água ao longe.

05. Como aconteceu o milagre que devolveu a visão à mulher?

a) Ela mergulhou profundamente nas águas da ribeira.

b) Ela molhou as mãos na água e as passou no rosto e nos olhos para se refrescar.

c) Uma fada apareceu na margem do rio e tocou seus olhos.

d) Seus filhos jogaram água nela enquanto brincavam na margem.

 

LENDA AFRICANA: O RATO E O CAÇADOR - COM GABARITO

 Lenda Africana: O rato e o caçador

 

Antigamente havia um caçador que usava armadilhas, abrindo covas no chão. Ele tinha uma mulher que era cega e fizera com ela três filhos. Um dia, quando visitava as suas armadilhas, encontrou-se com um leão:
"Bom dia, senhor! Que fazes por aqui no meu território?" (perguntou o leão)
"Ando a ver se as minhas armadilhas apanharam alguma coisa", respondeu o homem.

Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjbICDzK9nTSMbsZlOs9Wyz6OlH_IGtLI765fpJ1_MB9jiYdaSL7KHQNZ_c4uKygRok01nJlh_2EsjxO2-SJqDASynbHHcGhNOrHLDtX02fD9AQdFysgwMnToUTqAZGwjSTcMhknSUXdsNdTY4vsCjAQ1p1fesMiQecWxyzmZXimCfMYyZLwSY8CeGM00I/s320/RATO.jpg 


"Tu tens de pagar um tributo, pois esta região pertence-me. O primeiro animal que apanhares é teu e o segundo é meu e assim sucessivamente".
O homem concordou e convidou o leão a visitar as armadilhas, uma das quais tinha uma presa, uma gazela. Conforme o combinado, o animal ficou para o dono das armadilhas. Passado algum tempo, o caçador foi visitar os seus familiares e não voltou no mesmo dia.
A mulher, necessitando de carne, resolveu ir ver se alguma das armadilhas tinha presa. Ao tentar encontrar as armadilhas, caiu numa delas com a criança que trazia ao colo. O leão que estava à espreita entre os arbustos, viu que a presa era uma pessoa, e ficou à espera que o caçador viesse para este lhe entregar o animal, conforme o contrato.
No dia seguinte, o homem chegou a sua casa e não encontrou nem a mulher nem o filho mais novo. Resolveu, então, seguir as pegadas que a sua mulher tinha deixado, que o guiaram até à zona das armadilhas. Quando aí chegou, viu que a presa do dia era a sua mulher e o filho. O leão, lá de longe, exclamou ao ver o homem a aproximar-se:
"Bom dia amigo! Hoje é a minha vez! A armadilha apanhou dois animais ao mesmo tempo. Já tenho os dentes afiados para os comer!"
"Amigo leão, conversemos sentados. A presa é a minha mulher e o meu filho."
"Não quero saber de nada. Hoje a caçada é minha, como rei da selva e conforme o combinado", protestou o leão.

De súbito, apareceu o rato.
"Bom dia titios! O que se passa?", disse o pequeno animal.
"Este homem está a recusar-se a pagar o seu tributo em carne, segundo o combinado." Respondeu o leão.
"Titio, se concordaram assim, porque não cumpres? Pode ser a tua mulher ou o teu filho, mas deves entregá-los. Deixa isso e vai-te embora", disse o rato ao homem.
Muito contrariado, o caçador retirou-se do local da conversa, ficando o rato, a mulher, o filho e o leão. "Ouve, tio leão, nós já convencemos o homem a dar-te as presas. Agora deves-me explicar como é que a mulher foi apanhada. Temos que experimentar como é que esta mulher caiu na armadilha" (e levou o leão para perto de outra armadilha). Ao fazer a experiência, o leão caiu na armadilha. Então, o rato salvou a mulher e o filho, mandando-os para casa.
A mulher, vendo-se salva de perigo, convidou o rato a ir viver para a sua casa, comendo tudo o que ela e a sua família comiam. Foi a partir daqui que o rato passou a viver em casa do homem, roendo tudo quanto existe...
Moçambique

Entendendo o texto

 

01. Qual era o método que o caçador utilizava para capturar animais?

a) Ele usava arco e flecha.

b) Ele abria covas no chão como armadilhas.

c) Ele perseguia os animais com cães de caça.

d) Ele usava redes de pesca no rio.

02. Qual foi o trato feito entre o leão e o caçador?

a) O leão ajudaria o caçador a encontrar presas maiores.

b) O caçador deveria abandonar aquele território imediatamente.

c) Eles dividiriam as presas: a primeira seria do caçador e a segunda do leão, sucessivamente.

d) O caçador teria que entregar todos os animais capturados ao leão.

03. Por que a mulher do caçador caiu em uma das armadilhas?

a) Porque ela estava fugindo do leão na floresta.

b) Porque ela era cega e saiu sozinha para procurar carne.

c) Porque ela queria libertar os animais presos.

d) Porque o caçador a empurrou por acidente.

04. Ao ver a mulher e a criança na armadilha, qual foi a reação do leão?

a) Ele sentiu pena e decidiu ajudá-los a sair.

b) Ele ficou com medo de que o caçador o atacasse.

c) Ele exigiu comê-los, alegando que, pelo combinado, aquela presa era dele.

d) Ele correu para avisar o caçador sobre o acidente.

05. Como o rato conseguiu salvar a mulher e a criança?

a) Ele roeu as cordas da armadilha para libertá-los.

b) Ele chamou outros animais para lutar contra o leão.

c) Ele convenceu o leão a fazer uma demonstração de como a mulher caiu, fazendo o leão cair em outra armadilha.

d) Ele assustou o leão com um barulho muito forte.

06. De acordo com a lenda, o que aconteceu com o rato após salvar a família?

a) Ele voltou para a floresta para viver em paz.

b) Ele foi convidado pela mulher para viver na casa deles e comer com a família.

c) Ele se tornou o novo rei da selva no lugar do leão.

d) Ele foi caçado pelo homem por ter enganado o leão.

07. Segundo a lenda, qual é a explicação para os ratos viverem nas casas dos humanos hoje em dia?

a) Porque eles gostam de fugir do frio da floresta.

b) Porque o homem os domesticou para caçar leões.

c) Porque a mulher do caçador os convidou, e desde então eles vivem lá roendo tudo.

d) Porque não há mais comida disponível na natureza.

 

 

sexta-feira, 27 de março de 2026

LENDA PORTUGUESA - A ÁGUA DE SÃO GENS - COM GABARITO

 Lenda Portuguesa - A Água de São Gens

 

Junto da povoação de Santos, freguesia de Mação, eleva-se monte bastante alto, de forma conica, cujo vertice é coroado pela branca capelinha de São Gens.
Este monte, terminado em pico, tem todas as caracteristicas dos de origem vulcanica, não lhe faltando a existencia de peixes, plantas e moluscos fossilisados, que ali se teem encontrado em abundancia.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhbCoW5IDhVjSzu5hqKKJyQaC51H-FdAHMIGCV3rs3QLFnmOWjNrQCr3eRh6u7Ppj5AevZhOL-fMeUsM9yHVCzKpGP8UZdljZnKr_cpH3DU4H37QlFyfm_dw1jDmeJyLL-HHlJKxdBlvhxz4eoGRvlz9iGGT1C9_7f7BrNCa-pCWYC0hdRGCUywxTT58TE/s1600/santos.jpg


Proximo da capelinha, para o lado sul, existe o resto de uma fonte arcada que se acha obstruida com pedras e lôdo, cuja agua foi sempre e ainda presentemente é, considerada milagrosa, muito procurada pelo povo desta região para a cura do fastio.
Esta agua, quer de inverno, quer de verão, sobe sómente até á altura das paredes da fonte; e se alguma extravasa sóme-se logo ali para não mais ser vista, atribuindo-se isso a um milagre de São Gens, como consta da seguinte lenda, que os povos destes sitios teem conservado e transmitido de geração em geração.
O monte, cheio de pinheiros e de expessos matagaes foi, em tempos remotos atacado por um violento incendio que consumiu toda a sua vegetação, á excepção, porem, da do vertice, que o incendio respeitou, ficando incolumes touças de torga, maninhos e pinheiros, que continuaram a verdejar no meio daquele quadro desolador de carvão e cinza.
Movidas de curiosidade foram ali algumas pessoas no intuito de descobrirem a causa d’aquele facto; e, percorrendo o local, foram encontrar em uma lapinha dos penhascos ao cimo do monte, a imagem de S. Gens, crendo então que por milagre dele o incendio não consumiu aquela parte do monte!
Dada a noticia do aparecimento do Santo aos povos circunvisinhos de Santos, Caratão e Castelo, resolveram eles trazer o Santo em procissão desde o alto do monte até ás abas do mesmo, onde se achava a Capela de S. Mateus e ali o colocaram.
No dia seguinte, porem, deram pela sua falta, tendo desaparecido misteriosamente. Procurando-o por toda a parte foram encontrai-o na mesma lapinha onde fora achado na vespera.
Trazido novamente para a Capela de S. Mateus mais uma vez desapareceu d’ali, sendo depois encontrado no mesmo sitio no alto do monte; pelo que o povo compreendeu que S. Gens com a sua fuga queria indicar-lhes que lhe fizessem ali uma capela; por isso trataram os habitantes circunvisinhos de a construirem começando desde logo a preparar os materiaes necessarios. Ao começar a obra lamentaram que seria muito penosa a condução da agua necessaria, pois que teriam de ir por ela a consideravel distancia e leva-la para o alto de tão ingreme outeiro; porisso toda aquela gente pediu ao Santo o seu patrocinio para que os livrasse desta dificuldade.
As suas préces foram ouvidas porque logo ali apareceu uma nascente de agua, que brotando impetuosa de uns penhascos, corria pelo monte abaixo até ao vale.
Cantando louvores ao Santo por aquele milagre edificaram em seguida a capela onde S. Gens ficou até hoje, e construiram no sitio onde a agua brotou a fonte de agua milagrosa que todas as gerações até ao presente têm usado com exito para a cura do fastio.
Não acaba ainda aqui a série de milagres de S. Gens:
Como a nascente era muito abundante os povos circunvisinhos lançaram mão daquelas aguas para a rega das suas propriedades; mas não se entendendo uns com os outros ácerca da partilha delas, querendo todos regar ao mesmo tempo, resultou dahi uma série de conflictos entre os interessados, que em continuas contendas e brigas disputavam a prioridade do uso das aguas para regas.
Em um ano, tão graves foram essas brigas que chegou a haver mortes de alguns individuos, facto que motivou grandes odios e malquerenças entre aquela gente outrora tão amiga.
São Gens, não querendo, certamente, que as suas aguas originassem tantos pecados nos homens, fez novo milagre: dali em deante as aguas que ali nasciam chegavam sómente até á altura das paredes do tanque da fonte, deixando de correr pelo monte abaixo, e se alguma trasbordava sumia-se logo ali, desaparecendo sem ninguem mais a ver; o que ainda hoje sucede.
Vendo neste acontecimento a intervenção de S. Gens, os povos contendores congrassaram-se e resignaram-se a ficarem sem agua para as regas dos seus predios como castigo ao seu egoismo e ás suas maldades.
A agua ainda hoje continua a nascer e a desaparecer junto á fonte, ainda mesmo no tempo das grandes chuvas de inverno, e continua a ser procurada e usada pelos doentes que sofrem de fastio, não sendo raro ouvir dizer para os indivíduos que comem com muito apetite: «Tu não necessitas beber agua de São Gens !»

Entendendo o texto

 

01. Onde se localiza a capelinha de São Gens e qual é a forma do monte onde ela está?

a. No centro da vila de Mação, em um terreno plano.

b. No topo de um monte alto e de forma cônica, na povoação de Santos.

c. Dentro de uma caverna profunda perto de um rio.

d. No alto de uma falésia à beira-mar.

02. Que fato curioso aconteceu durante um violento incêndio que atingiu o monte em tempos remotos?

a. O fogo consumiu apenas a capela, deixando o resto da vegetação intacta.

b. O incêndio apagou-se sozinho assim que começou a chover.

c. A vegetação do topo do monte permaneceu verde e intacta, enquanto o resto ardeu.

d. Todos os animais do monte fugiram para a capela de São Mateus.

03. Onde a imagem de São Gens foi encontrada pela primeira vez? a. Dentro da Capela de São Mateus, nas abas do monte.

b. No meio de um pinhal que não ardeu.

c. Enterrada junto à fonte de água milagrosa.

d. Em uma lapinha (pequena gruta) nos penhascos ao cimo do monte.

04. Por que o povo decidiu construir a capela no topo do monte, apesar de ser um local íngreme e difícil?

a. Porque o terreno no alto era mais barato e espaçoso.

b. Porque a imagem do santo desaparecia da capela de baixo e voltava sempre para a lapinha no topo.

c. Porque o rei daquela região ordenou que os santos ficassem em lugares altos.

d. Porque no topo do monte já existia uma fonte de água para os pedreiros.

05. Qual foi o milagre que facilitou a construção da capela no alto do monte?

a. As pedras subiram sozinhas até o topo do outeiro.

b. Os anjos desceram do céu para ajudar os trabalhadores.

c. Apareceu uma nascente de água impetuosa entre os penhascos para ajudar na obra.

d. O caminho para o topo tornou-se plano durante o tempo da construção.

06. Para que finalidade a água de São Gens passou a ser procurada pelo povo da região?

a. Para lavar roupas e deixá-las mais brancas.

b. Para a cura do "fastio" (falta de apetite).

c. Para transformar metais comuns em ouro.

d. Para regar as plantações de trigo durante a seca.

07. O que causou o fim da harmonia entre os povos de Santos, Caratão e Castelo?

a. A disputa sobre quem deveria ser o vigia da capela.

b. O roubo da imagem de São Gens por uma aldeia vizinha.

c. Brigas e conflitos violentos pela posse e partilha da água para regar propriedades.

d. A construção de uma estrada que separava as três aldeias.

08. De que forma São Gens "castigou" o egoísmo dos moradores que brigavam pela água?

a. Ele secou a fonte completamente, deixando o povo com sede.

b. Ele fez com que a água ficasse amarga e impossível de beber.

c. Ele transformou a água em pedra assim que ela saía da fonte.

d. Ele fez com que a água parasse de correr monte abaixo, sumindo assim que transbordava do tanque.

09. Qual é o comportamento atual da água da fonte, mesmo em tempos de grandes chuvas de inverno?

a. Ela inunda o vale, como acontecia antigamente.

b. Ela sobe apenas até a altura das paredes da fonte e some se transbordar.

c. Ela muda de cor para avisar que vai haver uma tempestade.

d. Ela para de brotar durante os meses de dezembro e janeiro.

10. O que significa o ditado popular local: "Tu não necessitas beber água de São Gens!"?

a. Significa que a pessoa está muito doente e precisa de um médico.

b. É um elogio para quem é muito devoto ao santo.

c. É dito para pessoas que têm muito apetite e comem bem.

d. É um aviso de que a água da fonte está poluída com lodo.

 

 

 

 

LENDA PORTUGUESA - UMA LENDA PARA A NOITE DE S.JOÃO: A MOURA DE ALGOSO - FERNANDA FRAZÃO - COM GABARITO

 Uma lenda para a noite de S.João: A moura de Algoso

Lendas Portuguesas de Fernanda Frazão

 

Algoso é uma pequena aldeia perdida nas serranias transmontanas. Diz uma lenda que ainda hoje por lá corre que, no tempo dos Mouros, existia nos arredores um bruxo famoso, conhecedor de mezinhas milagrosas e sabedor do passado e do futuro. Vivia num casebre um pouco afastado da povoação, mas nem a pobreza da sua casa, nem o afastamento da mesmo obstavam a que ali acorressem quantos acreditavam nas suas capacidades mágicas ou videntes.
Na verdade, ricos e pobres, de longe ou de perto, todos ali acudiam em busca de cura para os seus males, pedindo filtros de amor ou indagando sobre o que lhes reservaria o futuro. 

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEinpyiP0qhbiU1mNCZKOBlzr37EVpZHFz2Kq4IniZOpxkHJUMKvrnqYhF0845-Xk4KatLxV21cQiGnRmIAX4R30dAb5DMCz6okYCCxvGecqeC01yTb7aPqnUgnv79b2HYRZqE9KiPxSYChoZ2OOSjt0fg4_c9ESH88xQK_I6iodyJR1Y0T6N5OaKrJLGLw/s320/ANTONIO.png


Em certos dias era uma autêntica romaria. E com tudo isto o bruxo criou fama e proveito de homem rico, apesar de continuar a viver no pobre casebre tentando fazer-se passar por miserável.
Entretanto, os cristãos iam avançando na reconquista do território ainda sobre a dependência dos Mouros e estavam a aproximar-se rapidamente de Algoso. Sabendo disto o bruxo, que não podia prever o seu próprio futuro, calculou que a ocupação cristã não viesse a ser muito demorada e decidiu esconder os seus tesouros, disposto a recuperá-los mais tarde, quando pudesse recuperar o seu oficio.
Assim pensando, escolheu o que poderia carregar consigo, e o restante, as jóias e o ouro, meteu-o num cofre de marfim chapeado a cobre. Feito isto, e como precisava de encontrar um bom esconderijo para a sua fortuna, partiu com o cofre debaixo do braço em demanda do melhor local.
Depois de muito procurar, achou que o melhor sitio era debaixo da fonte de S. João, debaixo das raízes de um enorme e belo chorão que derramava a sua sombra as águas. Pegou numa enxadinha e cavou um buraco apropriado ao tamanho do cofre. Meteu-o lá dentro, tapou-o com terra e disfarçou a obra com folhagem e gravetos.
Terminado o trabalho, levantou-se e olhou em volta. Espantado, viu uma mourinha que, descuidada, descia uma vereda da serra cantando uma velha canção. Convencido que a moura o vira esconder o cofre e estava agora disfarçando o caso, o bruxo encaminhou-se para ela, olhou-a com uma estranha fixidez, fez uns sinais misteriosos e, recitando certa oração antiga, lançou sobre a menina um encantamento, de tal modo que ela desapareceu no mesmo instante.
Casquinhando, esfregou as mãos, pegou nos seus haveres e desandou rapidamente para a floresta, donde nunca mais voltou. A lenda da moura de Algoso foi passando de boca em ouvido, de geração em geração.
A fonte de S. João de resto, continuava ali, lembrando a todos a desdita da mourinha encantada pelo bruxo e desafiando a coragem de quem sonhasse desencantá-la.
Uma noite, muito próxima da de S. João, uma rapaz de Algoso que se apaixonara pela história sonhou que via a moura na fonte. Mal acordou, decidiu que, desse lá por onde desse, havia de tentar ver na madrugada de S. João se a lenda era verdadeira. Além disso, como corria se alguém visse a moura nas suas horas felizes lhe podia fazer três pedidos, os quais seriam atendidos, o rapaz achou que, apesar do medo, era talvez vantajoso fazer aquela tentativa.
Na véspera de S. João, encaminhou-se para a fonte ainda antes de anoitecer por completo. Procurou um local para se esconder, um local de onde visse sem ser visto, e preparou-se para esperar pela meia noite sem fazer ruído algum. O velho chorão da fonte, já centenário, continuava lançando sobre a água os seus ramos lacrimejantes. Do outro lado, havia agora um belíssimo roseiral, donde provinha um perfume intenso quando todas as rosas abriam.
Chegou a meia noite. De repente o rapaz ouviu uma restolhada vinda das bandas do roseiral. Era uma enorme serpente que, rastejando, se dirigia para a fonte. Aí chegada, mergulhou três vezes. Qual não foi o espanto do moço quando viu aparecer sobre as águas uma menina: a moura da fonte e... mais bela do que tradição contava!
A moura saltou com leveza da rocha para o solo e, sentando-se na borda da fonte, começou a cantar uma suave canção que o marulhar da água acompanhava, enquanto ela ia passando um pente pelos seus cabelos loiros. Subitamente, uma corça apareceu vinda da floresta e, sem mostrar qualquer receio, aproximou-se da moura, que a afagou com ternura. A corça, num gesto de agradecimento, lambeu-lhe as babuchas de damasco azul.
Era realmente um espectáculo de beleza que o rapaz jamais esperava encontrar, E, acocorado no seu canto, esqueceu os três pedidos que queria fazer, esqueceu tudo, esqueceu-se até de si mesmo, até que, bruscamente, a moura parou de se pentear, debruçou-se no tanque e desatou num pranto irreprimível. Chorava, talvez, a dor da sua solidão sem fim.
Condoído, o rapaz fez um movimento para a consolar, esquecido do que não fosse aquela ânsia de ternura que dele se apoderara. Ao erguer-se, porém, fez estalar sob o corpo os ramos da sebe em que se escondera. A corça embrenhou-se rapidamente no mato e a moura desapareceu subitamente, evolando-se numa névoa sobre a águas da fonte de S. João de Algoso.

in Lendas Portuguesas de Fernanda Frazão

 

Entendendo o texto

 

01. Onde vivia o bruxo de Algoso e como era a sua habitação?

a. Num castelo luxuoso no centro da aldeia.

b. Num casebre pobre e um pouco afastado da povoação.

c. Debaixo da fonte de São João.

d. Numa caverna escondida nas serranias.

02. Por que razão as pessoas procuravam o bruxo de Algoso?

a. Para aprenderem a ler e a escrever.

b. Para comprarem gado e sementes para a lavoura.

c. Em busca de curas, filtros de amor ou para saberem o futuro.

d. Para pedirem proteção contra os soldados cristãos.

03. Qual foi o motivo que levou o bruxo a decidir esconder os seus tesouros?

a. O avanço dos cristãos na reconquista do território.

b. Ele tinha medo que os habitantes da aldeia o assaltassem.

c. Ele ia viajar para um reino distante e não queria levar peso.

d. Ele queria testar a honestidade da mourinha.

04. Onde é que o bruxo escolheu esconder o seu cofre de marfim? a. No fundo de um poço seco na floresta.

b. Debaixo das raízes de um chorão, junto à fonte de S. João.

c. Atrás de uma rocha no topo da serra.

d. Dentro das paredes do seu casebre.

05. Por que motivo o bruxo lançou um encantamento sobre a mourinha?

a. Porque ela tentou roubar o cofre de marfim.

b. Porque ele precisava de uma ajudante para as suas mezinhas.

c. Porque ele achou que ela o tinha visto esconder o tesouro.

d. Porque ela o insultou enquanto descia a vereda.

06. O que dizia a lenda sobre quem conseguisse ver a moura nas suas "horas felizes"?

a. Que a pessoa ganharia todo o ouro do bruxo imediatamente.

b. Que a pessoa teria direito a fazer três pedidos que seriam atendidos.

c. Que a pessoa se transformaria também numa criatura mágica.

d. Que a pessoa teria de ficar para sempre a guardar a fonte.

07. Que animal apareceu na fonte à meia-noite antes de surgir a bela menina?

a. Uma corça mansa vinda da floresta.

b. Uma águia real que desceu do céu.

c. Uma enorme serpente que mergulhou três vezes na água.

d. Um peixe dourado que saltou do tanque.

08. Como é que a moura se comportava enquanto estava sentada na borda da fonte?

a. Estava a lavar o rosto e a beber a água fresca.

b. Cantava uma canção suave enquanto penteava os cabelos loiros.

c. Escondia o cofre de marfim com gravetos e folhas.

d. Discutia com a corça sobre o bruxo de Algoso.

09. Por que razão o rapaz não chegou a fazer os pedidos que tinha planeado?

a. Porque ele ficou tão deslumbrado e comovido que se esqueceu de tudo.

b. Porque ele teve medo da serpente e fugiu a correr.

c. Porque ele não conseguiu chegar perto da fonte a tempo.

d. Porque a moura começou a rir dele e ele ficou envergonhado.

10. O que causou o desaparecimento súbito da moura e da corça no final?

a. O sol começou a nascer e o encanto quebrou-se.

b. O bruxo apareceu e levou a menina para a floresta.

c. O rapaz fez barulho ao levantar-se, fazendo estalar os ramos da sebe.

d. A corça deu um grito de alerta ao ver o rapaz.