sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

ARTIGO DE OPINIÃO: LER É A MELHOR SOLUÇÃO - ALEXANDRE GAMA - COM GABARITO

ARTIGO DE OPINIÃO: Ler é a melhor solução
                                Alexandre Gama

     Você é o que você lê. Afinal, se tem uma fome que é insaciável é a minha fome de ler, fome de livro. Que aliás tem uma vantagem sobre as outras fomes, já que o livro não engorda. Este artigo é sobre ler. Porque para mim, as pessoas são como estantes que vão se completando à medida que empilham na memória os livros que vão lendo. E é por isso que eu digo que quando uma velha pessoa morre, o mundo perde uma biblioteca. Ler um livro é como ler uma mente, é saber o que o outro pensa. O que o autor pensa. Ler é poder. Poder construir você mesmo. Tijolo a tijolo. Ou livro a livro, para ser mais exato.
        Você lê? Quanto? O quê? Eu leio o que pinta. Livros, revistas, pichações, frases de banheiro público, poesia, placa de estrada, jornal. Leio Capricho. Leio até errata. É claro que ler não é substituto para viver. Viver é uma experiência que não se substitui com livros. Mas pode ser enriquecida com as vidas que estão neles. Também não estou dizendo que você tem que virar um intelectual. Nada a ver. Intelectual é um teórico que tem medo de se colocar em prática. E eu estou falando de praticar o lido para ficar melhor. Em tudo. Na vida, na profissão, no papo, nas festas. Até no namoro.
        Às vezes, a gente não lê tanto quanto deveria porque não sabe o que ler. Mas se esse é o seu caso, peça dicas. Eu sempre peço e dou. Para mim, indicar um livro é como contar a alguém de um lugar que só eu sei onde fica. Por exemplo, quando eu era pequeno li o sítio do Pica Pau Amarelo. Que imaginação tinha Monteiro Lobato! Eu viajei nas histórias. Outro livro que me marcou foi um sobre a vida de Mayakosvski, um poeta russo que viveu talvez a época mais energética da era moderna: a Revolução Soviética. Ele fazia dos cartazes de propaganda comunista uma forma de poesia. Viveu tão intensamente quanto a poesia que escrevia. Existe, ainda, Jorge Luís Borges, que era um gênio (dizia que publicava livros para se libertar deles), e Júlio Cortázar. Existe Fernando Pessoa, um homem que tinha a capacidade de escrever assumindo personalidades diferentes, chamadas de “Heterônimos” (o contrário de homônimos). “O poeta é um fingidor. Finge tão completamente, que chega a fingir que é dor a dor que deveras sente.” Isto é Fernando Pessoa. Caetano já cantou a pessoa de Pessoa em sua música.
        Outra descoberta: Ler é o melhor remédio. Estou sempre comprando livros e adoro os de frases. São frases de pessoas conhecidas, artistas, escritores, atores. Tem coisas maravilhosas: “Se a sua vida é livre de erros, você não está correndo riscos suficientes”, “Amigo é um presente que você dá a você mesmo”, “Se você está querendo uma grande oportunidade, procure um grande problema”, “A melhor maneira de vencer uma tentação é ceder a ela.”
        Existe Drummond, João Cabral de Mello Neto, Nelson Rodrigues, James Joyce, Paul Valéry, Thomas Mann, Sartre, Shakespeare, Ítalo Calvino. Existe romance, novela, conto, ensaio, poesia, humor, biografia. Existe livro e autor para tudo quanto é leitor. E é por isso que para mim, o analfabetismo é coisa imoral, triste e vergonhosa. Porque “Se o livro é o alimento do espírito, o analfabetismo é a fome da alma”. Uma fome que mata a possibilidade das pessoas serem tudo que podem. Ler às vezes enche o saco. Às vezes dá sono. Às vezes dá bode. Mas resista, lute contra essa preguiça dos olhos. O seu cérebro vai agradecer. Afinal, as respostas estão todas ali. Você só precisa achar as perguntas.

                                Alexandre Gama – Publicitário e sócio da Almap/BBDO.
                                                     Folha de São Paulo, 12/10/07. Cotidiano, p. 7.

Entendendo o texto: Marque a alternativa correta.

01 – Por que o autor diz que, quando uma pessoa morre, o mundo perde uma biblioteca?
a)   Porque as pessoas são aquilo que leram, os livros que experimentaram e, quando uma pessoa morre, morre-se um mundo de histórias, de conhecimento.
b)   Porque as pessoas são aquilo que fazem, os livros que experimentaram e quando uma pessoa morre, morre-se uma pessoa querida, com conhecimentos.

02 – O que, para o escritor, significa indicar um livro a alguém?
a)   Indicar um livro a alguém é como contar sobre um lugar que só ele sabe onde fica, quando ele lê, viaja, entra no mundo dos personagens.
b)   Indicar um livro a alguém é como contar sobre uma pessoa que só ele sabe conhecer, quando se lê, viaja, entra-se em outro mundo.

03 – O que significa o analfabetismo para o escritor?
a)   O analfabetismo é imoral, triste e vergonhoso, é a fome da alma.
b)   O analfabetismo é imoral, e o culpado somos nós por escolhermos saciar a fome dos políticos.

04 – Esse texto é um artigo de opinião, por que?
a)   É um texto jornalístico que se caracteriza pela exposição de um ponto de vista sobre determinado assunto, no caso do texto, Ler é o melhor remédio para a alma.
b)   É um texto jornalístico que se caracteriza pela exposição de um ponto de vista sobre determinado assunto, no caso do texto, A alma é o melhor remédio para se ler.

          

TEXTO: MUITO COMPETENTE EM COISAS SEM IMPORTÂNCIA- LUIZ MARINS - COM GABARITO

TEXTO: MUITO COMPETENTE EM COISAS SEM IMPORTÂNCIA


   Um presidente de empresa, falando sobre um funcionário, disse: “Ele é muito competente em coisas sem importância. É pena que nas coisas realmente importantes ele não seja competente.”
   Conheci uma diretora de marketing que tinha um enorme orgulho de “entender tudo de computação”.
    E de marketing? E de pesquisa? E de mercado? Essas coisas, absolutamente essenciais para sua função, não faziam seus olhos brilharem.
        Esse é um problema recorrente nas organizações. Desde vendedores que criticam tudo na empresa -  mas não visitam clientes, não estudam produtos, não se aperfeiçoam em vendas -até motoristas muito competentes em criticar o chefe -  mas que nada fazem para manter seus veículos em perfeitas condições de uso. Isso para não falar de engenheiros, advogados e médicos, cheios de desejo de status, que se preocupam com seus gabinetes, trajes e formas de tratamento e não se apressam em dar seus doutos pareceres, atrasando processos, contratos e laudos. Ou mesmo de secretárias que organizam festas o ano todo e não procuram se aperfeiçoar em redação ou estudar um idioma estrangeiro.
        Ter pessoas competentes no que realmente interessa é um grande desafio para as empresas.
        Há pessoas campeãs de relacionamento e amizade que se esquecem de que a empresa precisa de profissionais competentes em coisas realmente importantes, que executem, sejam éticas, participem e deem resultado.
        Pessoas competentes têm foco e disciplina para manter-se no foco. Elas não gastam tempo e energia em coisas acidentais e periféricas a seu objetivo principal e, por isso, conseguem o sucesso que outras desfocadas e dispersas jamais conseguirão.
        Pense nisso. Sucesso!

(MARINS, Luiz. TAM Magazine, no 41, jul.2007, p.34)

01 – A finalidade do texto é mostrar o desafio das empresas para:
(A) conseguir secretárias bonitas e charmosas.
(B) ter funcionários focados num objetivo principal.
(C) organizar festas e eventos de grande porte.
(D) empregar tempo e energia em assuntos banais.

02 – O autor defende a tese de que as empresas:
(A) estão com um número elevado de funcionários.
(B) possuem motoristas e veículos possantes.
(C) sofrem com a escassez de pessoas competentes.
(D) procuram vendedores bons e honestos.

03 – Identifique, nos trechos abaixo, o momento que evidencia a fala direta do locutor (autor) com o leitor.
(A) “Há pessoas campeãs de relacionamento...
(B) “Pessoas competentes têm foco...
(C) “Elas não gastam tempo...
(D) “Pense nisso. Sucesso!”

04 – Há falta de profissionais competentes nas empresas porque:
(A) há muitos funcionários dispersos e desfocados.
(B) as pessoas entendem tudo de computação.
(C) os motoristas cuidam bem dos veículos.
(D) as secretárias estudam idiomas estrangeiros.

05 – Há pessoas com opiniões diferentes em relação à tese defendida pelo autor. Para elas, basta que a empresa tenha funcionários
(A) éticos e incompetentes.
(B) participantes e indisciplinados.
(C) com bom relacionamento e amizade.

(D) disciplinados e dispersos.

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

TEXTO: DEZ RAZÕES PARA NÃO "COLAR" NA ESCOLA! - COM INTERPRETAÇÃO/GABARITO

TEXTO: DEZ RAZÕES PARA NÃO “COLAR” NA ESCOLA!
 
               
     A mania de colar tornou-se quase universal entre nossos alunos e estudantes. Há um consenso coletivo favorável à cola, do primário à universidade. Penso que não podemos nos acomodar ao mal nem perder a esperança de encontrar solução para os problemas. Apresento a seguir algumas razões pelas quais não se deve colar:
        Primeira: porque é feio e deselegante chegar à universidade sem o gosto de estudar. Quem cola não tem amor à cultura nem senso do dever e responsabilidade pelo bem comum. Quem passa colando é uma pessoa despreparada, irresponsável e até perigosa socialmente. A cola é a ética do jeitinho e do levar vantagem em tudo em nível escolar.
        Segunda: porque a cola é uma mentira, isto é, apresento uma coisa como minha, mas na verdade é de outrem. Estou dizendo sim para uma coisa que na verdade deveria dizer não. É próprio da inteligência tender para a verdade. A cola é uma ofensa à inteligência e à verdade. É uma das tantas corrupções já internalizadas na consciência estudantil.
        Terceira: porque a cola é um roubo, apresento como meu e como minha sabedoria aquilo que é esforço do outro. Acostumar-se a colar é acostumar-se a usar o que é dos outros. A infidelidade nas coisas pequenas prepara a infidelidade nas grandes, como: infidelidade à palavra dada, infidelidade à consciência. Não posso ter mérito nem diploma quando sei que não estudei e, portanto, não mereço credibilidade, porque não sei a matéria e o tema exigido.
        Quarta: porque a cola fomenta a “lei do menor esforço” e a preguiça. O esforço e o sacrifício são necessários para a formação de uma personalidade sadia, pois quem semeia vento colhe tempestades. Devemos nos educar para a fidelidade e não para a facilidade.
        Quinta: porque a cola é um perigo social e contra o bem comum. O engenheiro que passa colando pode ser a causa do desabamento de um prédio, de um ponte, etc. Ninguém quer ser operado por um médico que passou colando, nem aceita como advogado aquele ou aquela que foi incapaz de defender sua real ignorância colando dos outros.
        Sexta: porque a cola leva ao desperdício do tempo. A psicologia do colador é esta: posso divertir-me, ver televisão à vontade, jogar futebol, namorar, ficar na internet, etc., porque na prova saberei dar um “jeitinho”. Com isso se esbanja a preciosidade do tempo, consagra-se a mediocridade e justifica-se desde cedo a desonestidade.
        Sétima: porque a cola aumenta a já calamitosa superficialidade e ignorância cultural. O nível de estudo e cultura só tende a diminuir e com ele aumenta a falta de cultura que é um perigo social. A cola nos desobriga a pensar. A cola é uma alienação cultural, um atraso.
        Oitava: porque a filosofia da cola impede o avanço cultural do povo, favorece o analfabetismo. Pelo costume da cola, a “massa jovem” continua alienada, desligada e sem a ciência e a cultura que revolucionou um povo.
        Nona: porque a cola vem confirmar a tese dos que dizem ser a escola uma instituição alienante. A mania de colar pode ser sintoma de uma filosofia educacional decadente e falaz. É preciso rever a modalidade de avaliação de nossas escolas.
        Décima: porque o professor que incentiva ou aprova a cola não é um educador. Tal comportamento é desonesto e contra a ética profissional. Religiosamente falando, a cola é um pecado de mentira, preguiça, roubo, irresponsabilidade.

                                       Dom Orlando Brandes é bispo de Joinville.                                                                           
Entendendo o texto:

01 – Releia o primeiro parágrafo e diga qual a posição defendida pelo autor do texto
      Encontrar uma solução para o problema.
       
02 – Relacione as frases abaixo com as razões pelas quais não se deve colar. Veja um exemplo:
A cola fomenta a preguiça. Quarta razão.
A cola promove a alienação. Segunda razão.
Impede o avanço cultural do povo: Oitava razão.
Quem cola é uma pessoa despreparada: Primeira razão.
Ela não merece credibilidade: Terceira razão.
A cola é antiética: Décima razão.
Quem incentiva ou aprova é desonesto: Décima razão.

03 – Apesar do texto apresentar dez razões para não colar, podemos resumi-las em seis. Quais são? Cite-as.
      Primeira, segunda, terceira, quarta, oitava e décima.

04 – No último parágrafo, o autor utiliza um argumento religioso. Que argumento é este?
      Religiosidade falando, a cola é um pecado de mentira, preguiça, roubo, irresponsabilidade.


TEXTO: PAI, ANJO DA GUARDA, SANTO, SACO SEM FUNDO... - COM INTERPRETAÇÃO/GABARITO

TEXTO: PAI, ANJO DA GUARDA, SANTO, SACO SEM FUNDO...


   Divirta-se com a carta que Flifli escreve ao pai, na qual se expressa em linguagem coloquial, com algumas gírias, mas também utiliza a linguagem culta.

         Paiê,
         Eu sei que a vida não tá fácil. A gente só ouve falar em stress, violência, corrupção, remédio falsificado, privatização, desvio de verba, reeleição e desemprego. (Ainda bem que a Sacha, filha da Xuxa, já nasceu em berço de ouro, né?) Mesmo assim, você diz pra gente que tá tudo indo bem, que vai dar um jeito nisso ou naquilo, esse papo de pentear minhoca...
      Sabe, às vezes eu não acredito. Mas te vendo cansado e fazendo tudo pra agradar, é que a gente sente o quanto te ama. Por isso, velho, maneira...Um uisquinho de vez em quando, vá lá... mas vê se pega leve nas frituras, diminui o açúcar e aposenta de uma vez esse maldito cigarro. Faz como a mamãe, que se amarra num diet. Você fala pra tomar cuidado com o excessos. E quando é que você vai se tocar disso?
        Hoje não tem presente, porque a mesada já acabou, lembra? Tive que pagar minha “dívida externa”, com juros e correção monetária. Daí que não sobrou troco nem pra te comprar uma gravata, uma camiseta, um lenço ou um par de meias. Mas o que tá rolando é um papo de amiga. Por isso hoje, sendo de mentira ou de verdade, eu queria te dizer que:
         --- Você é tudo pra mim. Você é um anjo. Você me abraça com suas asas. Você tem olhos verdes. Você é quem sabe, antes, onde está o guarda na esquina ou o radar na estrada. Você é quem impede, com seu corpo, meus ataques à geladeira. Você sabe fechar os olhos na hora certa. Você é quem dá uma palavrinha com Deus a meu favor. [...] Você me apresenta, de vez em quando, a todos os seus amigos. Você vigia o Piruá pra mim. Você sabe onde o Piruá está agora. Você corta e penteia o meu cabelo do jeito que eu gosto. Você termina, de vez em quando, o que eu sempre deixo pela metade. Você já me esperou na porta do colégio. Você já me levou às festas da galera. Você já perdeu o sono por minha causa. Por mim, você transformaria a água em vinho. Você transformaria o Piruá no Leonardo di Caprio. Você me levaria ao sétimo céu contigo. Você até me conta o capítulo da novela que perdi. Você nunca fez um videoteipe dos meus erros. E mesmo assim você me recomendaria ao paraíso. Você me levaria ao paraíso. Você nunca me disse: “Eu não te disse?” Você nunca esqueceu meu aumento de mesada. Você me coça as costas. Você me emprestaria suas asas. Você me conta histórias engraçadas. Você sempre sabe da última piada. Você está disponível na hora que o mundo desaba. Você é o balde que recolhe minhas lágrimas. Você sabe de todas as fofocas. Você desce pra comprar pão. Suas amigas te acham “um pão”, mas pra mim você é “um gato”. Você é o único que não liga quando eu como chocolate. Você sempre telefona nas horas mais imprevisíveis. Você engordaria por mim. Você faria ginástica por mim. Você sabe Vinícius de Moraes de cor. Mesmo não sabendo dançar, você sempre dá o primeiro passo. Você me empresta seu dedo quando eu preciso dar um laço. Você me impede de ficar só pensando no Piruá. Por mi, você teria uma nuvem particular em Veneza e outra na Disneyworld. Você é tudo pra mim. E, sem mim, você não seria ninguém!
Beijilhões. Eu te amo, paizão!
Da tua, Flifli.

P.S.:Paiê! Dá pra me arrumar um dinheiro pra comprar um presente pro meu pai do segundo casamento da mamãe?                                                                                                                                                                                                                         BARRETO, Antônio

Entendendo o texto:

01-Transcrevemos abaixo vários trechos do texto, destacando alguns termos. Em cada trecho, marque LC para linguagem coloquial e G para gíria.
(LC) “[...] a Sacha, filha da Xuxa, já nasceu em berço de ouro, né?
(G) “Suas amigas te acham ‘um pão’, mas pra mim você é ‘um gato”
(LC) “Daí que não sobrou troco nem pra te comprar uma gravata...”
(G) “Mas o que tá rolando é um papo de amiga.”
(LC) “Eu sei que a vida não tá fácil.”
(LC) “Faz como a mamãe, que se amarra num diet.”
(G) “Por isso, velho, maneira...”
(LC) “E quando é que você vai se tocar disso?”
(G) “Mesmo assim, você diz pra gente que tá tudo indo bem, que vai dar um jeito nisso ou naquilo, esse papo de pentear minhoca...”
(G) “Você já me levou às festas da galera.”
(LC) “[...] mas vê se pega leve nas frituras[...]”
     
02 – Observe as palavras destacadas neste trecho do texto:
Suas amigas te acham “um pão”, mas pra mim você é “um gato”.
A garota usa duas gírias diferentes para se referir a uma qualidade do pai. Qual é essa qualidade?
      Bonito.

03 – Por que as gírias são diferentes?
      Porque elas fazem parte de uma época.

04 – Na sua opinião, o autor deveria ter usado a linguagem formal em vez da informal(coloquial)? Justifique.
      Resposta pessoal.

05 – Complete o quadro indicando as recomendações que a garota faz ao pai.

ITEM                                                    RECOMENDAÇÃO
Bebidas alcoólicas:            Um wisquinho de vez em quando.

Frituras:                              Pega leve nas frituras.
Açúcar:                               Faz igual a mamãe, amarra num diet.

Cigarro:                              
Aposenta de uma vez esse maldito cigarro.

Alimentos em geral:          
Tomar cuidado com os excessos.



TEXTO: LOUVOR DA MANHÃ - BARTOLOMEU CAMPOS DE QUEIRÓS- COM GABARITO

Texto: Louvor da manhã

   [...] Era silencioso o amor. Podia-se adivinhá-lo no cuidado da mãe enxaguando as roupas nas águas de anil. Era silencioso, mas via-se o amor entre seus dedos cortando a couve, desfolhando repolhos, cristalizando figos, bordando flores de canela sobre o arroz –doce nas tigelas.
        Lia-se o amor no corpo forte do pai, em seu prazer pelo trabalho, com sua mansidão para com os longos domingos. Era silencioso, mas escutava-se o amor murmurando – noite adentro – no quarto do casal. A casa, sem forro, deixava vazar esse murmúrio com o aroma de fumo e canela, que invadia lençóis e dúvidas, para depois filtrar-se por entre telhas.
    Experimentava-se o amor quando, assentados ao calor da cozinha, pai e mãe falavam de distâncias, dos avós, das origens, dos namoros, dos casamentos.
        E, quando o sono chegava, para cada menino em cada tempo, era o amor que carregava cada filho nos braços para a cama, ajeitando o cobertor debaixo do queixo.
        [...] Em tardes de domingo, sempre muito longas e vestidas de sossego, a mãe se fazia criança para os filhos. 
        Ao pé da escada, junto da porta da cozinha, estava o tanque.
        De cimento cinza, ele guardava a água fria que despencava do morro, escorregando dentro dos bambus – veias cristalinas. A umidade favorecia viver e crescer ali, musgos verdes, tapetes por onde pequenas formigas passavam, arrastando montes de folhas. Mesmo o olhar se sentia acariciado por veludo assim tão fino.
        Com anilinas para doces a mãe coloria as águas no tanque, uma cor de cada vez, e mergulhava as alvas galinhas legornes em banho colorido: azul, verde, amarelo, vermelho, roxo. Em pouco tempo o quintal, como por milagre, era pátio e castelo, povoado de aves – legornes agora raras – desenhadas em livro de fadas. Ficava tudo encantamento. Não havia livro, mesmo aqueles vindos de muito longe, com história mais bonita do que as que a mãe sabia fazer. Não era difícil para Antônio imaginar-se príncipe e filho de mágicos. 
        Quando o dia ameaçava esconder o sol, entre seios e montanhas, aquele inofensivo bando, filho do arco-íris que morava na cabeça da mãe, se empoleirava nos galhos até não poder mais, com seus antigos moradores vestindo roupa nova de festa, feita pela mãe; pensava na árvore de Natal que não tardaria a brotar no canto da sala, com sombra protegendo presentes.
        No outro dia, o barulho do milho na cuia trazia para junto dos meninos um arco-íris faminto e já meio desbotado pela noite e seu sereno. Mas ficava a certeza de que a mãe, em qualquer momento, brincaria de outra coisa. 

                                                        Bartolomeu Campos de Queirós

Entendendo o Texto:

01 – Segundo o texto, o amor era silencioso na casa de Antônio. O que significa isso?
      O amor não era expresso em palavras, não era declarado, percebe-se sua presença pelos gestos e pelas atitudes da mãe e do pai.

02 – Em que momento ocorria a manifestação silenciosa do amor?
      Nas atividades comuns do cotidiano: nos instantes de lazer da família, na bate-papo na cozinha da casa ou a noite, na hora de dormir.

03 – Na casa de Antônio, pais e filhos mantinham-se unidos, cultivando um profundo amor. Como os pais buscam manter os laços familiares que julgavam tão importantes?
      Falando das pessoas importantes da vida deles já falecidas, da história da família para manter viva o passado e realizando com satisfação as tarefas de casa.

04 – “Não havia livro, mesmo aqueles vindos de muito longe, com história mais bonita do que as que a mãe sabia fazer". Qual é a diferença entre contar uma história e fazer uma história?
      Contar uma história é narrar somente, enquanto que fazer uma história é dá vida aos personagens para que se torne algo concreto.

05 – O que significa a expressão 'filho do arco-íris que morava na cabeça da mãe”?
      Era o bando de pintinhos/galinhas que a mãe pintava porque sua imaginação achava que era um arco-íris.

06 – No texto, quais elementos permitem identificar o lugar em que Antônio vive como uma região rural?
      O cheiro do fumo, a água não encanada, galinhas, montanhas, etc.

07 – Esse texto mostra que a mãe dava afeto aos filhos e também participava da vida deles, inventando brincadeiras. De que forma ela tornava concretas as histórias que imaginava?

      Ela usava as galinhas e transformava o quintal em um livro.

TEXTO: AOS 90 ANOS, PALHAÇO ARRELIA ESBANJA ALEGRIA - COM GABARITO

TEXTO: AOS 90 ANOS, PALHAÇO ARRELIA
                       ESBANJA ALEGRIA


    Ele viveu um encontro emocionante com fãs de várias gerações, no lançamento de seu boneco.

       Waldemar Seyssel, 90 anos, foi o famoso palhaço Arrelia por mais de 50 anos. Durante o lançamento de seu boneco e da reedição de seu livro O Menino que Queria Ser Palhaço, dia 4, ele viveu um emocionante reencontro com o público. Mesmo sem a famosa maquiagem e os trajes que lhe deram fama, Seyssel fez muitos adultos chorarem de saudades e, novamente, provocou risos e distribuiu alegria.
     O evento, realizado no Clube Paineiras do Morumbi, transformou-se numa empolgante homenagem. Seyssel fez discursos, deu autógrafos por mais de três horas e ganhou muitos beijos das crianças. Sensibilizado com a presença de cerca de 300 pessoas, lembrou dos tempos de picadeiro.
       “A gargalhada de uma criança é melhor que um jardim repleto de flores”, afirmou. O artista foi aplaudido de pé. Meio Arrelia, meio Seyssel, ele colocou a mão no peito e simulou as batidas do coração. “Foi uma das grandes emoções que senti na vida”, revelou.
     Amparado pela mulher, Arlette Seyssel, ele caminhou lentamente entre os sócios do clube, e parava vez ou outra para conversar com seus admiradores. “Arrelia, eu sou seu fã”, gritou um dos mais entusiasmados. No saguão de autógrafos, havia uma grande exposição de quadros, fotos, roupas e prêmios do palhaço Arrelia.
       A dona de casa Diná Athayde teve uma grande surpresa durante o evento. Quando era criança, ela morava perto dos estúdios da TV Record e assistia frequentemente às gravações do programa Cirquinho do Arrelia. Enquanto olhava a exposição fotográfica, Diná se reconheceu em uma das imagens. “Foi sensacional”, disse.
       Outro antigo fã de Arrelia é o consultor Jorge Troyko, de 49 anos. “Eu tinha dez anos quando ia à casa do meu vizinho para assistir ao programa dele na Record”, conta. Jorge se lembra até da brincadeira de que mais gostava. “Era quando ele e seu parceiro, o Pimentinha, brigavam com um guarda-chuva que dobrava.”
       A advogada Neide Blanco Lopez Mello fez questão de esperar quase meia hora na fila para conversar com o ídolo. Ela foi ao evento acompanhada do marido e dos cinco filhos. Queria saber se existia alguma fita de vídeo com os melhores momentos da carreira do artista à venda. “Hoje em dia, não há mais essa pureza do Arrelia”, afirmou. “A televisão só exibe violência e eu gostaria de mostrar algo diferente para os meus filhos.”
       O artista plástico Carlos Rafael criou em 1995 o boneco Arrelia, feito à mão. Inicialmente, foram produzidos apenas cem exemplares. “A ideia é perpetuar a imagem dele”, disse. O boneco ainda não pode ser encontrado nas lojas, mas, em breve, será produzido em escala industrial.
      O garoto Pedro Blanco Mello, de 6 anos, conheceu Seyssel no evento e insistiu para que a mãe comprasse um boneco do palhaço. “Ele é muito engraçado e eu queria guardar uma lembrança”, disse, grudado na mesa de autógrafos. Mesmo sem a pintura no rosto, o carismático artista atraiu muitas crianças à sua mesa.
                                                (O Estado de S. Paulo, 11 maio 1996)


Entendendo o texto:


01 – O texto que você acabou de ler é uma biografia. Você sabe dizer o que se conta em uma biografia?
      Em uma biografia, conta-se a história de vida de uma pessoa.

02 – Copie a frase abaixo, completando com a opção que está entre parênteses.
A biografia conta fatos.................(reais / inventados).
      A biografia conta fatos reais.

03 – No texto que você leu, o autor narra:
a)   Os fatos que aconteceram na vida de uma pessoa.
b)   Os fatos que aconteceram em sua própria vida.

Agora, transcreva um trecho do texto que comprova sua resposta.
      “Waldemar Seyssel nasceu em Jaguariaíva, estado do Paraná, no dia 31 de dezembro de 1905.

04 – Qual era o verdadeiro nome de Arrelia?
      Waldemar Seyssel.

05 – O que Arrelia fez durante toda sua vida?
      Trabalhou no circo, primeiramente como malabarista, depois como palhaço.

06 – O que você achou mais interessante na história de vida de Arrelia? Por quê?
      Resposta pessoal do aluno.

07 – De acordo com o que você leu, Arrelia teve uma história de vida parecida com a do pai e do avô dele? Comente.
      Sim. Pois o pai e o avô de Arrelia também foram palhaços de circo.

08 – O que o biógrafo quis dizer com a expressão “verdadeiro palhaço”?
      Provavelmente, ele quis dizer que Arrelia era um grande artista, um talentoso palhaço.

09 – Pergunte a seus pais ou avós se eles chegaram a ver Arrelia atuando e o que acham desse artista.

      Resposta pessoal do aluno.

10 – Como é atualmente o famoso palhaço Arrelia?
      Um idoso aos 90 anos.

11 – Que lembranças as pessoas têm do palhaço Arrelia?
      Lembranças de um humorista puro e genuíno.

12 – Que efeito o jornalista consegue ao mencionar a profissão das pessoas que fazem os depoimentos?
      A ligação que há entre a profissão e as brincadeiras do palhaço Arrelia.

13 – Que tipo de pessoa Arrelia parece ser na intimidade, em sua vida particular?
      Uma pessoa calma, alegre e divertida, que só pensava em alegrar as pessoas.

14 – Qual é sua opinião sobre a afirmação da advogada Neide Blanco L. Mello: Hoje em dia, não há mais essa pureza do Arrelia. A televisão só exibe violência e eu gostaria de mostrar algo diferente para os meus filhos?
      Ela está correta, hoje não existe mais a pureza de um programa na televisão.




quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

ARTIGO DE OPINIÃO: O MUNDO PARA TODOS - CRISTOVAM BUARQUE - COM GABARITO

 TEXTO: O MUNDO PARA TODOS


    Durante debate recente, nos Estados Unidos, fui questionado sobre o que pensava da internacionalização da Amazônia. O jovem introduziu sua pergunta dizendo que esperava a resposta de um humanista e não de um brasileiro.

           Foi a primeira vez que um debatedor determinou a ótica humanista como ponto de partida para uma resposta minha. De fato, como brasileiro, eu simplesmente falaria contra a internacionalização da Amazônia. Por mais que nossos governos não tenham o devido cuidado com esse patrimônio, ele é nosso. Respondi que, como humanista, sentindo o risco da degradação ambiental que sofre   a Amazônia, podia imaginar a sua internacionalização, como também de tudo o mais que tem importância para a humanidade.
           Se a Amazônia, sob uma ótica humanista, deve ser internacionalizada, internacionalizemos também as reservas de petróleo do mundo inteiro. O petróleo é tão importante para o bem-estar da humanidade quanto a Amazônia para o nosso futuro. Apesar disso, os donos das reservas sentem-se no direito de aumentar ou diminuir a extração de petróleo e subir ou não o seu preço. Os ricos do mundo, no direito de queimar esse imenso patrimônio da humanidade. Da mesma forma, o capital financeiro dos países ricos deveria ser internacionalizado. Se a Amazônia é uma reserva para todos os seres humanos, ela não pode ser queimada pela vontade de um dono, ou de um país. Queimar a Amazônia é tão grave quanto o desemprego provocado pelas decisões arbitrárias dos especuladores globais. Não podemos deixar que as reservas financeiras sirvam para queimar países inteiros na volúpia da especulação.
           Antes mesmo da Amazônia, eu gostaria de ver a internacionalização de todos os grandes museus do mundo. O Louvre não deve pertencer apenas à França. Cada museu do mundo é guardião das mais belas peças produzidas pelo gênio humano. Não se pode deixar que esse patrimônio cultural, como o patrimônio natural amazônico, seja manipulado e destruído pelo gosto de um proprietário ou de um país. Não faz muito, um milionário japonês decidiu enterrar com ele um quadro de um grande mestre. Antes disso, aquele quadro deveria ter sido internacionalizado.
          Durante o encontro em que recebi a pergunta, as Nações Unidas reuniam o Fórum do Milênio, mas alguns presidentes de países tiveram dificuldades em comparecer por constrangimentos na fronteira dos Estados Unidos. Por isso eu disse que Nova York, como sede das Nações Unidas, deveria ser internacionalizada. Pelo menos Manhattan deveria pertencer a toda a humanidade. Assim como Paris, Veneza, Roma, Londres, Rio de Janeiro, Brasília, Recife, cada cidade, com sua beleza específica, sua história do mundo, deveria pertencer ao mundo inteiro.
         Se os Estados Unidos querem internacionalizar a Amazônia, pelo risco de deixá-la nas mãos de brasileiros, internacionalizemos todos os arsenais nucleares dos Estados Unidos. Até porque eles já demonstraram que são capazes de usar essas armas, provocando uma destruição milhares de vezes maiores do que as lamentáveis queimadas feitas nas florestas do Brasil.
        Nos debates, os atuais candidatos  à  presidência  dos Estados Unidos têm defendido a ideia de internacionalizar as reservas florestais do mundo em troca da dívida. Comecemos usando essa dívida para garantir que cada criança do mundo tenha possibilidades de ir à escola. Internacionalizemos as crianças tratando-as, todas elas, não importando o país onde nasceram, como patrimônio que merece cuidados do mundo inteiro. Ainda mais do que merece a Amazônia. Quando os dirigentes tratarem as crianças pobres do mundo como um patrimônio da humanidade, eles não deixarão que elas trabalhem quando deveriam estudar; que morram quando deveriam viver.
        Como humanista, aceito defender a internacionalização do mundo. Mas, enquanto o mundo me tratar como brasileiro, lutarei para que a Amazônia seja nossa. Só nossa.

Cristovam Buarque- O Globo, Rio de Janeiro, 23 out.2000.

ESTUDO DO TEXTO
1)Quando o jovem que fez a pergunta determinou que queria a resposta de um humanista e não de um brasileiro, o que você imagina que ele esperava ouvir?
 Que o autor defende-se a Amazônia como patrimônio nosso.

2)Cristovam Buarque, em seu contra-argumento incorpora a tese defendida por um humanista. Qual a sua intenção ao adotar essa estratégia?
Sua intenção é de internacionalizar todos os patrimônio histórico como mundial.

3)  Na sua opinião, a resposta de Cristovam Buarque foi convincente? Justifique.
Resposta pessoal.
  
4)Seguindo o raciocínio desenvolvido no texto, que outros patrimônios você acha que o autor poderia ter citado? Justifique.

Parques Nacionais, Cidades Históricas, Ilhas.  Por serem patrimônio históricos.

5) Na sua opinião, qual a relação do título O Mundo para Todos com a argumentação que o autor usou no texto?
Resposta pessoal.