quarta-feira, 8 de julho de 2026

NOTÍCIA: POBRE MENINO WINNIE - FRAGMENTO - MARLEINE COHEN - COM GABARITO

 Notícia: Pobre menino Winnie – Fragmento

         A espessa fumaça levantada pelo bombardeio aéreo sobre Liverpool, Inglaterra, mal tinha se dissipado naquele 9 de outubro de 1940, quando, às 18h30, o choro de um recém-nascido ecoou nos corredores do Oxford Street Maternity Hospital.

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEigVSUpJX_zAumsgJ0RoP3KwCdxbzvgCxArIlw1M6jxw7LJAMGc7UvrLGbMG5HolZAKLYwkhLdZyJZg0_JTNRHTPwO3BVP9QOfhVgRLQQDsMMplbo0cyEW8m_3B-HFqNEOFZYj4FQhc-4GB-lVDVnqOsUMCbdZx3LhKV_1DUrjoSVH31Sj1QNuIFVH-cac/s320/pobre-menino-rico-3.jpg


        Depois de um complicado trabalho de parto, Julia Stanley — uma típica jovem dona de casa de classe média baixa — dava à luz seu primeiro filho, o menino John Winston, para quem o pai Alfred, marinheiro e músico amador, só acenaria para desejar as boas-vindas do outro lado do oceano.

        Apesar de ausente — naquele e em tantos outros anos —, Fred cuidou de garantir a linhagem e o provento do guri, assim que ele nasceu: algo portentoso, seu nome de batismo, John Winston Lennon, era uma homenagem ao bisavô Jack (John) Lennon, que havia integrado o grupo musical Andrews Robertson's Kentucky Ministrels, e ao prestigiado primeiro-ministro Winston Churchill, que, naquele tempo, zelava pela soberania da Grã-Bretanha e conduzia os destinos da nação, num mundo ameaçado pelo nazismo.

        Em breve, porém, a distância entre Julia e Fred selaria — a pedido dela — a definitiva separação entre eles e, a partir de 1942, o dinheiro para o sustento do pequeno John minguou. [...]

        Imersa em dificuldades financeiras, Julia — que, naquele momento, já trabalhava, bebia e fumava — se viu à deriva diante da tarefa de educar o menino. Preferiu casar-se novamente e entregar a tutela de John à irmã Mary Elizabeth — a tia Mimi — e seu marido George Smith, um austero casal de meia-idade que não tinha filhos.

        Coube assim ao tio George ensinar o pequeno John Winston a ler e escrever e levá-lo vez ou outra ao cinema. [...]

        Assim, antes de completar 6 anos, John Lennon já tinha provado o dissabor de ser abandonado pelos pais e vivia com os tios no bairro de Woolton, na 251, Menlove avenue, local de grande concentração de médicos e advogados e distante apenas 5 quilômetros da casa da mãe.

        — Eu era um autêntico menino suburbano, cheiroso e bem-cuidado, meio palmo acima da classe social de Paul, George e Ringo, que viviam em moradias subsidiadas pelo governo. Nós, não: tínhamos nossa casa e nosso jardim. Assim, eu era algo como um fruto proibido, em comparação com eles... — contaria mais tarde John, com suas próprias palavras.

        Apesar disso, e desce muito cedo, Lennon se tornou "o garoto que os pais não queriam ao lado de seus filhos": tinha apenas 6 anos quando foi expulso pela primeira vez de uma creche porque aterrorizava as menininhas. [...]

        Os anos 50 arrebataram este jovem transviado, acentuaram seu sarcasmo e irreverência e o lançaram definitivamente no submundo: John Lennon vestiu-se de couro e se empapuçou de gomalina, abraçou o skiffle, mistura de rock e música popular inglesa que virou mania na Grã-Bretanha, ganhou da tia Mimi um violão e enfrentou a primeira morte na família — a do tio George, em 1953, cuja ausência incentivou sua mãe Julia a se aproximar um pouco mais dele, numa relação de franca e despretensiosa camaradagem. Coube a ela, então, lhe ensinar os primeiros acordes de guitarra e encorajá-lo a seguir adiante com a música.

        — Isso é bom como hobby, mas você nunca vai ganhar a vida assim. — instruía a tia Mimi, ao ver o sobrinho dedilhar o instrumento até sangrar os dedos.

        Mas o rock expressava seu inconformismo, sua dor.

        E lhe trazia de volta a companhia da mãe — até que o ano de 1958 a extirpou definitivamente de sua vida, depois que um policial bêbado chamado Eric Clague a atropelou na frente de casa e a matou aos 44 anos de idade, no dia 15 de julho. [...]

        John Lennon tinha então 17 anos:

        — Minha primeira lembrança da vida é a de um pesadelo — confessaria, amargurado, na autobiografia dos Beatles.

De fato, o sonho ainda estava em gestação.

 

COHEN, Marleine. John Lennon. São Paulo: Globo, 2007. p. 23-25. (Col. Personagens que Marcaram Época)

 

Entendendo a notícia:

01 – Sob quais condições históricas marcantes John Lennon nasceu e qual a origem do seu nome completo?

      John Lennon nasceu em Liverpool no dia 9 de outubro de 1940, logo após um bombardeio aéreo em plena Segunda Guerra Mundial. Seu nome completo, John Winston Lennon, foi uma dupla homenagem: "John" veio de seu bisavô Jack (John) Lennon, que fora músico, e "Winston" foi uma homenagem ao então primeiro-ministro britânico Winston Churchill, que liderava o país contra o nazismo.

02 – Por que a mãe de John, Julia, entregou a tutela do menino para os tios e quem eram eles?

      Após a separação e o sumiço do dinheiro enviado pelo pai (Alfred), Julia enfrentou graves dificuldades financeiras. Como já trabalhava, bebia e fumava, ela se viu incapaz de educar o filho sozinha. Optou por casar-se novamente e entregar a tutela de John à sua irmã, Mary Elizabeth (tia Mimi), e ao marido dela, George Smith, um casal austero de meia-idade que não tinha filhos.

03 – Como John Lennon definia a sua própria classe social na infância em comparação com os outros futuros membros dos Beatles?

      Ele se definia como um "autêntico menino suburbano, cheiroso e bem-cuidado", afirmando estar meio palmo acima da classe social de Paul, George e Ringo. Enquanto os outros viviam em moradias subsidiadas pelo governo, John morava com os tios em uma casa própria com jardim em um bairro nobre (Woolton), o que o fazia se sentir um "fruto proibido" perto deles.

04 – Como foi a divisão de papéis entre a tia Mimi e a mãe (Julia) no início da trajetória musical de John na adolescência?

      A relação foi marcada por incentivo e ceticismo:

      A mãe (Julia): Após a morte do tio George em 1953, ela se reaproximou de John, ensinou-lhe os primeiros acordes na guitarra e o encorajou na música.

      A tia Mimi: Embora tenha lhe dado um violão, era cética e dizia a famosa frase: "Isso é bom como hobby, mas você nunca vai ganhar a vida assim", enquanto via o sobrinho dedilhar até sangrar os dedos.

05 – Qual foi a segunda grande tragédia familiar que abalou a vida de John Lennon aos 17 anos?

      Foi a morte trágica de sua mãe, Julia, em 15 de julho de 1958. Ela foi atropelada e morta aos 44 anos na frente de casa por um policial bêbado chamado Eric Clague. Essa perda precoce extirpou Julia definitivamente da vida de John, intensificando a amargura que ele carregava desde a infância.

 

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