quarta-feira, 8 de julho de 2026

ARTIGO DE OPINIÃO: INTERNETÊS - AMEAÇA À LÍNGUA PORTUGUESA - KARLA HANSEN - COM GABARITO

 Artigo de opinião: Internetês – Ameaça à Língua Portuguesa

                Karla Hansen

 

        Quem tem acesso à rede mundial de computadores, não dispensa o “internetês” para escrever suas mensagens ou se comunicar nas salas de bate-papos virtuais. No entanto, o que parecia uma brincadeira de adolescente está abalando o coração, já tão cansado, dos professores da língua portuguesa. O assunto também já ganhou as páginas dos jornais e tem alimentado calorosos debates entre acadêmicos, escritores e jornalistas. Basicamente, o debate tem dividido os interessados entre os que são contra e os que são a favor. De um lado e do outro existem os exagerados e alarmistas de plantão. Entre os que são contra, por exemplo, um argumento bem forte é o de que o “internetês” é mais que uma degradação da língua, um verdadeiro atentado infame a ela.

Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEioQfEOw-IJP6ONhzxJzYLJfM0FikzI32cM8CfVGTaylxJwFUd2P4zxqmHN4CokyrmP_muqXv9XGxU2MTHebuL_m2rtWhxSACaBGowqTKNpv72Ii9lNNlc0EGW4Bw-g03xUvP7Vxsemh_kQGn7kqHea3jZrdYyeXLxoXJz8PlcFqh0RW4O9aM91IOh4Rx8/s1600/unnamed.png 


        O escritor Deonísio da Silva chamou de “besteirol” o novo “idioma” e classificou o fenômeno como “assassinato a tecladas” da língua portuguesa. Segundo o escritor, nunca se escreveu tanto como nesses tempos de correspondências eletrônicas, mas para ele estão “botando os carros na frente dos bois”. Ou seja, esses adolescentes têm acesso à internet e ao celular, mas não à norma culta da língua escrita.

        Nas palavras de Deonísio: Os pequenos burgueses tinham internet e celular, mas não dominavam a língua escrita. E por isso criaram a deles. Nada espantoso. Também os habitantes das periferias não dominam a norma culta da língua e criam suas gírias, devidamente circunscritas a cada grupo de usuários. Para resumir, o escritor defende que o “internetês” é um sintoma da grave falência educacional, que por sua vez, gera a exclusão dos jovens ao mundo letrado ao qual só poucos têm acesso.

        Combatendo serenamente essa tese, Marisa Lajolo é uma das que não veem nada de grave na invenção dos adolescentes. Ao contrário, ela acredita que a nova escrita na Internet está promovendo um “surto de poliglotas”. Na sua opinião, o “internetês” é apenas mais uma linguagem usada pelos jovens para se comunicarem entre si, considerados, por ela, poliglotas pela capacidade de se expressar de maneira diferente com seus pais, professores e com os demais interlocutores da comunidade. Dessa forma, para a escritora, isso demonstra criatividade dos adolescentes em criar um código próprio, que reforça a identidade dos mesmos.

        Sérgio Nogueira aconselhou os professores a não se assustarem, mas procurarem conhecer a linguagem. Ele admite que esse é um “fenômeno natural”. Para ele, o problema maior a ser atacado pelos professores é mesmo o domínio da linguagem padrão.

        , do outro lado, entusiastas febris. Pessoas afirmam que o “internetês” veio revolucionar a língua portuguesa e chegam a oferecer um “curso de língua de internetês”, no qual estão traduzidas as principais expressões da “língua” num “dicionário”.

        Seguindo o bom senso do professor Sérgio Nogueira, alguns professores de língua portuguesa já tiveram a iniciativa de promover, em sala de aula, atividades com o dialeto. Não se trata de rejeitar, diminuindo-lhe a importância, ou de elevar aos céus, atribuindo-lhe poderes para “revolucionar” ou mesmo ameaçar a língua portuguesa. Essas experiências em sala de aula têm a qualidade de reconhecer o fenômeno e explorá-lo, mostrando sua dimensão real.

        Dessa forma, é possível que o “internetês” ainda dê o que falar. Mas, com o vocabulário reduzido de que ele dispõe, é provável que o debate, assim como a própria vida do novo dialeto, não sejam capazes de ir muito longe.

Karla Hansen. Internetês – Ameaça à Língua Portuguesa.

 

Entendendo o artigo:

01 – De acordo com o texto, qual é a principal justificativa do escritor Deonísio da Silva para criticar o "internetês"?

      Deonísio da Silva defende que o "internetês" é um sintoma da grave falência educacional. Para ele, os jovens criaram esse novo código porque, embora tenham acesso à tecnologia (internet e celular), não dominam a norma culta da língua escrita. Ele compara o fenômeno às gírias das periferias e afirma que isso gera a exclusão dos jovens do mundo letrado.

02 – Como a escritora Marisa Lajolo se posiciona em relação ao fenômeno e o que significa o "surto de poliglotas" mencionado por ela?

      Marisa Lajolo se posiciona contra as teses alarmistas e não vê gravidade na invenção dos adolescentes. Ao falar em um "surto de poliglotas", ela se refere à capacidade dos jovens de alternar sua forma de se expressar: eles conseguem usar o "internetês" entre si, mas sabem se comunicar de maneira diferente com pais, professores e outros interlocutores, demonstrando criatividade e fortalecimento de sua identidade.

03 – Qual é o conselho dado pelo professor Sérgio Nogueira aos educadores e onde ele enxerga o verdadeiro problema a ser combatido?

      Sérgio Nogueira aconselha os professores a não se assustarem e procurarem conhecer a nova linguagem, classificando o "internetês" como um "fenômeno natural". Para ele, o foco principal e o maior problema a ser atacado pelos professores não é a existência do dialeto da internet, mas sim garantir que os alunos dominem a linguagem padrão (a norma culta).

04 – Como o texto descreve a postura dos "entusiastas febris" (os defensores exagerados) do internetês?

      O texto aponta que, no extremo oposto dos críticos, existem entusiastas que afirmam que o "internetês" veio para revolucionar a língua portuguesa. O exagero chega ao ponto de pessoas oferecerem um “curso de língua de internetês”, incluindo um “dicionário” com a tradução das principais expressões desse dialeto virtual.

05 – Qual é a conclusão da autora, Karla Hansen, sobre o futuro do debate e a relevância a longo prazo do "internetês"?

      A autora conclui que, devido ao vocabulário reduzido de que o "internetês" dispõe, é muito provável que tanto o debate caloroso quanto a própria vida útil desse novo dialeto não sejam capazes de ir muito longe. Além disso, ela elogia os professores que usam o fenômeno em sala de aula de forma equilibrada, sem demonizá-lo nem glorificá-lo, apenas mostrando sua dimensão real.

 

              

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