quarta-feira, 8 de julho de 2026

POEMA: BLUSA FÁTUA - MAIAKÓVSKI - TRADUÇÃO AUGUSTO DE CAMPOS - COM GABARITO

 Poema: BLUSA FÁTUA

 

Costurarei calças pretas

com o veludo da minha garganta

e uma blusa amarela com três metros de poente.

Pela Niévski do mundo, como criança grande,

andarei, donjuan, com ar de dândi.

 

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiDz9q1DkljHx65bLcaJUJYGVzUE9M3-kSbRsReIPWnARoHZRorgK7IEruT9laAbQbEFEqdOcNkuvt8Pd-hb1_rRMkcHiiR8qLQbMAAsVGBA_fdM4bjJgMrx6TGo5uKrYBfWKxQFEQHgxtxlcd0-zD6JbA677w4YbmDEi9zjSMLbzQzJcN-ksfcOpnvELw/s1600/BLUSA.jpg

Que a terra gema em sua mole indolência:

“Não viole o verde de as minhas primaveras!”

Mostrando os dentes, rirei ao sol com insolência:

“No asfalto liso hei de rolar as rimas veras!”

 

Não sei se é porque o céu é azul celeste

e a terra, amante, me estende as mãos ardentes

que eu faço versos alegres como marionetes

e afiados e precisos como palitar dentes!

 

Fêmeas, gamadas em minha carne, e esta

garota que me olha com amor de gêmea,

cubram-me de sorrisos, que eu, poeta,

com flores os bordarei na blusa cor de gema!

 

Maiakóvski – tradução: Augusto de Campos.

 

Entendendo o poema: 

01 – Que roupas o eu lírico imagina costurar para si na primeira estrofe e de quais elementos inusitados elas seriam feitas?

      O eu lírico imagina confeccionar calças pretas feitas com o "veludo de sua própria garganta" (uma metáfora ligada à sua voz e poesia) e uma blusa amarela feita com "três metros de poente" (utilizando a luz e a cor do entardecer como tecido).

02 – Qual é a atitude do eu lírico ao caminhar pela "Niévski do mundo" e como ele se autodefine nesse trecho?

      Ele caminha de forma provocadora, vaidosa e desafiadora. O eu lírico se autodefine como uma "criança grande", mas também como um "donjuan" e um "dândi" (um homem requintado, que se preocupa excessivamente com a elegância e a postura urbana), cruzando a Avenida Niévski — a famosa e movimentada avenida de São Petersburgo — que aqui ganha uma dimensão universal ("Niévski do mundo").

03 – Como o eu lírico reage ao apelo da Terra para que ele não viole o "verde de suas primaveras"?

      Ele reage com deboche, insolência e total desprezo pelo tradicionalismo romântico da natureza. Mostrando os dentes e rindo do sol, ele afirma com arrogância que prefere a modernidade urbana: "No asfalto liso hei de rolar as rimas veras!", preferindo a crueza da cidade e da rua para fazer sua poesia real (rimas veras).

04 – Quais são as duas características marcantes que o eu lírico atribui aos seus próprios versos na terceira estrofe?

      Ele define seus versos através de duas comparações muito distintas: primeiro, diz que são "alegres como marionetes", trazendo uma leveza teatral e lúdica; segundo, afirma que são "afiados e precisos como palitar dentes", mostrando o caráter cortante, cirúrgico, cotidiano e sem frescuras de sua poesia.

05 – Na última estrofe, o que o poeta promete fazer com os sorrisos das mulheres que são atraídas por ele?

      O eu lírico pede que as mulheres ("fêmeas, gamadas" em sua carne) e a garota que o olha com amor o cubram de sorrisos. Ele promete receber esses sorrisos e, na sua função de poeta, "bordá-los" com flores em sua blusa cor de gema (a blusa amarela mencionada no início do poema).

 

 

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