Poema: BLUSA FÁTUA
Costurarei
calças pretas
com
o veludo da minha garganta
e
uma blusa amarela com três metros de poente.
Pela
Niévski do mundo, como criança grande,
andarei,
donjuan, com ar de dândi.
Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiDz9q1DkljHx65bLcaJUJYGVzUE9M3-kSbRsReIPWnARoHZRorgK7IEruT9laAbQbEFEqdOcNkuvt8Pd-hb1_rRMkcHiiR8qLQbMAAsVGBA_fdM4bjJgMrx6TGo5uKrYBfWKxQFEQHgxtxlcd0-zD6JbA677w4YbmDEi9zjSMLbzQzJcN-ksfcOpnvELw/s1600/BLUSA.jpgQue
a terra gema em sua mole indolência:
“Não
viole o verde de as minhas primaveras!”
Mostrando
os dentes, rirei ao sol com insolência:
“No
asfalto liso hei de rolar as rimas veras!”
Não
sei se é porque o céu é azul celeste
e
a terra, amante, me estende as mãos ardentes
que
eu faço versos alegres como marionetes
e
afiados e precisos como palitar dentes!
Fêmeas,
gamadas em minha carne, e esta
garota
que me olha com amor de gêmea,
cubram-me
de sorrisos, que eu, poeta,
com
flores os bordarei na blusa cor de gema!
Maiakóvski – tradução: Augusto de Campos.
Entendendo
o poema:
01 – Que roupas o eu
lírico imagina costurar para si na primeira estrofe e de quais elementos
inusitados elas seriam feitas?
O eu lírico imagina confeccionar calças
pretas feitas com o "veludo de sua própria garganta" (uma metáfora
ligada à sua voz e poesia) e uma blusa amarela feita com "três metros de
poente" (utilizando a luz e a cor do entardecer como tecido).
02 – Qual é a
atitude do eu lírico ao caminhar pela "Niévski do mundo" e como ele
se autodefine nesse trecho?
Ele caminha de
forma provocadora, vaidosa e desafiadora. O eu lírico se autodefine como uma
"criança grande", mas também como um "donjuan" e um
"dândi" (um homem requintado, que se preocupa excessivamente com a
elegância e a postura urbana), cruzando a Avenida Niévski — a famosa e
movimentada avenida de São Petersburgo — que aqui ganha uma dimensão universal
("Niévski do mundo").
03 – Como o eu
lírico reage ao apelo da Terra para que ele não viole o "verde de suas
primaveras"?
Ele reage com
deboche, insolência e total desprezo pelo tradicionalismo romântico da
natureza. Mostrando os dentes e rindo do sol, ele afirma com arrogância que
prefere a modernidade urbana: "No asfalto liso hei de rolar as rimas
veras!", preferindo a crueza da cidade e da rua para fazer sua poesia real
(rimas veras).
04 – Quais são as
duas características marcantes que o eu lírico atribui aos seus próprios versos
na terceira estrofe?
Ele define seus
versos através de duas comparações muito distintas: primeiro, diz que são
"alegres como marionetes", trazendo uma leveza teatral e lúdica;
segundo, afirma que são "afiados e precisos como palitar dentes",
mostrando o caráter cortante, cirúrgico, cotidiano e sem frescuras de sua
poesia.
05 – Na última
estrofe, o que o poeta promete fazer com os sorrisos das mulheres que são
atraídas por ele?
O eu lírico pede
que as mulheres ("fêmeas, gamadas" em sua carne) e a garota que o
olha com amor o cubram de sorrisos. Ele promete receber esses sorrisos e, na
sua função de poeta, "bordá-los" com flores em sua blusa cor de gema
(a blusa amarela mencionada no início do poema).
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