Crônica: O CEGO E O DINHEIRO ENTERRADO
Luís da Câmara Cascudo
Um
cego, muito econômico, guardava suas moedas em casa e, temendo os ladrões,
resolveu esconder seu tesouro no quintal. Cavou um buraco ao pé de uma árvore, debaixo
da raiz, e deixou seu dinheiro bem disfarçado.
Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiCFZK0g09nvHhFmeNCTbhZr4MPEiJuDFTnPR8fNqiA1dZ_nXb2qSoKrOMK-TMvje8dFO32kffwvQZ1PCChD1msQzeVyiTes8EIHaO66AZ-IOvUAuO9EZCMXRhpPkSdVYDDPQoXMx9mpLOk7gIT6UHjyK_8w8V-IaoOIbDJb7Rv6n50cc6_deNlvK96IJ4/s320/images.jpg Sucedeu
que um vizinho seu, vendo-o ir tão cedo para o fundo do quintal, acompanhou-o,
descobrindo o segredo. Quando anoiteceu, voltou à árvore e furtou todo o
dinheiro que o cego enterrava.
Pela manhã, o dono veio tateando, e
verificou ter sido roubado. Como não resolvia chorar ou queixar-se, fingiu não
ter sido visitado pelo ladrão e começou a pensar em uma forma de readquirir seu
dinheiro, sem barulhos.
Foi
procurar o vizinho e lhe falou:
—
Vizinho, nesse tempo, ninguém pode ter confiança senão em si mesmo, apesar dos
dentes morderem a língua e ambos viverem juntos. Juntei minhas economias e
escondi num pé de árvore ali no meu quintal, pensando ser um lugar seguro. Acabo
de receber um bom dinheiro e vim pedir conselho a você. Guardo tudo junto ou
levo esse dinheiro para a cidade?
O
vizinho pensou logo em pegar todo o dinheiro do cego e aconselhou-o que
deixasse tudo junto, no mesmo canto já antigo.
E
logo que escureceu, correu e foi levar o que havia tirado na noite anterior,
para o cego não desconfiar. Cobriu tudo de areia, alisou, retirou-se. Mais
tarde, o cego procurou o cantinho velho e tomou posse do seu dinheiro ali
colocado pelo vizinho que sonhava ficar com tudo.
E
quando o ladrão voltou, encontrou apenas o buraco oco, sem um níquel sequer.
Cascudo, Luís da Câmara. Literatura oral
do Brasil. Belo Horizonte. Itariaia, 1984.p.303.
Entendendo a crônica:
01 – Onde o cego
resolveu esconder suas economias e qual era o seu medo?
O cego resolveu
esconder seu tesouro no quintal, cavando um buraco debaixo da raiz de uma
árvore e deixando o dinheiro bem disfarçado. O seu maior medo era a ação de
ladrões.
02 – Como o vizinho
conseguiu roubar o dinheiro do cego?
O vizinho viu o
cego indo muito cedo para o fundo do quintal e decidiu acompanhá-lo às
escondidas, descobrindo o segredo. Quando anoiteceu, ele foi até a árvore e
furtou todo o dinheiro que estava enterrado.
03 – Qual foi a
reação do cego ao perceber que havia sido roubado?
Em vez de chorar,
queixar-se ou fazer barulho, o cego manteve a calma e fingiu que nada tinha
acontecido. Ele começou a pensar estrategicamente em uma forma de recuperar seu
dinheiro sem causar alarde.
04 – Qual foi o
plano (a armadilha) que o cego usou para enganar o vizinho?
O cego foi até o
vizinho, fingiu que ainda confiava nele e pediu um conselho: disse que havia
recebido mais uma boa quantia em dinheiro e perguntou se deveria guardá-la no
mesmo "lugar seguro" (no pé da árvore) ou levá-la para a cidade.
05 – Por que o
vizinho devolveu o dinheiro roubado e qual foi o desfecho da história?
Movido pela
ambição e pela ganância, o vizinho aconselhou o cego a guardar tudo junto no
mesmo esconderijo. Para não levantar suspeitas e poder roubar uma quantia ainda
maior depois, o vizinho devolveu na mesma noite o dinheiro que havia furtado.
Mais tarde, o cego foi ao local, recuperou suas moedas e, quando o ladrão
voltou, encontrou apenas o buraco vazio.
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