quinta-feira, 9 de julho de 2026

CRÔNICA: O CEGO E O DINHEIRO ENTERRADO - LUÍS DA CÂMARA CASCUDO - COM GABARITO

 Crônica: O CEGO E O DINHEIRO ENTERRADO

              Luís da Câmara Cascudo

 

        Um cego, muito econômico, guardava suas moedas em casa e, temendo os ladrões, resolveu esconder seu tesouro no quintal. Cavou um buraco ao pé de uma árvore, debaixo da raiz, e deixou seu dinheiro bem disfarçado.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiCFZK0g09nvHhFmeNCTbhZr4MPEiJuDFTnPR8fNqiA1dZ_nXb2qSoKrOMK-TMvje8dFO32kffwvQZ1PCChD1msQzeVyiTes8EIHaO66AZ-IOvUAuO9EZCMXRhpPkSdVYDDPQoXMx9mpLOk7gIT6UHjyK_8w8V-IaoOIbDJb7Rv6n50cc6_deNlvK96IJ4/s320/images.jpg


        Sucedeu que um vizinho seu, vendo-o ir tão cedo para o fundo do quintal, acompanhou-o, descobrindo o segredo. Quando anoiteceu, voltou à árvore e furtou todo o dinheiro que o cego enterrava.

        Pela manhã, o dono veio tateando, e verificou ter sido roubado. Como não resolvia chorar ou queixar-se, fingiu não ter sido visitado pelo ladrão e começou a pensar em uma forma de readquirir seu dinheiro, sem barulhos.

        Foi procurar o vizinho e lhe falou:

        — Vizinho, nesse tempo, ninguém pode ter confiança senão em si mesmo, apesar dos dentes morderem a língua e ambos viverem juntos. Juntei minhas economias e escondi num pé de árvore ali no meu quintal, pensando ser um lugar seguro. Acabo de receber um bom dinheiro e vim pedir conselho a você. Guardo tudo junto ou levo esse dinheiro para a cidade?

        O vizinho pensou logo em pegar todo o dinheiro do cego e aconselhou-o que deixasse tudo junto, no mesmo canto já antigo.

        E logo que escureceu, correu e foi levar o que havia tirado na noite anterior, para o cego não desconfiar. Cobriu tudo de areia, alisou, retirou-se. Mais tarde, o cego procurou o cantinho velho e tomou posse do seu dinheiro ali colocado pelo vizinho que sonhava ficar com tudo.

        E quando o ladrão voltou, encontrou apenas o buraco oco, sem um níquel sequer.

 

Cascudo, Luís da Câmara. Literatura oral do Brasil. Belo Horizonte. Itariaia, 1984.p.303.

 

Entendendo a crônica:

01 – Onde o cego resolveu esconder suas economias e qual era o seu medo?

      O cego resolveu esconder seu tesouro no quintal, cavando um buraco debaixo da raiz de uma árvore e deixando o dinheiro bem disfarçado. O seu maior medo era a ação de ladrões.

02 – Como o vizinho conseguiu roubar o dinheiro do cego?

      O vizinho viu o cego indo muito cedo para o fundo do quintal e decidiu acompanhá-lo às escondidas, descobrindo o segredo. Quando anoiteceu, ele foi até a árvore e furtou todo o dinheiro que estava enterrado.

03 – Qual foi a reação do cego ao perceber que havia sido roubado?

      Em vez de chorar, queixar-se ou fazer barulho, o cego manteve a calma e fingiu que nada tinha acontecido. Ele começou a pensar estrategicamente em uma forma de recuperar seu dinheiro sem causar alarde.

04 – Qual foi o plano (a armadilha) que o cego usou para enganar o vizinho?

      O cego foi até o vizinho, fingiu que ainda confiava nele e pediu um conselho: disse que havia recebido mais uma boa quantia em dinheiro e perguntou se deveria guardá-la no mesmo "lugar seguro" (no pé da árvore) ou levá-la para a cidade.

05 – Por que o vizinho devolveu o dinheiro roubado e qual foi o desfecho da história?

      Movido pela ambição e pela ganância, o vizinho aconselhou o cego a guardar tudo junto no mesmo esconderijo. Para não levantar suspeitas e poder roubar uma quantia ainda maior depois, o vizinho devolveu na mesma noite o dinheiro que havia furtado. Mais tarde, o cego foi ao local, recuperou suas moedas e, quando o ladrão voltou, encontrou apenas o buraco vazio.

 

 

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