Crônica: O Som e a Fúria
Wiliam Faulkner
Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgHt9rkM5SFOQcTBtXFudq1O064AYT1cNSpEqmCwpTo40ULj_z-wQQXpHw8K7z07fWTk6K5Lm1ZEQ6ZqOMMCI2uYJK3LbbR3q8LIyBo-l_jqRzA_Nuj91bCfi9H8k8xZC7-9wv_GQivNE5Wc91mknArWCHW5idTAdAaiq3sR3PuWnUGYapNtsnWxoCGY5c/s1600/ilha.jpg Respira-se
o desprezo pelo concreto, a recusa do próprio tempo. O simbolismo, intenso e
sempre presente, enreda-se permanentemente numa linguagem barroca, de formas
por vezes sublimes, mas nunca frívolas.
Jogos
de palavras, simples prazer da escrita e da leitura. Um grito coletivo de
revolta: uma família apodrecida pela América da falsa prosperidade, rodeada de
negros acorrentados à humilhação de ter nascido. Personagens enlouquecidas,
devassas, horríveis, infelizes, perdidas num vazio de humanidade.
E
a Disley… a criada negra desgraçada e feliz… normal.
Benji
é louco, Jason alucinado, Quentin lunático, e... um bando de pretos.
Faulkner
constrói assim um quadro quase sem nexo, quase sem sentido, como a vida. Quando
chegamos ao fim as estórias ganham, finalmente, forma e sentido. Mas nessa
altura fica-nos na mente a frustração de não haver mais páginas… como se todos
os Compsons tivessem morrido de súbito. Apetece então voltar ao início… como na
vida: uma circunferência que nunca se fecha e assim se transforma em espiral…
perpetuamente… sem tempo…
Sem
dúvida, um dos melhores livros de toda a história da literatura mundial.
Para ler e reler... (Manuel Cardoso).
Entendendo a crônica:
01 – De acordo com o texto, como se comporta o
tempo e a lógica no enredo da obra?
O enredo navega em um tempo sem definição precisa, ondeando
entre memórias e prenúncios. Ele despreza a linearidade e a lógica, respirando
uma recusa do próprio tempo e um desprezo pelo concreto.
O texto descreve que o simbolismo se enreda permanentemente em uma "linguagem barroca", com formas que são por vezes sublimes, mas nunca frívolas, repletas de jogos de palavras pelo simples prazer da escrita e da leitura.
03 – Como a família retratada no livro é
descrita na crônica e qual o contexto social que a cerca?
A família (os Compsons) é descrita como "apodrecida pela América da falsa prosperidade". Ela é composta por personagens enlouquecidas, devassas, horríveis, infelizes e perdidas num vazio de humanidade, cercadas por negros acorrentados à humilhação.
04 – Quem é Disley e como ela é diferenciada
dos outros personagens mencionados (Benji, Jason e Quentin)?
Disley é descrita como a criada negra, desgraçada e feliz, apontada pelo texto como "normal". Ela se contrasta diretamente com os outros membros, já que Benji é descrito como louco, Jason como alucinado e Quentin como lunático.
05 – Que sensação o leitor experimenta ao
chegar ao fim do livro, segundo o cronista?
Ao chegar ao fim, as estórias finalmente ganham forma e
sentido, mas fica na mente a frustração de não haver mais páginas, como se
todos tivessem morrido de súbito. Isso gera no leitor o apetite de voltar ao
início, transformando a leitura em uma espiral perpétua.
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