quinta-feira, 9 de julho de 2026

CRÔNICA: O SOM E A FÚRIA - WILIAM FAULKNER - COM GABARITO

 Crônica: O Som e a Fúria

              Wiliam Faulkner

         Um enredo sem linha de rumo preciso navega num tempo sem definição, ondeando entre memórias e prenúncios, desprezando a linearidade, a lógica. Como se ao longo da estrada 66, como se caminhando descalço sobre o alcatrão das estradas do Iowa, como se sem destino nem rumo certo...^

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgHt9rkM5SFOQcTBtXFudq1O064AYT1cNSpEqmCwpTo40ULj_z-wQQXpHw8K7z07fWTk6K5Lm1ZEQ6ZqOMMCI2uYJK3LbbR3q8LIyBo-l_jqRzA_Nuj91bCfi9H8k8xZC7-9wv_GQivNE5Wc91mknArWCHW5idTAdAaiq3sR3PuWnUGYapNtsnWxoCGY5c/s1600/ilha.jpg


        Respira-se o desprezo pelo concreto, a recusa do próprio tempo. O simbolismo, intenso e sempre presente, enreda-se permanentemente numa linguagem barroca, de formas por vezes sublimes, mas nunca frívolas. 

        Jogos de palavras, simples prazer da escrita e da leitura. Um grito coletivo de revolta: uma família apodrecida pela América da falsa prosperidade, rodeada de negros acorrentados à humilhação de ter nascido. Personagens enlouquecidas, devassas, horríveis, infelizes, perdidas num vazio de humanidade. 

        E a Disley… a criada negra desgraçada e feliz… normal. 

        Benji é louco, Jason alucinado, Quentin lunático, e... um bando de pretos. 

        Faulkner constrói assim um quadro quase sem nexo, quase sem sentido, como a vida. Quando chegamos ao fim as estórias ganham, finalmente, forma e sentido. Mas nessa altura fica-nos na mente a frustração de não haver mais páginas… como se todos os Compsons tivessem morrido de súbito. Apetece então voltar ao início… como na vida: uma circunferência que nunca se fecha e assim se transforma em espiral… perpetuamente… sem tempo…

        Sem dúvida, um dos melhores livros de toda a história da literatura mundial.

 

Para ler e reler... (Manuel Cardoso).

Entendendo a crônica:

01 – De acordo com o texto, como se comporta o tempo e a lógica no enredo da obra?

      O enredo navega em um tempo sem definição precisa, ondeando entre memórias e prenúncios. Ele despreza a linearidade e a lógica, respirando uma recusa do próprio tempo e um desprezo pelo concreto.

 02 – Que tipo de linguagem o autor da crônica utiliza para descrever o simbolismo do livro?

      O texto descreve que o simbolismo se enreda permanentemente em uma "linguagem barroca", com formas que são por vezes sublimes, mas nunca frívolas, repletas de jogos de palavras pelo simples prazer da escrita e da leitura.

03 – Como a família retratada no livro é descrita na crônica e qual o contexto social que a cerca?

      A família (os Compsons) é descrita como "apodrecida pela América da falsa prosperidade". Ela é composta por personagens enlouquecidas, devassas, horríveis, infelizes e perdidas num vazio de humanidade, cercadas por negros acorrentados à humilhação.

04 – Quem é Disley e como ela é diferenciada dos outros personagens mencionados (Benji, Jason e Quentin)?

      Disley é descrita como a criada negra, desgraçada e feliz, apontada pelo texto como "normal". Ela se contrasta diretamente com os outros membros, já que Benji é descrito como louco, Jason como alucinado e Quentin como lunático.

05 – Que sensação o leitor experimenta ao chegar ao fim do livro, segundo o cronista?

      Ao chegar ao fim, as estórias finalmente ganham forma e sentido, mas fica na mente a frustração de não haver mais páginas, como se todos tivessem morrido de súbito. Isso gera no leitor o apetite de voltar ao início, transformando a leitura em uma espiral perpétua.

 

 

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