quarta-feira, 8 de julho de 2026

POEMA: RETRATO DE MÃE - RAMÓN ÁNGEL JARA RUZ - COM GABARITO

 Poema: Retrato de Mãe

              Ramón Ángel Jara Ruz

Uma simples mulher existe que,
pela imensidão de seu amor, tem um pouco de Deus
pela constância de sua dedicação, tem muito de anjo;
Que, sendo moça, pensa como uma anciã;
sendo velha, age com as forças todas da juventude:

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEj4HRZbbo0ux-GzOkR3MoT7iQPt2j3y2jkQxLgCXy_dCZOZk15Cb2LtVRtoX1g0qIwdWhtxWtBtrqIdvNhTBXlrqS22WvmOCE4W14Uuee6pdxLjlX9AneTLkC52BWgYOe0aiwnSeLm3XchsV51eIAixCBmOiNoq33OuXSWz4idfHa5wocV_iH0qMG-ZZSg/s320/images.jpg



Quando ignorante, melhor que qualquer sábio
desvenda os segredos da vida;
quando sábia, assume a simplicidade das crianças;
pobre, sabe enriquecer-se com a felicidade dos que ama;
rica, empobrece-se para que seu coração
não sangre ferido pelos ingratos;
forte, estremece ao choro de uma criancinha;
fraca, entretanto, se alteia com a bravura dos leões;

Viva, não lhe sabemos dar valor,
porque à sua sombra todas as dores se apagam;
morta, tudo o que somos e tudo o que temos
daríamos para vê-la de novo, e dela receber
um aperto de seus braços, uma palavra de seus lábios.

Não exijam de mim que diga o nome dessa mulher,
se não quiserem que ensope de lágrimas este álbum
porque eu a vi passar no meu caminho.

Quando crescerem seus filhos,
leiam para eles esta página;
eles vos cobrirão de beijos a fronte
e vos dirão que um pobre viandante,
em troca de suntuosa hospedagem recebida
aqui deixou para todos
o retrato de sua própria MÃE...

Ramón Ángel Jara Ruz. Tradução de Guilherme de Almeida. Fonte: A BÍBLIA DO OTIMISMO – R. STANGANELLI.

Entendendo o poema:

01 – Na primeira estrofe, com quais figuras divinas e celestiais o poeta compara a mãe e quais características justificam essas comparações?

      O poeta a compara com Deus e com um anjo. O que justifica ter "um pouco de Deus" é a imensidão de seu amor, enquanto o que a faz ter "muito de anjo" é a constância de sua dedicação.

02 – A segunda estrofe trabalha fortemente com oposições de idade e sabedoria. Como o poema descreve a maturidade e a força da mãe nesses versos?

      O poema mostra que a mãe transcende o tempo e a lógica:

      Sendo moça, ela tem a maturidade e o pensamento de uma anciã;

      Sendo velha, ela age com a energia e as forças da juventude;

      Quando ignorante (sem estudos formais), ela desvenda os segredos da vida melhor que qualquer sábio;

      Quando sábia, ela mantém a pureza e a simplicidade de uma criança.

03 – Como a mãe reage diante da riqueza, da pobreza e do sentimento de gratidão das pessoas que ama?

      Sendo pobre materialmente, ela se sente rica e preenchida apenas com a felicidade daqueles que ama. Sendo rica, ela prefere "empobrecer-se" (despir-se de orgulho ou de bens) para proteger seu próprio coração de ser ferido e sangrar pela ingratidão alheia.

04 – De que maneira o texto contrasta a força física e a sensibilidade emocional da mãe?

      O autor usa uma bela metáfora animal e humana: mesmo sendo forte, ela é sensível o bastante para estremecer ao ouvir o choro de uma criancinha; por outro lado, mesmo nos momentos em que está fraca, ela tira forças do fundo da alma e se alteia com a bravura e a coragem dos leões para defender os seus.

05 – Qual é a dolorosa contradição que o eu lírico aponta sobre a forma como tratamos a mãe em vida versus após a sua morte?

      O poeta afirma que, enquanto a mãe está viva, muitas vezes não sabemos dar o devido valor a ela, pois sua presença protetora faz com que todas as nossas dores sumam facilmente (nos acostumamos com o conforto). Porém, quando ela morre, sentimos um vazio tão imenso que daríamos tudo o que somos e temos apenas para ter mais um abraço ou ouvir mais uma palavra dela.

06 – Por que o autor se recusa a revelar explicitamente o nome da mulher de quem está falando na quarta estrofe?

      Ele diz que não quer que exijam o nome dela para não chorar e "ensopar de lágrimas este álbum". O autor se emociona profundamente ao lembrar que viu essa figura sagrada passar em seu próprio caminho, indicando uma saudade dolorosa e pessoal.

07 – Quem é o "pobre viandante" mencionado no final e qual foi o pagamento que ele deixou pela hospedagem recebida?

      O "pobre viandante" (ou viajante) é o próprio poeta. Como agradecimento pela "suntuosa hospedagem" (o acolhimento, carinho e teto que recebeu na vida), ele deixou como pagamento aquela página escrita, que nada mais é do que o retrato universal e eterno de sua própria MÃE.

 

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