domingo, 25 de fevereiro de 2018

POEMA: VASO GREGO - ALBERTO DE OLIVEIRA - COM GABARITO

Poema: VASO GREGO

Esta de áureos relevos, trabalhada
De divas mãos, brilhante copa, um dia,
Já de aos deuses servir como cansada,
Vinda do Olimpo, a um novo deus servia.

Era o poeta de Teos que a suspendia
Então, e, ora repleta ora esvazada,
A taça amiga aos dedos seus tinia
Toda de roxas pétalas colmada.

Depois... Mas o lavor da taça admira,
Toca-a, e do ouvido aproximando-a às bordas
Finas hás de lhe ouvir, canora e doce,

Ignota voz, qual se da antiga lira
Fosse a encantada música das cordas,
Qual se essa voz de Anacreonte fosse.
                                                                                                                                                                                            ALBERTO DE OLIVEIRA.

Entendendo o poema:
01 – Cite três características formais que fazem do texto um poema representativo da poesia parnasiana.
      -- Utilização do soneto.
      -- Obediência aos padrões sintáticos.
      -- Inspiração clássica.

02 – A temática nos remete à poética parnasiana? Justifique.
      SIM. Pois nos remete a objeto tratado como artístico, de beleza formal.

03 – O poeta coloca em destaque duas sensações. Quais são elas?
       Visual e auditiva.

04 – De que modo a “taça” se relaciona diretamente com o postulado maior do Parnasianismo?
       Encerra um modelo de beleza e perfeição

POEMA: HAICAI - MONS.PRIMO VIEIRA - COM INTERPRETAÇÃO/GABARITO


Poema: POEMA HAICAI


Primavera
A chuva me obriga
Na manhã de primavera
A deixar o sono!
                            --- Desperta, desperta,
                            Borboleta que dormes
                            Serás minha amiga.

  
                                                           Nada mais gracioso:
                                                           Pela estrada da montanha
                                                           Uma violeta silvestre.
Verão
Chuvas de verão.
Nas águas flutua um ninho.
Vou apreciá-lo.
                             Cena venerável!
                              Folhas verdes, folhas tenras
                              Aos raios de sol!
                                                                  De sabor poético
                                          As cantigas que há nos campos:
                                                               Plantação de arroz!
Outono
De ressaca, espirro:
Pressinto o tempo do outono
Que está chegando.
                             Matinal orvalho.
                             No chão molhado, o melão
                             Enlameado e fresco...
                                                            Um cabelo branco
                                                            No travesseiro que esconde
                                                            Por debaixo... um grilo!
Inverno
Cebolinha branca
Bem limpa e recém-lavada
- sensação de frio!
                            Nem sempre bem visto,
                            Como é belo o corvo
                            Nas manhãs de inverno!
                                                           Nas trevas da noite,
                                                           Galhos que rangem, caindo
                                                           Ao peso da neve!

                                        Seleção e tradução de Mons. Primo Vieira.
                                                    Bashô, palhas de arroz, São Paulo:
                                                    Aliança Cultural Brasil-Japão, 1994.

Venerável: respeitável.

Entendendo o poema:
01 – Quais elementos da natureza mencionados nesses haicais fazem parte do ambiente em que você vive?
      Resposta pessoal.

02 – Copie dos haicais palavras que se referem a elementos da natureza com os quais você nunca teve contato.
      Resposta pessoal.

03 – Leia esta afirmação:
      Nos haicais, há elementos da natureza bem diferentes daqueles presentes no ambiente em que vivemos.
      Por que isso acontece?
      Quem produziu os poemas foi Bashô, um autor japonês. Os poemas apresentam elementos da natureza presentes nas paisagens do Japão, com os quais o poeta teve contato.

04 – Copie um dos haicais lidos em que os elementos da natureza estejam relacionados:
     a) À percepção de que uma nova estação vem chegando;
      “De ressaca, espirro: / pressinto o tempo do outono / que está chegando”.

     b) À afetividade entre o ser humano e um elemento da natureza;
      “- Desperta, desperta, / Borboleta que dormes / Serás minha amiga”.

     c) A um ser da natureza que surge no cotidiano e na intimidade de uma pessoa.
      “Um cabelo branco / no travesseiro que esconde / por debaixo... um grilo!”.

05 – Releia este haicai: Cebolinha branca
                                       Bem limpa e recém-lavada:
                                       - sensação de frio!
       Por que o eu poético diz que tem sensação de frio?
      Porque ele relaciona a brancura e o aspecto de frescor da cebolinha recém-lavada com o clima do inverno, que é frio e tem neve no Japão.

06 – Em algumas culturas, é comum relacionar alguns animais com a má sorte, o azar. No haicai a seguir, isso também acontece? Por que?
                               Nem sempre bem visto
                               Como é belo o corvo
                               Nas manhãs de inverno!
      O poema vai além dessa visão, pois consegue ver beleza no corvo, que para muitos é um animal “nem sempre bem visto”.

07 – Ainda sobre o haicai da atividade 6, assinale a alternativa que complementa o enunciado a seguir: Para chegar a essa visão profunda, apurada desse ser da natureza (o corvo), o eu poético:
      --- revela uma visão de indiferença em relação aos elementos da natureza.
      --- constata qual é a visão que algumas pessoas tem do corvo, mas penetra na essência desse ser como parte da natureza.

      --- revela uma visão preconceituosa a respeito do corvo.
08 – No haicai apresentado na questão 6, há ideias que se opõem? Quais são?
      Sim. A ideia de beleza se opõe à ideia de que o corvo é um animal que não costuma ser bem visto.


sábado, 24 de fevereiro de 2018

MÚSICA(ATIVIDADES): SOZINHO - CAETANO VELOSO - COM GABARITO

Música(ATIVIDADES): Sozinho
                                       Caetano Veloso

Às vezes no silêncio da noite
Eu fico imaginando nós dois
Eu fico ali sonhando acordado
Juntando o antes, o agora e o depois

Por que você me deixa tão solto?
Por que você não cola em mim?
Tô me sentindo muito sozinho

Não sou nem quero ser o seu dono
É que um carinho às vezes cai bem
Eu tenho os meus desejos e planos secretos
Só abro pra você mais ninguém

Por que você me esquece e some?
E se eu me interessar por alguém?
E se ela, de repente, me ganha?

Quando a gente gosta
É claro que a gente cuida
Fala que me ama
Só que é da boca pra fora

Ou você me engana
Ou não está madura
Onde está você agora?

Quando a gente gosta
É claro que a gente cuida
Fala que me ama
Só que é da boca pra fora

Ou você me engana
Ou não está madura
Onde está você agora?

Entendendo a canção:
01 – Que análise podemos fazer da primeira estrofe desta canção?
      Que a amada parece estar mais distante... parece não gostar dele como outrora..., e percebeu que não era correspondido... e tenta entender o porque disso, o que fez isso acontecer, e começa a juntar ‘o antes, o agora e o depois’ ...

02 – Nos versos: “Por que você me deixa tão solto?
                             Por que você não cola em mim?
                             Tô me sentindo muito sozinho.”
      O que o eu poético questiona?
      Questiona sobre essas indiferenças, e começa a dizer a ela porque tudo está tão mudado entre eles! Diz que se sente só.

03 – Que planos o eu lírico faz, segundo os versos. “Eu tenho os meus desejos e planos secretos / só abro pra você mais ninguém?”
      Por amá-la faz planos para os dois. Planos estes, que só podem ser revelados à ela.

04 – Na estrutura da canção, como se apresentam as estrofes?
      Apresentam-se com uma métrica irregular.

05 – No trecho: “Porque você me esquece e some? [...] Fala que me ama / Só que é da boca pra fora / [...] Onde está você agora?” O que demonstra?
      Sua indignação com a falta de presença, pois são há realizações amorosas, onde o eu lírico conversa com a amada em distância.

06 – Que tipo de linguagem é usada na letra desta canção? Cite um verso.
      Informal. “Tô me sentindo muito sozinho.”

07 – Onde podemos perceber que se situam as marcas de oralidade na canção?
      Se situam mais no nível de estrutura do verso, nas repetições e anáforas.

08 – Em que verso há uma figura de linguagem?
      “Eu fico ali sonhando acordado.”

09 – Nos versos: “Ou você me engana / Ou não está madura”, que conjunção coordenada há?
      Conjunção Coordenada Alternativa.




ARTIGO DE OPINIÃO: LEGADO AOS NOSSOS FILHOS - LYA LUFT - COM GABARITO

Artigo de Opinião: Legado aos nossos filhos
                                  Lya Luft

    Uma importante empresa financeira me chamou para falar com alguns clientes. Não sobre finanças, pois eu os arruinaria, mas sobre algum tema "humano" – no meio da crise queriam mudar de assunto. Uma sugestão de tema que me deram foi: "O que esperamos de nossos filhos no futuro". Como acredito que pensar é transgredir, falei sobre "o que estamos deixando para nossos filhos". Acabamos nos dando muito bem, a excelente plateia estava cheia de dúvidas, como a palestrante.
        O mundo avança em vertiginosas transformações, e não é só nas finanças ou economia mundiais: ele se transforma a todo momento em nossos usos e costumes, na vida, no trabalho, nos governos, na família, nos modelos que nos são apresentados, em nossa capacidade de fazer descobertas, no progresso e na decadência.
        O que nos enche de perplexidade, quando o assunto é filhos, é a parte de tudo isso que não conseguimos controlar, que é maior do que a outra. Se há 100 anos a vida era mais previsível – o pai mandava e o resto da família obedecia, o professor e o médico tinham autoridade absoluta, os governantes eram nossos heróis e havia trilhas fixas a ser seguidas ou seríamos considerados desviados –, hoje ser diferente pode dar status.
        Gosto de pensar na perplexidade quanto ao legado que podemos deixar no que depende de nós. Que não é nem aquele legado alardeado por nossos pais – a educação e o preparo – nem é o valor em dinheiro ou bens, que se evaporam ao primeiro vendaval nas finanças ou na política. A mim me interessam outros bens, outros valores, os valores morais. O termo "morais" faz arquear sobrancelhas, cheira a religiosidade ou a moralismo, a preconceito de fariseu. Mas não é disso que falo: moralidade não é moralismo, e moral todos temos de ter. A gente gosta de dizer que está dando valores aos filhos. Pergunto: que valores? Morais, ora, decência, ética, trabalho, justiça social, por exemplo. É ótimo passar aos filhos o senso de alguma justiça social, mas então a gente indaga: você paga a sua empregada o mínimo que a lei exige ou o máximo que você pode? Penso que a maioria de nós responderia não à segunda parte da pergunta. Então, acaba já toda a conversa sobre justiça social, pois tudo ainda começa em casa e bem antes da escola.
        Não adianta falar em ética, se vasculho bolsos e gavetas de meus filhos, se escuto atrás da porta ou na extensão do telefone – a não ser que a ameaça das drogas justifique essa atitude. Não adianta falar de justiça, se trato miseravelmente meus funcionários. Não se pode falar em decência, se pulamos a cerca deslavadamente, quem sabe até nos fanfarronando diante dos filhos homens: ah, o velho aqui ainda pode! Nem se deve pensar em respeito, se desrespeitamos quem nos rodeia, e isso vai dos empregados ao parceiro ou parceira, passando pelos filhos, é claro. Se sou tirana, egoísta, bruta; se sou tola, fútil, metida a gatinha gostosa; se vivo acima das minhas possibilidades e ensino isso aos meus filhos, o efeito sobre a moral deles e sua visão da vida vai ser um desastre.
        Temos então de ser modelos? Suprema chatice. Não, não temos de ser modelos: nós somos aquele primeiro modelo que crianças recebem e assimilam, e isso passa pelo ar, pelos poros, pelas palavras, silêncios e posturas. Gosto da historinha verdadeira de quando, esperando alguém no aeroporto, vi a meu lado uma jovem mãe com sua filhinha de uns 5 anos, lindas e alegres. De repente, olhando para as pessoas que chegavam atrás dos grandes vidros, a perfumada mãe disse à pequena: "Olha ali o boca-aberta do seu pai".
        Nessa frase, que ela jamais imaginaria repetida num artigo de revista ou em palestras pelo país, a moça definia seu ambiente familiar. Assim se definem ambientes na escola, no trabalho, nos governos, no mundo. Em casa, para começar. O palavrório sobre o que legaremos aos nossos filhos será vazio, se nossas atitudes forem egoístas, burras, grosseiras ou maliciosas. O resto é conversa fiada para a qual, neste tempo de graves assuntos, não temos tempo.
  
LUFT, Lya. Legado aos nossos filhos. Veja,
São Paulo, n. 2082, p. 24, 15 out. 2008.

Entendendo o texto:

01 – Com base na leitura, é CORRETO afirmar que a autora:
A) foi convidada a falar sobre tema relativo à área de atuação da empresa.
B) fugiu ao tema sugerido com receio de causar problemas aos clientes da empresa.
C) esclareceu plenamente as dúvidas da plateia que assistiu à palestra.
D) alterou o tema sugerido visando a ajustá-lo ao enfoque pessoal que pretendia dar.

02 – Sobre as vertiginosas transformações referidas pela autora no, é CORRETO afirmar que, segundo o texto, elas:
A) decorrem do modelo econômico que vem sendo adotado.
B) levam inevitavelmente a um mundo melhor e mais harmônico.
C) se processam tanto no âmbito individual e familiar como no social e coletivo.
D) se devem à ambição desmedida e egoísta do homem na busca do conforto pessoal.


03 – Com base no texto, considere as afirmativas abaixo:
         I – A vida há 100 anos era mais previsível e mais fácil de ser controlada do que a atual.
         II – No mundo atual, a sociedade pode assumir uma posição favorável com relação aos que se desviam da norma.
         III – A relação entre pais e filhos não é tão boa como antes, o que
         deixa perplexos os pais. Está CORRETO o que se afirma em:
A) I e II apenas.
B) I e III, apenas.
C) II e III, apenas.
D) I, II e III.


04 – “A mim me interessam outros bens, outros valores, os valores morais.” Assinale a alternativa que NÃO apresenta um desses valores morais referidos pela autora:
 A) Preparo intelectual.
 B) Justiça social.
 C) Decência.
D) Trabalho.

05 – Com base na leitura, é CORRETO afirmar que o comportamento dos pais:
 A) se coaduna com o que falam aos filhos.
 B) contradiz o que falam aos filhos.
 C) ratifica o que falam aos filhos.
 D) consolida o que falam aos filhos.


 06 – “Temos então de ser modelos? Suprema chatice. Não, não temos de ser modelos: nós somos aquele primeiro modelo que crianças recebem e assimilam [...].” A passagem acima revela que os pais:
 A) podem delegar para outros agentes a enfadonha tarefa de educar os filhos.
 B) devem conversar muito com os filhos para lhes servir de modelo.
 C) constituem necessariamente o modelo inicial que forja os caracteres dos filhos.
 D) precisam de uma educação formal específica que os habilite a educar os filhos.

07 – Com base na leitura do texto, é CORRETO afirmar que a linguagem que de fato determina o legado a ser passado aos nossos filhos é a linguagem:
 A) das ações, respaldadas por valores morais.
 B) das palavras, consubstanciadas em lições morais.
 C) dos ensinamentos religiosos, reiterados nas pregações morais.
 D) das políticas públicas, apoiadas em princípios morais.

08 – “Como acredito que pensar é transgredir, falei sobre "o que estamos deixando para nossos filhos". Acabamos nos dando muito bem, a excelente plateia estava cheia de dúvidas, como a palestrante.” Na passagem acima, o conectivo como pode ser substituído, sem que haja alteração substancial de sentido, respectivamente por:
A) Já que / em conformidade com.
B) Visto que / tal qual.
C) Quanto mais / do mesmo modo que.
D) Uma vez que / segundo.

 09 – “[...] havia trilhas fixas a ser seguidas [...].” Das alterações processadas na passagem acima, assinale aquela que CONTRARIA a norma padrão da língua, no que se refere à concordância verbal:
 A) Deveriam existir trilhas fixas a ser seguidas.
 B) Parece que sempre houveram trilhas fixas a ser seguidas.
 C) Creio que ainda vão faltar trilhas fixas a ser seguidas.
 D) Espero que possam aparecer trilhas fixas a ser seguidas.

CRÔNICA: A REGREÇÃO DA REDASSÃO - CARLOS EDUARDO NOVAES - COM GABARITO

CRÔNICA: A REGREÇÃO DA REDASSÃO
                      Carlos Eduardo Novaes

   Semana passada recebi um telefonema de uma senhora que me deixou surpreso. Pedia encarecidamente que ensinasse seu filho a escrever.
    – Mas, minha senhora – desculpei-me -, eu não sou professor.
  – Eu sei. Por isso mesmo. Os professores não têm conseguido muito.
        – A culpa não é deles. A falha é do ensino.
        – Pode ser, mas gostaria que o senhor ensinasse o menino. O senhor escreve muito bem.
        – Obrigado – agradeci -, mas não acredite muito nisso. Não coloco as vírgulas e nunca sei onde botar os acentos. A senhora precisa ver o trabalho que dou ao revisor.
        – Não faz mal – insistiu -, o senhor vem e traz um revisor.
        – Não dá, minha senhora – tornei a me desculpar -, eu não tenho o menor jeito com crianças.
        – E quem falou em crianças? Meu filho tem 17 anos.
        Comentei o fato com um professor, meu amigo, que me respondeu: “Você não deve se assustar, o estudante brasileiro não sabe escrever”. No dia seguinte, ouvi de outro educador: ‘O estudante brasileiro não sabe escrever’. Depois li no jornal as declarações de um diretor da faculdade: ‘O estudante brasileiro escreve muito mal’. Impressionado, saí a procura de outros educadores. Todos me disseram: acredite, o estudante brasileiro não sabe escrever. Passei a observar e notei que já não se escreve mais como antigamente. Ninguém mais faz diário, ninguém escreve em portas de banheiros, em muros, em paredes.
        Não tenho visto nem aquelas inscrições, geralmente acompanhadas de um coração, feitas em casca de árvore. Bem, é verdade que não tenho visto nem árvore.
        – Quer dizer – disse a um amigo enquanto íamos pela rua – que o estudante brasileiro não sabe escrever? Isto é ótimo para mim. Pelo menos diminui a concorrência e me garante emprego por mais dez anos.
        – Engano seu – disse ele. – A continuar assim, dentro de cinco anos você terá que mudar de profissão.
        – Por quê? – espantei-me. – Quanto menos gente sabendo escrever, mais chance eu tenho de sobreviver.
        – E você sabe por que essa geração não sabe escrever?
        – Sei lá – dei com os ombros -, vai ver que é porque não pega direito no lápis.
        – Não senhor. Não sabe escrever porque está perdendo o hábito da leitura. E quando o perder completamente, você vai escrever para quem?
        Taí um dado novo que eu não havia considerado. Imediatamente pensei quais as utilidades que teria um jornal no futuro: embrulhar carne? Então vou trabalhar num açougue. Serviria para fazer barquinhos, para fazer fogueira nas arquibancadas do Maracanã, para forrar sapato furado ou para quebrar um galho em banheiro de estrada? Imaginei-me com uns textos na mão, correndo pelas ruas para oferecer às pessoas, assim como quem oferece hoje bilhete de loteria:
        – Por favor amigo, leia – disse, puxando um cidadão pelo paletó.
        – Não, obrigado. Não estou interessado. Nos últimos cinco anos a única coisa que leio é a bula de remédio.
        – E a senhorita não quer ler? – perguntei, acompanhando os passos de uma universitária. – A senhorita vai gostar. É um texto muito curioso.
        – O senhor só tem escrito? Então não quero. Por que o senhor não grava o texto? Fica mais fácil ouvi-lo no meu gravador.
        – E o senhor, não está interessado nuns textos?
        – É sobre o quê? Ensina como ganhar dinheiro?
        – E o senhor, vai? Leva três e paga um.
        – Deixa eu ver o tamanho – pediu ele.
        Assustou-se com o tamanho do texto:
        – O quê? Tudo isso? O senhor está pensando que sou vagabundo? Que tenho tempo para ler tudo isso? Não dá para resumir tudo em cinco linhas?
Carlos Eduardo Novaes.

Entendendo o texto:
Com base no texto, responda ao que se pede:
01 – No diálogo entre a mãe e o autor do texto, percebe-se uma crítica velada a respeito dos professores no Brasil. Identifique a crítica.
           A mãe procurou uma pessoa que não era professor porque os professores de seu filho não conseguiam ensiná-lo a escrever, o que foi justificado pelo autor que não era culpa deles (dos professores), mas por causa da falha do ensino. Ora, se o ensino é falho (tem defeitos) e é realizado por professores, então a culpa é daquele que provoca essa falha, isto é, dos professores. O ensino em si não é autônomo, mas é o resultado da ação de alguém.

02-O texto apresenta a causa porque os estudantes brasileiros não sabem escrever. Qual é?
      Porque não leem.
03-Se os estudantes brasileiros, segundo o autor, não sabem escrever porque não leem, qual deve ser a estratégia que os professores devem utilizar para reverter essa situação?
      Resposta pessoal do aluno.
     04 – Que outras causas podem contribuir para que o estudante brasileiro tenha dificuldades para escrever?
           Resposta pessoal do aluno.
     05 – Por que o autor utilizou a grafia errada nas palavras do título do texto?
            Porque naturalmente ele quis chamar a atenção do leitor para o assunto do seu texto: a dificuldade dos estudantes brasileiros de escrever em português.
    
     06 – O autor se valeu dos fonemas e suas representações gráficas, em português, para chamar a atenção do leitor. Algumas palavras, em português, podem ter o seu sentido alterado (ou não) em razão da sua representação gráfica. No caso do título do texto, houve alteração de sentido? Justifique.
      Não. Se forem pronunciadas, essas mesmas palavras terão o mesmo som: regressão/regreção – redação/redassão.