Poema: Enfim, só!
Dora Lúcia Alcântara
Finalmente,
hoje trago a certeza
de não ser só.
Será isto maturidade?
Será isto autenticidade?
Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjeUXtYWPu02K07W58AP-kPn6iJy3i1slpLyDWlwRgjlO45gg2k7zSkYpC-KFQMvMEzVUTeMz0DfdsfpWksQRzhJyH2cdR0YbIG8tq4m1l0G5T5mrSciPHf7aML88qOvJeGw5rGucr3KihPxt4lB-BkeURuneMIJHvkaFh6HO60lRdxT7Sn3dr_xzPdndc/s320/images.jpg Já não espero do outro,
ninguém me decepciona mais.
e assim, vivo leve e solta!
É bom dividir, doar, amar.
Mas ninguém me acolherá
completamente.
Ninguém terá tudo a me dar...
E sem cobrar, irei trocar.
Dependo de mim,
do que fizer,
do que me der...
Vou sempre buscar
e nunca me saciar,
só assim poderei me amar,
libertar e
CRIAR!
Dora Lúcia Alcântara. 7
outubro 2000. Retirado do site: www.existencialismo.org.br
Fonte: Língua
Portuguesa. Trabalhando com a linguagem. Givan Ferreira/Isabel C.
Cordeiro/Maria Ap. Almeida Kaster/Mary Marques. 6ª série – 7º ano. 1ª edição –
São Paulo – 2004. Quinteto Editorial. p. 123.
Entendendo o poema:
01
– Como o título "Enfim, só!" se articula com a afirmação
inicial da poetisa de ter a "certeza de não ser só"?
Apesar de o
título sugerir solidão, o poema ressignifica esse conceito para o de solitude
(o estar bem consigo mesma). A autora percebe que não está verdadeiramente
"só" porque encontrou em si mesma a sua própria companhia e força.
Essa mudança de perspectiva traz a maturidade de entender que a plenitude vem
de dentro, e não da dependência de terceiros.
02
– De que modo a perda das expectativas em relação aos outros gera a leveza
mencionada na segunda estrofe?
Quando a poetisa
afirma que "já não espero do outro, ninguém me decepciona mais", ela
liberta o outro da obrigação de suprir suas necessidades e a si mesma do ciclo
de frustrações. Ao abandonar cobranças e expectativas irrealistas, a vida
torna-se "leve e solta", permitindo relações mais autênticas,
baseadas na troca espontânea e não na dependência.
03
– Como o poema equilibra a autonomia individual com a capacidade de se
relacionar e amar os outros?
O eu lírico não
rejeita o convívio nem o afeto; pelo contrário, afirma que "é bom dividir,
doar, amar". Contudo, reconhece com clareza que "ninguém terá tudo a
me dar". O equilíbrio reside em amar e trocar sem cobranças, compreendendo
que nenhum relacionamento externo pode substituir a autoaceitação e a
responsabilidade pelo próprio bem-estar.
04
– Qual é o sentido do verso "Vou sempre buscar / E nunca me saciar"
para o desenvolvimento pessoal da autora?
A busca constante
sem jamais se saciar representa o motor do crescimento e da evolução contínua.
Para a autora, a satisfação plena e estática levaria à acomodação. O desejo
ininterrupto de buscar e aprender é o que mantém a chama interior acesa,
impulsionando a autoestima, a liberdade e o processo criativo.
05
– Qual é a relação entre a autoaceitação ("me amar") e a capacidade
final de "libertar e CRIAR"?
A autoaceitação e
a independência emocional libertam o indivíduo do medo do julgamento alheio e
da necessidade de aprovação. Somente quando a pessoa se torna dona de sua
própria jornada ("dependo de mim") e se ama por inteiro é que ela
alcança a verdadeira liberdade interior, condição essencial para dar asas à
imaginação e ao ato criativo.
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