domingo, 11 de outubro de 2026

POEMA: ENFIM, SÓ! - DORA LÚCIA ALCÂNTARA - COM GABARITO

 Poema: Enfim, só!

          Dora Lúcia Alcântara

Finalmente,

hoje trago a certeza

de não ser só.

Será isto maturidade?

Será isto autenticidade?

Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjeUXtYWPu02K07W58AP-kPn6iJy3i1slpLyDWlwRgjlO45gg2k7zSkYpC-KFQMvMEzVUTeMz0DfdsfpWksQRzhJyH2cdR0YbIG8tq4m1l0G5T5mrSciPHf7aML88qOvJeGw5rGucr3KihPxt4lB-BkeURuneMIJHvkaFh6HO60lRdxT7Sn3dr_xzPdndc/s320/images.jpg 

 

Já não espero do outro,

ninguém me decepciona mais.

e assim, vivo leve e solta!

É bom dividir, doar, amar.

Mas ninguém me acolherá completamente.

Ninguém terá tudo a me dar...

E sem cobrar, irei trocar.

 

Dependo de mim,

do que fizer,

do que me der...

Vou sempre buscar

e nunca me saciar,

só assim poderei me amar,

libertar e

CRIAR!

Dora Lúcia Alcântara. 7 outubro 2000. Retirado do site: www.existencialismo.org.br

Fonte: Língua Portuguesa. Trabalhando com a linguagem. Givan Ferreira/Isabel C. Cordeiro/Maria Ap. Almeida Kaster/Mary Marques. 6ª série – 7º ano. 1ª edição – São Paulo – 2004. Quinteto Editorial. p. 123.

Entendendo o poema:

01 – Como o título "Enfim, só!" se articula com a afirmação inicial da poetisa de ter a "certeza de não ser só"?

      Apesar de o título sugerir solidão, o poema ressignifica esse conceito para o de solitude (o estar bem consigo mesma). A autora percebe que não está verdadeiramente "só" porque encontrou em si mesma a sua própria companhia e força. Essa mudança de perspectiva traz a maturidade de entender que a plenitude vem de dentro, e não da dependência de terceiros.

02 – De que modo a perda das expectativas em relação aos outros gera a leveza mencionada na segunda estrofe?

      Quando a poetisa afirma que "já não espero do outro, ninguém me decepciona mais", ela liberta o outro da obrigação de suprir suas necessidades e a si mesma do ciclo de frustrações. Ao abandonar cobranças e expectativas irrealistas, a vida torna-se "leve e solta", permitindo relações mais autênticas, baseadas na troca espontânea e não na dependência.

03 – Como o poema equilibra a autonomia individual com a capacidade de se relacionar e amar os outros?

      O eu lírico não rejeita o convívio nem o afeto; pelo contrário, afirma que "é bom dividir, doar, amar". Contudo, reconhece com clareza que "ninguém terá tudo a me dar". O equilíbrio reside em amar e trocar sem cobranças, compreendendo que nenhum relacionamento externo pode substituir a autoaceitação e a responsabilidade pelo próprio bem-estar.

04 – Qual é o sentido do verso "Vou sempre buscar / E nunca me saciar" para o desenvolvimento pessoal da autora?

      A busca constante sem jamais se saciar representa o motor do crescimento e da evolução contínua. Para a autora, a satisfação plena e estática levaria à acomodação. O desejo ininterrupto de buscar e aprender é o que mantém a chama interior acesa, impulsionando a autoestima, a liberdade e o processo criativo.

05 – Qual é a relação entre a autoaceitação ("me amar") e a capacidade final de "libertar e CRIAR"?

      A autoaceitação e a independência emocional libertam o indivíduo do medo do julgamento alheio e da necessidade de aprovação. Somente quando a pessoa se torna dona de sua própria jornada ("dependo de mim") e se ama por inteiro é que ela alcança a verdadeira liberdade interior, condição essencial para dar asas à imaginação e ao ato criativo.

 

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