Artigo de opinião: O que é o namoro – Fragmento
Marta Suplicy
O namoro é o primeiro passo para a vida
afetiva a dois. Essa época pode ser muito boa, cheia de descobertas e emoções
novas. Ao mesmo tempo, algumas vezes você poderá ter dificuldade em entender os
seus sentimentos e as atitudes dos outros. Poderá se encantar por alguém e daí
a alguns dias nem entender como isso aconteceu. É possível que você se envolva
perdidamente com uma pessoa e algum tempo depois esteja profundamente
apaixonado(a) pro outra.
Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiaNM7nw1R2ErWbyiMWyEekYAa5F9zYuqgMuuNLrSukn07VUVquhdHDm19vRqMZE4quTHdf2UzmOzjTd9nXcpoKfnPopfMLIthnVXuGNteZiuIzWHmWbIr5cXFCTDTGhLrjge5shCvtm_6pyv-YpRGFzOee8K6j3rtMLIaoy471OnFPyNTzR5sHE5RSc68/s1600/images.jpg Outras vezes, você inicia um namoro com
tal envolvimento, que até os amigos e a turma são abandonados enquanto dura o
romance. Não é que você seja irresponsável ou que essas paixões sejam
maluquices. Elas fazem parte da adolescência. Também é natural que você se
apaixone por alguém que nunca viu pessoalmente, ou que nunca prestou atenção em
você.
A intensidade dos sentimentos e a
rapidez com que essas emoções se transformam dificilmente serão vividas na vida
adulta. Como tudo na adolescência fica exagerado, só com o tempo você perceberá
que fazem parte da vida algumas situações que parecem trágicas: levar um “fora”
do namorado, ou um “não” da menina que o atrai, ou sobrar numa festa.
Você não vai conquistar todas as
pessoas que desejar e verá que isso não significa que você é melhor ou pior
como ser humano.
[...]
Marta Suplicy. Sexo
para adolescentes. São Paulo, FTD, 1998. p. 90.
Fonte: Língua
Portuguesa. Trabalhando com a linguagem. Givan Ferreira/Isabel C.
Cordeiro/Maria Ap. Almeida Kaster/Mary Marques. 6ª série – 7º ano. 1ª edição –
São Paulo – 2004. Quinteto Editorial. p. 79.
Entendendo o artigo:
01
– De acordo com o texto, de que maneira o namoro é conceituado e quais são os
aspectos positivos e desafiadores dessa experiência?
O namoro é
conceituado pela autora como o primeiro passo para a vida afetiva a dois. O
aspecto positivo dessa fase é que ela pode ser uma época muito boa, marcada por
descobertas e emoções novas. Por outro lado, o lado desafiador reside na
dificuldade que a pessoa pode ter para compreender os próprios sentimentos,
lidar com a volatilidade das paixões e interpretar as atitudes do outro.
02
– A autora menciona condutas comuns na juventude, como a mudança rápida de
paixões ou o afastamento dos amigos durante um relacionamento. Como ela avalia
e justifica esses comportamentos?
Marta Suplicy
avalia que esses comportamentos não devem ser vistos como irresponsabilidade ou
"maluquice". Ela os justifica esclarecendo que fazem parte do
processo natural da adolescência, período no qual o jovem está aprendendo a se
relacionar e lidando com emoções intensas e transformações afetuosas
aceleradas.
03
– Qual é a principal diferença apresentada no texto entre a vivência das
emoções na adolescência e na vida adulta?
A principal
diferença é a intensidade e a velocidade de transformação dos sentimentos. Na
adolescência, tudo é vivido de forma exagerada e com rápida transição
emocional, algo que dificilmente será experimentado com a mesma proporção ou
dinamismo na fase adulta.
04
– O texto cita eventos como levar um "fora", receber um
"não" ou "sobrar" em uma festa. Como a autora desconstrói o
peso dramático dessas situações?
A autora
desconstrói o peso dramático ao explicar que, embora na adolescência essas
rejeições pareçam situações trágicas devido ao exagero típico da idade, com o
tempo compreende-se que elas fazem parte da vida. Ela reforça que não
conquistar todas as pessoas desejadas é algo natural e não define o valor ou a
qualidade de alguém como ser humano.
05
– Qual é a ideia central (tese) que a autora busca transmitir ao leitor
adolescente sobre as frustrações amorosas e a construção da autoestima?
A ideia central é
a de que as frustrações e rejeições afetivas são inevitáveis e normais no
aprendizado relacional. A autora busca mostrar ao adolescente que o insucesso
em uma conquista amorosa não é um indicativo de inferioridade ou de
incapacidade pessoal, devendo ser encarado com amadurecimento e sem abalar a
autoestima.
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