Notícia: Ruídos afetam ouvidos e sistema nervoso – Fragmento
Loriane Comeli
Quem nunca se irritou com algazarra em
bares, buzinas e alarmes de carros, barulho da máquina da construção civil,
música alta na casa do vizinho ou outra situação envolvendo ruídos incômodos e
repetitivos, às vezes, até dentro de sua própria casa?
Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiNF5XNiK3tSsG6b1s8mIx4dWZhiQYbZ2aRVJ6PcEpO2KZBUAtS0qR1QFC9ju0BkNNGPC3KRAJhMzaJD5wbTdoi0Eauie6iMfziszxWIBKtlzLKOGRXg60HHMBor_RMllAQoq6qsdLBwkv3TOZ9QmmhOs9pC9qzZkzWld7ddK8aiDkHzG5MdINR5KS6r6M/s320/images.jpg A irritação é um dos primeiros sintomas
dos efeitos nocivos da poluição sonora, que incluem estresse, problemas no
sono, dores de cabeça, alergias, doenças gástricas, falta de concentração,
aumento do batimento cardíaco, hipertensão, perda de capacidade auditiva e
surdez. [...]
A diretora da Rádio Universidade, da
Universidade Estadual de Londrina (UEL), Janete El Haouli, que desenvolveu sua
tese de doutorado sobre as paisagens sonoras, defende um processo educativo
para acabar com os ruídos indevidos. Ela explica que o conjunto de sons do
ambiente podem ser entendidos como música e apreciados, mas é necessário o
respeito ao direito de quem não deseja ouvi-los. “Há pessoas que querem escutar
música, outras não. Mas sempre tendemos a respeitar aqueles que querem. Temos
que ter consciência de que o ouvido não tem pálpebras, como afirmou um
estudioso das paisagens sonoras, Murray Schafer”.
[...]
Loriane Comeli. Jornal
de Londrina, Londrina/Paraná, 16 dez. 2001. p. 5-A.
Fonte: Língua Portuguesa.
Trabalhando com a linguagem. Givan Ferreira/Isabel C. Cordeiro/Maria Ap.
Almeida Kaster/Mary Marques. 6ª série – 7º ano. 1ª edição – São Paulo – 2004.
Quinteto Editorial. p. 156.
Entendendo a notícia:
01
– Quais são as principais consequências da poluição sonora para a saúde física
e mental das pessoas, segundo o texto?
A poluição sonora
causa diversos prejuízos à saúde. No âmbito psicológico e comportamental,
provoca irritação (apontada como um dos primeiros sintomas), estresse, falta de
concentração e distúrbios do sono. No aspecto físico, o ruído excessivo pode
desencadear dores de cabeça, alergias, problemas gástricos, alteração dos
batimentos cardíacos, hipertensão e, no sistema auditivo, perda gradual da
capacidade de ouvir até a surdez.
02
– O que Janete El Haouli propõe como solução para combater o problema dos
ruídos indevidos? Explique sua proposta.
A pesquisadora e
diretora da Rádio Universidade (UEL) defende um processo educativo. Ela propõe
o desenvolvimento da conscientização sobre o respeito ao direito do outro em
não querer ouvir determinados sons. Para Janete, existe um desequilíbrio social
em que se costuma priorizar a vontade de quem quer produzir ou escutar barulho
em detrimento daqueles que preferem o silêncio, sendo necessário reverter essa
lógica por meio da educação e do respeito mútuo.
03
– Explique o significado e o impacto da metáfora "o ouvido não tem
pálpebras", atribuída a Murray Schafer no texto.
A metáfora
enfatiza a vulnerabilidade do sistema auditivo humano em relação ao meio
ambiente. Diferentemente dos olhos, que possuem pálpebras que podemos fechar
para bloquear a visão e nos proteger de estímulos visuais indesejados, os
ouvidos permanecem constantemente abertos e expostos aos sons do entorno. Isso
significa que não temos um mecanismo biológico para "desligar" a
audição voluntariamente, tornando-nos reféns passivos do barulho e da poluição
sonora ao nosso redor.
04
– Como o texto aborda a dualidade entre a percepção do som como arte/música e o
som como ruído incômodo?
O texto
apresenta, por meio da fala de Janete El Haouli, a ideia de que o conjunto de
sons do ambiente pode ser interpretado e apreciado como música. No entanto, a
distinção entre som agradável e ruído incômodo depende da subjetividade e do
consentimento individual: o que é prazeroso para uma pessoa pode ser invasivo
para outra. A convivência harmônica exige reconhecer essa dualidade e entender
que a apreciação sonora não deve ser imposta a quem prefere o silêncio.
05
– De que maneira o texto exemplifica a presença da poluição sonora no cotidiano
das pessoas? Cite os exemplos mencionados.
O texto mostra
que a poluição sonora está difusa na rotina diária, manifestando-se tanto em
espaços públicos e comerciais quanto no ambiente privado. Os exemplos citados
no texto incluem a algazarra em bares, buzinas e alarmes de veículos, barulho
de máquinas na construção civil, música alta vinda da casa de vizinhos e outros
ruídos incômodos que ocorrem, inclusive, dentro da própria residência do
indivíduo.
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