Fábula: CÃO! CÃO! CÃO!
Millôr Fernandes
Abriu a porta e viu o amigo que há tanto não via. Estranhou apenas que ele, amigo, viesse acompanhado por um cão. Cão não muito grande, mas bastante forte, de raça indefinida, com toda efusão. “Quanto tempo!”. O cão aproveitou as saudações, se embarafustou casa adentro e logo o barulho na cozinha demonstrava que ele tinha quebrado alguma coisa. O dono da casa encompridou um pouco as orelhas, o amigo visitante fez um ar de que a coisa não era com ele. “Ora, veja você, a última vez que nos vimos foi...” “Não, foi depois, na...” “E você, casou também?” O cão passou pela sala, o tempo passou pela conversa, o cão entrou pelo quarto e novo barulho de coisa quebrada.
Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjFZrD3W8J0b5Sz6SkzuuOJQH1BvdYq2mKhyphenhyphen_bfK9O1xommjmkjKVTYE4i9Shdo-HJySCzVn0zJ-9_srqMdCqJknbEIKp1x809y0YqBKXFBpryRODQHJTJjp1I1LPr2HPp5eyxg4se63ceaSHjv_uUlaFiWg_RMkn1ZElIFIlY5f-pm2Uxb0jQPnJVo9Ck/s320/images.jpgHouve um sorriso amarelo
por parte do dono da casa, mas perfeita indiferença por parte do visitante.
“Quem morreu definitivamente foi o tio... Você se lembra dele?” “Lembro, ora,
era o que mais... não?” O cão saltou sobre um móvel, derrubou o abajur, logo
trepou com as patas sujas no sofá ( o tempo passando) e deixou lá as marcas
digitais de sua animalidade. Os dois amigos tensos, agora preferiam não tomar
conhecimento do dogue. E, por fim, o visitante se foi. Se despediu, efusivo
como chegara, e se foi. Mas ainda indo, quando o dono da casa perguntou: “Não
vai levar o seu cão?” “Cão? Cão? Cão? Ah, não! Não é meu, não. Quando entrei,
ele entrou naturalmente comigo e eu pensei que fosse seu. Não é seu, não?”
MORAL: Quando
notamos certos defeitos nos amigos, devemos sempre ter uma conversa
esclarecedora.
01 – Quais são os personagens da história?
Os dois amigos e o cão.
02 – O autor não utilizou travessões para
indicar os diálogos. Que recurso Millôr Fernandes usou para representar as
falas dos personagens?
Aspas.
03 – O cão era vira-lata. Que expressão do texto indica isso?
De raça indefinida.
04 – Enquanto os amigos conversavam, o cão
passou por três cômodos da casa. Indique quais são os cômodos e o que o cão fez
em cada um deles.
Cozinha (quebrou algo), quarto (quebrou algo), sala (derrubou
o abajour e deixou suas marcas no sofá).
05 – Por que os amigos foram ficando tensos à medida que o tempo ia passando?
Porque o cachorro estava quebrando tudo e ninguém fazia nada.
06 – O que
significa o sorriso amarelo do dono da casa no meio de sua conversa com o
amigo?
Que ele estava sem graça.
07 – Por que nenhum dos amigos reagiu às
destruições do cachorro?
Porque o cão não era de nenhum dos dois.
08 – Que fato é responsável pelo humor do
texto?
Que um fica achando que o cão era do outro e não era de
ninguém.
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