domingo, 26 de julho de 2026

CONTO DE FICÇÃO CIENTÍFICA: IMPASSE - ISAAC ASIMOV - COM GABARITO

 Conto de ficção científica: Impasse

 

        “Gregory Arnfeld não estava propriamente moribundo, mas não lhe restava muito tempo de vida. Tinha um câncer inoperável e havia recusado com firmeza todas as sugestões para que tentasse um tratamento de radiação ou quimioterapia.  

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi3cd5kDjuQmBJ7w4gElOpfXFk1zS8l6BlbNzdliKrNrb07YO0TBMi2mtn1r00PcLhAd7yzVTFraB3ODB1cpt94wbfJGF46p1zMmmjCzJQgUYtCpkIa5YjLJ9hFqdxFEIDCmy-oRYDsdFSPjMZXpjx7aEfggRHJGLmQZdnStwQi_IsKKV2jO6VmdieOj5c/s320/images.jpg


        Sorriu para a mulher, sem levantar a cabeça do travesseiro, e disse:

        -- Sou o caso perfeito, Tertia. Mike cuidará de mim. Tertia não sorriu. Parecia terrivelmente preocupada. 

        -- Existem tantas coisas que podem ser feitas, Gregory. Mike deve ser considerado como o último recurso. Talvez não haja necessidade de usá-lo. 

        -- Não, não, quando acabarem de me afogar com produtos químicos e de me encharcar de radiação, estarei tão doente que não será um teste justo. 

        -- Estamos no século XXII, Greg. Existem tantos tratamentos para o câncer.

        -- Verdade, mas Mike é um deles, e o melhor, na minha opinião. Estamos no século XXII e sabemos do que os robôs são capazes. Eu, pelo menos, sei muito bem. Sou a pessoa mais chegada a Mike. Você sabe disso. 

        -- Sei, mas não deve usá-lo apenas por orgulho. Além disso, como pode ter tanta confiança na miniaturização? É uma ciência ainda mais nova que a robótica.

        Arnfeld assentiu. 

        -- De acordo, Tertia, mas os rapazes da miniaturização me parecem extremamente confiantes. Podem diminuir o tamanho do corpo ou fazê-lo voltar ao normal de forma quase rotineira e os controles que tornam isso possível foram implantados no corpo de Mike. Ele pode aumentar ou diminuir de tamanho à vontade, sem afetar as coisas que o cercam.

        -- De forma quase rotineira – repetiu Tertia, com ironia. 

        -- Isso é tudo o que podemos pedir, na verdade. Pense nisso, Tertia. Tenho sorte de ser parte da experiência. Vou passar para a história como o principal responsável pelo projeto de Mike, mas isso será secundário. Meu maior feito será o de ter sido tratado com sucesso por um mini-robô, e por minha livre e espontânea vontade. 

        -- Sabe que é perigoso. 

        -- Tudo na vida é perigoso. Os remédios e a radiação têm graves efeitos colaterais. Podem retardar a progressão da doença, sem curá-la. Ficarei reduzido a uma existência limitada, quase vegetativa. E se não fizer nada, certamente morrerei em pouco tempo. Por outro lado, se Mike cumprir a sua missão, minha saúde voltará ao normal, e se houver uma recaída, bastará recorrer novamente a ele. 

        Estendeu a mão para segurar a da esposa.

        -- Tertia, sabíamos que o momento estava próximo, eu e você. Vamos tirar proveito desta oportunidade, será uma experiência gloriosa.

        Neste momento, Louis Secundo, do grupo de miniaturização, disse:

        -- Não, Sr. Arnfeld. Não podemos garantir o sucesso. O processo de miniaturização está intimamente ligado à mecânica quântica e, portanto, existe uma componente probabilística. Enquanto o MIK-27 estiver diminuindo de tamanho, há sempre a possibilidade de ocorrer uma expansão súbita, não planejada, o que naturalmente matará o paciente. Quanto maior a redução de tamanho, quanto menor o robô se tornar, maior a probabilidade de que essa expansão ocorra. E quando ele começar a voltar ao tamanho normal, a probabilidade de uma expansão descontrolada será ainda maior. Na verdade, essa será a fase mais perigosa de toda a experiência. 

        Tertia sacudiu a cabeça.

        -- Acha que isso vai acontecer? 

        -- É muito pouco provável, Sra. Arnfeld, mas não impossível. É preciso que a senhora compreenda isso

        -- E se Mike for reduzido a um tamanho pequeno demais por causa de algum erro ou falha no mecanismo? Nesse caso, a expansão súbita seria inevitável, não seria? 

        -- Não exatamente. Continuaria a ser um fenômeno estatístico. A probabilidade aumenta à medida que o tamanho de Mike diminui. Entretanto, quanto menor ele se torna, menor a sua massa. A partir de um certo ponto, a massa do robô ficará tão pequena que qualquer movimento o fará sair voando com uma velocidade próxima da luz. 

        -- E isso não mataria meu marido? 

        -- Não. A essa altura, Mike seria tão pequeno que poderia passar por entre os átomos do doutor sem afetá-los. 

        -- Mas qual seria a probabilidade de que ele sofresse uma expansão súbita ao atingir um tamanho tão reduzido? 

        -- Quando o MIK-27 chegasse ao tamanho de um neutrino, digamos, sua meia vida seria de alguns segundos. Em outras palavras, haveria uma probabilidade de cinquenta por cento de que sofresse uma expansão dentro de alguns segundos, mas a essa altura já estaria a uma distância de centenas de milhares de quilômetros da Terra, em pleno espaço sideral, de modo que a explosão resultante produziria apenas uma pequena chuva de raios gama para intrigar os astrônomos. Só que nada disso vai acontecer. O MIK-27 vai seguir as instruções e reduzir-se apenas ao tamanho necessário para realizar a operação. 

        A Sra. Arnfeld conhecera Mike pouco depois de o robô ter ficado pronto, quando estava sendo submetido aos primeiros testes. Não era um robô bem-proporcionado. A cabeça era muito pequena, os quadris largos demais. Tinha uma forma quase cônica, com o vértice para cima. A Sra. Arnfeld sabia que isso se devia ao fato de o mecanismo de miniaturização, juntamente com o cérebro localizado no abdômen, o que aumentava a rapidez dos reflexos. Como o marido lhe explicara, seria inadequado instalar o cérebro na parte superior da máquina. Entretanto, a forma escolhida fazia Mike parecer ridículo, quase um retardado mental.

        -- Tem certeza de que compreende bem qual é sua missão, Mike?

        -- Perguntou a Sra. Arnfeld ao conhece-lo.

        -- Compreendo perfeitamente, Sra. Arnfeld. Devo eliminar todas as células cancerosas. Quando eu estiver do tamanho certo, poderei reconhecer facilmente as células cancerosas e matá-las, destruindo o núcleo da doença.

        -- Disse Mike, em tom solene.

 

ASIMOV, Isaac. Visões de robôs. Trad. Ronaldo Sérgio. Rio de Janeiro: Editora Record. 2002.

 

Entendendo o conto:

01 – Qual é o dilema de saúde enfrentado por Gregory Arnfeld e qual alternativa de tratamento ele escolhe?

      Gregory tem um câncer inoperável e recusa categoricamente os tratamentos tradicionais (quimioterapia e radiação) por conta dos graves efeitos colaterais. Ele opta por ser submetido a uma técnica experimental: o uso de um robô miniaturizado chamado Mike (MIK-27), reprogramado para entrar em seu corpo e destruir diretamente as células cancerosas.

 

02 – Por que a esposa de Gregory, Tertia, hesita em aceitar a escolha do marido?

      Tertia considera que o robô deve ser o último recurso, pois a ciência da miniaturização ainda é muito recente e experimental ("quase rotineira"). Ela se preocupa com a segurança do marido e teme que o orgulho de Gregory por ter ajudado a criar Mike o esteja cegando para os riscos reais da experiência.

 

03 – Segundo o especialista Louis Secundo, qual é o maior risco do processo de miniaturização?

      Devido às leis da mecânica quântica, o processo tem caráter probabilístico. O maior perigo é a ocorrência de uma expansão súbita e descontrolada do robô. Se essa expansão ocorrer enquanto Mike estiver dentro do corpo do paciente, resultará na morte imediata de Gregory. O risco é ainda maior na fase em que o robô precisa retornar ao seu tamanho normal.

 

04 – O que aconteceria se o robô sofresse uma falha e encolhesse a um tamanho excessivamente pequeno?

      Se Mike encolher a ponto de ter a massa drasticamente reduzida (como o tamanho de um neutrino), qualquer movimento o faria voar para o espaço a uma velocidade próxima à da luz. Ele atravessaria o corpo do paciente sem machucá-lo (passando entre os átomos) e, caso sofresse a expansão súbita no espaço, causaria apenas uma pequena chuva de raios gama a centenas de milhares de quilômetros da Terra.

 

05 – Por que a forma física do robô Mike é descrita como "cônica" e "ridícula"?

      Mike tem uma cabeça pequena e quadris muito largos. O motivo dessa estrutura é técnico: o mecanismo de miniaturização e seu cérebro posicionado no abdômen exigiam esse espaço na parte inferior para otimizar e acelerar os reflexos da máquina. Apesar de parecer desproporcional, o design atende a uma necessidade funcional.

 

06 – Além do desejo de cura, qual é a motivação pessoal de Gregory para aceitar o procedimento?

      Gregory deseja entrar para a história. Ele já é reconhecido como o principal responsável pelo projeto do robô Mike, mas enxerga como seu maior feito a oportunidade de ser o primeiro ser humano a ser tratado e curado por um mini-robô por livre e espontânea vontade, considerando isso uma "experiência gloriosa".

 

07 – Qual é a missão exata que o robô Mike afirma compreender ao final do trecho?

      Mike afirma que sua missão é ser reduzido ao tamanho ideal para entrar no organismo, identificar as células cancerosas com facilidade e eliminá-las uma a uma, destruindo o núcleo da doença para restabelecer a saúde de seu criador.

 

NOTÍCIA: MUNDO COR-DE-ROSA - COM GABARITO

 Notícia: MUNDO COR-DE-ROSA

 

        Perfume Barbie B comemora os 50 anos da boneca mais famosa do mundo

        Comemoração com cheirinho gostoso: a multinacional espanhola Puig Beauty & Fashion Group acaba de lançar no Brasil a fragrância Barbie B, celebrando os 50 anos da boneca mais famosa do mundo.

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiKLKZhfNMVYzsgrT5OLHycjTDxUA9TO-WH3P3-4DpSzxxu8OG9QJwW4ynXzwWIetgxpMlbHqw0x_uhusc2IXVKmiUMj44v6WPf-ia3VCjiDGVTMbvA4TeLZ13oX0mjeTiUR7vdMWtMlyrdG006a5iZELGXpOxeQ6zQULHOjjeg5tFBkWq2gJn11FsOeFY/s320/images.jpg


        O novo perfume pretende refletir a personalidade moderna e dinâmica das meninas que já se sentem mocinhas e não veem a hora de entrar no mundo adolescente. Esse universo está identificado em detalhes como o frasco, lapidado como uma joia, e na letra "B" estilizada que pode ser usada como um pingente ou um acessório fashion.

        Floral, frutado e fresco, o lançamento é composto de notas açucaradas com elementos de sândalo e almíscar que se complementam com essências de cereja e framboesa. Nas notas de saída predominam a bergamota, laranja italiana e maçã verde.

        O frasco, nas versões 40ml e 75ml, vem em tons de rosa e fúcsia. A embalagem traz uma imagem da Barbie com um look mais moderno, igual ao das meninas de hoje.

        O preço médio sugerido do frasco de 75ml é R$ 49,50.

            SAC 0800-7265616 / sac@puig.com.br

http://extra.globo.com/lazer/canalExtra/ [26/03/09]

 

Entendendo a notícia:

01 – A finalidade do texto é:  

(A) divertir.    (B) informar.    (C) opinar.    (D) emocionar.

 

02 – A informação principal do texto é:

(A)  o lançamento do perfume Barbie B.

(B)  a fragrância do perfume Barbie B.

(C)  a descrição do frasco e a embalagem do perfume Barbie B. 

(D)  a definição do consumidor do perfume Barbie B.

 

03 – Qual evento especial motivou o lançamento do perfume Barbie B no Brasil?

      O aniversário de 50 anos da boneca Barbie.

 

04 – Qual é o público-alvo do novo perfume, segundo as informações do texto?

      Meninas que já se sentem “mocinhas” e estão na transição para o universo adolescente, buscando refletir uma personalidade moderna e dinâmica.

 

05 – Que elemento presente na embalagem/frasco do perfume pode ser retirado e usado como um pingente ou acessório fashion?

      A letra “B” estilizada.

 

06 – Quais são as essências e notas de saída que compõem a fragrância do perfume?

      As notas de saída contêm bergamota, laranja italiana e maçã verde, além de essências de cereja e framboesa, combinadas com notas açucaradas, sândalo e almíscar.

 

07 – Qual empresa multinacional foi a responsável pelo lançamento da fragrância no Brasil?

      A multinacional espanhola Puig Beauty & Fashion Group.

 

 

CRÔNICA: A ATITUDE SUSPEITA - LUÍS FERNANDO VERÍSSIMO - COM GABARITO

 Crônica: A atitude suspeita

            Luís Fernando Veríssimo

 

        Sempre me intriga a notícia de que alguém foi preso “em atitude suspeita”. É uma frase cheia de significados. Existiriam atitudes inocentes e atitudes duvidosas diante da vida e das coisas e qualquer um de nós estaria sujeito a, distraidamente, assumir uma atitude que dá cadeia!

Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjbWtE2rSwYe0ed3QojaHCEDi9QZ8ZPXRUpYIpwIqs-f45QAxaFyejenkfCPI1blPhkwgHOW-fM4Nzaq5I1CXMIVbFo4EQbQnl6VHKVU3I45gf6bwxeFtCTHv38___EMagl_fIlnIrZv_1phlaYTkJzRddCFDgFlTwiSn8Ei46IY079q5jkv3hed44h0hE/s320/images.jpg 


     -- Delegado, prendemos este cidadão em atitude suspeita.

        -- Ah, um daqueles, é? Como era a sua atitude?

        -- Suspeita.

        -- Compreendo. Bom trabalho, rapazes. E o que é que ele alega?

        -- Diz que não estava fazendo nada e protestou contra a prisão.

        -- Humm. Suspeitíssimo. Se fosse inocente não teria medo de vir dar explicações.

        -- Mas eu não tenho o que explicar! Sou inocente!

        -- É o que todos dizem, meu caro. A sua situação é preta. Temos ordem de limpar a cidade de pessoas em atitudes suspeitas.

        -- Mas eu estava só esperando o ônibus!

        -- Ele fingia que estava esperando um ônibus, delegado. Foi o que despertou a nossa suspeita.

        -- Ah! Aposto que não havia nem uma parada de ônibus por perto. Como é que ele explicou isso?

        -- Havia uma parada sim, delegado. O que confirmou a nossa suspeita. Ele obviamente escolheu uma parada de ônibus para fingir que esperava o ônibus sem despertar suspeita.

        -- E o cara-de-pau ainda se declara inocente! Quer dizer que passava ônibus, passava ônibus e ele ali fingindo que o próximo é que era o dele? A gente vê cada uma...

        -- Não senhor delegado. No primeiro ônibus que apareceu ele ia subir, mas nós agarramos ele primeiro.

        -- Era o meu ônibus, o ônibus que eu pego todos os dias para ir para casa! Sou inocente!

        -- É a segunda vez que o senhor se declara inocente, o que é muito suspeito. Se é mesmo inocente, por que insistir tanto que é?

        -- E se eu me declarar culpado, o senhor vai me considerar inocente?

        -- Claro que não. Nenhum inocente se declara culpado, mas todo culpado se declara inocente. Se o senhor é tão inocente assim, por que estava tentando fugir?

        -- Fugir, como?

        -- Fugir no ônibus. Quando foi preso.

        -- Mas eu não estava tentando fugir. Era o meu ônibus, o que eu tomo sempre!

        -- Ora, meu amigo. O senhor pensa que alguém aqui é criança? O senhor estava fingindo que esperava um ônibus, em atitude suspeita, quando suspeitou destes dois agentes da lei ao seu lado. Tentou fugir e...

        -- Foi isso mesmo. Isso mesmo! Tentei fugir deles.

        -- Ah, uma confissão!

        -- Porque eles estavam em atitude suspeita, como o delegado acaba de dizer.

        -- O quê? Pense bem no que o senhor está dizendo. O senhor acusa estes dois agentes da lei de estarem em atitude suspeita?

        -- Acuso. Estavam fingindo que esperavam um ônibus e na verdade estavam me vigiando. Suspeitei da atitude deles e tentei fugir!

        -- Delegado...

        -- Calem-se! A conversa agora é outra. Como é que vocês querem que o público nos respeite se nós também andamos por aí em atitude suspeita? Temos que dar o exemplo. O cidadão pode ir embora. Está solto. Quanto a vocês...

        -- Delegado, com todo o respeito, achamos que esta atitude, mandando soltar um suspeito que confessou estar em atitude suspeita é um pouco...

        -- Um pouco? Um pouco?

        -- Suspeita.

 

Entendendo a crônica:

01 – Quando o delegado pergunta "Ah, um daqueles, é?". O que ele quis dizer com isso?

      Que era um daqueles criminosos, um daqueles suspeitos.

02 – Por que se declarar inocente é algo suspeito?

      Porque todo culpado se diz inocente.

03 – Qual a teoria do delegado sobre as pessoas se declararem culpadas ou inocentes?

      Nenhum inocente se declara culpado, mas todo culpado se declara inocente.

04 – O homem tentou mesmo fugir de ônibus? Explique.

      Não, era o ônibus que ele pegava todos os dias.

05 – Por que a atitude dos policiais também era suspeita?

      Porque eles fingiam que esperavam o ônibus e estavam vigiando o homem.

06 – E por que a atitude do delegado também era suspeita?

      Porque ele mandou soltar o suspeito.

07 – A expressão "atitude suspeita" significa:

a) atitude previsível                           

b) atitude criminosa

c) atitude comum                              

d) atitude duvidosa.

 

CARTA DE D.PEDRO I - IN: JOÃO ARMITAGE - COM GABARITO

 Carta de D. Pedro I

         Em 1831, ao deixar definitivamente o Brasil para assumir o trono de Portugal, D. Pedro I escreveu a seu filho D. Pedro II a seguinte carta:

 

Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgUg9sUQP9fMZguvwKdl452rW6_ScqLSSFxY9MiBQk8fdvisuVsVXMrPAeGzDme25rwY1WTGyT2scOvl-PT3fn4pExwO5glg1FF2vMCqqnzsqeQ11BH-SGZfE8yZ2gWqEbGHcbBCV5Dkwop83M61uSv1J_5HNtVg4G3TNhBsZfSxGjAnhgN7BFH-FfNlBE/s320/images.jpg 

Carta a D. Pedro II

D. Pedro I

 

        Meu querido filho, e meu imperador:

        Muito lhe agradeço a carta que me escreveu, eu mal a pude ler, pois que as lágrimas eram tantas que me impediam a ver; agora que me acho, apesar de tudo, um pouco mais descansado, faço esta para lhe agradecer a sua, e para certificar-lhe que enquanto vida tiver as saudades jamais se extinguirão em meu dilacerado coração.

        Deixar filhos, pátria e amigos, não pode haver maior sacrifício; mas levar a honra ilibada, não pode haver maior glória. Lembre-se sempre de seu pai, ame a sua mãe, e a minha pátria, siga os conselhos que lhe derem aqueles que cuidarem na sua educação, e conte que o mundo o há de admirar, e que me hei de encher de ufania por ter um filho digno da pátria.

        Eu me retiro para a Europa: assim é necessário para que o Brasil sossegue, e que Deus permita, e possa para o futuro chegar àquele grau de prosperidade de que é capaz.

        Adeus, meu amado filho, receba a bênção de seu pai que se retira saudoso e sem mais esperança de o ver.

 

                        Ass. D. Pedro de Alcântara

 

                        Bordo da Nau Warspite

                        12 de abril de 1831

 

In: JOÃO ARMITAGE. História do Brasil. Rio de Janeiro: Zélio Valverde, 1943. P. 313.

 

Entendendo a carta:

01 – Quem é o remetente e o destinatário dessa carta?

      O remetente é D. Pedro de Alcântara (D. Pedro I). O destinatário é seu filho (D. Pedro II).

02 – Essa é a primeira carta trocada entre eles?

      Não. Esta é uma carta-resposta.

03 – Onde estava D. Pedro I ao escrever essa carta?

      A bordo de um navio, a Nau Warspite.

04 – Além de na introdução, existe um outro vocativo nessa carta? Onde?

      Sim. Na despedida: “Meu amado filho”.

05 – Procure no dicionário o que significam as palavras “ilibada” e “ufania”? há mais alguma palavra que você não conheça nessa carta?

      Ilibada: pura; ufania: honra, orgulho, dignidade.

06 – Qual o propósito da carta?

      Responder a carta do filho e aconselhá-lo.

07 – Segundo a carta, quando pai e filho pretendem se reencontrar? 

      Nunca. D. Pedro I não tem mais esperanças de ver o filho.

 

OLIVEIRA, Gabriela Rodella de. Português: a arte da palavra, 6º ano/ Gabriela Rodella de Oliveira, Flávio Nigro Rodrigues, João Rocha Campos; [ilustração Adolar, Jean Galvão, Roberto Weigand, Samuel Casal]. – 1. Ed. – São Paulo: Editora AJS Ltda, 2009.

 

sábado, 25 de julho de 2026

TIRINHA - ORAÇÕES SUBORDINADAS SUBSTANTIVAS - COM GABARITO

 Orações Subordinadas Substantivas

 

Leia a tira a seguir, de Fernando Gonsales, e responda às questões 1 e 2.


     

(Níquel Náusea — Nem tudo que balança cai. São Paulo: Devir, 2003. P. 12.)

Entendendo a tirinha:

01 – No 1º quadrinho da tira, na fala do beija-flor, há uma oração subordinada substantiva. Identifique-a e classifique-a.

      Oração subordinada substantiva: “que o beija-flor bate a asa setenta vezes por segundo”

      Classificação: Oração subordinada substantiva objetiva direta.

      Explicação: Ela completa o sentido do verbo transitivo direto "Sabia" (oração principal: "Sabia [isso]?"), sem preposição exigida pelo verbo.

 

02 – O humor da tira é construído a partir da quebra de expectativa provocada pela resposta negativa do ratinho.

a) Qual era a expectativa do beija-flor ao fazer a pergunta ao ratinho?

      A expectativa do beija-flor era que o ratinho ficasse impressionado com a sua habilidade e o achasse uma criatura incrível.

b) Por que o beija-flor é quem sai surpreendido nessa conversa?

      Porque, em vez de admirar a velocidade do beija-flor, o ratinho transfere o mérito para a pessoa que conseguiu contar tantas batidas de asas por segundo. Assim, a resposta inesperada do ratinho "desinfla" o orgulho do beija-flor.

FÁBULA: CÃO! CÃO! CÃO! - MILLÔR FERNANDES - COM GABARITO

 Fábula: CÃO! CÃO! CÃO!

           Millôr Fernandes

 

        Abriu a porta e viu o amigo que há tanto não via. Estranhou apenas que ele, amigo, viesse acompanhado por um cão. Cão não muito grande, mas bastante forte, de raça indefinida, com toda efusão. “Quanto tempo!”. O cão aproveitou as saudações, se embarafustou casa adentro e logo o barulho na cozinha demonstrava que ele tinha quebrado alguma coisa. O dono da casa encompridou um pouco as orelhas, o amigo visitante fez um ar de que a coisa não era com ele. “Ora, veja você, a última vez que nos vimos foi...” “Não, foi depois, na...” “E você, casou também?” O cão passou pela sala, o tempo passou pela conversa, o cão entrou pelo quarto e novo barulho de coisa quebrada. 

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjFZrD3W8J0b5Sz6SkzuuOJQH1BvdYq2mKhyphenhyphen_bfK9O1xommjmkjKVTYE4i9Shdo-HJySCzVn0zJ-9_srqMdCqJknbEIKp1x809y0YqBKXFBpryRODQHJTJjp1I1LPr2HPp5eyxg4se63ceaSHjv_uUlaFiWg_RMkn1ZElIFIlY5f-pm2Uxb0jQPnJVo9Ck/s320/images.jpg


Houve um sorriso amarelo por parte do dono da casa, mas perfeita indiferença por parte do visitante. “Quem morreu definitivamente foi o tio... Você se lembra dele?” “Lembro, ora, era o que mais... não?” O cão saltou sobre um móvel, derrubou o abajur, logo trepou com as patas sujas no sofá ( o tempo passando) e deixou lá as marcas digitais de sua animalidade. Os dois amigos tensos, agora preferiam não tomar conhecimento do dogue. E, por fim, o visitante se foi. Se despediu, efusivo como chegara, e se foi. Mas ainda indo, quando o dono da casa perguntou: “Não vai levar o seu cão?” “Cão? Cão? Cão? Ah, não! Não é meu, não. Quando entrei, ele entrou naturalmente comigo e eu pensei que fosse seu. Não é seu, não?”

 

        MORAL: Quando notamos certos defeitos nos amigos, devemos sempre ter uma conversa esclarecedora.

 Entendendo a fábula:

01 – Quais são os personagens da história?

      Os dois amigos e o cão.

02 – O autor não utilizou travessões para indicar os diálogos. Que recurso Millôr Fernandes usou para representar as falas dos personagens?
      Aspas.
03 – O cão era vira-lata. Que expressão do texto indica isso?

      De raça indefinida.

04 – Enquanto os amigos conversavam, o cão passou por três cômodos da casa. Indique quais são os cômodos e o que o cão fez em cada um deles.

      Cozinha (quebrou algo), quarto (quebrou algo), sala (derrubou o abajour e deixou suas marcas no sofá).


05 – Por que os amigos foram ficando tensos à medida que o tempo ia passando?

      Porque o cachorro estava quebrando tudo e ninguém fazia nada.
06 – O que significa o sorriso amarelo do dono da casa no meio de sua conversa com o amigo?

      Que ele estava sem graça.

07 – Por que nenhum dos amigos reagiu às destruições do cachorro?

      Porque o cão não era de nenhum dos dois.

08 – Que fato é responsável pelo humor do texto?

      Que um fica achando que o cão era do outro e não era de ninguém.

 

FÁBULA: O LOBO E O CÃO - RUTH ROCHA - COM GABARITO

 Fábula: O lobo e o cão

            Ruth Rocha

 

        Certo dia, um Lobo só pele e osso encontrou um cão gordo, forte e com o pelo muito lustroso enquanto andava pela estrada. Via-se bem que não passava fome. O Lobo, admirado, quis saber onde é que ele conseguia obter tanta comida.

        -- Se me seguires ficarás tão forte como eu – respondeu o cão. – O homem dar-te-á restos saborosos.

        -- Mas o que preciso fazer em troca? – quis saber o Lobo.

        -- Muito pouco, na verdade – respondeu o Cão. – Uivar aos intrusos, agradar ao dono e adular os seus amigos. Só por isto receberás carne e outras iguarias muito bem cozinhadas. De vez em quando, receberás também festas no dorso.

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhtbgVjA0huxfiSRoBVvW3Lymw4a3-qg3hVre6qyZzeNHf7cFoN3tL2bP0vGra-L5JW0boeJ3XNEZP6RuXBh7kwUn_jo4LCg7LhMIZ-JTlOYj2Q9ORWP8gy569of5t6Hdlxi2eLsJyqdofb6g5aLCkKYKiQTliRW2geO9K-okwm44bOuXN3qz6uBCXL5z4/s320/images.jpg


        O Lobo ficou encantado com a ideia e meteram-se ambos ao caminho. A dada altura, o Lobo reparou que o cão tinha o pescoço esfolado.

        -- O que tens no pescoço? – perguntou.

        -- Nada de grave. É da argola com que me prendem – explicou o Cão.

        -- Preso? Então não podes correr quando queres? – exclamou o Lobo. – Esse é um preço demasiado elevado: não troco a minha liberdade por toda a comida do mundo.

        Dito isto, desatou a correr o mais depressa que pode para bem longe dali.

        Moral da história: A tua liberdade não tem preço.

 

Entendendo a fábula:

01 – Qual era a diferença física entre o lobo e o cão no início da história?

      O lobo estava extremamente magro, descrito como "só pele e osso", enquanto o cão era gordo, forte e tinha o pelo muito lustroso, demonstrando que se alimentava bem.

 

02 – O que o cão disse que o lobo precisaria fazer para receber comida saborosa e carinho do dono?

      O lobo precisaria fazer pouca coisa: uivar para os intrusos, agradar ao seu dono e adular os amigos dele. Em troca, receberia carne, comida bem cozinhada e carinho no dorso.

 

03 – O que fez com que o lobo mudasse de ideia e desistisse de acompanhar o cão?

      O lobo reparou que o cão tinha o pescoço esfolado por causa da corrente/coleira e descobriu que ele ficava preso, não tendo a liberdade de correr quando quisesse.

 

04 – Qual é o ensinamento (a moral) trazido por essa fábula?

      A moral da história é que "a tua liberdade não tem preço". Ela mostra que nenhuma fartura, conforto ou segurança vale o custo de perder a própria independência.

 

05 – Na frase “Esse é um preço demasiado elevado: não troco a minha liberdade por toda a comida do mundo”, o que a palavra “demasiado” significa no contexto?

      A palavra "demasiado" significa excessivo, muito grande ou alto demais. O lobo quis dizer que ficar preso era um custo alto demais a se pagar apenas por comida.

 

 

 

 

MÚSICA(ATIVIDADES): VEJA BEM, MEU BEM - LOS HERMANOS - COM GABARITO

 Música (Atividades): Veja bem, meu bem 

            Los Hermanos

 

Veja bem, meu bem

Sinto te informar que arranjei alguém

pra me confortar.

Este alguém está quando você sai

E eu só posso crer, pois sem ter você

nestes braços tais.

 

Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhdZnx_C_F8u6cd-WKZdGg4JicuXHoDzauRS6gkzN4PLGX-DzZw0pfjqebMSFoP1qEFBLRX4pP31ptYNI2S0szuddOT_syRi66olZHDVQFGcqz6GMXrMgRmYZb2jjRYYwLJP1lOLezlxQcu5qT3wHHWz0QIj51ktM7a263qdqfAVRIaZxC7yscWdrrOsZk/s320/images.jpg 

Veja bem, amor.

Onde está você?

Somos no papel, mas não no viver.

Viajar sem mim, me deixar assim.

Tive que arranjar alguém pra passar os dias ruins.

 

Enquanto isso, navegando vou sem paz.

Sem ter um porto, quase morto, sem um cais.

 

E eu nunca vou te esquecer amor,

Mas a solidão deixa o coração neste leva e traz.

 

Veja bem além destes fatos vis.

Saiba, traições são bem mais sutis.

Se eu te troquei não foi por maldade.

Amor, veja bem, arranjei alguém

chamado saudade.

Composição: Marcelo Camelo.

 Entendendo a música:

01 – A palavra “bem” aparece duas vezes no título da música. Explique em que sentido ela é usada em cada uma dessas vezes.

      O bem de “veja bem” faz parte de uma expressão que significa “preste atenção em”, “escute atentamente”, ou seja, funciona como advérbio de intensidade. Já o “bem” de “meu bem”, é uma expressão carinhosa para denominar algo ou alguém, isto é, funciona como substantivo.

 02 – Como você acha que o “eu” da canção está se sentindo? Que passagens do texto te levaram a concluir isso?

      Se sente sozinho quando menciona palavras como “confortar” e “solidão” ou quando faz perguntas como “onde você está?”. Se sente também angustiado porque admite estar “sem paz”.

 03 – O eu lírico da música insinua que está se relacionando com uma outra pessoa. Explique de que maneira o compositor constrói essa expectativa e como ele rompe com ela.

      O eu parece estar se relacionando com uma pessoa física na medida em que a nomeia a como um “alguém”. No entanto, no último verso, ele revela que esse “alguém” é na verdade um sentimento: a saudade.

 04 – Explique o verso: “Somos no papel, mas não no viver”.

      Ele quis dizer que estava casado legalmente, “no papel”, mas não sentia que o relacionamento estivesse bem a ponto de ser considerado um casamento.

 05 – No primeiro verso da quinta estrofe da canção, o autor faz referência a “fatos vis”. Na sua opinião o que seria um fato vil e quais deles são apontados na música?

      Fatos vis são situações tristes, indignas, ruins. Uma delas, por exemplo, é o fato de o eu se sentir sozinho quando seu parceiro viaja, sai ou não está. Por essa razão é que afirma estar com o outro “no papel”, mas não no viver.

06 – A música trata de uma separação? Justifique sua resposta.

      Não, porque ele afirma ainda amar a esposa quando diz: “E eu nunca vou te esquecer” e quando explica que as traições são bem mais sutis do que pensamos. Isso pode indicar que ele não está traindo de fato e, sim, só sentindo saudades, já que é ao lado desta que ele se encontra a maior parte do tempo.

 07 – Você acha que o relato presente na música foi de fato realizado diante de uma pessoa concreta ou aconteceu de outra maneira? Qual? Justifique sua resposta.

      É provável que o interlocutor sinta-se surpreendido ao perceber que o parceiro estivesse dando termino ao relacionamento, por afirmar que tinha arranjado outra pessoa para confortá-lo. No entanto, deveria se sentir aliviado ao saber, ao final do texto, que esse alguém não era uma pessoa física e sim um sentimento, a saudade.

 08 – Se você fosse o interlocutor desse texto, quais seriam suas reações no decorrer da leitura e como você responderia a ele?

      Resposta pessoal do aluno.