domingo, 18 de fevereiro de 2018

MÚSICA(ATIVIDADES) : PARATODOS - CHICO BUARQUE - COM GABARITO

Música(Atividades): Paratodos

                                              Chico Buarque
O meu pai era paulista
Meu avô, pernambucano
O meu bisavô, mineiro
Meu tataravô, baiano
Meu maestro soberano
Foi Antônio Brasileiro

Foi Antônio Brasileiro
Quem soprou esta toada
Que cobri de redondilhas
Pra seguir minha jornada
E com a vista enevoada
Ver o inferno e maravilhas

Nessas tortuosas trilhas
A viola me redime
Creia, ilustre cavalheiro
Contra fel, moléstia, crime
Use Dorival Caymmi
Vá de Jackson do Pandeiro

Vi cidades, vi dinheiro
Bandoleiros, vi hospícios
Moças feito passarinho
Avoando de edifícios
Fume Ari, cheire Vinícius
Beba Nelson Cavaquinho

Para um coração mesquinho
Contra a solidão agreste
Luiz Gonzaga é tiro certo
Pixinguinha é inconteste
Tome Noel, Cartola, Orestes
Caetano e João Gilberto

Viva Erasmo, Ben, Roberto
Gil e Hermeto, palmas para
Todos os instrumentistas
Salve Edu, Bituca, Nara
Gal, Bethania, Rita, Clara
Evoé, jovens à vista

O meu pai era paulista
Meu avô, pernambucano
O meu bisavô, mineiro
Meu tataravô, baiano
Vou na estrada há muitos anos
Sou um artista brasileiro.

Dorival Caymmi: cantor e compositor baiano.
Enevoada: pouco clara, com dificuldade de enxergar.
Fel: amargo, sentido figurado: palavras de ódio, amargas.
Jackson do Pandeiro: cantor alagoano, compositor de forró e samba, ritmista.
Redimir (redime): livrar de culpa, libertar-se.
Redondilhas: tipo de verso.
Toada: cantiga popular de melodia simples.

Entendendo a canção:
01 – Na letra da canção, o que descobrimos sobre as origens do compositor
      Chico Buarque mostra que tem origem múltipla, resultado de familiares originados de diferentes lugares do Brasil.

02 – O que esse fato deixa evidente sobre a origem dos brasileiros?
      Somos um povo de múltiplas origens, resultado de miscigenação.

03 – Ao citar Antônio Brasileiro, o compositor refere-se a Tom Jobim, de quem lemos um depoimento neste capítulo.
a)   De que forma o compositor se refere a ele?
Chico usa a expressão “Meu maestro soberano”.

b)   O que esse tratamento revela sobre o que o compositor sente por Tom Jobim?
Ao usar esse tratamento percebe-se o respeito e a admiração do compositor por Tom.

04 – Em determinado trecho o eu lírico diz seguir sua jornada.
a)   De que maneira o eu lírico segue sua jornada? Copie o trecho da canção que comprove sua resposta.
O eu lírico segue com a vista turva, conturbada. “E com a vista enevoada”.

b)   No verso seguinte ele confessa o que vê. Que verso é esse?
“Ver o inferno e maravilhas.”

c)   Essa expressão mistura dois elementos opostos. Explique essa oposição.
Quando o eu lírico refere-se a inferno, cita algo ruim. Ao referir-se a maravilhas, cita algo bom.

d)   Conclua: por que o compositor usaria essa oposição ao referir-se ao que vê?
Ele vê coisas ruins e boas, tudo junto.

05 – A quem o eu lírico chama de ilustre cavalheiro?
      Ao ouvinte da canção.

06 – Que conselho é dado pelo eu lírico a quem encontrar pelo caminho “fel, moléstia, crime”?
      O eu lírico aconselha a usar Dorival Caymmi e Jackson do Pandeiro. Os verbos são use e vá.

07 – A linguagem, nesse trecho, está empregada no sentido figurado ou no sentido real? Justifique.
      A linguagem está no modo figurado. O verbo usar é utilizado, em geral, para objetos, não para pessoas.

08 – Levando-se em conta quem é Dorival Caymmi e Jackson do Pandeiro, explique de que maneira é possível atender à recomendação dada.
      A ideia é a de ouvir músicas de Dorival e Jackson para enfrentar situações difíceis. Essas canções serveriam para compensar os momentos ruins.




CONTO: O CASO DO ESPELHO - RICARDO AZEVEDO - COM GABARITO

CONTO: O CASO DO ESPELHO
                Ricardo Azevedo


    Era um homem que não sabia quase nada. Morava longe, numa casinha de sapé esquecida nos cafundós da mata.
    Um dia, precisando ir à cidade, passou em frente a uma loja e viu um espelho pendurado do lado de fora. O homem abriu a boca. Apertou os olhos. Depois gritou, com o espelho nas mãos:
       --- Mas o que é que o retrato de meu pai está fazendo aqui?
       --- Isso é um espelho --- explicou o dono da loja.
       --- Não sei se é espelho ou se não é, só sei que é o retrato do meu pai.
       Os olhos do homem ficaram molhados.
       --- O senhor... conheceu meu pai? --- perguntou ele ao comerciante.
       O dono da loja sorriu. Explicou de novo. Aquilo era só um espelho comum, desses de vidro e moldura de madeira.
       --- É não! --- respondeu o outro. --- Isso é o retrato do meu pai. É ele sim! Olha o rosto dele. Olha a testa. E o cabelo? E o nariz? E aquele sorriso meio sem jeito?
       O homem quis saber o preço. O comerciante sacudiu os ombros e vendeu o espelho, baratinho.
       Naquele dia, o homem que não sabia quase nada entrou em casa todo contente. Guardou cuidadoso o espelho embrulhado na gaveta da penteadeira.
       A mulher ficou só olhando.
       No outro dia, esperou o marido sair para trabalhar e correu para o quarto. Abrindo a gaveta da penteadeira, desembrulhou o espelho, olhou e deu um passo atrás. Fez o sinal-da-cruz tapando a boca com as mãos. Em seguida, guardou o espelho na gaveta e saiu chorando.
       --- Ah, meu Deus! --- gritava ela desnorteada. --- É o retrato de outra mulher! Meu marido não gosta mais de mim! A outra é linda demais! Que olhos bonitos! Que cabeleira solta! Que pele macia! A diaba é mil vezes mais bonita e mais moça do que eu!
       Quando o homem voltou, no fim do dia, achou a casa toda desarrumada. A mulher, chorando sentada no chão, não tinha feito nem comida.
       --- Que foi isso, mulher?
       --- Ah, seu traidor de uma figa! Quem é aquela jararaca lá no retrato?
       --- Que retrato? --- perguntou o marido, surpreso.
       --- Aquele mesmo que você escondeu na gaveta da penteadeira!
       O homem não estava entendendo nada.
       --- Mas aquilo é o retrato do meu pai!
       Indignada, a mulher colocou as mãos no peito:
       --- Cachorro sem-vergonha, miserável! Pensa que eu não sei a diferença entre um velho lazarento e uma jabiraca safada e horrorosa?
       A discussão fervia feito água na chaleira.
       --- Velho lazarento coisa nenhuma! --- gritou o homem, ofendido.
       A mãe da moça morava perto, escutou a gritaria e veio ver o que estava acontecendo. Encontrou a filha chorando feito criança que se perdeu e não consegue mais voltar para casa.
       --- Que é isso, menina?
       --- Aquele cafajeste arranjou outra!
       --- Ela ficou maluca --- berrou o homem, de cara amarrada.
       --- Ontem eu vi ele escondendo um pacote na gaveta lá do quarto, mãe! Hoje, depois que ele saiu, fui ver o que era. Tá lá! É o retrato de outra mulher!
       A boa senhora resolveu, ela mesma, verificar o tal retrato.
       Entrando no quarto, abriu a gaveta, desembrulhou o pacote e espiou. Arregalou os olhos. Olhou de novo. Soltou uma sonora gargalhada.
       --- Só se for o retrato da bisavó dele! A tal fulana é a coisa mais enrugada, feia, velha, cacarenta, murcha, arruinada, desengonçada, capenga, careca, caduca, torta e desdentada que eu já vi até hoje!
       E completou, feliz, abraçando a filha:
       --- Fica tranquila: a bruaca do retrato já está com os dois pés na cova!

                                    AZEVEDO, Ricardo. O caso do espelho. In:
 Nova Escola, Maio 1999.p. 28-9.

Entendendo o texto:
01 – Na situação inicial do conto, há um homem do campo que vai a cidade. Ao passar diante de uma loja, ele comete um engano. Qual foi o engano cometido?
       O engano foi confundir um espelho com um retrato.

02 – Ao se referir-se à personagem como “um homem que não sabia quase nada” e que “morava longe, numa casinha de sapé esquecida nos cafundós da mata”, o narrador dessa história dá pistas, indícios sobre a personagem antes mesmo de o leitor saber o que vai acontecer. Como seria uma pessoa que vivesse como essa personagem: tivesse as mesmas características e habitasse o mesmo ambiente?
       O aluno deve perceber que “não saber quase nada” pode estar relacionado a uma condição cultural, de ingenuidade ou simplicidade na forma de encarar a realidade.

03 – Por que ao olhar o espelho o “homem que não sabia quase nada” achou que estava vendo o retrato do pai?
       Provavelmente, ele era muito parecido com seu pai. Além disso, é possível que ele nunca tivesse se olhado num espelho.

04 – Por que motivo o “homem que não sabia quase nada” continuou teimando que estava olhando para o retrato de seu pai mesmo com a explicação do dono da loja?
       Ele confiava somente no que via, e o fato de não saber o que era um espelho o levava a pensar que se tratava de um retrato.

05 – Para tentar ajudar na difícil situação, a mãe da moça foi verificar o retrato. Transcreva do texto as características que ela atribuiu à imagem que viu.
       Enrugada, feia, velha, cacarenta, murcha, arruinada, desengonçada, capenga, careca, caduca, torta e desdentada.





CRÔNICA: O JUSTO - ARMANDO NOGUEIRA - COM GABARITO

CRÔNICA: O JUSTO
                      Armando Nogueira

    O treinador reuniu a turma no vestiário e escalou doze: onze e o goleiro. O capitão do time estranhou, avisando que havia gente demais.
        O técnico, porém, sustentou a escalação:
        – Isso é problema do juiz, o teu é jogar e tentar ganhar a partida.
        E lá se foi o time para o campo.
       Cinco minutos de jogo, a torcida começou a gritar, alertando o árbitro: “O Pipira tem doze!” O árbitro interrompeu a partida, contou os times e deu uma bronca no capitão que, por sua vez, passou a bola ao treinador:
         – Fala co’home ali.
        O juiz foi ao técnico e mandou retirar de campo o excedente. Uma confusão tremenda na pista. O técnico chamou o árbitro para uma conversa em particular. Saíram dos dois na direção do centro do campo. A torcida, aos berros, descompunha todo mundo pelo atraso.
        Os dois isolados no grande círculo, o técnico pôs a mão no ombro do juiz e entrou nas explicações:
        – O problema é o seguinte: eu sou um homem de cinquenta anos, estreando na profissão. E sou novo aqui na terra. Acontece que, hoje de manhã, o presidente do clube me deu um bocado de nome, pra pôr no time. Dois são protegidos do delegado, quatro do comandante do destacamento, o goleiro é filho do gerente do banco, o presidente diz que os dois ponta-de-lança em que jogar de qualquer maneira. Eu fui escalando, escalando…
        – É, mas passou da conta – diz o árbitro, inflexível.
        – E eu não sei que passou? Ia ser mais. Por sorte, o sobrinho do prefeito amanheceu com o pé inchado e pediu para não jogar. Senão, entravam treze.
        – Bom, mas para começar o jogo, o senhor tem que tirar um… – diz o juiz.
       – Eu, tirar um? Deus me livre! Tira o senhor. Por mim, o time joga com doze. Se o senhor está dificultando, vai lá o senhor e tira um, escolhe lá um. O mais que posso fazer é colaborar com o senhor. Por exemplo, não tire nem o cinco nem o seis que dá bolo com o chefe de polícia. E o pior é que agora eu já confundi tudo: não sei mais se o oito é gente do comandante do destacamento ou se é o filho do gerente do banco…
        O árbitro encarou o técnico do Pipira, enfiou o apito no bolso e saiu como uma fera:
        – Doze contra onze, comigo, não. Doze contra onze, só se me expulsarem da Liga.
        Parou diante do banco dos reservas do Serrinha F. C.  E   dirigiu-se ao técnico, sentencioso como nunca:
        – Carvalho, bota mais um dos teus homens em campo, Carvalho. Eu tenho horror à injustiça!

NOGUEIRA, Armando. Bola na rede. Rio de Janeiro, José Olympio, 1973.

Entendendo o texto:
Depois de ter lido o texto responda às questões abaixo:
01 – O técnico do Pipira, ao escalar o time, baseou-se:
a.(   ) na capacidade de cada jogador                              
b.(   ) nas características dos adversários
c.(X) nas recomendações de seus superiores               
d.(   ) nas suas próprias convicções.

02 – Quais foram as três primeira providências do juiz ao perceber a manifestação da torcida?
a) Interrompeu a partida.
b) Contou os jogadores.
c) Advertiu o capitão do Pipira.

03 – O técnico do Pipira informou que o time entraria em campo cm dois jogarias a mais. Por que entrou com doze e não com treze?
      Porque o sobrinho do prefeito pediu para não jogar pois estava com o pé inchado.

04 – O técnico negou-se a tirar de campo um dos jogadores. Por que não acatou a ordem do juiz?
      Porque não queria desagradar seus superiores preferindo que o juiz agisse em lugar dele.

05 – O que o autor da narração deste episódio quis mostrar com o fato?
      Mostrar a interferência de autoridades no esporte, principalmente no futebol.

06 – Na frase: “O técnico, porém, sustentou a escalação.”  A palavra em destaque significa:
a. (X) confirmou, ratificou o time             
b. (   ) fez as despesas do time
c. (   ) aguentou o peso, escorou o time    
d. (   ) alimentou, nutriu o time.

07 – Localize as palavras, no texto, que tenham estes significados:
a)   Aquele que treina ou dirige os treinos e escala os jogadores.
Treinador e técnico.
b)   Aquele que tem autoridade e poder para julgar e dar sentenças.
Juiz e árbitro.
c)   Jogadores que podem substituir os titulares no decorrer da partida.
Reservas.
d)   Pessoas que incentivam o time, desejando vitória.
Torcida.




ARTIGO DE OPINIÃO: DRAMA INÚTIL - MAGNO DE AGUIAR - COM GABARITO

ARTIGO DE OPINIÃO: DRAMA INÚTIL
                                         Magno de Aguiar

     Para centenas de milhares de jovens está em curso mais um festival nacional da tortura. Trata-se dos vestibulares para ingresso no ensino superior, um conjunto de provas, resultados, matrículas, reclassificações e remanejamentos que, atualmente, levam os jovens e seus familiares a uma situação de intenso estresse.
        É nesta época que a imprensa tradicionalmente se ocupa do vestibular, e, muitas vezes, o aponta como grande causador dos males da educação de nível médio.
        O vestibular já tem 86 anos de história no Brasil e pode, ser considerado um processo esgotado. Mas não pode ser responsabilizado pela má formação dos alunos que chegam à universidade, resultante, entre outros fatores, da massificação do ensino superior, da insuficiência de professores no ensino médio, e da sua má remuneração e do despreparo de muitos deles, bem como da falta generalizada de recursos no ensino público.
        Qualquer pessoa mais atenta sabe que o vestibular, hoje, é mais prova de fôlego, e até mesmo uma seleção elitizante, do que um exame intelectual confiável. Os educadores especializados nessa área já perceberam isso há bastante tempo, e têm introduzido algumas alterações ao longo dos anos, porém com resultados pouco animadores.
        Na verdade, o vestibular é um fato episódico, destinado a medir em dois ou três dias o que o aluno aprendeu ao longo de 11 anos. Na sua forma atual, ele não passa de um mecanismo de seleção e de um diagnóstico do sistema que o precede.
        Está mais do que na hora, portanto, de se adotar mecanismos de seleção mais eficientes e menos estressantes. A nova Lei de Diretrizes e Bases permite que as universidades escolham seu processo seletivo. Está na hora de as universidades colocarem a criatividade para funcionar, buscando alternativas de acesso confiáveis, e que conjuguem capacidade intelectual de indivíduos componentes de minorias com oportunidade de desenvolvimento pessoal e profissional.
        Não é possível desconsiderar grupos minoritários com problemas específicos de natureza socioeconômico e cultural que aspiram à formação em escalas de 3º Grau. Os novos critérios devem assegurar a igualdade de condições para todos os candidatos. Na definição desses novos métodos, não se pode deixar de lado a escola de ensino médio, com a qual a universidade precisa articular-se e trocar experiências.
        É preciso, pois, considerar a existência de testes que meçam aprendizagem ao lado dos que detectam a capacidade de aprender (sinalizadores e preditivos).
        As universidades estão devendo isso à sociedade, para que, de agora em diante, o acesso ao ensino superior passe a ser encarado como um episódio normalíssimo na vida do estudante, e não como um “tudo ou nada”.

             Magno de Aguiar Maranhão é membro do Conselho Estadual de
                 Educação (RJ), reitor do Centro Universitário Augusto Motta (RJ),
                      É pró-reitor acadêmico da Universidade Veiga de Almeida (RJ).

Entendendo o texto:
01 – Quanto ao título, explique a escolha do adjetivo nele ocorrente.
       Por não apresentar consequências positivas, já que é um drama.

02 – Qual a tese defendida pelo autor?
       A instituição Vestibular e o que decorre dele é estressante.

03 – No primeiro parágrafo, de que recurso lança mão o autor para fazer o desdobramento da tese?
       Citações.

04 – Segundo o autor, qual a crítica, feita pela imprensa, sobre a realização de vestibular?
       O Vestibular é gerador de males educacionais do país.

05 – Há, no segundo parágrafo, uma construção frasal que contraria regra gramatical. Transcreva a passagem na qual tal ocorrência se dá.
       O emprego da próclise do pronome “o”: “... e, muitas vezes, o aponta...”.

06 – Embora sem especificar a posição da imprensa sobre o Vestibular, o autor contrapõe-se no terceiro parágrafo, apontando causas para a má formação dos alunos que chegam à Universidade. Cite-as.
       O Vestibular é um processo esgotado, mas não é responsável pela formação do aluno.

07 – Resuma as ideias do quarto parágrafo.
       O Vestibular é extenuante e elitizante e já se procederam a modificações que não são animadoras.

08 – Dando sequência ao seu posicionamento crítico-pessoal, o autor volta a classificar o Vestibular no quinto parágrafo. Elabore um único período. Resuma as ideias nele contidas.
       A forma atual do Vestibular não vai além de um mecanismo de seleção e de um diagnóstico imperfeito.

09 – O sexto parágrafo caracteriza-se por ser antecipador de uma conclusão. Que conclusão é essa a que chega o autor?
        Está na hora de se adotar mecanismo de seleção mais eficiente.

10 – Quanto à sua estrutura, o que representa o sétimo parágrafo em relação ao anterior?
        Mantém com o anterior uma relação de desenvolvimento, comprovação de ideias, ampliação.

11 – Na sua linha argumentativa, o autor apresenta um elemento resultante do atual perfil do Vestibular, associando-o a uma injustiça que o formato do concurso provoca. Que injustiça é essa?
        A de desconsiderar grupos minoritários socioeconomicamente alinhados.

12 – Por que o oitavo parágrafo é um desdobramento do anterior quanto ao conteúdo que expõe?
        Porque desenvolve a ideia que remete do grupo minoritário.

13 – Que tipo de sugestão o autor apresenta no nono parágrafo?
        Sugere que haja uma articulação entre a universidade e a escola de ensino médio.

14 – Em um outro posicionamento conclusivo, no décimo parágrafo o autor aponta uma necessidade no sentido de dar melhor compleição ao Vestibular. Cite-a.
        A posição é que se deva aplicar testes que meçam aprendizagem e a capacidade individual.

15 – Em termos estruturais, o que representa o último parágrafo.
        Representa uma conclusão.

16 – O autor afirma que o vestibular é “um festival nacional de tortura”. Transcreva do texto passagens que, fazendo parte da linha argumentativa, venham a comprovar a tese mencionada.
        “... um conjunto de provas, resultados (...) a uma situação de intenso estresse”.

17 – Você está vivenciando o momento a que se referiu o texto. Você concorda com a posição do autor? Justifique a sua resposta, acrescentando, se for o caso, alguns outros argumentos não utilizados pelo autor.
        Resposta pessoal.

18 – Faça o que se pede em relação aos elementos mencionados do texto “Drama Inútil”.
            a) Substitua por palavras ou expressões de mesmo valor significativo:
     --- do primeiro parágrafo:
1 – “Festival Nacional da Tortura”.
Sessão nacional de estresse.

2 – “Trata-se” / “Para ingresso”.
Diz respeito ao / Para acesso.

--- do terceiro parágrafo:
1 – “Mesmo” / “Esgotado” / “Mas” / “Resultante” / “Bem como”.
Inclusive/Acabado/Porém/Consequente/Assim como.

19 – Dê uma nova redação ao sexto parágrafo.
       Resposta pessoal.



sábado, 17 de fevereiro de 2018

CRÔNICA: SER FILHO É PADECER NO PURGATÓRIO - CARLOS EDUARDO NOVAES- COM GABARITO

CRÔNICA: SER FILHO É PADECER NO PURGATÓRIO
                      Carlos Eduardo Novaes

        – Pssiu, psssiu!
   – Eu? – virou-se Juvenal, apontando o próprio peito.
        – É. O senhor mesmo. – confirmou o comerciante à porta da loja. Venha cá por favor.
        Juvenal aproximou-se. O comerciante inclinou-se sobre ele e, como que lhe segredasse algo, perguntou:
        – O senhor tem mãe?
        – Tenho.
        – Gosta dela?
        – Gosto.
        – Então é com o senhor mesmo que eu quero falar. Vamos entrar. Tenho aqui um presente especial para sua mãe.
        – Tem mesmo? Mas por que o senhor não entrega a ela pessoalmente?
        – Porque ela é sua mãe, não é minha. O senhor é que deve entregar o presente.
        – Está bem. Então o senhor me dá que eu dou pra ela.
        – Dar, não. – corrigiu o comerciante. – Infelizmente, não estamos em condições. As vendas só subiram 75%. Vou ter que lhe vender o presente.
        – Mas eu não estava pensando em comprar um presente agora para minha mãe. O aniversário dela é em novembro.
        – Não é pelo aniversário. É pelo dia das mães.
        – Dias das mães? – repetiu Juvenal, sempre desligado. – Mães de quem?
        – Mães de todos. É depois de amanhã, domingo.
        – É mesmo? E quem disse isso?
        – Bem…
        – Está na Bíblia?
        – Não. Ele foi criado por nós, comerciantes, para permitir que vocês manifestem seu amor e carinho por suas mães.
        – Puxa, vocês são tão legais. Eu não sabia que os comerciantes gostavam tanto da mãe da gente.
        – Pois acredite. E olhe, vou lhe contar um segredo: nós gostamos mais da mãe de vocês do que da nossa.
        – É mesmo? E por que assim?
        – Porque a nossa não deixa lucro. Pelo contrário. Todo ano, no dia das mães, sou obrigado a desfalcar a loja para presenteá-la.

NOVAES, Carlos Eduardo. Juvenal Ouriço repórter. 
Rio de Janeiro, Editora Nórdica, 1977.


Entendendo o texto:
Lido o texto, responda às questões a seguir, assinalando a única opção correta: –
01 – O comerciante perguntou se Juvenal gostava de sua mãe porque queria:
a. (   ) deixá-lo emocionado.           b. (   ) expor seus sentimentos
c. (X) vender-lhe um presente.       d. (   ) saber se ele era um bom filho.

02 – Com esse texto, o autor pretendeu demonstrar que:
a. (   ) merece purgatório quem esquecer o Dias das Mães.
b. (X) o comércio se importa apenas com o lucro das vendas.
c. (   ) o amor filial se torna mais evidente no Dias das Mães.
d. (   ) um único dia no ano é pouco para homenagear as mães.

03 – Em que dia da semana o comerciante conversou com Juvenal?
a. (   ) segunda-feira                b. (   ) domingo             
c. (X) sexta-feira                      d. (   ) quarta-feira.

04 – Em: “… sou obrigado a desfalcar a loja…”, a palavra em    destaque pode ser substituída por:
a. (X) diminuir      b. (   ) desperdiçar      c. (   ) furtar.

05 – Por que Juvenal pareceu surpreso quando o comerciante se referiu ao Dias das Mães?
      Porque Juvenal era desligado.

06 – Pelo que se lê no texto, Juvenal costumava presentear sua mãe? Justifique sua resposta.
      O texto deixa supor que ele só presenteava no dia do seu aniversário.

07 – O comerciante afirma que gosta mais das mães dos outros que da sua. Por quê?
      Porque, segundo o comerciante, as mães dos outros dão lucro para a loja e a dele dá prejuízo.

08 – No trecho abaixo, as palavras em negrito podem ter sido empregadas de maneira imprópria. Corrija o emprego, trocando-as para o lugar certo:
        Quando tentei confirmar meu amor pela Ingrácia, ela não me segredou que falasse e até demonstrou no meu ouvido que aquele momento era impróprio. Eu ainda tentei permitir, dizendo que todo momento era próprio, mas ela manifestou o que dissera e corrigiu certo desagrado pela minha insistência.
        Quando tentei manifestar meu amor pela Ingrácia, ela não me permitiu que falasse e até segredou no meu ouvido que aquele momento era impróprio. Eu ainda tentei corrigir dizendo que todo momento era próprio, mas ela confirmou o que dissera e demonstrou certo desagrado pela minha insistência.