sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

MENSAGEM ESPÍRITA: JUVENTUDE - EURÍPEDES BARSANULFO - COM GABARITO

MENSAGEM ESPÍRITA: Juventude


   Todos sabemos que a juventude no corpo somático pode ser considerada um amanhecer; todavia, é mister receber a madrugada da esperança com harmonia interior, a fim de que a esperança, não se converta em taça de conteúdo ácido ou amargo.
        Juventude é também entusiasmo. No entanto, quando o entusiasmo não frui a condição da experiência, transforma-se em loucura e anarquia.
        Juventude é benção. Entretanto, conduzida pela indisciplina, deixa-se arrastar a lamentáveis perigos.
        Juventude é porta de serviço. A porta, porém, que jaz aberta, ao abandono, transmuda-se em valhacouto de salteadores e vagabundos.
        Juventude é igualmente o amanhã. Não obstante, se o hoje não se edifica sobre os alicerces das ações superiores, o porvir surge assinalado pelas sombras dos remorsos e arrependimentos tardios quanto inoperantes.
        Assim, convém joeirar desde hoje o solo do futuro com as ferramentas da ação nobilitante. Indispensável agir dentro da tônica do Evangelho Restaurado, a fim de que as emoções não desçam ao padrão das sensações primitivas, nem a inteligência venha a jazer subalterna, sob os implementos e impositivos das constrições do passado.
        O espírita é alguém que encontrou a rota. Após a achar, não se pode permitir a posição insensata ou frívola de quem não persegue coisa alguma, anulando-se nas ações intempestivas e desastrosas.
        O espírita é o ser que descobriu tesouros inapreciáveis, não se podendo permitir a veleidade de atirar fora as preciosas gemas auríferas das oportunidades não fruídas.
        Inadiável o dever de seguir e viver o Evangelho puro de Nosso Senhor Jesus Cristo, na sua beleza e seriedade primitivas, conforme os impositivos estabelecidos pelo próprio Rabi Galileu, que até hoje trabalha em regime de tempo integral, a favor da nossa libertação triunfante.
        Jesus, hoje, é o mesmo de ontem, ensinando-nos o comportamento austero em fase das grandes concessões da corrupção hodierna e dos desajustes de toda ordem que campeiam vitoriosos.
        Não nos equivoquemos, nem realizemos a experiência espiritista como se nos encontrássemos sob a compulsória de leis irreversíveis, dominando nossa ignorância. Assumimos um compromisso voluntário antes do berço, responsabilizando-nos pelo desfraldar da bandeira da Boa-nova, numa Humanidade sedenta de paz, bem como concordamos em reacender a tocha do Evangelho Vivo, no momento em que dominam as sombras da perturbação, facultando ao homem entrar em colapso, não obstante as suas conquistas técnicas.
        Este momento é, portanto, de integração no espírito do Cristo.
        Não negaceemos ante o dever; não regateemos esforços.
     Integremo-nos na ação libertadora e marchemos intimoratos e intemeratos, na certeza de que Jesus marcha conosco, esperando que cumpramos com o nosso dever.
        Juventude! O meio-dia começa nos primeiros minutos após a meia-noite, assim como o futuro corre mediante as rodas do presente. É necessário calçar as sandálias da humildade e plasmar, no espírito que tem sede de amor, o código da equidade e da justiça, a fim de que o arrependimento tardio não assinale as horas futuras, após a impulsividade ou a intemperança.
        Avancemos, portanto, servindo, amando e instruindo-nos, porque se o serviço fala da qualidade das nossas convicções, se o amor nos desvela os sentimentos e a instrução nos conduz aos píncaros da sabedoria, só a caridade, como consequência, são as mãos do Cristo, transportando-nos à montanha da sublimação evangélica, onde nos integraremos no vero ideal da felicidade que perseguimos.

                                                              EURÍPEDES BARSANULFO.
                                          Ribeirão Preto, SP, 13 de março de 1971.

Entendendo o texto:
01 – A Juventude no corpo somático pode ser considerado um amanhecer; é mister receber a madrugada da esperança com harmonia interior. O que pode acontecer se não for assim?
      Caso a pessoa não tenha gratidão ao amanhecer, a esperança pode converter-se em taça de conteúdo ácido ou amargo.

02 – Quando é que a Juventude deixa de ser um entusiasmo?
      Quando o entusiasmo não frui e a condição da experiência, transforma-se em loucura e anarquia.

03 – De que maneira a Juventude deixa de ser bênção?
      Quando é conduzida pela indisciplina, deixa-se arrastar a lamentáveis perigos.
04 – A Juventude hoje é igualmente o amanhã? Justifique.
      Não. Se o hoje não foi bem edificado sobre os alicerces das ações superiores. O amanhã surgirão os remorsos e arrependimentos tardios.

05 – Por que é necessário agir dentro da Tônica do Evangelho Restaurado?
      Para que as emoções não desçam ao padrão das sensações primitivas e nem a inteligência venha a ser mandada pelos outros.

06 – Pesquise em um dicionário, o significado das palavras abaixo:
·        Mister: Ser necessário, ofício, profissão, ocupação.
·        Valhacouto: Abrigo, asilo, refúgio.
·        Frívola: Fútil, volúvel, sem valor.
·        Austero: Severo, rigoroso, mortificado, íntegro, sombrio.
·        Hodierna: Moderna, atual.
·        Intimoratos: Sem temor, destemido, intrépido.
·        Intemeratos: Sem mancha, puro, imaculado.
·        Vero: Verdadeiro, veraz.

07 – De acordo com o texto, “O espírita é alguém que encontrou a rota”. O que se deve fazer para continuar “Espírita”?
      Após achar, não se pode permitir a posição insensata de quem não persegue coisa alguma.

08 – Em: “O espírita é o ser que descobriu tesouros inapreciáveis”; Em qual parágrafo está escrito?
      Está no 8ª parágrafo.

09 – O que nos mostra Rabi Galileu, que até hoje trabalha em regime de tempo integral, a favor da nossa libertação triunfante?
      Que é inadiável o dever de seguir e viver o Evangelho puro de Nosso Senhor Jesus Cristo, na sua beleza e seriedade primitivas.

10 – Para você, o Jesus Cristo de hoje, é o mesmo de ontem? explique.
      Resposta pessoal do aluno.

11 – Numere a 2ª coluna de acordo com a 1ª coluna:
1 – Joeirar.
2 – Tônica.
3 – Veleidade.
4 – Auríferas.
5 – Píncaros.
6 – Equidade.
7 – Plasmar.
(3) Desejo efêmero, imperfeito, fantasia, ilusão.
(6) Sentimento de justiça, imparcialidade.
(1) Separar, escolhendo, o que é bom do que é mau.
(4) Que contém ou produz ouro.
(2) Tom básico, assunto predominante.
(7) Modelar, dar forma a alguma coisa, criar.
(5) A parte mais elevada de uma montanha, cume, apogeu, auge.

12 – Juventude! O meio-dia começa nos primeiros minutos após a meia-noite, assim como o futuro corre mediante as rodas do presente. O que é necessário fazer, para termos sucessos?
      É necessário calçar as sandálias da humildade e plasmar, no Espírito que tem sede de amor, o código da equidade e da justiça, a fim de que o arrependimento tardio não assinale as horas futuras, após a impulsividade ou a intemperança.

13 – O que devemos fazer, para que possamos ter as mãos do Cristo, transportando-nos à montanha da Sublimação Evangélica, onde nos integraremos no vero ideal da felicidade que perseguimos?
      Avancemos, portanto, servindo, amando e instruindo-nos, porque se o serviço fala de qualidade das nossas convicções, se o amor nos desvela os sentimentos e a instrução nos conduz aos apogeu da sabedoria e da caridade.



CONTO: GOVERNAR - CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE - COM GABARITO

CONTO: GOVERNAR
                 Carlos Drummond de Andrade


       Os garotos da rua resolveram brincar de Governo, escolheram o Presidente e pediram-lhe que governasse para o bem de todos.
        – Pois não – aceitou Martim. – Daqui por diante vocês farão meus exercícios escolares e eu assino. Clóvis e mais dois de vocês formarão a minha segurança. Januário será meu Ministro da Fazenda e pagará meu lanche.
        – Com que dinheiro? – atalhou Januário.
        – Cada um de vocês contribuirá com um cruzeiro por dia para a caixinha do Governo.
        – E que é que nós lucramos com isso? – perguntaram em coro.
        – Lucram a certeza de que têm um bom Presidente. Eu separo as brigas, distribuo tarefas, trato de igual para igual com os professores. Vocês obedecem, democraticamente.
        – Assim não vale. O Presidente deve ser nosso servidor, ou pelo menos saber que todos somos iguais a ele. Queremos vantagens.
        – Eu sou o Presidente e não posso ser igual a vocês, que são presididos. Se exigirem coisas de mim, serão multados e perderão o direito de participar da minha comitiva nas festas. Pensam que ser Presidente é moleza? Já estou sentindo como este cargo é cheio de espinhos.
        Foi deposto, e dissolvida a República.

Carlos Drummond de Andrade. Contos Plausíveis. Rio de Janeiro, Record.

Entendendo o texto:
Após a leitura do texto, responda às questões:
01 Quais são as personagens da narração?
Martim, Clóvis, Januário e mais dois garotos citados no texto. O texto passa a ideia de que o grupo de garotos é maior, mas não informa quantos.

02 Quem é personagem principal, isto é, o protagonista da história?
Martim.

03 – O que eles resolveram fazer?
Resolveram brincar de Governo.

04 – Por que o Presidente foi deposto?
Porque os meninos viram que ele só queria ser servido e não servir ao grupo; que ele se achava superior ao grupo e ainda exigia coisas ilegais como alguém pagar por suas despesas particulares (lanches) e fazer os seus deveres (tarefas escolares).

05 – Assinale as características do presidente que o texto apresenta:
     a. (X) mandão
     b. (X) autoritário
     c. (   ) democrático
     d. (   ) justo
     e. (X) egoísta.

06 – Que outro título você daria ao texto?
Resposta individual. O título deve ter relação com o assunto do texto.

     07 – Escreva sim ou não, de acordo com o texto:
     a. (Não) As autoridades devem aproveitar-se de seus cargos para tirar benefícios próprios.
     b. (Sim) As autoridades devem agir para o bem de todos, sem se aproveitarem do cargo para benefícios próprios.

     08 – Justifique sua resposta à questão 7.
           A justificativa das duas alternativas (a = não   / b = sim) deve apresentar argumentos que as sustentem, inclusive ilustradas com situações concretas.

     09 – Se você fosse Prefeito da sua cidade, o que faria para beneficiar as pessoas que moram nela?
      Resposta pessoal do aluno.





FÁBULA: A MUTUCA E O LEÃO - MONTEIRO LOBATO - COM GABARITO

FÁBULA: A MUTUCA E O LEÃO
                    MONTEIRO LOBATO


Cochilava o leão à porta de sua caverna no momento em que a mutuca chegou.
– Que vens fazer aqui, miserável bichinho? Some-te, retira-te da presença do rei dos animais!
A mutuca riu-se.
– Rei? Não és rei para mim. Não conheço tua força, nem tenho medo de ti.
– Vai-te, excremento da terra!
– Vou, mas é tirar-te a prosa – disse a mutuca.
E atacou-o a ferroadas com tamanha insistência que o leão desesperou. Inutilmente espojava-se e sovava-se a si próprio com a cauda ou tabefes das patas possantes. A mutuca fugia sempre e, ora no focinho, ora na orelha, ora no lombo, fincava-lhe sem dó o adunco ferrão.
Farta, por fim, de torturar o orgulhoso rei, a mutuca basofiou:
– Conheceste a minha força? Viste como de nada vale para mim o teu prestígio de rei? Adeus. Fica-te aí a arder que eu vou contar a toda a bicharada a história do leão sovado pela mutuca.
E foi-se.
Logo adiante, porém, esbarrou numa teia, enredou-se e morreu no ferrão da aranha.

Moral da históriaSão mais de temer os pequenos inimigo do que os grandes.

Monteiro Lobato. Fábulas. Brasiliense, São Paulo.

Entendendo o texto:
01 – Relacione a palavra da primeira coluna ao significado apresentado no texto:
1. adunco                       a. (6) surrar, bater
2. basofiar                      b. (5) enroscar-se, emaranhar-se
3. espojar-se                  c. (4) fezes
4. excremento                d. (3) estender-se; rebolar-se no chão
5. enredar-se                  e. (2) gabar-se, vangloriar-se, orgulhar-se
6. sovar                           f. (1) curvo, em forma de gancho.

02 – Quais são os personagens do texto?
      A Mutuca e o Leão.

03 – Entre as qualidades a seguir, assinale quais as que caracterizam melhor o leão:
(X) forte             (X) orgulhoso              (X) convencido    
(   ) medroso            (   ) tímido

04 – Entre as qualidades a seguir, assinale as que caracterizam melhor a mutuca;
(X) corajosa            (X) esperta               (   ) covarde    
(X) desafiante         (X) torturadora.

05 – Das qualidades abaixo, quais são comuns às duas personagens?
(   ) humildade              (   ) respeito   
(X) orgulho                   (X) agressividade.

06 – Explique o que o autor quis dizer com: “São mais de temer os pequenos inimigos do que os grandes.”
      Que é preciso conhecer bem as pessoas ou estar atento às coisas, para que não se entre em situações perigosas. Além do que a atitude de gabar-se, vangloriar-se produz antipatia em torno de quem se conduz assim e na hora do perigo é possível que esse não tenha a ajuda de outros por considerarem que não merece. Há pessoas que menosprezam e desafiam os poderosos, mas não veem que seu inimigo está bem perto e apresenta-se como pequeno e aparentemente inofensivo.

07 – Conte uma situação que você conhece e que ilustra a moral da fábula que você acabou de ler.
      Existem muitas situações que podem ilustrar essa fábula. Damos algumas: o uso do cigarro, de drogas psicotrópicas, do álcool.




CRÔNICA: O VILARES - VIRIATO CORREA - COM GABARITO

CRÔNICA: O VILARES
                 Viriato Correa

   Havia, no colégio, três companheiros desagradáveis. Um deles era o Vilares. Menino forte, cara bexigosa, com um modo especial de carregar e de franzir as sobrancelhas autoritariamente. 
      Parecia ter nascido para senhor do mundo. No recreio queria dirigir as brincadeiras e mandar em todos nós. Se a sua vontade não predominava, acabava brigando e desmanchava o brinquedo. Simplesmente insuportável. Ninguém, a não ser ele, sabia nada; sem ele talvez não existisse o mundo. Vivia censurando os companheiros, metendo-se onde não era chamado, implicando com um e com outro, mandando sempre. (…)

        Não tinha um amigo. A meninada do curso primário movia-lhe a guerra surda. E, um dia, os mais taludos se revoltaram e deram-lhe uma sova. Foi um escândalo no colégio. O vigilante levou-os ao gabinete do diretor. O velho Lobato repreendeu-os fortemente. Mais tarde, porém, chamou o Vilares e o repreendeu também. Eu estava no gabinete e ouvi tudo.
        – É necessário mudar esse feitio, menino. Você, entre os seus colegas, é uma espécie de galo de terreiro. Quer sempre impor a sua vontade, quer mandar em toda a gente. Isso é antipático. Isso é feio. Isso é mau. Caminha-se mais facilmente numa estrada lisa do que numa estrada cheia de pedras e buracos. Você, com essa maneira autoritária, está cavando buracos e amontoando pedras na estrada de sua vida.
        E, continuando:
        – Você gosta de mandar. Mas é preciso lembrar-se de que ninguém gosta de ser mandado. Desde que o mundo é mundo, a humanidade luta para ser livre. O sentimento de liberdade nasce com o homem e do homem não sai nunca. É um sentimento tão natural, que os próprios irracionais o possuem. E louco será, meu filho, quem tiver a pretensão de modificar sentimentos dessa ordem. Ou você muda de feitio, ou você muito terá que sofrer na vida.

(VIRIATO CORREA. Cazuza. São Paulo, Editora Nacional)

Entendendo o texto:
Após a leitura do texto responda às questões:

01 – Assinale a alternativa que combina com o texto.
a. (   ) O texto é sério, porque relata um acontecimento desagradável.
b. (X) É formativo porque, através do diretor do colégio, mostra como se deve corrigir um comportamento reprovável.
c. (   ) É um texto cômico, engraçado.

02 – Quais são as personagens do texto?
      Um menino de nome Vilares e dois companheiros seus; o velho Lobato, que era o diretor da escola; o vigilante; os alunos do curso primário; o narrador da história.

03 – Assinale a alternativa correta:
a. (   ) O narrador não é personagem do texto.
b. (X) O narrador é personagem do texto, porque ele se inclui entre as pessoas que participam da história.
c. (   ) Não existe narrador nesta história.

04 – Quem é o protagonista, isto é, o personagem principal da história?
      O menino Vilares.

05 – O autor descreve o Vilares informando algumas características dele. Transcreva a parte do texto em que o narrador descreve os aspectos físicos do Vilares.
      “Menino forte, cara bexigosa, com um modo especial de carregar e de franzir as sobrancelhas autoritariamente.”

06 – Identifique, de acordo com o texto, entre as características psicológicas dadas abaixo, as que se encaixam no personagem Vilares.
Humilde –
briguentometido – tolerante – sabichãoinsuportável – cordial – bondoso – autoritárioimplicante – simpático – antipáticodesagradávelegoísta – quieto.

07 – No texto, o diretor usou três frases para caracterizar o autoritarismo do Vilares. Assinale-as:
a. (X) “… é uma espécie de galo de terreiro.”
b. (   ) “Caminha-se mais facilmente numa estrada lisa”.
c. (X) “Quer sempre impor a sua vontade.”
d. (X) “… quer mandar em toda a gente.”
e. (   ) “… ninguém gosta de ser mandado.”

08 – Que outro título você daria ao texto?
      Resposta individual, porém deverá ter conexão com o assunto do texto.

09 – Assinale as alternativas que resumem as mensagens do texto:
a. (X) A convivência com uma pessoa autoritária é desagradável.
b. (   ) A meninada da escola costuma mover guerra surda.
c. (   ) Os diretores são autoritários em suas repreensões.
d. (X) As pessoas têm um forte sentimento de liberdade e geralmente não aceitam as imposições das pessoas autoritárias e mandonas.

10 – Faça uma pequena redação que tenha o mesmo assunto do texto que você acabou de ler.
      O tema da história em questão é autoritarismo. A redação deve explorar esse assunto que pode ser feita através de um relato vivido ou conhecido pelo aluno, ou ainda expressar a sua opinião a respeito. O aluno deverá mostrar sua redação para alguém que possa ajudá-lo a melhorar suas ideias e corrigir erros gramaticais cometidos.




quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

EDITORIAL: PARA EVITAR UMA DEMOCRACIA CORRUPTA - FOLHA DE SÃO PAULO - COM GABARITO

PARA EVITAR UMA DEMOCRACIA CORRUPTA


    A revelação de que dois deputados federais receberam dinheiro para votar a favor da emenda da reeleição confirma o que todos suspeitavam – sem que houvesse provas – desde janeiro, quando ela foi aprovada pela câmara. Houve negociações de todo tipo, numa gama que vai da legitimidade duvidosa até a pura e simples corrupção.
   Este jornal apoio o direito de o presidente da República disputar um mandato consecutivo nas urnas, embora preferisse que tal mudança de regra fosse decidida em plebiscito. Essa teria sido a fórmula mais democrática e a única capaz de evitar que episódios patéticos, como os revelados agora pelo repórter Fernando Rodrigues, comprometessem a tese.
        Infelizmente, apenas a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito destinada a apurar as responsabilidades e identificar os infratores devolverá, ao trâmite da emenda que faculta a reeleição, o mínimo de legitimidade de que ela precisa para merecer o respeito da opinião pública.
        Sabemos que CPIs tendem a se transformar em palco de exibicionismo demagógico e que a convocação de mais uma delas desviará as atenções do fundamental: as reformas na estrutura do Estado, que o governo corretamente pleiteia e que o Congresso tarda em discutir e aprovar. Mas não há opção.
        Seja para não perdemos o passo da evolução internacional, seja para preservarmos a estabilidade, é imprescindível que as contas públicas sejam saneadas e o Estado atue com mais racionalidade e promova justiça social. Em suas linhas gerais, a Folha tem apoiado o programa de privatização e as propostas de reforma administrativa, fiscal e previdenciária.
        Mas não basta modernizar a economia, é preciso melhorar a política, aumentar sua transparência, corrigir suas mazelas.
        Este jornal acredita cumprir sua tarefa ao publicar informações relevantes, amparadas em provas. Caberá as instituições agir sem condescendência, se não queremos uma modernização de fachada e uma democracia corrupta.

                                         Editorial – Folha de São Paulo, 18 de abril de 1997.

Entendendo o texto:
01 – Esse texto é um exemplo de um editorial. Seção do formal em que são expressas as opiniões do editor-chefe ou do proprietário do formal a respeito dos principais acontecimentos tratados numa determinada edição.
        O editorial é o parecer particular, a opinião pessoal do editor. A partir dessas informações, responda:

           a) Dentre as modalidades discursivas – dissertativa, narrativa, descritiva – qual delas o texto representa por definição e composição? Justifique.
      Preponderantemente dissertativo, já que encerra opinião do editor.

           b) Qual o assunto-base de que trata o texto?
      A corrupção.

           c)     Qual o tema abordado?
      Por uma democracia sem corrupção.

           d) Qual a tese defendida pelo editor?
      Sem que o Governo aja com firmeza, não estabeleceremos uma democracia sem corrupção.

           e) Em qual argumento fundamental se apoia o autor, para sustentar a sua tese?
      A necessidade de reformas na estrutura do Estado.

    02 – O texto apresenta três partes bem definidas:
           a) Há uma síntese do assunto, em que o jornalista põe o leitor a par dos fatos. Que fatos são esses?
      A síntese: a denúncia de que dois deputados federais foram subornados, a fim de votar a favor da emenda da reeleição, aprovada em janeiro pela Câmara.

           b) No corpo do texto o autor revela a linha de pensamento do jornal. Que ações são defendidas pelo jornal?
      O corpo: apoia o direito de o presidente da república disputar a reeleição; sugeriu uma CPI par apurar as irregularidades; apela pela justiça social; aprova e confia no Governo quanto às suas decisões de privatizar e fazer reformas.

           c) Na conclusão, o autor expõe suas expectativas e leva o leitor a refletir sobre as posições editoriais apresentadas. Qual(is) é(são) a(s) expectativa(s) do formal?
      A conclusão: o editor espera que as instituições ajam sem condescendência.

    03 – A respeito do título:
          a) A oração constituinte do título possui que valor expressivo?
      Finalidade.

          b) Que reescritura ele receberia, se acrescentássemos uma conjunção e empregássemos o verbo numa forma do modo indicativo, sem que alterássemos o sentido da frase?
      Para que se evite uma democracia corrupta.

          c) Que frase do último parágrafo poderia ser agregada ao título, dando sentido completo, resumindo, dessa forma, o pensamento global editorial?
      Para evitar uma democracia corrupta, caberá às instituições agir sem condescendência.

   04 – No segundo e no quinto parágrafo, o autor faz uso da metonímia na sua comunicação, para indicar ações e posições assumidas. Transcreva essas passagens em referência.
       Este jornal apoiou “... a Folha tem apoiado...”

   05 – “Caberá às instituições agir sem condescendência...” Em relação à expressão sublinhada na frase acima:
a)   Justifique a ocorrência da crase.
       A crase ocorre em função da predicação do verbo “caber”, que exige complemento acompanhado pela preposição “a”, e esse complemento está representado por vocábulo feminino no plural.

b)   Classifique-a sintaticamente.
       Objeto indireto.

   06 – “... é imprescindível / que as contas públicas sejam saneadas / e o Estado atue com mais racionalidade / e / promova a justiça social.”
       A estrutura sintática registrada no trecho acima, constante no quinto parágrafo, é também encontrada no parágrafo seguinte. Transcreva o trecho em que se constata situação de mesmo valor sintático no parágrafo citado.
       “... é preciso melhorar a política, aumentar sua transparência, corrigir suas mazelas”.

   07 – No segundo parágrafo, o autor, ao expor o posicionamento filosófico do jornal, faz uma ressalva. A propósito:
a)   Qual é essa ressalva a que nos referimos?
      O jornal preferia que a mudança de regra a que faz referência fosse decidida através de plebiscito.

b)   Que elemento de coesão ocorre nessa situação e qual o seu valor semântico?
     “Embora” – valor concessivo.

   08 – Explique o emprego dos pronomes “estes” e “essa” que ocorrem no segundo parágrafo.
       O pronome “este” foi empregado para designar o jornal do qual ele, editor, faz parte, é integrante, participante, ou em que se encontra. Já o outro, “esse”, retoma a tal fórmula, o plebiscito, trazendo-o de volta ao texto.

   09 – A respeito da passagem “sem que houvesse provas”:
            a) Explique o emprego dos travessões que a destaca.
       Separa, dá destaque, a uma interferência do editor, com o sentido de emprestar um esclarecimento necessário ao conjunto de ideias apresentado.

            b) Substitua a expressão “sem que” por outra de igual valor.
       Mesmo que não / ainda que não.

            c) Reescreva a frase substituindo o verbo haver pelo verbo existir, e comente a mudança sintática processada na estrutura frasal.
Sem que existissem provas.
       Com a presença do verbo haver, na frase original, decorre a função sintática do objeto direto, representado pelo vocábulo “provas”, e a inexistência de um sujeito na oração. Com a reescritura, o verbo existir, porque possui uma outra predicação, não exige complemento e expõe o termo “provas”, agora como sujeito.

   10 – O texto não é abundante quanto a imagens produzidas por conotações, mas registra algumas imagens que merecem ser decodificadas. Então, decodifique-as:
         a) “Sabemos que CPIs tendem a se transformar em palco de exibicionismo demagógico...”
      Palco – lugar da cena, local para apresentar.

           b) “... se não queremos uma modernização de fachada...”.
      Fachada – aparência, sem consistência, sem valor real.