quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

TEXTO: VIAJANDO COM OS POETAS ROMÂNTICOS BRASILEIROS - MARISA LAJOLO - COM GABARITO

Viajando com os poetas românticos brasileiros
                 Marisa Lajolo


        O Romantismo foi um estilo de arte. Foi a moda dominante na Europa de meados do século XVIII até a metade do século XIX. A arte romântica valorizava o indivíduo, dava rédea solta à imaginação, exprimia sentimentos íntimos, expressa ideias de liberdade, buscava as raízes dos diferentes povos.
        Parece que é por valorizar o indivíduo e os sentimentos que a expressão romantismo (e todas as palavras daí derivadas) acabou desenvolvendo o significado mais coerente que tem hoje, de clima, de estado de espírito sentimental, afetivo, apaixonado. Como se canta na música popular, por exemplo.
        Enquanto estilo artístico, o Romantismo chegou ao Brasil logo depois da Independência e prolongou-se até quase o final do século XIX. A literatura romântica muito contribuiu para a construção da imagem do Brasil independente. O romance romântico ensinou o Brasil a ler histórias que tinham por cenário a paisagem carioca em vez de capitais europeias como Lisboa ou Londres. E a poesia romântica, além de também exaltar a paisagem nacional, foi responsável pelas primeiras e sugestivas imagens do povo e da cultura brasileiros.
        Sem sotaque lusitano, escrita num português já abrasileirado, sonoro e muito musical, a poesia romântica pôde circular bem num país com um baixo índice de leitores como era o Brasil do século XIX. Mais do que a prosa, a poesia presta-se a ser lida e ouvida coletivamente, a ser declamada de memória.
        [...] A poesia romântica tem entre seus temas a celebração das diferentes etnias que constituem o povo brasileiro. Índios, africanos e brancos serviram de inspiração a homens e mulheres - brancos, negros e mestiços - que foram construindo a identidade plural brasileira.
        Com Gonçalves Dias, a poesia celebra a América anterior ao descobrimento; [...]. Em Luís Gama ecoa o vivo protesto pelo preconceito racial, e a poesia de Castro Alves inspira-se em movimentos antiescravistas.
        Além desses temas mais coletivos, a expressão de individualidade e a confissão intimista são também temas românticos. E esse foi um outro caminho para os escritores brasileiros conquistarem seu público. [...] Casimiro de Abreu e Álvares de Azevedo escreveram poemas líricos [...].
        Foi assim, com o Romantismo, que a literatura brasileira tornou-se uma linguagem na qual aprendemos a nos exprimir, quer enquanto povo mestiço de diferentes etnias, quer enquanto indivíduos com diferentes sonhos de felicidade. [...]

LAJOLO, Marisa. Apresentação. In: Poesia romântica brasileira. São Paulo: Moderna/FNDE, 2003. p.3-4. (Palavra da Gente, EJA, 4).

Entendendo o texto?
01 – Qual é o objetivo do texto "Viajando com os poetas românticos brasileiros"?
      Ensinar e dar informações a respeito do Romantismo como estilo de arte e do Romantismo literário brasileiro.

02 – Segundo o texto, em que período predominou o Romantismo brasileiro?
      Iniciou-se após a independência do Brasil e prolongou-se até quase o final do século XIX. (Comente com os alunos que estudiosos do assunto consideram algumas obras do Arcadismo brasileiro como pré-românticas.)

03 – Qual é a relação que a autora estabelece entre a Independência do Brasil e o Romantismo brasileiro?
      Segundo a autora, a literatura romântica contribuiu para a construção da imagem do Brasil independente.

04 – Segundo o texto, quais são as principais características da poesia brasileira produzida no Romantismo?
      Busca das raízes das diferentes etnias que compõem o povo brasileiro; emprego da língua "abrasileirada"; exaltação da paisagem brasileira; denúncia da escravidão - todas as características que favorecem a construção da plural identidade brasileira. 

05 – Leia e explique o trecho a seguir: "[...] a poesia romântica pôde circular bem num país com um baixo índice de leitores como era o Brasil do século XIX."
      A autora atribui a circulação da poesia romântica brasileira, mesmo com um baixo índice de leitores, ao uso do português abrasileirado ("sem sotaque lusitano"); à sonoridade e à melodia da poesia; à facilidade para ser lida e ouvida coletivamente e declamada, de memória.

06 – Segundo a autora, qual foi a importância da prosa romântica no Brasil?
      O romance romântico teria ensinado o brasileiro a ler histórias que se passavam no Brasil, que tinham como cenário a paisagem carioca em vez de capitais europeias.

 07 – Segundo o texto que você leu, assinale as alternativas que estão relacionadas ao movimento romântico. Justifique.
a)   Expressão de sentimentos íntimos (subjetivismo).
b) Negação da liberdade da linguagem e dos temas nativos.
     c) Idealização da infância e valorização do indivíduo.
     d) Incorporação de temas sociais e políticos.
     e) Exaltação da diversidade cultural e da liberdade.

     Exemplo de Justificativa: durante o Romantismo ocorre a valorização da linguagem e a exaltação dos temas nativos. Apesar de a valorização da infância ser tema presentes em obras românticas, isso não foi mencionado no texto.
 
08 – Leia as proposições a seguir e assinale as alternativas corretas.
a)   A poesia romântica brasileira difundiu-se entre o público graças a características como sonoridade e sotaque próprios.
b)   A literatura romântica ajuda a construir a imagem de país independente.
c)   O cenário urbano brasileiro é retratado em romances da época.
Todas as proposições estão corretas.






ARTIGO DE OPINIÃO : CRIANÇAS NO SINAL - JORNAL O GLOBO - COM GABARITO


ARTIGO DE OPINIÃO - CRIANÇAS NO SINAL


     É o poder aquisitivo da população que atrai para as ruas da Zona Sul mendigos de todas as regiões do Rio e até de outros municípios do Estado. No entanto pelas estimativas da Secretaria de Desenvolvimento Social, o número total de famílias que fica nas ruas não passaria de 70, algo como 350 pessoas.
        A operação Zona Sul Urgente, que a prefeitura acabou de pôr em prática para enfrentar o problema, já começa a dar resultados. Conta com a ajuda da Guarda Municipal necessária porque há resistência dos mendigos; mas também participam ativamente do programa educadores sociais, assistentes sociais e psicólogos.

        Hoje, a criança inspira pena; amanhã, poderá inspirar medo.

        No último fim de semana foram recolhidas quatro famílias (num total de 36 pessoas), uma das quais foi enviada para o abrigo no Alto da Boa Vista. As outras três não moravam nas ruas: tinham casas, e para lá voltaram, depois de receberem uma bolsa de alimentação.
        Dentro desse pequeno drama há um drama bem grande, que finalmente, ao que parece, vai ser combatido para valer: o da exploração de crianças. Estima-se que mais da metade dos mendigos da Zona Sul seja menores de idade. Mesmo para quem está perfeitamente cônscio que é sempre melhor não dar esmola, é difícil resistir ao ar infeliz do menino ou da menina que vende chicletes no sinal de trânsito. É essa caridade equivocada que é explorada, agravando e perpetuando o problema.
        Hoje, a criança inspira pena; amanhã, como observa a secretaria de Desenvolvimento Social, Wanda Engel, poderá inspirar medo.
        As autoridades municipais estão corretas ao montar, paralelamente à operação Zona Sul Urgente, uma campanha com o objetivo de convencer a população a não dar esmolas. Mas é bom não confiar muito em seus efeitos, e sim na ação concreta de resolver os mendigos.
        Não são muitos, são até bem poucos, e, como a experiência tem mostrado, na maioria dos casos não vivem realmente nas ruas. A operação, assim, tem todas as condições de dar certo, desde que não se limite a um esforço ocasional.

                                                                Jornal O Globo, 14/10/1998.

01 – Qual a tese que o autor do texto defendeu?
       O poder aquisitivo da população da zona sul atrai pessoas em condição de rua de vários pontos do Estado.

02 – A tese foi articulada a partir da relação de causa e consequência.
a)   Qual a consequência apresentada?
      A vinda das pessoas em condição de rua.

b)   Qual a causa apresentada para tal fato, constante da resposta “A”?
      O poder aquisitivo da população da zona sul.

03 – Explique o emprego da palavra “até” no primeiro parágrafo.
       Inclui mendigos (inclusão).

04 – Por que motivo o autor, ainda no primeiro parágrafo, empregou o conector “no entanto”?
       Para apresentar posição contrária (porém suavizadora).

05 – Que posição o autor assume para defender a diminuição (ou extinção) dos mendigos nos sinais de trânsito?
       Não dar esmolas.

06 – Sobre a Operação Zona Sul Urgente, Qual o ponto de vista do autor?
      O autor está de acordo, mas acrescenta que outras medidas devem ser assumidas, como não dar esmolas, por exemplo.

07 – Para fundamentar seus argumentos, de que elementos se utiliza o autor?
       Dados estatísticos, exemplos.

08 – Na opinião do autor, qual o maior drama, componente da situação em questão?
       A caridade equivocada e não resistir ao ar infeliz dos menores em situação de rua.

09 – Sobre o texto:
        “É essa caridade equivocada que é explorada,
         Agravando e perpetuando o problema”.
       Pergunta-se:
           a) Qual ideia o termo “essa” recupera?
      Não resistir ao ar infeliz dos menores mendigos.

           b) A que “problema” o autor se refere?
      Exploração de menores.

           c) Como ficaria o trecho se eliminássemos a expressão “É... que....”, usássemos conector conclusivo nas orações de verbo no gerúndio?
      Essa caridade é equivocada e é explorada; logo, agrava e perpetua o problema.

10 – Acima do que o autor aprova, porque considera válido, Há uma posição firmada sobre a ação a ser praticada quanto à permanência de mendigos na rua. Qual é essa posição?
        Fazer campanha para não dar esmolas.

11– Sobre as ideias do texto:
    a) Você concorda com a tese do autor?
    (   ) Sim.              (    ) Não               (    ) Parcialmente.
     Resposta pessoal.

         b) Redija uma tese sobre o assunto:
     Resposta pessoal.

12 – Que argumentos você usaria para fundamentar sua tese?
     Resposta pessoal.

13 – Supondo que você tenha aprovado integralmente tudo o que foi colocado pelo autor do texto, reescreva (resumindo) o último parágrafo, mantendo a ideologia nele contida.
     Resposta pessoal.

FÁBULA: A CAUSA DA CHUVA - MILLÔR FERNANDES - COM GABARITO

FÁBULA: A CAUSA DA CHUVA
                      MILLÔR FERNANDES

        Não chovia há muitos e muitos meses, de modo que os animais ficaram inquietos. Uns diziam que ia chover logo, outros diziam que ainda ia demorar. Mas não chegavam a uma conclusão.
        – Chove só quando a água cai do teto do meu galinheiro, esclareceu a galinha.
        – Ora, que bobagem! disse o sapo de dentro da lagoa. Chove quando a água da lagoa começa a borbulhar suas gotinhas.
        – Como assim? disse a lebre. Está visto que chove quando as folhas das árvores começam a deixar cair as gotas d’água que tem dentro.
        Nesse momento começou a chover.
        – Viram? gritou a galinha. O teto do meu galinheiro está pingando. Isso é chuva!
        – Ora, não vê que a chuva é a água da lagoa borbulhando? disse o sapo.
        – Mas, como assim? tornava a lebre. Parecem cegos? Não veem que a água cai das folhas das árvores?

                                                Millôr Fernandes. Fábulas Fabulosas.
Entendendo o texto:
Assinale a única opção correta de acordo com o texto:
01 – Percebe-se claramente que a causa principal da inquietação dos animais era:
a.(   ) a chuva que caía
b.(X) a falta de chuva    
c.(   ) as discussões sobre animais
d.(   ) a conclusão  a que chegaram.

02 – A resposta à questão 1 é evidenciada pela seguinte frase do texto:
a.(   ) “Uns diziam que ia chover…”.
b.(   ) “… outros diziam que ainda ia demorar.”
c.(   ) “Mas não chegavam a uma conclusão.”
d.(
X) “Não chovia há muitos e muitos meses.”

03 – O sapo achou que o esclarecimento feito pela galinha era:
a.(   ) correto 
b.(   ) aceitável  
c.(X) absurdo  
d.(   ) científico.

04 – A expressão do texto que justifica a resposta da questão 3 é:
a.(   ) “Como assim?”.
b.(   ) “Viram?”.   
c.(X) “Ora, que bobagem!”.
d.(   ) “Parecem cegos?”.

05 – A atitude da lebre diante das explicações dadas pelos outros animais foi de:
a.(   ) dúvida interrogativa  
b.(   ) aceitação resignada    
c.(   ) conformismo exagerado       
d.(
X) negação peremptória.

06 – Expressão do texto que confirma a resposta à questão 5 é:
a.(X) “Como assim?”.
b.(   ) “Viram?”.  
c.(   ) “Ora, que bobagem!”.
d.(   ) “Parecem cegos?”.

07 – A fábula de Millôr Fernandes é uma afirmativa de que:
a.(  ) as pessoas julgam os fatos pela aparência
b.(X) cada pessoa vê as coisas conforme o seu estado e seu ponto de vista
c.(   ) todos tem uma visão intuitiva dos fenômenos naturais
d.(   ) o mundo é repleto de cientistas

08 – O relato nos leva a concluir que:
a.(   ) a galinha tinha razão
b.(   ) a razão estava com o sapo
c.(   ) A lebre julgava-se dona da verdade.
d.(
X) as opiniões estavam objetivamente erradas.

09 – Cada um dos animais teve sua afirmação satisfeita quando:
a.(   ) a discussão terminou
b.(   ) chegaram a um acordo
c.(
X) começou a chover
d.(   ) foram apartados por outro animal.

10 – Toda fábula encerra um ensinamento. Podemos sintetizar o ensino desta fábula através da frase:
a.(   ) A mentira tem pernas curtas.
b.(
X) As aparência enganam.
c.(   ) Água mole em pedra dura tanto bate até que fura.
d.(   ) Não julgueis e não sereis julgados.


quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

ARTIGO DE OPINIÃO: OS MUITOS FANTASMAS - CLÓVIS ROSSI - COM GABARITO

ARTIGO DE OPINIÃO: OS MUITOS FANTASMAS
                                          Clóvis Rossi


     O encontro de ontem entre o presidente da Federação da Indústria do Estado de São Paulo, Mário Amato, e o presidente da Central Única dos trabalhadores, Jair Meneguelli, em torno de uma pauta comum de combate à inflação é revelador do tamanho que ganhou o fantasma da disparada de preços.
  Meneguelli e Amato, representantes de um pedaço expressivo da sociedade, têm tão tremendas diferenças de opinião a respeito de quase tudo que seria inimaginável vê-los discutindo com proveito qualquer coisa. Mas a presença de um inimigo comum, externo a ambos, colocou-os lado a lado, o que é primeiro passo positivo.
        O problema é que subsistem outros fantasmas, além da inflação, a travar p aprofundamento dos contados entre sindicalistas e empresários. Vicente Paulo da Silva, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo, aponta um deles: “Os empresários são contraditórios. falam em pacto, mas gastam um dinheiro para tentar remover da Constituição direitos sociais mínimos”.
        Vicentinho pede “um gesto concreto” de Mário Amato na direção do atendimento de reivindicações dos sindicatos.
        Entre os dois outros interlocutores da mesa tripartite de um pacto contra a inflação, empresário e o governo, pesa a mesma sombra de desconfiança. Os empresários acham que o governo não faz o que deve, em matéria de corte do déficit público, enquanto o governo jura que está fazendo tudo o que pode.
        Também entre governo e sindicalistas, há uma óbvia desconfiança, a ponto de Vicentinho generalizar. “Falta credibilidade tanto por parte do governo como por parte do empresário”. É muito possível que os empresários e o governo achem que a mesma credibilidade deles exigida falte aos líderes sindicais.
        Fica difícil, nesse terreno pantanoso, caminhar na direção de um acordo que abata o inimigo comum, a inflação. A única perspectiva é a constatação de que algo precisa ser feito, porque mesmo as mais negras previsões feitas até o fim do primeiro semestre começam a ser atropeladas por uma realidade ainda mais feia.

                       Clóvis Rossi – Folha de São Paulo: A-2, 20 jul. 1998.

Entendendo o texto:

01 – No primeiro parágrafo, o produtor do texto afirma que o encontro ente Mário Amato e Jair Meneguelli serve para revelar que a disparada dos Preços ganhou proporções assustadoras. Qual o argumento que Clovis Rossi usa para demonstrar a afirmação que faz?
       A inflação é tão assustadora que colocou à mesma mesa filosofias opostas para debater um problema comum.

02 – Embora reconheça que o encontro entre sindicalistas e empresários seja um passo positivo para tentar resolver o problema da inflação, o articulista considera difícil que esses contatos progridam e se estreitem mais. Qual o argumento usado pelos sindicalistas e mencionado pelo autor para comprovar sua visão pessimista?
       A contradição dos empresários.

03 – Quando diz “Os empresários são contraditórios. Falam em pacto, mas gastam um dinheirão para tentar remover da Constituição direitos sociais as palavras do líder sindical.
        Em termos de argumentação, que efeito produz a citação textual?
        Comprovação da verdade.

04 – Clóvis Rossi cita textualmente as palavras de Vicente Paulo da Silva para argumentar a favor de uma afirmação que fez anteriormente. De que afirmação se trata?
       Há muitos fantasmas além da inflação.

05 – Qual o argumento que usa para demonstrar que entre o governo e os empresários também existe desconfiança?
       O corte do déficit público.

06 – Por que o articulista afirma cautelosamente que “é muito possível que os empresários e o governo achem que a mesma credibilidade deles exigida falte aos líderes sindicais”?
       Porque ele vê falta de credibilidade entre empresários e governo.

07 – Lendo o texto, no seu todo, pode-se concluir que Clóvis Rossi usou vários argumentos para afirmar que:
     a) A inflação é o maior de todos os problemas que separam empresários e sindicalistas.
    b)    Apesar de um pequeno progresso, o pacto entre empresários e sindicalistas encontra obstáculos pela frente.
    c)     O governo desconfia dos empresários tanto quanto os empresários desconfiam dos sindicalistas.
      d)    Não há base alguma para um acordo entre empresários e sindicalistas.
      e)     Os próprios sindicalistas estão divididos entre si.



CRÔNICA: SESSÃO DE HIPNOTISMO - FERNANDO SABINO - COM GABARITO

CRÔNICA - SESSÃO DE HIPNOTISMO
               Fernando Sabino

     A dona da casa nos abriu a porta de mansinho, pediu silêncio com um dedo sobre os lábios e fez sinal que entrássemos. 
 Entramos, pé ante pé, já meio hipnotizados. Curvado sobre uma poltrona no canto mais escuro da sala, o hipnotizador tentava adormecer uma jovem. Ao fundo, cinco ou seis vítimas aguardavam a vez, uns muito sérios, outros contendo risos. Na poltrona a jovem nunca mais que dormia e, já meio chateada, olhava o relógio de pulso que o hipnotizador segurava no ar.
          “Você vai dormir… Suas pálpebras estão pesadas… Tudo vai desaparecendo” – insistia ele, com voz macia, mas acabou ordenando: “Feche os olhos.” A jovem fechou. Com a mão ele fez sinal que nos aproximássemos. “Levante o braço”. A moça     levantou. “Agora você não pode abaixar o braço”. Voltou-se para nós: “Viram? Ela está dormindo. Não consegue abaixar o braço. Se tentar, encontra resistência.” Ouvindo isto, a bela adormecida abaixou o braço imediatamente, não encontrando resistência nenhuma.
        “Bem”, prosseguiu o homem, “às vezes a pessoa fica assim, meio rebelde. Obedece direitinho, mas ao contrário.” Aproximou-se de novo da poltrona: “Agora”, sussurrou para ela, “preste bem atenção: você queria parar de roer unha, não é? Pois bem: quando acordar, nunca mais vai roer unha. Vai ter consciência de que é um hábito muito feio, desagradável. E pronto: quando eu contar até três, pode acordar.”
        No que ele disse “um” a moça se ergueu da poltrona, lépida e satisfeita. “Você dormiu mesmo?” perguntamos, impressionados. “Como é que vocês queriam que eu dormisse, com ele falando o tempo todo no meu ouvido?” Concordamos em que ela fizera muito mal em abaixar o braço: “Muito feio isso, desobedecer o homem dessa maneira.” Ela ergueu os ombros: “Tanta coisa só para me dizer que roer unha é muito desagradável. Essa não!” E afastou-se, roendo as unhas.
                                                               (Fernando Sabino)
Entendendo o texto:

Marque com um “x” o sinônimo da palavra ou expressão sublinhada.
01 – Em: “A dona da casa nos abriu a porta de mansinho…” a expressão sublinhada pode ser substituída por:
a.(   ) com receio                  b.(   ) curiosamente        
c.(X) levemente                   d. (   ) timidamente

02 – Na frase: “Entramos, pé ante pé, já meio hipnotizados…” a expressão sublinhada significa:
a.(X) cautelosamente                    b.(   ) ligeiramente        
c.(   ) distraídamente                      d.(   ) atentamente.

03 – Em: “Curvado sobre uma poltrona no canto mais escuro da sala…”a palavra sublinhada significa:
a.(   ) dobrado                    b.(   ) voltado          
c.(   ) ajoelhado                  d.(X) envergado.

04 – Em: “Tudo vai desaparecendo – insistia ele” a palavra sublinhada significa:
a.(X) continuava dizendo              b.(   ) continuava perguntando
c.(   ) continuava mostrando          d.(   ) continuava observando.

05 – Na frase: “Se tentar encontra resistência” a palavra sublinhada tem o mesmo significado que em:
a.(   ) A resistência do atleta aumentou com os treinos.
b.(X) Tentou abrir a porta, mas encontrou resistência.
c.(   ) O material usado na casa tem muita resistência.
d.(   ) A causa do incêndio foi a queima da resistência elétrica.

06 – Em: “…às vezes a pessoa fica assim meio rebelde” a palavra sublinhada significa:
a.(   ) revoltada                     b.(X) teimosa   
c.(   ) antipática                     d.(   ) exagerada.

07 – Em: “…sussurrou para ela…” a palavra sublinhada significa:
a.(X) segredou                      b.(   ) exclamou   
c.(   ) comentou                     d.(   ) ordenou.

08 – Na frase: “Vai ter consciência de que é um hábito muito feio …”, a palavra sublinhada significa:
a.(X) noção                   b.(   ) senso de responsabilidade          
c.(   ) cuidado                d.(   ) razão.

09 – Em: “… perguntamos impressionados…”, a palavra sublinhada significa:
a.(   ) curiosos                  b.(X) perturbados        
c.(   ) deslocados              d.(   ) arrepiados

10 – Em: “Concordamos em que ela fizera muito mal em abaixar o braço…”, a palavra sublinhada tem o mesmo significado que em:
a. (X) Todos concordaram em que foram muitos os culpados do desastre.
b. (   ) Ela concorda seus gastos com seu salário.
c. (   ) Os sapatos não concordavam com o vestido.
d. (  ) Os irmãos estavam brigados, mas agora, concordaram as opiniões.

11 – Nesta crônica, o narrador conta-nos que a dona da casa pediu silêncio com um dedo sobre os lábios. Isso significa que, para comunicar-se, ela utilizou:
a. (   ) somente palavras           b. (   ) palavras e gestos
c. (X) somente gestos               d. (   ) palavras e gestos diferentes.

12 – No trecho: “Ao fundo cinco ou seis vítimas aguardavam a vez…”, a palavra sublinhada refere-se às pessoas que aguardavam a vez de serem hipnotizadas. Usando esta palavra, o narrador está sendo:
a. (   ) realista               b. (   ) pessimista      
c. (X) irônico                 d. (   ) otimista.

13 – Na frase: “Ouvindo isto, a bela adormecida abaixou o braço imediatamente, não encontrando resistência nenhuma.”, a expressão sublinhada refere-se:
a. (X) à moça que está sendo hipnotizada
b. (   ) a uma personagem de um conto infantil
c. (   ) à moça que abriu a porta
d. (   ) a uma moça que adormeceu esperando a vez de ser hipnotizada

14 – Ao dizer: “… às vezes a pessoa fica assim, meio rebelde. Obedece tudo direitinho, mas ao contrário.”, o hipnotizador quer:
a. (   ) criticar a rebeldia da moça
b. (   ) brincar com as pessoas presentes
c. (X) justificar a sua incompetência
d. (   ) desculpar a atitude da moça.