segunda-feira, 29 de junho de 2026

CONTO: SE EU FOSSE SHERLOCK HOLMES - FRAGMENTO - MEDEIROS E ALBUQUERQUE - COM GABARITO

 Conto: SE EU FOSSE SHERLOCK HOLMES – Fragmento

 

        [...]

        Retiradas as capas, o zunzum das conversas continuava. Ninguém tinha entrado no quarto fatídico. Todos o diziam e repetiam.

        Foi no meio dessas conversas que Sherlock Holmes cresceu dentro de mim. Anunciei:

        -- Já sei quem roubou o anel.

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    De todos os lados surgiam exclamações. Algumas pessoas se limitavam a interjeições: “Ah!”, “Oh!”. Outras perguntavam quem tinha sido.

        Sherlock Holmes disse o que ia fazer, indicando um gabinete próximo:

        -- Eu vou para aquele gabinete. Cada uma das senhoras aqui presentes fecha-se ali em minha companhia por cinco minutos.

        -- Por cinco minutos? – indagou o Dr. Caldas.

        -- Porque eu quero estar o mesmo tempo com cada uma, para não poder se concluir da maior demora com qualquer uma delas que essa é a culpada. Serão para cada uma cinco minutos cronométricos.

        O Dr. Caldas gracejando:

        -- Mas veja o que você faz. Não procure namorar minha mulher, senão eu lhe dou um tiro.

        Houve uma hesitação. Algumas diziam estar acima de qualquer suspeita, outras que não se submetiam a nenhum inquérito policial. Venceu, porém, o partido das que diziam “quem não deve não teme”. Eu esperava, paciente. Por fim, quando vi que todas estavam resolvidas, lembrei que seria melhor quem fosse saindo, despedir-se e partir.

        E a cerimônia começou. Cada uma das senhoras esteve trancada comigo justamente os cinco minutos que eu marcara.

        Quando a última partiu, saiu do gabinete, achei à porta, ansiosa, Madame Guimarães:

        -- Venha comigo – disse-lhe eu.

        Aproximei-me do telefone, chamei o Alves Calado e disse-lhe que não precisava mais tomar providência alguma, porque o anel fora achado.

        Voltando-me para Madame Guimarães entreguei-o então. Ela estava tão nervosa que me abraçou e beijou freneticamente. Quando, porém, quis saber quem fora a ladra, não me arrancou nem uma palavra.

        No quarto, ao ver sinhazinha Ramos entrar, tínhamos tido mais ou menos, a seguinte conversa:

        -- Eu não vou deitar verdes para colher maduros, não vou armar cilada alguma. Sei que foi a senhora que tirou a joia de sua tia.

        Ela ficou lívida. Podia ser medo. Podia se cólera. Mas respondeu firmemente:

        -- Insolente! É assim que o senhor está fazendo com todas, para descobrir a culpada?

        -- Está enganada. Com as outras eu apenas converso. Com a senhora, não; exijo que me entregue o anel.

        Mostrei-lhe o relógio para que visse que o tempo estava passando.

        -- Note – disse eu – que tenho uma prova, posso fazer ver a todos.

        Ela se traiu, pedindo:

        -- Dê sua palavra de honra que tem essa prova!

        Dei. Mas o meu sorriso lhe mostrou que ela, sem dar por isso, confessara indiretamente o fato.

        -- E já agora – acrescentei – dou-lhe também a minha palavra de honra que ninguém saberá por mim o que fez.

        Ela tremia toda.

        -- Veja que falta um minuto. Não chore. Lembre-se que precisa sair daqui com uma fisionomia jovial. Diga que estivemos falando de moda.

        Ela tirou a joia do seio, deu-me e perguntou:

        -- Qual é a prova?

        -- Esta – disse-lhe eu apontando para uma esplêndida rosa-chá que ela trazia. – É a única pessoa, esta noite, que tem aqui uma rosa amarela. Quando foi ao quarto de sua tia, teve a infelicidade de deixar cair duas pétalas dela. Estão junto da mesa-de-cabeceira.

        Abri a porta. Sinhazinha compôs magicamente, imediatamente, o mais encantador, o mais natural dos sorrisos e saiu dizendo:

        -- Se este Sherlock fez com todas o que fez comigo, vai ser um fiasco absoluto.

        Não foi fiasco, mas foi pior.

        Quando Sinhazinha chegara, subira logo. Graças à intimidade que tinha na casa, onde vivera até a data do casamento, podia fazer isso naturalmente. Ia só para deixar a sua capa dentro do armário. Mas, à procura de um alfinete, abriu a mesinha-de-cabeceira, viu o anel, sentiu a tentação de roubá-lo e assim o fez. Lembrou-se de que tinha de ir para a Europa daí um mês. Lá venderia a joia. Desceu então novamente com a capa e mandou pô-la no automóvel. E como ninguém a tinha visto subir, pôde afirmar que não fora ao andar superior.

        Eu estraguei tudo.

         Mas a mulherzinha se vingou: a todos insinuou que provavelmente o ladrão tinha sido eu mesmo. E, vendo o caso descoberto antes da minha retirada, armara aquela encenação para atribuir a outrem o meu crime.

        O que sei é que madame Guimarães, que sempre me convidava para as suas recepções, não me convidou para a de ontem... Terá talvez sido a primeira a acreditar na sobrinha.

                                          Medeiros e Albuquerque.

 

Entendendo o conto:

01 – Relacione as palavras destacadas a seus significados.

A - “Ninguém tinha entrado no quarto fatídico.”      (B) pálida

B - “Ela ficou lívida.”                                                (A) fatal, trágico

C - “– Insolente!”                                                     (D) alegre

D - “... precisa sair daqui ... fisionomia jovial.”        (C) atrevido.

02 – Qual é o significado da expressão: “_ Eu não vou deitar verdes para colher maduros...”.

      Significa que o narrador não iria blefar, fazer suposições ou tentar jogar verde para conseguir uma confissão. Ele estava afirmando que já tinha certeza absoluta do que havia acontecido e possuía fatos concretos, sem necessidade de rodeios.

03 – Quem é o narrador-personagem?

      É um dos convidados da festa que assume o papel de detetive amador (incorporando o espírito e a lógica de Sherlock Holmes) para desvendar o mistério do roubo. O texto não revela o seu nome próprio, apenas a sua persona de "Sherlock".

04 – Em torno de qual fato gira a história?

      A história gira em torno do roubo de um anel valioso pertencente a Madame Guimarães dentro de sua própria casa durante uma recepção.

05 – Qual o espaço da narrativa (onde acontece)?

      A narrativa acontece no interior de uma residência (provavelmente uma mansão ou casarão de festas), concentrando-se especificamente no andar superior (onde ficava o quarto), no salão principal e num gabinete privativo onde o inquérito foi realizado.

06 – Que decisão do narrador indica que uma mulher havia furtado o anel?

      A decisão de chamar para o gabinete privado apenas as senhoras presentes na festa para o inquérito de cinco minutos, excluindo os homens das suspeitas.

07 – Que sentimentos, dos abaixo relacionados, estão expressos nas falas das personagens?

A - honradez      

B - ofensa      

C - culpa              

D - autoridade

(B) (Sinhazinha Ramos) “– Insolente!”

(D) (Narrador) “Com a senhora, não, exijo que me entregue o anel.”

(C) (Sinhazinha Ramos) “– Dê sua palavra de honra que tem essa prova!”

(A) (Narrador) “... dou-lhe a minha palavra de honra que nunca ninguém saberá por mim o que fez.”

08 – Por que o narrador pediu à ladra que saísse do gabinete com fisionomia jovial?

      Para manter o pacto de segredo que ele havia feito com ela. Se Sinhazinha saísse chorando ou abatida, todos os convidados na porta saberiam imediatamente que ela era a culpada, quebrando o disfarce de que eles estavam apenas conversando sobre amenidades (como moda).

09 – Qual foi a prova do crime?

      A prova foram duas pétalas de uma rosa-chá amarela encontradas no chão do quarto, junto à mesa-de-cabeceira. Como Sinhazinha Ramos era a única pessoa na festa que usava aquela flor amarela específica, sua presença no quarto fatídico foi denunciada.

10 – Que estratégia a jovem usou para roubar o anel?

      Ela aproveitou sua intimidade com a casa (onde morou até se casar) para subir sozinha logo que chegou, sob o pretexto de guardar sua capa no armário. Ao abrir a mesinha procurando um alfinete, viu o anel, cedeu à tentação e o escondeu no seio. Logo em seguida, mandou guardarem sua capa no automóvel para que ninguém a associasse ao andar superior.

11 – Qual foi a vingança da ladra e qual foi a consequência disso no final da história?

      A vingança: Sinhazinha espalhou o boato maldoso de que o verdadeiro ladrão era o próprio narrador. Ela sugeriu que ele havia roubado a joia e, ao perceber que o caso seria descoberto, montou aquele falso teatro com as convidadas para culpar outra pessoa e sair como herói.

      A consequência: O narrador acabou socialmente prejudicado. A dona da joia, Madame Guimarães, aparentemente acreditou na versão da sobrinha e deixou de convidar o narrador para as suas famosas recepções.

 

 

 

 

CONTO: HISTÓRIA DE PASSARINHO - LYGIA FAGUNDES TELLES - COM GABARITO

 Conto: História de Passarinho

            Lygia Fagundes Telles


        Um ano depois, os moradores do bairro ainda se lembravam do homem de cabelo ruivo que enlouqueceu e sumiu de casa.

        Ele era um santo, disse a mulher abrindo os braços. E as pessoas em redor não perguntaram nada e nem era preciso, perguntar o que se todos já sabiam que era um bom homem que de repente abandonou casa, emprego no cartório, o filho único, tudo. E se mandou Deus sabe para onde.

        Só pode ter enlouquecido, sussurrou a mulher, e as pessoas tinham que se aproximar inclinando a cabeça para ouvir melhor. Mas de uma coisa estou certa, tudo começou com aquele passarinho, começou com o passarinho.

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgLsS4xuxVHU4_NDepxiE1YBT_gdQJxdazGDM2AvH0zQzI_YUZdXAQ5ts0jYv2b_u3qsRekLenPkRRTeMOdPIpy9JVW6tlnf5zAVUGdHF_pDfb10lzqtG7JZ6ZAR5g_XBp5HNhdvIWy6_0dgqS_BNfPl0JqDgjwKygwZHGbD4UF_wjoEqliH7tTZm6X6GQ/s1600/download.jpg


        Que o homem ruivo não sabia se era um canário ou um pintassilgo. Ô, Pai! caçoava o filho, que raio de passarinho é esse que você foi arrumar?!

        O homem ruivo introduzia o dedo entre as grades da gaiola e ficava acariciando a cabeça do passarinho que por essa época era um filhote todo arrepiado, escassa a plumagem de um amarelo-pálido com algumas peninhas de um cinza-claro.

        Não sei, filho, deve ter caído de algum ninho, peguei ele na rua, não sei que passarinho é esse.

        O menino mascava chicle. Você não sabe nada mesmo, Pai, nem marca de carro, nem marca de cigarro, nem marca de passarinho, você não sabe nada.

        Em verdade, o homem ruivo sabia bem poucas coisas. Mas de uma coisa ele estava certo, é que naquele instante gostaria de estar em qualquer parte do mundo, mas em qualquer parte mesmo, menos ali. Mais tarde, quando o passarinho cresceu, o homem ruivo ficou sabendo também o quanto ambos se pareciam, o passarinho e ele.

        Ai! o canto desse passarinho, queixava-se a mulher. Você quer mesmo me atormentar, Velho. O menino esticava os beiços, tentando fazer rodinhas com a fumaça do cigarro que subia para o teto, Bicho mais chato, Pai, solta ele.

        Antes de sair para o trabalho, o homem ruivo costumava ficar algum tempo olhando o passarinho que desatava a cantar, as asas trêmulas ligeiramente abertas, ora pousando num pé ora noutro e cantando como se não pudesse parar nunca mais. O homem então enfiava a ponta do dedo entre as grades, era a despedida e o passarinho, emudecido, vinha meio encolhido oferecer-lhe a cabeça para a carícia. Enquanto o homem se afastava, o passarinho se atirava meio às cegas contra as grades, fugir, fugir. Algumas vezes, o homem assistiu a essas tentativas que deixavam o passarinho tão cansado, o peito palpitante, o bico ferido. Eu sei, você quer ir embora, você quer ir embora, mas não pode ir, lá fora é diferente e agora é tarde demais.

        A mulher punha-se então a falar, e falava uns cinquenta minutos sobre as coisas todas que quisera ter e que o homem ruivo não lhe dera, não esquecer aquela viagem para Pocinhos do Rio Verde e o trem prateado descendo pela noite até o mar. Esse mar que, se não fosse o pai (que Deus o tenha!), ela jamais teria conhecido, porque em negra hora se casara com um homem que não prestava para nada, Não sei mesmo onde estava com a cabeça quando me casei com você, Velho.

        Ele continuava com o livro aberto no peito, gostava muito de ler. Quando a mulher baixava o tom de voz, ainda furiosa (mas sem saber mais a razão de tanta fúria), o homem ruivo fechava o livro e ia conversar com o passarinho que se punha tão manso que se abrisse a portinhola poderia colhê-lo na palma da mão. Decorridos os cinquenta minutos das queixas, e como ele não respondia mesmo, ela se calava, exausta. Puxava-o pela manga, afetuosa, Vai, Velho, o café está esfriando, nunca pensei que nesta idade avançada eu fosse trabalhar tanto assim. O homem ia tomar o café.

        Numa dessas vezes, esqueceu de fechar a portinhola e quando voltou com o pano preto para cobrir a gaiola (era noite) a gaiola estava vazia. Ele então sentou-se no degrau de pedra da escada e ali ficou pela madrugada, fixo na escuridão. 

        Quando amanheceu, o gato da vizinha desceu o muro, aproximou-se da escada onde estava o homem ruivo e ficou ali estirado, a se espreguiçar sonolento de tão feliz. Por entre o pelo negro do gato desprendeu-se uma pequenina pena amarelo-acinzentada que o vento delicadamente fez voar. O homem inclinou-se para colher a pena entre o polegar e o indicador. Mas não disse nada, nem mesmo quando o menino, que presenciara a cena, desatou a rir, Passarinho burro! Fugiu e acabou aí, na boca do gato?

        Calmamente, sem a menor pressa, o homem ruivo guardou a pena no bolso do casaco e levantou-se com uma expressão tão estranha que o menino parou de rir para ficar olhando. Repetiria depois à Mãe, Mas, ele até que parecia contente, Mãe, juro que o Pai parecia contente, juro!

        A mulher então interrompeu o filho num sussurro, Ele ficou louco.

        Quando formou-se a roda de vizinhos, o menino voltou a contar isso tudo, mas não achou importante contar aquela coisa que descobriu de repente: o Pai era um homem alto, nunca tinha reparado antes como ele era alto. Não contou também que estranhou o andar do Pai, firme e reto, mas por que ele andava agora desse jeito? E repetiu o que todos já sabiam, que quando o Pai saiu, deixou o portão aberto e não olhou para trás.

 

In: “Cadernos de Literatura Brasileira nº. 5”, editados pelo Instituto Moreira Salles, 1998.

 

Entendendo o conto:

01 – O que aconteceu com o homem de cabelo ruivo um ano antes do momento em que a história é contada?

      Um ano antes, o homem ruivo abandonou de repente tudo o que tinha — sua casa, seu emprego no cartório e seu único filho — e sumiu sem deixar rastros. Os moradores do bairro comentavam que ele havia enlouquecido.

02 – Como era o passarinho quando o homem ruivo o encontrou e o que o filho achava disso?

      O passarinho foi achado na rua, tendo provavelmente caído de um ninho. Ele era um filhote todo arrepiado, com pouca plumagem de cor amarelo-pálido e algumas peninhas cinza-claro. O filho caçoava do pai por ele não saber dizer se o bicho era um canário ou um pintassilgo, criticando-o por "não saber nada".

03 – Como o passarinho se comportava quando o homem ruivo se despedia dele para ir trabalhar?

      O passarinho cantava intensamente com as asas trêmulas e vinha receber o carinho do homem na grade da gaiola. Porém, assim que o homem se afastava, o animal se atirava desesperadamente contra as grades tentando fugir, a ponto de ficar exausto, com o peito palpitante e o bico ferido.

04 – Sobre o que a esposa do homem ruivo costumava reclamar durante "uns cinquenta minutos"?

      Ela reclamava de todas as coisas que gostaria de ter tido e que ele não havia lhe dado. Ela mencionava com frustração uma viagem para Pocinhos do Rio Verde e dizia que tinha se casado em "negra hora" com um homem que não prestava para nada. 

05 – Como o passarinho conseguiu escapar da gaiola e qual foi o seu trágico destino?

      O homem ruivo esqueceu a portinhola da gaiola aberta em uma noite. O passarinho fugiu, mas acabou sendo devorado pelo gato da vizinha. Na manhã seguinte, o gato apareceu sonolento e feliz, deixando escapar de seu pelo negro uma peninha amarelo-acinzentada.

06 – Qual foi a reação do filho e qual foi a reação do homem ruivo ao descobrirem que o gato havia comido o passarinho?

      O menino desatou a rir e chamou o pássaro de burro por ter fugido e acabado na boca do gato. Já o pai, calmamente e sem pressa, recolheu a peninha do chão, guardou-a no bolso do casaco e exibiu uma expressão tão estranha que parecia de contentamento, o que fez o menino parar de rir. 

07 – Que detalhes físicos e de comportamento sobre o pai o menino notou no momento da partida, mas decidiu esconder dos vizinhos?

      O menino percebeu, pela primeira vez, que o pai era um homem alto. Ele também estranhou o andar do pai, que agora era firme e reto, bem diferente de antes. Ao ir embora, o homem ruivo deixou o portão aberto e simplesmente não olhou para trás.

 

 

 

 

 

ADJETIVOS (CRUZADINHA) - COM GABARITO

 Adjetivos (Cruzadinha)

        Complete a cruzadinha com ADJETIVOS, de acordo com as descrições a seguir:

 

1 - Aquele que tem criatividade

2 - A pessoa que chora à toa

3 - Aquele que tem muito dinheiro

4 - Aquele que trabalha muito

5 - Aquele que vive com desejo de vingança

6 - Aquele que faz muita bagunça

7 - A pessoa que tem medo de tudo

8 - A pessoa que está sempre de bem com a vida, sorrindo

9 - Aquele que tem 2 metros de altura

10 - Aquilo que não serve para nada, que não tem utilidade

11 - Aquele que tem talento

12 - Aquilo que pesa pouco

13 - Aquilo que pesa muito

14 - A pessoa que cuida muito de sua aparência

15 - Aquilo que custa um baixo valor, bem pouco

16 - Aquele que estuda muito

 

Respostas:

1 - (criativo)

2 - (chorona)

3 - (rico)

4 - (trabalhador)

5 - (vingativo)

6 - (bagunceiro)

7 - (medrosa)

8 - (feliz)

9 - (alto)

10 - (inútil)

11 - (talentoso)

12 - (leve)

13 - (pesado)

14 - (vaidosa)

15 - (barato)

16 - (estudioso).

 

 

 

domingo, 28 de junho de 2026

CRUZADINHA DE VERBOS - EXERCÍCIOS - COM GABARITO

 Cruzadinha de Verbos – Exercícios

 

Transcreva na cruzadinha o verbo de cada frase:

1 – Aquela menina de vermelho parece assustada.

2 – Os policiais, após muitas buscas, encontraram o menino desaparecido.

3 – Um prédio de 12 andares desabou no centro da cidade.

4 – Nessa época do ano sempre chove muito.

5 – No verão faz muito calor em Cachoeiro.

6 – Faço parte de uma banda de pop rock.

7 – Nossa viagem de férias foi perfeita e inesquecível.

8 – Eu nem sempre sorrio nas fotos de família.

9 – Recebi lindas homenagens dos meus amigos antes da viagem.

10 – Durante o passeio, minha prima perdeu todos os documentos.

11 – Tenho fé em Deus e nas pessoas.

12 – A polícia apreendeu seis menores no bairro Vilage hoje.

13 – Depois de duas horas de silêncio e tensão, ele explicou a situação.

14 – Paula e Fábio eram muito felizes juntos antes do casamento.

15 – Agora são duas horas.

16 – Havia mais de duas mil pessoas na fila do show do cantor estrangeiro.

17 – Todos ficaram exaustos após a avaliação.

18 – Deixei meus livros na casa de um amigo.

19 – Fiquei emocionado com aquele novo filme nacional.

20 – Não perca as promoções dessa semana do Mercadinho do Zé.

Respostas:




CRUZADINHA: RUBEM BRAGA - BIOGRAFIA - COM GABARITO

 Cruzadinha: Rubem Braga – Biografia

        Conhecendo o escritor: Rubem Braga

        "Sempre tenho confiança de que não serei maltratado na porta do céu, e mesmo que São Pedro tenha ordem para não me deixar entrar, ele ficará indeciso quando eu lhe disser em voz baixa: Eu sou lá de Cachoeiro."

        Rubem Braga nasceu em Cachoeiro de Itapemirim, no dia 12 de janeiro de 1913, é um dos doze filhos do casal Francisco de Carvalho Braga (dono de cartório e 1º prefeito da cidade) e Rachel Cardoso Coelho Braga (filha de um fazendeiro local). 

        Rubem publicou seu 1º texto aos 15 anos, no jornal Correio do Sul, de Cachoeiro. Nesta mesma época, aborrecido com um professor que o havia criticado, mudou-se para Niterói, o primeiro pouso entre muitas cidades, até fixar moradia no Rio de Janeiro. Formou-se em Direito.

        Graças à indicação do irmão Newton, jornalista, consegue uma vaga de repórter no Diário da Tarde, de Belo Horizonte, começando uma carreira que se estenderia, durante 58 anos, por diversas publicações brasileiras.

        Foi correspondente de guerra, editou páginas de polícia, fez copidesque e estabeleceu-se, acima de tudo, como cronista. Ele inventou a moderna crônica brasileira. Seu texto trouxe novas nuances de lirismo, humor, leveza e descompromisso, virtudes que atualizaram a crônica e a caracterizam hoje uma das atrações de maior sucesso nos jornais brasileiros.

 

Exercício:

Encontre no caça-palavras as 12 palavras em destaque no texto.



 

CRUZADINHA DE VERBOS - EXERCÍCIOS - COM GABARITO

 Cruzadinha de Verbos – Exercícios

 

Transcreva na cruzadinha o verbo de cada frase:

1 – Aquela menina de vermelho parece assustada.

2 – Os policiais, após muitas buscas, encontraram o menino desaparecido.

3 – Um prédio de 12 andares desabou no centro da cidade.

4 – Nessa época do ano sempre chove muito.

5 – No verão faz muito calor em Cachoeiro.

6 – Faço parte de uma banda de pop rock.

7 – Nossa viagem de férias foi perfeita e inesquecível.

8 – Eu nem sempre sorrio nas fotos de família.

9 – Recebi lindas homenagens dos meus amigos antes da viagem.

10 – Durante o passeio, minha prima perdeu todos os documentos.

11 – Tenho fé em Deus e nas pessoas.

12 – A polícia apreendeu seis menores no bairro Vilage hoje.

13 – Depois de duas horas de silêncio e tensão, ele explicou a situação.

14 – Paula e Fábio eram muito felizes juntos antes do casamento.

15 – Agora são duas horas.

16 – Havia mais de duas mil pessoas na fila do show do cantor estrangeiro.

17 – Todos ficaram exaustos após a avaliação.

18 – Deixei meus livros na casa de um amigo.

19 – Fiquei emocionado com aquele novo filme nacional.

20 – Não perca as promoções dessa semana do Mercadinho do Zé.

Respostas:




ORAÇÕES SUBORDINADAS V - EXERCÍCIOS - COM GABARITO

 Orações Subordinadas V – Exercícios

 Fábula: O astrônomo

          Esopo

        Um astrônomo gostava de fazer passeios noturnos para olhar as estrelas. Certa vez ia tão distraído que caiu num poço. Enquanto tentava sair, seus gritos de socorro atraíram a atenção de um homem que passava. Ao ser informado do que havia acontecido, o homem riu e disse:

        — Meu bom amigo, tanto o senhor se esforçou para olhar o céu que não se lembrou de olhar o que tem debaixo dos pés!

 

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiwXhcu8uoFKA-_EbdFaFxcC5zQKGB7snDr2jSveutZCj1NWJ03XueJfkrc9ktxhNTzKC8Ca69jzm9mFZoiPmOdKonp0kuXQg7P7E53uzYA946WYhF3vT2KVkDP7SNkLBP1lAPMeFWB5AjgQIMYwbpJU6oKXSRiCIyilZ_VhFbIYGD9kFGC3JvRLBgn2gw/s320/hq720.jpg

        Moral: É fácil deixar de ver o óbvio.

Entendendo a fábula:

01 – Qual dos ditados populares a seguir transmite o ensinamento do texto?

(  ) Mais vale um pássaro na mão do que dois voando.

(X) Quem olha muito para longe, não vê o que está perto.

(  ) A sorte de uns é o azar de outros.

(  ) A ocasião faz o ladrão.

02 – No período “Um astrônomo gostava de fazer passeios noturnos...”, a oração em destaque completa do sentido do verbo “gostava”, ligando-se a ele por meio de uma preposição (de). Logo, essa oração é subordinada substantiva:

(  ) subjetiva                

(  ) objetiva direta                   

(  ) completiva nominal

(  ) predicativa            

(X) objetiva indireta                

(  ) apositiva.

03 – No período “Um astrônomo gostava de fazer passeios noturnos para olhar as estrelas”, a oração em destaque serve para indicar o objetivo do fato da oração principal. Sendo assim, essa oração é subordinada adverbial:

(  ) Causal   

(  ) Proporcional  

(  ) Temporal      

(X) Final.

04 – Em “Ia tão distraído que caiu num poço” e “tanto o senhor se esforçou para olhar o céu que não se lembrou de olhar o que tem debaixo dos pés.”, as orações em destaque servem para indicar a consequência dos fatos da oração principal. Logo, classificam-se como subordinadas adverbiais:

(  ) Temporais    

(  ) Concessivas     

(X) Consecutivas    

(  ) Condicionais

05 – A oração “Enquanto tentava sair, seus gritos de socorro atraíram a atenção de um homem...”, a oração em destaque serve para informar o momento em que aconteceu o fato da oração principal. Portanto, classifica-se como subordinada adverbial:

(  ) Comparativa   

(X) Temporal      

(  ) Final         

(  ) Conformativa.

06 – Em “... seus gritos de socorro atraíram a atenção de um homem que passava”, a oração em destaque tem função de adjetivo, caracterizando a palavra “homem”, esclarecendo que se refere especificamente ao homem que passava. Dessa forma, a oração em destaque é subordinada adjetiva:

(X) restritiva                            

( ) explicativa.

 

CRÔNICA: AMOR PLATÔNICO - JOÃO FRANCISCO P. CABRAL - COM GABARITO

 Crônica: AMOR PLATÔNICO

             João Francisco P. Cabral

 

        Em um dos mais belos textos da literatura mundial, O Banquete, Platão expôs aquilo que seria a sua doutrina sobre o amor.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjfRx7vckWKfMMTP5vkV4W6CIxptjm56ctrtcRX6OZcJxT83C3dJ6A08D1pwsfikvE5BuKAIek2y6ep3SiOOZuvabbQ0JfyA5w8q1EckyB56Hc03fGdfsVyxdpcJzk2x-I3uGZzyUCDIWOd8SqCvcN06pd43X2bPl4zhRr2k7N9qMV8CiXih_SnAHymwXI/s320/4d5432c3-2afa-4e9f-98a5-8a9479dccd3cBANQUETE1_W.png


        A narrativa que rememora uma festa acontecida na casa de um famoso poeta (Agatão) vai desencadear uma série de elogios ao deus que, se acreditava, não havia ainda recebido os louvores dos homens. Assim, o deus foi tido por diversos caracteres, desde o deus mais antigo e por isso bom educador, passando por uma força cósmica universal geradora dos seres, até uma dupla característica, uma vulgar e outra ascética, bem como também o deus mais jovem, mais belo e por isso irresponsável, criador, etc.

        Chegada a vez de Sócrates falar, surge o problema: Sócrates não sabe falar bem (eloquência). Ele não sabe elogiar, mas gostaria, na forma dialogada, falar do deus. E sua primeira questão é: o que é o amor? Ou seja, antes de falar se ele é bom ou mau, belo ou feio, se ajuda ou se atrapalha na educação, deveríamos saber o que ele é. Para desconcerto geral, Sócrates define o amor como sendo a busca da beleza e do bem. E sendo assim, ele mesmo não pode ser belo nem bom. Quem ama, deseja algo que não tem. Quando se tem, não se deseja mais, ou se se deseja, deseja manter no futuro, o que significa que não o tem. E todos só desejam o melhor, ninguém escolhe o mal voluntariamente. Logo, o amor é o desejo do belo e do bom. Essa definição permite uma compreensão universal do objeto (o amor). Mas não devemos também acreditar que por não ser bom, o amor é mau. Não é uma conclusão necessária. Para isso, Sócrates vai contar o que Diotima contou-lhe sobre o amor.

        Para combater o mito que acabara de escutar da boca de um comediógrafo (Aristófanes - mito da alma gêmea), Sócrates mostra o que aprendeu com aquela que o iniciou nos mistérios do amor. Diotima disse ao nosso filósofo que durante uma festa, todos os deuses foram convidados, menos a deusa Penúria. Faminta e isolada, ela procurou alimento nos restos da festa. Porém, ao ver o deus Astuto, deus engenhoso, cheio de recursos e que estava embriagado, deitado num jardim, a deusa resolveu ter um filho com ele. Nasce daí o deus Eros (ou amor), que assume as características de seus pais. Como sua mãe, ele é pobre, carente, faminto, desejante. Mas como seu pai, ele é nobre, cheio de recursos para alcançar o que lhe aprouver, saciando suas necessidades.

        Em um nível cósmico, a função do deus é ligar os homens a Zeus, sendo um intermediário entre eles. Aos deuses, o amor leva as súplicas dos homens, seus anseios, suas dúvidas e necessidades através das preces e orações. Aos homens, o deus do amor traz as recomendações aos sacrifícios e honra aos deuses. Por isso, não sendo nem bom nem mal, mortal e também imortal, o amor é o que nos leva a escolher sempre o melhor, a fazer o bem. Ele morre, como um desejo que se acaba, mas logo nos inflama novamente, renascendo na alma dos homens. Todavia, o que é o belo e o bem que o amor busca?

        Para Platão, no nível mais imediato, o amor refere-se à nossa sensibilidade e apetites, principalmente o sexual. Vemos, a partir de um corpo, a beleza, e o desejo de procriar nele. Isso significa, inconscientemente, que o desejo por um corpo belo é a tentativa da matéria de se eternizar. Os filhos são uma forma dos pais serem eternos. No entanto, o belo não é somente o corpo, tanto que logo que esse desejo se esvai, percebemos que outros corpos também nos atraem. Assim, passamos do singular (indivíduo) para o universal (todos os indivíduos). Mas ainda nisso não consiste a beleza, apenas participa da ideia. Para Platão, subimos degraus na compreensão da beleza, dos corpos até as ações nas ciências, nas artes e na política, que expandem a ideia de beleza. Mas ela mesma é uma ideia, norteadora das ações humanas, que dirige as almas para o bem absoluto que não pode simplesmente ser conquistado pelo homem encarnado.

        Portanto, o homem, como duplo corpo-alma, jamais conhecerá a verdade de modo absoluto. Isso cabe somente aos deuses. Mas nem por isso deve deixar de se desenvolver. É moral dever agir procurando o melhor sempre. Ao homem, ser desejante intermediário entre os deuses e os outros seres não conscientes, cabe buscar o conhecimento que o aproxime dos deuses, não se deixando fascinar pelo sensível, mas buscando compreender o inteligível, o reino das ideias, o que propriamente é o saber. Assim, naturalmente, o homem é filósofo (ou deveria ser!) buscando a sabedoria, entendendo por isso a melhor forma de usar a parte que lhe é principal – a alma – para agir, ser dono dos desejos, compreendendo a função de cada um e não se tornar escravos desses.

Por João Francisco P. Cabral. Colaborador Brasil Escola.

 

Entendendo a crônica:

 

01 – Como Sócrates desconstrói a ideia de que o Amor (Eros) é um deus belo e bom?

      Sócrates propõe uma abordagem lógica ao questionar, antes de tudo, o que é o amor. Ele define o amor como a busca, o desejo pelo belo e pelo bem. A partir disso, surge a conclusão de que o amor não pode ser belo nem bom por si mesmo, pois quem ama deseja aquilo que não tem. Como o amor passa a vida inteira buscando e desejando a beleza e a bondade, significa que ele carece de ambas.

02 – Qual é a origem mítica do deus Eros (o Amor) segundo o relato de Diotima e quais características ele herdou de seus pais?

      Diotima conta que Eros nasceu durante uma festa dos deuses, fruto da união entre a deusa Penúria (que estava faminta e isolada) e o deus Astuto (que estava embriagado em um jardim). Dessa união, Eros herdou características de ambos: de sua mãe, herdou a pobreza, a carência e a condição de estar sempre faminto e desejante; de seu pai, herdou a nobreza e a engenhosidade, sendo cheio de recursos e estratagemas para alcançar aquilo que deseja e saciar suas necessidades.

03 – No nível cósmico, qual é a função atribuída ao amor e por que o texto afirma que ele "morre e renasce"?

      No nível cósmico, o amor funciona como um intermediário e um elo de ligação entre os homens e os deuses (Zeus). Ele leva aos deuses as preces, súplicas e dúvidas dos mortais e traz aos homens as recomendações divinas. O texto afirma que ele "morre e renasce" porque atua como o próprio desejo humano: ele morre temporariamente quando um desejo específico é saciado, mas logo se inflama e renasce na alma quando surge uma nova busca pelo melhor.

04 – Como Platão explica a transição do amor físico (sensível) para o amor ideal (inteligível)?

      Para Platão, o amor começa no nível mais imediato da sensibilidade e do apetite sexual, onde o ser humano é atraído por um corpo belo para procriar — uma tentativa inconsciente da matéria de se eternizar através dos filhos. Contudo, o homem percebe que a beleza não está presa a um único corpo e expande esse sentimento para o plano universal. A partir daí, o indivíduo "sobe degraus", passando a enxergar a beleza nas ações humanas, nas ciências, nas artes e na política, até atingir a compreensão da Beleza como uma Ideia pura e norteadora, que direciona a alma ao bem absoluto.

05 – Diante da condição humana de "duplo corpo-alma", qual deve ser o papel do homem e a sua relação com a filosofia de acordo com a crônica?

      Como um ser duplo (composto de corpo e alma), o homem jamais conhecerá a verdade de modo absoluto, algo que cabe apenas aos deuses. No entanto, seu dever moral é buscar o conhecimento que o aproxime do divino, sem se deixar escravizar pelo mundo sensível (dos desejos físicos). O homem deve usar a sua parte principal — a alma — para ser dono de suas paixões e compreender o mundo inteligível. É essa busca constante pela sabedoria e pelo aperfeiçoamento que torna o ser humano, naturalmente, um filósofo.

 



 

ROMANCE: ALMAS MORTAS - NIKOLAI GOGOL - COM GABARITO

 Romance: Almas Mortas

                Nikolai Gogol

 

        Almas Mortas é a última e mais marcante obra de Gogol e constitui uma referência importante na literatura russa na medida em que marcou a transição do Romantismo oitocentista para o realismo. Neste contexto, Gogol acabou por ser um dos maiores precursores dos grandes escritores russos Tolstoi e Dostoiévski. 

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        Almas Mortas foi uma obra maldita na época, pela crueza com que aborda a questão da servidão ainda em voga na Rússia naquela altura (1835). Num estilo direto e incisivo, Gogol aponta o dedo a uma sociedade anacrônica onde os servos constituíam propriedade dos seus senhores, que dispunham a seu bel-prazer das suas almas e dos seus corpos. O termo “almas” designa, na história da servidão russa os camponeses que eram propriedade dos seus senhores. O herói da narrativa, Chichiev, dispõe-se a comprar servos que haviam falecido, mas que ainda tinham existência legal por não terem sido abatidos nas listas de recenseamento. O objetivo destas transações só é revelado no final.

        O estilo de Gogol impressiona pela forma como constrói um verdadeiro diálogo com o leitor, constituindo uma proximidade que nos leva a ler como quem ouve uma estória.

        Tal como Tolstoi e Dostoievski, Gogol critica asperamente a subserviência dos russos, que desprezam os inferiores e bajulam os superiores de forma descaradamente interesseira. Todos os vendedores de almas que o autor descreve ilustram as facetas mais negativas da alma humana e do povo russo em particular. É o caso de Manilov, um pequeno proprietário preguiçoso, sem vontade própria e sem ambição; uma viúva sovina totalmente desprovida de inteligência; Nozdriov, bêbado, mentiroso, jogador inveterado que recusa vender as suas almas, mas dispõe-se de bom grado a jogá-las – símbolo do desprezo extremo pela alma humana; Sobakevitch diz mal de todos – é o exemplo da maledicência; Pliuskine é o mais avarento que se possa imaginar – tem mais de mil servos e os celeiros cheios, mas vive na miséria.

        Assim, o alvo maior da crítica de Gogol é a pequena aristocracia rural avarenta, uma espécie de classe média a que se juntam funcionários públicos corruptos e comerciantes desonestos. Este grupo contrasta com a alta aristocracia esbanjadora até ao extremo. Todos, sem excepção, são interesseiros e corruptos, usando muitas vezes uma delicadeza exagerada, mas hipócrita para tentar enganar as pessoas com quem negociam. Prevalece a inveja e mesmo o ódio dissimulado. O bem público e a moral são completamente esquecidos. Os servos, esses, constituem apenas instrumentos de enriquecimento pessoal e símbolos de ostentação, sendo completamente esquecidos enquanto pessoas. Pelo contrário, são normalmente encarados como bêbados e preguiçosos e castigados duramente. A alienação interesseira das almas constitui o cúmulo, o expoente máximo do desprezo pelo ser humano.

        Gogol faz também uma caracterização mordaz das mulheres da alta sociedade. Quase desprovidas de inteligência, são capazes de alimentar os maiores dos boatos. Preocupam-se acima de tudo com as aparências e o seu comportamento social gira sempre em torno do “galanteio” ou então da maledicência. O que é certo é que Gogol acaba por apontar o dedo acusador aos homens que, na sua maioria, se deixam envolver pela maledicência, pondo em causa tudo e todos com os boatos mais torpes. Na Rússia as pessoas gostam de falar de escândalos, diz Gogol. O leitor não pode deixar de questionar: só na Rússia?

        O final do livro é absolutamente brilhante, com a resposta a dois mistérios que se mantinham desde o início: qual a verdadeira personalidade de Chichikov (que Gogol habilmente vai escondendo) e com que intenção comprava ele as almas. A surpresa das respostas é tal que o leitor é levado a rever todas as explicações que o seu espírito foi construindo ao longo da leitura. 

Nikolai Gogol. Romance Almas Mortas.

 

Entendendo o romance:

 

01 – Qual é a importância histórica e literária de Almas Mortas no cenário da literatura russa?

      A obra é um marco fundamental porque representou a transição do Romantismo do século XIX para o Realismo na Rússia. Com isso, Nikolai Gogol consolidou-se como um dos maiores precursores de gigantes da literatura mundial, como Liev Tolstói e Fiódor Dostoiévski.

02 – No contexto histórico da servidão russa retratado no livro, o que significava o termo "almas"?

      O termo "almas" era utilizado para designar os camponeses (servos) que eram tratados como propriedade legal de seus senhores. Os proprietários de terras tinham total controle sobre a vida, o corpo e o destino dessas pessoas.

03 – Qual é o plano central do protagonista Chíchikov na narrativa e que mistério o envolve?

      O plano de Chíchikov consiste em viajar pela Rússia para comprar servos (almas) que já haviam falecido, mas que ainda constavam como vivos nas listas oficiais de recenseamento do governo. A verdadeira intenção por trás dessas transações e a real personalidade do protagonista são mistérios mantidos por Gogol e revelados de forma surpreendente apenas no final do livro.

04 – Como o texto descreve a atitude dos russos da época em relação à hierarquia social, e quem é o alvo principal da crítica de Gogol?

      Gogol critica asperamente a profunda subserviência da sociedade russa, onde as pessoas costumavam desprezar os indivíduos de classes inferiores e bajular os superiores de maneira descarada e interesseira. O alvo principal de sua crítica é a pequena aristocracia rural avarenta (uma espécie de classe média), além de funcionários públicos corruptos e comerciantes desonestos.

05 – Os vendedores que negociam com Chíchikov representam facetas negativas da alma humana. Como o texto caracteriza os personagens Manilov e Pliúshkin?

      Manilov: É caracterizado como um pequeno proprietário extremamente preguiçoso, sem vontade própria e totalmente desprovido de ambição.

      Pliúshkin: Representa o ápice da avareza. Apesar de possuir mais de mil servos e os seus celeiros cheios de riquezas agrícolas, ele escolhe viver na mais absoluta miséria por puro apego material.

06 – De acordo com a obra, como os proprietários de terras enxergavam e tratavam os seus servos vivos?

      Os servos eram desumanizados, sendo vistos apenas como instrumentos de enriquecimento pessoal e símbolos de ostentação. Os senhores costumavam rotulá-los como preguiçosos e bêbados, ignorando-os como seres humanos e aplicando-lhes castigos duríssimos.

07 – Como Nikolai Gogol caracteriza as mulheres da alta sociedade na obra e qual comportamento social ele estende também aos homens?

      As mulheres da alta sociedade são descritas de forma mordaz como pessoas quase desprovidas de inteligência, focadas apenas nas aparências, no galanteio e na fofoca. No entanto, o autor aponta que os homens não são diferentes: a maioria deles também se deixa envolver pela maledicência, espalhando e alimentando os boatos e escândalos mais torpes.

 

 

 

POEMA: SOLITÁRIO - AUGUSTO DOS ANJOS - COM GABARITO

 Poema: SOLITÁRIO

          Augusto dos Anjos

Como um fantasma que se refugia
Na solidão da natureza morta,
Por trás dos ermos túmulos, um dia,
Eu fui refugiar-me à tua porta!

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiuBget58pcyVfHCcWd9hqSbW35cMTQmgJAwWhdEw3fosBaupzty_J17CEY3vkmmi9-gt7GEDKjmSV5IHDAYB9_C7r9uQoXf6P0AIIB0F7f2l8qnxOwiB2kkijk201qPMNWV6yMuFdBfRxJWFmUgZRwIRErNi5s1b89UVbmQC2j-QHhVaETuU6Mi8l4c7Y/s320/maxresdefault.jpg



Fazia frio e o frio que fazia
Não era esse que a carne nos conforta...
Cortava assim como em carniçaria
O aço das facas incisivas corta!

Mas tu não vieste ver minha Desgraça!
E eu saí, como quem tudo repele,
-- Velho caixão a carregar destroços --

Levando apenas na tumba carcaça
O pergaminho singular da pele
E o chocalho fatídico dos ossos!

Augusto dos Anjos

Entendendo o poema:

01 – O que a comparação inicial do eu lírico com um "fantasma" revela sobre o seu estado psicológico no início do poema?

      Ao se comparar a um "fantasma que se refugia / Na solidão da natureza morta", o eu lírico revela um estado de profundo isolamento, desumanização e invisibilidade existencial. Ele não se sente um homem vivo, mas uma assombração vagando por ambientes fúnebres ("ermos túmulos"). Esse ponto de partida mostra que a sua busca pela porta do ser amado era uma tentativa desesperada de encontrar amparo e salvação para a sua própria decadência.

02 – Como o frio é caracterizado na segunda estrofe e qual o significado dessa descrição para a mensagem do poema?

      O frio não é descrito como um fenômeno climático comum ou suportável, mas como uma força destrutiva e violenta. O eu lírico afirma que "não era esse que a carne nos conforta", mas um frio que "cortava assim como em carniçaria / O aço das facas incisivas corta". Essa imagem agressiva e anatômica (típica do vocabulário científico e expressionista de Augusto dos Anjos) simboliza a dor dilacerante da rejeição e a hostilidade do ambiente que o cercava.

03 – Qual é a reação do ser interpelado diante do sofrimento do eu lírico e qual a consequência imediata disso?

      O ser interpelado ignora completamente o sofrimento do eu lírico ("Mas tu não vieste ver minha Desgraça!"). A consequência imediata dessa indiferença é o abandono definitivo de qualquer esperança. O eu lírico vai embora tomado pelo desprezo e pela repulsa absoluta em relação ao mundo e a si mesmo, retirando-se "como quem tudo repele".

04 – Na terceira estrofe, o eu lírico se compara a um "velho caixão a carregar destroços". Como essa metáfora sintetiza a sua condição após a rejeição?

      Essa metáfora sintetiza a morte em vida e o esvaziamento interno da personagem. O eu lírico deixa de ter um corpo funcional para se transformar em um mero objeto funerário ("velho caixão"). Os "destroços" que ele carrega representam suas memórias fragmentadas, suas ilusões desfeitas e os restos psicológicos de um amor ou de uma dignidade que foram completamente destruídos pelo abandono.

05 – Como os conceitos de morte e materialidade física são reforçados nos três versos finais do poema?

      Nos versos finais, o eu lírico reduz a própria existência à matéria puramente biológica e em decomposição. Ele descreve o próprio corpo como uma "tumba carcaça", a pele como um "pergaminho singular" (velho, seco e desgastado) e os ossos como um "chocalho fatídico". O som dos ossos batendo uns contra os outros funciona como um prenúncio trágico e inevitável do fim absoluto, despindo o ser humano de qualquer traço de espiritualidade ou beleza.