sábado, 27 de junho de 2026

FÁBULA: A FIGUEIRA - LEONARDO DA VINCI - COM GABARITO

 Fábula: A Figueira

 

        Era uma vez uma figueira que não dava frutos. Todos passavam por ela sem olhá-la.

        Durante a primavera as folhas cresciam, mas quando chegava o verão, e as outras árvores estavam carregadas de frutos, nada aparecia em seus galhos.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiEWuq1e9Gi_w01uAgGvtDQ3kFfN5BIJdyDkaJPqPoEjUMamVkkNJlcMdaB8PhfMk6YJXb7Yvul96LY3WI9lf6LCeTU5h4KFfel5RIXEc11QrrExTAllpTnxilUC2_wa_GEpNhGA0DQQ8d_udltw90Rvy7vcoG6QCc6r8eP8e5OCpCFXY1EgjILyrBVURg/s320/images.jpg


        -- Eu gostaria tanto que me apreciassem! – suspirou a figueira – queria só produzir frutos como as outras árvores!

        Tentou e tornou a tentar até que, em certo verão, viu-se carregada de figos. O Sol fez os figos crescerem e incharem, tornando-os doces e perfumados.

        Todos repararam nisso. Jamais alguém tinha visto uma figueira tão carregada de frutos. E imediatamente houve uma correria para ver quem colhia mais figos. Subiram pelo tronco. Curvaram os galhos mais altos com varas compridas e o peso das pessoas fez com que alguns ramos ficassem partidos. Todos tentavam roubar os deliciosos figos, e em breve a pobre figueira viu-se toda torta e quebrada.

        Moral: Portanto, àqueles que querem chamar a atenção pode acontecer, para sua desgraça, receberem mais do que desejam.

                                                      Leonardo da Vinci. Fábulas de Leonardo Da Vinci (Século XV).

 

Entendendo a fábula:

01 – Como era a vida da figueira no início da história e qual era o seu maior desejo?

      A figueira era estéril e não dava nenhum fruto, fazendo com que todos passassem por ela sem lhe dar atenção. Seu maior desejo era ser apreciada pelas pessoas e conseguir produzir frutos doces como as outras árvores do lugar.

02 – O que aconteceu quando a figueira finalmente conseguiu realizar o seu desejo no verão?

      Ela conseguiu se carregar de figos, que cresceram e ficaram doces e perfumados sob o Sol. Sua fartura chamou tanto a atenção que as pessoas fizeram uma verdadeira correria para ver quem conseguia colher mais frutos.

03 – De que forma as pessoas agiram para conseguir os figos da árvore?

      As pessoas agiram de forma agressiva e egoísta. Elas subiram pelo tronco da árvore, curvaram e forçaram seus galhos mais altos usando varas compridas, e todos tentavam roubar o máximo de figos que podiam.

04 – Qual foi a consequência física para a figueira após a colheita desesperada das pessoas?

      Devido ao peso excessivo das pessoas e à violência com que os galhos foram puxados e forçados, vários ramos da pobre figueira terminaram partidos, deixando-a completamente torta e quebrada.

05 – Como a moral da história conecta o sofrimento da figueira com o comportamento humano?

      A moral explica que as pessoas que fazem de tudo para chamar a atenção do mundo e serem notadas podem acabar, para a sua própria infelicidade e desgraça, recebendo muito mais atenção (e cobrança/invasão) do que realmente conseguem suportar.

 

FÁBULA: A FORMIGA E O GRÃO DE TRIGO - LEONARDO DA VINCI - COM GABARITO

 Fábula: A Formiga e o Grão de Trigo

 

        Um grão de trigo, deixado sozinho no campo após a colheita, esperava pela chuva a fim de esconder-se novamente sob a terra.

        Uma formiga viu o grão, colocou-o nas costas e partiu penosamente em direção ao distante formigueiro.

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        À medida que andava, o grão de trigo parecia pesar cada vez mais sobres suas costas cansadas.

        -- Por que você não me deixa aqui? – perguntou-lhe o grão de trigo.

        A formiga respondeu:

        -- Se eu deixar você para trás, podemos não ter provisões para o inverno. Em nosso formigueiro há muitas formigas e cada um de nós deve levar para o celeiro todo o alimento que encontrar.

        -- Mas eu não fui feito só para ser comido – objetou o grão de trigo – sou uma semente, cheia de vida, e meu destino é dar origem a uma planta. Ouça, cara formiga, vamos fazer um pacto.

        A formiga, contente por poder descansar um pouco, colocou o grão de trigo no chão e perguntou:

        -- Que pacto?

        -- Se você me deixar aqui no campo – respondeu o grão de trigo – em vez de me levar para o formigueiro, eu darei a você, daqui a um ano, cem grãos de trigo exatamente iguais a mim.

        A formiga olhou para o grão de trigo com ar incrédulo.

        -- Sim, cara formiga. Creia no que estou lhe dizendo. Se você desistir de mim agora eu lhe darei cem de mim, cem grãos de trigo para o seu celeiro.

        A formiga pensou:

        -- Cem grãos em troca de um só... Mas isso é um milagre!

        -- E como é que você vai fazer isso? – perguntou ela.

        -- Isso é um mistério – respondeu o grão de trigo – é o mistério da vida. Cave um buraquinho, enterre-me dentro dele e volte dentro de um ano.

        No ano seguinte a formiga voltou. O grão de trigo transformara-se numa nova planta carregada de sementes, cumprindo, portanto, sua promessa.

        Moral: Ter paciência e saber abrir mão de um ganho imediato pode gerar recompensas muito maiores no futuro.

 

Leonardo da Vinci. Fábulas de Leonardo Da Vinci (Século XV).

 

Entendendo a fábula:

01 – O que o grão de trigo estava esperando no campo e o que a formiga fez ao encontrá-lo?

      O grão de trigo estava esperando sozinho pela chuva para conseguir se esconder e enterrar novamente no solo. Quando a formiga o viu, colocou-o nas costas e começou a carregá-lo com dificuldade em direção ao seu formigueiro para servir de alimento.

 

02 – Qual foi o argumento da formiga para não deixar o grão de trigo para trás quando ele pediu?

      A formiga argumentou que se o deixasse ali, faltariam provisões para o inverno. Ela explicou que a colônia tinha muitas formigas e que era o dever de cada uma levar todo alimento encontrado para o celeiro.

 

03 – Como o grão de trigo tentou convencer a formiga a mudar de ideia e qual foi o pacto proposto?

      O grão afirmou que seu destino não era ser apenas comido, mas sim dar origem a uma nova planta. Ele propôs o seguinte pacto: se a formiga o deixasse no campo, ele prometia dar a ela exatamente cem grãos de trigo dali a um ano.

 

04 – O que a formiga precisou fazer para que o pacto funcionasse e como o grão descreveu o processo?

      A formiga precisou cavar um buraquinho e enterrar o grão de trigo na terra. Quando ela perguntou como aquilo aconteceria, o grão explicou que era um mistério — o mistério da vida e da reprodução da natureza.

 

05 – O que a formiga encontrou ao retornar ao campo no ano seguinte e a promessa foi cumprida?

      Ao retornar um ano depois, a formiga encontrou uma planta nova e completamente carregada de sementes. O grão de trigo cumpriu perfeitamente a sua promessa, multiplicando o alimento da formiga.

 

 

 

FÁBULA: A LAGARTA - LEONARDO DA VINCI - COM GABARITO

 Fábula: A Lagarta

 

        Imóvel sobre uma folha, a lagarta olhou em torno e viu todos os insetos em contínua movimentação. Alguns cantando, outros saltando, outros ainda correndo e voando. Pobre criatura, era a única que não tinha voz e que não sabia nem correr nem voar.

 

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        Com grande esforçou começou a mover-se, mas tão lentamente que quando passou de uma folha para outra sentiu-se como se tivesse dado a volta ao mundo.

        No entanto não tinha inveja de ninguém. Sabia que era uma lagarta e que as lagartas precisam aprender a tecer finos fios, com grande habilidade, até construírem uma casinha para si mesmas.

        E então pôs-se a trabalhar.

        Dentro em breve a lagarta estava envolvida num macio casulo de seda, separada de todo o resto do mundo.

        -- E agora? – pensou ela.

        -- Agora espere – respondeu uma voz – tenha um pouco de paciência e você verá.

        Quando chegou o momento a lagarta acordou, e não era mais uma lagarta. Saiu do casulo com duas lindas asas brilhantes e coloridas, e imediatamente voou bem alto no céu.

        Moral: Cada um tem o seu próprio tempo para crescer e florescer.

 

Leonardo da Vinci. Fábulas de Leonardo Da Vinci (Século XV).

 

Entendendo a fábula:

 

01 – Como a lagarta se sentia ao observar os outros insetos ao seu redor no início do texto?

      Ela se via como uma "pobre criatura", pois era a única que não tinha voz e não sabia correr, cantar, saltar ou voar como os outros insetos que se movimentavam sem parar.

 

02 – Qual era a atitude da lagarta em relação ao seu próprio ritmo lento e às habilidades dos outros insetos?

      Apesar de se esforçar muito para se mover (sentindo-se como se desse a volta ao mundo ao mudar de folha), ela não tinha inveja de ninguém. Ela aceitava que era uma lagarta e sabia exatamente qual era a sua tarefa naquele momento.

 

03 – Qual era o trabalho que a lagarta sabia que precisava realizar?

      Ela sabia que as lagartas precisavam aprender a tecer finos fios com grande habilidade, trabalhando até construírem uma casinha protetora para si mesmas.

 

04 – O que aconteceu após a lagarta se envolver no macio casulo de seda e o que a voz lhe aconselhou?

      Ela ficou completamente isolada e separada do resto do mundo dentro do casulo. Ao se perguntar o que aconteceria dali em diante, uma voz respondeu que ela deveria apenas esperar e ter um pouco de paciência.

 

05 – Como terminou o processo de transformação da lagarta quando chegou o momento certo?

      Quando chegou o momento, a lagarta acordou totalmente transformada. Ela saiu do casulo não mais como uma criatura rastejante, mas com duas lindas asas brilhantes e coloridas, voando imediatamente bem alto no céu.

 

FÁBULA: A LEOA - LEONARDO DA VINCI - COM GABARITO

 Fábula: A Leoa

        Os caçadores, armados com espadas e afiadas lanças, aproximaram-se em silêncio. A leoa, amamentando os filhotes, farejou-os e percebeu o perigo.

        Porém era tarde. Os caçadores estavam ali, prontos para atacar.

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        À vista das armas, a leoa, aterrorizada, quase fugiu correndo. Mas se fizesse isso deixaria seus filhotes à mercê dos caçadores. Resolveu defender seus filhos. Baixou os olhos, a fim de não ver as ameaçadoras espadas de ferro que enchiam de medo seu coração, e, tomando um impulso desesperado, saltou para o meio dos caçadores.

        Sua grande coragem salvou-a.

        Moral: O amor verdadeiro e o senso de dever nos dão forças para superar o medo mais profundo.

                                                    Leonardo da Vinci. Fábulas de Leonardo Da Vinci (Século XV).

 

Entendendo a fábula:

01 – O que a leoa estava fazendo quando percebeu a aproximação dos caçadores?

      A leoa estava amamentando os seus filhotes tranquilamente quando farejou o cheiro dos caçadores e percebeu o perigo iminente.

02 – Com quais armas os caçadores estavam equipados para atacar a leoa?

      Os caçadores estavam armados com espadas e lanças afiadas, e se aproximaram em total silêncio.

03 – Qual foi o primeiro impulso da leoa ao ver as armas e por que ela decidiu não segui-los?

      O primeiro impulso da leoa, tomada pelo terror, foi fugir correndo. No entanto, ela decidiu não fazer isso porque percebeu que, se fugisse, deixaria seus filhotes indefesos e à mercê dos caçadores.

04 – Que estratégia a leoa usou para vencer o medo que sentia em seu coração antes de atacar?

      Ela baixou os olhos propositalmente para não enxergar as ameaçadoras espadas de ferro dos caçadores, evitando que o pânico a paralisasse antes do ataque. 

05 – Como a história termina e o que acabou salvando a vida da leoa e de seus filhotes?

      Tomando um impulso desesperado, a leoa saltou diretamente para o meio dos caçadores. O que a salvou (e consequentemente salvou seus filhotes) foi a sua enorme demonstração de bravura e coragem.

 

 

 

 

FÁBULA: A LÍNGUA E OS DENTES - LEONARDO DA VINCI - COM GABARITO

 Fábula: A Língua e os Dentes

 

        Era uma vez um menino que tinha o mau hábito de falar mais que o necessário.

        -- Que língua! – suspiraram os dentes certo dia – nunca fica parada, nunca sossega!

        -- Por que é que vocês estão resmungando? – perguntou a língua em tom arrogante – Vocês, os dentes, são meros escravos, e seu trabalho resume-se em mastigar o que eu decidir. Não temos nada em comum, e não permitirei que vocês se metam em meus negócios.

Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiOT1jczsWD4XklEYvztTf5LhDoS8rF7UHmiORcIfUfeYdQYx5X_sVhQBoOXWjS6sWkUb4ePkqhWVH8OtvgJFJYqMWJJV21FUbHfMWqD1NKiXOy3nQvMcico6EooJ5g_1g88n40TSB1A_Q4EAkqjDOiLNKRqo6Pw8ReRToEaYifZVKE8dru8EU_-GHU_LE/s320/67439443-desenho-animado-ilustracao-apresentando-a-aberto-boca-exibindo-uma-lingua-e-dentes-criando-uma-humoristico-expressao-com-uma-engracado-face-conjunto-contra-uma-limpar-limpo-branco-fundo-vetor.jpg
 

        E então o menino continuou falando, algumas vezes de maneira imprópria, e sua língua sentia-se muito feliz, aprendendo novas palavras a cada dia.

        Porém um dia o menino comportou-se mal e permitiu à sua língua contar uma grande mentira. Os dentes obedeceram ao coração, fecharam-se e morderam a língua.

        A partir desse dia a língua tornou-se tímida e prudente, e passou a pensar duas vezes antes de falar.

        Moral: A arrogância e a falta de controle sobre o que dizemos inevitavelmente nos levam ao erro e ao sofrimento.

 

Leonardo da Vinci. Fábulas de Leonardo Da Vinci (Século XV).

 Entendendo a fábula: 

01 – Qual era o mau hábito do menino no início da história?

        O menino tinha o péssimo hábito de falar muito mais do que o necessário, sem qualquer filtro ou controle sobre as suas palavras.

02 – Por que os dentes reclamaram da língua e como ela reagiu ao protesto deles?

      Os dentes reclamaram porque a língua nunca ficava parada ou sossegada. A língua reagiu com extrema arrogância, chamando os dentes de "meros escravos" cuja única função era mastigar o que ela decidia, exigindo que não se metessem em seus negócios.

03 – Apesar de falar de maneira imprópria, como a língua se sentia no dia a dia?

      A língua sentia-se muito feliz e orgulhosa, aproveitando cada dia para aprender novas palavras e continuar falando sem barreiras.

04 – O que desencadeou a reação violenta dos dentes contra a língua?

      O gatilho foi quando o menino se comportou mal e permitiu que a sua língua contasse uma grande mentira. Diante disso, seguindo as ordens do coração, os dentes se fecharam repentinamente e morderam a língua.

05 – Como mudou o comportamento da língua após ser mordida pelos dentes?

      Após a dolorosa punição, a língua perdeu sua arrogância. Ela se tornou muito mais tímida e prudente, passando a refletir e a pensar duas vezes antes de proferir qualquer palavra.

 

 

 

quinta-feira, 25 de junho de 2026

POEMA: DESEJOS - CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE - COM GABARITO

 Poema: DESEJOS

           Carlos Drummond de Andrade

Desejo a vocês...
Fruto do mato
Cheiro de jardim
Namoro no portão
Domingo sem chuva
Segunda sem mau humor
Sábado com seu amor
Filme do Carlitos
Chope com amigos
Crônica de Rubem Braga
Viver sem inimigos
Filme antigo na TV
Ter uma pessoa especial
E que ela goste de você
Música de Tom com letra de Chico
Frango caipira em pensão do interior
Ouvir uma palavra amável
Ter uma surpresa agradável
Ver a Banda passar
Noite de lua cheia
Rever uma velha amizade
Ter fé em Deus
Não ter que ouvir a palavra não
Nem nunca, nem jamais e adeus.
Rir como criança
Ouvir canto de passarinho.
Sarar de resfriado
Escrever um poema de Amor
Que nunca será rasgado
Formar um par ideal
Tomar banho de cachoeira

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhefAMkdC0UB1raOZgNYGQzkG54Jeb3Fq861fJjgHp-O751UUyx7clJELB0Igz1kZyyn_aHEboJkZ0imcGK8U7Zv1X0djLt_t4OeQDfHo0-Ok7Gwi9eUEi-93jAEp7Fq22JkA_SS9pkYtDeTvcfo8yydzX_ysOa00KG7n56pGGDF90zkUmSloNwfS4yzbE/s320/CACHOEIRA.jpg


Pegar um bronzeado legal
Aprender uma nova canção
Esperar alguém na estação
Queijo com goiabada
Pôr-do-Sol na roça
Uma festa
Um violão
Uma seresta
Recordar um amor antigo
Ter um ombro sempre amigo
Bater palmas de alegria
Uma tarde amena
Calçar um velho chinelo
Sentar numa velha poltrona
Tocar violão para alguém
Ouvir a chuva no telhado
Vinho branco
Bolero de Ravel
E muito carinho meu.

Carlos Drummond de Andrade. Desejos. Poemas clássicos.

Entendendo o poema:

01 – Qual é a principal característica das coisas desejadas pelo eu lírico no poema?

      A principal característica é a simplicidade. O eu lírico não deseja bens materiais grandiosos, luxo ou conquistas extraordinárias. Em vez disso, ele foca em pequenos prazeres cotidianos, momentos de paz e confortos simples da vida, como um "domingo sem chuva", um "banho de cachoeira", "ouvir a chuva no telhado" ou "calçar um velho chinelo".

02 – O poema faz referências diretas à cultura brasileira e à arte. Quais são os artistas ou obras explicitamente mencionados no texto?

      O poema cita os seguintes ícones culturais:

      Carlitos: O famoso personagem de Charlie Chaplin ("Filme do Carlitos").

      Rubem Braga: Um dos maiores cronistas do Brasil ("Crônica de Rubem Braga").

      Tom e Chico: Os grandes músicos Tom Jobim e Chico Buarque ("Música de Tom com letra de Chico").

      Chico Buarque (indiretamente): Através da menção à sua famosa música ("Ver a Banda passar").

      Maurice Ravel: O compositor francês ("Bolero de Ravel").

03 – Como o eu lírico aborda as relações humanas e os sentimentos afetivos no poema?

      As relações humanas são tratadas com base na reciprocidade, no companheirismo e na ausência de conflitos. Ele deseja o afeto romântico ("Sábado com seu amor", "Ter uma pessoa especial / E que ela goste de você"), a amizade verdadeira ("Chope com amigos", "Rever uma velha amizade", "Ter um ombro sempre amigo") e a harmonia social, expressa no desejo de "Viver sem inimigos".

04 – No trecho "Não ter que ouvir a palavra não / Nem nunca, nem jamais e adeus", qual é o sentimento que o eu lírico busca evitar para os seus destinatários?

      Ele busca evitar os sentimentos de rejeição, frustração e separação definitiva. As palavras "não", "nunca", "jamais" e "adeus" carregam um peso de corte, perda e finalidade dolorosa. O eu lírico deseja que a vida dos destinatários seja fluida, acolhedora e cheia de possibilidades positivas, livre dessas rupturas drásticas.

05 – Como o poema termina e qual é o "desejo final" que o eu lírico oferece?

      O poema termina criando uma atmosfera clássica, sensorial e íntima, mencionando "Vinho branco" e o "Bolero de Ravel". O desejo final, que sela todo o texto, é a entrega do afeto do próprio eu lírico: "E muito carinho meu". Isso transforma o poema não apenas em uma lista genérica de votos, mas em um presente pessoal e afetuoso para quem o lê.

 

CRÔNICA: A IGREJA DO DIABO - RESENHA - MACHADO DE ASSIS - COM GABARITO

 Crônica: A igreja do diabo – Resenha

          Machado de Assis               

        Certo dia o Diabo teve a grande ideia de fundar uma igreja pois estava cansado de ter tantos súditos e não ter organização, um ritual, enfim estava cansado de não ter regras. O Diabo pensava que ao abrir uma igreja, estaria destruindo de vez todas as outras religiões, enquanto as outras se combatiam e dividiam, a igreja do Diabo seria única. Decidido isso ele foi aos céus avisar a Deus e desafiá-lo.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgl6ZoQb6u3vzDyrbS3C5ylkGLnvlX2AAthaIkiG9EDwlmUBP5vAe4PPCeGIILVXPNKnviJvNiT4TVQjKLfMSB0FYnU1MxZPuUqiihJiM7CRXvELfpUpDNPxjV-bCgUwOd5Il_dqLEu24X3tMt30k5GMbKDJ5RJLkmJtCFcKFlyhMYuigGtp0-Dfu7Yy3M/s320/IGREJA.png


        Chegando ao infinito azul, o Diabo encontrou Deus e o comunicou sobre a Igreja dizendo que faria todos os humanos negares suas virtudes e desceu a terra para colocar seu plano em prática.

        Uma vez na Terra o Diabo não perdeu um minuto, entrou para espalhar uma doutrina nova e extraordinária. Prometeu a seus discípulos e fiéis as delícias da terra, todas as glórias. Confessava que era o Diabo para provar para os seres humanos que ele não era tudo que Deus falava e que também era um pai e podia dar tudo que fosse pedido. A multidão veio mesmo aos seus pés.

        Ele clamava que as virtudes aceitas deveriam ser substituídas pelas naturais e legítimas. A soberba, a luxuria, a preguiça foram reabilitadas e assim também a avareza, que declarou não ser mais do que a mãe da economia. A ira e a gula agora eram muito bem vistas. Quanto a inveja, pregou friamente que era a virtude principal, preciosa, que chegava a suprir todas as outras.

        Ele chamava a fraude de braço esquerdo do homem, o direito era a força. A demonstração mais rigorosa e profunda foi à venalidade, dizia ele que era o exercício de um direito superior a todos os direitos. Se você pode vender a sua casa, o seu boi, porque não pode vender sua opinião? o teu voto, tua fé? Coisas que são mais do que sua, porque são sua própria consciência, isto é, tu mesmo?

        E assim o Diabo descia e subia, examinava tudo. Todas as formas de respeito foram condenadas por eles, a única exceção do interesse. Para arrematar a obra entendeu o Diabo que lhe cumpria cortar por toda a solidariedade humana. Não se devia dar ao próximo nada, a não ser a indiferença e em alguns casos, ódio ou desprezo. A única hipótese que lhe permitia amar ao próximo era quando se tratasse de amar a mulher alheia.

        As pessoas foram chegando e a igreja fundara-se, a doutrina propagara-se, não havia ninguém que a não conhecesse, uma língua que não a traduzisse, uma raça que não a amasse.

        O Diabo alcançou brados de triunfo. Muitos anos depois o Diabo notou que muitos dos seus fies, às escondidas praticavam as antigas virtudes, não todas nem integralmente, mas principalmente ligação a dias católicos e esmolas.

        A descoberta assombrou o Diabo pois haviam casos em todos os lugares. Não se deteve um instante, voou de novo ao céu, tremulo de raiva, ansioso para conhecer a causa secreta de tão singular fenômeno. Deus o ouviu calmamente, não o interrompeu, não o surpreendeu, não triunfou, sequer daquela agonia satânica.

        Pôs os olhos nele e disse-lhe:

        -- Que queres tu? É a eterna contradição humana.

        É interessante observar nesse conto a natureza contraditória do ser humano, parece que tudo aquilo que é proibido é o que queremos e se essa mesma coisa se torna permitida, já perde a graça e logo já queremos outro desafio e acabamos sempre insatisfeitos. Os homens, como seres imperfeitos, não conseguem viver com nada que for extremo, ainda mais com o que a religião diz que seus fiéis devem supostamente obedecer, sendo assim contraditórios a todo instante.

        Nossas atitudes se encaixam perfeitamente nessa “igreja do Diabo”, temos o sério hábito de cometer pecados capitais, trapacear, fazer adultério e mentir. O texto apresenta o Diabo com características essencialmente humanas, ele quer a todo o instante o poder e a dominação.

        Um detalhe muito importante de se perceber nessa obra é que Deus é apresentado assim como nós vemos ELE mesmo, com paciência, convivência com o livre arbítrio e muita sabedoria, pois em nenhum momento ele se opunha nas atitudes do Diabo e das pessoas.

        No entanto o que ocorre é que, assim como não somos capazes de seguir todas as virtudes exigidas por Deus, também não seriamos capazes de exercer todos os “ensinamentos” da igreja do Diabo, é a incapacidade do ser humano de seguir um extremo. A todo instante o homem esta entre o ‘bem’ e o ‘mal’ e não consegue aceitar apenas um destes.

Machado de Assis. A igreja do diabo – Resenha.

 

Entendendo a crônica:

 

01 – Qual foi o principal motivo que levou o Diabo a fundar a sua própria igreja na Terra?

      O Diabo estava cansado de ter muitos súditos, mas nenhuma organização, regras ou rituais formais. Além disso, ele acreditava que, enquanto as outras religiões se dividiam e combatiam entre si, a sua igreja seria única e destruiria todas as outras de uma vez por todas.

 

02 – Como o Diabo reabilitou os antigos pecados capitais e a fraude em sua nova doutrina?

      Ele pregou que as virtudes tradicionais deveriam ser substituídas pelas "naturais". Assim, a soberba, a luxúria e a preguiça viraram qualidades; a avareza foi declarada a "mãe da economia"; a inveja virou a virtude principal; e a fraude foi definida como o "braço esquerdo do homem" (sendo a força o direito).

 

03 – Qual foi o argumento do Diabo para justificar a "venalidade" (o ato de se vender/aceitar suborno) como um direito superior?

      Ele argumentou que, se o ser humano tem o direito de vender seus bens materiais — como uma casa ou um boi —, seria perfeitamente legítimo vender coisas que lhe pertencem ainda mais profundamente, como sua opinião, seu voto, sua fé e sua própria consciência.

 

04 – Que descoberta surpreendente e assombrosa o Diabo fez muitos anos após o sucesso de sua igreja?

      Ele notou que muitos de seus fiéis estavam, às escondidas, praticando as antigas virtudes cristãs que ele havia proibido, recorrendo especialmente à prática de dar esmolas e ao apego a datas católicas.

 

05 – Qual é a grande conclusão filosófica do texto sobre a "eterna contradição humana" dita por Deus?

      A conclusão é que o ser humano é incapaz de viver nos extremos. Assim como a humanidade não consegue seguir perfeitamente todas as virtudes exigidas por Deus, ela também falha em cumprir a maldade absoluta da igreja do Diabo. O homem é imperfeito e vive em uma constante oscilação entre o bem e o mal.

 

 

POEMA: DE QUANTAS GRAÇAS TINHA, A NATUREZA - LUÍS DE CAMÕES - COM GABARITO

 Poema: De quantas graças tinha, a Natureza

            Luís de Camões

De quantas graças tinha, a Natureza
Fez um belo e riquíssimo tesouro,
E com rubis e rosas, neve e ouro,
Formou sublime e angélica beleza.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi8H3oY2fC3Irg0i31MA5pkdvAWzKS6DCuKZTfOfQKIB-VXpZdUL2T76JySmZy0ojkWxMCRafaiGp_5Z3sqUHr6UHyH53YVz0caRyulHxoe2ys1XGYt94zbk8EwxA869jQXj1_xVTxxxm9tzHEXDxrNH-WJ4eYxbemuJ3KBxxJlpSfb1rG6cy_Z5IaI6gs/s320/contato-com-a-natureza-770x513-1.jpg



Pôs na boca os rubis, e na pureza
Do belo rosto as rosas, por quem mouro;
No cabelo o valor do metal louro;
No peito a neve em que a alma tenho acesa.

Mas nos olhos mostrou quanto podia,
E fez deles um sol, onde se apura
A luz mais clara que a do claro dia.

Enfim, Senhora, em vossa compostura
Ela a apurar chegou quanto sabia
De ouro, rosas, rubis, neve e luz pura.

Luís de Camões.

Entendendo o poema:

01 – Como Camões utiliza os elementos da natureza na primeira estrofe para introduzir a figura da mulher amada?

      O poeta personifica a Natureza, transformando-a em uma artista ou artesã que reúne todas as suas "graças" (virtudes e dons) para criar um "belo e riquíssimo tesouro". Esse tesouro é composto por quatro elementos cromáticos e materiais específicos: rubis, rosas, neve e ouro. A união dessas matérias-primas resulta em uma beleza que transcende o plano terreno, sendo classificada como "sublime e angélica".

02 – De que maneira as metáforas da segunda estrofe se distribuem para construir o retrato físico (o retrato da bela dama) da mulher?

      Camões distribui os elementos do "tesouro" da Natureza associando-os diretamente às características físicas da mulher, seguindo o padrão de beleza idealizado do Renascimento:

      Os rubis representam o vermelho vivo dos lábios (a boca).

      Os botões de rosa simbolizam o rubor e a vivacidade das bochechas (o belo rosto).

      O metal louro (ouro) representa a cor e o valor dos cabelos loiros.

      A neve simboliza a brancura, a pureza e a alvura do peito (colo).

03 – Qual é o paradoxo sentimental expresso pelo eu lírico no verso "No peito a neve em que a alma tenho acesa"?

      O paradoxo reside na oposição entre as sensações de frio (representado pela "neve" do peito da mulher) e calor (representado pela alma "acesa" de amor do eu lírico). Ao mesmo tempo em que o peito da amada evoca uma pureza fria, distante e intocável como a neve, essa mesma brancura é o elemento que inflama, incendeia e mantém aquecida a paixão ardente na alma do poeta.

04 – Por que os olhos da mulher recebem um destaque especial na terceira estrofe em relação às outras partes do corpo?

      Porque, segundo o eu lírico, foi nos olhos que a Natureza demonstrou o ápice do seu poder criativo ("Mas nos olhos mostrou quanto podia"). Em vez de usar pedras preciosas ou flores, a Natureza transformou os olhos da amada em um "sol". Esse sol emite uma luminosidade espiritual e física tão intensa que consegue superar a própria claridade do dia ("A luz mais clara que a do claro dia"), tornando-se o centro de poder da beleza dela.

05 – Como a última estrofe (o terceto final) sintetiza a estrutura do soneto e a intenção do poeta ao se dirigir à "Senhora"?

      O terceto final funciona como uma conclusão lógica do poema. Ao dirigir-se diretamente à mulher ("Enfim, Senhora..."), o eu lírico amarra todos os elementos citados anteriormente. Ele afirma que a "compostura" (a harmonia, a postura e a formação) dela representa o limite máximo do conhecimento da Natureza. O encerramento retoma e sintetiza as cinco grandes matérias que fundaram o poema — "ouro, rosas, rubis, neve e luz pura" —, consagrando a mulher como a obra-prima definitiva do universo.



terça-feira, 23 de junho de 2026

POEMA: SOU UMA FILHA DA NATUREZA - CLARICE LISPECTOR - COM GABARITO

Poema: SOU UMA FILHA DA NATUREZA

            CLARICE LISPECTOR

"Sou uma filha da natureza:
quero pegar, sentir, tocar, ser.
E tudo isso já faz parte de um todo,
de um mistério.
Sou uma só... Sou um ser.
E deixo que você seja. Isso lhe assusta?
Creio que sim. Mas vale a pena.
Mesmo que doa. Dói só no começo."

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhx6XJ6Hawt2NYMtMlfNbz6TKdij_FpwVc6IPIO_0k7bkpb7oSQ9jp4pZ6XccFUyOZcdALdujKksDS4Vwjyec2cp22fjxWpcuZu_bpTo_0p1053ADlVIAaPlDXSPS1ta0IZZ00h-Ae9qPGViq3t_ulO1bG-Tdwlyqh08LdFWHwisz3d3J5gP9noLdG87IU/s320/a-natureza.png


Clarice Lispector.

Entendendo o poema:

01 – O que significa a afirmação "Sou uma filha da natureza" no contexto das intenções expressas pelo eu lírico?

      Significa um desejo profundo de conexão com o estado mais puro, instintivo e visceral da existência. Ao se autodenominar "filha da natureza", o eu lírico rejeita as amarras das convenções sociais ou das intelectualizações excessivas para se posicionar como alguém que busca uma experiência de vida imediata, orgânica e sem intermediários.

02 – Como os verbos de ação utilizados no segundo verso ("pegar, sentir, tocar, ser") estruturam a busca existencial da autora?

      Há uma progressão que vai do plano físico e sensorial até o plano metafísico. Os verbos "pegar, sentir, tocar" representam o desejo de apreender o mundo através do corpo, do tato e da percepção material. Essa imersão nos sentidos é o caminho necessário para desaguar no verbo final: "ser". Para Clarice, a existência plena só é alcançada quando nos permitimos experimentar a realidade fisicamente.

03 – De que forma o eu lírico articula a relação entre a individualidade e a totalidade do mundo?

      O texto equilibra uma aparente contradição: o eu lírico afirma sua individualidade absoluta ("Sou uma só... Sou um ser"), mas reconhece que essa existência única não está isolada. Ela já está integrada a uma dimensão universal e enigmática ("E tudo isso já faz parte de um todo, / de um mistério"). Ser indivíduo, para a autora, é participar ativamente do mistério do universo.

04 – Qual é o impacto do questionamento "E deixo que você seja. Isso lhe assusta?" na relação com o outro?

      Esse questionamento revela que a liberdade oferecida ao outro pode ser aterrorizante. "Deixar o outro ser" significa abrir mão do controle, das projeções e das expectativas, permitindo que a outra pessoa exista em sua alteridade e mistério próprios. O susto reside justamente no desamparo e na imensidão que acompanham a verdadeira liberdade individual dentro de um relacionamento.

05 – Como o eu lírico justifica a dor mencionada nos versos finais do poema?

      O eu lírico assume que o processo de libertação e de aceitação da própria essência (e da essência do outro) gera sofrimento ("Mesmo que doa"). No entanto, defende que a dor é uma etapa passageira e necessária para o amadurecimento ("Dói só no começo"). No final, o sofrimento inicial é validado pelo resultado emancipatório, concluindo-se de forma categórica que "vale a pena".

 

POEMA: QUANDO EU NÃO TE TINHA - FERNANDO PESSOA - COM GABARITO

 Poema: Quando eu não te tinha

             Fernando Pessoa

Amava a natureza como um monge calmo a Cristo...
Agora amo a natureza como um monge calmo a Virgem Maria...
Religiosamente, a meu modo, como antes,
Mas de outra maneira, mais comovida e mais próxima...
Vejo melhor os rios quando vou contigo
Pelos campos à beira dos rios;
Sentado a teu lado reparando nas nuvens
Reparo nelas melhor...
Tu não me tiraste a natureza...
Tu mudaste a Natureza...
Trouxeste a Natureza para o pé de mim.
Por tu me amares, amo-a do mesmo modo, mas mais,
Porque tu me escolhestes para te ter e te amar,

Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi2pjrB7PlRdkLsXB-JFlokM9ix555mbOSL6TkSi7kt0Tx-vuwo-eKSX8yetaLViRxf5x_Q8_KAGMiFgfV78HQipwIiL4fbHaOGoCZjURVIRBtR8nTgkc0tCZOEmwGsnsOv_J1_okvZdlftsMukrOUEaZWqOe5Nfz-togijxKGCy_tRx3ay2j0DLj-YJP8/s320/55095786-9704-457d-a622-851854c3b5b3.jpeg 



Os meus olhos fitaram-na mais demoradamente
Sobre todas as coisas.
Não me arrependo do que fui outrora
Porque ainda o sou..."

Fernando Pessoa.

Entendendo o poema:

01 – Como o eu lírico compara o seu amor pela natureza antes e depois do envolvimento amoroso?

      O eu lírico utiliza uma analogia religiosa para marcar essa transição. Antes, ele amava a natureza "como um monge calmo a Cristo", sugerindo um amor devocional, puro, mas talvez mais abstrato ou distante. Agora, com a chegada da pessoa amada, ele passa a amá-la "como um monge calmo a Virgem Maria". Esse novo amor continua sendo religioso e calmo, porém torna-se "mais comovido e mais próximo", ganhando um contorno mais terno, afetivo e humanizado.

02 – De que maneira a presença da pessoa amada altera a percepção visual do eu lírico em relação aos elementos naturais?

      A presença do ser amado funciona como uma lente que amplifica e intensifica a visão do mundo. O eu lírico afirma explicitamente que vê "melhor os rios" quando caminha com o outro e que, sentado ao seu lado, consegue reparar "melhor" nas nuvens. A experiência do amor não o distrai do mundo exterior; pelo contrário, aguça os seus sentidos, fazendo com que seus olhos fitem a natureza "mais demoradamente / Sobre todas as coisas".

03 – Qual é o significado dos versos "Tu não me tiraste a natureza... / Tu mudaste a Natureza..."?

      Esses versos desconstroem a ideia romântica tradicional de que o amor por alguém cega o indivíduo para o resto do mundo ou substitui os antigos interesses. O eu lírico esclarece que o sentimento não anulou sua conexão com o meio ambiente ("Tu não me tiraste a natureza"), mas transformou a própria essência da realidade geográfica ("Tu mudaste a Natureza"), conferindo-lhe um novo significado e uma nova beleza através do afeto compartilhado.

04 – O que significa, no contexto do poema, a afirmação de que o ser amado "trouxe a Natureza para o pé de mim"?

      Significa que o amor humanizou e aproximou a imensidão do mundo natural, tornando-a íntima e acessível. A expressão "para o pé de mim" (um regionalismo português para "perto de mim") denota proximidade física e aconchego. A natureza, que antes era um cenário vasto e exterior a ser contemplado, passa a ser uma experiência vivida de perto, quase palpável, graças à mediação do relacionamento amoroso.

05 – Como o desfecho do poema reforça a ideia de continuidade e evolução da identidade do eu lírico?

      Nos versos finais ("Não me arrependo do que fui outrora / Porque ainda o sou..."), o eu lírico deixa claro que a sua transformação não foi uma ruptura ou uma negação do seu passado. Ele não rejeita o observador contemplativo que era antes de amar. O amor não o destruiu nem o transformou em outra pessoa; apenas expandiu e aprofundou a sua capacidade de sentir. Ele continua sendo essencialmente o mesmo, mas agora enriquecido pela experiência de amar e ser amado.