sábado, 17 de outubro de 2026

CONTO: OS TAMBORES DE JURITI - COM GABARITO

 Conto: Os tambores de Juriti

 

        Juriti, ave mágica e protetora do povo Juruna, mandou avisar:
        — Esses três tambores contêm toda a água necessária para a sobrevivência da aldeia. Recomendo não tocar neles.

        Acontece que alertas desse tipo acabam despertando a curiosidade dos que se consideram mais destemidos. Foi esse o caso dos filhos do cacique…

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiI__fDBNcjKcnd7GQsJVsnaNyfaBVLaQZpBinp7yyozYQsOGu4KsC2UGlqUObjTsBUQyns9fsEw0QBxJCaIFIMOgEp9J5JHqHua4hiIZ4lgzJiYrJ9DfGB7eqA-SHpjPfimv-LSuW8SF7mm0jYvxJqy_6ijSjbVC1qIaJccNoa6JFsSAjQ9qrTRoG8y7o/s320/tambores.jpg


        A seca era forte naquele ano e a aldeia estava sofrendo sem água, com plantas e bichos morrendo. Não havia a comida e a abundância com as quais os indígenas estavam acostumados.

        Foi então que os três meninos, considerados muito espertos, trataram de pensar numa solução para o problema. E não demorou para que um deles lembrasse:

        — A aldeia tem água! Está bem aqui, nesses três tambores.

        Os outros dois irmãos deram pra trás:

        — Não podemos tocar nos tambores de Juriti, nosso pai não permitirá.

        Além do respeito ao pai, corria na aldeia uma história bem impressionante envolvendo os tambores. Parece que, dentro deles, havia um peixe gigante, monstruoso, comedor de gente. Portanto, quem abrisse os tambores, soltaria a fera aquática.

        Mas menino quando é danado ninguém segura. Assim, o mais novo dos três filhos do cacique, o que teve a lembrança, decidiu quebrar os tambores e, na presença dos irmãos, foi engolido pelo peixe gigante!

        Os outros dois, aterrorizados, correram o quanto puderam, deixando rastros e aberturas no chão da mata. Foram em disparada contar ao pai o que tinha acontecido.

        Desesperado, o cacique, clamou aos céus e solicitou a presença de Juriti para implorar por seu filho engolido pelo peixe-fera.

        Juriti, soberana e sábia, analisou o caso e disse:

        — Veja o rastro que seus filhos deixaram no caminho. Veja a água que agora corre no chão.

        Das aberturas no solo, surgiram os rios Xingu e Amazonas, além de belas cachoeiras e córregos.

        E, sim, Juriti perdoou a desobediência do menino caçula que teve boa intenção. Restaurou a vida dele, e a aldeia Juruna nunca mais passou sede.

Habilidade EF67LP28.

Os tambores de Juriti. Ciência Hoje da Crianças, Rio de Janeiro, nº 375, abr. 2026. Disponível em: https://www.chc.org.br/artigo/os-tambores-de-juriti/. Acesso em: 26 maio 2026.

Fonte: Mapas de Progresso. Língua Portuguesa: 7º ano. Ensino Fundamental. Anos Finais. 3º bimestre. SEDUC. Rio de Janeiro, 2026. p. 11-12.

Entendendo o conto:

01 – Quem é Juriti na narrativa, qual alerta ela fez à aldeia do povo Juruna e o que esse aviso acabou despertando nos jovens?

      Juriti é uma ave mágica e protetora do povo Juruna. Ela alertou que ninguém deveria tocar nos três tambores, pois eles guardavam toda a água necessária para a sobrevivência da aldeia. No entanto, esse alerta acabou despertando a curiosidade e o desejo de desobediência nos jovens mais destemidos.

02 – Qual era a situação vivida pela aldeia que motivou o filho caçula do cacique a pensar em abrir os tambores de Juriti?

      A aldeia enfrentava uma seca muito forte, com plantas e animais morrendo por falta de água. Diante do sofrimento do povo e da ausência de comida e recursos, o menino mais novo quis encontrar uma solução para a sede de todos, lembrando-se de que havia água guardada nos tambores.

03 – Além do respeito à ordem do pai (o cacique), qual era o outro motivo de receio citado na história que fazia os indígenas hesitarem em mexer nos tambores?

      Havia um rumor assustador na aldeia de que dentro dos tambores habitava um peixe gigante, monstruoso e comedor de gente, de modo que quem tentasse abrir os recipientes acabaria soltando essa perigosa fera aquática.

04 – Qual foi a consequência imediata enfrentada pelo filho caçula ao quebrar os tambores e qual foi a reação de seus dois irmãos?

      Assim que o caçula quebrou os tambores, ele foi engolido pelo peixe gigante. Aterrorizados com a cena, os outros dois irmãos saíram correndo pela mata em disparada para contar o ocorrido ao pai.

05 – Como os elementos da natureza (rios, córregos e cachoeiras) surgiram na história a partir do momento em que os irmãos fugiram? Quais rios específicos foram criados?

      Enquanto os irmãos fugiam aterrorizados, deixavam rastros e aberturas no solo da mata por onde a água contida nos tambores começou a escorrer e transbordar. Dessas fendas surgiram belas cachoeiras, córregos e, em especial, os rios Xingu e Amazonas.

06 – Qual foi a atitude do cacique diante do desaparecimento de seu filho e como a ave Juriti agiu em relação à desobediência do menino?

      Desesperado, o cacique clamou aos céus e pediu a presença de Juriti para implorar pela vida do filho engolido. Juriti, sendo sábia e soberana, analisou a situação e perdoou o menino caçula porque sua desobediência foi motivada por uma boa intenção (salvar a aldeia da seca). Ela restaurou a vida do garoto e garantiu que a aldeia nunca mais passasse sede.

07 – De acordo com os aspectos culturais dos mitos indígenas, qual é a principal função explicativa (etiológica) dessa narrativa para a tradição do povo Juruna?

      A narrativa cumpre uma função etiológica, ou seja, serve para explicar de forma mítica e poética a origem geográfica de importantes recursos naturais do Brasil — como a formação dos rios Xingu e Amazonas e das cachoeiras —, além de reforçar valores culturais como o respeito à natureza, o cuidado coletivo e a intenção por trás dos atos.

ARTIGO DE OPINIÃO: SAPOS, RÃS, PERERECAS E CIÊNCIA CIDADÃ - FRAGMENTO - JOÃO LACERDA - COM GABARITO

 Artigo de opinião: Sapos, rãs, pererecas e ciência cidadã – Fragmento

         João Lacerda

        Tem gente que tem paixão por flores, por selos, por passarinhos ou por… sapos! Sapos? Sim, por sapos. Ou melhor, por anfíbios em geral. Acontece com algumas pessoas que escolhem a biologia como profissão. Mas esse interesse pode acontecer também entre crianças. E essa curiosidade apaixonada pode resultar em bons projetos e em ciência cidadã! Já ouviu falar? Acompanhe esta história…

Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjEXpZTKvjUWP6-jHxGeir6oAroh3PsgrHUFrFgW94TnllWQBFQfP8PeO8-n0XEQnTLddPvZXTF9XjLL_e8DJ1RBC6egVAXFUOV6k0WL3FTc6DtVuwdGAWIeGtrUoxAVTk7-iBIQqja1ydy461WV4hMn3eqPoYzpoDBUxXcRWjvf6eucwEzL2J3yHc33bk/s320/images.jpg 


        [...]

        De repente, um toc-toc-toc à noite, perto do brejo, chama a atenção. “Quem bate?” Na verdade, a pergunta deveria ser: “quem coaxa?”, porque o som é típico da perereca-martelo. Na sequência, ouve-se um “fiu-fiu-fiu”. Seria um passarinho caído da árvore? Que nada! É a rãzinha-assobiadora, que não se contém de alegria depois de um banho de chuva.

        Os anfíbios têm cantos característicos para diferentes situações – reprodução, defesa, ataque, alimentação… E cada espécie possui um coaxo exclusivo, só dela! Por isso, especialistas em anfíbios conseguem saber quem está coaxando com alguma facilidade.

        Mas nem só de encantamento com coaxos vivem esses profissionais. Diversos estudos na área demonstram que, sem os anfíbios, nossas casas, quintais e plantações teriam muito mais formigas, mosquitos, aranhas e escorpiões. Isso porque esses animais são a base da alimentação de sapos, rãs e pererecas, isto é, dos anfíbios.

        [...]

Habilidade EF69LP54.

LACERDA, João V.; GUILARDI-LOPES, Natalia P. Sapos, rãs, pererecas e ciência cidadã. Ciência Hoje das Crianças, Rio de Janeiro, nº 353, abr. 2024. Disponível em: https://chc.org.br/artigo/sapos-ras-pererecas-e-ciencia-citada/. Acesso em: 26 maio 2026.

Fonte: Mapas de Progresso. Língua Portuguesa: 7º ano. Ensino Fundamental. Anos Finais. 3º bimestre. SEDUC. Rio de Janeiro, 2026. p. 04.

Entendendo o artigo:

01 – Segundo o texto, o interesse apaixonado por anfíbios pode surgir em quais perfis de pessoas e qual impacto positivo essa curiosidade pode gerar?

      O interesse por anfíbios pode surgir em pessoas que escolhem a biologia como profissão, mas também em crianças. Essa curiosidade apaixonada é capaz de resultar no desenvolvimento de bons projetos e no fortalecimento da ciência cidadã.

02 – O texto descreve os sons "toc-toc-toc" e "fiu-fiu-fiu" ouvidos perto do brejo. A quais animais o autor atribui esses barulhos e como eles são produzidos?

      O som "toc-toc-toc" é atribuído à perereca-martelo (que coaxa com esse som característico). Já o som "fiu-fiu-fiu" pertence à rãzinha-assobiadora, que emite esse canto de alegria após tomar um banho de chuva.

03 – Por qual motivo os especialistas em anfíbios conseguem identificar com facilidade qual animal está coaxando em determinado local?

      Eles conseguem identificar os animais porque cada espécie de anfíbio possui um coaxo exclusivo e característico para diferentes situações cotidianas, como reprodução, defesa, ataque e alimentação.

04 – Qual é a importância ecológica e prática dos sapos, rãs e pererecas para o cotidiano humano (casas, quintais e plantações), segundo os estudos citados no texto?

      Os anfíbios desempenham um papel fundamental no controle biológico de pragas e pequenos invertebrados, pois formigas, mosquitos, aranhas e escorpiões formam a base de sua alimentação. Sem eles, haveria um aumento excessivo desses insetos e aracnídeos nesses ambientes.

05 – O título do texto une dois conceitos: os anfíbios ("Sapos, rãs, pererecas") e a "ciência cidadã". Com base na introdução, como esses dois temas se relacionam no artigo?

      Eles se relacionam no fato de que o interesse e a curiosidade do público geral (incluindo crianças e não cientistas) por anfíbios podem ser canalizados para ajudar na coleta de dados, na observação da natureza e na preservação da biodiversidade, transformando o encantamento popular em colaboração direta com a pesquisa científica (ciência cidadã).

 

 

 

PARÁBOLA: GARÇOM, PROVE ESTA SOPA! COM GABARITO

 Parábola: Garçom, prove esta sopa!

        A história da sopa e os problemas de comunicação

        Uma senhora estava num restaurante observando com interesse o cardápio, e depois de consultá-lo resolveu fazer o pedido, solicitando ao garçom uma sopa, que lhe pareceu muito saborosa. O garçom solícito lhe serviu a sopa afastando-se em seguida. Quando ele se aproximou novamente, a mulher o chamou com um gesto, e rapidamente ele a atendeu.

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiKTIuaJOCrffBgNNPry7_LWZOYSBMWrhQaghlnZyrMUzrtwQNIbtzkWICOQU69zjsgbSTATFuq84-hrCDXYTtk1mK1Vzu6U47ZECEy0xmGCbm4vt8JPtiZXgPCpsoa9VOaO_k5aNPwBjxBrRI5Vg8RzyDfTqW0K5lcgRr7FXFk_cuTXoOJE9S3i_IYgvk/s320/images.jpg


        – Em que posso ajudá-la senhora?

        – O senhor poderia experimentar a sopa, por favor?

        – Algum problema com a sopa?

        – Apenas prove a sopa.

        – Está fria? Falta sal?

        – Não sei. Prove a sopa.

        – A senhora encontrou algo estranho nela?

        – Garçom, por favor, prove a sopa!

        – Está bem! Onde está a colher!

        – Esse é o problema.

Habilidade EF05LP10.

Fonte: Mapas de Progresso. Língua Portuguesa: 7º ano. Ensino Fundamental. Anos Finais. 3º bimestre. SEDUC. Rio de Janeiro, 2026. p. 09.

Entendendo a parábola:

01 – O que faz a cliente chamar o garçom de volta à mesa após receber a sopa e qual era a intenção real do pedido dela?

      A cliente chama o garçom de volta porque percebeu a falta de um utensílio essencial para consumir a refeição: a colher. A intenção real do seu pedido era demonstrar de forma indireta e prática essa ausência, fazendo com que o próprio garçom percebesse a falta ao tentar provar a sopa.

02 – Diante da insistência da senhora para que ele prove a sopa, quais foram as suposições que o garçom fez sobre o problema? Por que ele levantou essas hipóteses?

      O garçom supôs que o problema pudesse ser a temperatura (se estava fria), o tempero (se faltava sal) ou a presença de algo estranho no prato. Ele levantou essas hipóteses porque, no contexto de um restaurante, essas são as reclamações mais comuns relacionadas à qualidade da comida.

03 – Como a atitude da cliente em não responder diretamente às perguntas do garçom contribuiu para o ruído na comunicação?

      Em vez de informar diretamente a ausência da colher, a cliente limitou-se a repetir a ordem "Prove a sopa". Essa postura omitiu a informação crucial e fez com que o garçom fizesse várias perguntas desnecessárias, gerando dúvida, frustração e atraso na resolução de um problema simples.

04 – Qual é o clímax (momento de maior tensão) e a virada cômica/irônica no desfecho da narrativa?

      O clímax ocorre quando o garçom cede à insistência da cliente e aceita provar a sopa, perguntando "Onde está a colher?". A virada cômica e irônica acontece na resposta final da senhora: "Esse é o problema", revelando que todo o mistério e a discussão eram apenas pela falta do talher.

05 – Tendo em vista o subtítulo do texto ("A história da sopa e os problemas de comunicação"), qual é a principal lição ou reflexão que essa parábola traz sobre as relações humanas e a comunicação interpessoal?

      A parábola ensina que a falta de clareza e objetividade na comunicação gera mal-entendidos e perda de tempo. Quando as pessoas preferem a indireta ou assumem que o outro deve "adivinhar" o problema em vez de expressá-lo de forma direta e transparente, criam-se conflitos e ruídos desnecessários na convivência diária.

 

 

quinta-feira, 15 de outubro de 2026

AVALIAÇÃO PROCESSUAL SEE - 3º BIM/2026 - 8º ANO EF -LÍNGUA PORTUGUESA - COM GABARITO

 Avaliação Processual SEE - 3º bimestre/2026 - 8º ano EF

  

LÍNGUA PORTUGUESA

 

Leia o texto.

O agente secreto

Filme escrito e dirigido por Kleber Mendonça Filho, se passa no Brasil de 1977 onde Marcelo (Wagner Moura), um homem de 40 anos que trabalha como professor especializado em tecnologia, sai da movimentada São Paulo e vai para Recife. Ele tenta fugir do seu passado violento e misterioso, com a intenção de começar uma nova vida. [...] Para piorar a situação, além de Marcelo estar sendo espionado pelos seus vizinhos, vê que a cidade que achou que o acolheria ficou muito longe de ser o seu refúgio.

O AGENTE secreto. Omelete, 2026. Disponível em: www.adorocinema.com. Acesso em: 21 fev. 2026. (Adaptado).

 Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEigjc842P5CcTX5HeBaXGibjn7oF_jM2DqrrLzTogUix9lQ1F46xNuuTsDnADeKEBOehzghE9FUEhkuqRg4cOq3WfcbB5zhuRTeg5dACOq9y8VBu87_Ur-9OzEXq3iMu2LA65YmAaCKDtukxXnBsKHnRAibAjwxmSCElMlsXkZDtoQUaiUD5EuKdKGn6W0/w174-h87/images.jpg


 

01. O termo em destaque no texto cumpre a função sintática de

a.   sujeito.

b.   objeto direto.

c.   agente da passiva.

d.   complemento nominal.

 

Leia o texto.

 

A série acompanha as aventuras no tempo de Anita, focando sua versão de 15 anos, que vive em 2006, aproximadamente. Aproveitando a oportunidade de recriar o universo nostálgico dos anos 2000, a produção não economiza nas referências e resgata todos os estilos mainstream da época. Com um cenário muito familiar para boa parte de seu público, a De Volta aos 15 se torna um abraço reconfortante para quem guarda boas memórias daqueles tempos, ao mesmo tempo que aproveita as limitações da era analógica para entreter o espectador mais jovem com piadas sobre videocassetes e rádios à pilha.

RIBEIRO, Pedro Henrique. De Volta aos 15 promove nostalgia reconfortante para tempos difíceis. Omelete, [s. d.]. Disponível em: www.omelete.com.br. Acesso em: 21 fev. 2026. (Adaptado).

  

02. A análise do trecho em destaque permite classificá-lo como

 a.   objeto direto de um verbo transitivo direto.

b.   objeto indireto de verbo intransitivo.

c.   complemento nominal do sujeito.

d.   adjunto adverbial de tempo.

 

Leia o texto.

 

Nova espécie prima da jabuticaba e com pelos dourados é descoberta em Cunha, SP

Em meio à neblina densa e ao verde predominante da Mata Atlântica, um brilho dourado chamou a atenção de pesquisadores na trilha do Rio Bonito, no Parque Estadual da Serra do Mar, em Cunha (SP). O que parecia apenas um detalhe na paisagem revelou-se um tesouro botânico inédito para a ciência: a Myrcia barbata. A nova espécie, uma pequena árvore (ou arbusto) de cerca de 3 a 4 metros de altura, foi oficialmente descrita em um artigo científico publicado na revista internacional Phytotaxa em dezembro de 2025. O nome curioso não é por acaso: barbata vem do latim e significa "com barba", uma referência direta à densa camada de pelos dourados que reveste seus ramos, folhas jovens e botões florais.

PERONTI, Rodrigo. Nova espécie prima da jabuticaba e com pelos dourados é descoberta em Cunha, SP. G1, 2026. Disponível em: https://g1.globo.com/. Acesso em: 21 fev. 2026.

 

03. O fato central da notícia demonstra a relevância do tema para o(a)

a.   descrição turística da trilha do Rio Bonito.

b.   divulgação da revista científica internacional.

c.   descoberta de uma espécie vegetal na Mata Atlântica.

d.   debate sobre preservação ambiental no litoral paulista.


Leia o texto.

 A média de chuvas em praticamente todas as estações de medição da região metropolitana de São Paulo está abaixo da média histórica para janeiro e tende a se manter assim durante todo o primeiro trimestre do ano, com exceção do posto de medição do Mirante de Santana, na zona norte da capital, que já superou a média para janeiro. 

 A situação se deve à dificuldade de avanço de frentes frias, vindas do Sul, e da umidade vinda pelo Oeste, originada do Atlântico e da Amazônia, condições que têm relação com a alta anômala causada pela persistência do fenômeno La Niña no oceano Pacífico.

Com a influência do La Niña, confirmada pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a condição de seca em todo o estado de São Paulo se agrava. O estado já está em condição de seca severa ou extrema desde janeiro de 2024, com exceção do norte, com seca severa nos últimos 12 meses. As demais regiões do estado são consideradas pelo Inmet como em condição de seca extrema nos últimos 12 meses. 

JERONYMO, Guilherme. Chuvas abaixo da média tendem a persistir e agravar seca em São Paulo. Agência Brasil, Brasília, jan. 2026. Disponível em: https://agenciabrasil.ebc.com.br/. Acesso em: 21 fev. 2026.

 

04. No texto, identificam-se características próprias do gênero notícia, evidenciadas pelo(a)

a.   construção poética da paisagem paulista.

b.   narrativa ficcional sobre fenômenos naturais.

c.   relato em primeira pessoa sobre experiências com a seca.

d.   apresentação de dados climáticos e menção a um órgão oficial.

 

Leia o texto.

 

O registro de filhotes de tubarão, esta semana, em Cabo Frio, chamou a atenção de moradores e levantou dúvidas sobre riscos a banhistas. Da espécie cação (ou tubarão rabo seco), o primeiro animal chegou a ser capturado no Canal Palmer, próximo à Praia do Siqueira, e logo foi devolvido à água. No dia seguinte, outro foi visto no Canal do Itajuru, próximo à ponte Feliciano Sodré. À Folha, o biólogo Eduardo Pimenta disse que o mesmo filhote pode ter sido avistado duas vezes. Mas ele não descarta a possibilidade de que existam outros filhotes já que, segundo explicou, a presença de tubarões é um fenômeno natural desta época do ano na costa da Região dos Lagos.

FILHOTES de tubarão aparecem em Cabo Frio e biólogo descarta risco a banhistas. Folha dos Lagos, 27 jan. 2026. Disponível em: www.folhadoslagos.com. Acesso em: 21 fev. 2026.

 

05. No trecho, observa-se o uso do discurso indireto. Esse recurso se caracteriza por

a.   inserir diálogo direto entre morador e pesquisador.

b.   expor pensamento do jornalista em primeira pessoa.

c.   apresentar a fala do biólogo de forma literal e entre aspas.

d.   reproduzir a explicação do especialista à narração do repórter.


 

             Leia o cartum.

 



Disponível em: www.instagram.com. Acesso em: 21 fev. 2026.

 

06. Na fala da personagem feminina, a presença de objeto indireto se explica, porque o termo

 a.   "postar" estabelece relação de predicação nominal.

b.   "que" retoma o complemento sem função sintática.

c.   "selfie" funciona como sujeito paciente da ação verbal.

d.   "gostar" exige complemento introduzido por preposição.

 

 

quarta-feira, 14 de outubro de 2026

CRÔNICA: QUEREIS ENCONTRAR MARIDO? - APRENDEI!... LIMA BARRETO - COM GABARITO

 Crônica: Quereis encontrar marido? – Aprendei!...

            Lima Barreto

 

        A Livraria Schetino, desta cidade, há tempos, editou um pequeno opúsculo de doze páginas, tipo graúdo, entrelinhado, com este soberbo título: Quereis encontrar Mari­do? – Aprendei!...

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhzRxw2-AVecRrRMEA_lcoo2LoxqigAR0h_phf87kUzUyPs4MhdfDadpUXH-WLKR8OaI6nCCvBksbPzn6irHQHCV6Lcfyj9T63JhAoIw2gsxQf5wx_LlT0ZLcyvvW8TgmKP87x1f47XSuWFacjTNxwy9iyWtY5PHGHMza0v0wlpXdNVNzwaiYz83ZAOm3w/s320/images.jpg


        É autor do livro uma senhora, da. Diana D’Alteno, que, a seguir a regra geral, nunca encontrou o seu. Digo isto porque, na quase totalidade, todas as pessoas que se propõem a fornecer tal coisa ou outra aos seus semelhantes, não a possuem. Haja vista os feiticeiros, negromantes, cartomantes, adivinhos, hierofantes, que estão sempre prontos a dar fortuna aos outros, mas que, entretanto, não têm níquel, pois precisam de espórtulas e gratificações para os seus generosos serviços.

        Da. Diana D’Alteno começa o seu interessante opúsculo assim, deste modo, que transcrevo tal e qual: “Gentis e amáveis moças solteiras. É a vós que dedico estes meus escritos. O motivo que me induz a traçar estas linhas é um dos mais vitais, e quiçá dos mais graves.”

        Depois desta invocação às suas caras leitoras, a autora entra de pronto no “argumento”.

        Sabem qual é este argumento? Pois fale ela. Eis as suas palavras: Permiti, pois, que vos fale disso como coisa nova.

        “Se trata do terrível dépeuplement!, a diminuição progressiva do crescimentos, que poderá um dia ser causa de tremendos conflitos entre as nações, aproveitando-se umas sobre as outras de maior a menor número de combatentes.”

        Vejam os senhores só como esta senhora está adiantada em matéria de previsão histórica e como a sua sociologia é muito obstétrica e ginecológica.

        O despovoamento pode ser um dia causa de tremendos conflitos, fenômeno terrível que ela qualifica mais adiante: “espada de Dâmocles suspensa sobre a cabeça de boa parte do gênero humano”. A senhora D’Alteno, ao acabar de fazer tão curiosa descoberta, não fica satisfeita. Parece que o seu gênio é como a atividade catequizadora de São Francisco Xavier; quer ir mais longe, mais longe. Amplius!

        Então toma a palavra pela segunda vez e descobre a causa. Mais uma vez passo para aqui as palavras da ilustre socióloga:

        “Pela segunda vez, peço permissão de tomar a palavra e explicar sem ambages qual seja esse motivo: é a diminuição dos matrimônios. É o caso de dizer: ‘a pequenas causas, grandes efeitos’ e na verdade, os matrimônios se tornam cada vez mais raros e mais difíceis.”

        Peço licença para observar à ilustre senhora coisas simples. Antes, tenho a dizer que nada entendo dessas coisas sociais, mesmo em se tratando de casamentos. Não é ativi­dade da minha seara intelectual, mas já foi dito que cada qual tem o direito de ter uma opinião e de dize-la. Eu julgo que o casamento nada tem com o despovoamento. Pode haver multiplicação da humanidade sem ele, como pode ha­ver com ele. O “crescei e multiplicai-vos” não subentende casamento algum. Há muitas espécies animais que obedecem ao preceito bíblico e prescindem de semelhante cerimônia. Por acaso entre os nossos animais domésticos que crescem e se multiplicam, apesar das pestes, das facas das cozinheiras, do choupo, etc., há pastores e sacerdotes encarregados de realizar casamentos? Não.

        Estou bem certo que a autora não se zangará comigo, apesar do seu nome que, entretanto, não é também propício aos destinos do seu singular folheto. Mas... Afirma da. Diana que “o homem (o grifo é dela) tem medo do matri­mônio. Um sacro terror se apoderou dele a tal palavra”.

        Ainda uma vez peço licença à ilustre autora para discordar. O “homem” não tem medo do matrimônio; o “homem” o quer sempre. A culpa é da mulher que escolhe muito. Se ela casasse com o primeiro que encontrasse, a tal história não se daria. Eu, por exemplo, atiro ao terreiro um grão de milho; se não houver um galináceo que o coma, ele germina logo. Agora, se ele quiser terra especial ou a terra quiser um grão especial, a coisa é outra. Vai ver a ilustre autora como me vai dar razão nas suas penúltimas palavras que são estas:

        “Permanecei ‘mulher’, se quereis um dia ser mãe – a ‘Maternidade!’ é esta a maior vitória que glorifica a mulher; é esta a sua grandiosa obra.”

        Não falaria eu com tanto calor, mas diria a mesma coisa com simplicidade, chãmente. Vossa excelência, porém, está no seu direito, apesar de Diana, de faze-lo da forma que o fez.

        E essas suas palavras vêm à pelo agora quando várias senhoritas se assanham para entrar para a Estrada de Ferro, para o Tesouro, como funcionárias públicas.

        Há nisto vários erros, uns de ordem política, outros de ordem social.

        Os de ordem política consistem em permitir que essas moças se inscrevam em concurso para aspirar um cargo públi­co, quando a lei não permite que elas o exerçam.

        Não sou inimigo das mulheres, mas quero que a lei seja respeitada, para sentir que ela me garante.

        Nos países em que se há permitido que as mulheres exerçam cargos públicos, os respectivos parlamentos têm votado leis especiais nesse sentido. Aqui, não. Qualquer ministro, qualquer diretor se julga no direito de decidir sobre matéria tão delicada. É um abuso contra o qual eu já protestei e protesto.

        Quando era ministro Joaquim Murtinho – da Fazenda – é preciso saber – uma moça requereu inscrever-se em concurso para o Tesouro. Sabem o que ele fez, depois de ouvir as repartições competentes? Indeferiu o pedido, por não haver lei que tal autorizasse.

        Nos Telégrafos e Correios, as moças têm acesso, porque os respectivos regulamentos – autorizados pelo congresso – permitem. Nas outras repartições, não; é abuso.

        Mulher não é, no nosso direito, cidadão.

        Está sempre em estado de menoridade. Por aí iria longe; por isso convém parar.

        Spencer, na Introdução à Ciência Social observa que desde que o serviço militar obrigatório foi instituído em França, para todos os rapazes entre dezoito e vinte e um anos, o que obrigou as raparigas a virem a fazer os serviços que compe­tiam àqueles, as exigências de altura, talhe, etc., para os re­crutas foram pouco a pouco diminuindo; o trabalho da mulher tinha influído na geração...

        Krafft-Ebbing diz, não sei onde, que a profissão da mulher é o casamento; por isso cumprimento da. Diana D’An­teno por ter escrito o seu interessante opúsculo: Quereis’ encontrar Marido? – Aprendei!

Hoje, Rio, 26-6-1919.

Entendendo a crônica:

01 – Qual é a contradição inicial apontada por Lima Barreto em relação à autora do livro e de que maneira o cronista ironiza sua autoridade no assunto?

      Lima Barreto aponta a ironia de a autora, Da. Diana D’Alteno, ter escrito um guia sobre como encontrar marido sem nunca ter se casado. O cronista satiriza essa posição ao compará-la a charlatães — como cartomantes, adivinhos e feiticeiros —, que prometem riqueza e soluções aos outros, mas continuam sem recursos próprios e dependem de gratificações para sobreviver.

 

02 – Como a autora do opúsculo associa a queda nos casamentos ao cenário geopolítico global e qual é a crítica do autor a essa visão?

      A autora relaciona a escassez de matrimônios ao despovoamento (dépeuplement), prevendo que a falta de crescimento populacional gerará conflitos internacionais graves devido à desigualdade no número de soldados entre as nações. Lima Barreto ridiculariza a abordagem classificando-a como uma sociologia "obstétrica e ginecológica", criticando o alarmismo do argumento e desconstruindo o rigor de sua análise.

 

03 – De que forma o autor rebate a ideia de que o casamento é indispensável para a preservação e o crescimento da espécie humana?

      O cronista desvincula o preceito de proliferação do matrimônio formal. Ele argumenta que o mandamento "crescei e multiplicai-vos" não exige ritos matrimoniais, exemplificando com os animais domésticos, que continuam a se multiplicar sem a necessidade de sacerdotes, pastores ou cerimônias cartorárias para formalizar a união.

 

04 – Qual é a divergência entre Lima Barreto e a autora no que diz respeito ao "medo do matrimônio" por parte dos homens?

      Enquanto a autora sustenta que os homens sentem um "sacro terror" do casamento, Lima Barreto afirma que os homens estão dispostos a se casar, mas atribui o entrave às exigências das mulheres na escolha dos parceiros. O autor utiliza a metáfora do grão de milho atirado ao terreiro: a semente germina facilmente, a menos que a terra exige condições excessivamente específicas.

 

05 – Qual é o posicionamento do cronista em relação ao ingresso das mulheres no serviço público e qual o argumento legal utilizado?

      Lima Barreto manifesta-se contrário à entrada de mulheres em cargos públicos sem legislação prévia favorável. O argumento central apoia-se no princípio da legalidade: por não serem consideradas cidadãs de pleno direito pela legislação da época e estarem juridicamente em "estado de menoridade", sua admissão por decisão unilateral de diretores ou ministros constituiria um abuso administrativo.

 

06 – Como o autor fundamenta seu protesto contra a atuação de autoridades no acesso de mulheres às repartições públicas, citando um exemplo histórico?

      O cronista cita a decisão do ex-ministro da Fazenda, Joaquim Murtinho, que indeferiu a inscrição de uma mulher em concurso público por falta de amparo legal. O autor destaca que a presença feminina só é legítima onde há regulamentação aprovada pelo Congresso — a exemplo dos Correios e Telégrafos —, classificando qualquer concessão fora dessas diretrizes como uma violação das leis vigentes.

 

07 – De que modo o texto articula as teorias de Spencer e Krafft-Ebing para respaldar a tese de que a função primordial da mulher seria o casamento?

      O autor recorre a Herbert Spencer para ilustrar como o trabalho físico feminino — decorrente do recrutamento militar dos homens na França — teria impactado negativamente a formação biológica das novas gerações. Na sequência, cita Krafft-Ebing para chancelar a tese de que a ocupação natural da mulher é o matrimônio. Com essa fundamentação, o cronista encerra o texto validando a premissa central do folheto de Diana D'Alteno.