quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

FÁBULA: A MOSCA E A FORMIGUINHA - MONTEIRO LOBATO - COM GABARITO

FÁBULA: A MOSCA E A FORMIGUINHA
                   MONTEIRO LOBATO


    - Sou fidalga! – dizia a mosca à formiguinha que passava carregando uma folha de roseira. – Não trabalho, pouso em todas as mesas, lambisco de todos os manjares, passeio sobre o colo das donzelas – e até me sento no nariz. Que vidão regalado o meu...
   A formiguinha arriou a carga, enxugou a testa e disse:
         -- Apesar de tudo, não invejo a sorte das moscas. São mal vistas. Ninguém as estima. Toda gente as enxota com asco. E o pior é que tem um berço degradante: nascem nas esterqueiras.
         -- Ora, ora! – exclamou a mosca. – Viva eu quente e ria-se a gente.
         -- E além de imundas são cínicas – continuou a formiga – não passam de umas parasitas – e parasita é sinônimo de ladrão. Já a mim todos me respeitam. Sou rica pelo meu trabalho, tenho casa própria e nada me falta durante o rigor do mau tempo. E você? Você, basta que fechem a porta da cozinha e já está sem o que comer. Não troco a minha honesta vida de operária pela vida dourada dos filantes.
         -- Quem desdenha quer comprar – murmurou ironicamente a mosca.
         Dias depois a formiga encontrou a mosca a debater-se numa vidraça.
         --Então, fidalga, o que é isso? – perguntou-lhe.
         A prisioneira respondeu aflita?
         -- Os donos da casa partiram de viagem e me deixaram trancada aqui. Estou morrendo de fome e já exausta de tanto me debater.
         A formiga repetiu as empáfias da mosca, imitando lhe a voz: “Sou fidalga! Pouso em todas as mesas... Passeio pelo colo das donzelas...” e lá seguiu seu caminho, apressadinha como sempre.

        Moral: Quem quer colher, planta. E quem do alheio vive, um dia se engasga.

                                Monteiro Lobato. Fábulas e histórias diversas:
     São Paulo: Brasiliense, 1960, p. 91-2.


Entendendo o texto:
01 – Quantos parágrafos há no texto?
       Quatro parágrafos.

02 – Nos textos narrativos, há geralmente várias vozes. Uma é a do narrador, que conta a história, e as outras são das personagens, que conversam entre si. No primeiro parágrafo qual a fala do narrador:
     a) O trecho que corresponde à voz do narrador;
     b) O autor da fala: “—Sou fidalga!”.

03 – Observe o diálogo entre a mosca e a formiguinha.
     a) Que sinal de pontuação indica o início da fala das personagens?
      Travessão.

     b) Para indicar quem está falando, o narrador emprega certos verbos, como dizer, presente neste trecho: “A formiguinha arriou a carga, enxugou a testa e disse:”.
Identifique no texto outros verbos que marcam a fala das personagens.
      Sentar, pousar, viver, perguntar.

04 – No último parágrafo, há um trecho em que a formiguinha repete o que a mosca disse, imitando lhe a voz. Que sinal de pontuação marca o início e o fim desse trecho?
       Reticências.


FÁBULA: A GALINHA DOS OVOS DE OURO - JEAN DE LA FONTAINE - COM GABARITO

FÁBULA: A GALINHA DOS OVOS DE OURO
                     JEAN DE LA FONTAINE


A avarice só perde
Pensando que tudo pode ganhar!
A fábula da galinha
Esta ideia vem ilustrar.
Pois não é que um homem rico,
Achando que por dia um só ovo
Era pouco, era nada, era um tico,
Resolveu ter tudo de uma vez só?!
Acreditando que, por ovos de ouro botar,
De ouro fosse feita a galinha inteira,
Sem dó, piedade e consideração
Matou-a numa panela certeira.
Que decepção! Que raiva! que dor!
Encontrou-a igualzinha a todas as galinhas
Que punham ovos de qualquer cor!
Nada havia que mostrasse o seu mistério.
Para as pessoas mesquinhas
É, sem dúvida, uma boa lição.
Quantos amanhecem pobres, hoje,
Por ontem terem tido tanta ambição?

                                   Jean de La Fontaine. Fábulas de La Fontaine.
             Adaptação de Regina Drummond. São Paulo: Paulus, 2004.

Avarice: apego excessivo ao dinheiro, mesquinharia.

Entendendo o texto:
01 – Elabore uma frase que sirva de moral para o texto “A galinha dos ovos de ouro”. Em seguida, leia-a para a classe.
       Resposta pessoal. Educador: é importante verificar a coerência entre a moral construída pelos alunos e a fábula.

02 – Que características do gênero “poema” podemos identificar nessa fábula?
       O fato de estar escrita em versos com algumas rimas, agrupados em estrofes.

03 – No texto “A galinha dos ovos de ouro”, aparecem as características de outro gênero textual: a fábula. Quais são essas características?
        Há animais como personagens e uma moral.

04 – Nos versos a seguir, os adjetivos indicam as características dos elementos em destaque, Identifique os adjetivos e transcreva-os.
        - “Pois não é que um homem rico” rico
        - “Matou-a numa panela certeira” certeira
        - “Para as pessoas mesquinhas” mesquinhas
        - “É, sem dúvida, uma boa lição”. Boa

05 – Leia os trechos a seguir, retirados das fábulas que você leu. Identifique a classe a que pertencem as palavras destacadas e substitua-as por outras com significado semelhante.
        - “Mas suas pernas eram mais fortes e mais ligeiras do que as do lobo [...]”
        Adjetivos. Mas suas pernas eram mais vigorosas e mais velozes do que as do lobo [...]

        - “Foi de lá que avistou uma parreira com lindos cachos de uvas bem maduras e suculentas”.
        Adjetivos. Foi de lá que avistou uma parreira com belos cachos de uvas bem amadurecidas e sucosas.


terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

POEMA: ESTAÇÃO CAFÉ - SÉRGIO CAPPARELLI - COM GABARITO

POEMA: ESTAÇÃO CAFÉ

Pastéis Santa Clara,
Bem-casados com ambrosia
Caramelados com nozes
E bombas de baunilha
Senhora dona doceira,
Me tira dessa agonia!
Mil-folhas e broinhas
Com geleias e pavê
Fios de ovos, apfelstrudel
Maçãs flambadas, não vê?
Qual é o doce mais doce?
O doce mais doce? Você!
Pães de queijo, ovos moles,
Olho-de-sogra, doce de abóbora
Pingos de chuva, algodão doce,
Doce, oh doce, senhora!
Senhora dona doceira,
Doce aqui e agora
E agora, bem no fim,
Eu recuso maria-mole,
Mas nós dois, bem juntim,
Agarradinho, rocambole.

                                                    Sergio Capparelli... 111 poemas para crianças.
                                                                          Porto Alegre: L&PM, 2003, p. 26.

Entendendo o texto:
01 – Em todo o poema, há diversos nomes de doces. A que classe gramatical pertencem as palavras usadas para nomeá-los?
       Nomes próprios.

02 – Na segunda estrofe, o eu lírico pede à doceira que o tire de uma agonia. Por que ele está agoniado?
       Pela variedade dos doces.

03 – No final da terceira estrofe, o eu lírico parece perder o interesse pelos doces. O que o faz mudar de ideia?
      A doceira.

04- No verso “O doce mais doce? Você!”, a palavra doce aparece repetida. Em uma e outra ocorrência ela pertence a classes gramaticais diferentes. Quais são essas classes?
      Substantivo e adjetivo.

05 – O plural das palavras noz e maçã é formado da mesma maneira? Explique.
       Não. Noz acrescenta es e em maçã apenas s.

06 – Qual é o singular da palavra pastéis? Quais outras palavras que você conhece tem o plural formado da mesma maneira?
       Pastel. Anéis, papéis, méis.

07 – Identifique no poema um substantivo que quando pluralizado sofre variação na pronúncia semelhante à que ocorre no caso de jogo (ô) e jogos (ó)?
       Ovo – ovos.

08 – O plural do substantivo composto pé-de-moleque é pés-de-moleque. Comparando esse substantivo olho-de-sogra, responde: qual é o plural de olho-de-sogra?
       Olhos-de-sogra.

09 – O poeta empregou nas palavras juntim agarradim uma forma de diminutivo própria do modo coloquial de falar. Como é o diminutivo dessas palavras na variedade padrão?
       Juntinho e agarradinho.

10 – No final do poema, o eu lírico escolhe um doce, porém diferente dos demais; rocambole. Por que esse doce é diferente dos outros?
        Porque ele é todo enrolado.



POEMA: A LAGARTIXA FRUSTADA - JOÃO MELO - COM INTERPRETAÇÃO/GABARITO

POEMA: A LAGARTIXA FRUSTADA


Um dia
a lagartixa
quis ser dinossauro
Convencida
saltou para rua
montada em blindados
pra disfarçar a sua insignificância
Tentou mobilizar as formigas
que seguiam
atarefadas
pro trabalho
“Ó pobre e reles lagartixa
condenada
à fria solidão


das paredes enormes e nuas
tu não sabes que os dinossauros
são fósseis
pré-históricos?”

                                                           João Melo. Fabulema. Luanda:
                                                União de Escritores Angolanos, 1986.

Blindado: veículo automotor de combate, revestido com chapas de aço à prova de bala ou explosivos.

Entendendo o exto:
01 – Você conhece a palavra frustrada? Sabe o que significa?
       Resposta pessoal.

02 – Qual o possível sentido dessa palavra no título do poema?
       Refere-se a alguém que não realizou seu projeto de vida, que não concretizou algo como esperado.

03 – Qual era o desejo da lagartixa?
       Ser um dinossauro.

04 – O que a lagartixa fez para se disfarçar?
       Saltou para a rua montada em blindados.

05 – A lagartixa saiu para a rua e tentou chamar a atenção das formigas. Será que ela conseguiu? Por que?
       Ela não conseguiu, pois as formigas estavam atarefadas.

06 – Assinale a alternativa correta: Na última estrofe, o poeta afirma que:
     a)   A lagartixa convence todos e consegue atingir o seu objetivo.
     b)   A lagartixa convence todos, menos os fósseis.
     c)   A lagartixa não consegue convencer, pois os dinossauros não existem mais.
     d)   A lagartixa não convence, pois não consegue chamar a atenção das formigas.
     Justifique no caderno a escolha dessa alternativa.
     Resposta pessoal.

07 – Por que será que a lagartixa quis usar blindados?
      Para disfarçar a sua insignificância.

08 – Escolha no quadro e copie as palavras que tem relação com o poema lido:
        Poder, orgulho, saber, solidão, identidade.

09 – Você acha que esse texto lembra as fábulas que leu neste capítulo? Se sua resposta for afirmativa, quais características da fábula você reconhece no poema?
        Resposta provável: Os alunos poderão mencionar o fato de o personagem ser um animal, de haver uma moral na história, de a história ser um acontecimento breve, etc.

10 – No poema existe uma “moral da história”. Copie a estrofe que traz essa moral.
        A última estrofe: “Ó pobre e reles lagartixa / condenada / à fria solidão / das paredes enormes e nuas / tu não sabes que os dinossauros / são fósseis / pré-históricos?”.

11 – Que marca de pontuação presente no texto mostra uma fala que emite uma opinião?
        As aspas.

POEMA: PLUTÃO - OLAVO BILAC -COM GABARITO

Poema: Plutão
             Olavo Bilac


Negro, com os olhos em brasa,
Bom, fiel e brincalhão,
Era a alegria da casa
O corajoso Plutão.

Fortíssimo, ágil no salto,
Era o terror dos caminhos,
E duas vezes mais alto
Do que o seu dono Carlinhos.

Jamais à casa chegara
Nem a sombra de um ladrão;
Pois fazia medo a cara
Do destemido Plutão.


Dormia durante o dia,
Mas quando a noite chegava,
Junto à porta se estendia,
Montando guarda ficava.

Porém Carlinhos, rolando
Com ele às tontas no chão,
Nunca saía chorando,
Mordido pelo Plutão...

Plutão velava-lhe o sono,
Seguia-o quando acordado:
O seu pequenino dono
Era todo o seu cuidado.

Um dia caiu doente
Carlinhos... junto ao colchão
Vivia constantemente
Triste e abatido, o Plutão.

Vieram muitos doutores,
Em vão. Toda a casa aflita,
Era uma casa maldita,
Era uma casa de dores.

Morreu Carlinhos... A um canto,
Gania e ladrava o cão;
E tinha os olhos em pranto,
Como um homem, o Plutão.

Depois, seguiu o menino,
Seguiu-o calado e sério;
Quis ter o mesmo destino;
Não saiu do cemitério.

Foram um dia à procura
Dele. E, esticado no chão,
Junto de uma sepultura,
Acharam morto o Plutão.

                                  Bilac, Olavo. Poesias Infantis. In: Bilac, Olavo.
                                   Obra reunida, [org. e introd. de Alexei Bueno].
                                Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1996. p. 310-311.

Gania: produzir voz lamentosa, gemer.
Ladrava: latir.
Velava-lhe: vigiar, proteger, cuidar, zelar.

Entendendo o poema:
01 – Você gostou do poema “Plutão”? Explique sua opinião utilizando palavras e versos do poema.
      Resposta pessoal do aluno.

02 – Como você se sentiu ao ler o final do poema?
      Resposta pessoal do aluno.

03 – Contando as estrofes do poema a ordem numérica, quais revelam a amizade entre Plutão e Carlinhos?
      Estrofes 5ª, 6ª e 7ª.

04 – O que significa a expressão “em vão”, destacada na 8ª estrofe? “Vieram muitos doutores, / Em vão. / Toda a casa aflita, / Era uma casa maldita, / Era uma casa de dores.”
      Em vão: sem sucesso, não adiantou, não resolveram, não curaram o menino.

05 – O verso “Um dia caiu doente” divide o poema em duas partes. Quais?
      A primeira parte descreve Plutão e sua amizade por Carlinhos.
      A partir da 7ª estrofe, quando o menino adoece, e a parte da doença e da morte do menino.

06 – Observe que, em todas as estrofes, o primeiro verso rima com o terceiro e o segundo com o quarto. Isso se chama esquema de rimas.
a)   Copie as rimas do poema.
Brasa/casa; brincalhão/Plutão; salto/alto; caminhos/Carlinhos; chegara/cara; ladrão/Plutão; dia/estendia; chegava/ficava; rolando/chorando; chão/Plutão; sono/dono; acordado/cuidado; doente/constantemente; colchão/Plutão; doutores/dores; aflita/maldita; canto/pranto; cão/Plutão; menino/destino; sério/cemitério; procura/sepultura; chão/Plutão.

b)   Quais palavras rimam com a palavra Plutão?
Palavras que rimam com Plutão: brincalhão, ladrão, chão, colchão, cão.

07 – Alguns versos do poema Plutão estão em ordem inversa. Faça conforme o exemplo: coloque os versos seguintes na ordem direta e destaque os verbos.
Era a alegria da asa / O corajoso Plutão
      O corajoso Plutão era a alegria da casa.
a)   Vivia constantemente / Triste e abatido, o Plutão.
O Plutão vivia constantemente triste e abatido.

b)   E tinha os olhos em pranto, / Como um homem, o Plutão.
O Plutão tinha os olhos em pranto, como um homem.

c)   Vieram muitos doutores / Em vão.
Muitos doutores vieram em vão.

08 – Observe as palavras destacadas nos versos abaixo:
    I – “Plutão velava-lhe o sono,
         Seguia-o quando acordado:
         O seu pequenino dono
         Era todo o seu cuidado.”

    II – “Depois, seguiu o menino,
          Seguiu-o calado e sério;
          Quis ter o mesmo destino;
          Não saiu do cemitério.”

a)   A quem essa palavras se referem?
As três palavras se referem a Carlinhos.

b)   Os pronomes estão ligados com hífen a quais palavras? Como são classificadas gramaticalmente?
Velava, seguia, seguiu (verbos).

09 – Como são chamados os pronomes destacados no exercício anterior n° 8?
      Pronomes pessoais do caso oblíquo.

10 – No poema, Plutão é descrito de diferentes formas. Há características físicas e de personalidade, do jeito de ser. Que características são essas?
      Físicas: Negro, fortíssimo, ágil, alto.
      De personalidade: Bom, fiel, brincalhão, corajoso, destemido.

11 – Quais características de Plutão podem ser percebidas com base nos versos:
a)    “Era a alegria da casa”.
Plutão era brincalhão, bagunceiro e alegre.

b)   “Pois fazia medo a cara / Do destemido Plutão”.
Plutão era assustador, bravo...

12 – Releia:
      “O seu pequenino dono
      Era todo o seu cuidado.”
a)   Como a expressão destacada em negrito é classificada gramaticalmente?
Adjetivo.

b)   A expressão pequenino está flexionada no grau aumentativo ou diminutivo?
Diminutivo.

c)   A palavra em destaque revela desprezo, carinho ou tamanho? O que isso indica com relação ao cão e seu dono.
A palavra revela carinho. A relação entre o menino e o cão é de muita proximidade, amizade...