quarta-feira, 15 de novembro de 2017

CRÔNICA: A PIPOCA - RUBEM ALVES - COMGABARITO

Crônica: A Pipoca
                                            Rubem Alves

    A culinária me fascina. De vez em quando eu até me até atrevo a cozinhar. Mas o fato é que sou mais competente com as palavras do que com as panelas.
   Por isso tenho mais escrito sobre comidas que cozinhado. Dedico-me a algo que poderia ter o nome de "culinária literária". Já escrevi sobre as mais variadas entidades do mundo da cozinha: cebolas, ora-pro-nobis, picadinho de carne com tomate feijão e arroz, bacalhoada, suflês, sopas, churrascos.
        Cheguei mesmo a dedicar metade de um livro poético-filosófico a uma meditação sobre o filme A Festa de Babette que é uma celebração da comida como ritual de feitiçaria. Sabedor das minhas limitações e competências, nunca escrevi como chef. Escrevi como filósofo, poeta, psicanalista e teólogo — porque a culinária estimula todas essas funções do pensamento.
        As comidas, para mim, são entidades oníricas.
       Provocam a minha capacidade de sonhar. Nunca imaginei, entretanto, que chegaria um dia em que a pipoca iria me fazer sonhar. Pois foi precisamente isso que aconteceu.
    A pipoca, milho mirrado, grãos redondos e duros, me pareceu uma simples molecagem, brincadeira deliciosa, sem dimensões metafísicas ou psicanalíticas. Entretanto, dias atrás, conversando com uma paciente, ela mencionou a pipoca. E algo inesperado na minha mente aconteceu. Minhas ideias começaram a estourar como pipoca. Percebi, então, a relação metafórica entre a pipoca e o ato de pensar. Um bom pensamento nasce como uma pipoca que estoura, de forma inesperada e imprevisível.
        A pipoca se revelou a mim, então, como um extraordinário objeto poético. Poético porque, ao pensar nelas, as pipocas, meu pensamento se pôs a dar estouros e pulos como aqueles das pipocas dentro de uma panela. Lembrei-me do sentido religioso da pipoca. A pipoca tem sentido religioso? Pois tem.
        Para os cristãos, religiosos são o pão e o vinho, que simbolizam o corpo e o sangue de Cristo, a mistura de vida e alegria (porque vida, só vida, sem alegria, não é vida...). Pão e vinho devem ser bebidos juntos. Vida e alegria devem existir juntas.
        Lembrei-me, então, de lição que aprendi com a Mãe Stella, sábia poderosa do Candomblé baiano: que a pipoca é a comida sagrada do Candomblé...
        A pipoca é um milho mirrado, subdesenvolvido.
        Fosse eu agricultor ignorante, e se no meio dos meus milhos graúdos aparecessem aquelas espigas nanicas, eu ficaria bravo e trataria de me livrar delas. Pois o fato é que, sob o ponto de vista de tamanho, os milhos da pipoca não podem competir com os milhos normais. Não sei como isso aconteceu, mas o fato é que houve alguém que teve a ideia de debulhar as espigas e colocá-las numa panela sobre o fogo, esperando que assim os grãos amolecessem e pudessem ser comidos.
        Havendo fracassado a experiência com água, tentou a gordura. O que aconteceu, ninguém jamais poderia ter imaginado.
        Repentinamente os grãos começaram a estourar, saltavam da panela com uma enorme barulheira. Mas o extraordinário era o que acontecia com eles: os grãos duros quebra dentes se transformavam em flores brancas e macias que até as crianças podiam comer. O estouro das pipocas se transformou, então, de uma simples operação culinária, em uma festa, brincadeira, molecagem, para os risos de todos, especialmente as crianças. É muito divertido ver o estouro das pipocas!
        E o que é que isso tem a ver com o Candomblé? É que a transformação do milho duro em pipoca macia é símbolo da grande transformação porque devem passar os homens para que eles venham a ser o que devem ser. O milho da pipoca não é o que deve ser. Ele deve ser aquilo que acontece depois do estouro. O milho da pipoca somos nós: duros, quebra dentes, impróprios para comer, pelo poder do fogo podemos, repentinamente, nos transformar em outra coisa — voltar a ser crianças! Mas a transformação só acontece pelo poder do fogo.
        Milho de pipoca que não passa pelo fogo continua a ser milho de pipoca, para sempre.
        Assim acontece com a gente. As grandes transformações acontecem quando passamos pelo fogo. Quem não passa pelo fogo fica do mesmo jeito, a vida inteira. São pessoas de uma mesmice e dureza assombrosa. Só que elas não percebem. Acham que o seu jeito de ser é o melhor jeito de ser.
        Mas, de repente, vem o fogo. O fogo é quando a vida nos lança numa situação que nunca imaginamos. Dor. Pode ser fogo de fora: perder um amor, perder um filho, ficar doente, perder um emprego, ficar pobre. Pode ser fogo de dentro. Pânico, medo, ansiedade, depressão — sofrimentos cujas causas ignoramos. Há sempre o recurso aos remédios. Apagar o fogo. Sem fogo o sofrimento diminui. E com isso a possibilidade da grande transformação.
        Imagino que a pobre pipoca, fechada dentro da panela, lá dentro ficando cada vez mais quente, pense que sua hora chegou: vai morrer. De dentro de sua casca dura, fechada em si mesma, ela não pode imaginar destino diferente. Não pode imaginar a transformação que está sendo preparada. A pipoca não imagina aquilo de que ela é capaz. Aí, sem aviso prévio, pelo poder do fogo, a grande transformação acontece: PUF!! — e ela aparece como outra coisa, completamente diferente, que ela mesma nunca havia sonhado. É a lagarta rastejante e feia que surge do casulo como borboleta voante.
        Na simbologia cristã o milagre do milho de pipoca está representado pela morte e ressurreição de Cristo: a ressurreição é o estouro do milho de pipoca. É preciso deixar de ser de um jeito para ser de outro.
        "Morre e transforma-te!" — dizia Goethe.
        Em Minas, todo mundo sabe o que é piruá. Falando sobre os piruás com os paulistas, descobri que eles ignoram o que seja. Alguns, inclusive, acharam que era gozação minha, que piruá é palavra inexistente. Cheguei a ser forçado a me valer do Aurélio para confirmar o meu conhecimento da língua. Piruá é o milho de pipoca que se recusa a estourar.
        Meu amigo William, extraordinário professor pesquisador da Unicamp, especializou-se em milhos, e desvendou cientificamente o assombro do estouro da pipoca. Com certeza ele tem uma explicação científica para os piruás. Mas, no mundo da poesia, as explicações científicas não valem.
        Por exemplo: em Minas "piruá" é o nome que se dá às mulheres que não conseguiram casar. Minha prima, passada dos quarenta, lamentava: "Fiquei piruá!" Mas acho que o poder metafórico dos piruás é maior.
        Piruás são aquelas pessoas que, por mais que o fogo esquente, se recusam a mudar. Elas acham que não pode existir coisa mais maravilhosa do que o jeito delas serem.
        Ignoram o dito de Jesus: "Quem preservar a sua vida perdê-la-á". A sua presunção e o seu medo são a dura casca do milho que não estoura. O destino delas é triste. Vão ficar duras a vida inteira. Não vão se transformar na flor branca macia. Não vão dar alegria para ninguém. Terminado o estouro alegre da pipoca, no fundo à panela ficam os piruás que não servem para nada. Seu destino é o lixo.
        Quanto às pipocas que estouraram, são adultos que voltaram a ser crianças e que sabem que a vida é uma grande brincadeira...
        "Nunca imaginei que chegaria um dia em que a pipoca iria me fazer sonhar. Pois foi precisamente isso que aconteceu".
       
        Rubem Alves: tudo sobre sua vida e sua obra em "Biografias".

Interpretação do texto:

01 – O tema do texto é:
a) o processo de transformação do milho em pipoca.
b) as propriedades nutricionais da pipoca.
c) o consumo de milho pelos americanos.
d) o surgimento da pipoca.

02 – O texto apresenta duas explicações para o processo de transformação do milho em pipoca. Identifique-as:
a) Explicação mítica: “De acordo com antigas tradições, o grão de milho armazenava um espírito dentro de si. Com isso, assim que o grão era aquecido no fogo, esse espírito se irritava até estourar.”

b) Explicação científica: A ciência explica que “todo grão de milho armazena dentro de si uma ínfima quantidade de água. Assim, quando aquecida, essa água se transforma em vapor e exerce uma pressão que provoca o estouro do milho.”

03 – A frase “Contudo, os indícios mais próximos sobre a origem desse alimento [...]” foi reescrita corretamente em:
a) Por isso, os indícios mais próximos sobre a origem desse alimento [...]
b) Entretanto, os indícios mais próximos sobre a origem desse alimento [...]
c) Por conseguinte, os indícios mais próximos sobre a origem desse alimento [...]
d) Com efeito, os indícios mais próximos sobre a origem desse alimento [...]

04 – Em “[...] todo grão de milho armazena dentro de si uma ínfima quantidade de água.”, o adjetivo grifado poderia ser substituído por:
a) significativa        b) regular        c) pequena        d) importante.

 05 – Leia o texto silenciosamente para compreender de que se trata.
Observe que algumas palavras estão em negrito, são palavras que para entender melhor o texto você precisa do dicionário. Não vale colocar qualquer sinônimo. Deve ser um que tenha o mesmo sentido da palavra no texto.
Fascina: Seduz. 
Onírica: Sonho.
Mirrado: Pequeno.
Metafórica: Comparação.
Presunção: Vaidade.

06 – O texto é uma metáfora entre o milho de pipoca e o homem. Vá ao dicionário ou internet e procure uma definição para metáfora dentro das figuras de linguagem da língua portuguesa. 
      A definição é o emprego de palavras em sentido figurado, por efeito de comparação.

07 – De acordo com o texto coloque V ou F nas afirmativas abaixo:
(F) O autor do texto é um chef de cozinha apreciador das palavras.
(V) Por ter mais escrito que cozinhado deu o nome de “culinária literária”.
(V) A pipoca é um símbolo para os cristãos religiosos e também para o candomblé.
(V) Foi uma paciente que mencionou a pipoca e fez algo inesperado surgir na cabeça do autor.

08 – Na simbologia, o que significa a pipoca:
      - Para os cristãos religiosos: É representado pela morte e ressurreição de Cristo. O estouro do milho de pipoca. Ressurreição.
      - Para o candomblé: É a comida sagrada.

09 – Como a pipoca se revelou para o autor?
      Como uma mudança na vida de pessoa, pela sua transformação.

10 – Segundo o autor, em que se transformou o estouro das pipocas? 
      Pelo poder do fogo podemos, respectivamente, nos transformar em outra coisa.

11 – Milho de pipoca que não passa pelo fogo continua a ser milho de pipoca, para sempre. E assim acontece com a gente?
      Sim. Porque a pessoa não procurou mudar sua vida. Será sempre a mesma pessoa.

12 – Na visão do autor, o que é o fogo?
      É a transformação na vida de cada ser humano.

13 – O que é fogo de dentro? O que é fogo de fora?
      - O fogo de dentro é o pânico, medo, ansiedade, depressão, sofrimentos cuja causas ignoramos.
      - O fogo de fora é a dor, é perder um amor, um filho, ficar doente, perder o emprego, ficar pobre.

14 – Copie o parágrafo em que o autor retrata o sentimento da pipoca dentro da panela. 
      Repentinamente os grãos começaram a estourar, saltavam da panela com uma enorme barulheira. Mas o extraordinário era o que acontecia com eles: os grãos duros quebra dentes se transformavam em flores brancas e macias que até as crianças podiam comer.

15 – Na simbologia cristã como está representado o milagre do milho? 
        O milagre está representado pela ressurreição, o estouro do milho de pipoca.
16 – Na linguagem metafórica, defina os piruás:
      É a pessoa que não se interessa em mudar sua vida.

17 – Quanto à ideia central do texto, assinale a alternativa correta:
a)   A intencionalidade discursiva do autor é divagar sobre a culinária e a origem da pipoca.
b)   A pipoca é usada como metáfora para a transformação de pessoas fisicamente feias em bonitas.
c)   O autor emprega a palavra “piruá” para pessoas duras que não se transformam em algo melhor.
d)   O autor considera que só as pessoas não religiosas tornam-se piruás.

18 – Assinale a alternativa que indica outra forma correta de se reescrever o período abaixo:
        Lembrei-me, então, de lição que aprendi com a Mãe Stella.
a)   Me lembrei, então, de lição que aprendi com a Mãe Stella.
b)   Lembrei, então, a lição que aprendi com a Mãe Stella.
c)   Lembrei, então, de lição que aprendi com a Mãe Stella.

19 – Considere o período abaixo:
        Não sei como isso aconteceu, mas o fato é que houve alguém que teve a ideia de debulhar as espigas e coloca-las numa panela sobre o fogo, esperando que assim os grãos amolecessem e pudessem ser comidos.
        O pronome isso refere-se:
a)   Ao fato de haver milhos mirrados.
b)   Ao modo como foi “inventada” a pipoca.
c)   Ao sentido religioso da pipoca.
d)   Aos grãos que não estouram no fogo.

20 – Assinale a alternativa que indica corretamente a classe gramatical da palavra destacada no trecho abaixo:
        Mas o extraordinário era o que acontecia com eles: os grãos duros quebra-dentes se transformavam em flores brancas e macias que até as crianças podiam comer.
a)   Substantivo                         c) Advérbio
b)   Adjetivo                               d) Verbo

21 – Segundo o texto, o que significa ser como pipoca e o que significa ser como o piruá?
      - Ser pipoca, é aquela pessoa que está sempre procurando a sua modificação.
      - Ser piruá, é aquela pessoa que se recusa a mudança em sua vida.

22 – E você, é uma pipoca estourada ou um piruá? Por quê?
        Resposta Pessoal.

23 – Agora é a sua vez de colocar a sua opinião sobre o texto. Explique o que você achou dele e que lições você tira para a sua vida. 

        Resposta Pessoal.

MÚSICA(ATIVIDADES): PACATO CIDADÃO - SKANK - COM GABARITO

Música(Atividades): Pacato Cidadão

                                                                         Skank
Oh! Pacato Cidadão!
Eu te chamei a atenção
Não foi à toa, não
C'est fini la utopia
Mas a guerra todo dia
Dia a dia, não

E tracei a vida inteira
Planos tão incríveis
Tramo a luz do sol
Apoiado em poesia
E em tecnologia
Agora à luz do sol

Pacato Cidadão!
É o Pacato da Civilização
Pacato Cidadão!
É o Pacato da Civilização

Oh! Pacato Cidadão!
Eu te chamei a atenção
Não foi à toa, não
C'est fini la utopia
Mas a guerra todo dia
Dia a dia, não

E tracei a vida inteira
Planos tão incríveis
Tramo a luz do sol
Apoiado em poesia
E em tecnologia
Agora à luz do sol

Pra que tanta TV
Tanto tempo pra perder
Qualquer coisa que se queira
Saber querer
Tudo bem, dissipação
De vez em quando é "bão"
Misturar o brasileiro
Aaaaai!
Com alemão
Pacato Cidadão!
É o Pacato da Civilização

Oh! Pacato Cidadão!
Eu te chamei a atenção
Não foi à toa, não
C'est fini la utopia
Mas a guerra todo dia
Dia a dia, não

E tracei a vida inteira
Planos tão incríveis
Tramo a luz do sol
Apoiado em poesia
E em tecnologia
Agora à luz do sol

Pra que tanta sujeira
Nas ruas e nos rios
Qualquer coisa que se suje
Tem que limpar
Se você não gosta dele
Diga logo a verdade
Sem perder a cabeça
Sem perder a amizade

Pacato Cidadão!
É o Pacato da civilização
Pacato Cidadão!
É o Pacato da civilização

Oh! Pacato Cidadão!
Eu te chamei a atenção
Não foi à toa, não
C'est fini la utopia
Mas a guerra todo dia
Dia a dia, não

E tracei a vida inteira
Planos tão incríveis
Tramo a luz do sol
Apoiado em poesia
E em tecnologia
Agora à luz do sol

Consertar o rádio
E o casamento é
Corre a felicidade
No asfalto cinzento
Se abolir a escravidão
Do caboclo brasileiro
Numa mão educação
Na outra dinheiro

Pacato Cidadão!
É o Pacato da Civilização
Pacato Cidadão!
É o Pacato da Civilização

Pacato Cidadão!
É o Pacato da Civilização
Pacato Cidadão!
É o Pacato da Civilização

Pacato Cidadão!
É o Pacato
Da Civilização! Da Civilização!

Interpretação do texto:
01 – Vocês gostaram da letra da música? Por quê? Já a conheciam? Qual a sensação de vocês ao lerem?
      Resposta pessoal do aluno.

02 – Qual a temática principal da letra? Qual a crítica ali presente?
      Chamar atenção das pessoas para os problemas do país. É uma crítica social ao Brasil dos anos 90 e dos dias de hoje, crítica a poluição, ao marasmo da sociedade, a criminalidade, a alienação feita pela mídia, a corrupção, do racismo e as demais mazelas que atingem o país.

03 – Em que trechos essa crítica se torna aparente?
      “Pra que tanta TV
      Tanto tempo pra perder.”
      “Pra que tanta sujeira
      Nas ruas e nos rios.”
      “Numa mão educação
      Na outra dinheiro.”

04 – Vocês consideram importante a abordagem desse tema? Por quê?
      Resposta pessoal do aluno.

05 – A quem a música se destina? Por quê? Quem é o pacato cidadão quais suas ações?
      Destina a todos brasileiros, pois diante de tantas injustiças e corrupção não reagimos contra os governantes. O pacato cidadão é um sujeito sem atitudes e suas ações são de aceitar tudo, não reclamar, não questionar, e quem não questiona não evolui.

06 – Como se caracteriza a linguagem da música? Rebuscada? Simples? Por quê?
      Linguagem simples que opera como instrumento de interação e comunicação.

07 – O texto de Samuel Rosa e Chico Amaral discute algumas relações relativas à sociedade contemporânea brasileira. É INCORRETA afirmar que, no texto, os autores:
a)   Abordam situações relativas à cidadania e a falta de compromisso social de muitos cidadãos brasileiros.
b)   Defendem que somente a educação, aliciada ao poder dos meios de comunicação de massa, pode fazer com que o cidadão brasileiro deixe de ser pacato.
c)   Chamam a atenção para o descaso dos cidadãos em relação as questões ambientais presentes em seu cotidiano.
d)   Questionam a acomodação, a alienação e a falta de interesse de muitos brasileiros pelas questões política de seu tempo.
e)   Acreditam que o pacato cidadão de certa forma, vive escravizado no seu dia-a-dia, por isso precisa se preocupar com a realidade a sua volta.

08 – A letra da música “pacato cidadão” faz alusão a um típico cidadão. Como podemos caracterizar esse tipo de cidadão na sociedade atual?
      É aquele que, teoricamente cumpre seus deveres e o Estado garante que seus direitos sejam cumpridos, o que não acontece, mas ele aceita tudo sem reclamar, questionar.

09 – Qual o significado de cidadania?
      É o exercício dos direitos e deveres civis, políticos e sociais estabelecidos na constituição de um país.

10 – O vocativo é um termo que se relaciona com o mundo exterior, com a situação comunicativa.
a)   Qual é o contexto brasileiro que leva o eu lírico a chamar o cidadão de pacato?
A alienação feita pela mídia, a corrupção dos políticos, a desigualdade social e racial, a poluição, a criminalidade, enfim todas as mazelas que atingem o Brasil.

b)   Quais são as características de uma pessoa considerada “pacato cidadão”?
Aquela pessoa que ignora os problemas de seu país, já o adjetivo “pacato” se refere a alguém que não faz nada para o bem da sociedade.


terça-feira, 14 de novembro de 2017

ORAÇÃO SEM NOME - ROSE MARIE MURARO E FREI RAIMUNDO CINTRA - COM GABARITO

Oração sem nome

        O autor desse poema, quem o sabe? Foi encontrado em pleno campo de batalha, no bolso de um soldado americano desconhecido; do rapaz estraçalhado por uma granada, restava apenas intacta esta folha de papel.

        Escuta, Deus:
        jamais falei contigo.
        Hoje quero saudar-te. Bom dia! Como vais?
        Sabes? Disseram-me que tu não existes,
        e eu, tolo, acreditei que era verdade.
Nunca havia reparado a tua obra.
Ontem à noite, da trincheira rasgada por granadas,
vi teu céu estrelado
e compreendi então que me enganaram.
Não sei se apertarás a minha mão.
Vou te explicar e hás de compreender.
É engraçado: neste inferno hediondo
achei a luz para enxergar o teu rosto.
Dito isto, já não tenho muita coisa a te contar:
só que… que… tenho muito prazer em conhecer-te.
Faremos um ataque à meia-noite.
Não sinto medo.
Deus, sei que tu velas…
Há! É o clarim! Bom Deus, devo ir embora.
Gostei de ti… vou ter saudade… Quero dizer:
será cruenta a luta, bem o sabes,
e esta noite pode ser que eu vá bater-te à porta!
Muito amigos não fomos, é verdade.
Mas… sim, estou chorando!
Vês, Deus, penso que já não sou tão mau.
Bem, Deus, tenho de ir.
Sorte é coisa bem rara.
Juro, porém: já não receio a morte.
(Rose Marie Muraro e Frei Raimundo Cintra, As mais belas orações de todos os tempos)

Interpretação do texto:

1.   O tratamento com que o jovem soldado se dirigiu a Deus foi um tratamento:
a) familiar
b) irreverente
c) reverencial
d) cerimonioso

2.   Antes da guerra, para o jovem, Deus simplesmente:
a) estava afastado
b) não era considerado um amigo
c) não existia
d) não atendia às suas orações

3.   A frase que está de acordo com a questão anterior é:
a) “Escuta, Deus”
b) “Disseram-me que tu não existes… e eu, tolo, acreditei”
c) “Muito amigos não fomos”
d) “…vi teu céu estrelado”

4.   A descoberta de Deus pelo soldado americano veio através:
a) da luta cruenta
b) do soar do clarim
c) da trincheira rasgada por granadas
d) do céu estrelado

5.   O pressentimento da morte aparece numa das expressões do soldado.        Que expressão mostra essa possibilidade?
a) “Muito amigos não fomos, é verdade”
b) “…e esta noite pode ser que eu vá bater-te à porta”
c) “Bem, Deus, tenho de ir”
d) “…será cruenta a luta”

 6.   “Não sinto medo”. Essa frase pode ser resumida em apenas uma palavra:
a) coragem
b) otimismo
c) ilusão
d) temor

7.   A expressão que melhor traduz o ambiente de guerra é:
a) “Achei a luz…”
b) “…será cruenta a luta”
c) “… inferno hediondo”
d) “Deus, sei que tu velas…”
  
8.   O encontro com Deus despertou no jovem soldado uma visão de seu mundo interior. Dessa visão, ele concluiu que:
a) “Sorte é coisa bem rara”
b) “… tenho muito prazer em conhecer-te”
c) “Muito amigos não fomos, é verdade”
d) “… já não sou tão mau”

9.   A frase que revela a comoção e o arrependimento do jovem é:
a) “Bom dia!”
b) “Gostei de ti…”
c) “Mas… sim, estou chorando!”
d) “…vou ter saudade”

 10.               A alternativa INCORRETA a respeito do texto é:
a) O soldado anônimo, em sua análise existencial, confronta conceitos que antes julgava estarem certos.
b) Por se tratar de um texto poético, há o emprego da linguagem conotativa, como no uso da expressão “inferno hediondo”, para se referir ao cenário da guerra.
c) A palavra oração, presente no título, justifica-se devido ao diálogo proposto pelo jovem com Deus.
d) Caso fosse suprimida a introdução precedente ao poema, a interpretação não seria prejudicada, uma vez que inexistem informações importantes no trecho.

11.               Assinala a alternativa correta sobre as palavras do texto:
a) Se retirarmos o acento de apertarás, originar-se-á uma nova palavra.
b) A palavra ataque é proparoxítona.
c) Compreender recebia acento, mas isso mudou com a Reforma Ortográfica.
d) As únicas monossílabas do texto são: só, já, hás.

12.               Em qual dos itens abaixo a acentuação gráfica NÃO está devidamente justificada?
a) será: vocábulo oxítono terminado em A
b) porém: vocábulo oxítono terminado em EM
c) há: vocábulo oxítono terminado em A
d) céu: vocábulo com ditongo aberto

13.               Assinala a palavra com ditongo aberto que NÃO recebe mais acento:
a) trofeu
b) colmeia
c) papeis
d) ceu

14.               Marca a alternativa que preenche as lacunas da frase: Os ______ de ______ exercem as atividades ______.
a) microempresários, Ijuí, tranquilamente
b) micro-empresários, Ijuí, tranquilamente
c) micro-empresários, Ijui, tranqüilamente
d) microempresários, Ijuí, tranquilamente

15.               Por serem proparoxítonos, deveriam estar acentuados todos os vocábulos da opção:
a) rubrica, versiculo, hospede
b) arcaico, camera, avaro
c) leucocito, alcoolatra, folclorico
d) periodo, tematico, erudito
  
16.               Qual dos hiatos NÃO deve ser acentuado?
a) saúde
b) contribuía
c) tainha
d) caído



LENDA: OS TRÊS PÁSSAROS DO REI HERODES- COM GABARITO

Os três pássaros do rei Herodes (lenda)


   Pela triste estrada de Belém, a Virgem Maria, tendo o Menino Jesus ao colo, fugia do rei Herodes.
  Aflita e triste ia em meio do caminho quando encontrou um pombo, que lhe perguntou
  – Para onde vais, Maria?
– Fugimos da maldade do rei Herodes, – respondeu ela.
        Mas como naquele momento se ouvisse o tropel dos soldados que a perseguiam, o pombo voou assustado.
        Continuou Maria a desassossegada viagem e, pouco adiante, encontrou uma codorniz que lhe fez a mesma pergunta que o pombo e, tal qual este, inteirada do perigo, tratou de fugir.
        Finalmente, encontrou-se com uma cotovia, que, assim que soube do perigo que assustava a Virgem, escondeu-a e ao menino, atrás de cerrado grupo de árvores que ali existia.
        Os soldados de Herodes encontraram o pombo e dele souberam o caminho seguido pelos fugitivos.
         Mais para a frente a codorniz não hesitou em seguir o exemplo do pombo.
        Ao fim de algum tempo de marcha, surgiram à frente da cotovia.
        – Viste passar por aqui uma moça com uma criança no regaço?
        – Vi, sim – respondeu o pequenino pássaro – Foram por ali.
        E indicou aos soldados um caminho que se via ao longe. E assim afastou da Virgem e de Jesus os seus malvados perseguidores.
        Deus castigou o pombo e a codorniz.
        O primeiro, que tinha uma linda voz, passou a emitir, desde então, um eterno queixume.
        A segunda passou a voar tão baixo, tão baixo, que se tornou presa fácil de qualquer caçador inexperiente.
        E a cotovia recebeu o prêmio de ser a esplêndida anunciadora do sol a cada dia que desponta.
Interpretação do texto:
1. O texto é uma lenda porque:
a) faz menção a uma passagem bíblica do Novo Testamento.
b) narra uma história fantasiosa transmitida pela tradição oral.
c) faz uma revelação importante.
d) está baseado num fato histórico, que realmente aconteceu.
e) os animais falam.
2. Com relação à expressão “Pela triste estrada de Belém”, podemos afirmar que:
a) a paisagem era deserta, sem árvores.
b) o autor estava triste quando escreveu o texto.
c) Maria estava angustiada e triste e, com isso, todo o ambiente parecia triste.
d) essa é uma pista que o narrador nos dá de que o desfecho será ruim.
e) o caminho era muito longo e assim deixava a impressão de tristeza.

3. Assinala o único item que NÃO se aplica nem ao pombo nem à codorniz:
a) covardia
b) medo
c) egoísmo
d) coragem
e) delação

4. A codorniz não hesitou em seguir o exemplo do pombo. O exemplo da:
a) fuga
b) mentira
c) violência
d) amizade
e) delação

5. Assinala o item que caracteriza a cotovia:
a) solidária
b) delatora
c) orgulhosa
d) esquiva
e) sarcástica

6. Como castigo, a linda voz do pombo passou a ser um:
a) pio
b) gorjeio
c) latido
d) uivo
e) arrulho

7. De acordo com o texto, a cotovia canta:
a) na aurora
b) de madrugada
c) ao meio-dia
d) ao anoitecer
e) no pôr do sol

8. A codorniz “passou a voar tão baixo, tão baixo, que se tornou presa fácil de qualquer caçador inexperiente.” A expressão grifada dá a ideia de:
a) condição
b) consequência
c) causa
d) tempo
e) finalidade

9. Assinala a alternativa em que NÃO há correspondência entre a explicação e a significação da palavra no texto:
a) inteirada do perigo: cientificada do perigo
b) cerrado grupo de árvores: compacto grupo de árvores
c) com uma criança no regaço: com uma criança na garupa
d) não hesitou em seguir o exemplo: não titubeou em seguir o exemplo
e) cada dia que desponta: cada dia que surge

10.A cotovia deu aos perseguidores uma pista falsa porque:
a) era mentirosa.
b) queria se vingar das outras aves.
c) era inimiga de Herodes.
d) sabia que poderia ser punida por Deus.
e) queria salvar a Virgem Maria e o Menino Jesus.