terça-feira, 7 de julho de 2026

ROMANCE: SANGUE VERDE - PARTE 2 - DAVID GONÇALVES - COM GABARITO

 Romance: Sangue Verde – parte 2

         David Gonçalves

 

        Um garimpeiro, com mais de cinquenta anos, dizia com amargura alguns trechos de sua vida:

        — Se eu fosse jovem e forte, por Deus, não me enterraria aqui. Faria de tudo para partir. Isso é uma draga, chupa todas as forças. É ilusão pura. Não ficaria aqui chafurdando na lama, com gosto de barro na boca. Não mais colocaria minha vida numas poucas pepitas de ouro.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi1whD38gsFY0_vytsO3cilmthrxTB2FttmEvR9eKnp63lNEBIr7UMbhsdpBEaa6goBzPd3zijvktuH4eD8bCjEdPzl436sbs1DGNaQFhHKZyME3F5IBFyWhGoJzp6Szz34V-WvvQkDfutS_NrZOhtflwy8JDjHs_Pq4DgL5LBQuxYgf4eAiPv2THAu3nQ/s320/71QWYoL+z6L._UF1000,1000_QL80_.jpg


        — Velho de uma figa! Cale essa boca!

        — Deixe ele falar. Pelo menos, sua alma se torna mais leve – ordenou Doca mirando as sombras das lamparinas dançando nas paredes.

        — Essa conversa me dá nojo! – confessou outro garimpeiro.

        — O que não dá nojo nessa vida?

        O velho principiou novamente com sua voz cansada e alterada.

        — Joguei minha vida fora. Queria a fortuna!

        — Quem não a quer? Ninguém está por aqui por bonito. É o ouro! O resto não importa.

        — Que ilusão! O que tenho hoje? Reumatismo, perebas e cansaço. Meus braços, que eram fortes, podiam até nocautear um boi, só com um soco, e hoje já não aguentam os trancos. Mas vocês, vejo por essa febre que está em cada olhar, jamais me ouvirão. Estão neste garimpo como urubus numa carniça. Sei lá por que estou falando nessas coisas...

        — Não se tocam urubus de cima de uma carniça – disse Doca, enfarado. – Só quando não houver nenhum naco de carne podre. Mesmo depois de Serra Pelada ter virado um açude, um alagado, água jorrando como um rio, ainda tem gente que vai todo dia contemplar a grande lâmina d’água, ainda enfeitiçado, à espera do borbulho do ouro...

        Voltou a enxugar o suor no rosto.

        — Bem, pessoal, vou dar uns giros. Estou vertendo água. Alguém me acompanha?

        Ninguém mostrou-se interessado. O calor os deixava prostrados, como sacos inúteis. Então saiu barraco afora. A rua torta estava enlameada. Garimpeiros, nas portas de seus barracos, trocavam conversa mole. 

        Que noite tivera! Foi de arrasar. Gastara o pouco dinheiro com aquela mulher. Por isso, sentia-se novamente homem. E isso era tudo que podia sentir de bom. Caminhou sem rumo. De repente, alguém o interpelou no escuro. Era o estranho da noite anterior. O tal de Antônio Russo. Também caminhava absorto. Doca queria ficar só. Cumprimentou e saiu a passos largos, mas o outro o interpelou novamente. 

        — Sente fogo sob os pés?

        — Esse mormaço! 

        — Pensei que fosse na casa de madame Teresa. Parece que se deu bem ontem. 

        — Fiz o que pude.

        — Aquela mulher é de revirar as ventas!

        — Estou apressado. Quero estar só. 

        E desapareceu no escuro. De fato estava atordoado. Aquela mulher fizera estragos em seus sentimentos. Chovera o dia todo e, recostado na rede, enquanto os demais no barraco jogavam baralho, ele ardia em desejos. 

        Matildes, Matildes, Matildes!. Tinha bom corpo e voz macia. Os cabelos longos e pretos desciam-lhe sobre os ombros nus. Sem dúvida, caíra como mosca no mel. Estava se debatendo no melaço e, quanto mais se debatia, mais ficava preso. Queria a todo custo espantar a sua presença e seu cheiro adocicado, mas não conseguia. Ele não era menino bobo, que se engabelava por qualquer fêmea. Experiente, calejado pelo andar da vida, sabia livrar-se de rabo de saia. Não era tolo de amarrar o burro num único pau. 

        Um luar esmaecido subia sobre a floresta.

        GARIMPO — terra rica de gente pobre...

        Um pedaço no meio da Amazônia transformado em turbulento reduto de aventureiros.

        Com as notícias de riqueza fácil, toda a espécie de gente acorria desordenada como um formigueiro desfeito. Vinha tentar a sorte. Cada forasteiro, sem nada nos bolsos, se mostrava mais ganancioso do que o outro.

        Era uma massa de gente que não prestava, desbandeirada, sem pouso nem destino certo. Por toda parte, existia gente que não prestava, mas em menor proporção. Ali, a maioria não valia um níquel, numa ânsia de enriquecer de qualquer jeito. Na luta pela posse do ouro, a ambição cega atropelava. Homens cegos sedentos por ganhos rápidos.

        A maioria vinha só, sem mulher e filhos. Para que levar a família no meio da floresta? Logo, entretanto, a fome por sexo falava mais alto. Não havia mulheres para todos e isso causava pânico. Os homens se tornavam nervosos e inquietos, como se os corpos ardessem em chamas. Então, bebiam. Por qualquer palavra desentendida, as brigas, seguidas de mortes, explodiam. O pequeno cemitério crescia como um organismo vivo.

        Já se cogitava em fabricar caixões. Zeca Maranhão percebera a necessidade e, numa marcenaria improvisada, desenhava caixões grotescos e os construía com tábuas toscas. Mas os enterros, em sua grande parte, aconteciam em redes, que ninguém queria pagar as despesas do defunto.

        O bom negócio, a princípio, se revelava desastroso. Zeca Maranhão esperava por dias melhores. De uma coisa tinha certeza: as mortes sucediam-se irremediavelmente. Quanto mais os homens sentiam necessidade de sexo, mais eles se tornavam insuportáveis e brigões.

        Mulheres eram disputadas à força. A cada leva de mulheres que chegava no cabaré era motivo de ansiosas conversas e expectativas. Mesmo os que nada tinham e estavam roendo as unhas queriam entrar no cabaré para espiar as madames recém-chegadas. Em geral, mulheres maltratadas pela vida, com seios caídos e cinturas deformadas, deixando ver abertamente dobras de gordura e calombos de celulite. Bem vestidas, com maquiagem espessa, sob as luzes fracas e coloridas, elas se transformavam em princesas aos olhos dos garimpeiros. 

        Sob o sol escaldante, os comentários circulavam pejados de angústias e desejos, e todos desejavam bamburrar, mesmo que fosse porção pequena de ouro, para que pudessem pagar àquelas princesas.

        — Desta vez, só uma se salva... aquela morena alta, de quadris redondos, seios erguidos...

        Outro rebatia:

        — Pra mim, mano velho, qualquer uma serve. Quem não tem cão, caça com gato! Estou a matar cachorro a grito...

        — Por que não usa o cinco contra um? — pilheriava o companheiro, sorrindo abertamente. — Pelo menos, você se livra de doenças.

        — Ah, de boa consciência, quem aqui neste fim de mundo já não usou? Estou até com cabelos nas mãos!

        E todos riam. Os desejos, entretanto, aumentavam, afloravam, e deixavam os homens irascíveis.

        O Pastor achava-se dono daquela riqueza. Para entrar no formigueiro desordenado, cobrava das pessoas. Com isso, ele ganhava na entrada, na igreja, na venda dos produtos do armazém, na venda do ouro e na saída. Os devedores fugitivos eram perseguidos por caçadores de recompensas.

        E a primeira coisa que o garimpeiro faz, quando acha uma boa pepita, é comprar uma arma e andar com ela na cintura, debaixo da camisa, desconfiado até da própria sombra. Depois do comércio do ouro, o de armas é o que mais prospera. Tio Nico, a cada três meses, aporta por lá com uma mala recheada de pistolas, todas da Fronteira, onde não há lei alguma e o tráfico corre solto. Para entrar no garimpo, Tio Nico dá polpudas comissões ao Pastor.

        Ninguém está no garimpo para salvar o mundo. Todos desejam salvar a própria pele. 

        Há os que chegam e ainda trazem bons preceitos. A miséria os empurrou para este tipo de trabalho. Mas, com os dias se arrastando de forma selvagem, tudo passa. Dentro de algum tempo, compreendem que a vida não vale nada. Pois o que vale o homem? Exatamente o que ele tem nos bolsos.

        Levas de ambiciosos abandonavam suas terras distantes, reunindo apenas o indispensável para a viagem, e se dirigiam para o garimpo Boa Fortuna. Sem dinheiro para pagar o Pastor, eram despejados de volta, ou se arranchavam na ponta das ruelas, espalhando-se pelo formigueiro à procura de trabalho. Decepcionados, logo descobriam que o garimpo tinha donos, e um deles, sem dúvida, era o Pastor. Sem alternativas — os bolsos vazios, a fome rondando a cada dia, e a grande floresta como muralha, iam ficando, as ruelas cresciam, novos ranchos cobertos de buriti se ajuntavam. Viviam ao deus-dará, como podiam, com os seus cachorros magros e filhos carcomidos por vermes. 

        Garimpo — terra rica de gente pobre.

        NO POVOADO DESAPRUMADO havia uma meia-água tosca, com uma tabuleta pendente da porta, onde se lia “A FLUTARIA DU GARIMPU”, escrita a piche, as letras desengonçadas, fora do prumo. Mais pareciam bonecos desenhados por crianças.

        Havia chegado de barco uma carga de frutas, e o dono, um baiano, sabia que, naquele dia, não teria sossego. Frutas eram iguarias. No dia a dia, feijão, arroz, farofa e carne seca. Uma vez, a cada quinze dias, o barco trazia caixas de madeira com frutas – abacaxis, mangas, laranjas e tubérculos.

        — Tem abacaxi? — perguntou Doca, exausto, sujo de terra, no final da tarde, quando o sol se escondia na floresta feito uma bola de fogo.

        Zé do Coco picava fumo despreocupadamente, só de bermuda, nu da cintura para cima. Distraído, esmigalhava o fumo de corda com um canivete gasto de cabo de osso, lambendo a palha de milho para enrolar o cigarro.

        — Abacaxi, veio desta vez? — voltou a perguntar Doca. – Amanheci com as lombrigas atiçadas!

        Sonhara à noite com balaios lotados de abacaxis amarelos, cheirosos e suculentos. Revirava na rede. 

        — Lá vem o barco! – trabalhando na mina, ficava de olhos no rio, lembrando do sonho da noite. – Será que trouxe abacaxi?

        Era uma frutaria improvisada. Havia cachos de bananas pendurados, envolvidos por telas de nylon, para afastar os pássaros e os macacos famintos. Eram cachos raquíticos cultivados por ribeirinhos, ao longo do rio, ao deus--dará. Muitas vezes, apodreciam antes de madurar. Os ribeirinhos, antes de granar, vendiam, gananciosos. Protegidos por telas, os pássaros não conseguiam bicar, mas os macacos... Atacavam em bandos. Eram rápidos e ardilosos.

        — Tão aí, mininu!

        Em cima de uma banca de tábua suspensa por estaca, que também abrigava carás e mandioca já passados, os abacaxis espalhados, com parte da polpa apodrecida. O cheiro adocicado atiçava as abelhas, atiçando também a gula de Doca.

        — Tão aí, mininu, pode pegá, é deis real cada.

        Doca se assustou. 

        — Cada um?

        — Sim, mininu. Tá tudo muito caro. Vem di longi, ocê sabi. Pur metro, vai dobrano o preçu. Nu garimpu, custa o zóio da cara!

        Queria cinco abacaxis. Mas, no preço que estava, contentou-se com dois. Depois da janta, descascaria um.

        — Faz um desconto, seu Zé. Aí levo mais um.

        — Nun tem jeito, não. Tudo mundo qué ganhá o seu. Quandu chega nu garimpu, tá o zóio da cara!

        Uma velha desdentada, acompanhada de uma cabocla nova e de um menino sardento, que coçava constantemente a cabeça desalojando os piolhos que disputavam o sangue aguado pela maleita e pelas lombrigas, queria comprar fiado, pagar no fim do mês. Zé do Coco fechou os cenhos, alterou a voz:

        — Minha sinhora! Tenhu um loti de cabecinha chata, pançudu e lubriguentu pra criá, i a sinhora vem pedí fiadu. Pru inferno! Aqui, nu garimpu, só nu dinhêro! Nun adianta ficá cum essa cara de cachorro caídu de mudança, não. Quem tem coração moli nun vévi pur essas bandas...

        Doca se apiedou.

        — Que gente pobre... Coitados!

        — Coitadu é fio de rato que nasci peladu! Quem nun tem dinhêro qui nun si estabeleça! A lei da vida. Si eu for ter pena dessa genti, tô fudido e mal pagu. Vá pedi as coisa pru Pastor... Nun vai recebê nadinha! É um mão di vaca. 

        Sempre o Pastor, a mesma conversa.

        — Vê si o home, essi tar de Pastor, vai pegá nu cabu du machadu pra rachá lenha, nem vai amassá barru, muitu meno trepá na iscada pra tirá goteira du ranchu. Nun vai pegá nu cabu da inxada pra plantá mantimenu, nem vai cavá o chão pra tirá ouro. O home manda e dismanda nesti garimpu. Aqui, o pobre se ferra e pur um nadinha é encontradu de boca pru chão, a boca cheia de furmiga. Sabi, seu moçu, eu só queru vendê minhas frutinhas. Queru ficá rico, não. Mais nem pobri. Remediadu, é mio. Os dedos da mão é iguá? Nun é. Tudo diferenti. Si tudo mundu fosse rico, morria tudo de sujeira. Sabe pur quê? Quem ia lavá rôpa? Quem ia cavucá o barru pra achá ouro? Quem ia vendê essas frutas? O que mai aborreci e não aceitu, e mi fais perdê o sonu, é qui os ricos nun gosta de pagá a genti direito. Eles pode comprá tudo, inté a justiça. Aí, que palavrão! Pur aqui, justiça é na basi do revólve, na bala de açu. Nun adianta gritá, os ricos, esse tar de Pastor, pode botá quarqué um fora du garimpu, ou intão mandá pro ôtro mundu. Já viu pobri tê razão?

        Anoitecia. Um vento forte, mas morno, vindo da mata próxima, passou repentinamente, agitando os cabelos de Doca. O menino sardento e empiolhado, enquanto Zé do Coco conversava, havia surrupiado várias frutas e, sorrateiro, saíra correndo. Doca o percebera, mas fizera de conta que não havia visto. Mais adiante, o menino se reuniu à mãe e seguiam pela rua tortuosa.

        Zé do Coco cuspiu violentamente e passou o chinelo enorme em cima da cusparada. No brilho de seus olhos havia raiva e decepção.

        — O sinhô veio da onde? Nun parece cabra encruadu cumo essa leva de genti de vesti esfarramada acenanu ao vento...

        Para disfarçar, Doca fez que não ouviu, jogando duas notas de dez reais sobre o balcão improvisado.

        — Vou levar dois, seu Zé. Outro dia, levo mais. Quando vem outra carga? Só de quinze dias?

        — Tá certu! Si nun qué falá, nun fale. Possu nun sê detetivi, mais nunca saio da pista. Cumo qui si diz, quem isquenta a cabeça é palitu di fósfo! Aprendi a respeitá, seu moçu. Pur aqui, o passadu é sempre feio. Em cada rostu, só a cobiça. Tudu mundu qué ficá ricu, bamburrá. A vida, pur aqui, inté pareci venda de bilheti de loteria. Sempri o memo consêio: “seu dia chegará!”. Mais, inté agora, só pôca genti viu a grandi sorti. Mais, prus pobri, chega nunca!

        — Há como sair daqui com o ouro, seu Zé?

        — Nun mi fale nistu. Daqui, ninguém sai cum o ouro. O Pastor nun deixa. A mina é dele. Já vi uma purção querê saí, e acabaro na valeta ou no riu, banqueti das piranha. Ocê já ouviu falá do Djalmão? O negão mata sem piscá os zóios! Notro dia memo, arrancô as pepita de ouro do rabu de um garimpêro. O pião tinha escondido o ouro no cu. Puis o Djalmão rancô as pepita lá di dentro. Tava cheio de merda. Qui nojeira! Mais nun perdeu o ouro. Aqui, é assim qui funciona. 

        Anoitecera. O lampião clareava frouxamente. Muriçocas atacavam famintas. Fregueses chegavam. Zé do Coco abandonou a conversa e foi atendê-los. Doca saiu em direção do rancho, carregando os abacaxis.

        Mais adiante, avistou Matildes, que entrara na loja “Butike de ouro”. Ela olhava as bugigangas, enquanto o negociante atendia os numerosos fregueses, na maioria prostitutas e garimpeiros gastadores. O mulherio comprava braceletes, brincos, sapatos e bolsas. Pelo balcão engendrado de caixotes de pinho viam-se cortes de tecido e bermudas, saias, sutiãs, calcinhas por preços absurdos. Os olhos de Doca apalparam avidamente o corpo da prostituta, de cima para baixo, de baixo para cima, feito olhar de bisturi. No meio da rua escura, quedou-se cheio de desejo, segurando um abacaxi em cada mão.

        — Para casa! – ordenou a si mesmo, contendo-se. – Sai, satanás! 

        Se fizesse como os outros garimpeiros, que gastavam tudo com mulheres, jamais sairia daquele inferno com os bolsos forrados. Naquele lugar, o mundo viera parar com todas as tentações, toda a sua hipocrisia, as suas grandezas e misérias. Ali, havia dinheiro, miséria e imundície a granel. O que aquelas mulheres queriam? Sapatos e vestidos bonitos, brincos, colares, bebidas que espumavam.

        — Depois de três trepadas, já não é uma aventura, mas um caso – ruminou, apressando os passos.

        No meio do caminho, um grupo de garimpeiros conversava alto:

        — Hoje, o Djalmão teve serviço!

        — Não diga! O que ele fez?

        — O de sempre! Esculhambou três cabras. Estavam escondendo ouro. Ouvi os urros de um. Aquilo deve ter ficado com a bunda sem conserto...

        Doca apressou mais os passos. Cachorros vadios perseguiam cadelas, num cortejo cego. Sobre a mata, a lua começava a pratear.

 

TRECHO 2 DO ROMANCE "SANGUE VERDE" DE DAVID GONÇALVES (Pg.12 a 18).

 

Entendendo o romance:

01 – Que visão o velho garimpeiro de cinquenta anos tem sobre a vida no garimpo e por que ele se arrepende do passado?

      O velho garimpeiro enxerga o local como uma "draga" que chupa todas as forças e classifica a busca pela riqueza fácil como "ilusão pura". Ele se arrepende profundamente de ter jogado sua vida fora chafurdando na lama por poucas pepitas de ouro, restando-lhe na velhice apenas reumatismo, feridas ("perebas") e cansaço.

02 – De que forma o personagem Doca utiliza a metáfora dos urubus na carniça para descrever o comportamento dos garimpeiros?

      Doca compara os garimpeiros a urubus em cima de uma carniça para ilustrar a ganância obstinada que os prende àquele lugar. Ele argumenta que os homens só vão embora dali quando não restar mais nenhum "naco de carne podre" (ouro), citando o exemplo de Serra Pelada que, mesmo após virar um açude alagado, continuava atraindo pessoas enfeitiçadas à espera de um sinal do metal precioso.

03 – Quem é Matildes e qual é o dilema interno que Doca enfrenta em relação a ela?

      Matildes é uma das prostitutas do cabaré local com quem Doca gastou seu pouco dinheiro na noite anterior. O dilema de Doca é que ele se vê perdidamente atraído por ela ("caíra como mosca no mel"), mas tenta a todo custo lutar contra esse desejo. Sendo um homem experiente, ele sabe que se gastar tudo com mulheres e luxos, jamais conseguirá sair daquele "inferno" com os bolsos cheios.

04 – Por que a violência e as mortes eram tão frequentes no garimpo Boa Fortuna e como ocorriam a maioria dos sepultamentos?

      A violência explodia devido à combinação de ganância, consumo de bebida alcoólica e a grave escassez de mulheres, deixando os homens irascíveis e nervosos. Embora o carpinteiro Zeca Maranhão tentasse vender caixões toscos de madeira, a maioria dos enterros no cemitério local acontecia usando apenas redes, já que ninguém queria arcar com as despesas do defunto.

05 – Qual é o papel do "Pastor" na estrutura de poder e na economia exploratória do garimpo?

      O Pastor é descrito como o verdadeiro dono e tirano do garimpo. Ele explora os trabalhadores cobrando taxas em todas as etapas: na entrada do perímetro, na igreja, na venda de produtos do armazém, na comercialização do ouro e até na saída. Ele também financia caçadores de recompensas para perseguir devedores e recebe comissões para permitir o tráfico ilegal de armas no local.

06 – Que crítica social Zé do Coco faz sobre a relação entre ricos, pobres e o conceito de justiça naquela região da Amazônia?

      Zé do Coco afirma que os ricos (representados pelo Pastor) não gostam de pagar o trabalhador direito e têm poder para comprar tudo, inclusive a justiça. Ele resume que, no garimpo, a palavra "justiça" não passa de um palavrão, pois a realidade local é resolvida na base do revólver e da bala de aço, onde o pobre nunca tem razão e pode ser mandado para o "outro mundo" por qualquer capricho dos poderosos.

07 – Quem é Djalmão e que história brutal Zé do Coco conta a Doca para ilustrar que ninguém consegue sair dali roubando ouro?

      Djalmão é o capanga encarregado de aplicar a violência brutal do garimpo a mando dos donos. Zé do Coco relata que Djalmão "mata sem piscar os olhos" e conta que, recentemente, ele descobriu que um peão havia escondido pepitas no próprio ânus. Sem qualquer hesitação, Djalmão arrancou à força o ouro dali de dentro, deixando o garimpeiro gravemente ferido e com a "bunda sem conserto".

 

 

 

 

SINTAXE - SUJEITO E PREDICADO - COM GABARITO

 SINTAXE – SUJEITO E PREDICADO

Exercícios:

 

01 – Na oração: “Foram chamados às pressas todos os vaqueiros da fazenda vizinha”, o núcleo do sujeito é:

a) todos;

b) fazenda;

c) vizinha;

d) vaqueiros;

e) pressas.

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhc73xzWcYYbzrwPI9qnTWgPKSLGx-4pL0aWFLD6DgYljlrLPioJBRRTNXKCQQttxhk7VFh27Mu9ZeMLxQnwzPZUS9X1rHFc7muG5AY24iM7BNnZB1dvKXwpwCLDAfiKUObrHWHjF6NwCTzQowEYbEEe0Am15eqt7i1664fKwJrVj61V_aQe_YVYFsft4E/s320/images.jpg


02 – Assinale a alternativa em que o sujeito está incorretamente classificado:

a) chegaram, de manhã, o mensageiro e o guia (sujeito composto);

b) fala-se muito neste assunto (sujeito indeterminado);

c) vai fazer frio à noite (sujeito inexistente);

d) haverá oportunidade para todos (sujeito inexistente);

e) não existem flores no vaso (sujeito inexistente).


03 – Em “Éramos três velhos amigos, na praia quase deserta”, o sujeito desta oração é:

a) subentendido;

b) claro, composto e determinado;

c) indeterminado;

d) inexistente;

e) claro, simples e determinado.


04 – Marque a oração em que o termo destacado é sujeito:

a) Houve muitas brigas no jogo;

b) Ia haver mortes, se a polícia não interviesse;

c) Faz dois anos que há bons espetáculos;

d)Existem muitas pessoas desonestas;

e) Há muitas pessoas desonestas.


05 – Indique a única frase que não tem verbo de ligação:

a) O sol estava muito quente;

b) Nossa amizade continua firme;

c) Suas palavras pareciam sinceras;

d) Ele andava triste;

e) Ele andava rapidamente.


06 – Considere a frase: “Ele andava triste porque não encontrava a companheira”, os verbos grifados são respectivamente:

a) transitivo direto - de ligação;

b) de ligação - intransitivo;

c) de ligação - transitivo - indireto;

d) transitivo direto - transitivo indireto;

e) de ligação - transitivo direto.


07 – Na praça deserta um homem caminhava – o sujeito é:

a) indeterminado;

b) inexistente;

c) simples;

d) oculto por elipse;

e) composto.


08 – Na oração: “Anunciaram grandes novidades” – o sujeito é:

a) simples;

b) composto;

c) indeterminado;

d) elíptico;

e) inexistente.


09 – “O toque dos sinos ao cair da noite era trazido lá da cidade pelo vento. O termo grifado é:

a) sujeito;

b) objeto direto;

c) objeto indireto;

d) complemento nominal;

e) agente da passiva.


10 – “Eu andava satisfeito com o mundo e comigo mesmo”, o período é:

a) simples;

b) composto por coordenação;

c) composto por subordinação;

d) composto por coordenação e subordinação;

e) composto de duas orações.


11 – Na oração “Mestre Reginaldo, o impoluto, é uma sumidade no campo das ciências” – o termo grifado é:

a) adjunto adnominal;

b) vocativo;

c) predicativo;

d) aposto;

e) sujeito simples.


12 – Na expressão: Por todos era apedrejado o Luizinho”, o termo grifado é:

a) objeto direto;

b) objeto indireto;

c) sujeito;

d) complemento nominal;

e) agente da passiva.


13 – Dentre as orações abaixo, uma contém complemento nominal. Qual?

a) Meu pensamento é subordinado ao seu.

b) Você não deve faltar ao encontro.

c) Irei à sua casa amanhã.

d) Venho da cidade às três horas.

e) Voltaremos pela rua escura ...


14 – Assinale a alternativa em que o termo grifado é adjunto adnominal:

a) Sua falta aos encontros sufocava o nosso amor.

b) Ela é uma fera maluca.

c) Ela é maluca por lambada nacional.

d) Não tenho medo da louca.

e) O amor de Deus é o primeiro mandamento.


15 – Em “a linguagem do amor está nos olhos – os termos grifados são respectivamente:

a) complemento nominal e predicativo do sujeito;

b) adjunto adnominal e predicativo do sujeito;

c) adjunto adnominal e objeto direto;

d) complemento nominal e adjunto adverbial;

e) adjunto adnominal e adjunto adverbial.


16 – “Diga ao povo que fico” é um período:

a) simples;

b) composto por coordenação;

c) composto por subordinação;

d) composto por coordenação e subordinação;

e) composto de três orações.

 

17 – “Saúde e felicidade são as minhas aspirações na vida” – nessa expressão o sujeito é:

a) simples;

b) composto;

c) indeterminado;

d) oculto;

e) oração sem sujeito.


18 – Na expressão: “Ordem e progresso, esse é o nosso lema” – o sujeito é:

a) simples;

b) composto;

c) indeterminado;

d) oculto;

e) inexistente.


19 – Já na expressão “O prefeito Odorico nomeou Dirceu Borboleta ajudante de ordens – as palavras grifadas funcionam como:

a) objeto direto;

b) objeto indireto;

c) predicativo do sujeito;

d) aposto;

e) predicativo do objeto


20 – O verbo de “confio este carro à distinção dos senhores passageiros” é:

a) transitivo direto;

b) transitivo indireto;

c) transitivo direto e indireto;

d) intransitivo;

e) de ligação.


21 – Em: “Era inverno e fazia frio” – há duas orações cujos sujeitos são respectivamente:

a) inexistente e indeterminado;

b) indeterminado e inexistente;

c) inexistente e inexistente;

d) indeterminado e indeterminado;

e) N. R. A. porque ambos são compostos.


22 – Qual o período simples?

a) Encontrará, talvez, no caminho da vida, asperezas, ingratidões, grosserias, injustiças, brutalidades...;

b) Quem sabe se não encontrará inimigos cruéis e “amigos” pérfidos;

c) Dorme, dorme meu anjinho, que a “Mamã” vela por ti ...;

d) Ela defende-o e protege-o;

e) Faz cinco anos que o procuro.


23 – Confiamos no futuro. Desconhecemos as coisas do futuro. Temos confiança no futuro.

– Nas expressões acima, os termos grifados funcionam respectivamente, como:

a) objeto indireto; adjunto adnominal; complemento nominal;

b) objeto indireto; complemento nominal; objeto indireto;

c) objeto indireto; objeto indireto; complemento nominal;

d) objeto direto; adjunto adnominal; objeto indireto;

e) objeto direto; sujeito; complemento nominal.


24 – Em: “Faz anos que não chove no sertão” – há duas orações com sujeito:

a) simples;

b) composto;

c) indeterminado;

d) inexistente;

e) elíptico.


25 – Em: “Pediram-me papai e mamãe que eu fosse mais audacioso”:

a) o sujeito da primeira oração é simples e o da segunda é inexistente;

b) o sujeito da primeira oração é composto e o da segunda, é simples;

c) o sujeito da primeira oração é indeterminado e o da segunda, inexistente;

d) o sujeito da primeira oração é inexistente e o da segunda indeterminado;

e) o sujeito da primeira oração é composto e o da segunda inexistente.


26 – Em: “À boca da noite a cata-piolhos rezava baixinho ...”, o sujeito é:

a) simples;

b) composto;

c) indeterminado;

d) inexistente;

e) oculto.


27 – Em qual das alternativas o verbo grifado é de ligação?

a) Quando você para, eu continuo.

b) Amélia continua mulher de verdade.

c) Esta “droga” de relógio não anda.

d) Andei dois quilômetros a pé.

e) Nos primeiros dias aprendi as notas musicais.


28 – O predicado é nominal em:

I - Você acha Cristina bonita, mamãe?

II - O mundo podia ser tranquilo.

III - “Zé Mané” não estava embriagado.

IV - O guarda noturno permanece atento a todos os perigos.

V - Os transeuntes ficaram assustados.

a) I - II - III;

b) II - III;

c) II - IV;

d) III - IV - V - II;

e) I - II - IV.


29 – Dentre as orações abaixo, uma tem sujeito indeterminado. Qual?

a) A nossa casa parecia uma arca de Noé.

b) Não iria além de um vice-campeonato.

c) As águas trafegam furiosas.

d) Atropelaram um boi lá na gentil.

e) No lugar só ficou a surpresa.


30 – Na oração: “Diziam que ele era igualzinho a meu pai”, o sujeito da primeira oração é:

a) simples;

b) composto;

c) indeterminado;

d) inexistente;

e) oculto.


31 – Dê a função sintática do elemento grifado: Mestre Cupijó, ouviu-se há dias a sua grande obra”.

a) adjunto adnominal;

b) sujeito;

c) vocativo;

d) aposto;

e) objeto direto.


32 – Em: “O homem não gosta de reconhecer a inevitabilidade de uma morte natural ...”, a expressão grifada é:

a) adjunto adnominal;

b) adjunto adverbial;

c) complemento nominal;

d) agente da passiva;

e) sujeito.


33 – “Ué, gente: vocês ainda não foram pra sala?!” – o sujeito:

a) simples;

b) composto;

c) indeterminado;

d) inexistente;

e) oculto.


34 – Em: “Bebe que é doce, papai – a palavra grifada funciona como:

a) sujeito;

b) aposto;

c) vocativo;

d) adjunto adverbial;

e) adjunto adnominal.

POEMA: TORRE AZUL - MÁRIO QUINTANA - COM GABARITO

 Poema: TORRE AZUL

 

É preciso construir uma torre

-- uma torre azul para os suicidas.

Têm qualquer coisa de anjo esses suicidas voadores,

qualquer coisa de anjo que perdeu as asas.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgrUgTPv8XNif40mMx9i4LPHwMXyDRMlQZ8BgiuyF8TpjVfRFfdn6Ja2A_cxlCnGQU4rv6wojJlm_QokDMBw3yVHFMnTop5T2vXhFqy76sGBO1RRVBt4_i9dtH1W65I-daDKMcqAnHRM2jcxUkSX5ajRb1RXaukrGhigBf4J_bWUCDGysyi-mB8Ii8wryM/s320/images.jpg


É preciso construir-lhes um túnel

-- um túnel sem fim e sem saída

e onde um trem viajasse eternamente

como uma nave em alto-mar perdida.

 

É preciso construir uma torre…

É preciso construir um túnel…

É preciso morrer de puro,

puro amor!… 

Mario Quintana. Poema do livro Baú de Espantos, retirado de Poesia Completa – Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2005, p. 587.

Entendendo o poema:

01 – Como o eu lírico caracteriza as pessoas que decidem tirar a própria vida?

a)   Anjos que perderam as asas.

b)   Pássaros que não sabem voar.

c)   Viajantes de um mundo azul.

c)   Seres que odeiam a existência.

 

02 – Qual é a função simbólica da 'Torre Azul' mencionada no texto?

a)   Uma prisão para punição.

b)   Um refúgio de acolhimento.

c)   Um farol para os vivos.

d)   Um monumento de vitória.

 

03 – Que característica fundamental define o 'túnel' sugerido no poema?

a)   A inexistência de uma saída.

b)   A brevidade do seu percurso.

c)   A presença de luz intensa.

d)   O barulho constante do mar.

 

04 – A que o trem que viaja pelo túnel é comparado pelo autor?

a)   Vento em campo aberto.

b)   Anjo em busca de asas.

c)   Nave em alto-mar perdida.

d)   Estrela em queda livre.

 

05 – De acordo com o último verso, qual é o motivo final para tal entrega ou estado?

a)   Por puro amor.

b)   Por medo do fim.

c)   Por tédio da vida.

d)   Por falta de luz.

 

 

 

 

 

 

FILME(ATIVIDADES): O GATO DE BOTAS - CHRIS MILLER -- COM GABARITO

 Filme (Atividade): O gato de botas

 Título original: Puss in Boots.

Lançamento: 2011 (EUA).

Direção: Chris Miller.

Atores: Antônio Banderas, Salma Hayek, Zach Galifianakis, Billy Bob Thornton.

Duração: 90 min.

Gênero: Animação.

 

Fonte:  https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjudDDX9_m-EjFb9F6E6OcIMvNy9cVY5h_35v_muH_dd4-fICZDDUhl-tkLMvSo51-_ALEhcWeukI11IASX5aE6Y_uMAebZJtk47dSpaPjpk-Yg4SzVEZQt9zCuSHPQYxSsajVj5r2QQsTXaE8PI3xeUP1AsOGkAF8ZIC-WTyBfLxzzt_x0A1P7Zxs64KA/s1600/gato.jpg

Sinopse

        O Gato de Botas é um aventureiro sagaz que faz jus à fama de intrépido. Ele quer encontrar o ganso dos ovos de ouro e contará com a ajuda de amigos nessa missão quase impossível.

 

Entendendo o filme:

01 – Como o gato ficou amigo do Ovo (Humpty Dumpty)?

      Eles se conheceram na infância, quando viviam no mesmo orfanato na cidade de San Ricardo. O Gato era discriminado por ser um gato de rua e Humpty Dumpty também sofria por ser um ovo. Eles se uniram para se defender das outras crianças e, a partir dali, tornaram-se melhores amigos e "irmãos de sangue".

02 – O Ovo tinha um sonho e o Gato resolveu ajudá-lo a realizar esse sonho. Que sonho era esse?

      O grande sonho de Humpty Dumpty era encontrar os feijões mágicos da lenda, plantá-los para que a árvore crescesse até o céu (o castigo do gigante) e, lá em cima, encontrar a lendária Gansa dos Ovos de Ouro para ficarem ricos.

03 – O Gato passou a ser conhecido como Gato de Botas porque ganhou um par de botas. Por que ele ganhou essas botas?

      Ele ganhou as botas como uma honraria oficial da liderança da cidade (entregues pela mãe adotiva dele, Imelda) após salvar heroicamente a mãe do Comandante da guarda de ser atropelada por um touro bravo no meio da rua. As botas simbolizavam sua coragem, honra e verdade.

04 – O Gato de Botas teve que fugir de sua cidade quando era mais novo. Por quê?

      Ele teve que fugir porque foi enganado por Humpty Dumpty. O ovo convenceu o Gato a ajudá-lo em uma suposta "emergência", que na verdade era um assalto ao banco de San Ricardo. O Gato acabou sendo visto como cúmplice do roubo pela guarda, foi considerado um traidor pela cidade e teve que fugir para não ser preso.

05 – O Ovo convenceu o Gato de Botas a ajudá-lo a conseguir os feijões mágicos e eles chegaram até a gansa dos ovos de ouro. Que ideia eles tiveram para continuar tendo sempre ovos de ouro?

      Como os ovos de ouro puro eram muito pesados para carregar em grande quantidade lá do céu, eles tiveram a ideia de roubar o próprio filhote da Gansa (o ganso dos ovos de ouro) e trazê-lo para a Terra, garantindo assim uma fonte eterna de riqueza.

06 – Que consequência isso teve para o povo da cidade?

      A consequência foi catastrófica. Ao levarem o filhote, eles atraíram a fúria da "Grande Mulher" (a mãe gansa, que na verdade é um monstro gigante). Ela desceu dos céus e foi em direção a San Ricardo, destruindo tudo pelo caminho para resgatar o seu filhote, colocando toda a população em perigo.

07 – O Ovo não queria realmente ser amigo do Gato de Botas; era tudo um plano de vingança para prejudicá-lo. Explique esse plano.

      Humpty Dumpty nunca perdoou o Gato por ter fugido no passado e ter ficado com a fama de herói enquanto ele foi preso. O plano de vingança consistia em fingir que queria reatar a amizade, usar a habilidade do Gato para conseguir os feijões mágicos, levá-lo de volta a San Ricardo e fazê-lo ser capturado pela guarda na frente de todos, limpando o nome do Ovo e destruindo a reputação do Gato de vez.

08 – O Gato de Botas foi preso. Como ele conseguiu escapar?

      Ele conseguiu escapar com a ajuda de Kitty Pata-Mansa. Ela se arrependeu de ter feito parte do plano do Ovo para enganar o Gato, invadiu a prisão militar de San Ricardo e ajudou a libertá-lo das grades.

09 – Apesar de tudo, o Gato de Botas salvou a cidade e provou que era honesto. Como ele fez para salvar a cidade?

      O Gato conversou com Humpty Dumpty e o convenceu a fazer a coisa certa. Juntos, eles pegaram o ganso filhote e o atraíram para fora da cidade, em direção a uma ponte alta, para entregá-lo de volta à mãe gigante antes que ela esmagasse San Ricardo inteira.

10 – O que o Gato de Botas descobriu sobre o ovo (Humpty Dumpty) no final do filme?

      No momento final, para salvar o ganso filhote e o próprio Gato, Humpty Dumpty se sacrifica e despenca da ponte. Ao cair, sua casca quebra e o Gato descobre que, por dentro, Humpty Dumpty não era podre, mas sim feito de ouro puro, provando que no fundo ele tinha um bom coração.

CRÔNICA: EM MAUS LENÇÓIS - ANTÔNIO MACHETTI - COM GABARITO

 Crônica: EM MAUS LENÇÓIS


        Eu tinha apenas quatorze anos quando fugi de casa pela primeira vez. Não suportando a tensão que me aniquilava, efeito das perseguições e xingamentos incessantes, tratei de escapulir. Frequentava o ginásio, mas, entre os meus colegas, considerava-me perseguido e humilhado. No meu lar não tinha liberdade para nada, vivia confinado, aguentando ameaças e descomposturas; na escola sempre preterido, por este ou aquele pretexto, rejeitado até nas atividades esportivas de que tanto gostava. Sempre o pior trajado, o uniforme sovadíssimo, de um amarelo desbotado, horrível, e os sapatos estropiados, desmanchando-se. Era tempo de guerra, havia crise. Mas eu não compreendia isso: meus colegas vestiam-se bem. O pior mesmo eram as xingações, as invectivas.^

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhO1tdrq5uisjiaFq-2xviol2V0EtfqU31VQeCjZ-hCFRbXqnSmuT4WrOeNmUSJhnEZMHeI0gRfodxXjiv0nh1j0SDqXwMwo8srb3iVyLm5NXfRCwKFjbh3an0VZa7ZBDBnLMl_LjBpHMKgj0mZ7YrTrVKfak3bmUnuEGbY7pNJ-IL4dCvw379lETpUnN8/s320/maus-lencois.png


        Ela bradava com frequência:

        -- Você anda jogando buzo com os botões da calça! Não é capaz de andar arrumado, limpo, moleque sem-vergonha! O seu fim vai ser triste, bruaco!...

        Ele corroborava, mesmo à mesa das refeições:

        -- Você não merece o feijão que come, pedaço de asno, ignorante!... 

        Não aguentei. Meti algumas peças de roupa dentro da bolsa escolar e, ao invés de dirigir-me ao ginásio, emboquei num ônibus estacionado na rodoviária. Vazio, aguardava horário de partida e, também, os passageiros que dia a dia minguavam. Não me foi difícil, pois, passar despercebido. Encaracolado atrás do encosto do último assento, esperei ansiosa e nervosamente a partida: minha independência. Apesar de ter sido bem-sucedido naquela estratégia comum de fuga, não driblei por muito tempo o fracasso. Na madrugada imediata, enquanto eu dormia no banco de uma jardineira carunchenta, abandonada nas proximidades de um posto de gasolina, fui descoberto por um bate-pau e prontamente conduzido ao xadrez. Sem mais cerimônias, cortaram-se as asas e meteram-me na gaiola. Permaneci várias semanas ali esquecido, sem jamais ser interrogado, e sem ninguém dar-se pela presença de uma criança na cadeia pública. Tinha, aliás, por companheiro, um outro garoto, mais ou menos de minha idade, que já se achava preso há mais tempo. Também fora encontrado a sós e metido a ferros. Era necessário limpar as ruas da progressista comarca, dar segurança e tranquilidade aos seus moradores ordeiros e pacatos. Ao reclamar da situação, o carcereiro, bocejando de tédio, respondeu-me:

        -- Quando vier o novo delegado, ele resolve...

        -- E eu? Perguntou Giba.

        -- Está na mesma... Dependo do delegado que vier. Às vezes vem logo, às vezes não...

        Em tal expectativa passamos tempo considerável.


Antônio Machetti.

Entendendo a crônica:

01 – Quem é o narrador do texto?

      O narrador é um narrador-personagem (em primeira pessoa). Trata-se de um homem adulto que relembra um episódio doloroso de sua adolescência, quando tinha apenas quatorze anos.

02 – O que ele nos conta?

      Ele conta a história da primeira vez que fugiu de casa na adolescência para escapar dos maus-tratos de seus pais e das humilhações na escola, e como essa fuga acabou resultando em sua prisão injusta em uma cadeia pública.

03 – O que a personagem central fazia antes de abandonar o lar?

      Ele frequentava o ginásio (escola) e tentava participar de atividades esportivas, além de viver confinado em casa sob constantes ameaças e xingamentos.

04 – Por que resolveu fugir?

      Porque ele não suportava mais a tensão, as perseguições, as humilhações e os xingamentos incessantes que sofria tanto dentro do seu lar (onde não tinha liberdade) quanto na escola.

05 – Por que era perseguido e humilhado pelos colegas?

      O texto sugere que a rejeição acontecia pelo fato de ele ser o "pior trajado" de todos, vestindo um uniforme velho ("sovadíssimo"), de um amarelo desbotado e sapatos estropiados, que se desmanchavam devido à crise e à pobreza no tempo de guerra.

06 – O que aconteceu ao rapaz, quando fugiu de casa?

      Ele conseguiu pegar um ônibus na rodoviária e viajar, mas na madrugada seguinte, enquanto dormia no banco de uma jardineira (ônibus antigo) abandonada perto de um posto de gasolina, foi descoberto por um "bate-pau" (guarda/policial) e trancafiado na cadeia pública.

07 – Por que fracassou na sua tentativa de fuga?

      Ele fracassou porque foi capturado muito rápido, logo na primeira madrugada, pelas autoridades locais que queriam "limpar as ruas" dos garotos sem rumo.

08 – Sua situação se resolveu de imediato? Por quê?

      Não. Ele passou várias semanas esquecido na cela, sem nunca ser interrogado. O carcereiro informou que nada seria resolvido até que um novo delegado chegasse à comarca, algo que não tinha prazo para acontecer.

09 – O garoto voltou para casa? Se voltou tentou fugir novamente? Justifique sua resposta com um trecho do texto.

      O texto não mostra o desfecho da história nem o retorno dele para casa; a crônica termina de forma abrupta com os meninos ainda presos esperando o delegado. Porém, o primeiríssimo período do texto comprova que aquela foi apenas a primeira vez que ele fugiu, indicando que houve outras no futuro: "Eu tinha apenas quatorze anos quando fugi de casa pela primeira vez."

10 – Assinale, a fuga é consequência:

A - Do fato de ele ser mal compreendido e humilhado em casa?

B - De ele não ter liberdade?

C - De ele ser um menino rebelde?

11 – Quem é Giba?

      Giba é um outro garoto, de idade próxima à do narrador, que já estava preso na mesma cela há mais tempo, também recolhido das ruas pela polícia local.

12 – Onde o rapaz estava e o que fazia, quando foi trancafiado na cadeia?

      Ele estava nas proximidades de um posto de gasolina, dormindo no banco de uma jardineira (veículo de transporte antigo) carunchenta e abandonada.

13 – Retire do texto expressões que mostrem o tempo da narrativa.

      As expressões que indicam a época e a passagem do tempo são: "apenas quatorze anos", "Era tempo de guerra", "Vinte anos" (mencionados de forma figurada nos xingamentos), "Na madrugada imediata" e "várias semanas".

14 – “Você não merece o feijão que come, pedaço de asno, ignorante!...”. Quem dizia isso ao rapaz?

      Essa frase era dita pelo pai do garoto (indicado no texto pelo pronome "Ele", que corroborava com os xingamentos da mãe à mesa de refeições).

15 – Em qual parágrafo é feita a descrição da personagem principal? Retire um trecho que comprove sua resposta.

      A descrição física e social da personagem é feita no primeiro parágrafo.

      Trecho que comprova: "...Sempre o pior trajado, o uniforme sovadíssimo, de um amarelo desbotado, horrível, e os sapatos estropiados, desmanchando-se."