quarta-feira, 8 de julho de 2026

CONTO: AS AREIAS DA ENSEADA - SALUSTIANO SOUZA - COM GABARITO

 Conto: As areias da Enseada

           Salustiano Souza

 

        O ônibus riscava o asfalto com seus faróis acesos e na minha imaginação ia muito veloz. Eu olhava embevecido a mata que recobria as margens da rodovia, as poucas casas que povoavam Araquari e o céu que começava a tingir-se de alaranjado, prenunciando mais um dia ensolarado no verão.

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        O ônibus parou na fila de carros e todos se levantaram. Olhamos com curiosidade o trem que atravessava a pista, fiquei contando os vagões, na época ainda havia vagões de passageiros, mas naquela hora estavam vazios. O pessoal estava animado, as cestas, caixas e bolsas rolavam pelo corredor nas freadas bruscas e manobras radicais, denunciando que o Beca, motorista maluco que levava os alunos para a Escola Técnica Tupy, era mesmo maluco.

        Sentia um pouco de sono, afinal eu me levantara várias vezes na noite para espiar o céu, com medo de perder a hora e com uma ansiedade incomum. Tinha pouco mais de treze anos, estava começando o curso de mecânico ajustador no Senai e com um misto de alegria e ansiedade aceitara o convite para a excursão da família de um amigo de lá, o Dagoberto, para passar o domingo na praia da Enseada. O ônibus ia lotado, todos os parentes do Dagoberto estavam lá, uma grande festa.

        Sonhos espocaram nas noites que antecederam a partida. Eu praticamente não conhecia praia, apesar de morar em Joinville. Lembranças do mar tinha pouco, algumas parcas passagens por Barra Velha onde via o espetáculo do mar descortinar-se na descida do morrinho e uma vez em Balneário Camboriú, levado pela mão de meu pai, olhando com inveja as crianças que brincavam na areia. Queria molhar os pés, mas ele não deixou. E nem televisão tínhamos para mitigar o desejo que tanto me fascinava de ver o mar.

        Por isso o sonho agora era mais intenso, o desejo mais incontido. Me imaginava correndo na areia da praia, chutando a água, exatamente como vira as crianças fazerem, há muitos anos atrás. Antes de dormir naquela noite acalentei o último sonho que antecede a realização de um desejo. Acordei muito cedo e às cinco e meia da manhã cheguei de bicicleta na frente da casa deles, lá no Itaum. O cheirinho do café misturava-se com a algazarra da família se reunindo.

        O sol agora nascia soberbo, espelhando-se nas águas plácidas do canal do Linguado. A mãe do Dagoberto distribuía orelha de gato. Humm, uma delícia. De repente um estranho barulho, um pneu furou. Quase todo mundo desceu, não tinha muita gente para ajudar, mas para dar palpites estava cheio. Olhei com interesse uma prima do Dagoberto, afinal a puberdade transpirava por todos os poros. Senti que seus olhos fugidios manifestaram interesse.

        A viagem recomeçou e eu comecei a dividir meus sonhos de ver o mar com os sonhos de conhecer melhor aquela garota.

        -- Chegamos em São Francisco, gritou alguém quando fizemos a curva e entramos no Bairro Laranjeiras. Olhei para a janela, procurando o mar, mas só via casas e árvores.

        -- Cadê o mar, perguntei, e todos riram.

        -- Calma menino, mais meia hora e nós chegamos, falou uma das mulheres.

        Logo à frente, a polícia, ao lado da igreja, parou o ônibus. Examinou documentos, conversou com o Beca e fez pouco caso da minha impaciência. Liberou o ônibus, não sem antes ganhar umas orelhas de gato da mãe do Dagoberto.

        Nunca imaginara que a praia pudesse ser tão longe. Mais mato, mais asfalto, e por fim um pedaço de estrada de chão. 

        -- A praia, ouvi o grito quando já saboreava as nesgas de mar que apareciam no meio das árvores. Na Enseada da minha infância havia uma ou outra casa esparsa, porque os prédios vieram anos depois. A praia era quase selvagem.

        Mal parou o ônibus eu corri para água. Na pressa esqueci de tirar o único tênis que tinha, um kichute, e a calça boca sino. Parei com água nas canelas, as ondas brincando de molhar meus joelhos, o olhar embevecido não conseguia abarcar aquela imensidão de água. Fiquei ali parado, sem saber o que fazer, aquele movimento das ondas marulhando no encontro com a areia, ah, aquilo era divino.

        Fechei os olhos e lembrei do poema de Casimiro de Abreu, Deus. Como havia sonhado com aquele momento! A alegria era imensa, não sabia o que fazer, fiquei ali, extasiado, com um sorriso abestalhado, vendo o sol dançar em miríade de cores naquela efervescência de ondas.

        -- Vem! falou a prima do Dagoberto, pegando na minha mão. – Vai colocar um calção!

Salustiano Souza. Fevereiro/2015.

 

Entendendo o conto:

01 – Qual era o principal motivo da ansiedade e da insônia do narrador na noite anterior à viagem?

       O narrador estava extremamente ansioso porque teria a oportunidade de passar o domingo na praia da Enseada. Apesar de morar em Joinville, ele praticamente não conhecia o mar (tinha apenas lembranças vagas de infância) e não tinha televisão em casa para saciar seu desejo de vê-lo. Por isso, passou a noite acordando para olhar o céu, com medo de perder a hora.

02 – Quem era Dagoberto e como o narrador se juntou àquela excursão?

      Dagoberto era um amigo do narrador, colega do curso de mecânico ajustador no Senai. O narrador, que na época tinha pouco mais de treze anos, aceitou o convite da família de Dagoberto para se juntar a eles em um ônibus lotado de parentes para a viagem de domingo.

03 – Quem era "Beca" e como o seu comportamento no volante é descrito no conto?

      Beca era o motorista do ônibus, conhecido por também levar os alunos para a Escola Técnica Tupy. Ele é descrito de forma bem-humorada como um "motorista maluco" que fazia "freadas bruscas e manobras radicais", fazendo com que as cestas, caixas e bolsas da excursão rolassem pelo corredor do veículo.

04 – Que quitute a mãe de Dagoberto distribuiu durante a viagem e em qual momento ele serviu como uma "moeda de troca"?

      A mãe de Dagoberto distribuía orelha de gato (um doce frito tradicional). Além de ser saboreado pelos passageiros durante a parada para trocar o pneu furado, o quitute foi usado para agradar os policiais que pararam o ônibus para examinar os documentos ao lado da igreja, ajudando na liberação da viagem.

05 – Além do desejo de ver o mar, que outro interesse surge no coração do narrador durante o trajeto?

      Durante a parada para consertar o pneu furado próximo ao canal do Linguado, o narrador, que estava no início da puberdade, nota o interesse mútuo nos "olhos fugidios" de uma prima de Dagoberto. A partir dali, ele passa a dividir seus pensamentos entre o sonho de ver o mar e o desejo de conhecer melhor a garota.

06 – Como era a paisagem da praia da Enseada na época da infância do narrador, segundo o relato?

      A praia era descrita como "quase selvagem". Naquela época, a Enseada tinha apenas uma ou outra casa esparsa na orla, bem diferente do cenário atual, já que os prédios e a urbanização só vieram muitos anos depois.

07 – Tomado pela emoção ao chegar, que descuido o narrador cometeu ao correr para a água e quem o "desperta" daquele transe?

      Devido à imensa pressa e ao êxtase de finalmente ver o mar, o narrador correu para a água esquecendo-se de tirar a calça boca de sino e o seu único par de tênis (um kichute). Quem o desperta daquele estado de transe e contemplação é a prima de Dagoberto, que pega na mão dele e diz: “Vem! Vai colocar um calção!”.

NOTÍCIA: E, ENTÃO, O SONHO ACABOU - FRAGMENTO -MARLEINE COHEN - COM GABARITO

 Notícia: E, então, o sonho acabou – Fragmento

 

        Na segunda metade dos anos 60, mudanças palpáveis marcaram a forma como os Beatles passaram a se apresentar — num prenúncio do que viria a acontecer.

Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjsT_7BJGRcF6QcjR_pZC5pxnQ_8BKanT4nG1kaICQDKz-sBaGJUppHLRuPbI3DtHqAtn4k9wSJ7Uh0ItKOLMXg59Hs1amZcplFIf0CpiLCWjdQyiu6cycJxKWtdcIbk13P9hsEEzlbbR7aqvDaFiuoe8lAMojYEThX88536tXTW6O9ygfc-V_CBbKbaqg/s320/images.jpg 


        Os rapazes dispensaram o corte de cabelo característico e os ternos iguais e cada qual tratou da própria aparência como bem entendia. John assumiu a miopia e substituiu as lentes de contato pelos óculos; Paul cobriu as faces com uma barba cerrada. A nova aparência dos Beatles permitiu não só trazer à tona a verdadeira personalidade de cada um, como também acentuar as diferenças entre eles: assim, de alguma forma, a unidade dos Beatles se rompeu.

        Não bastasse, a banda decidiu abandonar os shows e se concentrar na produção em estúdio. Essa decisão, que culminou com um último espetáculo no Candlestick Park, em São Francisco, Estados Unidos, no dia 29 de agosto de 1966, foi mal recebida pelos críticos. Na ocasião, Brian Epstein também se queixou: "O que será do empresário de uma banda de rock que não se apresenta ao vivo?". [...]

        Os Beatles só voltaram a se reunir em 1969, em torno do projeto Get back, um filme-documentário que pretendia registrar todo o processo de gravação de um álbum. John, Paul, George e Ringo também estavam inclinados a fazer um show ao vivo, ao final das gravações.

        Durante o trabalho, porém, a tensão entre os integrantes da banda aumentou novamente e o filme só fez documentar, na prática, o seu esfacelamento. No fim do filme, os músicos decidiram improvisar um palco no telhado do estúdio e tocar algumas músicas para os pedestres que circulavam nas calçadas. Naquele dia, nem mesmo a polícia conseguiu interromper a apresentação.

        O projeto Get back não agradou e foi arquivado. Pouco depois, foi lançado com outro nome: Let it be.

        Os Beatles se reuniram novamente, e pela última vez, nos estúdios da Apple para gravar o álbum Abbey road — o disco mais vendido do grupo. Em março de 1970, Paul McCartney dava uma entrevista anunciando o fim dos Beatles. [...]

        Sete anos depois — mais de um bilhão de discos vendidos, 13 álbuns lançados, turnês fantásticas e os maiores prêmios da indústria do entretenimento —, o sonho terminava. John, Paul, George, Ringo: uma sinfonia acabada.

 

COHEN, Marleine. John Lennon. São Paulo: Globo, 2007. p. 64, 75. (Col. Personagens que Marcaram Época).

Entendendo a notícia:

01 – A partir de 1966 e 1967, os Beatles abandonaram o visual padronizado de "mop-tops" (terninhos e cabelos de cuia). Como essa mudança na aparência dos integrantes refletiu a evolução da banda em sua fase final?

      A mudança estética, marcada pelo uso de barbas, cabelos compridos e roupas coloridas/psicodélicas, simbolizou a busca por identidades individuais e a transição de "ídolos adolescentes" para artistas sérios e experimentais. Essa liberdade visual acompanhou a complexidade de suas composições no estúdio, mostrando que o grupo não estava mais preso às expectativas da indústria fonográfica ou ao marketing de massa inicial.

02 – Explique os motivos que levaram os Beatles a decidirem interromper as apresentações ao vivo após o show no Candlestick Park em 1966 e qual foi a principal consequência dessa escolha para a sonoridade do grupo.

      Os motivos incluíram a exaustão das turnês mundiais, a histeria das fãs que impedia os músicos de ouvirem o que tocavam e a impossibilidade técnica de reproduzir ao vivo as experimentações sonoras criadas em estúdio. A principal consequência foi o foco total na produção em estúdio, resultando em álbuns revolucionários como Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band, onde a banda pôde explorar camadas sonoras complexas sem se preocupar com a execução imediata no palco.

03 – O projeto Get Back (1969), que visava um retorno às raízes do rock e resultou no filme e álbum Let It Be, é frequentemente lembrado pelo clima de tensão. Descreva os principais fatores que geraram o desgaste entre os membros durante esse período.

      As tensões foram alimentadas pelo rigor e controle excessivo de Paul McCartney na direção musical, o desinteresse e apatia de John Lennon (frequentemente acompanhado por Yoko Ono, cuja presença constante incomodava os outros membros), a insatisfação de George Harrison por ter suas composições ignoradas e o ambiente frio e impessoal dos estúdios de Twickenham. O projeto expôs que a democracia interna do grupo havia ruído.

04 – Apesar das crises internas profundas, os Beatles se reuniram uma última vez para gravar Abbey Road. Como esse álbum é avaliado em termos de produção e qual o significado de sua recepção para o encerramento da carreira da banda?

      Abbey Road é avaliado como uma das obras-primas da produção musical, caracterizado pelo uso inovador do sintetizador Moog e pelo famoso "medley" no lado B. O álbum foi um estrondoso sucesso crítico e comercial, provando que, apesar das brigas pessoais, a sinergia musical do grupo permanecia intacta. Ele serviu como uma "despedida digna" e polida, gravada após o caos das sessões de Let It Be.

05 – Como ocorreu o anúncio oficial do fim do grupo em 1970 e quais foram os sentimentos conflitantes envolvidos entre John Lennon e Paul McCartney nesse processo?

      O anúncio oficial foi feito por Paul McCartney em abril de 1970, através de um comunicado de imprensa para promover seu primeiro álbum solo, onde afirmava não prever novos trabalhos com os Beatles. John Lennon sentiu-se traído pelo anúncio, pois ele já havia comunicado internamente sua saída meses antes (o "divórcio"), mas fora convencido a manter segredo por razões comerciais. O desfecho foi marcado por mágoas públicas e batalhas judiciais que selaram o fim definitivo do "sonho".

 

 



ARTIGO DE OPINIÃO: INTERNETÊS - AMEAÇA À LÍNGUA PORTUGUESA - KARLA HANSEN - COM GABARITO

 Artigo de opinião: Internetês – Ameaça à Língua Portuguesa

                Karla Hansen

 

        Quem tem acesso à rede mundial de computadores, não dispensa o “internetês” para escrever suas mensagens ou se comunicar nas salas de bate-papos virtuais. No entanto, o que parecia uma brincadeira de adolescente está abalando o coração, já tão cansado, dos professores da língua portuguesa. O assunto também já ganhou as páginas dos jornais e tem alimentado calorosos debates entre acadêmicos, escritores e jornalistas. Basicamente, o debate tem dividido os interessados entre os que são contra e os que são a favor. De um lado e do outro existem os exagerados e alarmistas de plantão. Entre os que são contra, por exemplo, um argumento bem forte é o de que o “internetês” é mais que uma degradação da língua, um verdadeiro atentado infame a ela.

Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEioQfEOw-IJP6ONhzxJzYLJfM0FikzI32cM8CfVGTaylxJwFUd2P4zxqmHN4CokyrmP_muqXv9XGxU2MTHebuL_m2rtWhxSACaBGowqTKNpv72Ii9lNNlc0EGW4Bw-g03xUvP7Vxsemh_kQGn7kqHea3jZrdYyeXLxoXJz8PlcFqh0RW4O9aM91IOh4Rx8/s1600/unnamed.png 


        O escritor Deonísio da Silva chamou de “besteirol” o novo “idioma” e classificou o fenômeno como “assassinato a tecladas” da língua portuguesa. Segundo o escritor, nunca se escreveu tanto como nesses tempos de correspondências eletrônicas, mas para ele estão “botando os carros na frente dos bois”. Ou seja, esses adolescentes têm acesso à internet e ao celular, mas não à norma culta da língua escrita.

        Nas palavras de Deonísio: Os pequenos burgueses tinham internet e celular, mas não dominavam a língua escrita. E por isso criaram a deles. Nada espantoso. Também os habitantes das periferias não dominam a norma culta da língua e criam suas gírias, devidamente circunscritas a cada grupo de usuários. Para resumir, o escritor defende que o “internetês” é um sintoma da grave falência educacional, que por sua vez, gera a exclusão dos jovens ao mundo letrado ao qual só poucos têm acesso.

        Combatendo serenamente essa tese, Marisa Lajolo é uma das que não veem nada de grave na invenção dos adolescentes. Ao contrário, ela acredita que a nova escrita na Internet está promovendo um “surto de poliglotas”. Na sua opinião, o “internetês” é apenas mais uma linguagem usada pelos jovens para se comunicarem entre si, considerados, por ela, poliglotas pela capacidade de se expressar de maneira diferente com seus pais, professores e com os demais interlocutores da comunidade. Dessa forma, para a escritora, isso demonstra criatividade dos adolescentes em criar um código próprio, que reforça a identidade dos mesmos.

        Sérgio Nogueira aconselhou os professores a não se assustarem, mas procurarem conhecer a linguagem. Ele admite que esse é um “fenômeno natural”. Para ele, o problema maior a ser atacado pelos professores é mesmo o domínio da linguagem padrão.

        , do outro lado, entusiastas febris. Pessoas afirmam que o “internetês” veio revolucionar a língua portuguesa e chegam a oferecer um “curso de língua de internetês”, no qual estão traduzidas as principais expressões da “língua” num “dicionário”.

        Seguindo o bom senso do professor Sérgio Nogueira, alguns professores de língua portuguesa já tiveram a iniciativa de promover, em sala de aula, atividades com o dialeto. Não se trata de rejeitar, diminuindo-lhe a importância, ou de elevar aos céus, atribuindo-lhe poderes para “revolucionar” ou mesmo ameaçar a língua portuguesa. Essas experiências em sala de aula têm a qualidade de reconhecer o fenômeno e explorá-lo, mostrando sua dimensão real.

        Dessa forma, é possível que o “internetês” ainda dê o que falar. Mas, com o vocabulário reduzido de que ele dispõe, é provável que o debate, assim como a própria vida do novo dialeto, não sejam capazes de ir muito longe.

Karla Hansen. Internetês – Ameaça à Língua Portuguesa.

 

Entendendo o artigo:

01 – De acordo com o texto, qual é a principal justificativa do escritor Deonísio da Silva para criticar o "internetês"?

      Deonísio da Silva defende que o "internetês" é um sintoma da grave falência educacional. Para ele, os jovens criaram esse novo código porque, embora tenham acesso à tecnologia (internet e celular), não dominam a norma culta da língua escrita. Ele compara o fenômeno às gírias das periferias e afirma que isso gera a exclusão dos jovens do mundo letrado.

02 – Como a escritora Marisa Lajolo se posiciona em relação ao fenômeno e o que significa o "surto de poliglotas" mencionado por ela?

      Marisa Lajolo se posiciona contra as teses alarmistas e não vê gravidade na invenção dos adolescentes. Ao falar em um "surto de poliglotas", ela se refere à capacidade dos jovens de alternar sua forma de se expressar: eles conseguem usar o "internetês" entre si, mas sabem se comunicar de maneira diferente com pais, professores e outros interlocutores, demonstrando criatividade e fortalecimento de sua identidade.

03 – Qual é o conselho dado pelo professor Sérgio Nogueira aos educadores e onde ele enxerga o verdadeiro problema a ser combatido?

      Sérgio Nogueira aconselha os professores a não se assustarem e procurarem conhecer a nova linguagem, classificando o "internetês" como um "fenômeno natural". Para ele, o foco principal e o maior problema a ser atacado pelos professores não é a existência do dialeto da internet, mas sim garantir que os alunos dominem a linguagem padrão (a norma culta).

04 – Como o texto descreve a postura dos "entusiastas febris" (os defensores exagerados) do internetês?

      O texto aponta que, no extremo oposto dos críticos, existem entusiastas que afirmam que o "internetês" veio para revolucionar a língua portuguesa. O exagero chega ao ponto de pessoas oferecerem um “curso de língua de internetês”, incluindo um “dicionário” com a tradução das principais expressões desse dialeto virtual.

05 – Qual é a conclusão da autora, Karla Hansen, sobre o futuro do debate e a relevância a longo prazo do "internetês"?

      A autora conclui que, devido ao vocabulário reduzido de que o "internetês" dispõe, é muito provável que tanto o debate caloroso quanto a própria vida útil desse novo dialeto não sejam capazes de ir muito longe. Além disso, ela elogia os professores que usam o fenômeno em sala de aula de forma equilibrada, sem demonizá-lo nem glorificá-lo, apenas mostrando sua dimensão real.

 

              

CONTO: REENCONTRO DE NATAL - SALVADOR NETO - COM GABARITO

 Conto: Reencontro de Natal

          Salvador Neto

         Estavam os três ali, sacolejando ao balanço do caminhão, dentro de um caixote que não parava de pular na carroceria. Pudera, em ruas tão esburacadas como queijo suíço… Fred, um carrinho de madeira, Joana, uma boneca descabelada, e Jujuba, um velho pião com as cordas surradas de tanto rodar por aí, já estavam há dias naquele vai, não vai. Já usados, velhos de tanto brincarem com seus donos, não tinham mais esperanças de voltar às mãos de crianças brincalhonas, arteiras e felizes. Estavam ali entre tantos outros brinquedos abandonados.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhS-pPPGv3Yjw4EguKzIfEMs9J9C_3t7HcncDYqZrdvVHQRPTHgObxHXaro0uATrAzRFX05KWyp6snwdSzrGzs5kJ9tB48TK3_x9l135IV2JpQuHTeZ9S2-rO35Q_MkG-c5DvjvYJAUkVN-28d-xWVPAXFPGZE18lzCeMkwJeiCHIlr6E1B8EOdmo8h-Lw/s1600/1520063413608.jpg


        É a vida, pensavam os velhos companheiros de tantas crianças! Conheceram várias delas por algumas gerações, doações, mas agora competiam com poderosos concorrentes internacionais que falam, voam, pulam, choram, andam em velocidade sem serem jogados pelas mãozinhas. O Natal estava à porta, e em meio às campanhas solidárias, lá se foram Fred, Joana e Jujuba para uma caixa entre tantas dispostas naquele shopping luxuoso. Sequer tiveram tempo de se despedir de seus donos! E o pior, até ali, ninguém os pegara para cuidar e brincar…

        Joana era a mais sentida. Com seus belos olhos azuis, cabelos loiros, já um pouco ralos, sim é verdade, vestida com uns paninhos coloridos e sem sapatinhos, não aceitava a solidão. – Sou muito bela para estar aqui! Mereço uma bela cama com lençóis de seda!, reclamava. Fred, do alto da dureza do seu ser, madeira bruta, apesar de bem arrebentado por muitas corridas e carregamentos de barros e batidas (já não tinha mais a caçamba…), retrucava. – Ora, eu sim, um forte, parceiro para todas as durezas, preciso de quem me valorize, que goste de aventura! E Jujuba… ah, este não tinha ambições.

        -- Eu quero é girar logo por aí. Sei que perdi um pouco a graça, afinal tem uns novos colegas aí bem mais modernos, mas ainda tenho muito a rodopiar e dar show!, dizia. A verdade é que em meio a tantos outros brinquedos, uns mais quebrados, outros não, a rota do caminhão solidário de Natal dirigido pelo velho voluntário Sebastião estava chegando ao final. Tião, como era conhecido em tantos anos de corridas pelos bairros da cidade, já tinha os ralos cabelos brancos. Se na próxima parada sobrasse algum daqueles brinquedos, o jeito era deixar por aí, ou jogar no lixo. – Tenho pena, quando eu era criança nem tinha um desses para brincar, pensava enquanto dirigia-se ao último ponto de parada.

        Nas paradas anteriores a maioria da criançada tinha pegado os brinquedos mais novos, modernos, com menos uso. O que estava ali na carroceria do velho Mercedes cara chata talvez não agradasse aos meninos e meninas que o esperavam nos fundões do Paranaguá-Mirim, bairro da periferia. Afinal, o que sobrara ali eram brinquedos antigos, bem velhinhos e uns tão usados e quebrados que… bom, era melhor não pensar nisso e seguir a missão. Junto com Tião ia João, vestido de vermelho como manda o figurino. Não via a hora de terminar o serviço que durava o dia todo.

        Mas lá no Paranaguá, como o povão chama seu próprio lugar mais ao gosto da simplicidade, a gurizada esperava. Mães e pais também, na esperança de que os filhos ficassem felizes com a chegada do bom velhinho e seus brinquedos. Famílias pobres, lutavam todos os dias para por comida na mesa, e não sobrava para dar brinquedos novos e modernos como os de hoje, que dirá tablets, celulares. Então, aguardavam amontoadas no pátio da igreja, local de encontro daquele ano. Era uma festa. No meio do povo, vendedores ambulantes ofertavam algodão doce, pipoca, doces, também na busca dos últimos trocados para garantir as festas de final de ano.

        De repente, lá na esquina surge o cara chata com o bom velhinho acenando! Alvoroço na comunidade. Era só criança correndo para ver quem chegava primeiro para abraçar o Noel, e ver o que podia ganhar. Tião dirige com todo o cuidado, porque nessas horas a multidão não tem controle. Ao parar o caminhão, João Noel desce e distribui balas e doces. Uma alegria só, e um empurra-empurra generalizado! Imagine o desejo infantil do brinquedo adorado, e o sonho de pais em ver seus filhos felizes. De repente o vozeirão avisa: – Atenção! Vamos organizar a fila gente! Era o padre Felício tentando organizar a desorganização de sempre.

        O povo o respeitava muito, afinal ele era o homem de Deus na região, e também sabia das coisas. Cobrava das autoridades uma vida melhor para aquele povo. Magro, com seus óculos quadrados, pretos, mas com fala firme e olhar decidido, padre Felício liderava movimentos em favor de mais saúde, infraestrutura, e agora, ajeitava tudo para que não faltassem brinquedos para a criançada. O motorista Tião já sabia que, se faltasse brinquedo ali a bronca seria enorme! No roteiro de visitas pela cidade, cuidava para que nada faltasse até o final no encontro com o padre.

        Se o alvoroço era grande lá fora, imagine naquela caixa. Entre os colegas brinquedos, Fred, Joana e Jujuba tentavam se ajeitar para serem notados, afinal, queriam voltar para a alegria das crianças, viver em animação nas ruas, animar histórias nas mãos infantis. E começou a entrega dos brinquedos. Uma a uma as crianças saiam com seus troféus, já a brincar com os coleguinhas. Quase ao final da fila estava José. Com seus dez anos, pequeno para a idade, olhos miúdos e castanhos, cabelos da mesma cor, ondulados, tinha chegado atrasado.

        A tristeza já tomava o seu coração. Será que ainda sobraria brinquedos para ele seus irmãos? A cada metro que a fila avançava, mais sua respiração acelerava, parecia que o coração saltaria boca afora. Seu pai e sua mãe garantiam o sustento da casa com a pesca artesanal. Seu atraso se justificava: estava até a pouco cuidando dos manos pequenos. Quando os pais chegaram, ele correu até a igreja. Será que daria certo? Conseguiria ao menos um presente? E a fila andava… e não chegava a sua vez!

        E João Noel não aguentava mais de entregar presente para a meninada agitada. Tião preparava o caminhão para ir embora ver a sua família. E o padre avisava a todos que daqui a pouco tinha a missa, não poderiam faltar! Deus não perdoa, dizia ele. Fred se batia ao lado de Jujuba, e aquele barulho de madeira batendo o deixava furioso! Joana, já quase perdendo o vestidinho, lamentava a sua má sorte: nenhuma criança a tinha escolhido! E agora! Será que ficariam sem dono, sem eira nem beira em pleno Natal?

        Chegou a vez de José. Ansioso, olha nos olhos do Papai Noel como quem espera o prato de comida. Tião empurra a caixa que ainda tinha algo dentro. – É o que sobrou filho, diz ele a José. Um brilho nos olhos surgiu, e por trás dele, lágrimas de alegria, pois sobraram apenas três brinquedos! Era muita sorte! – Obrigado!, disse José já pegando nas mãos aqueles três brinquedos, exatamente o que precisava para que todos em casa ficassem contentes. Ao espiar cada um deles nos pacotes de presente meio rasgados, parece que via alegria também vinda daqueles brinquedos! Seria possível?

        Correu para casa sem parar! O trecho da igreja até a sua pequena casa de madeira que beirava o rio parecia ter milhares de metros, não acabava mais! Os cabelos esvoaçavam ante os ventos do início da noite. Fred, Joana e Jujuba percebiam o chacoalhar, diferente dos pulos na carroceria do Mercedes de Tião. O que acontecia, imaginavam. José chegou finalmente. Seu pai e sua mãe o receberam enquanto limpavam seus peixes. A pequena Sara, a caçula, e Mateus, irmão do meio, pularam em sua frente. – O que nós ganhamos, o que veio, gritavam!

        José então entregou a cada um o seu presente. Sara não sabia o que dizer da boneca loira que tinha nas mãos… era a mais linda que tinha ganhado, na verdade, inteira, era a única. Mateus pegou o pião nas mãos e saiu a atirar ele ao chão e ver rodar. Já tinha visto os amigos com alguns, mas agora tinha o dele. E José, enfim teve seu caminhão. Faltava a caçamba, mas isso dava para enjambrar. Saiu também a fazer vruummm, vruummm, pelo terreiro da casa. Depois do susto, era a realização de sonhos, sonhos natalinos dele, dos pais, da família. O reencontro da alegria que só o Natal faz.

        E Fred, Joana e Jujuba? Bom, eles também se reencontraram com a alegria da brincadeira, dos inventos, e sentiram-se úteis e felizes. No dia seguinte, Fred já tinha sua caçamba feita de casca de ostra. Joana ganhou novo vestido feito pela mãe de Sara, todo florido! E Jujuba, ah, Jujuba agora roda mais forte que nunca! Ganhou uma nova corda reforçada e sai por aí rodando o mundo a partir do Paranaguá!

 

Escrito por Salvador Neto em 8 de dezembro de 2014, especial para a sétima mini antologia Letras da Confraria da Associação Confraria das Letras.

 

Entendendo o conto:

01 – Quem são Fred, Joana e Jujuba e qual era o principal receio deles no início do conto?

      Fred é um carrinho de madeira (sem caçamba), Joana é uma boneca descabelada de olhos azuis e Jujuba é um velho pião com cordas surradas. Por serem brinquedos usados e antigos, eles disputavam espaço com brinquedos modernos internacionais e temiam nunca mais voltar às mãos de crianças para brincar, correndo o risco de serem esquecidos ou descartados.

02 – O que os brinquedos pensavam sobre si mesmos enquanto esperavam para ser doados?

      Cada um expressava sua personalidade e desejo de utilidade: Joana, apesar de descabelada e sem sapatos, achava-se muito bela e dizia que merecia uma cama com lençóis de seda; Fred, orgulhoso de sua resistência de madeira bruta, afirmava ser parceiro para "todas as durezas" e aventuras; já Jujuba não tinha ambições intelectuais, apenas desejava voltar a girar e dar show, mesmo sabendo que existiam colegas mais modernos.

03 – Quem era Tião e qual era a preocupação dele em relação aos brinquedos que restavam na carroceria do caminhão?

      Tião (Sebastião) era o velho motorista voluntário que dirigia o caminhão Mercedes "cara chata" da campanha solidária. Sua preocupação era que, como as crianças das paradas anteriores escolheram os brinquedos mais novos e modernos, o que havia sobrado eram apenas os brinquedos antigos, quebrados e surrados, que poderiam não agradar as crianças da última parada e acabar indo para o lixo.

04 – Onde ficava a última parada do caminhão solidário e como é descrita a realidade socioeconômica daquela comunidade?

      A última parada era no pátio da igreja do bairro Paranaguá-Mirim (ou simplesmente "Paranaguá"), na periferia. É descrita como uma comunidade de famílias muito simples e pobres, que lutavam diariamente para colocar comida na mesa. Os pais não tinham condições financeiras de comprar brinquedos modernos, tablets ou celulares para os filhos, tornando a chegada do Papai Noel um evento muito aguardado e festivo.

05 – Por que o menino José quase perdeu a entrega de presentes de Natal e qual era a sua situação familiar?

      José, de dez anos, chegou atrasado porque precisou ficar em casa cuidando de seus irmãos mais novos (Sara e Mateus). Ele só pôde correr para a igreja quando seus pais voltaram do trabalho. A subsistência de sua família vinha da pesca artesanal, uma realidade humilde que aumentava a ansiedade do menino de conseguir pelo menos um presente.

06 – Como a "falta de opções" no final da caixa de doações acabou se tornando um golpe de extrema sorte para José?

      Quando José finalmente chegou à sua vez, o caminhão estava prestes a ir embora e restavam exatamente os três últimos brinquedos da caixa (Fred, Joana e Jujuba). Isso acabou sendo uma enorme sorte, pois a quantidade era o número exato de presentes de que ele precisava para que ele e seus dois irmãos ganhassem algo e ficassem contentes.

07 – Como os irmãos de José reagiram aos presentes e de que forma os três brinquedos ganharam uma "nova vida" no final do conto?

      A reação dos irmãos foi de pura felicidade: Sara achou a boneca Joana a mais linda que já tivera; Mateus começou a girar o pião Jujuba imediatamente; e José usou a imaginação para brincar com o caminhão Fred. Os brinquedos ganharam uma nova vida através da criatividade da família: Fred ganhou uma caçamba feita de casca de ostra; Joana ganhou um vestido novo e florido costurado pela mãe das crianças; e Jujuba ganhou uma corda nova e reforçada para rodar mais forte do que nunca.

 

 

COLOCAÇÃO PRONOMINAL - ATIVIDADES - COM GABARITO

 Colocação pronominal

 

        Relembre as posições dos pronomes átonos em relação ao verbo, em seguida, pratique.

        A colocação pronominal trata da posição dos pronomes oblíquos átonos em relação ao verbo. São três as posições em que os pronomes: me, te, se, o, a, os, as, nos, nos, lhe, lhes.

A - Próclise: pronome antes do verbo.

Exemplo: Você não me disse a verdade.

B - Mesóclise: pronome encaixado (no meio do verbo).

Exemplo: Dir-me-ia a verdade.

C - Ênclise: pronome depois do verbo.

Exemplo: Disse-me a verdade.   

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjPgZwi9eIN4AP2lG6_BQTSU-rhPYXwKNJJMU5xVmU-KE7qAYiK0XrMzEBg5vyQ6M1t2cHSSDYmiz2kWnSE9m3eNQT93_YC-NDcGObYU77F0d7c4GxedkXpp42fy8EiPWWn3a2SVYk-k4hA0GPGEFJwPL-cND5n8ubRqCO8lrZFzafzjw6Z_PxT4IjW76U/s1600/mqdefault.jpg

        


Exercícios:

01 – “O funcionário que se inscrever fará prova amanhã.”

Quanto à colocação do pronome no texto:

1. ocorre próclise em função de pronome relativo.

2. deveria ocorrer ênclise.

3. a mesóclise é impraticável.

4. tanto a ênclise quanto a próclise são aceitáveis.

a) Correta apenas a 1ª afirmativa.

b) Apenas a 2ª é correta.

c) São corretas a 1ª e 3ª.

d) A 4ª é a única correta.


02 – O pronome está mal colocado na alternativa:

a) Lá, disseram-me que entrasse logo.

b) Aqui me disseram que saísse.

c) Posso ir, se me convidarem.

d) Irei, se quiserem-me.

e) Estou pronto. Chamem-me.


03 – A frase em que há erro de colocação pronominal é:

a) Dize-me com quem andas, dir-te-ei quem és.

b) Quando a mamãe limpa a louça, ela o faz com muito cuidado.

c) É um prazer ouvi-lo falar.

d) Caberia-lhe, então, mostrar patriotismo e competência.

e) Mandou-me embora mais cedo.


04 – Segundo a norma culta, a colocação do pronome pessoal destacado está incorreta em:

a) Companheiros, escutai-me”

b) Não nos iludamos, o jogo está feito.

c) Dir-se-ia que os amigos tinham prazer em falar difícil.

d) Queria convidá-lo a participar da festa.

e) Não entreguei-lhe a carta.


05 – Marque a alternativa em que há erro quanto à colocação do pronome oblíquo átono:

a) Para Josefa, que encorajou-me a repertir estas histórias, ofereço este livro.

b) Pedro arriou o feixe de lenha, voltou-se para os filhos e sorriu.

c) Infelizmente, não lhe foi possível dominar as divagações.

d) As linhas irregulares da costura tumultuaram-se no avesso da roupa.

e) O esgotamento, confundindo-se com a fome, ia envolvendo o velho lenhador.


06 – Observe as frases abaixo, analisando a colocação dos pronomes oblíquos:

I. Quando lembro-me de você, fico feliz.

II. Não me diga que a prova de Língua Portuguesa é hoje!

III. Em demorando-se a pagar, a duplicata irá a juízo.

IV. O pai esperava-a no aeroporto.

V. Vê-la-ia ao menos uma vez, após a briga?

Assinale a opção correta:

a) I, II, V

b) II, IV, V

c) III, IV, V

d) II, III, IV

e) I, III, V.

 

07 – Assinale a frase em que o pronome oblíquo átono está colocado incorretamente:

a) O guarda chamou-nos a atenção para os pivetes.

b) Quantas lágrimas se derramaram pelo jovem casal.

c) Ninguém nos convencerá de que esta notícia seja verdadeira.

d) As pessoas afastaram-se daquele pacote suspeito.

e) O vizinho cumprimentou o casal, se retirando imediatamente.


08 – Assinale a frase em que a colocação do pronome pessoal oblíquo não obedece às normas do português padrão:

a) Essas vitórias pouco importam; alcançaram-nas os que tinham mais dinheiro.

b) Estamos nos sentindo desolados: temos prevenido-o várias vezes e ele não nos escuta.

c) Ele me evitava constantemente! Ter-lhe-iam falado a meu respeito?

d) Entregaram-me a encomenda ontem, resta agora a vocês ofereceram-na ao chefe.

e) O Presidente cumprimentou o Vice dizendo: - Fostes incumbido de difícil missão, mas cumpriste-la com denodo e eficiência.


09 – O pronome pessoa oblíquo átono está bem colocado em um só dos períodos. Qual?

a) Me causava admiração ver aquela turma se dedicando com tanto afinco aos estudos, enquanto os outros não esforçavam-se nada.

b) Apesar de contrariarem-me, não farão me mudar de resolução.

c) Já percebeu que não é este o lugar onde devem-se colocar os livros.

d) Ninguém falou-nos, outrora, com tanta prioridade e delicadeza.

e) Não se vá cedo; custa-lhe ficar mais?


10 – Assinale a alternativa em que a colocação pronominal não corresponde ao que preceitua a gramática:

a) Há muitas estrelas que nos atraem a atenção.

b) Jamais dar-te-ia tantas explicações, se não fosses pessoa de tanto merecimento.

c) A este compete, em se tratando do corpo da Patroa, revigorá-lo com o sangue do trabalho.

d) Não o realizaria, entretanto, se a árvore não se mantivesse verde sobre a neve.

e) N.d.a.

 

CRÔNICA: HÁ SEMPRE UM BARCO - DONALD MALSCHITZKY - COM GABARITO

 Crônica: Há sempre um barco

            Donald Malschitzky

 

        Poderia ser apenas mais uma quinta-feira como todas quando Florianópolis é o destino de trabalho, e espio a paisagem naquela curva à esquerda, em São Miguel onde sempre há uma bateira ancorada e ao longe se vê parte da ilha e seus contornos que sobem ao céu. Só que é outono, só que o mar, liso e acariciante, está tão incrivelmente azul e tanto reflete que ficava impossível não concordar com Fernando Pessoa, e algo sussurra: “Mas foi nele que espelhou o céu”.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEinIsY0wE57UxKaSF5ksAfbZRfyv3Auzt2-L2rVgkApk_1RMk3GIbv76dbKJDDd-W6V0BPLkzOKGV_FehTETYGbO06hOcbeGfGwImqnfb416V_kGVIw4J8es_Gb2397VQfrg5mJ6tHcnM9jZRsl0M-8_jmREbDKKcIbCGUr35ZjYyS7Aw5C-a4AcWd_QbQ/s320/pngtree-a-boat-with-sunlit-reflection-in-it-picture-image_13204537.jpg


        Há dias, e são a maioria, em que o vento levanta aquelas ondas curtas de altura e de distância entre elas na água que separa ou une continente e ilha e o fundo lodoso se mistura à superfície e aparece uma outra beleza de contraste e nostalgia. Não que seja triste – cinza não é triste, é apenas cinza –, mas há em nós a necessidade da segurança trazida pelo que é claro, decifrável aos olhos e sentimentos, talvez para compensar os labirintos mais tenebrosos de nossas mentes. 

        Em dias assim, as cores da bateira ancorada, embora destoem do entorno, pouco aparecem. Falta-lhes o brilho do reflexo. 

        Na quinta-feira, no entanto, há um vermelho-pescador e um amarelo-navegar-é-preciso flutuando sobre o anil. Visto de cima, da estrada, daria bela aquarela, uma foto tocante da Lair Bernardoni (onde anda você?), um anúncio de viagem inesquecível. Mirando da margem, no nível do mar, é nave errante buscando contornos no horizonte.

        Velho CD de Renato Teixeira embala o caminho e adia a escolha de sempre: “Pela Via Expressa ou pelo Estreito”. Pura coincidência: “O velho barco, toda vez que vê o mar, fica confuso, com vontade de zarpar”. O trânsito no Estreito, de tão tranquilo, parece desenhado para não estragar a paisagem nem as lembranças. De cima da ponte com pouco movimento, extensões de azul, de novo, convidam o pensamento ao voo. 

        Há um velho barco dentro de nós, um barco de sentimentos confusos, de medos e desejos, que precisa navegar, mas não sabe se prefere fixar-se à âncora ou enfrentar as ondas, se espera pelo vento ou vai com ele, mas, enfim, navega, “mesmo que o casco seja corroído”, como continua a canção, porque há o chamado do horizonte, e segue até transmutar-se em ponto, em azul. Libertar-se.

 

Donald Malschitzky. Há sempre um barco.

 

Entendendo a crônica:

01 – Que cenário o cronista costuma observar em suas viagens de trabalho nas quintas-feiras e o que havia de especial no dia relatado?

      O cronista costuma espiar a paisagem em uma curva à esquerda na localidade de São Miguel, no caminho para Florianópolis, onde sempre há uma bateira (tipo de embarcação pesqueira artesanal) ancorada com a ilha ao longe. O diferencial daquela quinta-feira específica era o outono, que trouxe um mar liso, acariciante e tão incrivelmente azul que refletia perfeitamente o céu.

02 – Como o autor descreve os dias em que o mar não está calmo e qual reflexão psicológica ele faz a partir dessa mudança de tempo?

      Ele descreve que, na maioria dos dias, o vento levanta ondas curtas e mistura o fundo lodoso com a superfície, trazendo uma beleza feita de contraste, nostalgia e tons de cinza. A partir disso, ele reflete que os seres humanos têm a necessidade da segurança trazida pelo que é claro e decifrável aos olhos, talvez como uma forma de compensar os "labirintos mais tenebrosos" de nossas próprias mentes.

03 – Quais são as cores da bateira citadas na crônica e com quais expressões poéticas o autor as associa?

      O autor identifica na embarcação as cores vermelha e amarela. Poeticamente, ele as rebatiza como um "vermelho-pescador" e um "amarelo-navegar-é-preciso" flutuando sobre o azul-anil do mar, transformando as cores simples do barco em símbolos da atividade pesqueira e do desejo humano de explorar.

04 – Qual é a relação entre a trilha sonora da viagem do cronista e os seus pensamentos sobre o trajeto?

      O cronista viajava ouvindo um velho CD de Renato Teixeira. A música tocava exatamente no momento em que ele precisava decidir entre ir "pela Via Expressa ou pelo Estreito", e a letra dizia: “O velho barco, toda vez que vê o mar, fica confuso, com vontade de zarpar”. Essa coincidência musical acabou embalando o caminho e ajudando a manter o trânsito e os pensamentos em perfeita harmonia com a paisagem.

05 – No final do texto, que metáfora o autor estabelece entre o "velho barco" e a própria alma ou sentimentos humanos?

      O autor conclui que existe um "velho barco" dentro de cada um de nós, feito de sentimentos confusos, medos e desejos. Esse barco interno vive o dilema humano de não saber se prefere a segurança de fixar-se à âncora ou a aventura de enfrentar as ondas. Apesar das dúvidas e mesmo que o "casco seja corroído" pelo tempo, ele decide navegar, atraído pelo chamado do horizonte, até libertar-se.