terça-feira, 7 de julho de 2026

SINTAXE - SUJEITO E PREDICADO - COM GABARITO

 SINTAXE – SUJEITO E PREDICADO

Exercícios:

 

01 – Na oração: “Foram chamados às pressas todos os vaqueiros da fazenda vizinha”, o núcleo do sujeito é:

a) todos;

b) fazenda;

c) vizinha;

d) vaqueiros;

e) pressas.

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02 – Assinale a alternativa em que o sujeito está incorretamente classificado:

a) chegaram, de manhã, o mensageiro e o guia (sujeito composto);

b) fala-se muito neste assunto (sujeito indeterminado);

c) vai fazer frio à noite (sujeito inexistente);

d) haverá oportunidade para todos (sujeito inexistente);

e) não existem flores no vaso (sujeito inexistente).


03 – Em “Éramos três velhos amigos, na praia quase deserta”, o sujeito desta oração é:

a) subentendido;

b) claro, composto e determinado;

c) indeterminado;

d) inexistente;

e) claro, simples e determinado.


04 – Marque a oração em que o termo destacado é sujeito:

a) Houve muitas brigas no jogo;

b) Ia haver mortes, se a polícia não interviesse;

c) Faz dois anos que há bons espetáculos;

d)Existem muitas pessoas desonestas;

e) Há muitas pessoas desonestas.


05 – Indique a única frase que não tem verbo de ligação:

a) O sol estava muito quente;

b) Nossa amizade continua firme;

c) Suas palavras pareciam sinceras;

d) Ele andava triste;

e) Ele andava rapidamente.


06 – Considere a frase: “Ele andava triste porque não encontrava a companheira”, os verbos grifados são respectivamente:

a) transitivo direto - de ligação;

b) de ligação - intransitivo;

c) de ligação - transitivo - indireto;

d) transitivo direto - transitivo indireto;

e) de ligação - transitivo direto.


07 – Na praça deserta um homem caminhava – o sujeito é:

a) indeterminado;

b) inexistente;

c) simples;

d) oculto por elipse;

e) composto.


08 – Na oração: “Anunciaram grandes novidades” – o sujeito é:

a) simples;

b) composto;

c) indeterminado;

d) elíptico;

e) inexistente.


09 – “O toque dos sinos ao cair da noite era trazido lá da cidade pelo vento. O termo grifado é:

a) sujeito;

b) objeto direto;

c) objeto indireto;

d) complemento nominal;

e) agente da passiva.


10 – “Eu andava satisfeito com o mundo e comigo mesmo”, o período é:

a) simples;

b) composto por coordenação;

c) composto por subordinação;

d) composto por coordenação e subordinação;

e) composto de duas orações.


11 – Na oração “Mestre Reginaldo, o impoluto, é uma sumidade no campo das ciências” – o termo grifado é:

a) adjunto adnominal;

b) vocativo;

c) predicativo;

d) aposto;

e) sujeito simples.


12 – Na expressão: Por todos era apedrejado o Luizinho”, o termo grifado é:

a) objeto direto;

b) objeto indireto;

c) sujeito;

d) complemento nominal;

e) agente da passiva.


13 – Dentre as orações abaixo, uma contém complemento nominal. Qual?

a) Meu pensamento é subordinado ao seu.

b) Você não deve faltar ao encontro.

c) Irei à sua casa amanhã.

d) Venho da cidade às três horas.

e) Voltaremos pela rua escura ...


14 – Assinale a alternativa em que o termo grifado é adjunto adnominal:

a) Sua falta aos encontros sufocava o nosso amor.

b) Ela é uma fera maluca.

c) Ela é maluca por lambada nacional.

d) Não tenho medo da louca.

e) O amor de Deus é o primeiro mandamento.


15 – Em “a linguagem do amor está nos olhos – os termos grifados são respectivamente:

a) complemento nominal e predicativo do sujeito;

b) adjunto adnominal e predicativo do sujeito;

c) adjunto adnominal e objeto direto;

d) complemento nominal e adjunto adverbial;

e) adjunto adnominal e adjunto adverbial.


16 – “Diga ao povo que fico” é um período:

a) simples;

b) composto por coordenação;

c) composto por subordinação;

d) composto por coordenação e subordinação;

e) composto de três orações.

 

17 – “Saúde e felicidade são as minhas aspirações na vida” – nessa expressão o sujeito é:

a) simples;

b) composto;

c) indeterminado;

d) oculto;

e) oração sem sujeito.


18 – Na expressão: “Ordem e progresso, esse é o nosso lema” – o sujeito é:

a) simples;

b) composto;

c) indeterminado;

d) oculto;

e) inexistente.


19 – Já na expressão “O prefeito Odorico nomeou Dirceu Borboleta ajudante de ordens – as palavras grifadas funcionam como:

a) objeto direto;

b) objeto indireto;

c) predicativo do sujeito;

d) aposto;

e) predicativo do objeto


20 – O verbo de “confio este carro à distinção dos senhores passageiros” é:

a) transitivo direto;

b) transitivo indireto;

c) transitivo direto e indireto;

d) intransitivo;

e) de ligação.


21 – Em: “Era inverno e fazia frio” – há duas orações cujos sujeitos são respectivamente:

a) inexistente e indeterminado;

b) indeterminado e inexistente;

c) inexistente e inexistente;

d) indeterminado e indeterminado;

e) N. R. A. porque ambos são compostos.


22 – Qual o período simples?

a) Encontrará, talvez, no caminho da vida, asperezas, ingratidões, grosserias, injustiças, brutalidades...;

b) Quem sabe se não encontrará inimigos cruéis e “amigos” pérfidos;

c) Dorme, dorme meu anjinho, que a “Mamã” vela por ti ...;

d) Ela defende-o e protege-o;

e) Faz cinco anos que o procuro.


23 – Confiamos no futuro. Desconhecemos as coisas do futuro. Temos confiança no futuro.

– Nas expressões acima, os termos grifados funcionam respectivamente, como:

a) objeto indireto; adjunto adnominal; complemento nominal;

b) objeto indireto; complemento nominal; objeto indireto;

c) objeto indireto; objeto indireto; complemento nominal;

d) objeto direto; adjunto adnominal; objeto indireto;

e) objeto direto; sujeito; complemento nominal.


24 – Em: “Faz anos que não chove no sertão” – há duas orações com sujeito:

a) simples;

b) composto;

c) indeterminado;

d) inexistente;

e) elíptico.


25 – Em: “Pediram-me papai e mamãe que eu fosse mais audacioso”:

a) o sujeito da primeira oração é simples e o da segunda é inexistente;

b) o sujeito da primeira oração é composto e o da segunda, é simples;

c) o sujeito da primeira oração é indeterminado e o da segunda, inexistente;

d) o sujeito da primeira oração é inexistente e o da segunda indeterminado;

e) o sujeito da primeira oração é composto e o da segunda inexistente.


26 – Em: “À boca da noite a cata-piolhos rezava baixinho ...”, o sujeito é:

a) simples;

b) composto;

c) indeterminado;

d) inexistente;

e) oculto.


27 – Em qual das alternativas o verbo grifado é de ligação?

a) Quando você para, eu continuo.

b) Amélia continua mulher de verdade.

c) Esta “droga” de relógio não anda.

d) Andei dois quilômetros a pé.

e) Nos primeiros dias aprendi as notas musicais.


28 – O predicado é nominal em:

I - Você acha Cristina bonita, mamãe?

II - O mundo podia ser tranquilo.

III - “Zé Mané” não estava embriagado.

IV - O guarda noturno permanece atento a todos os perigos.

V - Os transeuntes ficaram assustados.

a) I - II - III;

b) II - III;

c) II - IV;

d) III - IV - V - II;

e) I - II - IV.


29 – Dentre as orações abaixo, uma tem sujeito indeterminado. Qual?

a) A nossa casa parecia uma arca de Noé.

b) Não iria além de um vice-campeonato.

c) As águas trafegam furiosas.

d) Atropelaram um boi lá na gentil.

e) No lugar só ficou a surpresa.


30 – Na oração: “Diziam que ele era igualzinho a meu pai”, o sujeito da primeira oração é:

a) simples;

b) composto;

c) indeterminado;

d) inexistente;

e) oculto.


31 – Dê a função sintática do elemento grifado: Mestre Cupijó, ouviu-se há dias a sua grande obra”.

a) adjunto adnominal;

b) sujeito;

c) vocativo;

d) aposto;

e) objeto direto.


32 – Em: “O homem não gosta de reconhecer a inevitabilidade de uma morte natural ...”, a expressão grifada é:

a) adjunto adnominal;

b) adjunto adverbial;

c) complemento nominal;

d) agente da passiva;

e) sujeito.


33 – “Ué, gente: vocês ainda não foram pra sala?!” – o sujeito:

a) simples;

b) composto;

c) indeterminado;

d) inexistente;

e) oculto.


34 – Em: “Bebe que é doce, papai – a palavra grifada funciona como:

a) sujeito;

b) aposto;

c) vocativo;

d) adjunto adverbial;

e) adjunto adnominal.

POEMA: TORRE AZUL - MÁRIO QUINTANA - COM GABARITO

 Poema: TORRE AZUL

 

É preciso construir uma torre

-- uma torre azul para os suicidas.

Têm qualquer coisa de anjo esses suicidas voadores,

qualquer coisa de anjo que perdeu as asas.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgrUgTPv8XNif40mMx9i4LPHwMXyDRMlQZ8BgiuyF8TpjVfRFfdn6Ja2A_cxlCnGQU4rv6wojJlm_QokDMBw3yVHFMnTop5T2vXhFqy76sGBO1RRVBt4_i9dtH1W65I-daDKMcqAnHRM2jcxUkSX5ajRb1RXaukrGhigBf4J_bWUCDGysyi-mB8Ii8wryM/s320/images.jpg


É preciso construir-lhes um túnel

-- um túnel sem fim e sem saída

e onde um trem viajasse eternamente

como uma nave em alto-mar perdida.

 

É preciso construir uma torre…

É preciso construir um túnel…

É preciso morrer de puro,

puro amor!… 

Mario Quintana. Poema do livro Baú de Espantos, retirado de Poesia Completa – Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2005, p. 587.

Entendendo o poema:

01 – Como o eu lírico caracteriza as pessoas que decidem tirar a própria vida?

a)   Anjos que perderam as asas.

b)   Pássaros que não sabem voar.

c)   Viajantes de um mundo azul.

c)   Seres que odeiam a existência.

 

02 – Qual é a função simbólica da 'Torre Azul' mencionada no texto?

a)   Uma prisão para punição.

b)   Um refúgio de acolhimento.

c)   Um farol para os vivos.

d)   Um monumento de vitória.

 

03 – Que característica fundamental define o 'túnel' sugerido no poema?

a)   A inexistência de uma saída.

b)   A brevidade do seu percurso.

c)   A presença de luz intensa.

d)   O barulho constante do mar.

 

04 – A que o trem que viaja pelo túnel é comparado pelo autor?

a)   Vento em campo aberto.

b)   Anjo em busca de asas.

c)   Nave em alto-mar perdida.

d)   Estrela em queda livre.

 

05 – De acordo com o último verso, qual é o motivo final para tal entrega ou estado?

a)   Por puro amor.

b)   Por medo do fim.

c)   Por tédio da vida.

d)   Por falta de luz.

 

 

 

 

 

 

FILME(ATIVIDADES): O GATO DE BOTAS - CHRIS MILLER -- COM GABARITO

 Filme (Atividade): O gato de botas

 Título original: Puss in Boots.

Lançamento: 2011 (EUA).

Direção: Chris Miller.

Atores: Antônio Banderas, Salma Hayek, Zach Galifianakis, Billy Bob Thornton.

Duração: 90 min.

Gênero: Animação.

 

Fonte:  https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjudDDX9_m-EjFb9F6E6OcIMvNy9cVY5h_35v_muH_dd4-fICZDDUhl-tkLMvSo51-_ALEhcWeukI11IASX5aE6Y_uMAebZJtk47dSpaPjpk-Yg4SzVEZQt9zCuSHPQYxSsajVj5r2QQsTXaE8PI3xeUP1AsOGkAF8ZIC-WTyBfLxzzt_x0A1P7Zxs64KA/s1600/gato.jpg

Sinopse

        O Gato de Botas é um aventureiro sagaz que faz jus à fama de intrépido. Ele quer encontrar o ganso dos ovos de ouro e contará com a ajuda de amigos nessa missão quase impossível.

 

Entendendo o filme:

01 – Como o gato ficou amigo do Ovo (Humpty Dumpty)?

      Eles se conheceram na infância, quando viviam no mesmo orfanato na cidade de San Ricardo. O Gato era discriminado por ser um gato de rua e Humpty Dumpty também sofria por ser um ovo. Eles se uniram para se defender das outras crianças e, a partir dali, tornaram-se melhores amigos e "irmãos de sangue".

02 – O Ovo tinha um sonho e o Gato resolveu ajudá-lo a realizar esse sonho. Que sonho era esse?

      O grande sonho de Humpty Dumpty era encontrar os feijões mágicos da lenda, plantá-los para que a árvore crescesse até o céu (o castigo do gigante) e, lá em cima, encontrar a lendária Gansa dos Ovos de Ouro para ficarem ricos.

03 – O Gato passou a ser conhecido como Gato de Botas porque ganhou um par de botas. Por que ele ganhou essas botas?

      Ele ganhou as botas como uma honraria oficial da liderança da cidade (entregues pela mãe adotiva dele, Imelda) após salvar heroicamente a mãe do Comandante da guarda de ser atropelada por um touro bravo no meio da rua. As botas simbolizavam sua coragem, honra e verdade.

04 – O Gato de Botas teve que fugir de sua cidade quando era mais novo. Por quê?

      Ele teve que fugir porque foi enganado por Humpty Dumpty. O ovo convenceu o Gato a ajudá-lo em uma suposta "emergência", que na verdade era um assalto ao banco de San Ricardo. O Gato acabou sendo visto como cúmplice do roubo pela guarda, foi considerado um traidor pela cidade e teve que fugir para não ser preso.

05 – O Ovo convenceu o Gato de Botas a ajudá-lo a conseguir os feijões mágicos e eles chegaram até a gansa dos ovos de ouro. Que ideia eles tiveram para continuar tendo sempre ovos de ouro?

      Como os ovos de ouro puro eram muito pesados para carregar em grande quantidade lá do céu, eles tiveram a ideia de roubar o próprio filhote da Gansa (o ganso dos ovos de ouro) e trazê-lo para a Terra, garantindo assim uma fonte eterna de riqueza.

06 – Que consequência isso teve para o povo da cidade?

      A consequência foi catastrófica. Ao levarem o filhote, eles atraíram a fúria da "Grande Mulher" (a mãe gansa, que na verdade é um monstro gigante). Ela desceu dos céus e foi em direção a San Ricardo, destruindo tudo pelo caminho para resgatar o seu filhote, colocando toda a população em perigo.

07 – O Ovo não queria realmente ser amigo do Gato de Botas; era tudo um plano de vingança para prejudicá-lo. Explique esse plano.

      Humpty Dumpty nunca perdoou o Gato por ter fugido no passado e ter ficado com a fama de herói enquanto ele foi preso. O plano de vingança consistia em fingir que queria reatar a amizade, usar a habilidade do Gato para conseguir os feijões mágicos, levá-lo de volta a San Ricardo e fazê-lo ser capturado pela guarda na frente de todos, limpando o nome do Ovo e destruindo a reputação do Gato de vez.

08 – O Gato de Botas foi preso. Como ele conseguiu escapar?

      Ele conseguiu escapar com a ajuda de Kitty Pata-Mansa. Ela se arrependeu de ter feito parte do plano do Ovo para enganar o Gato, invadiu a prisão militar de San Ricardo e ajudou a libertá-lo das grades.

09 – Apesar de tudo, o Gato de Botas salvou a cidade e provou que era honesto. Como ele fez para salvar a cidade?

      O Gato conversou com Humpty Dumpty e o convenceu a fazer a coisa certa. Juntos, eles pegaram o ganso filhote e o atraíram para fora da cidade, em direção a uma ponte alta, para entregá-lo de volta à mãe gigante antes que ela esmagasse San Ricardo inteira.

10 – O que o Gato de Botas descobriu sobre o ovo (Humpty Dumpty) no final do filme?

      No momento final, para salvar o ganso filhote e o próprio Gato, Humpty Dumpty se sacrifica e despenca da ponte. Ao cair, sua casca quebra e o Gato descobre que, por dentro, Humpty Dumpty não era podre, mas sim feito de ouro puro, provando que no fundo ele tinha um bom coração.

CRÔNICA: EM MAUS LENÇÓIS - ANTÔNIO MACHETTI - COM GABARITO

 Crônica: EM MAUS LENÇÓIS


        Eu tinha apenas quatorze anos quando fugi de casa pela primeira vez. Não suportando a tensão que me aniquilava, efeito das perseguições e xingamentos incessantes, tratei de escapulir. Frequentava o ginásio, mas, entre os meus colegas, considerava-me perseguido e humilhado. No meu lar não tinha liberdade para nada, vivia confinado, aguentando ameaças e descomposturas; na escola sempre preterido, por este ou aquele pretexto, rejeitado até nas atividades esportivas de que tanto gostava. Sempre o pior trajado, o uniforme sovadíssimo, de um amarelo desbotado, horrível, e os sapatos estropiados, desmanchando-se. Era tempo de guerra, havia crise. Mas eu não compreendia isso: meus colegas vestiam-se bem. O pior mesmo eram as xingações, as invectivas.^

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhO1tdrq5uisjiaFq-2xviol2V0EtfqU31VQeCjZ-hCFRbXqnSmuT4WrOeNmUSJhnEZMHeI0gRfodxXjiv0nh1j0SDqXwMwo8srb3iVyLm5NXfRCwKFjbh3an0VZa7ZBDBnLMl_LjBpHMKgj0mZ7YrTrVKfak3bmUnuEGbY7pNJ-IL4dCvw379lETpUnN8/s320/maus-lencois.png


        Ela bradava com frequência:

        -- Você anda jogando buzo com os botões da calça! Não é capaz de andar arrumado, limpo, moleque sem-vergonha! O seu fim vai ser triste, bruaco!...

        Ele corroborava, mesmo à mesa das refeições:

        -- Você não merece o feijão que come, pedaço de asno, ignorante!... 

        Não aguentei. Meti algumas peças de roupa dentro da bolsa escolar e, ao invés de dirigir-me ao ginásio, emboquei num ônibus estacionado na rodoviária. Vazio, aguardava horário de partida e, também, os passageiros que dia a dia minguavam. Não me foi difícil, pois, passar despercebido. Encaracolado atrás do encosto do último assento, esperei ansiosa e nervosamente a partida: minha independência. Apesar de ter sido bem-sucedido naquela estratégia comum de fuga, não driblei por muito tempo o fracasso. Na madrugada imediata, enquanto eu dormia no banco de uma jardineira carunchenta, abandonada nas proximidades de um posto de gasolina, fui descoberto por um bate-pau e prontamente conduzido ao xadrez. Sem mais cerimônias, cortaram-se as asas e meteram-me na gaiola. Permaneci várias semanas ali esquecido, sem jamais ser interrogado, e sem ninguém dar-se pela presença de uma criança na cadeia pública. Tinha, aliás, por companheiro, um outro garoto, mais ou menos de minha idade, que já se achava preso há mais tempo. Também fora encontrado a sós e metido a ferros. Era necessário limpar as ruas da progressista comarca, dar segurança e tranquilidade aos seus moradores ordeiros e pacatos. Ao reclamar da situação, o carcereiro, bocejando de tédio, respondeu-me:

        -- Quando vier o novo delegado, ele resolve...

        -- E eu? Perguntou Giba.

        -- Está na mesma... Dependo do delegado que vier. Às vezes vem logo, às vezes não...

        Em tal expectativa passamos tempo considerável.


Antônio Machetti.

Entendendo a crônica:

01 – Quem é o narrador do texto?

      O narrador é um narrador-personagem (em primeira pessoa). Trata-se de um homem adulto que relembra um episódio doloroso de sua adolescência, quando tinha apenas quatorze anos.

02 – O que ele nos conta?

      Ele conta a história da primeira vez que fugiu de casa na adolescência para escapar dos maus-tratos de seus pais e das humilhações na escola, e como essa fuga acabou resultando em sua prisão injusta em uma cadeia pública.

03 – O que a personagem central fazia antes de abandonar o lar?

      Ele frequentava o ginásio (escola) e tentava participar de atividades esportivas, além de viver confinado em casa sob constantes ameaças e xingamentos.

04 – Por que resolveu fugir?

      Porque ele não suportava mais a tensão, as perseguições, as humilhações e os xingamentos incessantes que sofria tanto dentro do seu lar (onde não tinha liberdade) quanto na escola.

05 – Por que era perseguido e humilhado pelos colegas?

      O texto sugere que a rejeição acontecia pelo fato de ele ser o "pior trajado" de todos, vestindo um uniforme velho ("sovadíssimo"), de um amarelo desbotado e sapatos estropiados, que se desmanchavam devido à crise e à pobreza no tempo de guerra.

06 – O que aconteceu ao rapaz, quando fugiu de casa?

      Ele conseguiu pegar um ônibus na rodoviária e viajar, mas na madrugada seguinte, enquanto dormia no banco de uma jardineira (ônibus antigo) abandonada perto de um posto de gasolina, foi descoberto por um "bate-pau" (guarda/policial) e trancafiado na cadeia pública.

07 – Por que fracassou na sua tentativa de fuga?

      Ele fracassou porque foi capturado muito rápido, logo na primeira madrugada, pelas autoridades locais que queriam "limpar as ruas" dos garotos sem rumo.

08 – Sua situação se resolveu de imediato? Por quê?

      Não. Ele passou várias semanas esquecido na cela, sem nunca ser interrogado. O carcereiro informou que nada seria resolvido até que um novo delegado chegasse à comarca, algo que não tinha prazo para acontecer.

09 – O garoto voltou para casa? Se voltou tentou fugir novamente? Justifique sua resposta com um trecho do texto.

      O texto não mostra o desfecho da história nem o retorno dele para casa; a crônica termina de forma abrupta com os meninos ainda presos esperando o delegado. Porém, o primeiríssimo período do texto comprova que aquela foi apenas a primeira vez que ele fugiu, indicando que houve outras no futuro: "Eu tinha apenas quatorze anos quando fugi de casa pela primeira vez."

10 – Assinale, a fuga é consequência:

A - Do fato de ele ser mal compreendido e humilhado em casa?

B - De ele não ter liberdade?

C - De ele ser um menino rebelde?

11 – Quem é Giba?

      Giba é um outro garoto, de idade próxima à do narrador, que já estava preso na mesma cela há mais tempo, também recolhido das ruas pela polícia local.

12 – Onde o rapaz estava e o que fazia, quando foi trancafiado na cadeia?

      Ele estava nas proximidades de um posto de gasolina, dormindo no banco de uma jardineira (veículo de transporte antigo) carunchenta e abandonada.

13 – Retire do texto expressões que mostrem o tempo da narrativa.

      As expressões que indicam a época e a passagem do tempo são: "apenas quatorze anos", "Era tempo de guerra", "Vinte anos" (mencionados de forma figurada nos xingamentos), "Na madrugada imediata" e "várias semanas".

14 – “Você não merece o feijão que come, pedaço de asno, ignorante!...”. Quem dizia isso ao rapaz?

      Essa frase era dita pelo pai do garoto (indicado no texto pelo pronome "Ele", que corroborava com os xingamentos da mãe à mesa de refeições).

15 – Em qual parágrafo é feita a descrição da personagem principal? Retire um trecho que comprove sua resposta.

      A descrição física e social da personagem é feita no primeiro parágrafo.

      Trecho que comprova: "...Sempre o pior trajado, o uniforme sovadíssimo, de um amarelo desbotado, horrível, e os sapatos estropiados, desmanchando-se."

 

CRÔNICA: PAMONHA, PAMONHA, PAMONHA - SÉRGIO TANNENBAUM - COM GABARITO

 Crônica: Pamonha, pamonha, pamonha

            Sérgio Tannenbaum

         Ainda não eram nove da manhã e a perua dobrava a esquina e vinha lentamente em direção ao prédio, anunciando:

        “Pamonha, pamonha, pamonha. Pamonha de Piracicaba. Pamonha, milho verde e curau.”

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        Uma frase já era suficiente para acordar qualquer um. Mesmo aqueles de sono mais pesado eram religiosamente despertados pelo homem da pamonha, todos os domingos. E enquanto houvesse um único morador no prédio ou em toda vizinhança dormindo, lá vinha o alto-falante:

        “Pamonha, pamonha, pamonha. Pamonha de Piracicaba. Pamonha, milho verde e curau.”

        Nas primeiras semanas, apesar do incômodo, nada fizemos. Era só uma questão de tempo. Logo o Pamonha, como ficou conhecido o sujeito, iria arrumar outros clientes nas redondezas e nos deixaria em paz. Mas passados dois meses, o inferno continuava. Por isso, resolvemos convocar uma reunião dos moradores.
        A assembleia foi marcada para o domingo, às nove da manhã. Tínhamos certeza de que todos estariam acordados e, principalmente, revoltados com o Pamonha. Foi o maior quorum em assembleias de toda a história do condomínio.

        Foram necessários menos de quinze minutos para a deliberação final.

        Definiram-se três etapas para se alcançar o objetivo. A primeira consistia em dialogar com o Pamonha e tentar convencê-lo a ir embora. A segunda etapa seria subornar o Pamonha para que ele sumisse do mapa. Se isso também não funcionasse, a última etapa, a mais radical, deveria entrar em ação. Uma criança, escolhida por sorteio no condomínio, iria se vestir com um colete de dinamite e ser explodida exatamente no momento em que fosse comprar uma pamonha.

        A terceira etapa nem precisou ser acionada. O Pamonha fez um acordo: não mais usaria o alto-falante se tivesse garantida a compra de vinte pamonhas por domingo. Era um preço baixo que tínhamos que pagar. Dividíamos as despesas entre os moradores. Cada semana, cinco apartamentos recebiam as pamonhas. Muitos abriram mão da pamonha e apenas pagavam a sua parte.

        Com o passar do tempo, as pessoas foram enjoando das pamonhas. Ninguém mais aguentava o cheiro de milho verde. Em nova assembleia, novamente por unanimidade, ficou estabelecido que o Pamonha nem precisaria mais entregar as pamonhas. E mais: se ele insistisse em entregar as pamonhas, a etapa três seria ativada. Mas, para o Pamonha não sair no lucro, combinamos que ele deveria entregar as pamonhas gratuitamente numa favela próxima.

        O valor rateado para pagar o Pamonha já estava embutido no total do condomínio do mês, o que fez com que muitos moradores esquecessem definitivamente o assunto. Os novos moradores surpreendiam-se ao ver na prestação de contas do condomínio um item denominado “taxa do Pamonha”. Diante do valor pouco expressivo, contentavam-se com qualquer explicação do síndico.

        O Pamonha, por sua vez, cumpriu sua parte no acordo. Toda semana aparecia na favela pra distribuir as pamonhas gratuitas. Assim, foi-se tornando muito popular e querido na região. No domingo, as crianças esperavam ansiosas a chegada da perua. Para muitas, o curau, o milho verde ou as pamonhas entregues de graça eram a única refeição em muitos dias.

        O Pamonha já não era só o Pamonha. Passou a ser chamado de o “Pamonha, o amigo dos pobres”. E mesmo sem nos consultar, ele resolveu entregar as pamonhas gratuitas em outras favelas mais distantes. Em dois anos, “Pamonha, o amigo dos pobres” já era conhecido em todas as favelas da região. Seus fãs queriam ver o seu trabalho comunitário e filantrópico patrocinado pelo governo, já que “o coitado pagava tudo do bolso”. Queriam-no como vereador.

        As comunidades que o Pamonha visitava aos domingos resolveram se unir para eleger o seu candidato. Fizeram bazares, jogos de futebol e venderam artesanato com o objetivo de arrecadar fundos. Consultores de marketing político foram contratados. A candidatura do Pamonha se tornou realidade.

        Agora, três vezes por dia, todos os dias da semana (inclusive domingo), passa um trio elétrico na porta do prédio, anunciando:

        “Pamonha, Pamonha, Pamonha. Pra vereador, vote no Pamonha, o amigo dos pobres.”

 

Entendendo a crônica:

01 – Por que os moradores resolveram fazer uma reunião?

      Porque não aguentavam mais ser acordados pelo carro da pamonha. 

02 – A reunião foi marcada para domingo às 9 horas. Por quê?

      Porque todos estariam acordados por causa do carro da pamonha e estariam irritados com isso. 

03 – Os moradores chegaram rapidamente a um acordo sobre o que seria feito. Quais eram as três etapas que eles seguiriam para acabar com o problema?

      1ª – dialogar com o Pamonha; 2ª – suborna-lo; 3ª – sortear uma criança do condomínio para usar um colete de dinamites e explodir na hora de comprar a pamonha.

04 – “A terceira etapa nem precisou ser acionada. O Pamonha fez um acordo.” Qual foi o acordo feito?

      Eles pagariam um valor fixo de 20 pamonhas e ele não passaria. 

05 – Por que o Pamonha ficou conhecido como “Pamonha, o amigo dos pobres”?

      Porque dava as pamonhas pagas para pobres em favelas.

06 – As pessoas queriam o Pamonha como vereador. O que elas fizeram para que isso se tornasse real?

      Bazares, jogos de futebol, artesanatos etc.

07 – Qual foi a consequência da candidatura do Pamonha para os moradores do prédio?

      Agora passa todos os dias, 3x por dia, um trio elétrico anunciando a candidatura dele.

08 – Qual desses ditados populares funciona como moral da história?

a) Quem ri por último, ri melhor.

b) Nada é tão ruim que não possa piorar.

c) O pior cego é aquele que não quer ver.

d) Um dia da caça, outro do caçador.

 

 

 

ARTIGO DE OPINIÃO: MEU - MINHA EX. ESTÁ DESTRUINDO A MINHA IMAGEM PERANTE NOSSO FILHO - DRA. LUCIANA MUSZALSKA - COM GABARITO

 Artigo de opinião: Meu – Minha ex. está destruindo a minha imagem perante nosso filho


        Nosso casamento acabou há algum tempo, e com ele veio a decepção de um investimento de toda uma vida. Hoje somos inimigos, e o pior, nosso filho está sofrendo muito com isso. É, infelizmente, muito comum que a mágoa do final de um relacionamento traga consequências... muitas vezes quase que irreparáveis. Um dos pais ou ambos, falam de suas mágoas ao filho, que ama os dois e que se sente completamente confuso diante de tal situação. É um momento tão confuso e tão repleto de mágoas, que os pais por estarem envolvidos em sua dor, não conseguem perceber onde termina seu casamento e começa o sentimento de paternidade ou maternidade. Não são raros os casos em que eles (pais ou mães) permitem que seu relacionamento de casal interfira no relacionamento pais e filhos. Apesar de não ter a intenção consciente, acabam por destruir a estrutura emocional desse filho que tanto amam. 

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhqw4f99s3pajFpKNyjh1q4ISwgyhK0keJS-O5a9LMGMZbeKnVyhXvOmHuAKDePXFtu2RxDoorjN9tit95yINEJuD2p2MJxpt4PnZXRZN477WjAmHrkOzOR5sEvqDGYMneUkKUROVpUKycWPoz9trEfyka8J4G1flNetKMhZrlgpbJAX_JQWGAYXmyJgFM/s320/images.jpg


        As consequências podem ser desastrosas, saiba abaixo como funciona esse mecanismo de amor e ódio e qual a melhor maneira de lidar com ele. 

        Ouço muitos casais que optam por não se separar e vivem toda uma vida infeliz com medo de machucar seus filhos. Esses filhos não são bobos. Eles percebem que são os responsáveis pela não separação do casal e consequentemente pela infelicidade de seus pais. Por outro lado, se as mágoas de um casamento desfeito, podem destruir toda a autoestima e sentimento de amor do filho... O que fazer? 

        No Brasil, é a mãe que geralmente detém a guarda do filho (a) no caso de uma separação. Mas o que eu vou relatar abaixo, independe de quem mantém ou não a guarda e sim a maneira que essa pessoa lida com o sentimento de frustração pelo fim de seu casamento. 

        A mãe, por estar mais próxima do filho, faz uma vinculação inconsciente com um ou todos os filhos contra o pai que saiu de casa. 

        A realidade é, não importa quem fala mal de quem, e nem se os motivos apontados são ou não verdadeiros. A criança está no meio de uma guerra que acabará por “afastá-la” de qualquer possibilidade de vínculo com o antigo parceiro. E isso, muita atenção... é tremendamente prejudicial à criança. Sim, eu disse prejudicial à criança! 


        O filho, que também está sofrendo com o distanciamento e dor causados pela separação, vinculado a um dos pais, inicia um processo de ódio contra o outro pai. 

        Gostaria de ressaltar que eu não estou defendendo nenhuma das partes. Nem pai, nem mãe, e sim tentando explicar o que ocorre com uma frequência bastante significativa. Minha intenção é a de mostrar que quem realmente é atingido com tudo isso é a criança. 

        Pelas leis brasileiras, na grande maioria dos casos, quem detém a guarda dos filhos no momento da separação, é a mãe. Mas mesmo quando é o pai que detém a guarda, o processo que eu estou descrevendo acima, acontece EXATAMENTE da mesma maneira. 

        O que ocorre é uma alteração do comportamento dos filhos, de “normal” a patológico. O que antes era saudade, agora é raiva. O que antes era ansiedade agora é rejeição. O normal seria a criança ficar ansiosa e feliz com a visita do pai ou mãe, mas ela se torna cada dia mais agressiva e rejeita aquele a quem tanto ama. 

        Quando isso acontece, percebemos que a criança está sofrendo de SAP, ou Síndrome de Alienação Parental, que é quando um dos genitores (pai ou mãe) tenta induzir o ódio dos filhos pelo outro genitor. O mais importante neste momento é, antes de culpar o outro genitor... e consequentemente aumentar a discórdia que já existe, perceber que esta criança está sofrendo tanto quanto você, e que ela precisa dos DOIS PAIS unidos a seu favor, independente de morarem juntos, estarem separados ou não! 

        “Estudos indicam que 80% dos filhos de pais divorciados ou em processo de separação já sofreram algum tipo de alienação parental.” 

        “No Brasil, o número de órfãos de pais vivos é, proporcionalmente, o maior do mundo. Fruto de mães, que, pouco a pouco, apagam a figura do pai da vida e do imaginário da criança.” “Esse afastamento não é deletério apenas para a criança, mas, também, aos pais abandonados pelos filhos. Richard Gardner, professor do Departamento de Psiquiatria Infantil da Faculdade de Medicina e Cirurgia da Universidade de Columbia, EUA, conclui que: a perda de uma criança nesta situação pode ser mais dolorosa e psicologicamente devastadora para o pai-vítima do que a própria morte da criança, pois a morte é um fim, sem esperança ou possibilidade para reconciliação, mas os filhos da alienação parental estão vivos, e, consequentemente, a aceitação e renúncia à perda é infinitamente mais difícil e dolorosa.” (Extraído de: OAB - Distrito Federal – 01 de Setembro de 2010). Ainda segundo o Dr. Richard Gardner, “A alienação parental é um processo que consiste em programar uma criança para que odeie um dos seus genitores (o genitor não guardião) sem justificativa, por influência do outro genitor (o genitor guardião), com quem a criança mantém um vínculo de dependência afetiva e estabelece um pacto de lealdade inconsciente. Quando essa síndrome se instala, o vínculo da criança com o genitor alienado (não guardião) torna-se irremediavelmente destruído. Porém, para que se configure efetivamente esse quadro, é preciso estar seguro de que o genitor alienado não mereça, de forma alguma, ser rejeitado e odiado pela criança.”.

        Este artigo é de suma importância, e deveria ser lido por todos os pais no momento da separação. Se você ama seu filho verdadeiramente, saiba que: A SAP pode trazer muitas dificuldades para a criança, inclusive quando ela se tornar adulta. 

        Em curto prazo, a criança aprende a manipular os adultos e a demonstrar sentimentos e reações não verdadeiras, mas com o passar dos anos, ela vai se distanciando de suas verdadeiras emoções e na medida que isso ocorre, ela começa a perder a identificação com esse genitor, podendo inclusive adquirir vários transtornos de identidade. É comum nesses casos desde quadros como depressão crônica, incapacidade de se adaptar em novos ambientes sociais, transtornos de imagem, dependência ao álcool e drogas e em alguns casos inclusive o suicídio, por apresentar sentimento de culpa incontrolável e irremediável por descobrir que foi injusta no passado com o pai e/ou a mãe. Pensem muito bem antes de envolver seus filhos nos problemas do casal. Ao querer o apoio para seus próprios sentimentos em relação à separação, seu filho pode sair muito machucado... 

        O marido deixa de ser marido, mas jamais deixara de ser pai. A mãe deixa de ser esposa, mas jamais deixara de ser mãe! 

Pais precisam pensar muito no futuro de seus filhos, e isso, não quer dizer viver juntos infelizes, Mas, destruir figuras parentais tão significativas para os filhos causam rombos na estrutura dessas crianças, rombos esses muitas vezes irremediáveis. 

        Casamentos podem ser refeitos através de novos romances, mas as figuras parentais de pai e mãe jamais se refazem em nossa psique e coração.

Dra. Luciana Muszalska. Psicóloga Clínica, escritora e palestrante em todo o Brasil. ARTIGO PUBLICADO NO GRUPO "TECENDO TEXTOS".

 

Entendendo o artigo:

01 – De acordo com o primeiro parágrafo do texto, por que muitos pais acabam permitindo que os problemas do casamento desfeito interfiram na relação com os filhos?

      Porque os pais estão tão envolvidos e fragilizados por sua própria dor e mágoa em relação ao fim do relacionamento que não conseguem estabelecer um limite claro. Eles perdem a capacidade de perceber onde termina o papel de homem/mulher (casamento) e onde começa o papel de pai/mãe (paternidade/maternidade).

02 – O autor menciona que alguns casais optam por não se separar "com medo de machucar seus filhos". Qual é a consequência negativa dessa escolha, segundo o artigo?

      A consequência é que as crianças percebem a situação. Elas notam que são o motivo pelo qual os pais continuam juntos e infelizes, o que acaba gerando nos filhos um sentimento de culpa e responsabilidade pela infelicidade dos pais.

03 – O que significa a sigla SAP mencionada no texto e como esse quadro se caracteriza no comportamento da criança?

      SAP significa Síndrome de Alienação Parental. Ela se caracteriza pelo momento em que um dos genitores tenta induzir o filho a odiar o outro genitor. No comportamento da criança, ocorre uma mudança de um estado "normal" para um "patológico": a saudade vira raiva, a ansiedade para ver o pai ou a mãe vira rejeição, e a criança passa a agir de forma agressiva com quem ela ama.

04 – Com base nos dados trazidos pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) citados no texto, qual é a grave estatística apresentada sobre os filhos de pais divorciados no país?

      O texto aponta que estudos indicam que 80% dos filhos de pais divorciados ou em processo de separação já sofreram algum tipo de alienação parental. Além disso, destaca que o Brasil possui, proporcionalmente, o maior número de "órfãos de pais vivos" do mundo devido a essa prática.

05 – De acordo com o psiquiatra infantil Richard Gardner, por que a perda de um filho pela alienação parental pode ser psicologicamente mais dolorosa para o "pai-vítima" do que a própria morte da criança?

      Porque a morte é um fim definitivo, o que impõe uma aceitação sem esperanças. Já no caso da alienação parental, os filhos continuam vivos, o que torna a aceitação e a renúncia à perda infinitamente mais difíceis e dolorosas, pois o pai-vítima sabe que o filho está distante e o rejeitando sem uma justificativa real.

06 – Quais são as consequências graves e de longo prazo que a Síndrome de Alienação Parental pode causar na vida da criança quando ela atingir a fase adulta?

      No longo prazo, a pessoa pode sofrer com transtornos de identidade, depressão crônica, incapacidade de se adaptar a novos ambientes sociais, dependência de álcool e drogas e, em casos extremos, o suicídio. Este último pode ser motivado por um sentimento de culpa incontrolável ao descobrir, no futuro, que foi injusta com o pai ou a mãe no passado.

07 – Qual é a principal reflexão ou tese defendida pelo autor nos parágrafos finais do artigo para conscientizar os pais que se separam?

      A tese de que o fim do casamento não extingue as funções maternas e paternas ("O marido deixa de ser marido, mas jamais deixará de ser pai"). O autor defende que novos romances podem refazer casamentos, mas as figuras de pai e mãe são únicas e insubstituíveis na psique e no coração de um filho. Portanto, destruir essas imagens causa danos profundos e muitas vezes irremediáveis na estrutura emocional da criança.