domingo, 12 de abril de 2026

POESIA: RELÓGIO - OSWALD DE ANDRADE - COM GABARITO

 Poesia: Relógio

            Oswald de Andrade

As coisas são

As coisas vêm

As coisas vão

As coisas

Vão e vêm

Não em vão

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEheBJLqVo3iSXA7i3u2HcDJtAtXVNG6CAyBrouux96VwnM1W9wlZ_SzIKtVZWn2n0xRxMgroad-obink_yO_TxxUhzV-EIjSq6aN3ceX3F-t8J1k_YQzCK-VXj5Ehb8sy9A0GUouu2oeGVHQVGngjmUa1R8A3-oibzgOADzyu3wSK68c-adeHYEsGhcS-8/s1600/RELOGIO.jpg


As horas

Vão e vêm

Não em vão.

Fonte: ANDRADE, Oswald de. In: ______. Poesias reunidas. São Paulo: Difusão Europeia do Livro, 1966. p. 171.

Fonte: Coleção Rotas. Língua Portuguesa. Ensino fundamental. Anos finais. 8º ano/Sandra Moura Severino (org.) – Brasília – Editora Edebê Brasil, 2020. p. 153.

Entendendo a poesia:

01 – Como a estrutura visual e rítmica do poema se relaciona com o título "Relógio"?

      A estrutura do poema, composta por versos curtos e repetitivos, mimetiza o movimento mecânico e constante de um relógio (o "tique-taque"). A alternância entre "vêm" e "vão" cria um ritmo cadenciado que sugere a passagem inexorável do tempo e a circularidade dos ponteiros.

02 – Qual é o efeito de sentido produzido pela repetição das palavras "vão" e "vêm" ao longo do texto?

      A repetição enfatiza a ideia de transitoriedade e movimento contínuo. Ao dizer que as coisas e as horas "vão e vêm", o eu lírico destaca que nada é estático na existência; tudo está num fluxo permanente de partida e chegada, de transformação.

03 – No final do poema, o autor utiliza a expressão "Não em vão". O que essa escolha sugere sobre a visão de mundo apresentada?

      A expressão "Não em vão" introduz uma nota de propósito ou significado à transitoriedade. Embora as coisas e o tempo passem rapidamente, essa passagem não é inútil ou vazia; há um sentido ou uma consequência em cada ciclo que se completa, opondo-se a uma visão puramente niilista do tempo.

04 – O poema começa com "As coisas são". Qual é a importância dessa afirmação inicial para o restante da composição?

      Essa afirmação estabelece a existência concreta do mundo antes de descrever o seu movimento. É um ponto de partida ontológico: primeiro as coisas existem ("são") para depois entrarem no fluxo do tempo ("vêm" e "vão"). Isso ancora o poema numa realidade material, característica da estética de Oswald de Andrade.

05 – Considerando as características do Modernismo, como "Relógio" exemplifica a busca pela síntese poética?

      O poema é um exemplo clássico de síntese porque utiliza o mínimo de recursos verbais para expressar uma ideia complexa (a natureza do tempo). Oswald de Andrade elimina adornos, adjetivos e pontuação excessiva, focando-se na essência do substantivo e do verbo, criando um "poema-pílula" que comunica de forma direta e concisa.

 

FICÇÃO CIENTÍFICA: EU, ROBÔ - FRAGMENTO - ISAAC ASIMOV - COM GABARITO

 Ficção científica: Eu, robô – Fragmento

             Isaac Asimov

        Olhei para minhas anotações e não gostei delas. Eu tinha passado três dias na U.S. Robots e poderia muito bem tê-los passado em casa, com a Enciclopédia Telúrica.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiQWyXYTyH0LY3MRgV8ZLQv-KZ4SjMqtq-jXax2TcmKiM4VvtRGE3z41ptdL-uD9wWxmu1d2you7aGThJlG6DU4rAaYJrPdh5ky2y4K-j6PpXa6IKkU7sCJlnMBmyN56fHKbKJ5THnIx_gzUcvCbaKpqX19gXvfcT7fnAUaoj-wMrZAVa_ZHw9x-P4xooc/s320/EU.jpg


        Susan Calvin havia nascido no ano de 1982, disseram-me, o que queria dizer que ela tinha setenta e cinco anos de idade. [...] a U.S. Robots and Mechanical Men, Inc. também tinha setenta e cinco anos, uma vez que fora no ano de nascimento da Dra. Calvin que Lawrence Robertson conseguira os documentos de constituição do que viria a ser o mais estranho gigante industrial da história da humanidade. [...]

        Aos vinte anos, Susan Calvin participara de um seminário específico sobre Psicomatemática, no qual o Dr. Alfred Lanning, da U.S. Robots, apresenta o primeiro robô móvel a ser equipado com voz. Era um robô grande, desajeitado e feio, cheirava a óleo de máquina e fora destinado a trabalhar nas minas projetadas em Mercúrio. Mas podia falar e se fazer entender.

        [...]

        Ela se formou em bacharel na Universidade de Columbia, em 2003, e começou a pós-graduação em cibernética.

        Tudo o que havia sido feito em meados do século XX em relação a “máquinas calculadoras” foi revirado por Robertson e por suas vias de cérebro positrônico. Os quilômetros de retransmissões fotocélulas tinham dado lugar ao globo esponjoso de platina-irídio mais ou menos do tamanho de um cérebro humano.

        Ela aprendeu a calcular os parâmetros necessários para corrigir possíveis variáveis no “cérebro positrônico”; a construir “cérebros” na teoria, de forma que as respostas dadas aos estímulos podiam ser previstas com exatidão.

        [...]

        Em 2008, ela terminou o doutorado e começou a trabalhar no quadro da U.S. Robôs, na qualidade de “psicóloga roboticista”, tornando-se a primeira grande profissional de uma nova ciência. Lawrence Robertson ainda era o presidente da companhia; Alfred Lanning tinha se tornado diretor de pesquisas.

        Durante cinquenta anos, ela observou o progresso humano mudar de direção – e dar um salto adiante.

        Agora ela estava se aposentando [...].

        – Dra. Calvin, – disse eu [...] –, aos olhos do público a senhora e a U.S. Robots são idênticos. Sua aposentadoria vai encerrar uma era e...

        – Você quer abordar o tema pelo ângulo do interesse humano? – Ela não sorriu para mim. Acho que ela não sorria nunca. Mas seu olhar era penetrante, embora não mostrasse raiva. Senti-o passando por mim e atravessando meu occipício, e soube que eu era estranhamente transparente para ela; que todos eram.

        Mas eu respondi:

        – Isso mesmo.

        – Interesse humano em robôs? Isso é uma contradição.

        – Não, doutora. Interesse pela senhora.

        – Bem, eu mesma já fui chamada de robô. Com certeza já lhe disseram que não sou humana.

        [...]

        Ela voltou para a mesa e sentou. De certo modo, ela não precisava de uma expressão no rosto para parecer triste.

        – Quantos anos você tem? – ela quis saber.

        – Trinta e dois – respondi.

        – Então não se lembra de um mundo sem os robôs. Houve um tempo em que a homem enfrentou o universo sozinho e sem amigos. Agora ele tem criaturas para ajudá-lo; criaturas mais fortes que ele próprio, mais fiéis, mais úteis e totalmente devotadas a ele. A humanidade não está mais sozinha. Já pensou sobre essa questão desse modo? [...] Para você, um robô é um robô. Engrenagens e metal; eletricidade e pósitrons. Mente e ferro! Fabricado por humanos! Se necessário, destruído por humanos! Mas você não trabalhou com eles, então não os conhece. Eles são uma espécie melhor e mais perfeita que a nossa.

        [...].

ASIMOV, Isaac. Eu, robô. Tradução de Aline Storto Pereira. São Paulo: Editora Aleph, 2014. p. 13-15. (Adaptado).

Fonte: Coleção Rotas. Língua Portuguesa. Ensino fundamental. Anos finais. 8º ano/Sandra Moura Severino (org.) – Brasília – Editora Edebê Brasil, 2020. p. 132-133.

Entendendo a ficção científica:

01 – De acordo com o texto, qual o significado das palavras abaixo:

-- Cérebro positrônico: invenção do autor para fazer referência ao cérebro dos robôs.

-- Cibernética: ciência que estuda os sistemas de comunicação e controle tanto nos seres vivos quanto nas máquinas.

-- Fotocélula: dispositivo que transforma a radiação luminosa em eletricidade.

-- Platina-irídio: elemento químico.

-- Telúrico: referente ao planeta Terra.

-- Occipício: parte posterior e inferior da cabeça.

-- Pósitrons: antipartículas dos elétrons. Possuem carga positiva e são utilizados, por exemplo, em exames médicos como ressonâncias e tomografias.

02 – De acordo com o texto, qual é a coincidência temporal entre o nascimento de Susan Calvin e a U.S. Robots?

a) Ambos surgiram no ano de 1982.

b) A Dra. Calvin nasceu quando a empresa completou 20 anos.

c) A U.S. Robots foi criada após o seminário de Psicomatemática.

d) A empresa foi fundada quando Susan se formou em 2003.

03 – Como era o primeiro robô móvel equipado com voz que Susan Calvin viu aos vinte anos?

a) Grande, desajeitado e com cheiro de óleo de máquina.

b) Pequeno, ágil e com aparência humana.

c) Um globo esponjoso de platina-irídio sem corpo fixo.

d) Uma máquina calculadora imóvel e silenciosa.

04 – Qual foi a grande inovação tecnológica que substituiu as antigas máquinas calculadoras do século XX?

a) O cérebro positrônico feito de platina-irídio.

b) A Enciclopédia Telúrica digital.

c) O sistema de voz para robôs mineiros.

d) A criação de robôs que não precisam de estímulos.

05 – Qual cargo Susan Calvin passou a ocupar na U.S. Robots após terminar seu doutorado em 2008?

a) Presidente da Companhia.

b) Engenheira de minas em Mercúrio.

c) Diretora de Pesquisas.

d) Psicóloga roboticista.

06 – No diálogo com o narrador, como Susan Calvin descreve a diferença entre a visão dela e a do público sobre os robôs?

a) Ela os vê como simples ferramentas de metal e eletricidade.

b) Ela acredita que os robôs são perigosos e precisam ser destruídos.

c) Ela os vê como máquinas desprovidas de qualquer tipo de mente.

d) Ela os considera uma espécie melhor e mais perfeita que a humana.

07 – O que Susan Calvin quer dizer ao afirmar que o homem costumava enfrentar o universo 'sozinho e sem amigos'?

a) Que a humanidade vivia em guerra constante antes de 1982.

b) Que os robôs substituirão os amigos humanos completamente.

c) Que a criação dos robôs trouxe companheiros fiéis e úteis para a espécie humana.

d) Que não existiam outras empresas além da U.S. Robots.

08 – Qual é a reação de Susan Calvin ao ser confrontada com o tema do 'interesse humano' na entrevista?

a) Ela considera contraditório o interesse humano em robôs.

b) Ela sorri para o entrevistador pela primeira vez.

c) Ela fica entusiasmada por poder contar sua história de vida.

d) Ela se sente ofendida por ser comparada a um robô.

 

HISTÓRIA: OS LOHIP-HOPBATOS EM A GUERRA DA RUA DOS SIAMIPÊS - FRAGMENTO - FLAVIO DE SOUZA - COM GABARITO

 História: Os Lohip-hopbatos em A guerra da rua dos siamipês – Fragmento

        2 – O bafafá

        [...]

        A Anita deu um sorrisenorme, como ela chama um sorrisão. E falou:

        -- Valeu, amigueterna. Vambora conhecer o novo vizinho?

        Daí a gente foi dar uma última olhada no espelho. E o Briel entrou correndo. Suado, de tanta pressa. Dizendo:

        -- Parece até que vocês vão pra uma balada. Eu preciso de reforço lá no campo de batalha!

Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiRr1Lcd5vkGsRTIL1IetG8davyoWNjJzn_z8wQhBrVTAtksHNBAgjeFoEcx73Hvw3naVlWlocwTpMu__CrWS1voBX24qNzN7mWrY-f2egYox7jTctqdsud8Bk6Pu27REwBJASijIfXLYh1d049-TEW1_74vysGZDFwRTcaa60T06G-XKQdec0LjIQHe8I/s1600/SIAMI.jpg 


        Eu falei:

        -- Calma, Briel. A gente já vai.

        A Anita disse:

        -- Não deu tempo de os ratos catarem o Antônio pra turma deles.

        O Briel falou, não, ele berrou:

        -- Como é que é? Ele está almoçando na casa do Alex! Eles estão todos almoçando na casa do Alex! Se a gente não fizer alguma coisa bem rápido vai ser 4 a 3 pra eles o resto da vida!

        [...]

SOUZA, Flavio de. Os Lohip-hopbatos em A guerra da rua dos siamipês. São Paulo: Companhia das Letrinhas, 2013. p. 16-17.

Fonte: Coleção Rotas. Língua Portuguesa. Ensino fundamental. Anos finais. 8º ano/Sandra Moura Severino (org.) – Brasília – Editora Edebê Brasil, 2020. p. 239.

Entendendo a história:

01 – Qual é o neologismo (palavra inventada) que Anita utiliza para descrever um "sorrisão" e como ela chama sua amiga?

      Anita utiliza a palavra "sorrisenorme" para descrever um sorriso grande e chama a amiga de "amigueterna" (amiga eterna).

02 – Por que o personagem Briel entra em cena correndo e suado?

      Briel está com muita pressa e agitação porque considera que está em um "campo de batalha" e acredita que precisa urgentemente de reforço para uma situação que está acontecendo na rua ou no bairro.

03 – Qual é a preocupação de Briel em relação ao placar ou à disputa mencionada no final do texto?

      Ele teme que, se não agirem rápido, o grupo adversário (referido como "os ratos") ficará em vantagem numérica ou de pontuação ("vai ser 4 a 3 pra eles o resto da vida"), já que o novo vizinho, Antônio, está almoçando com o grupo de Alex.

04 – Onde Antônio, o novo vizinho, se encontra no momento do "bafafá"?

      Antônio está almoçando na casa do Alex, junto com os outros integrantes daquele grupo.

05 – Como Anita e a narradora pretendiam se preparar antes da interrupção de Briel?

      Elas estavam se olhando no espelho e se arrumando, tanto que Briel comenta, de forma irônica ou impaciente, que "parece até que elas vão para uma balada".

 

NOTÍCIA: MORFOSSINTAXE - FLÁVIA DE BARROS CARONE - COM GABARITO

 Notícia: Morfossintaxe

            Flávia de Barros Carone

        Quando o falante de uma língua depara um conjunto de duas palavras, intuitivamente é levado a sentir entre elas uma relação sintática, mesmo que estejam fora de um contexto mais esclarecedor.

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEighEqMl5LNKWfFfVsqiQ2LcaL7lLFlbvuQT2e9XT_siHRyfqTuJtti7LwFHaGVEiH7jlfiCoWoppCPDQ93JWng66To8GAsITsy6NQW25tyslT4DwgxAzSwucmd3q8OnGQcBoVFtxH3bQZoEAMiUS4qdDl4prYkQmegpJ6WSGza4vn1cq8WsRUZf1z2oh8/s1600/MORFO.png


        Assim, além de captar o sentido básico das duas palavras, o receptor atribui-lhes uma gramática – formas e conexões. Isso acontece porque ele traz registrada em sua mente toda a sintaxe, todos os padrões conexionais possíveis em sua língua, o que o torna capaz de reconhece-los e identifica-los. As duas palavras não estão, para ele, apenas dispostas em ordem linear: estão organizadas em uma ordem estrutural.

        A diferença entre ordem estrutural e ordem linear torna-se clara se elas não coincidem, como nesta frase que um aluno criou em aula de redação, quando todos deviam compor um texto para outdoor, sobre uma fotografia da célebre cabra de Picasso: “Beba leite de cabra em pó!”. Como todos rissem, o autor da frase emendou: “Beba leite em pó de cabra!”.

        Pior a emenda do que o soneto.

Flávia de Barros Carone. Morfossintaxe, 1986. Adaptado.

Fonte: Coleção Rotas. Língua Portuguesa. Ensino fundamental. Anos finais. 8º ano/Sandra Moura Severino (org.) – Brasília – Editora Edebê Brasil, 2020. p. 200.

Entendendo a notícia:

01 – O que acontece intuitivamente quando um falante se depara com um conjunto de duas palavras, segundo o texto?

      O falante é levado a sentir uma relação sintática entre elas, mesmo que não haja um contexto maior. Além de entender o significado das palavras, ele atribui a elas uma "gramática", ou seja, formas e conexões baseadas nos padrões que já conhece.

02 – O que permite que o receptor identifique padrões conexionais em sua língua?

      Isso ocorre porque o falante já traz registrada em sua mente toda a sintaxe e os padrões possíveis de sua língua. Isso o torna capaz de reconhecer e organizar as palavras em uma ordem estrutural, e não apenas como uma lista linear.

03 – Qual é a diferença fundamental entre "ordem linear" e "ordem estrutural" mencionada pela autora?

      Ordem linear é a simples disposição das palavras uma após a outra na frase. Já a ordem estrutural é a organização lógica e hierárquica entre essas palavras, que define como elas se relacionam e qual sentido o conjunto produz.

04 – Por que a frase “Beba leite de cabra em pó!” causou riso nos alunos?

      Por causa de uma falha na ordem estrutural que gerou ambiguidade. A posição da expressão "em pó" logo após "cabra" sugere, na estrutura da frase, que a própria cabra é que está em pó, e não o leite.

05 – Por que a autora afirma que, na tentativa de correção (“Beba leite em pó de cabra!”), a emenda foi pior que o soneto?

      Porque a nova frase continua soando estranha ou gerando confusão sintática. Embora tente aproximar "em pó" de "leite", a estrutura "leite em pó de cabra" ainda cria uma conexão incomum, mostrando que a simples troca linear de palavras nem sempre resolve o problema de clareza da estrutura profunda da frase.

 

NOTÍCIA: KKKKK, JAJAJA, 5555: AS CURIOSAS FORMAS DE DIGITAR RISADAS EM VÁRIAS LÍNGUAS - FRAGMENTO - BBC-BRASIL - COM GABARITO

 Notícia: Kkkkk, jajaja, 5555: as curiosas formas de digitar risadas em várias línguas – Fragmento

        Quase ninguém sabe, mas o riso em espanhol é separado por vírgulas: ja,ja,ja,ja.

        Ao contrário do que normalmente é visto em bate-papos ou nas redes sociais hispânicas – jajajaja –, o uso de vírgula é uma recomendação feita pela Real Academia Espanhola (RAE) para onomatopeias como o riso.

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjDvsO7KaALM5RZ8pNclbERxalBH621JBNFYlvDTwV7xVkwJjpsxgdsm6GKs5bkme0sxbZAWR9PoKTa9LMcOrnl7dKk_Oq7tqTykFJB1No-3zdmEje4Mk4Iyvr-AO4SutBjRIPbWCZdjrmxkOwr9kyM13T_6KTLOXhUwA02ZmHZf2MoW5gK38G494NlKpo/s1600/JAJAJA.jpg
 

        Já no português, a expressão se traduz como uma sequência de letras "k", que acabam produzindo uma onomatopeia de risada: kkkkkk. Uma maneira alternativa de rir no idioma é "rsrsrs", [...]. Mas além do português e dos nossos vizinhos do espanhol, outras línguas têm formas peculiares de rir na internet.

        Em francês, o riso é escrito como "hahaha", mas também é comum encontrar um "mdr" como abreviação de mort de rire, ou seja, morrer de rir, de certa forma, parecido com o "lol", abreviação de laughing out loud (rindo bem alto), comum nos países de língua inglesa. Em italiano, a diferença está na ordem das letras, que começam com um "a" precedendo o "h", para formar um "ahahah".

        Se em alguma ocasião você encontrar uma mensagem informal em tailandês – um idioma da família Tai-Kadai predominante no sudeste da Ásia – com vários números 5, não estranhe. Não é um recado cifrado. Uma sequência deste número – 555555 – é como o riso é expresso por escrito, já que a pronúncia do numeral é quase idêntica ao "ja" em espanhol. E quanto mais cincos houver, mais graça o interlocutor deseja transmitir. Outra maneira curiosa de expressar o riso é encontrada no japonês. A palavra warai é usada na grafia do idioma e, dela, tira-se apenas a letra "w", que é repetida para indicar risos: wwwwww.

Kkkkk, jajaja, 5555: as curiosas formas de digitar risadas em várias línguas.BBC-Brasil, 5 set. 2019. Disponível em:  https://www.bbc.com/portuguese/internacional-49574751. Acesso em: 15 out. 2020. (Adaptado).

Fonte: Coleção Rotas. Língua Portuguesa. Ensino fundamental. Anos finais. 8º ano/Sandra Moura Severino (org.) – Brasília – Editora Edebê Brasil, 2020. p. 217.

Entendendo a notícia:

01 – De acordo com a Real Academia Espanhola (RAE), qual é a forma gramaticalmente correta de escrever o riso em espanhol?

      A recomendação oficial da RAE é que o riso seja escrito como uma onomatopeia separada por vírgulas, ou seja: "ja, ja, ja, ja". Isso difere do uso comum em redes sociais, onde as pessoas costumam digitar de forma contínua ("jajajaja").

02 – Por que o número "5" é utilizado para representar risadas na Tailândia?

      O uso do "55555" ocorre porque a pronúncia do número cinco em tailandês é quase idêntica ao som de "ja". Assim, repetir o número cria uma sonoridade semelhante a uma gargalhada, e quanto mais números são usados, maior é a intensidade do riso.

03 – Qual é a origem da forma de rir "wwwwww" utilizada no Japão?

      Essa forma deriva da palavra japonesa warai (que significa riso ou sorriso). Os internautas passaram a utilizar apenas a letra inicial "w" de forma repetida para indicar que estão rindo.

04 – No francês, além do tradicional "hahaha", quais outras expressões são comuns e o que elas significam?

      É muito comum o uso da abreviação "mdr", que significa mort de rire (morrer de rir). O texto também menciona que essa expressão se assemelha ao "lol" (laughing out loud) utilizado nos países de língua inglesa.

05 – Qual é a particularidade do riso em italiano mencionada no texto em comparação com outras línguas que usam o "h"?

      A diferença principal está na ordem das letras. Enquanto muitas línguas começam com o "h" (hahaha), no italiano a letra "a" precede o "h", formando a sequência "ahahah".

 

 

REPORTAGEM: ARTE NA RUA PODE AJUDAR RECUPERAÇÃO DO SETOR NO PÓS-PANDEMIA, DIZ PRODUTOR CULTURAL - JORGE FREIRE - COM GABARITO

 Reportagem: Arte na rua pode ajudar recuperação do setor no pós-pandemia, diz produtor cultural

        Jorge Freire aposta que solução da crise nessa área passa pela ocupação de espaços públicos

        RIO — O futuro das artes pode estar no caminho de volta às suas origens. Ruas, praças, parques e outros espaços ao ar livre ocupados com espetáculos de dança, música e teatro é o que o ator e produtor cultural Jorge Freire espera ver quando a pandemia da Covid-19 passar e o artista puder ir aonde o povo está. Esse cenário democratizaria o acesso às manifestações artísticas no momento em que tudo leva a crer que os ingressos para eventos estarão com os preços elevados, efeito inevitável da redução das plateias em locais fechados. Mas para que o desejo deste morador da Tijuca se torne realidade, é preciso que haja políticas públicas nesse sentido.

Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhlasgkI-_fyPcUvPz-NH5tjT-lV1a-H1rak_5ETV94AeKrI-hQnCefa8al8mDF4C9-M1CQr8nzxBq03nMGElqntXPPQ4sAenqcYwUZs20p0IjKTtZUsCnYIB6mzYanQqjkCMGaP_SzhYLq5K-tWTdNiLQnku1p8qwPs5NbPg0MaeGKleSoy5z0Vjrp6fM/s320/RUA.jpg 


        — A ocupação do espaço público é uma vocação natural do carioca, sobretudo nos subúrbios. Acredito que a reconstrução do setor pós-pandemia pode estar no incentivo à efervescência cultural que acontece, por exemplo, em Madureira, e que pode se fazer presente em outros bairros da Zona Norte. A Praça Varnhagem, na Tijuca, tem uma grande ebulição gastronômica, mas pode ganhar investimentos públicos em economia criativa. Por que não? O acesso à cultura é um direito constitucional que sob hipótese alguma está abaixo de outros direitos, como saúde e educação. A capacidade criativa brasileira é nosso maior patrimônio cultural, e é dever dos governantes potencializá-la.

        Mais do que um direito constitucional, a cultura é uma necessidade básica para a existência humana e um motor de peso para a economia nas esferas municipal, estadual e federal, assegura Freire:

        — A arte é essencial não só para nos salvar do tédio imposto por essa crise causada pelo novo coronavírus, mas também para nos levar à reflexão, nos unir como povo, pavimentar uma identidade nacional que faz o retrato do que somos. Não podemos perder a dimensão que a cultura tem, em especial no Rio, onde o turismo, o carnaval, a música, são importantes vetores econômicos no campo do entretenimento. Não dá para abrir mão da cultura, achar que esse setor é algo menor. Não é! O que seriam dos Estados Unidos se não fosse o cinema americano? Foi a sétima arte que levou para o mundo inteiro a vontade de consumir o que eles consomem.

        Como cidadão, ator e produtor cultural, Freire luta para que a cultura seja colocada no patamar que lhe é de direito.

        — A certeza que fica em meio a essa crise é que, mais do que nunca, as políticas culturais precisam entrar em curso. Financiamento público para a arte é uma questão urgente para que se possa recomeçar. Esse setor paga imposto, movimenta a economia, enfim, merece respeito por parte de qualquer governo. Só para se ter uma ideia em relação ao PIB (Produto Interno Bruto), a cultura arrecada mais do que a indústria têxtil brasileira. A cultura é bem público feito por particular, então a expectativa é que o estado assuma a sua função de fazer valer a Constituição — diz.

        Apesar de ser um crítico das políticas públicas em relação ao setor, Freire vê com bons olhos o auxílio emergencial que vai beneficiar profissionais da cultura e pequenos espaços de espetáculos:

        — Essa é uma ajuda necessária e mais do que bem-vinda, porque muita gente dessa área está enfrentando uma grave crise financeira, muitos com risco até de passar fome. Mas não posso deixar de registrar que o dinheiro é pouco diante de todas as perdas que tivemos.

JESUS, Regiane. Arte na rua pode ajudar recuperação do setor no pós-pandemia, diz produtor cultural. O Globo, 15 jul. 2020. Disponível em: https://oglobo.com/rio/bairros/arte-na-rua-pode-ajudar-recuperacao-do-setor-no-pos-pandemia-diz-produtor-cultural-1-24523336. Acesso em: 22 out. 2020.

Fonte: Coleção Rotas. Língua Portuguesa. Ensino fundamental. Anos finais. 8º ano/Sandra Moura Severino (org.) – Brasília – Editora Edebê Brasil, 2020. p. 230-231.

Entendendo a reportagem:

01 – Qual é a principal aposta de Jorge Freire para a recuperação do setor cultural após a pandemia?

      A principal aposta é a ocupação de espaços públicos ao ar livre, como ruas, praças e parques, com espetáculos de dança, música e teatro. Para ele, o futuro das artes pode estar justamente no retorno às suas origens, onde o artista vai "aonde o povo está".

02 – Por que a ocupação de espaços abertos é vista como uma forma de democratizar o acesso à cultura no pós-pandemia?

      Porque a tendência é que os ingressos para eventos em locais fechados fiquem mais caros, devido à redução obrigatória das plateias por questões de segurança. A arte na rua elimina essa barreira financeira, permitindo que mais pessoas tenham acesso às manifestações artísticas.

03 – Quais regiões do Rio de Janeiro são citadas como exemplos de vocação para a ocupação do espaço público?

      O produtor cita os subúrbios da Zona Norte, com destaque para a efervescência cultural de Madureira e a ebulição gastronômica da Praça Varnhagem, na Tijuca, sugerindo que estes locais deveriam receber investimentos públicos em economia criativa.

04 – Como Jorge Freire justifica a importância da cultura em relação aos direitos garantidos pela Constituição?

      Ele afirma que o acesso à cultura é um direito constitucional que não deve ser considerado inferior a outros direitos, como saúde e educação. Freire ressalta que é dever dos governantes potencializar a capacidade criativa brasileira, que ele define como nosso "maior patrimônio".

05 – Qual é o argumento econômico utilizado pelo produtor para defender o investimento no setor cultural?

      Freire destaca que a cultura é um importante vetor econômico que movimenta o entretenimento, o turismo e o carnaval. Ele revela um dado comparativo relevante: em relação ao PIB (Produto Interno Bruto), o setor cultural arrecada mais do que a indústria têxtil brasileira.

06 – Que exemplo internacional é citado no texto para ilustrar a influência da arte na economia e no consumo?

      O produtor cita o cinema americano (a sétima arte). Ele argumenta que foi através dos filmes que os Estados Unidos conseguiram exportar para o mundo inteiro o desejo de consumir seus produtos e sua cultura.

07 – Qual é a opinião de Jorge Freire sobre o auxílio emergencial destinado aos profissionais da cultura?

      Ele vê o auxílio como uma medida necessária e bem-vinda, já que muitos profissionais enfrentam uma crise financeira grave. No entanto, faz uma ressalva crítica: pontua que o valor destinado é pequeno diante de todas as perdas sofridas pelo setor durante a pandemia.

 

 

CARTA AO LEITOR: O FUTURO DA EDUCAÇÃO - FRAGMENTO - VEJA - COM GABARITO

 Carta ao Leitor: O futuro da educação – Fragmento

          É caminho sem volta: recursos tecnológicos precisam urgentemente ser aplicados com inteligência na instrução de crianças e jovens brasileiros

        “Eduquem as crianças, e não será necessário punir os adultos”, escreveu o filósofo e matemático grego Pitágoras (570 a.C.-495 a.C.), numa frase que atravessou milênios sem nunca ter perdido sua perturbadora relevância. A educação, não há dúvida, é o melhor termômetro para medir o avanço de qualquer sociedade, longa estrada a ligar o passado, o presente e o futuro das civilizações. A pandemia do novo coronavírus, que tem forçado a humanidade a se reinventar, mexeu com os alicerces de quase tudo, na economia, no trabalho, na diversão — mas poucas transformações foram mais ruidosas do que a transposição das salas de aula para a casa dos alunos. 

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiYuKmI5LHGWZpyIr9iIu82dTUXAGDw63BVZdGwMA3i4T7EDSvT2uWqpYqj8j21qb7HS68uN_3dS5YlSibv48I7baBQG_ynwqSoJNJZbMdTl2RuVj48Y5sttTw8S7-8Vhk3Hrazb9TTXJoFXk4-_GASJ2839NVVQtVQMTFcTwkhi4CBLo_ACypLcEXmQ7o/s1600/LEITOR.jpg


O ensino on-line, compulsório e emergencial, pegou de surpresa as instituições educacionais, professores e pais — e expôs, inapelavelmente, as mazelas históricas do sistema brasileiro, da infância à idade adulta. [...] Uma pesquisa do Instituto Península com 7 700 professores do ensino fundamental ao médio mostra que 83% deles se sentem despreparados para preleções a distância. Vire-se a câmera de videoconferência para o outro lado, e o que se percebe, no cotidiano doméstico, são famílias tensas, estudantes desatentos, cansados, invariavelmente distraídos com outros atrativos – sobretudo os menores. É assim nos colégios privados, e pior, muito pior, nos públicos. [...].

        Os tropeços, contudo, podem servir de amarga experiência para o que virá em seguida, com correções e um olhar inédito, mais cuidadoso [...]. Não será fácil, e desde já há uma indagação: como recuperar o conteúdo perdido? Uma reportagem desta edição de VEJA, coordenada pela editora Sofia Cerqueira, mergulha nas dificuldades atuais e mostra as saídas possíveis do que virá amanhã. Sabe-se que a rotina será feita de medidas de segurança, com máscaras, distanciamento, revezamento de presença etc. Mas haverá uma outra mudança, inevitável: o uso de recursos tecnológicos, estes com os quais ainda não aprendemos a lidar — e que precisam urgentemente ser aplicados com inteligência na instrução de crianças e jovens brasileiros. É caminho sem volta, que países como a Finlândia e a Coreia do Sul já trilham há algum tempo, muito antes do surto. Trata-se, enfim, de aproveitar o momento para iniciar o salto educacional tão esperado, eternamente adiado, como se a máxima de Pitágoras pudesse ser apagada. Não pode. Não há futuro para um país sem educação de qualidade.

Carta ao leitor: O futuro da educação. Veja, Edição 2693, 1 jul. 2020. Disponível em: https://veja.abril.com.br/revista-veja/carta-ao-leitor-o-futuro-da-educacao. Acesso em: 16 out. 2020.

Fonte: Coleção Rotas. Língua Portuguesa. Ensino fundamental. Anos finais. 8º ano/Sandra Moura Severino (org.) – Brasília – Editora Edebê Brasil, 2020. p. 222.

Entendendo a carta:

01 – Como a frase de Pitágoras é utilizada para fundamentar o argumento central do texto?

      A frase "Eduquem as crianças, e não será necessário punir os adultos" serve para enfatizar que a educação é a base de qualquer sociedade civilizada. O autor a utiliza para mostrar que investir no ensino não é apenas uma escolha pedagógica, mas a única forma de garantir o futuro e o progresso de um país, evitando problemas sociais maiores no futuro.

02 – Segundo o texto, o que a pandemia do novo coronavírus "expôs inapelavelmente" em relação ao sistema de ensino brasileiro?

      A pandemia expôs as mazelas históricas do sistema educacional brasileiro, da infância à idade adulta. O ensino on-line emergencial revelou a falta de preparo das instituições e dos professores, além das dificuldades das famílias e a desigualdade profunda entre o ensino público e o privado.

03 – Quais dados o texto apresenta para ilustrar o despreparo dos docentes e as dificuldades dos alunos com o ensino a distância?

      O texto cita uma pesquisa do Instituto Península, indicando que 83% dos professores de ensino fundamental e médio se sentem despreparados para dar aulas remotas. Além disso, descreve o lado dos alunos como um cenário de famílias tensas e estudantes desatentos, cansados e distraídos, especialmente os mais novos.

04 – O autor defende que o uso de recursos tecnológicos na educação é uma escolha temporária ou definitiva? Justifique.

      É defendido como uma mudança definitiva e inevitável, um "caminho sem volta". O autor afirma que esses recursos precisam ser aplicados com inteligência na instrução de crianças e jovens, seguindo o exemplo de países como Finlândia e Coreia do Sul, que já adotavam essas tecnologias muito antes da crise sanitária.

05 – Qual é a visão do autor sobre os "tropeços" e as dificuldades enfrentadas durante a transposição das salas de aula para a casa?

      O autor acredita que as dificuldades podem servir como uma "amarga experiência" para o futuro. O objetivo seria aproveitar o momento de crise para realizar correções, adotar um olhar mais cuidadoso e dar o "salto educacional" que o Brasil sempre adiou, visando finalmente uma educação de qualidade.

 

sábado, 4 de abril de 2026

PARÁBOLA: O BAMBU AMADO - COM GABARITO

 Parábola: O Bambu amado


Um belo dia, numa plantação qualquer de bambus, o vento resolveu soprar e a brisa mansa desse ventinho permitia que o bambuzal se mexesse bastante desordenadamente de um lado para o outro e vice versa...era uma boa para os bambus que além de refrescar aproveitassem para dar uma destorcidinha no que estava parado!

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEix-lFJWgh6R94L6gEikMqy6U_Vo8jgNxeJEV6gulJGZcBikVSJoO-liSu6PwbeeyWpJAA3v0ZPjCmDNyPU4BLwGYE9InK9rN4U90Nqin3bzVsKEwXoyexmNsgxieVHYED22hmZvVAADnZ8kQbcWSc4ySC7_s99GGdnVnBMlDamh_RNUI48T-o3dL0zYsQ/s1600/BAMBU.jpg


Mas como todo bambuzal que se preze, este não era diferente: havia um dono desse bambuzal que neste dia coincidentemente chegou junto com o vento. Qual foi a surpresa do bambuzal em ver o seu dono, todos no mesmo instante ficaram cheios de Alegria e destemor pois aquele que cuidava com tanto carinho deles chegava com seu sorriso para olhar sua estimada plantação! Porem havia no mesmo lugar ao lado um campo ermo, de difícil plantação, terra ressequida pertencente ao mesmo dono.
No bambuzal existia um bambu que era muito mais bonito e vivente que os outros. Existia nele uma diferença patente sobre o restante dos bambus que muitas vezes incomodava, mas era natural nele e, devido também toda a sua dedicação ao dono, se tornava cada vez mais diferente e bonito.
A Felicidade desse bambu era ver seu dono chegando e contemplando-o com esmero.
Porém, num certo dia de vento também, o bambu amado (porque amava demais também) foi surpreendido por seu dono tão querido numa proposta que há muito tempo ele esperava. Era chegada a hora do bambu servir e servir com a mesma dedicação que tinha desde o seu nascimento.
O dono do bambu chegou lá pelas 5 da tarde, olhou seu bambu amado, acariciou-o e lhe disse:

“BAMBU AMADO, CHEGOU O SEU TEMPO DE ME SERVIR E ESTE É O MOMENTO!”
O bambu ficou entusiasmadíssimo com tal proposta e na mesma correria que amava o dono, apressou-se em dizer: “SIM AMADO DONO, SE ME CHEGOU A HORA ESTOU AQUI!”

O dono sabia desse sim e logo amou mais ainda o bambu. Contudo, o dono do bambu teve que lhe falar sobre esse serviço especial e continuou dizendo: “MAS PARA QUE ME SIRVA, BAMBU AMADO, TENHO QUE LHE TIRAR DO LUGAR EM QUE VOCÊ ESTÁ!”
O bambu estranhou pois sabia que isso iria prejudicá-lo muito mas no mesmo instante disse ao dono: SABE DAS COISAS MEU DONO, E SABE DE MIM, ME ALEGRO E FAÇA COM QUE EU LHE SIRVA BEM!
O dono mais alegre ainda continuou: BAMBU AMADO, NÃO BASTA QUE TE ARRANQUE DE SEU LUGAR MAS VOU PRECISAR CORTÁ-LO COM UM FACÃO PARA PARTI-LO AO MEIO!
Surpreso, o bambu se pôs a tentar entender tal proposta e começou a fica um pouco triste pois sua beleza, seu encanto, suas firmezas, seu apoio, tudo seria tirado e isso lhe faria não ser mais o bambu que outrora brilhou! Porém, mesmo entristecido e sem entender precisou toda sua alegria já comprometida na satisfação que seu dono teria de um sim e não pensou mais: “SE ASSIM É QUE PRECISAS DE MIM QUE EU POSSA LHE ALEGRA, EIS-ME AQUI...PRONTO!”

O dono sabia disso e percebia que o bambu não estava tão alegre quanto o início da conversa, mas sabia da fidelidade do amado bambu. Não obstante o dono logo lhe disse sem muitas palavras: “AMADO BAMBU, MESMO QUE ME SIRVA AINDA PRECISO DIZER: NÃO LHE BASTA QUE O ARRANQUE E O CORTE COM UM FACÃO, É PRECISO QUE EU O SEQUE E DESCARACTERIZE TEUS JEITOS DE BAMBU, TUA BELEZA E MESMO TODA TUA ALEGRIA!”
O bambu, no silencio entristecido, derramava uma lágrima de dor profunda e de desentendimento. Já não sabia mais o porquê  disso tudo nem o porquê  de seu dono lhe queria assim. O maior sofrimento do bambu era por não entender esse amor que criou, permitiu que fosse o mais lindo e vistoso e de uma hora pra outra lhe pedia quase que a própria morte.
Qual foi sua surpresa antes de responder ao dono o mesmo indagou: “MAS AMADO BAMBU, MESMO DEPOIS DISSO TUDO VOU PRECISAR TIRA-TE A VIDA E NUNCA MAIS SERAS UM BAMBU!”

Foi nesse instante que o bambu simplesmente parou e não disse uma só palavra! Mas seu dono continuou: “CONTUDO, BAMBU AMADO, VOU ARRANCAR-LHE O CORAÇÃO E TUDO O QUE NELE TEM, GUARDAREI ETERNAMENTE COMIGO E NUNCA ELE ME SERÁ ROUBADO. DE TUA CASCA TIRAREI O MELHOR: TEU CORAÇÃO...TEU TESOURO...TUA VIDA...SERÁS MAIS MEU DO QUE NESSA CONDIÇÃO DE BAMBU!”
Foi aí que o pobre bambu entendeu não os motivos do dono mas o tipo de Amor com Ele o amava e sustentado por esse desentendimento que compreende todas as coisas, o bambu se voltou em prantos mas com um suave e sereno e lhe disse bem baixo mas convictamente: “ENTENDO QUE ME ENTENDES, MEU DONO E TANTO QUE ME ROUBAS O MELHOR! SOU TEU PRISIONEIRO E FAZ DE MIM O QUE PRECISAS!”

Foi aí que o dono consumou seus desejos: Arrancou o bambu, cortou-lhe ao meio com um facão, secou-o e descaracterizou-o e já sem vida nenhuma física lhe tirou o coração e guardou-o consigo para que nunca mais fosse roubado! E o que era um vistoso e lindo bambu se tornava dois simples pedaços de coisa ressecada. Contudo, aquele nada se tornava o veículo de água para que se levasse umidade ao outro solo do dono que precisava de plantação e assim o saudoso bambu era o que de mais precioso o dono tinha!
Acredito que o dono também chorava nesse instante até de saudade do bambu mas tinha seu coração guardado e isso bastava ao dono!

Entendendo o texto

 

01. Qual era a principal característica que diferenciava o "bambu amado" dos outros bambus da plantação?

a. Ele era o mais alto e conseguia ver o que acontecia fora do bambuzal.

b. Ele era o mais bonito, vivente e possuía uma dedicação extrema ao seu dono.

c. Ele era o único capaz de resistir aos fortes ventos que sopravam às 5 da tarde.

d. Ele tinha a capacidade de falar e aconselhar os outros bambus menos experientes.

02. Por que o bambu começou a ficar triste durante a conversa com o dono?

a. Porque percebeu que o dono gostava mais do campo ermo e seco do que dele.

b. Porque o dono chegou atrasado para o momento da colheita e o vento já tinha passado.

c. Porque o dono revelou que, para servir, o bambu teria que perder sua beleza, sua forma e sua identidade original.

d. Porque ele não queria ser transformado em um objeto de decoração para a casa do dono.

03. Qual foi a condição final imposta pelo dono que deixou o bambu em silêncio e profunda dor?

a. A exigência de que o bambu deveria ser plantado em outra terra muito distante.

b. O fato de que o dono iria retirar-lhe a vida, tirar o seu coração e ele nunca mais seria um bambu.

c. A notícia de que ele seria vendido para outro proprietário que não cuidava bem das plantas.

d. A necessidade de o bambu aprender a crescer sem a ajuda da brisa e do sol.

04. O que o dono fez com o "coração" (o interior) do bambu após cortá-lo?

a. Jogou-o no campo ermo para que servisse de adubo para a nova plantação.

b. Devolveu-o à terra para que um novo e mais bonito bambu pudesse nascer.

c. Guardou-o eternamente consigo para que nunca fosse roubado.

d. Transformou-o em sementes para distribuir por todo o bambuzal.

05. Qual foi o propósito final do sacrifício do bambu, conforme revelado no desfecho da história?

a. Tornar-se um ornamento de luxo que o dono exibiria com orgulho.

b. Servir de lenha para aquecer o dono durante os dias de vento frio.

c. Provar aos outros bambus que a obediência é o único caminho para a beleza.

d. Tornar-se um canal (veículo) de água para levar umidade e vida ao solo seco e ermo do dono.