Carta ao Leitor: O futuro da educação – Fragmento
É caminho sem volta:
recursos tecnológicos precisam urgentemente ser aplicados com inteligência na
instrução de crianças e jovens brasileiros
“Eduquem as crianças, e não será necessário punir os adultos”, escreveu o filósofo e matemático grego Pitágoras (570 a.C.-495 a.C.), numa frase que atravessou milênios sem nunca ter perdido sua perturbadora relevância. A educação, não há dúvida, é o melhor termômetro para medir o avanço de qualquer sociedade, longa estrada a ligar o passado, o presente e o futuro das civilizações. A pandemia do novo coronavírus, que tem forçado a humanidade a se reinventar, mexeu com os alicerces de quase tudo, na economia, no trabalho, na diversão — mas poucas transformações foram mais ruidosas do que a transposição das salas de aula para a casa dos alunos.
Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiYuKmI5LHGWZpyIr9iIu82dTUXAGDw63BVZdGwMA3i4T7EDSvT2uWqpYqj8j21qb7HS68uN_3dS5YlSibv48I7baBQG_ynwqSoJNJZbMdTl2RuVj48Y5sttTw8S7-8Vhk3Hrazb9TTXJoFXk4-_GASJ2839NVVQtVQMTFcTwkhi4CBLo_ACypLcEXmQ7o/s1600/LEITOR.jpgO ensino on-line, compulsório e emergencial, pegou de surpresa as instituições educacionais, professores e pais — e expôs, inapelavelmente, as mazelas históricas do sistema brasileiro, da infância à idade adulta. [...] Uma pesquisa do Instituto Península com 7 700 professores do ensino fundamental ao médio mostra que 83% deles se sentem despreparados para preleções a distância. Vire-se a câmera de videoconferência para o outro lado, e o que se percebe, no cotidiano doméstico, são famílias tensas, estudantes desatentos, cansados, invariavelmente distraídos com outros atrativos – sobretudo os menores. É assim nos colégios privados, e pior, muito pior, nos públicos. [...].
Os tropeços, contudo, podem servir de
amarga experiência para o que virá em seguida, com correções e um olhar
inédito, mais cuidadoso [...]. Não será fácil, e desde já há uma indagação:
como recuperar o conteúdo perdido? Uma reportagem desta edição de VEJA,
coordenada pela editora Sofia Cerqueira, mergulha nas dificuldades atuais e
mostra as saídas possíveis do que virá amanhã. Sabe-se que a rotina será feita
de medidas de segurança, com máscaras, distanciamento, revezamento de presença
etc. Mas haverá uma outra mudança, inevitável: o uso de recursos tecnológicos,
estes com os quais ainda não aprendemos a lidar — e que precisam urgentemente
ser aplicados com inteligência na instrução de crianças e jovens brasileiros. É
caminho sem volta, que países como a Finlândia e a Coreia do Sul já trilham há
algum tempo, muito antes do surto. Trata-se, enfim, de aproveitar o momento
para iniciar o salto educacional tão esperado, eternamente adiado, como se a
máxima de Pitágoras pudesse ser apagada. Não pode. Não há futuro para um país
sem educação de qualidade.
Carta ao leitor: O
futuro da educação. Veja, Edição 2693, 1 jul. 2020. Disponível em: https://veja.abril.com.br/revista-veja/carta-ao-leitor-o-futuro-da-educacao.
Acesso em: 16 out. 2020.
Fonte: Coleção Rotas.
Língua Portuguesa. Ensino fundamental. Anos finais. 8º ano/Sandra Moura
Severino (org.) – Brasília – Editora Edebê Brasil, 2020. p. 222.
Entendendo a carta:
01 – Como a frase de Pitágoras
é utilizada para fundamentar o argumento central do texto?
A frase
"Eduquem as crianças, e não será necessário punir os adultos" serve
para enfatizar que a educação é a base de qualquer sociedade civilizada. O
autor a utiliza para mostrar que investir no ensino não é apenas uma escolha
pedagógica, mas a única forma de garantir o futuro e o progresso de um país,
evitando problemas sociais maiores no futuro.
02 – Segundo o texto, o que a
pandemia do novo coronavírus "expôs inapelavelmente" em relação ao
sistema de ensino brasileiro?
A pandemia expôs
as mazelas históricas do sistema educacional brasileiro, da infância à idade
adulta. O ensino on-line emergencial revelou a falta de preparo das
instituições e dos professores, além das dificuldades das famílias e a
desigualdade profunda entre o ensino público e o privado.
03 – Quais dados o texto
apresenta para ilustrar o despreparo dos docentes e as dificuldades dos alunos
com o ensino a distância?
O texto cita uma
pesquisa do Instituto Península, indicando que 83% dos professores de ensino
fundamental e médio se sentem despreparados para dar aulas remotas. Além disso,
descreve o lado dos alunos como um cenário de famílias tensas e estudantes
desatentos, cansados e distraídos, especialmente os mais novos.
04 – O autor defende que o uso
de recursos tecnológicos na educação é uma escolha temporária ou definitiva?
Justifique.
É defendido como
uma mudança definitiva e inevitável, um "caminho sem volta". O autor
afirma que esses recursos precisam ser aplicados com inteligência na instrução
de crianças e jovens, seguindo o exemplo de países como Finlândia e Coreia do
Sul, que já adotavam essas tecnologias muito antes da crise sanitária.
05 – Qual é a visão do autor
sobre os "tropeços" e as dificuldades enfrentadas durante a
transposição das salas de aula para a casa?
O autor acredita
que as dificuldades podem servir como uma "amarga experiência" para o
futuro. O objetivo seria aproveitar o momento de crise para realizar correções,
adotar um olhar mais cuidadoso e dar o "salto educacional" que o
Brasil sempre adiou, visando finalmente uma educação de qualidade.
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