domingo, 12 de abril de 2026

FICÇÃO CIENTÍFICA: EU, ROBÔ - FRAGMENTO - ISAAC ASIMOV - COM GABARITO

 Ficção científica: Eu, robô – Fragmento

             Isaac Asimov

        Olhei para minhas anotações e não gostei delas. Eu tinha passado três dias na U.S. Robots e poderia muito bem tê-los passado em casa, com a Enciclopédia Telúrica.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiQWyXYTyH0LY3MRgV8ZLQv-KZ4SjMqtq-jXax2TcmKiM4VvtRGE3z41ptdL-uD9wWxmu1d2you7aGThJlG6DU4rAaYJrPdh5ky2y4K-j6PpXa6IKkU7sCJlnMBmyN56fHKbKJ5THnIx_gzUcvCbaKpqX19gXvfcT7fnAUaoj-wMrZAVa_ZHw9x-P4xooc/s320/EU.jpg


        Susan Calvin havia nascido no ano de 1982, disseram-me, o que queria dizer que ela tinha setenta e cinco anos de idade. [...] a U.S. Robots and Mechanical Men, Inc. também tinha setenta e cinco anos, uma vez que fora no ano de nascimento da Dra. Calvin que Lawrence Robertson conseguira os documentos de constituição do que viria a ser o mais estranho gigante industrial da história da humanidade. [...]

        Aos vinte anos, Susan Calvin participara de um seminário específico sobre Psicomatemática, no qual o Dr. Alfred Lanning, da U.S. Robots, apresenta o primeiro robô móvel a ser equipado com voz. Era um robô grande, desajeitado e feio, cheirava a óleo de máquina e fora destinado a trabalhar nas minas projetadas em Mercúrio. Mas podia falar e se fazer entender.

        [...]

        Ela se formou em bacharel na Universidade de Columbia, em 2003, e começou a pós-graduação em cibernética.

        Tudo o que havia sido feito em meados do século XX em relação a “máquinas calculadoras” foi revirado por Robertson e por suas vias de cérebro positrônico. Os quilômetros de retransmissões fotocélulas tinham dado lugar ao globo esponjoso de platina-irídio mais ou menos do tamanho de um cérebro humano.

        Ela aprendeu a calcular os parâmetros necessários para corrigir possíveis variáveis no “cérebro positrônico”; a construir “cérebros” na teoria, de forma que as respostas dadas aos estímulos podiam ser previstas com exatidão.

        [...]

        Em 2008, ela terminou o doutorado e começou a trabalhar no quadro da U.S. Robôs, na qualidade de “psicóloga roboticista”, tornando-se a primeira grande profissional de uma nova ciência. Lawrence Robertson ainda era o presidente da companhia; Alfred Lanning tinha se tornado diretor de pesquisas.

        Durante cinquenta anos, ela observou o progresso humano mudar de direção – e dar um salto adiante.

        Agora ela estava se aposentando [...].

        – Dra. Calvin, – disse eu [...] –, aos olhos do público a senhora e a U.S. Robots são idênticos. Sua aposentadoria vai encerrar uma era e...

        – Você quer abordar o tema pelo ângulo do interesse humano? – Ela não sorriu para mim. Acho que ela não sorria nunca. Mas seu olhar era penetrante, embora não mostrasse raiva. Senti-o passando por mim e atravessando meu occipício, e soube que eu era estranhamente transparente para ela; que todos eram.

        Mas eu respondi:

        – Isso mesmo.

        – Interesse humano em robôs? Isso é uma contradição.

        – Não, doutora. Interesse pela senhora.

        – Bem, eu mesma já fui chamada de robô. Com certeza já lhe disseram que não sou humana.

        [...]

        Ela voltou para a mesa e sentou. De certo modo, ela não precisava de uma expressão no rosto para parecer triste.

        – Quantos anos você tem? – ela quis saber.

        – Trinta e dois – respondi.

        – Então não se lembra de um mundo sem os robôs. Houve um tempo em que a homem enfrentou o universo sozinho e sem amigos. Agora ele tem criaturas para ajudá-lo; criaturas mais fortes que ele próprio, mais fiéis, mais úteis e totalmente devotadas a ele. A humanidade não está mais sozinha. Já pensou sobre essa questão desse modo? [...] Para você, um robô é um robô. Engrenagens e metal; eletricidade e pósitrons. Mente e ferro! Fabricado por humanos! Se necessário, destruído por humanos! Mas você não trabalhou com eles, então não os conhece. Eles são uma espécie melhor e mais perfeita que a nossa.

        [...].

ASIMOV, Isaac. Eu, robô. Tradução de Aline Storto Pereira. São Paulo: Editora Aleph, 2014. p. 13-15. (Adaptado).

Fonte: Coleção Rotas. Língua Portuguesa. Ensino fundamental. Anos finais. 8º ano/Sandra Moura Severino (org.) – Brasília – Editora Edebê Brasil, 2020. p. 132-133.

Entendendo a ficção científica:

01 – De acordo com o texto, qual o significado das palavras abaixo:

-- Cérebro positrônico: invenção do autor para fazer referência ao cérebro dos robôs.

-- Cibernética: ciência que estuda os sistemas de comunicação e controle tanto nos seres vivos quanto nas máquinas.

-- Fotocélula: dispositivo que transforma a radiação luminosa em eletricidade.

-- Platina-irídio: elemento químico.

-- Telúrico: referente ao planeta Terra.

-- Occipício: parte posterior e inferior da cabeça.

-- Pósitrons: antipartículas dos elétrons. Possuem carga positiva e são utilizados, por exemplo, em exames médicos como ressonâncias e tomografias.

02 – De acordo com o texto, qual é a coincidência temporal entre o nascimento de Susan Calvin e a U.S. Robots?

a) Ambos surgiram no ano de 1982.

b) A Dra. Calvin nasceu quando a empresa completou 20 anos.

c) A U.S. Robots foi criada após o seminário de Psicomatemática.

d) A empresa foi fundada quando Susan se formou em 2003.

03 – Como era o primeiro robô móvel equipado com voz que Susan Calvin viu aos vinte anos?

a) Grande, desajeitado e com cheiro de óleo de máquina.

b) Pequeno, ágil e com aparência humana.

c) Um globo esponjoso de platina-irídio sem corpo fixo.

d) Uma máquina calculadora imóvel e silenciosa.

04 – Qual foi a grande inovação tecnológica que substituiu as antigas máquinas calculadoras do século XX?

a) O cérebro positrônico feito de platina-irídio.

b) A Enciclopédia Telúrica digital.

c) O sistema de voz para robôs mineiros.

d) A criação de robôs que não precisam de estímulos.

05 – Qual cargo Susan Calvin passou a ocupar na U.S. Robots após terminar seu doutorado em 2008?

a) Presidente da Companhia.

b) Engenheira de minas em Mercúrio.

c) Diretora de Pesquisas.

d) Psicóloga roboticista.

06 – No diálogo com o narrador, como Susan Calvin descreve a diferença entre a visão dela e a do público sobre os robôs?

a) Ela os vê como simples ferramentas de metal e eletricidade.

b) Ela acredita que os robôs são perigosos e precisam ser destruídos.

c) Ela os vê como máquinas desprovidas de qualquer tipo de mente.

d) Ela os considera uma espécie melhor e mais perfeita que a humana.

07 – O que Susan Calvin quer dizer ao afirmar que o homem costumava enfrentar o universo 'sozinho e sem amigos'?

a) Que a humanidade vivia em guerra constante antes de 1982.

b) Que os robôs substituirão os amigos humanos completamente.

c) Que a criação dos robôs trouxe companheiros fiéis e úteis para a espécie humana.

d) Que não existiam outras empresas além da U.S. Robots.

08 – Qual é a reação de Susan Calvin ao ser confrontada com o tema do 'interesse humano' na entrevista?

a) Ela considera contraditório o interesse humano em robôs.

b) Ela sorri para o entrevistador pela primeira vez.

c) Ela fica entusiasmada por poder contar sua história de vida.

d) Ela se sente ofendida por ser comparada a um robô.

 

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