quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

MÚSICA(ATIVIDADES): RAP DA FELICIDADE - MC CIDINHO E MC DOCA - COM GABARITO

Música(Atividades): Rap da Felicidade

                                                 Cidinho e Doca
Eu só quero é ser feliz
Andar tranquilamente na favela onde eu nasci, é
E poder me orgulhar
E ter a consciência que o pobre tem seu lugar
Fé em Deus, DJ

Eu só quero é ser feliz
Andar tranquilamente na favela onde eu nasci, é
E poder me orgulhar
E ter a consciência que o pobre tem seu lugar
Mas eu só quero é ser feliz, feliz, feliz, feliz, feliz
Onde eu nasci, han
E poder me orgulhar
E ter a consciência que o pobre tem seu lugar

Minha cara autoridade, eu já não sei o que fazer
Com tanta violência eu sinto medo de viver
Pois moro na favela e sou muito desrespeitado
A tristeza e alegria aqui caminham lado a lado
Eu faço uma oração para uma santa protetora
Mas sou interrompido à tiros de metralhadora
Enquanto os ricos moram numa casa grande e bela
O pobre é humilhado, esculachado na favela
Já não aguento mais essa onda de violência
Só peço a autoridade um pouco mais de competência

Eu só quero é ser feliz
Andar tranquilamente na favela onde eu nasci, han
E poder me orgulhar
E ter a consciência que o pobre tem seu lugar
Mas eu só quero é ser feliz, feliz, feliz, feliz, feliz
Onde eu nasci, é
E poder me orgulhar
E ter a consciência que o pobre tem seu lugar

Diversão hoje em dia não podemos nem pensar
Pois até lá nos bailes, eles vem nos humilhar
Fica lá na praça que era tudo tão normal
Agora virou moda a violência no local
Pessoas inocentes que não tem nada a ver
Estão perdendo hoje o seu direito de viver
Nunca vi cartão postal que se destaque uma favela
Só vejo paisagem muito linda e muito bela
Quem vai pro exterior da favela sente saudade
O gringo vem aqui e não conhece a realidade
Vai pra zona sul pra conhecer água de côco
E o pobre na favela vive passando sufoco
Trocaram a presidência, uma nova esperança
Sofri na tempestade, agora eu quero abonança
O povo tem a força, precisa descobrir
Se eles lá não fazem nada, faremos tudo daqui

Eu só quero é ser feliz
Andar tranquilamente na favela onde eu nasci, é
E poder me orgulhar
E ter a consciência que o pobre tem seu lugar, eu
Eu só quero é ser feliz, feliz, feliz, feliz, feliz
Onde eu nasci, han
E poder me orgulhar, é
O pobre tem o seu lugar

Diversão hoje em dia, nem pensar
Pois até lá nos bailes, eles vem nos humilhar
Fica lá na praça que era tudo tão normal
Agora virou moda a violência no local
Pessoas inocentes que não tem nada a ver
Estão perdendo hoje o seu direito de viver
Nunca vi cartão postal que se destaque uma favela
Só vejo paisagem muito linda e muito bela
Quem vai pro exterior da favela sente saudade
O gringo vem aqui e não conhece a realidade
Vai pra zona sul pra conhecer água de côco
E o pobre na favela, passando sufoco
Trocada a presidência, uma nova esperança
Sofri na tempestade, agora eu quero abonança
O povo tem a força, só precisa descobrir
Se eles lá não fazem nada, faremos tudo daqui

Eu só quero é ser feliz
Andar tranquilamente na favela onde eu nasci, é
E poder me orgulhar
E ter a consciência que o pobre tem seu lugar, é
Eu só quero é ser feliz, feliz, feliz, feliz, feliz
Onde eu nasci, han
E poder me orgulhar
E ter a consciência que o pobre tem seu lugar
E poder me orgulhar
E ter a consciência que o pobre tem seu lugar.

Interpretação da canção:

01 – Que mensagem essa música se propõe a transmitir?
      Ela transmiti a insegurança urbana, a discriminação social e as consequências da má distribuição de renda da população brasileira.

02 – Quais os sentimentos que o eu lírico revela ao cantor os versos da música?
      Ele quer ser feliz no lugar onde nasceu e se orgulha deste lugar.

03 – Pode-se afirmar que a música é uma crítica aos governantes do nosso país? Explique.
      Sim. Pois pede as autoridades um pouco mais de competência.

04 – Em que versos o autor pede ajuda a santa protetora? Cite-os.
      “Eu faço uma oração para uma santa protetora mas sou interrompido à tiros de metralhadora”.

05 – A quem o eu poético se refere nestes versos? “Diversão hoje em dia não podemos nem pensar / Pois até lá nos bailes, eles vem nos humilhar.”
      Os policiais.

06 – Que outro termo pode se usar para substituir o termo grifado neste verso?
“E o pobre na favela vive passando sufoco.”
      Passar necessidades financeiras.

07 – Que versos o autor convoca o povo para lutar?
      “O povo tem a força, precisa descobrir / Se eles lá não fazem nada, faremos tudo aqui.”

08 – De acordo com o verso: “O gringo vem aqui e não conhece a realidade.” O que significa gringo para o autor?
      Turistas que veem de outros países.


09 – O texto está em forma de poesia. E tem como finalidade de discutir as desigualdades sociais e a violência.

10 – Você conhece a dupla da música?
      Resposta pessoal do aluno.

11 – Que estilo musical é usado pelos cantores?
      Rap (significa rhythm and poetry) – ritmo e poesia.

12 – O assunto que trata a música é:
a)   O racismo.
b)   A infelicidade.
c)   A moradia.
d)   A violência.

13 – Que tipo de felicidade o compositor retrata a música?
      Refere-se a ter segurança, como diz nos versos: “Andar tranquilamente na favela onde eu nasci.”

      


CONTO: FIAPO DE TRAPO - ANA MARIA MACHADO - COM GABARITO

CONTO: FIAPO DE TRAPO
                Ana Maria Machado


       Espantalho tão bonito e elegante nunca se tinha visto por aquelas redondezas. Nem por outras, que ele era mesmo carregado de belezas. Precisava só ouvir a conversinha do Dito Ferreira enquanto montava o espantalho, todo orgulhoso do seu trabalho:
      - Nunca vi coisa igual. O patrão caprichou de verdade. Vai botar no campo um espantalho com roupa de gente ir à festa na cidade.
       E era mesmo. Tudo roupa velha, claro, como convém a um espantalho que se preza. Mas da melhor qualidade, roupa de se ir à igreja em dia de procissão e reza.
        Dito Ferreira mostrava todo prosa:
        --- Esse chapéu é de um tal de veludo. E vejam que beleza essa camisa cor-de-rosa. Tem até coração bordado... O patrãozinho pensou em tudo. Com uma gravata de seda, fez esse cinto estampado. Até a palha do recheio é toda macia e cheirosa.
        Não é que era mesmo, a danada? Tinha um perfume forte, que ajudava a espancar a passarada.
        Ah, porque é preciso também dizer que aquilo tudo dava certo, funcionava tanto... O espantalho elegante era mesmo um espanto. Passarinho nem chegava perto. E lá ficava sozinho, espetado no milharal deserto.
        O patrão ficava feliz com um defensor tão eficiente. Dito Ferreira se alegrava com aquela figura imponente. Que espantalho diferente! Só que eles nem sabiam que diferença era essa.
        Como todo espantalho, esse não andava nem falava, mas tinha o dom de poder sentir as coisas ao seu jeito --- para um boneco de palha, isso era um grande defeito.
        E era só por causa de desenho que tinha bordado no peito. Linhas de cor em forma de coração --- e pronto, lá estava o pobre espantalho sofrendo com a solidão! Ninguém se aproximava dele, ninguém fazia um carinho, e ele ficava tão triste, só, espantando passarinho...
        De longe via uma passarada, de todo tipo e feição. Pintassilgo e saíra, cambaxirra e corruíra, rolinha e corrupião. Pássaro de toda cor, de todo canto e tamanho, de todo a-e-i-o-u --- sabiá, tié, bem-te-vi, curió e nhambu. Vontade de chamar:
        --- Vem cá me ver, bem-te-vi!
        Vontade de mostrar:
        --- Tico-tico, olha lá o teco-teco!
        Mas não adiantava. Ninguém chegava perto. E o tempo passava. Horas e dias, dias e semanas, semanas e meses, meses e anos.
        E o espantalho ficava no tempo. No bom tempo e no mau tempo. No sol que queimava e na chuva que molhava. No mormaço que fervia e no vento que zunia.
        E seu cheiro se gastava, sua cor se desbotava, sua seda desfiava, seu veludo se puía.
        Até que um dia...
        No tempo tem sempre um dia. Um dia em que muda o tempo e um tempo novo se inicia.
        Pois foi o que aconteceu. Houve um dia em que choveu. Mas não foi chuva miúda, foi pra valer, de verdade, foi mesmo um deus-nos-acuda, uma imensa tempestade, de granizo, raio, vendaval, com aguaceiro e temporal, chuva de muito trovão que virou inundação.
        Quando a chuvarada passou e o sol voltou, um arco-íris no céu se formou. E na beleza do dia novo, azul lavado, vieram os pássaros, em bando assanhado, ocupando todo o campo, ciscando no milharal. Livres, soltos, à vontade, numa alegria sem igual.
        Foi aí que Dito Ferreira reparou:
        --- Cadê o espantalho velho?
       Saiu todo mundo procurando. Não acharam. Nem podiam achar. Ele tinha desmanchado, tinha sido carregado, pelo vento espalhado, pela chuva semeado, com a terra misturado, plantado naquele chão, sua palha adubando muito pé de solidão.
        Do que sobrou por aí, foi tudo virando ninho, protegendo com carinho filhotes que iam nascer. Veludo em trapos, seda em farrapos, coração bordado em fiapos, maciezas boas de se aquecer.
        E hoje em dia, sua palha misturada na terra ajuda a plantação a crescer.
        Os trapos de sua seda, o seu forro de bom cheiro, farrapos de seu veludo se espalham desde o galinheiro até a mais alta árvore que tenha um ninho barbudo.
        E em cada ovo que nasce ali por aquele lugar, cada ninhada que se achega à procura de calor, em cada vida a brotar, em cada marca de amor, seu coração sobrevive num fiapinho de cor.

                                      MACHADO, Ana Maria. Quem perde ganha.
                                                 Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1994.

Entendendo o texto:
01 – Releia a frase do texto:
      “O espantalho elegante era mesmo um espantalho”.
      A palavra espanto vem do verbo espantar. Veja dois significados dessa palavra:
      Espanto. s. m. 1. O que causa medo, assombro, susto.
                          2. Qualidade do que provoca admiração, maravilha.
      Em qual desses sentidos a palavra espanto foi usada na frase do texto?
      A palavra foi usada no sentido de qualidade que causa admiração, maravilha.
02 – Leia:
      “--- Nunca vi coisa igual. O patrão caprichou de verdade. Vai botar no campo um espantalho com roupa de gente ir à festa na cidade.
      E era mesmo. Tudo roupa velha, claro, como convém a um espantalho que se preza. Mas da melhor qualidade, roupa de se ir à igreja em dia de procissão e reza.
     a) De quem é a fala que aparece introduzida por travessão?
      Da personagem Dito Ferreira.

     b) De quem é o restante do comentário a respeito da roupa do espantalho?
      De quem conta a história. Educador: pode aparecer como resposta o / a autor / a. Vamos estudar o narrador na narrativa mais adiante, ainda nesta unidade. Se o aluno já souber, a resposta pode ser “do narrador”.

     c) Pela fala e pelo comentário, podemos perceber algumas características da personagem e dos costumes do lugar onde a história se passa. Que características são essas?
      A personagem parece ser alguém do campo habituado a formas de vestir de pessoas que moram na cidade. A história se passa num lugar em que as pessoas cuidam mais especialmente do seu modo de vestir apenas nos dias de festa ou de eventos religiosos.

03 – Segundo Dito Ferreira, por que o espantalho era tão deferente?
      Porque era um espantalho vestido com roupa da gente ir à festa na cidade: chapéu de veludo, camisa bordada, gravata de seda. Além disso, sua palha era cheirosa e macia.

04 – E, para você, por que o espantalho era diferente?
      Espera-se como resposta que, além da roupa, o que tornava o espantalho diferente era o fato de sentir solidão, ter sentimentos.

05 – Releia o parágrafo para responder à pergunta a seguir.
      “Como todo espantalho, esse não andava nem falava, mas tinha o dom de poder sentir as coisas ao seu jeito --- para um boneco de palha, isso era um grande defeito”.
      Por que o dom de poder sentir era um grande defeito
      Porque, por ser um espantalho, sua tarefa era afugentar os passarinhos, em vez de acolhê-los como amigos e, assim, acabar com a solidão. Por isso, ter sentimentos, era um defeito.

06 – Releia:
      “Do que sobrou por aí, foi tudo virando ninho, protegendo com carinho filhotes que iam nascer”.
      Explique como o espantalho se transformou em ninhos para filhotes de passarinhos.
      Educador: A resposta exige a atenção do leitor para o processo de transformação --- do veludo em trapos, da seda em farrapos, do coração bordado em fiapos. Com os fiapos, os passarinhos fizeram seus ninhos.

07 – Leia o título Fiapo de trapo em voz alta e responda:
     a) Qual é o recurso que a autora utilizou para que ele tivesse um efeito sonoro?
      A rima.

     b) O que significa “fiapo de trapo”?
      “Fiapo de trapo” é um fio curto, ou um pequeno fio, de um pedaço de pano velho, gasto.

     c) Releia o início da história:
“Espantalho tão bonito e elegante nunca se tinha visto por aquelas redondezas”.
Relacione esse início com título Fiapo de trapo. Qual terá sido a intenção da autora ao dar esse título ao texto?
      Espera-se que os alunos percebam que o título é um indício, uma antecipação do final da história: o “espantalho tão bonito” do início da história, depois da tempestade que o destruiu, sobrevive num fiapinho que sobrou do tecido de seu coração

CONTO: PAPO DE IRMÃO - RICARDO RAMOS - COM GABARITO

CONTO: PAPO DE IRMÃO
                Ricardo Ramos


       O que é melhor: ser filho único ou ter irmãos? Ter tudo para si, brinquedos e atenção dos pais, avós e tios, ou dividir tudo com irmãos mais velhos e mais novos? É possível partilhar espaço e segredos, brinquedos e brincadeiras? É possível ser amigo de todas as horas, promover a união? Ou irmão/irmã é sinônimo de problema?
          
                              O REI DOS CACOS
         Quando saio por aí, com meu irmão, brincamos de tudo: subimos em todas as árvores, principalmente nas mangueiras, corremos atrás de todos os bichos, principalmente das galinhas, e apanhamos todas as frutas, principalmente as verdes. Mas existe uma brincadeira que é diferente de todas as outras, e é a melhor delas: andar dentro do córrego, pra baixo e pra cima. Minha mãe não gosta muito, nem minha avó, mas a gente anda assim mesmo. Meu pai nem vê, porque fica trabalhando o dia inteiro, tratando das vacas, correndo de jipe, tirando leite, passeando a cavalo, cuidando dos porcos. Ele só para depois do almoço, pra ler uns jornais ou um livro.
         Enquanto isso, nós dois, eu e meu irmão, no córrego, andamos pra baixo e pra cima. Mas nós não brincamos disso só por causa da água. É que lá no fundo, brilhando, sempre tem uns pedaços de vidro. Minha mãe diz, e minha avó concorda com ela, que o nome certo é louça, e louça antiga, mas nós já estamos acostumados, meu irmão e eu, a dizer que são cacos de vidro. Eles são grandes, pequenos, quebrados, redondos, compridos, grossos, finos, de todo jeito. Às vezes são coloridos, às vezes são brancos. Quando são brancos nós jogamos fora. Que graça tem guardar um caco de vidro branco? Os mais bonitos são os que tem umas florzinhas ou umas listinhas. Minha mãe diz, e minha avó concorda com ela, que são pedaços de aparelhos de jantar, tudo louça antiga, dos antigos donos da fazenda, tudo do tempo dos escravos. Quando ela fala isso, eu fico pensando nos escravos deitados uns por cima dos outros, naqueles porões imensos que existem debaixo da casa. Toda vez que tenho que passar lá dentro, eu e meu irmão, eu me agarro nele, com medo de ver algum escravo me espiando, escondido por ali. Mas não falo nada, senão meu irmão vai dizer que menina é assim mesmo, tem medo de tudo, até das coisas que não existem.
         No córrego, procurando os cacos de vidro, não tenho medo de nada. Nem de fazer as apostas que fazemos todos os dias: quem é que vai achar o mais bonito, o mais colorido, o maior, o mais antigo. Meu irmão, que é maior do que eu, sempre diz que achou o mais bonito, o mais colorido, o mais antigo. Para saber quem achou o maior, medimos os cacos. E às vezes eu acho.
         No fim do dia, quando chega a hora de ir para dentro de casa, passamos, antes, numa casinha onde moram todos os cacos. Meu pai disse que lá, antigamente, era um tanque onde se fabricava polvilho, depois de colhida a mandioca. Esse tanque é grande, de cimento, e todo coberto de tábuas. Meu pai fez isso para nós, eu e meu irmão, senão os bichos entrariam lá dentro. Então todas as tardes, antes de irmos para casa, nós afastamos as tábuas, entramos dentro do tanque, e guardamos, em mesinhas feitas com pedacinhos de outras tábuas e tijolos, os cacos do dia. Quase todos estão lá. Falta um só, pequeno, branco, com listas cor-de-rosa que meu irmão insiste em dizer que são de outra cor. Esse ele guarda separado, dentro de uma caixinha pequena, que é guardada dentro de uma caixinha grande, junto com outras coisas só dele: pedrinhas, penas de passarinho, apitos, felipes de café, que são dois grãos de café juntos, pedacinhos de cuia com goma esticada que chamamos de viola, e caixas e mais caixas de fósforos. Meu irmão diz que foi ele quem achou o caco de vidro que é guardado separado. Mas é mentira dele, fui eu, e guardei na casinha do tanque, junto com os outros. Mas meu irmão é maior do que eu, foi lá e tirou. E guardou junto com as coisas só dele. E pôs nome dele: O rei dos cacos.
         O rei dos cacos não pode ser visto a qualquer hora. Só em dias muito especiais, quando meu irmão resolve arrumar a caixinha grande cheia de coisas. Ele tira todas, uma por uma, posso ver tudo desde que não ponha a mão em nada, guarda de novo, fecha, pronto, acabou. Durmo pensando no rei dos cacos, e ele também.
         No outro dia, vamos de novo, bem cedo, andar no córrego. De vez em quando pulamos de alegria dentro d`água quando achamos um caco igual a outros que já temos. Vamos correndo ver se encaixa no pedaço que está guardado dentro do tanque. O meu maior sonho na vida é achar a outra metade do rei dos cacos. E acho que é, também, o maior sonho do meu irmão.

                   In: Ricardo Ramos e outros. Irmão mais velho, irmão mais novo.
                                                                        São Paulo: Atual, 1992, p. 74-7.

 Entendendo o texto:
01 – Esse texto narra o dia-a-dia de dois irmãos que vivem em uma fazenda.
     a) Quem faz a narração?
     A irmã mais nova.

     b) Como é a fazenda?
     Uma fazenda antiga.

02 – Os pais contam para os filhos como era a fazenda antigamente.
     a) Desde quando a fazenda existe?
     Desde a época da escravidão.

     b) O que a fazenda conserva desse tempo?
     O tanque onde era fabricado o polvilho.

03 – Os irmãos moram com a mãe, o pai e a avó.
     a) Com quem eles convivem mais? Justifique sua resposta.
     Com a mãe e a avó. Porque elas estão ali dentro da casa.

     b) Na sua opinião, por que a mãe e a avó não gostam muito que as crianças andem no córrego?
     Resposta pessoal.

     c) De acordo com o texto, o pai está sempre ausente? Justifique sua resposta com elementos do texto.
      “Meu pai nem vê, porque fica trabalhando o dia inteiro, tratando das vacas, correndo de jipe, tirando leite, passeando a cavalo, cuidando dos porcos.”

04 – A narradora fala do relacionamento dela com o irmão.
     a) Como é o relacionamento entre eles?
      São amigos, porque brincam juntos.

     b) O que ela busca no irmão ao se agarrar nele quando passa pelo porão da casa?
      Segurança.

     c) Por que, na sua opinião, a menina, embora tenha achado o rei dos cacos, permite que o irmão fique com ele?
      Resposta pessoal.

05 – O rei dos cacos não fica com os outros, guardado na casinha, mas numa caixa, junto com outras coisas do irmão.
     a) Por que, na sua opinião, o garoto guarda o rei dos cacos dentro de duas caixas?
      Resposta pessoal.

     b) As coisas guardadas nessa caixa têm algum valor material?
      Não.

     c) Apesar disso, por que, na sua opinião, a irmã não pode tocar em nada, quando ele mostra a ela o conteúdo da caixa?
      Resposta pessoal.

06 – O maior sonho na vida da menina é achar a outra metade do rei dos cacos. Na sua opinião, por que ela acha que esse é também o maior sonho do irmão?
      Resposta pessoal.

07 – Quais dos termos que seguem indicam características da relação entre os irmãos?
       - respeito           - falsidade            - cumplicidade        - orgulho
       - companheirismo     - afeto        - inveja           - camaradagem.




CRÔNICA: OS JORNAIS - RUBEM BRAGA - COM GABARITO

CRÔNICA: OS JORNAIS
                        Rubem Braga

    Meu amigo lança fora, alegremente, o jornal que está lendo e diz:
         -- Chega! Houve um desastre de trem na França, um acidente de mina na Inglaterra, um surto de peste na Índia. Você acredita nisso que os jornais dizem? Será o mundo assim, uma bola confusa, onde acontecem unicamente desastres e desgraças? Não! Os jornais é que falsificam a imagem do mundo. Veja por exemplo aqui: em um subúrbio, um sapateiro matou a mulher que o traía. Eu não afirmo que isso seja mentira. Mas acontece que o jornal escolhe os fatos que noticia. O jornal quer fatos que sejam notícias, que tenham conteúdo jornalístico. Vejamos a história desse crime. “Durante os três primeiros anos o casal viveu imensamente feliz...” Você sabia disso? O jornal nunca publica uma nota assim:
         “Anteontem, cerca de 21 horas, na rua Arlinda, no Méier, o sapateiro Augusto Ramos, de 28 anos, casado com a senhora Deolinda Brito Ramos, de 23 anos de idade, aproveitou-se de um momento em que sua consorte erguia os braços para segurar uma lâmpada para abraça-la alegremente, dando-lhe beijos na garganta e na face, culminando em um beijo na orelha esquerda. Em vista disso, a senhora em questão voltou-se para o seu marido, beijando-o longamente na boca e murmurando as seguintes palavras: Meu amor, ao que ele retorquiu: Deolinda. Na manhã seguinte, Augusto Ramos foi visto saindo de sua residência às 7:45 da manhã, isto é, dez minutos mais tarde do que o habitual, pois se demorou, a pedido de sua esposa, para consertar a gaiola de um canário-da-terra de propriedade do casal.”
         A impressão que a gente tem, lendo os jornais – continuou meu amigo – é que “lar” é um local destinado principalmente à prática de “uxoricídio”. E dos bares, nem se fala. Imagine isto:
         “Ontem, cerca de 10 horas da noite, o indivíduo Ananias Fonseca, de 28 anos, pedreiro, residente à rua Chiquinha, sem número, no Encantado, entrou no bar Flor Mineira, à rua Cruzeiro, 524, em companhia de seu colega Pedro Amâncio de Araújo, residente no mesmo endereço. Ambos entregaram-se a fartas libações alcoólicas e já se dispunham a deixar o botequim quando apareceu Joca de tal, de residência ignorada, antigo conhecido dos dois pedreiros, e que também estava visivelmente alcoolizado. Dirigindo-se aos dois amigos, Joca manifestou desejo de sentar-se à sua mesa, no que foi atendido. Passou então a pedir rodadas de conhaque, sendo servido pelo empregado do botequim, Joaquim Nunes. Depois de várias rodadas, Joca declarou que pagaria toda a despesa. Ananias e Pedro protestaram, alegando que eles já estavam na mesa antes. Joca, entretanto, insistiu, seguindo-se uma disputa entre os três homens, que terminou com a intervenção do referido empregado, que aceitou a nota que Joca lhe estendia. No momento em que trouxe o troco, o garçom recebeu uma boa gorjeta, pelo que ficou contentíssimo, o mesmo acontecendo aos três amigos que se retiraram do bar alegremente, cantarolando sambas. Reina a maior paz no subúrbio do Encantado, e a noite foi bastante fresca, tendo dona Maria, sogra do comerciário Adalberto Ferreira, residente à rua Benedito, 14, senhora que sempre foi muito friorenta, chegando a puxar o cobertor, tendo depois sonhado que seu netinho lhe oferecia um pedaço de goiabada.”
         E meu amigo:
         -- Se um repórter redigir essas duas notas e leva-las a um secretário de redação, será chamado de louco. Porque os jornais noticiam tudo, tudo, menos uma coisa tão banal de que ninguém se lembra: a vida...

                                    Pequena antologia do Braga. Rio de Janeiro:
                                                                  Record, 1997, p. 109-111.

Entendendo o texto:
01 – Observe: a crônica, quase toda ela, é constituída de falas de uma amigo.
     a) Identifique as únicas frases da crônica que não são falas do amigo.
      A primeira: Meu amigo lança fora...; a segunda: ...continuou meu amigo..., no quarto parágrafo; e, no final: E meu amigo:

     b) Dê sua opinião:
- O autor (o cronista) assume o papel de narrador para contar o ponto de vista que um amigo (que existe mesmo) tem a respeito das notícias que os jornais publicam?
Ou:
- O autor cria um personagem – o amigo – para, por meio dele, expressar seu ponto de vista pessoal a respeito das notícias que os jornais publicam?
      A expectativa é que o aluno escolha a segunda opção, mas a primeira pode ser aceita, se adequadamente justificada.

02 – O amigo cita:
       -- Alguns exemplos de fatos que os jornais noticiam – fatos que tem “conteúdo jornalístico”, são notícias.
       -- Dois contraexemplos: fatos que os jornais não noticiam – não tem “conteúdo jornalístico”, são não notícias.
        a) Que exemplos o amigo dá de notícias?
            Desastre, acidente de mina, surto de peste, crime.

        b) Que exemplos o amigo dá de não notícias?
             Felicidade de um casal no lar, encontro alegre de amigos num bar, noite de paz num subúrbio, sonho de uma avó.

03 – O amigo encontra no jornal o crime de um sapateiro que matou a mulher que o traía.
        - Segundo o amigo, o que é que o jornal não noticia a respeito desse crime? Por que não notícia?
         Não noticia a felicidade em que viveu o casal anteriormente, porque esse fato não tem conteúdo jornalístico.

04 – Localize as frases na crônica e responda às questões:
      “Você acredita nisso que os jornais dizem?”
     a) Nisso: em que não se deve acreditar?
      Que no mundo só acontecem desastres e desgraças.

           “Eu não afirmo que isso seja mentira.”
     b) Isso: o que não é mentira?
      O crime do sapateiro ou, mais genericamente, os fatos que o jornal notícia.

     c) Observe a aparente contradição entre estas duas frases:
- Não se deve acreditar no que os jornais dizem.
- Não se pode afirmar que seja mentira o que os jornais dizem.
Mostre que a contradição é só aparente – segundo o amigo:
- Lendo os jornais, há algo em que não se deve acreditar. O quê?
- Lendo os jornais, há algo em que se pode acreditar. O Quê?
      Não se deve acreditar que no mundo só acontecem desastres e desgraças. Pode-se acreditar no que o jornal notícia.

05 -  Recorde a primeira frase da crônica e observe a palavra destacada:
       “Meu amigo lança fora, alegremente, o jornal que está lendo e diz:”
       - Se, em seguida, o amigo reclama contra o que lê no jornal, que só anuncia desastres e desgraças, de onde vem essa sua alegria?
       Da lembrança de que no mundo acontecem também coisas boas, que os jornais não noticiam; da percepção de que a imagem negativa que o jornal dá do mundo é falsa, não acontecem apenas desastres e desgraças.


quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

FÁBULA: A RAPOSA E A CEGONHA - ESOPO - COM GABARITO

FÁBULA: A RAPOSA E A CEGONHA
                   ESOPO

     Um dia a raposa convidou a cegonha para jantar. Querendo pregar uma peça na outra, serviu sopa num prato raso. Claro que a raposa tomou toda a sua sopa sem o menor problema, mas a pobre cegonha, com seu bico comprido, mal pôde tomar uma gota. O resultado foi que a cegonha voltou para casa morrendo de fome.
   A raposa fingiu que estava preocupada, perguntou se a sopa não estava do gosto da cegonha, mas a cegonha não disse nada. Quando foi embora, agradeceu muito a gentileza da raposa e disse que fazia questão de retribuir o jantar no dia seguinte.
        Assim que chegou, a raposa se sentou lambendo os beiços de fome, curiosa para ver as delícias que a outra ia servir. O jantar veio para a mesa numa jarra alta, de gargalo estreito, onde a cegonha podia beber sem o menor problema. A raposa, amoladíssima, só teve uma saída: lamber as gotinhas de sopa que escorriam pelo lado de fora da jarra.
        Ela aprendeu muito bem a lição. Enquanto ia andando para casa, faminta, pensava: “Não posso reclamar da cegonha. Ela me tratou mal, mas fui grosseira com ela primeiro.”

MORAL DA HISTÓRIA: trate os outros tal como deseja ser tratado.

Fábulas de Esopo. Tradução de Heloísa Jahn, São Paulo,
Companhia das Letrinhas, 1994.

Entendendo o texto:
01 – O objetivo da raposa, ao convidar a cegonha para jantar, era:
a. (   ) fazer as pazes, porque elas haviam brigado
b. (   ) ser gentil com a cegonha
c. (X) fazer uma brincadeira de mau gosto
d. (   ) comer a cegonha, pois as raposas são caçadoras de aves.

02 – A cegonha:
a. (   ) gostou do jantar
b. (X) não conseguiu tomar a sopa
c. (   ) não compareceu ao jantar
d. (   ) não tomou a sopa, mas comeu outras comidas.

03 – No trecho: “Quando foi embora, agradeceu muito a gentileza da raposa e disse que fazia questão de retribuir o jantar no dia seguinte.”  A palavra em destaque significa, nesse contexto, que:
a. (   ) a cegonha demonstrou ser gentil com a raposa, convidando-a para outro jantar.
b. (   ) a cegonha convidou a raposa para jantar porque queria despedir-se, pois ia viajar
c. (X) a cegonha repetiu o convite e a brincadeira de mau gosto
d. (   ) a cegonha ficou zangada e não quis mais falar com a raposa.

04 – A frase: “Trate os outros tal como deseja ser tratado” pode ser substituída por:
a. (   ) Boa romaria faz quem na sua casa fica em paz.
b. (   ) Quem tudo quer, tudo perde.
c. (   ) Na casa do ferreiro, o espeto é de pau.
d. (X) Não faça aos outros aquilo que não quer que lhe façam.

05 – A palavra “bulling” é inglesa e quer dizer fazer troça, humilhar, constranger, fazer brincadeira de mau gosto. Na sua opinião, a raposa praticou o “bulling”? Justifique sua resposta.
      Resposta pessoal do aluno.

FÁBULA PARA SÉRIES INICIAIS: O URSO E A RAPOSA - ESOPO - COM GABARITO

FÁBULA: O URSO E A RAPOSA
                   ESOPO


         Um urso passava o tempo contando como gostava dos homens. Não vou lá perturbar nem estraçalhar os homens quando eles morrem disse ele.
          A raposa respondeu com um sorriso: Eu ia ficar mais convencida de sua bondade se você não costumasse comer os homens vivos.


        Moral: mais vale ter pena dos vivos que respeito com os mortos.

                     Fábulas de Esopo. Compilação de Russell ash e Bernard Higton.
                                              São Paulo: Companhia das Letrinhas, 1994, p. 57.


INTERPRETAÇÃO DO TEXTO:
01 – Qual os personagens da fala?
       O urso e a raposa.

02 – Qual era o assunto preferido do urso?
       Contando como gostava dos homens.

03 – retire da fábula quatro verbos de ação.
       Passava, gostava, estraçalhar, perturbar.

04 – O que a raposa respondeu com um sorriso para o urso?
       Eu ia ficar mais convencida de sua bondade se você não costumasse comer os homens vivos.

05 – Qual a moral da história?
      Mais vale ter pena dos vivos que respeito com os mortos.

06 – Invente uma pequena história em que haja um diálogo entre duas ou mais personagens. Você pode imaginar, por exemplo, um diálogo entre amigos, entre pai, mãe e filho ou filha, entre o lápis e o papel, entre personagens de histórias em quadrinhos, entre um animal preso em gaiola ou jaula e um animal que vive solto, etc. Quando terminar, leia seu texto para os colegas e ouça o deles.