sexta-feira, 7 de agosto de 2026

CONTO: O FIO MÁGICO - PACIÊNCIA - WILLIAN J.BENNETT - COM GABARITO

 Conto: O fio mágico – Paciência

          William J. Bennett 

 

        Era uma vez uma viúva que tinha um filho chamado Pedro. O menino era forte e saudável, mas não gostava de ir à escola e passava todo o tempo a sonhar acordado.

        — Pedro, com o que estás sonhar a uma hora destas? — perguntava-lhe a professora.

        — Estava a pensar no que serei quando crescer — respondia ele.

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        — Sê paciente. Tens muito tempo para pensar nisso. Depois de crescido, nem tudo é divertimento, sabes? — dizia ela.

        Mas Pedro tinha dificuldade de apreciar alguma coisa que estivesse a fazer no momento, e ansiava sempre pelo que vinha a seguir. No Inverno, ansiava pelo retorno do Verão; no Verão, sonhava com passeios de esqui e trenó. Na escola, ansiava pelo fim das aulas, para poder voltar para casa; e, nas noites de domingo, suspirava dizendo: “Ah, se as férias chegassem depressa!” O que mais o entretinha era brincar com a amiga Lise. Era uma companheira tão boa como qualquer rapaz, e a ansiedade de Pedro não a afetava nem ofendia. “Quando crescer, vou casar-me com ela”, dizia Pedro consigo mesmo.

        Costumava perder-se em caminhadas pela floresta, sonhando com o futuro. Às vezes, deitava-se ao sol sobre o chão macio, com as mãos postas sob a cabeça, e ficava a olhar o céu através das copas altas das árvores. Uma tarde quente, quando estava quase a cair no sono, ouviu alguém chamando por ele. Abriu os olhos e sentou-se. Viu uma mulher idosa de pé à sua frente. Ela trazia na mão uma bola prateada, da qual pendia um fio de seda dourado.

        — Olha o que tenho aqui, Pedro — disse ela, oferecendo-lhe o objeto.

        — O que é isso? — perguntou, curioso, tocando o fino fio dourado.

        — É o fio da tua vida — retrucou a mulher. — Não toques nele e o tempo passará normalmente. Mas, se desejares que o tempo ande mais depressa, basta dares um leve puxão ao fio, e uma hora passará como se fosse um segundo. Mas devo avisar-te: uma vez que o fio tenha sido 139 puxado, não poderá ser colocado de volta dentro da bola. Ela desaparecerá como uma nuvem de fumo. A bola é tua. Mas se aceitares o meu presente, não contes a ninguém; se não, morrerás no mesmo dia. Agora diz-me, queres ficar com ela?

        Pedro tomou-lhe das mãos o presente, satisfeito. Era exatamente o que queria. Examinou--a. Era leve e sólida, feita de uma única peça. Havia apenas um furo de onde saía o fio brilhante. O menino colocou-a no bolso e foi a correr para casa. Quando chegou, depois de se certificar da ausência da mãe, examinou-a outra vez. O fio parecia sair lentamente de dentro da bola, tão devagar que era difícil perceber o movimento a olho nu. Sentiu vontade de lhe dar um rápido puxão, mas não teve coragem. Ainda não.

        No dia seguinte, na escola, Pedro imaginava o que fazer com o seu fio mágico. A professora repreendeu-o por não se concentrar nos deveres. “Se ao menos”, pensou ele, “já fossem horas de ir para casa!” Tateou a bola prateada que se encontrava dentro do bolso. Se desse apenas um pequeno puxão, logo o dia chegaria ao fim. Cuidadosamente, pegou no fio e puxou. De repente, a professora mandou que todos arrumassem as suas coisas e fossem embora, organizadamente. Pedro ficou maravilhado. Correu sem parar até chegar à casa. Como a vida seria fácil agora! Todos os seus problemas haviam terminado. Dali em diante, passou a puxar o fio, só um pouco, todos os dias.

        Entretanto, logo se apercebeu que era tolice puxar o fio apenas um pouco todos os dias. Se desse um puxão mais forte, o período escolar estaria concluído de uma vez. Poderia aprender uma profissão e casar-se com Lise. Naquela noite deu, então, um forte puxão ao fio, e acordou na manhã seguinte como aprendiz de um carpinteiro da cidade. Pedro adorou a sua nova vida, subindo aos telhados e andaimes, erguendo e colocando, à força de marteladas, enormes vigas que ainda exalavam o perfume da floresta. Mas, às vezes, quando o dia do pagamento demorava a chegar, dava um pequeno puxão ao fio e logo a semana terminava, já era a noite de sexta-feira e ele tinha dinheiro no bolso.

        Lise também se mudara para a cidade e morava com a tia, que lhe ensinava os afazeres do lar. Pedro começou a ficar impaciente a respeito do dia em que se casariam. Era difícil viver, ao mesmo tempo, tão perto e tão longe dela. Perguntou-lhe, então, quando se poderiam casar.

        — No próximo ano — disse ela. — Eu já terei aprendido a ser uma boa esposa.

        Pedro tocou com os dedos a bola prateada dentro do bolso.

        — Ora, o tempo vai passar bem depressa — disse, com muita certeza.

        Naquela noite, não conseguiu dormir. Passou o tempo todo agitado, virando-se de um lado para o outro na cama. Tirou a bola mágica que estava debaixo do travesseiro. Hesitou um instante, mas logo a impaciência o dominou, e ele puxou o fio dourado. Pela manhã, descobriu que aquele ano já havia passado e que Lise concordara afinal com o casamento. Pedro sentiu-se realmente feliz.

        Mas, antes que o casamento pudesse realizar-se, recebeu uma carta com aspecto de documento oficial. Abriu-a, trémulo, e leu a notícia de que deveria apresentar-se no quartel do exército na semana seguinte, para servir por dois anos. Mostrou-a, desesperado, a Lise.

        — Ora — disse ela — não há nenhum problema, basta-nos esperar. Mas o tempo passará depressa, vais ver. Há tanto que preparar para nossa vida a dois!

        Pedro sorriu com galhardia, mas sabia que dois anos durariam uma eternidade a passar. Quando já se acostumara à vida no quartel, entretanto, começou a achar que não era tão má assim. Gostava de estar com os outros rapazes, e as tarefas não eram tão árduas como a princípio. Lembrou-se da mulher que o aconselhara a usar o fio mágico com sabedoria e evitou usá-lo por algum tempo. Mas depressa voltou a sentir-se inquieto. A vida no exército entediava-o, com as suas tarefas de rotina e a sua rígida disciplina. Começou a puxar o fio para acelerar o decurso da semana, a fim de que chegasse logo o domingo ou o dia da sua folga. E assim se passaram os dois anos, como se fosse um sonho.

        Terminado o serviço militar, Pedro decidiu não mais puxar o fio, exceto por uma necessidade absoluta. Afinal, era a melhor época da sua vida, conforme todos lhe diziam. Não queria que acabasse assim tão depressa. Mas deu um ou dois pequenos puxões ao fio, só para antecipar um pouco o dia do casamento. Tinha muita vontade de contar a Lise o seu segredo; mas sabia que, se contasse, morreria.

        No dia do casamento, todos estavam felizes, inclusive Pedro. Mal podia esperar para lhe mostrar a casa que construíra para ela. Durante a festa, lançou um rápido olhar na direção da mãe. Percebeu, pela primeira vez, que o cabelo dela estava a ficar grisalho. Envelhecera rapidamente. Pedro sentiu uma ponta de culpa por ter puxado o fio com tanta frequência. Dali em diante, seria muito mais parcimonioso no seu uso, e só o puxaria se fosse estritamente necessário.

        Alguns meses mais tarde, Lise anunciou que estava à espera de um filho. Pedro ficou entusiasmadíssimo, e mal podia esperar. Quando o bebé nasceu, ele achou que não iria querer mais nada na vida. Mas, sempre que o bebé adoecia ou passava uma noite em claro a chorar, ele puxava um pouco do fio para que o bebé tornasse a ficar saudável e alegre.

        Os tempos andavam difíceis. Os negócios iam mal e chegara ao poder um governo que mantinha o povo sob forte opressão e pesados impostos, e não tolerava oposição. Quem quer que fosse tido como agitador era preso sem julgamento, e um simples boato bastava para se condenar um homem. Pedro sempre fora conhecido por dizer o que pensava, e logo foi preso e lançado na cadeia. Por sorte, trazia a bola mágica consigo e deu um forte puxão ao fio. As paredes da prisão dissolveram-se diante dos seus olhos e os inimigos foram arremessados à distância, numa enorme explosão. Era a guerra que se insinuava, mas que logo acabou, como uma tempestade de Verão, deixando o rasto de uma paz exaurida. Pedro viu-se de volta ao lar com a família. Mas era agora um homem de meia-idade.

        Durante algum tempo, a vida correu sem percalços, e Pedro sentia-se relativamente satisfeito. Um dia, olhou para a bola mágica e surpreendeu-se ao ver que o fio passara da cor dourada para a prateada. Foi olhar-se ao espelho. O cabelo começava a ficar-lhe grisalho e o seu rosto apresentava rugas onde nem se podia imaginá-las. Sentiu um medo súbito e decidiu usar o fio com mais cuidado ainda do que antes. Lise dera-lhe outros filhos e ele parecia feliz como chefe da família que crescia. O seu modo imponente de ser fazia as pessoas pensarem que ele tinha perfil de chefe. Possuía uma certa de autoridade, como se tivesse nas mãos o destino de todos. Mantinha a bola mágica bem escondida, resguardada dos olhos curiosos dos filhos, sabendo que, se alguém a descobrisse, seria fatal.

        Cada vez tinha mais filhos, de modo que a casa foi ficando cheia de gente. Precisava de a ampliar, mas não dispunha do dinheiro necessário para a obra. Tinha também preocupações. A mãe estava a ficar idosa e, com a passagem dos dias, ia parecendo mais cansada. Não adiantava puxar o fio da bola mágica, pois isto só lhe aceleraria a chegada da morte. De repente, ela faleceu, e Pedro, parado diante do túmulo, pensou no modo como a vida passara tão rapidamente, mesmo sem fazer uso do fio mágico.

        Uma noite, deitado na cama, sem conseguir dormir, pensando nas suas preocupações, achou que a vida seria bem melhor se todos os filhos já estivessem crescidos e com carreiras encaminhadas. Deu um fortíssimo puxão ao fio, e acordou no dia seguinte vendo que os filhos já não estavam em casa, pois tinham arranjado empregos em diferentes pontos do país, e que ele e a mulher estavam sós. O cabelo estava quase todo branco e doíam-lhe as costas e as pernas quando subia uma escada, ou os braços quando levantava uma viga mais pesada. Lise também envelhecera, e estava quase sempre doente. Ele não aguentava vê-la sofrer, de tal forma que lançava mão do fio mágico cada vez mais frequentemente. Mas, sempre que o problema se resolvia, já outro surgia em seu lugar. Pensou que talvez a vida corresse melhor se ele se aposentasse. Assim, não teria de continuar a subir aos edifícios em obras, sujeito a lufadas de vento, e poderia cuidar de Lise sempre que ela adoecesse. O problema era a falta de dinheiro suficiente para sobreviver. Pegou na bola mágica, então, e ficou a olhar. Para seu espanto, viu que o fio já não era prateado, mas cinza, e perdera o brilho. Decidiu ir para a floresta dar um passeio e pensar melhor no significado de tudo aquilo.

        Já fazia muito tempo que não ia àquela parte da floresta. Os pequenos arbustos haviam crescido, transformando-se em árvores frondosas, e foi difícil encontrar o caminho que costumava percorrer. Acabou por chegar a um banco no meio de uma clareira. Sentou-se para descansar e caiu num sono leve. Foi despertado por uma voz que o chamava pelo nome: — Pedro! Pedro!

        Abriu os olhos e viu a mulher que encontrara havia tantos anos e lhe dera a bola prateada com o fio dourado mágico. Aparentava a mesma idade que tinha no dia em questão, exatamente igual. Ela sorriu-lhe.

        — E então, Pedro, a tua vida foi boa? — perguntou.

        — Não tenho a certeza — disse ele. — A sua bola mágica é maravilhosa. Nunca na minha vida tive de suportar qualquer sofrimento ou esperar por qualquer coisa. Mas tudo foi tão rápido! Sinto como se não tivesse tido tempo de apreender tudo o que se passou comigo; nem as coisas boas, nem as más. E agora falta tão pouco tempo! Já não ouso puxar o fio, pois isso só anteciparia a minha morte. Acho que o seu presente não me trouxe sorte.

        — Mas que falta de gratidão! — disse a mulher — Gostarias que as coisas fossem diferentes?

        — Talvez se me tivesse dado uma outra bola, em que eu pudesse puxar o fio para fora e para dentro também. Talvez, então, eu pudesse reviver as coisas más.

        A mulher riu-se.

        — Estás a pedir muito! Achas que Deus nos permite viver as nossas vidas mais de uma vez? Mas posso conceder-te um último desejo, meu tonto exigente.

        — Qual? — perguntou ele.

        — Escolhe — disse ela. 

        Pedro pensou bastante. Ao fim de bastante tempo, disse:

        — Gostaria de voltar a viver a minha vida, como se fosse a primeira vez, mas sem a sua bola mágica. Assim, poderei experimentar as coisas más da mesma forma que as boas, sem encurtar a sua duração. Pelo menos, a minha vida não passará tão rapidamente e não se parecerá com um devaneio.

        — Seja — disse a mulher. — Devolve-me a bola.

        Ela esticou a mão e Pedro entregou-lhe a bola prateada. Em seguida, ele recostou-se e fechou os olhos, exausto. Quando acordou, estava na sua cama. A sua jovem mãe debruçava-se sobre ele, tentando acordá-lo carinhosamente.

        — Acorda, Pedro, não vás chegar atrasado à escola. Estavas a dormir como uma pedra!

        Ele olhou para ela, surpreendido e aliviado. 

        — Tive um sonho horrível, mãe. Sonhei que estava velho e doente e que minha vida passara como num piscar de olhos sem que eu sequer tivesse ficado com algo para contar. Nem ao menos algumas lembranças. 

        A mãe riu-se e fez que não com a cabeça.

        — Isso nunca vai acontecer — disse ela. — As lembranças são algo que todos temos, mesmo quando somos velhos. Agora, anda, vai-te vestir. A Lise está a tua espera, não deixes que ela se atrase por tua causa.

        A caminho da escola, em companhia da amiga, observou que estavam em pleno Verão e que fazia uma linda manhã, uma daquelas em que era óptimo estar-se vivo. Em poucos minutos, estariam a encontrar os amigos e colegas, e mesmo a perspectiva de enfrentar algumas aulas não parecia tão desagradável assim. Na verdade, ele não cabia em si de contente.

 

William J. Bennett O Livro das Virtudes Editora Nova Fronteira, 1995.

Entendendo o conto:

01 – Qual era a principal característica de Pedro quando criança e de que forma ela afetava a sua maneira de vivenciar o presente?

      Pedro era um menino sonhador e extremamente impaciente, que tinha uma enorme dificuldade em apreciar o momento presente. Ele vivia sempre ansiando pelo que viria a seguir: no inverno queria o verão, nas aulas desejava o fim do dia e, nos domingos à noite, suspirava pelas férias, incapaz de aproveitar as fases de sua vida à medida que aconteciam.

 

02 – Quais eram as regras e os avisos impostos pela mulher idosa ao entregar a bola prateada com o fio mágico a Pedro?

      A mulher explicou que, se Pedro não tocasse no fio, o tempo passaria normalmente. Caso quisesse acelerá-lo, bastaria dar um leve puxão no fio dourado para que uma hora passasse em um segundo. Ela advertiu que o fio puxado jamais poderia voltar para dentro da bola e que a bola desapareceria como fumaça no final. Além disso, Pedro deveria manter o presente em segredo absoluto, sob pena de morrer no mesmo dia se contasse a alguém.

 

03 – Como o uso da bola mágica alterou a juventude de Pedro e quais foram os momentos em que ele recorreu ao fio nessa fase?

      O uso da bola fez com que a juventude de Pedro passasse sem que ele vivenciasse verdadeiramente o processo de amadurecimento. Ele puxou o fio para terminar a escola rapidamente e virar aprendiz de carpinteiro, para acelerar os dias de pagamento, para pular um ano de espera até o casamento com Lise e para fazer passar rapidamente os dois anos de serviço militar obrigatório.

 

04 – Como Pedro percebeu pela primeira vez o impacto negativo que o uso constante do fio causava nas pessoas ao seu redor?

      Pedro percebeu esse impacto no dia do seu casamento quando, durante a festa, olhou para a sua mãe e notou que os cabelos dela estavam ficando grisalhos e que ela havia envelhecido rapidamente. Nesse momento, sentiu uma ponta de culpa, percebendo que ao acelerar o seu próprio tempo, também estava encurtando a juventude e a vida daqueles a quem amava.

 

05 – O que a mudança de cor do fio mágico (de dourado para prateado e depois para cinza) simboliza ao longo da vida de Pedro?

      A mudança de cor do fio simboliza o envelhecimento biológico de Pedro e o esgotamento irreversível do tempo de sua vida. O fio dourado representava a infância e a juventude cheias de energia; o prateado indicava a chegada da maturidade, com os cabelos grisalhos e as primeiras rugas; e o cinza sem brilho indicava a velhice avançada, o cansaço físico e a proximidade do fim da vida.

 

06 – Ao reencontrar a mulher idosa na floresta, qual foi a reflexão e o desabafo de Pedro sobre o impacto do presente em sua vida?

      Pedro desabafou que, embora nunca tivesse precisado suportar o sofrimento ou a espera, a sua vida passara tão rápido que ele sentia não ter tido tempo de apreender nada do que lhe acontecera — nem as coisas boas, nem as más. Ele concluiu que o presente não lhe trouxera sorte, pois sua vida parecia um mero devaneio, sem lembranças reais para guardar.

 

07 – Qual foi o último desejo concedido pela mulher idosa a Pedro e como a experiência transformou a sua atitude ao "acordar"?

      Pedro pediu para voltar a viver a sua vida desde o início, como se fosse a primeira vez, mas sem a bola mágica, aceitando experimentar tanto as coisas boas quanto as más sem acelerá-las. Ao "acordar" no seu quarto de infância, percebeu que tudo fora um aprendizado intenso; satisfeito e aliviado, ele passou a valorizar a caminhada, a companhia de Lise, o dia ensolarado e até mesmo a perspectiva das aulas na escola.

 

 

 

 

ARTIGO DE OPINIÃO: A DIVERSIDADE COMO RIQUEZA - FRAGMENTO - MARIA HELENA PIRES MARTINS - COM GABARITO

 Artigo de opinião: A diversidade como riqueza – Fragmento

        — Estava aqui pensando... A gente acaba convivendo com tantas coisas diferentes no dia a dia...

        — Será que ainda vamos entender tudo isso?

        — E, mesmo que a gente entenda, será que vamos ter de achar tudo bom?

        — Deus me livre! Só faltava eu ter de gostar de miolo! Será que não vamos mais poder fazer só o que gostamos?

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEha-ch7f17xKVCqvsQymy5gn5JulpGbTvEKRYS7ce-3yu3PIcfNnsyl53DRCGhggy7mukf-QwCx-tup5on5YhFmXmzTEpcql6_LJslsT9SEv-j3YbjAm2QbEriIjxdXShG98WxkKsyCeHd0w1t6xJb-RCKgSL8KxHeeknNzAZqApXYTSsYuW5vTreEWMAc/s320/images.jpg


        Gostar de tudo é a questão que queremos discutir, afinal gostamos mais daquilo com que estamos acostumados. Se desde pequenos comemos bife e batata frita, vai ser difícil passarmos a comer miolo. Entretanto, acredite, há pessoas que gostam de miolo!

        Do mesmo jeito, se só vemos filme de ação, será que vamos acompanhar com prazer um filme que se desdobra lentamente, por meio da apresentação de aspectos psicológicos dos personagens? Mas, por sua vez, tem gente que gosta tanto de drama como de comédia, de ficção científica e até de filmes de arte.

        Com relação a pessoas acontece o mesmo: gostamos dos nossos amigos porque temos alguma coisa em comum com eles, porque desenvolvemos uma relação de amizade ao longo do tempo, não de uma hora para outra. O que não quer dizer que as únicas pessoas legais do mundo sejam os nossos amigos! Existem muitas outras pessoas que podemos conhecer e admirar!

        O importante é compreender que a diversidade existente no mundo é uma riqueza, é uma fonte inesgotável de novas possibilidades para cada um de nós. Conhecer outros modos de pensar, de viver, de falar, de crer nos dá a possibilidade de ver o mundo por uma perspectiva diferente daquela com a qual estamos acostumados. Dessa forma a nossa compreensão do mundo se amplia e temos a oportunidade de escolher como queremos conduzir a nossa vida.

        Assim como temos o direito de ser a pessoa que somos e de escolher o que queremos para nós, os outros também têm esse mesmo direito. Portanto, o respeito mútuo é a chave da vida em sociedade: respeito pela natureza, por todos os seres humanos, pelas diferentes culturas como expressões de experiências de vida e de necessidades diversas.

        [...]

        Considerando o mundo cultural, vemos que a riqueza se torna quase infinita. Da Pré-História até nossos dias, quantas realizações humanas! Realizações políticas, religiosas, artísticas. Acrescentam-se as formas de convivência social, familiar, os hábitos de nossa vida diária, os costumes que regem nossa alimentação. Quantas línguas foram criadas nesse espaço de tempo! A criatividade humana é realmente inesgotável e é a pluralidade cultural que torna o mundo atraente, interessante, curioso e surpreendente.

        Cada um de nós nasce e cresce dentro de uma cultura, aprendendo a língua materna seguindo hábitos e costumes de um determinado grupo, crendo em certos princípios e dogmas religiosos. Essa cultura comum fortalece os laços entre os indivíduos do grupo, faz com que eles pensem não só como pessoas isoladas, mas também como um conjunto que partilha uma mesma visão de mundo, os mesmos valores.

        Toda essa herança cultural pode ser transformada, alargada em seus horizontes, ao contrário de nossa herança genética, que não pode ser mudada, pelo menos por enquanto. Conhecer uma outra cultura é quase como tornar-se criança outra vez: é enxergar a realidade por outros olhos. Exige de nós o esforço de nos colocarmos dentro de um outro sistema de valores, de usos e costumes para tentar compreendê-los em sua lógica interna.

        Do ponto de vista cultural, não existe cultura certa e cultura errada, superior ou inferior. A cultura do Rio Grande do Sul, por exemplo, não é melhor ou pior do que a cultura do Piauí, assim como a cultura norte-americana e a europeia não são superiores à cultura brasileira. Cada cultura é adequada ao grupo que a cria para expressar a visão de mundo específica desse grupo.

        Muitas vezes, o modo pelo qual nos habituamos a viver, a pensar o mundo e a nos relacionar com o divino pode nos parecer como sendo o único modo certo. Entretanto, os outros modos culturais não são errados, são apenas diferentes. Não precisamos adotá-los, só respeitá-los, reconhecendo que têm tanto valor quanto os nossos. Comer com hashi (aqueles pauzinhos japoneses) é diferente de comer com os dedos ou com a colher e o garfo. Só isso.

        É claro, porém, que cada cultura propõe valores que sempre podem ser analisados no sentido de saber se são adequados a toda a humanidade. Sabemos que existem obras de cultura que promovem a violência, o racismo, o preconceito. É só ligarmos a televisão para encontrarmos exemplos disso em filmes, novelas e programas de variedades. Essa “cultura” precisa ser recusada porque nos leva à barbárie, ao caos, e não nos ajuda a nos tornar mais humanos. Cultura é “aquilo que é cultivado, cuidado”, que cimenta as relações humanas e ajuda a criar uma sociedade mais justa.

        O conhecimento de outras culturas, portanto, nos torna mais flexíveis, mais tolerantes, mais respeitosos. Acima de tudo, esse conhecimento nos possibilita descobrir do que realmente gostamos e do que não gostamos; afina o nosso gosto, abre alternativas para a construção de um projeto de vida mais rico, diferente e único. Porque é o nosso projeto, de ninguém mais.

        Conhecimento sozinho não basta. É necessário que ele venha acompanhado da prática cotidiana do respeito e da tolerância por todos aqueles que são diferentes de nós ou que pensam de modo diferente, a partir de outros valores igualmente humanos.

Maria Helena Pires Martins. Somos todos diferentes!: convivendo com a diversidade do mundo. São Paulo: Moderna, 2001.p.42-6. (Aprendendo a com-viver).

Entendendo o artigo:

01 – De acordo com o texto, qual o significado das palavras abaixo:

-- Dogmas: crenças.

-- Barbárie: selvageria.

02 – O texto é construído com base em uma ideia central.

a) Que ideia é essa?

      A diversidade cultural e de opiniões é uma riqueza que amplia nossa visão de mundo e deve ser acompanhada pelo respeito mútuo.

b) De acordo com o texto como as pessoas devem agir em relação à diversidade cultural?

      Com respeito, tolerância e flexibilidade, reconhecendo que os hábitos e opiniões alheios têm tanto valor quanto os nossos, mesmo que não precisemos adotá-los.

c) Segundo a autora, qual é a importância de conhecer outras culturas?

      Permite enxergar a realidade por novos ângulos, amplia nossa compreensão do mundo, afina nosso gosto pessoal e nos ajuda a construir nosso próprio projeto de vida.

03 – A autora explica o porquê de gostarmos de uma coisa e não de outra. Qual é a justificativa que ela dá para isso?

      A autora justifica que gostamos mais daquilo com que estamos acostumados desde a infância, pois o hábito e a convivência contínua constroem nossas preferências (seja na alimentação, no cinema ou nas amizades).

04 – Em determinado momento do texto, é explicado como as pessoas se inserem em uma cultura. De que forma isso ocorre?

      Ocorre pelo fato de nascermos e crescermos dentro de um grupo específico, aprendendo a língua materna, assimilando hábitos, costumes, tradições e valores compartilhados por essa comunidade.

05 – O texto evidencia a riqueza cultural, destacando seus aspectos positivos, porém cita alguns exemplos negativos exibidos em filmes, novelas e programas de televisão.

a) Identifique alguns aspectos negativos.

      Produções culturais que promovem a violência, o racismo e o preconceito.

b) Segundo a autora, por que eles devem ser evitados?

      Porque nos levam à barbárie e ao caos, em vez de nos humanizarem e contribuírem para uma sociedade mais justa.

06 – Em relação a outras culturas, a autora afirma que não é necessário tomá-las como nossas. No entanto, destaca que é preciso aprendermos a respeitá-las, para que sejamos mais flexíveis e tolerantes com a diversidade. O que a autora propõe para isso?

      A autora propõe a prática cotidiana do respeito e da tolerância, além do esforço empático de tentar compreender a lógica interna dos costumes do outro, sem julgá-los como superiores ou inferiores.

07 – De acordo com o texto, a diversidade “nos dá a oportunidade de ver o mundo por uma perspectiva diferente daquela com a qual estamos acostumados.”. Explique essa afirmação.

      Significa que entrar em contato com outras formas de viver, pensar e crer nos tira do "piloto automático" das nossas próprias rotinas. Isso nos faz perceber que o nosso modo de viver não é o único e nos dá liberdade para escolher como queremos conduzir nossa própria vida.

08 – Releia o seguinte trecho:

        Assim como temos o direito de ser a pessoa que somos e de escolher o que queremos para nós, os outros também têm esse mesmo direito. Portanto, o respeito mútuo é a chave da vida em sociedade...

a) Alguma vez você se sentiu desrespeitado ou presenciou uma atitude de desrespeito por outras pessoas? Como você se sentiu?

      Sim. Em momentos de desrespeito à individualidade ou às opiniões, é comum sentir frustração, mágoa ou injustiça, pois todos desejam ter sua identidade acolhida.

b) É possível afirmar que atitudes como as indicadas nesse trecho podem contribuir para a construção de uma sociedade mais justa, sem preconceitos e rica culturalmente? Por quê?

      Sim. Quando reconhecemos que o outro tem exatamente os mesmos direitos que nós, eliminamos a ideia de que existe uma forma "certa" ou "superior" de ser, abrindo espaço para a empatia, o diálogo e a convivência harmoniosa.

09 – Releia o seguinte trecho: “Entretanto, acredite, há pessoas que gostam de miolo!”.

a) A quem a autora está se dirigindo? Explique sua resposta.

      Ao leitor, buscando estabelecer um diálogo próximo e direto para persuadi-lo a aceitar um ponto de vista diferente.

b) Quais palavras a seguir podem substituir o termo em destaque, mantendo o sentido da frase?       mas – nem – porém – logo

      Mas e porém.

c) Que sentido essa palavra atribui à ideia expressa: soma, oposição ou conclusão?

      Sentido de oposição (adversidade).

10 – As reticências assumem diferentes funções de acordo com o contexto em que são inseridas. Elas podem interromper uma ideia, marcar uma hesitação ou também apelar para a imaginação do leitor.

        Com que objetivo as reticências foram empregadas no trecho: “— Estava aqui pensando... A gente acaba convivendo com tantas coisas diferentes no dia a dia...”?

      As reticências foram empregadas para indicar uma pausa reflexiva ou hesitação no pensamento do personagem, simulando a espontaneidade da linguagem falada.

11 – No trecho “Comer com hashi [...]”, por que o termo foi destacado em itálico?

      O termo foi destacado em itálico por se tratar de um estrangeirismo (uma palavra oriunda da língua japonesa que não pertence originalmente ao vocabulário da língua portuguesa).

 

 

MÚSICA (ATIVIDADES): SUTILMENTE - SKANK - COM GABARITO

 Música (Atividades): Sutilmente

            Skank

E quando eu estiver triste
Simplesmente me abrace
E quando eu estiver louco
Subitamente se afaste
E quando eu estiver fogo
Suavemente se encaixe

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E quando eu estiver triste
Simplesmente me abrace
E quando eu estiver louco
Subitamente se afaste

E quando eu estiver bobo
Sutilmente disfarce, é
Mas quando eu estiver morto
Suplico que não me mate, não
Dentro de ti
Dentro de ti

Mesmo que o mundo acabe, enfim
Dentro de tudo que cabe em ti
Mesmo que o mundo acabe, enfim
Dentro de tudo que cabe em ti

E quando eu estiver triste
Simplesmente me abrace
E quando eu estiver louco
Subitamente se afaste

E quando eu estiver bobo
Sutilmente disfarce, é
Mas quando eu estiver morto
Suplico que não me mate, não
Dentro de ti
Dentro de ti

Mesmo que o mundo acabe, enfim
Dentro de tudo que cabe em ti
Mesmo que o mundo acabe, enfim
Dentro de tudo que cabe em ti

Mesmo que o mundo acabe, enfim
Dentro de tudo que cabe em ti
Mesmo que o mundo acabe, enfim
Dentro de tudo que cabe em ti, yeah

Composição: Nando Reis, Samuel Rosa.

Entendendo a música:

01 – No trecho "E quando eu estiver triste / Simplesmente me abrace", a oração em destaque expressa uma circunstância de:

a) Causa.

b) Tempo.

c) Condição.

d) Consequência.

02 – Releia a estrofe:

"E quando eu estiver bobo

Sutilmente disfarce, é

Mas quando eu estiver morto

Suplico que não me mate, não"

        A palavra "Mas" estabelece que tipo de relação com o restante do texto?

a) Adição de ideias.

b) Oposição e quebra de expectativa.

c) Explicação de um motivo.

d) Alternância de opções.

03 – Observe os advérbios destacados ao longo da letra: simplesmente, subitamente, suavemente, sutilmente. Qual é o papel desses advérbios de modo na construção do sentido do texto?

      Os advérbios indicam a maneira exata ou a delicadeza com que a outra pessoa deve agir diante de cada estado emocional do eu lírico. Eles demonstram a busca por equilíbrio, tato e sensibilidade na relação, ajustando o comportamento do parceiro ao momento vivido.

04 – Na frase "Suplico que não me mate", a oração destacada em negrito é classificada como:

a) Oração subordinada adverbial final.

b) Oração subordinada substantiva objetiva direta.

c) Oração coordenada sindética explicativa.

d) Oração subordinada adjetiva explicativa.

05 – No verso "Mesmo que o mundo acabe, enfim / Dentro de tudo que cabe em ti", a expressão "Mesmo que" introduz uma ideia de:

a) Concessão (ideia de um obstáculo que não impede a ação).

b) Comparação (igualdade entre duas situações).

c) Proporção (duas ações que mudam juntas).

d) Finalidade (objetivo a ser alcançado).

 

 

 

CONTO: BOB, UM GATO FORA DO NORMAL - JAMES BOWEN - COM GABARITO

 Conto: Bob, um gato fora do normal

           BOWEN, James

        Há uma citação famosa que diz que recebemos uma segunda chance todos os dias, mas geralmente não a aproveitamos. Passei grande parte de minha existência provando que isso é verdade. Mas tudo mudou no começo da primavera de 2007, quando me tornei amigo de um gato, o Bob.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjdWOhM6LanUvBKgO4EDNm9423xFhSVpi2jDZb0CZU4X7AymmtQNkQX_F5bE3x7jfM2cko40kPBSu2otHM-LxcY8uQr9JKRhuYMc8dCul0Ti14jojdDKZVsZwoRhFQ3nKr-vEZwblQkZKC26VJaw2y-sSbJE7e4A9170ggQ5KVVCEhSM_DsqR53PUO0CsQ/s320/images.jpg


        Conheci Bob numa noite sombria. Era uma quinta-feira de março. Havia previsão de geada, por isso cheguei em casa, no norte de Londres, um pouco mais cedo do que de costume, após mais um dia nas ruas movimentadas de Covent Garden.

        O elevador do meu prédio não estava funcionando, então minha amiga Belle e eu seguimos em direção à escada. A lâmpada estava quebrada, e o hall de entrada, escuro como breu, mas não pude deixar de notar um par de olhos reluzindo na escuridão. Um gato laranja estava enrolado sobre um capacho, do lado de fora de um dos apartamentos do térreo. Era um macho.

        Ele me encarou com um olhar inteligente. “Então, quem é você e o que faz aqui?”, parecia perguntar.

        Eu me ajoelhei.

        — Olá, companheiro. Nunca te vi antes. Você mora aqui?

        Ele continuou me encarando, me analisando. Fiz carinho no seu pescoço, em parte para ficar amigo dele e, por outro lado, para saber se usava coleira. Não usava.

        Ele adorou a atenção. Seu pelo era desigual, havia falhas em alguns lugares, e ele estava visivelmente faminto. Pelo modo como encostou em mim, pude perceber que precisava de um amigo. 

        — Acho que é um gato de rua — eu disse a Belle.

        Belle sabia que eu adorava gatos.

        — Você não pode ficar com ele, James — ela me advertiu, apontando para o capacho onde o gato estava sentado. — Provavelmente ele pertença a alguém aqui do prédio.

        Ela estava certa. A última coisa de que eu precisava naquele momento da minha vida era de um gato. Já estava bem difícil tomar conta de mim mesmo.

        Na manhã seguinte, o gato ainda estava lá. Fiz novamente um carinho nele, que ronronou, agradecendo a atenção.

        Com a luz do dia, pude perceber que era um animal lindo. Tinha um rosto impressionante, com penetrantes olhos verdes. A julgar pelos arranhões em suas patas e no focinho, devia ter-se envolvido em alguma briga ou acidente. Seu pelo era ralo e espetado, havia buracos em vários lugares. Fiquei realmente preocupado com o bichano.

        Pare de se preocupar com o gato; em vez disso, preocupe-se com você mesmo, pensei. Contrariado, me afastei e fui pegar o ônibus para o distrito de Covent Garden, onde tentaria ganhar alguns trocados me apresentando na rua.

        Ao voltar para casa, já era tarde — quase dez horas. Desci apressado pelo corredor para ver se encontrava o tal gato laranja, mas ele havia ido embora. Parte de mim ficou desapontada, porém, mais do que tudo, fiquei aliviado.

        No dia seguinte, meu coração deu um pulo ao vê-lo novamente, no mesmo lugar. Ele estava mais fraco e mais desgrenhado que nunca. Parecia faminto e com frio, pois estava tremendo.

        Talvez estivesse na hora de Bob encontrar um novo dono. Talvez ele tenha encontrado em mim sua alma gêmea.

        Foi, então, que tomei uma decisão ali mesmo.

        — Vem comigo! — exclamei.

        Senti algo muito bom por ele estar ali no meu apartamento. Eu tinha agora uma companhia.

Novo Conceito. Extraído e adaptado de BOWEN, James. Bob, um gato fora do normal. Ribeirão Preto: Conceito. Ed. 2014.

Entendendo o conto:

01 – De acordo com o texto, qual o significado das palavras abaixo:

-- Hall – corredor de passagem para chegar a algum lugar.

-- Breu – escuro.

-- Ronronou – produziu ruído (os felinos).

02 – Considerando o texto, não se pode afirmar que se trata:

a) da carência de um jovem que precisa de cuidados.

b) das chances que podemos receber da vida.

c) do encontro de um jovem e de um gato perdido.

d) dos maus-tratos sofridos por animais de rua.

e) do afeto entre pessoas e animais.

03 – Enumere as frases abaixo de acordo com a ordem em que os fatos aparecem no texto. Depois, escolha a alternativa que corresponda à resposta correta.

( ) James e Belle viram, pela primeira vez, o gato laranja porque precisaram usar a escada do prédio.

( ) James ficou desapontado, mas, principalmente, aliviado quando não encontrou o gato laranja no corredor.

( ) A previsão de mau tempo levou James a voltar para casa mais cedo do que de costume.

(  ) O rapaz fez carinho no pescoço do animal para ficar seu amigo e, também, para saber se usava coleira.

(  ) A companhia do gato, em seu apartamento, provocou em James uma sensação boa.

a) 2 – 4 – 1 – 3 – 5.          

b) 3 – 1 – 4 – 5 – 2.

c) 1 – 3 – 5 – 2 – 4.          

d) 2 – 4 – 3 – 1 – 5.    

e) 3 – 4 – 2 – 1 – 5.

04 – Analise os trechos sublinhados das frases abaixo e marque (F) se indicar um FATO ou (O) uma OPINIÃO sobre determinado fato. Depois, escolha a alternativa que corresponda à resposta correta.

( ) “Ele me encarou com um olhar inteligente.”

( ) “Na manhã seguinte, o gato ainda estava lá.”

( ) “Desci apressado pelo corredor para ver se encontrava o tal gato laranja, mas ele havia ido embora.”

( ) “Senti algo muito bom por ele estar ali no meu apartamento.”

( ) “Eu tinha agora uma companhia.”

a) F – F – O – O – F        

b) O – F – O – F – O

c) O – F – F – O – F        

d) O – O – F – F – O       

e) F – O – O – F – F.

05 – Se o narrador da história fosse Belle, a frase “Contrariado, me afastei e fui pegar o ônibus para o distrito de Covent Garden, onde tentaria ganhar alguns trocados me apresentando na rua” poderia ser reescrita, mantendo a coerência, como:

a) Contrariado, se afastou e foi pegar o ônibus para o distrito de Covent Garden, onde tentaria ganhar alguns trocados me apresentando na rua.

b) Contrariada, me afastei e fui pegar o ônibus para o distrito de Covent Garden, onde tentaria ganhar alguns trocados me apresentando na rua.

c) Contrariado, se afastou e foi pegar o ônibus para o distrito de Covent Garden, onde tentaria ganhar alguns trocados se apresentando na rua.

d) Contrariados, nos afastamos e fomos pegar o ônibus para o distrito de Covent Garden, onde tentaríamos ganhar alguns trocados nos apresentando na rua.

e) Contrariada, se afastei e foi pegar o ônibus para o distrito de Covent Garden, onde tentaria ganhar alguns trocados se apresentando na rua.

06 – Em “Passei grande parte de minha existência provando que isso é verdade”, o pronome isso se refere:

a) à imensa sorte de recebermos chances todos os dias da nossa vida sem valorizarmos essa excelente oportunidade.

b) às chances perdidas no decorrer das nossas vidas.

c) à ideia de recebermos uma segunda chance todos os dias, e, de modo geral, não a aproveitarmos.

d) à prova de que uma segunda chance deve ser aproveitada.

e) à amizade entre James e Bob.

07 – Em “Conheci Bob numa noite sombria. Era uma quinta-feira de março. Havia previsão de geada, por isso cheguei em casa, no norte de Londres, um pouco mais cedo do que de costume, após mais um dia nas ruas movimentadas de Covent Garden”, os termos em negrito podem ser substituídos, sem mudar o sentido do texto, respectivamente, por:

a) escura – habitualmente.          

b) fria – usualmente.

c) triste – sempre.                         

d) cinzenta – ontem.

e) desanimadora – diariamente.

08 – A partir da leitura do texto e da passagem “… tentaria ganhar alguns trocados me apresentando na rua”, pode-se entender que James:

a) se distrai com as suas apresentações pelas ruas do distrito de Convent Garden.

b) vai para as ruas para alegrar as pessoas que transitam por elas.

c) faz apresentações pelas ruas do distrito para se tornar um artista.

d) tem uma ONG que protege animais de rua.

e) se apresenta nas ruas porque precisa ganhar dinheiro