Artigo de opinião: Os jovens e a ciência no Brasil – Fragmento
Por Antônio
Gois – 24/06/2019 • 04:30
A maioria dos jovens brasileiros diz
demonstrar interesse por temas científicos e valorizar o trabalho
dos cientistas. Sete em cada dez afirmam que a atividade traz para a
humanidade muitos benefícios e 60%, mesmo sabendo que os recursos públicos são
limitados e que gastar mais com uma área pode significa aplicar menos em outra,
defendem ampliar investimentos no setor. Apesar dessa boa imagem, poucos, mesmo
entre aqueles que frequentam o ensino superior, são capazes de citar o nome de
um cientista ou de uma instituição de pesquisa. E mais da metade deles deu
respostas erradas à maioria de perguntas básicas de conhecimento científico.
Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjVolgLdfx__5hxlsnBl7mD7LnIW_dKBC0YIYH0qMgn51-Kuobl2a53rexv0RMNLb6dGNj58RdhG62FWBp21QFrQSrKm_2ww53w4ft-N1sClNRR8-UX4vMfnPJrR2bV7Px6hNlQiDdpz2uoKtLbkS8eSG75YdWCzbAHDrAyemZyiffyIrdK9bLOFR6gMgg/s1600/JOVENS.png Esses
são dados de uma pesquisa que o INCT-CPCT (Instituto Nacional de Ciência e
Tecnologia em Comunicação Pública da Ciência e Tecnologia) divulga hoje na
Fiocruz. Ela foi feita entre os meses de março e abril deste ano com uma
amostra de dois mil brasileiros representativa da população de 15 a 24 anos. O
levantamento envolveu também uma etapa qualitativa, em que pesquisadores
conversaram com mais profundidade com grupos de jovens a respeito dos
resultados da pesquisa nacional, e sobre como identificam notícias falsas sobre
temas científicos.
[...]
Na pesquisa qualitativa, jovens
comentaram que, em vez de buscarem ativamente informações sobre ciência e
tecnologia, o mais comum é que eles “tropecem” nessas informações, o que
reforça a necessidade de ter estratégias mais ativas de levar informação
qualificada a esse público. Essa é uma tarefa ainda mais relevante considerando
que 69% dos entrevistados disseram ser difícil ou muito difícil saber se uma
notícia em ciência e tecnologia é falsa ou verdadeira. Um dado interessante,
destacado pelo pesquisador Yurij Castelfranchi, é que entre jovens que
relataram terem nos últimos 12 meses visitado museus, bibliotecas, parques
ambientais ou participado de eventos científicos, o percentual dos que relatam
dificuldade em identificar notícias falsas cai para 44%.
Há muitos outros dados da pesquisa que
merecem ser aprofundados, para aproveitar melhor o interesse declarado dos
jovens em ciência e com o objetivo de capacitá-los para tomar melhores decisões
sobre sua vida e sobre o planeta, sempre baseadas nas melhores evidências
científicas.
GOIS, Antônio. Os
jovens e a ciência no Brasil. O Globo, 24 jun. 2019. Disponível em: https://blogs.oglobo.globo.com/antonio-gois/post/os-jovens-e-a-ciencia-no-brasil.html.
Acesso em: 26 out. 2020. (Adaptado).
Fonte: Coleção Rotas.
Língua Portuguesa. Ensino fundamental. Anos finais. 8º ano/Sandra Moura
Severino (org.) – Brasília – Editora Edebê Brasil, 2020. p. 68.
Entendendo o artigo:
01 – Qual é a principal
contradição apresentada no primeiro parágrafo sobre a relação dos jovens
brasileiros com a ciência?
A contradição
reside no fato de que, embora a maioria dos jovens (7 em cada 10) demonstre
interesse e valorize o trabalho científico, poucos conseguem citar o nome de um
cientista ou instituição de pesquisa, e mais da metade errou perguntas básicas
de conhecimento científico.
02 – De acordo com os dados da
pesquisa, qual é a postura dos jovens em relação ao investimento público em
ciência?
Mesmo cientes de
que os recursos públicos são limitados e que o investimento em uma área pode
afetar outras, 60% dos jovens defendem a ampliação dos investimentos no setor
científico.
03 – Como a maioria dos jovens
brasileiros costuma ter acesso a informações sobre ciência e tecnologia,
segundo a etapa qualitativa da pesquisa?
Os jovens
relataram que não buscam ativamente essas informações; o mais comum é que eles
"tropecem" nelas de forma casual. Isso indica a necessidade de
estratégias mais ativas para levar informação qualificada a esse público.
04 – Qual é a principal
dificuldade apontada por 69% dos entrevistados em relação ao consumo de
notícias científicas?
A grande maioria
(69%) afirmou que considera difícil ou muito difícil distinguir se uma notícia
sobre ciência e tecnologia é verdadeira ou falsa (fake news).
05 – Que fator parece
contribuir para que o jovem tenha mais facilidade em identificar notícias
falsas, conforme destacado pelo pesquisador Yurij Castelfranchi?
O contato direto
com espaços de conhecimento. Entre os jovens que visitaram museus, bibliotecas,
parques ambientais ou eventos científicos nos últimos 12 meses, o percentual de
dificuldade em identificar notícias falsas cai de 69% para 44%.
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