domingo, 8 de agosto de 2021

FOTO: ILHA ANCHIETA - COM QUESTÕES GABARITADAS

 Foto: Ilha Anchieta


Foto tirada na ilha Anchieta, Ubatuba (SP), 2011.

Fonte: Livro – Tecendo Linguagens – Língua Portuguesa – 9º ano – Ensino Fundamental – IBEP 5ª edição – São Paulo, 2018, p. 14-5.

Fonte da imagem - https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjQon_9SLGuEFHucMxoEusKE-BZHhYljf50nGWgTuNmGCxPTutbpDrrX-G7ykDcb1GR6rNjupzKhSVWKTWP56DZy1tUTcXwFCp1OG4o9qTjQBXYxcujdc4JohA6Xjl2WQdoUY6AGdcaqlA/s259/anchieta.jpg

Entendendo a foto:

01 – O que você vê na foto?

      Resposta pessoal do aluno. Sugestão: As ruínas de um conjunto de casas, sugerindo haver mais construções, árvores ao fundo e uma montanha.

02 – O que a foto não mostra? Imagine o que pode estar ao redor desse lugar e comente com os colegas, de modo que consigam visualizar o que você descrever.

      Resposta pessoal do aluno.

03 – Sobre a foto, imagine:

a)   Como foi esse lugar um dia? Quem viveu ali? Como eram as pessoas? O que faziam? Em que época viviam?

Resposta pessoal do aluno.

b)   Concentre-se em um desses personagens criados pela sua imaginação. Conte o que ocorreu com ele em determinado dia. Invente uma história que desperte o interesse dos colegas, que apresente um conflito vivido pelo personagem em certo momento de sua vida, em um lugar específico.

Resposta pessoal do aluno.

04 – A foto retrata as ruínas de um presídio que funcionava em uma ilha do litoral de Ubatuba, cidade do estado de São Paulo. Diante dessa informação, responda:

a)   Há alguma relação entre a história que você e os colegas escreveram e a referência real da foto?

Resposta pessoal do aluno.

b)   Se antes de criarem a história vocês já tivessem essa informação sobre a foto, ela seria contada da mesma maneira?

Resposta pessoal do aluno.






FOTORREPORTAGEM: COMÉRCIO DA MENDICÂNCIA - COM GABARITO

 Fotorreportagem: Comércio da mendicância

Fonte da imagem - https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEinPtSLcQf0JWzvOk51nLTT49alym31Vdi_URyu3ZdFGp2hR56f-W7DUOLHVDthWnZLgrcVeU9-sThBzq7CG-6v3pWi3tL2Cckn_5Se1lcoOb9OPcSp3pDcPGFjxVmykA1cYJ3PI-IJ7DI/s270/COMERCIO.jpg


Comércio da mendicância. Jornal denunciou aluguel de crianças para ajudar a pedir dinheiro.

Fonte: Livro – Tecendo Linguagens – Língua Portuguesa – 9º ano – Ensino Fundamental – IBEP 5ª edição – São Paulo, 2018, p.20-1.

Entendendo a fotorreportagem:

01 – Observe atentamente a fotorreportagem acima e responda: Em sua opinião, de que fato a reportagem que acompanha essa foto vai tratar?

      Resposta pessoal do aluno.

02 – Ainda fazendo referência à imagem, que sentimento essa cena desperta em você?

      Resposta pessoal do aluno. Sugestão: A foto provoca pena pela situação de pobreza em que as pessoas que mendigam se encontram, principalmente as crianças.

03 – Descreva a cena em um parágrafo, com o maior número de detalhes possível.

      A fotorreportagem retrata uma mulher com três crianças em situação de mendicância e uma transeunte que para diante dessa pessoas, possivelmente para questionar algo sobre a situação em que vivem ou para prestar auxílio. É possível supor, também, que a mulher que está de pé tenha nas mãos um saco de pão e esteja dando esse alimento às crianças.

04 – Essa foto acompanhou uma reportagem de agosto de 1979 que, à época, relatou aos leitores um tipo de mendicância praticado na região central de Campo Grande (MS). A matéria trouxe o seguinte título:

        “Crianças de aluguel”, nova fórmula para favorecer a mendicância profissional.

a)   Como você interpreta as expressões “criança de aluguel” e “mendicância profissional”?

A expressão “criança de aluguel” nos remete à ideia de que as crianças não tem necessariamente laços familiares com os pedintes. São usadas na prática da mendicância, uma vez que despertam a comoção dos transeuntes. A expressão “mendicância profissional” nos remete à mendicância institucionalizada, estabelecida como prática que caracteriza uma profissão.

b)   Ao ler o título, que visão você acha que o leitor passa a ter da cena retratada?

Resposta pessoal do aluno.

c)   De que maneira um título pode conduzir a leitura e interpretação de um texto jornalístico?

O título pode orientar e até mesmo predeterminar um tipo de leitura, condicionando previamente o posicionamento e a interpretação do leitor.

05 – A fotografia é um recorte da realidade, ou seja, a imagem retratada é parte de uma cena, de um lugar, de um contexto selecionado pelo fotógrafo para ser registrado. Por que a fotografia, apesar de ser um instante da realidade, possui tanta força expressiva? Explique sua resposta.

      Pela própria capacidade de síntese, a fotografia condensa significados e favorece às pessoas que interpretem de modo mais detalhado a cena retratada. E, por ser o registro de um momento de dada realidade, permite um olhar mais atento para os pormenores e mais aprofundado para o tema que está sendo representado, porque congela esse momento. O olhar de quem vê uma foto não é o mesmo de quem vê a realidade cotidiana, porque a foto não é simplesmente a realidade, mas revela uma realidade que está por trás da imagem.

06 – Em sua opinião, essa mesma fotorreportagem poderia ser utilizada em outro tipo de abordagem para o tema “mendicância”? Explique.

      Resposta pessoal do aluno.

07 – Leia a explicação a seguir.

        O conto é uma narrativa curta, em forma de prosa. Mas não é apenas a extensão do texto que o determina como tal. Embora seja um texto breve, apresenta capacidade de síntese e densidade em que o qualitativo se sobrepõe ao quantitativo. É como se um clarão iluminasse uma cena e se registrasse um recorte com toda sua complexidade.

·        Com base nessa explicação, responda: É possível perceber semelhanças entre a fotografia e o conto? Explique.

      Sim. Assim como na fotografia existe a necessidade de selecionar uma imagem expressiva, no conto é necessário que o acontecimento seja significativo. Ambos são produções mais enxutas, que condensam com profundidade os temas tratados.

 

CAMPANHA: NÃO DÊ ESMOLA, PROMOVA A CIDADANIA - COM GABARITO

 Campanha: Não dê esmola, promova a cidadania



Não dê esmola, promova a cidadania. Prefeitura de Dourados, 4 jul. 2018. Disponível em: https://bit.ly/2TzxDtn. Acesso em: 15 set. 2018.

Fonte: Livro – Tecendo Linguagens – Língua Portuguesa – 9º ano – Ensino Fundamental – IBEP 5ª edição – São Paulo, 2018, p. 22.

Entendendo a campanha:

01 – Observe o cartaz acima que ilustra uma notícia de 7 de julho de 2018 sobre uma campanha realizada na cidade de Dourados (MS). Qual é o objetivo dessa campanha?

      Combater a mendicância nas ruas de Dourados, inserindo crianças e adolescentes nessa situação numa rede de proteção e sensibilizando a sociedade sobre a importância de não dar esmolas.

02 – Descreva as imagens que ilustram o cartaz da campanha, considerando o primeiro plano e o plano de fundo.

      No primeiro plano, vemos uma mão em vermelho com o dizer “não dê esmola” e exprimindo um gesto de “pare”. A cor vermelha normalmente está associada a sangue, denotando energia, guerra, perigo, força, poder, determinação, etc. O vermelho, no cartaz, pode ter sido usado para reforçar o perigo que o ato de dar esmola representa. Ao fundo, vemos crianças aparentemente saudáveis, alegres e sorrindo, o que pode ser interpretado como uma forma de levar o leitor a depreender que as crianças podem ter um futuro promissor, sem pobreza e sem necessidade de mendigar em decorrência de ações como a proposta pela campanha.

03 – De acordo com o texto da campanha, a atitude de dar esmolas “perpetua o ciclo da pobreza”. O que você pensa sobre isso?

      Resposta pessoal do aluno.

04 – Considerando o tempo decorrido entre a publicação da reportagem e da foto que a acompanha (agosto de 1979) e a data de lançamento de uma campanha que trata do combate à mendicância (julho de 2018), em Mato Grosso do Sul, responda:

a)   O que é possível inferir sobre o problema da “mendicância” nesse estado?

É possível inferir que, mesmo decorrido todo esse tempo, o problema da mendicância no Mato Grosso do Sul não foi superado, o que suscita a promoção de políticas públicas no sentido de combate-lo.

b)   Esse problema é específico de um estado ou se estende aos demais estados brasileiros? Explique.

O problema da mendicância se estende a todos os estados brasileiros, onde ainda existem milhares de pessoas em situação de pobreza ou de extrema pobreza, o que as leva fatalmente a praticar a mendicância.

 

TIRINHA: ECA - A CRIANÇA EM PRIMEIRO LUGAR - COM GABARITO

 Tirinha: ECA

Fonte da imagem - https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEh1tCgDViMNlwRJwL8qLtI5YeC_JbMGSYtvh_1GMto32NyVc22YG-IITlDpV7mQOa5ThMQMEKIWlwcccn8zUp9z-Njkws8NLXBbQcxW-Jf09n0m0B6B2E7CtBebdJCUjWxDdRJ0bqS2VV8/s272/eca.jpg

ECA em tirinhas para crianças. Câmara dos Deputados. Secretaria de Comunicação Social – Plenarinho 4, ed. Brasília: Câmara dos Deputados, Edições Câmara, 2015. Disponível em: https://bit.ly/2vlDelL. Acesso em: 17 set. 2018.

Fonte: Livro – Tecendo Linguagens – Língua Portuguesa – 9º ano – Ensino Fundamental – IBEP 5ª edição – São Paulo, 2018, p. 27.

Entendendo a tirinha:

01 – No texto dessa página, afirma-se que as crianças e os adolescentes têm, por lei:

        “[...] direito à vida, saúde, alimentação, educação, esporte, lazer, profissionalização, cultura, dignidade, respeito, liberdade e convivência familiar e comunitária.”

a)   Ainda na forma da lei, quem deve garantir esses direitos?

A família, a sociedade e o Estado.

b)   Crianças e adolescentes em situação de mendicância nos remete à transgressão (não observância) de quais direitos entre esses destacados? Justifique.

Resposta pessoal do aluno. Sugestão: Todos os direitos citados são desrespeitados, uma vez que a mendicância é consequência da condição de pobreza em que muitas crianças e adolescentes se encontram, e a pobreza pode levar à falta do que é básico para a subsistência.

02 – Transcreva os verbos de ligação e os predicativos do sujeito que compõem as orações a seguir, extraídas do texto “A criança em primeiro lugar”.

a)   “[...] o adolescente está na faixa entre 12 e 18 anos [...].

Verbo de ligação: está; predicativo do sujeito: na faixa entre 12 e 18 anos.

b)   “[...] as crianças e os adolescentes estão sempre em primeiro lugar [...].

Verbo de ligação: estão; predicativo do sujeito: sempre em primeiro lugar.

c)   “[...] A lista é grande!”.

Verbo de ligação: é; predicativo do sujeito: grande.

03 – Na frase “[...] o adolescente está na faixa entre 12 e 18 anos [...]”, o verbo de ligação estar transmite a ideia de um estado permanente (definitivo) ou de um estado transitório (que só dura certo tempo) do sujeito?

      Transmite a ideia de um estado transitório do sujeito.






TIRINHA: AMAR É QUERER BEM - ALEXANDRE BECK - COM GABARITO

 Tirinha: Amar é querer bem



         
BECK, Alexandre. Armandinho, 14 jun. 2017. Disponível em:
https://bit.ly/2P17rEN. Acesso em: 17 set. 2018.

Fonte: Livro – Tecendo Linguagens – Língua Portuguesa – 9º ano – Ensino Fundamental – IBEP 5ª edição – São Paulo, 2018, p. 34.

Entendendo a tirinha:

01 – Considerando apenas as imagens, faça uma descrição das cenas apresentadas na tirinha.

      No primeiro quadrinho, os personagens apresentam-se com uma gaiola, dando a impressão de que vão pegar e prender um passarinho. No segundo, mostram-se tirando as grades (barras verticais) da gaiola; no terceiro, usam a gaiola sem as grades para servir de refeitório para os passarinhos.

02 – Indique, entre as alternativas a seguir, a que traz um trecho contraditório, com o texto dessa tirinha.

a)   Existem outras que chamam de “meus” outros seres humanos, mas nenhuma vez sequer botaram os olhos sobre eles, e toda a sua relação com essas pessoas consiste em lhes causar mal.

b)   Essa descoberta me deixou profundamente impressionado e [...] levou-me a me tornar o malhado ensimesmado e sério que eu sou.

c)   O homem diz: “minha casa”, mas nunca mora nela, preocupa-se apenas em construí-la e mantê-la.

03 – Que tipo de predicado constitui a oração do primeiro quadrinho? Transcreva-o.

      Predicado nominal: não é egoísmo nem posse.

04 – Identifique e transcreva os predicativos do sujeito que se encontram nas orações do terceiro quadrinho.

      Querer bem ao outro; generosidade.



ROMANCE: O CARTEIRO E O POETA(FRAGMENTO) - ANTONIO SKÁRMETA - COM GABARITO

 Romance: O carteiro e o poeta (Fragmento)

                Antonio Skármeta

        – Dom Pablo?...

        – Você fica aí parado como um poste.

        Mário retorceu o pescoço e procurou os olhos do poeta, indo de baixo para cima.

        – Cravado como uma lança?

        – Não, quieto como uma torre de xadrez.

        – Mais tranquilo que um gato de porcelana?

        Neruda soltou o trinco do portão e acariciou o queixo.

        – Mário Jiménez, afora às Odes elementares, tenho livros muito melhores. É indigno que você fique me submetendo a todo tipo de comparações e metáforas.

        – Como é, dom Pablo?!

        – Metáforas, homem!

        – Que são essas coisas?

        O poeta colocou a mão sobre o ombro do rapaz.

        – Para esclarecer mais ou menos de maneira imprecisa, são modos de dizer uma coisa comparando-a com outra.

        – Dê-me um exemplo...

        Neruda olhou o relógio e suspirou.

        – Bem, quando você diz que o céu está chorando. O que é que você quer dizer com isto?

        – Ora, fácil! Que está chovendo, ué!

        – Bem, isso é uma metáfora.

        – E por que se chama tão complicado, se é uma coisa tão fácil?

        – Porque os nomes não têm nada a ver com a simplicidade ou complexidade das coisas. Pela sua teoria, uma coisa pequena que voa não deveria ter um nome tão grande como mariposa. Elefante tem a mesma quantidade de letras que mariposa, é muito maior e não voa – concluiu Neruda, exausto. Com um resto de ânimo indicou ao solícito Mário o rumo da enseada. Mas o carteiro teve a presença de espírito de dizer:

        – Puxa, eu bem que gostaria de ser poeta!

        – Rapaz! Todos são poetas no Chile. É mais original que você continue sendo carteiro. Pelo menos caminha bastante e não engorda. Todos os poetas aqui no Chile são barrigudos. Neruda retomou o trinco do portão e dispunha-se a entrar quando Mário, olhando o voo de um pássaro invisível, disse:

        – É que se eu fosse poeta poderia dizer o que quero.

        – E o que é que você quer dizer?

        – Bom, o problema é justamente esse. Como não sou poeta, não posso dizer.

        [...]

        Neruda apertou os dedos no cotovelo do carteiro e o foi conduzindo até o poste onde havia estacionado a bicicleta.

        – [...] Agora vá para a enseada pela praia e, enquanto você observa o movimento do mar, pode ir inventando metáforas.

        – Dê-me um exemplo!...

        – Olhe este poema: “Aqui na Ilha, o mar, e quanto mar. Sai de si mesmo a cada momento. Diz que sim, que não, que não. Diz que sim, em azul, em espuma, em galope. Diz que não, que não. Não pode sossegar. Chamo-me mar, repete, batendo numa pedra, sem convencê-la. E então, com sete línguas verdes, de sete tigres verdes, de sete cães verdes, de sete mares verdes, percorre-a, beija-a, umedece-a e golpeia-se o peito, repetindo seu nome”.

        Fez uma pausa, satisfeito.

        – O que você acha?

        – Estranho.

        – “Estranho”. Mas que crítico mais severo!

        – Não, dom Pablo. Estranho não é o poema. Estranho é como eu me sentia quando o senhor recitava o poema.

        – Querido Mário, vamos ver se você desenreda um pouco, porque eu não posso passar toda a manhã desfrutando o papo.

        – Como se explica? Quando o senhor dizia o poema, as palavras iam daqui para ali.

        – Como o mar, ora!

        – Pois é, moviam-se exatamente como o mar.

        – Isso é ritmo.

        – Eu me senti estranho, porque com tanto movimento fiquei enjoado.

        – Você ficou enjoado...

        – Claro! Eu ia como um barco tremendo em suas palavras.

        As pálpebras do poeta se despregaram lentamente.

        – “Como um barco tremendo em minhas palavras”.

        – Claro!

        – Sabe o que você fez Mário?

        – O quê?

        – Uma metáfora.

        – Mas não vale, porque saiu só por puro acaso.

        – Não há imagem que não seja casual, filho.


Antonio Skármeta. O Carteiro e o Poeta. Rio de Janeiro: Record, 1996.

Fonte: Livro – Tecendo Linguagens – Língua Portuguesa – 9º ano – Ensino Fundamental – IBEP 5ª edição – São Paulo, 2018, p. 40-2.

Entendendo o romance.

01 – O texto se desenrola quase que integralmente em forma de diálogo entre os personagens, o carteiro e o poeta, mas, ainda assim, há trechos que possibilitam perceber a presença do narrador. Qual o foco narrativo em que foi escrito? Dê um exemplo.

      O foco narrativo é de terceira pessoa. Exemplos: “Neruda apertou os dedos no cotovelo do carteiro e o foi conduzindo até o poste onde havia estacionado a bicicleta.” / “Mário retorceu o pescoço e procurou os olhos do poeta, indo de baixo para cima.” / “As pálpebras do poeta se despregaram lentamente.”

02 – Em que espaço se passa esse trecho da narrativa? Transcreva um trecho do texto que comprove sua resposta.

      Diante da casa do poeta, possivelmente perto de uma praia. Exemplos: “Neruda soltou o trinco do portão e acariciou o queixo.” / “Neruda retomou o trinco do portão e dispunha-se a entrar [...]”. / “Com um resto de ânimo indicou ao solícito Mário o rumo da enseada.” / “Neruda apertou os dedos no cotovelo do carteiro e o foi conduzindo até o poste onde havia estacionado a bicicleta.” / “[...] Agora vá para a enseada pela praia e, enquanto você observa o movimento do mar, pode ir inventando metáforas.”.

03 – Normalmente, o discurso direto, que reproduz na escrita um diálogo, é introduzido por verbos de elocução, como falar, dizer, comentar, perguntar, responder, observar, exclamar, gritar, aconselhar, etc. Mesmo não usando esses verbos, como é possível notar a presença do discurso direto no texto e identificar os personagens a que as falas se referem?

      O discurso direto geralmente é antecedido pelo travessão, que aponta o início da fala de um personagem e quando ocorre mudança de interlocutores. Dessa forma, é possível perceber o discurso direto no texto pelo uso de travessões diante das falas e, pelo conteúdo dessas falas, a quem elas se referem.

04 – No texto, qual definição o poeta dá para a palavra “metáforas”?

      “São modos de dizer uma coisa comparando com outra”.

05 – Diante da estranheza do carteiro ao dizer que a palavra era complicada, embora se referisse a uma coisa tão fácil, Dom Pablo responde-lhe que os nomes não têm nada a ver com a simplicidade ou complexidade das coisas. O que o poeta pretende mostrar ao carteiro com essa afirmação?

      Que não há relação direta entre os nomes das coisas e o que são ou representam.

06 – Em sua opinião, o exemplo que o poeta apresenta torna mais simples o entendimento dessa frase?

      Resposta pessoal do aluno.

07 – Por que o poeta responde ao carteiro, no final do texto, que “não há imagem que não seja casual? Explique essa afirmação.

      Ele quer dizer que as imagens surgem de maneira natural, não de forma minunciosamente planejada, ou seja, a criação de imagem é espontânea.

08 – O carteiro atribui à expressão “o céu está chorando” o sentido de “está chovendo”. Responda:

a)   Qual dessas expressões foi empregada em sentido figurado?

O céu está chorando.

b)   E qual foi empregada em sentido real, denotativo?

Está chovendo.

 

ROMANCE: A PATA DA GAZELA I (FRAGMENTO) - JOSÉ DE ALENCAR - COM GABARITO

 Romance: A PATA DA GAZELA I (Fragmento)

               José de Alencar

        Estava parada na Rua da Quitanda, próximo à da Assembleia, uma linda vitória, puxada por soberbos cavalos do Cabo.

        Dentro do carro havia duas moças; uma delas, alta e esbelta, tinha uma presença encantadora; a outra, de pequena estatura, muito delicada de talhe, era talvez mais linda que sua companheira.

         Estavam ambas elegantemente vestidas e conversavam a respeito das compras que já tinham realizado ou das que ainda pretendiam fazer.

        — Daqui aonde vamos? perguntou a mais baixa, vestida de roxo-claro.

        — Ao escritório de papai: talvez ele queira vir conosco. Na volta passaremos pela Rua do Ouvidor, respondeu a mais esbelta, cujo talhe era desenhado por um roupão cinzento.

        O vestido roxo debruçou-se de modo a olhar para fora, no sentido contrário àquele em que seguia o carro, enquanto o roupão, recostando-se nas almofadas, consultava uma carteirinha de lembranças, onde naturalmente escrevera a nota de suas encomendas.

        — O lacaio ficou-se de uma vez! disse o vestido roxo com um movimento de impaciência.

        — É verdade! respondeu distraidamente a companheira.

Estas palavras confirmavam o que aliás indicava o simples aspecto da carruagem: as senhoras estavam à espera do lacaio, mandado a algum ponto próximo. A impaciência da moça de vestido roxo era partilhada pelos fogosos cavalos, que dificilmente conseguia sofrear um cocheiro agaloado.

        Depois de alguns momentos de espera, sobressaltou-se o roupão cinzento, e, conchegando-se mais às almofadas, como para ocultar-se no fundo da carruagem, murmurou:

        — Laura!... Laura!...

        E, como sua amiga não a ouvisse, puxou-lhe pela manga.

        — O que é, Amélia?

        — Não vês? Aquele moço que está ali defronte nos olhando.

        — Que tem isto? disse Laura sorrindo.

        — Não gosto! replicou Amélia com um movimento de contrariedade. Há quanto tempo está ali e sem tirar os olhos de mim?

        — Volta-lhe as costas!

        — Vamos para diante.

        — Como quiseres.

        Avisado o cocheiro, avançou alguns passos, de modo a tirar ao curioso a vista do interior do carro; mas o mancebo não desanimou por isso e, passando de uma a outra porta, tomou posição conveniente para contemplar a moça com uma admiração franca e apaixonada.

        Simples no traje, e pouco favorecido a respeito de beleza; os dotes naturais que excitavam nesse moço alguma atenção eram uma vasta fronte meditativa e os grandes olhos pardos, cheios do brilho profundo e fosforescente que naquele momento derramavam pelo semblante de Amélia.

        [...]

        Notando Amélia a insistência do mancebo, ficou vivamente contrariada. Aquele olhar profundo, que parecia despedir os fogos surdos de uma labareda oculta, incutia nela um desassossego íntimo. Agitava-se impaciente, como uma criatura no meio de um sono inquieto ou mesmo de um ligeiro pesadelo.

        Até que abriu o chapeuzinho-de-sol para interceptar a contemplação apaixonada de que era objeto. Nesta ocasião, Laura, que frequentemente se debruçava para ver quando vinha o lacaio, retraiu o corpo com vivacidade:

        — Enfim; aí vem!

        — Felizmente! disse Amélia.

        O lacaio aproximava-se a passos medidos; trazia na mão um embrulho de papel azul, que o atrito dos dedos e a oscilação dos objetos envoltos desfizera, obrigando o portador a apertá-lo de vez em quando.

        Julgando ao cabo de alguns instantes que o lacaio já tocava o estribo da carruagem, Amélia, tomando um tom imperativo, disse para o cocheiro:

        — Vamos! vamos!

        Ao aceno que lhe fez o cocheiro, o lacaio correu, chegando a tempo de apanhar o carro, que partia ao trote largo da fogosa parelha. Deitar o embrulho na caixa da vitória, rodear em dois saltos e galgar o estribo da almofada, foi para o criado, habituado a essa manobra, negócio de um instante. Não percebera ele, porém, que, abrindo-se o papel com a corrida, um dos objetos nele contidos escorregara e, justamente na ocasião de deitar o embrulho na caixa do carro, caíra na calçada.

        Laura, que se inclinara com vivo interesse para tomar o embrulho das mãos do lacaio, tivera um pressentimento do acidente, ao ver o papel desenrolado. Fechando-o rapidamente e escondendo-o por baixo do assento da vitória, ela debruçou-se ainda uma vez para verificar se com efeito alguma coisa havia caído. Ao mesmo tempo acompanhava o movimento com estas palavras de contrariedade:

        — Como ele manda isto! Por mais que se lhe recomende!

        Laura nada viu, porque já a vitória rodava ligeiramente sobre os paralelepípedos. Nesse momento, porém, dobrando a Rua da Assembleia, se aproximara um moço elegante não só no traje do melhor gosto, como na graça de sua pessoa: era sem dúvida um dos príncipes da moda, um dos leões da Rua do Ouvidor; mas desse podemos assegurar pelo seu parecer distinto que não tinha usurpado o título.

        O mancebo viu casualmente o lacaio quando passara por ele correndo, e percebeu que um objeto caíra do embrulho. 3 Naturalmente não se dignaria abaixar para apanhá-lo, nem mesmo deitar-lhe um olhar, se não visse aparecer ao lado da vitória o rosto de uma senhora, que o aspecto da carruagem indicava pertencer à melhor sociedade.

        Então apressou-se, para ter ocasião de fazer uma fineza e pretexto de conhecer a senhora, que lhe parecera bonita. Os leões são apaixonadíssimos de tais encontros; acham-lhes um sainete que destrói a monotonia das relações habituais.

        Quando o moço ergueu-se com o objeto na mão, já o carro dobrava a Rua Sete de Setembro. Ficou ele um momento indeciso, olhando em torno, como se esperasse alguma informação a respeito da pessoa a quem pertencia o carro. Sem dúvida a senhora era conhecida em alguma loja de fazendas; talvez tivesse aí feito compras.

        Não obtendo, porém, informações, nem colhendo resultado da pergunta que fizera a um caixeiro próximo, resolveu-se a meter o objeto no bolso e seguir seu caminho.

        [...]

                   ALENCAR, José de. A pata da gazela. Disponível em: https://bit.ly/2PP3NCW. Acesso em: 19 set. 2018.

Fonte: Livro – Tecendo Linguagens – Língua Portuguesa – 9º ano – Ensino Fundamental – IBEP 5ª edição – São Paulo, 2018, p. 50-3.

Fonte da imagem - https://www.google.com/url?sa=i&url=https%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fwatch%3Fv%3DvB9pJpQj0Yo&psig=AOvVaw271us3Za4h4aQzAy70Objh&ust=1628538443944000&source=images&cd=vfe&ved=0CAsQjRxqFwoTCOCAguSYovICFQAAAAAdAAAAABAE

Entendendo o romance:

01 – De acordo com o texto, qual o significado das palavras abaixo:

·        Agaloado: bordado com galões (tiras de tecido bordados com fios dourados).

·        Mancebo: Jovem, moço.

·        Sainete: graça.

·        Sofrear: fazer parar ou diminuir a marcha de um cavalo.

·        Vitória: carruagem para dois passageiros, com quatro rodas e cobertura dobrável.

02 – O fragmento do romance lido indica tratar-se de uma história policial, de aventura, de amor ou de terror?

      Indica tratar-se de uma história de amor.

03 – Qual é o foco narrativo desse romance?

      O romance é narrado em terceira pessoa.

04 – No texto, O narrador apresenta uma minuciosa descrição das personagens. Que elementos nos permitem perceber de que classe social as moças fazem parte?

      A descrição da carruagem; a forma como as moças estavam elegantemente vestidas; a conversa delas sobre as compras que já tinham realizado e as que ainda pretendiam fazer; o criado que esperavam. Tudo isso configura personagens de classe social abastada.

05 – Nesse romance, as roupas das personagens são tão importantes na caracterização delas que o narrador substitui o nome das moças pelo traje que portam. Selecione dois exemplos do texto que ilustram essa afirmação e transcreva-os.

      “O vestido roxo debruçou-se de modo a olhar para fora [...]”; “[...] o roupão, recostando-se nas almofadas, consultava uma carteirinha de lembranças [...]”.

06 – Leia o trecho a seguir, que se refere ao comportamento de Amélia, e responda à questão.

        Notando Amélia a insistência do mancebo, ficou vivamente contrariada. Aquele olhar profundo, que parecia despedir os fogos surdos de uma labareda oculta, incutia nela um desassossego íntimo. [...]”. O que o trecho pode revelar a respeito das características psicológicas da personagem?

      O trecho revela ser a personagem uma moça recatada, de comportamento reservado.

07 – Que atitudes Amélia tomou para se proteger e se esquivar do olhar do rapaz que a admirava?

      Avisou ao cocheiro que avançasse alguns passos, de modo que tirasse o interior do carro da vista do rapaz; abriu o chapeuzinho de sol, para impedir a contemplação apaixonada de que era objeto.

08 – Pelo fragmento lido, é possível identificar a situação-problema que se constrói e será responsável pelo desenvolvimento da história. Indique as alternativas que apresentam os acontecimentos fundamentais que desencadearam essa situação.

a)   O lacaio apressado não percebe que deixa cair, na rua, um objeto do embrulho que carregava.

b)   O cocheiro leva a vitória mais à frente, para tirá-la do foco do olhar do moço apaixonado.

c)   Um jovem interessado apanha o objeto perdido e busca informações sobre sua possível proprietária.

d)   Laura, desconfiada de que algo foi deixado para trás pelo lacaio, olha pela janela da vitória em direção à rua.

e)   O rapaz bem-vestido, não obtendo informações sobre a dona do objeto perdido, guarda-o no bolso.

Alternativas: a, c, d, e.

09 – Que objeto você imagina ter caído do embrulho?

      Resposta pessoal do aluno.

10 – Que ideias e sentimentos você imagina que o jovem bem-vestido terá em relação ao objeto encontrado?

      Resposta pessoal do aluno.

11 – Ao ver o objeto encontrado, o rapaz tirará algumas conclusões sobre sua proprietária. O que você acha que ele pensará sobre ela? Por quê?

      Resposta pessoal do aluno.